sexta-feira, 19 de agosto de 2011

GOLPE DE ESTADO NOS ESTADOS UNIDOS




Norman Birnbaum (*) - El País – Carta Maior

“O que às vezes se passa por alto em nossa situação é o fator propósito: a democracia norte-americana sofreu um golpe de Estado encoberto. Seus autores ocupam os postos mais altos dos negócios e das finanças, seus leais servidores dirigem as universidades, os meios de comunicação e grande parte da cultura, e igualmente monopolizam o conhecimento profissional científico e técnico”, escreve Norman Birnbaum em artigo publicado no jornal espanhol El País.

Já se escreveu muito sobre a crise dos Estados Unidos. Aludiu-se à complacência e ao fracasso de nossas elites, à ignorante fúria de um segmento de cidadãos espiritualmente plebeus, à importância intelectual e política de boa parte do resto, à ausência de uma conexão entre uma intelligentsia crítica e os movimentos sociais que no passado deram suas ideias à esfera pública, à fragilização da própria esfera pública e à consequente atomização do país. Esses diagnósticos são corretos. O que às vezes se passa por alto em nossa situação é o fator propósito: a democracia norte-americana sofreu um golpe de Estado encoberto. Seus autores ocupam os postos mais altos dos negócios e das finanças, seus leais servidores dirigem as universidades, os meios de comunicação e grande parte da cultura, e igualmente monopolizam o conhecimento profissional científico e técnico.

Seus dispostos seguidores se encontram em toda parte, especialmente entre aqueles que sentem que são ignorados, inclusive desprezados, e experimentam uma desesperada necessidade de compensação íntima. Incapazes de atuar de forma autônoma, negam em voz alta que sejam dominados e explorados. Identificam como inimigos os grupos sociais a serviço do bem público, cuja existência rechaçam como princípio. Sua hostilidade ao Governo é tão grande quanto sua falta de conhecimento de como este realmente funciona, ou a história de seu próprio país.

Evidentemente, há uma substancial coincidência entre aqueles que deram sua aquiescência ao golpe de Estado e os muitos que pretendem a recristianização do país, que acreditam que o aborto e a homossexualidade são ao mesmo tempo crimes civis e pecados religiosos, que respondem à imigração com xenofobia. Esses são os brancos, principalmente no sul e no oeste, e nas cidades menores, que ficaram escandalizados pela eleição de um presidente afro-americano e que se criaram (e ainda se criam) muitas das falsidades sobre sua pessoa, desde o seu nascimento no Quênia até sua adesão ao islamismo.

Os iniciadores do golpe de Estado são, geralmente, muito sofisticados para essas vulgaridades, embora indubitavelmente não sejam muito escrupulosos na hora de utilizá-las para conseguir o apoio para os seus objetivos primários. Que não são outros senão reduzir as funções e poderes redistributivos e reguladores do Estado norte-americano, revogando, privatizando ou, ao menos, limitando importantes componentes do nosso Estado de bem-estar: Seguridade Social (pensões universais), Medicare (seguro público de saúde para os maiores de 65) e todo um espectro de benefícios e serviços nos campos da educação, emprego, saúde e na manutenção de ingressos. A possibilidade de uma regulação ambiental em grande escala, ou de um projeto para reconstruir toda a infra-estrutura de modo que seja mais compatível com um futuro benévolo com o meio ambiente, provoca igualmente sua sistemática oposição. Os obstáculos administrativos e legais à atividade sindical são outra parte do programa.

Os esforços do capital politicamente organizado para manter o controle do sistema político são tão velhos quanto a república norte-americana. De modo algum excluíram a utilização do Governo em muitas ocasiões em todas as épocas da nossa história. O que distingue a recente situação é a propagação explícita e resoluta de uma ideologia que declara o mercado como superior ao Estado, que busca transferir para o setor privado funções governamentais até agora reservadas ao Estado, e que não permite que a consideração de um maior interesse nacional (como no comércio com outros países) interfira nos interesses imediatos do capital.

A obra de inumeráveis economistas, as simplificações de um grande número de comentaristas e jornalistas, a intromissão nos sistemas escolares e sua manipulação, e, sobretudo, o fato de que os meios de comunicação e o que temos de discurso público fiquem excluídos da discussão séria de alternativas, culminaram na fervorosa obsessão com que os congressistas republicanos fizeram sua a crença de que os déficits orçamentários são uma ameaça para o país.

Em 1952, John Kenneth Galbraith publicou sua primeira obra-prima Capitalismo americano: o conceito do poder compensatório (Novo Século Editora). Nela sustentava que a busca do benefício sem limite, a cegueira de curto prazo do capitalismo, havia sido corrigida pelo Governo, apoiado por uma cidadania consciente de seus diferentes interesses, por grupos de interesse público, por sindicatos e por um Congresso (e Governos estatais) com um grau notável de independência política.

Em 1961, Galbraith pediu ao presidente Kennedy que não o nomeasse chefe do Conselho de Assessores Econômicos: era um alvo muito visível. Durante alguns anos o ponto de vista de Galbraith seguiu sendo convincente. No entanto, também foi se produzindo um gradual enfraquecimento das forças compensatórias com as quais Galbraith contava para tornar permanente o new deal; e um enfraquecimento, assim mesmo, das elites capitalistas com maior formação e visão de longo prazo, dispostas a aceitar um contrato social.

As razões deste duplo declive seguem sendo objeto de discussão para os historiadores. A absorção dos recursos materiais e morais do país pela guerra fria, que se converteu em um fim em si mesma, desempenhou certamente um papel. Tornou-se muito mais difícil desenvolver programas de reconstrução social em grande escala pela composição racial dos pobres nos Estados Unidos, embora os brancos – de modo geral, brancos do sul – fossem uma maioria entre eles. A própria prosperidade proporcionada pelo contrato social do pós-guerra socavou a combatividade e a militância da força de trabalho sindicalizada, que ficou relativamente indefesa diante da competição da indústria estrangeira e da fuga do capital norte-americano para outros países.

Os efeitos que essas mudanças estruturais tiveram foram magnificados à medida que o capital financeiro (o reino da pilhagem e a liquidação de empresas produtivas, dos derivados, dos hedge funds e da especulação arcana) se fez quantitativa e qualitativamente dominante.

Este tipo de capitalismo, especialmente, requeria a abstinência política do Estado, que somente se poderia obter se pouco a pouco se comprasse o Estado. O novo capitalismo fez sérios avanços no Partido Democrata, reduzindo a uma insistente atitude defensiva os herdeiros do new deal que havia em seu interior. Quando, em 2008, o presidente Obama mobilizou milhões de afro-americanos, latinos, jovens e velhos, mulheres e os restos do movimento sindical, não foi menos solícito com o novo capitalismo, que tinha muito menos votos, mas muito mais dinheiro. A singular insignificância das iniciativas da Casa Branca em 2009, 2010 e este ano em matéria de estímulo econômico, emprego e reconstrução nacional poderiam ser explicadas como um reflexo do real equilíbrio de forças políticas do país.

Deixando de lado o furor provocado pelo Tea Party e pelo limite da dívida, a explicação também poderia estar nessa quinta coluna constituída pelos agentes ideológicos e políticos do novo capitalismo, que está ocupando a própria Casa Branca. Deste ponto de vista, a extraordinária boa disposição do presidente ao acordo mútuo não é o resultado de um novo alinhamento da política norte-americana, mas uma parte previsível do mesmo

(*) Norman Birnbaum é professor emérito na Faculdade de Direito da Universidade de Georgetown.

- Publicado em português na página do IHU Online/Unisinos. A tradução é do Cepat.

Fotos: The Mad Tea Party (2005) Ilustração de Mark Bryan (EUA)

COMUNIDADE INTERNACIONAL TEME ESCALADA DE VIOLÊNCIA NO MÉDIO ORIENTE


Destruição após bombas israelenses em Gaza

DEUTSCHE WELLE

Atentados no sul de Israel foram os mais violentos em três anos, dando início a uma escalada de violência, com bombardeios israelenses na Faixa de Gaza e contra-ataques palestinos. Israel vê corresponsabilidade egípcia.

A aparente trégua entre israelenses e palestinos está definitivamente rompida. Em resposta aos atentados em suas fronteiras com o Egito e a Jordânia, que mataram oito pessoas e feriram dezenas, Israel atacou diversos alvos na Faixa de Gaza, nesta sexta-feira (19/08). Em resposta, os palestinos contra-atacaram com mísseis de fabricação própria.

Segundo fontes palestinas, entre os vários mortos na cidade de Rafah, encontrava-se o líder da organização extremista Comitê da Resistência Popular, Awab Airab, apontada por Tel Aviv entre os responsáveis pelos atos terroristas.

Preocupação internacional

Cresce a preocupação internacional de que este seja o início de uma nova espiral de violência no Oriente Médio. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, condenou os atentados em Israel – os mais sangrentos desde 6 março de 2008, quando oito estudantes israelenses perderam a vida em Jerusalém. Ele expressou suas condolências aos familiares das vítimas, porém instando todos os envolvidos a agirem com autocontrole.

A alta representante da União Europeia para Assuntos Externos, Catherine Ashton, igualmente lamentou as ocorrências. Também os Estados Unidos, a França e a Alemanha condenaram severamente as ações. A secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, falou em "ataques brutais e covardes", os quais "parecem ser atos de terrorismo premeditados contra civis inocentes".

O ministro alemão das Relações Exteriores, Guido Westerwelle, alertou para que não se desista da busca de uma solução pacífica para a região: "A difícil luta pela paz e equanimidade no Oriente Médio não pode ser torpedeada pelo terror e violência", disse.

Corresponsabilidade egípcia?

Antes dos bombardeios de retaliação na Faixa de Gaza, o ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, dissera crer que pelo menos os mentores se encontrassem entre os radicais islâmicos do Hamas, o qual domina a região desde meados de junho de 2007, e nega o direito de existência de Israel.

Ahmed Yussef, um dos líderes do grupo, distanciou-se dos atentados, embora sem muita convicção, e ajuntou: "Mas nós louvamos os autores, pois atacaram soldados israelenses". Barak disse considerar o Egito corresponsável pelos atos de violência, os quais seriam "uma prova do enfraquecimento do controle egípcio sobre a Península do Sinai, e do fortalecimento dos grupos terroristas no país".

A área esparsamente povoada forma uma enorme zona-tampão entre Israel e o Egito – os quais assinaram um tratado de paz em 1979, após duas guerras em menos de uma década. Tel Aviv gozava de boas relações com o ex-presidente egípcio Hosni Mubarak, também aliado dos EUA. Porém desde a queda de seu regime, em fevereiro último, autoridades israelenses têm expressado preocupação quanto à segurança na Península do Sinai.

"Problema maior do que o Irã"

A cidade balneária de Eilat, perto da qual ocorreram os atos que Israel atribui aos palestinos, era considerada segura, até então. Situada às margens do Mar Vermelho, no mês de agosto dezenas de milhares de pessoas de todo o mundo costumam passar lá suas férias. Portanto os quatro atentados coordenados atingem o país em plena temporada turística.

Para o especialista israelense em terrorismo Ely Karmon, os atentados fatais no extremo sul de seu país não foram surpresa: as repetidas investidas contra um gasoduto importante para Israel, desde a revolução no Egito, já haviam sido advertência suficiente. Karmon confirma que após a queda do regime Mubarak criou-se um vácuo de poder no Cairo, e o país se torna um problema estratégico, apontou.

"Do ponto de vista israelense, a fronteira sul é possivelmente um problema maior do que a do Líbano, ao norte", e maior até mesmo que o Irã, avaliou. O Exército israelense começou a construir uma cerca ao longo dos 180 quilômetros da fronteira com o Egito, que espera concluir até o fim de 2012.

AV/dpa/rtr - Revisão: Carlos Albuquerque

Espanha: MANIFESTANTES E POLÍCIAS VOLTAM A OCUPAR CENTRO DE MADRID




JORNAL DE NOTÍCIAS - 22H28

Milhares de manifestantes e agentes policiais estão no centro de Madrid, com o protesto, que esta sexta-feira saiu da Atocha, contra as agressões policiais dos últimos dias, a dividir-se para tentar chegar à Puerta del Sol.

Agentes policiais têm bloqueados vários dos acesso à Puerta del Sol, procurando evitar que os manifestantes, que têm crescido em número desde o início do protesto, consigam chegar à simbólica praça.

Em alguns casos, os manifestantes cruzam-se com peregrinos da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), numa tentativa de se esquivarem aos controlos policiais, havendo relatos de pelo menos uma carga policial nas imediações do Palácio Real.

Grande parte dos manifestantes está concentrada na Praça de Santa Cruz, onde também estão muitos agentes policiais.

Na praça Puerta del Sol, a polícia mantém um forte dispositivo com os acessos cortados em vários pontos e agentes antimotim, alguns com a cara tapada.

Alheios às luzes das várias carrinhas policiais, continuam no local muitos transeuntes, bem como o grupo de rua mexicano, um elemento já tradicional naquela praça.

A preocupação é agora que se possam cruzar mannifestantes com a procissão que saiu do Passeio de Recoletos, com destino a Puerta del Sol. Na procissão vão as imagens escultóricas usadas na Via Sacra, presidida hoje por Bento XVI.

A procissão está nesta altura a passar à frente da sede do Banco de Espanha, a algumas centenas de metros da Puerta del Sol.

Na praça estão já centenas de peregrinos, entoando o cântico que tem marcado toda a JMJ: «esta é a juventude do papa».

*Foto Santi Burgos em El País

Visita do Papa: Rio de Janeiro será a sede da próxima Jornada Mundial da Juventude





O papa Bento XVI vai anunciar oficialmente no domingo que a próxima Jornada Mundial da Juventude, em 2013, decorrerá no Rio de Janeiro, adiantou esta sexta-feira a Prefeitura do Rio.

"A realização da Jornada Mundial da Juventude é uma honra para o Rio, que vive um momento fantástico nos próximos anos com a (conferência) Rio+20, a Taça das Confederações, o Campeonato do Mundo de Futebol e os Jogos Olímpicos. É mais um evento de grande magnitude que levará a nossa cidade para os quatro cantos do mundo e trará o mundo inteiro para cá", afirmou, em um comunicado, o prefeito Eduardo Paes.

A Prefeitura anunciou ainda que o prefeito Eduardo Paes, e o governador do Rio, Sérgio Cabral, se deslocam a Madrid para ouvir pessoalmente o anúncio, que será feito pelo papa durante o encerramento da XVI Jornada.

Na manhã de domingo, os governantes brasileiros participam na missa celebrada na Base Aérea de Cuatro Vientos pelo papa. Após o anúncio, Bento XVI entregará a um grupo de dez jovens brasileiros a Cruz Peregrina, símbolo da Jornada.

A Jornada deste ano, que decorre em Madrid até domingo, registrou momentos de tensão, com protestos contra a visita do papa, que resultaram em conflitos na quinta-feira entre manifestantes e a polícia.

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 *Foto EPA

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Moçambique: G12 PREOCUPADA COM A SITUAÇÃO SÓCIO-POLÍTICA E ECONÓMICA DO PAÍS


Francisco Campira, líder do G-12 em conversa com o Primeiro-Ministro, Ares Aly

Carlos Mafumachino - Última Hora

O grupo de partidos da oposição, a Coligação G-12, debateu semana finda com o Primeiro-ministro várias questões preocupantes que o País atravessa nos últimos dias, sobretudo nas áreas de política económica, educação, defesa e segurança, transportes, democratização do País e dos X Jogos Africanos. No entanto, o Primeiro-ministro (PM) reconheceu que o país está a passar por dificuldades e revelou a necessidade de revisão de políticas económicas. É pela segunda vez que este encontro acontece, e o primeiro trouxe pelo menos um resultado positivo.

No primeiro encontro tido entre a Coligação G-12 e o Primeiro-ministro, Aires Ali, foram debatidas questões de mesma natureza, que no entanto, trouxeram no mínimo um resultado.

Segundo Francisco Campira, presidente da Coligação G-12, do referido encontro o único resultado registado foi em relação aos meios para o corpo de Bombeiros.

“Pedimos ao governo, na pessoa do primeiro-ministro para que olhasse para a situação da falta de meios para os bombeiros concretamente nas províncias do Centro e Norte do País, pois não existiam carros para a extinção do fogo em casos de incêndio. Neste caso, vimos com muita satisfação depois de cerca de três meses, essas províncias receberem carros de bombeiros.

Porém, prevalecem ainda problemas que nestes encontros iremos insistir para que, haja respostas na plenitude por parte do governo. No último encontro havido há dias em Maputo, mereceram maior atenção, aspectos ligados à área sócio-política e económica do País.

“O G-12 abordou ao Primeiro-ministro a questão do Fundo de Desenvolvimento Distrital, vulgo sete milhões, onde pedimos ao PM para que haja uma maior transparência na gestão deste, uma vez que constatámos que para receber parte desses dinheiro, o cidadão é remetido a uma avaliação de conduta feita pelos chefes de quarteirões ou secretários de bairro, que são todos membros da FRELIMO, os quais dão sempre informações negativas sobre pessoas da oposição aos conselhos consultivos”, disse Campira.

Sendo assim, “o projecto do cidadão cuja formação política não é FRELIMO, é à partida chumbado. O que nós achamos ser injusto porque esse fundo não é o do partido, para doar aos seus membros mas sim, do estado para potenciar o desenvolvimento da economia nacional. Daí que apelamos para que apenas se tenha em conta a viabilidade económica do projecto apresentado pelo cidadão”, asseverou.

O presidente da G-12 disse que, ainda na área económica falamos do fundo que seria destinado à cesta básica, cujo orçamento rectificativo pedido pelo governo foi aprovado pela Assembleia da República.

“Questionámos o por quê do Primeiro-ministro ter aparecido em público a dizer que a cesta básica não era um dado adquirido, ora o G-12 e todos moçambicano querem saber para onde vai o fundo aprovado no orçamento, que não é pouco, fala-se de mais de 300 milhões de meticais”.

Neste contexto, “apelamos ao PM para que vá ao parlamento explicar ao povo, sobre o que está sendo feito com esse dinheiro, se será canalizado para outras áreas, então que se explique aos moçambicanos”, acrescentou Campira.

Por outro lado, “falamos da política fiscal, onde apelamos ao primeiro-ministro a fazer uma revisão do IVA, visto que está afixado em 17 porcento, porém se formos a olhar para África do Sul, um país poderoso, tem o IVA fixado em 14 porcento. A Suazilândia embora com uma economia fraca tem também o IVA fixado em 14 porcento, e nós temos muitas cooperações económicas com esses dois países. Então nós pensamos que o nosso IVA devia também fixar-se em 14 porcento, isto também permitiria que os cidadãos não sentissem tanto peso no pagamento deste imposto, o que evitaria também muitos casos de fuga ao fisco”, considerou o presidente da G-12.

O mesmo sublinhou a importância do pagamento dos impostos para o País, pois só assim teremos serviços públicos e infra-estruturas, melhorados.

Na ocasião discutimos ainda a situação da agricultura onde, “consideramos ser caricato o que acontece em Moçambique, ora temos 36 milhões de hectares de terra, dos quais cerca de seis milhões é que está sendo explorada para a agricultura”, disse Campira, acrescentado depois que, “não faz sentido que um País que já teve grande celeiro de produção de arroz a nível nacional, em Chókwè, que até chegou a exportar, as zonas potencialmente agrícolas de Sofala, Zambézia, Nampula até hoje não estão a produzir nada.

Para a Coligação G-12, “não se explica que um País que já esteve entre os melhores em termos de produção de chá, castanha de cajú, copra, e que produziu também em grandes quantidades a batata e o tomate, hoje importa tudo, até tomate e cebola, batata etc.”.
“Daí que pedimos ao Primeiro-ministro para que o governo faça a revisão das políticas de agricultura, e sugerimos que adoptassem políticas de isenção para a importação de insumos agrícolas, para estimular os agricultores a apostar cada vez mais na produção de alimentos”, sugeriu Francisco Campira.

“Governo legalizou uma ilegalidade”

Na área de transportes, questionámos ao Primeiro-ministro a questão da legalização das camionetas de caixa aberta para transportarem pessoas nas zonas urbanas, em resposta à demanda dos passageiros.

Entendemos neste caso que o governo legalizou uma ilegalidade pois, por um lado, estas viaturas perigam a vida dos seus utentes, pois por serem de caixa aberta e sem assentos nem suportes para os passageiros, que viajam neles em pé, afiguram-se um transporte de alto risco, porque facilmente as pessoas podem cair borda à fora enquanto a viatura estiver em movimento, aliás, são coisas que já aconteceram.

Por outro lado, a maioria dos motoristas dessas viaturas não possuem licenças nem cartas de condução, para além de que são irresponsáveis.

“Por isso, pedimos para que o governo aumentasse os autocarros para o transporte público, ampliar a rede de transportes fluviais para dar vazão à demanda, sobretudo no inter-provincial, e porquê não no transcontinental”, disse Campira.

Forças de Defesa Nacional estão descontentes

No que toca a Defesa e Segurança questionámos ao Primeiro-ministro, o facto de que ramos da Força Aérea (FA) e da Marinha de Guerra (MG) ter militares que não estão a fazer nenhum por falta de meios, no caso concreto da FA não tem aviões nem helicópteros, e no caso da MG igualmente não possuem barcos ou lanchas para o seu trabalho. E como consequência esses militares estão em terra firme, a receber salários e a comer.

Isso é contraproducente e mau para a nossa soberania, pois essas pessoas deviam estar a voar a controlar o espaço aéreo, bem como os nossos recursos etc. nós estamos relaxados a confiar no protocolo da SADC, em que quando um País é invadido, os outros membros vão apoiar, mas não esqueçamos que os homens vivem em conflito, hoje somos amigos por exemplo da África do Sul, mas amanhã pode nos virar as costas por uma razão qualquer. Por isso devemos estar minimamente preparados para que em caso de possíveis ataques podermos nos defender.

Relativamente à Marinha, devia controlar as águas costeiras, pois o nosso território marítimo está sendo delapidado pois ninguém controla.

Questionámos também, o problema de estatutos apresentados pelos militares, que lamentam dizendo que: o estatuto da defesa preconiza que em cada três anos, os militares devem ser promovidos, mas o que acontece é que muitos deles já estão a quatro ou seis anos sem serem promovidos, porque está a haver no seio das FADM esquemas de promoção clandestina, e que não obedecem aos critérios de promoção gradual.

Por isso achamos pontual pedir que governo reconsidere este aspecto para evitar este mal-estar dentro das forças armadas.

Pedimos também ao governo para abolir as células do partido nos ministérios ou no sector público, sobretudo nos pelouros da defesa e segurança, referimo-nos aos ministérios Defesa, do Interior e o SISE (Serviços de Informação e Segurança do Estado), pois consta-nos que as células do partido FRELIMO continuam a funcionar dentro dos ministérios, quando os Acordos de Paz, inclusive a Constituição da República preconizam que as forças de defesa e segurança devem ser apartidárias.

Relativamente à educação, pedimos ao governo, na pessoa do Primeiro-ministro para que se faça uma supervisão e gestão rigorosa do livro escolar gratuito para o ensino primário, porque acontece actualmente que só metade (50%) do livro escolar gratuito é que chega às mãos dos alunos, e a restante metade vai para o mercado paralelo. Ora, não faz sentido que este livro seja vendido ou então, que aquele aluno que devia tê-lo gratuitamente seja obrigado a comprá-lo.

Além disso colocamos a necessidade de que o livro gratuito seja alocado também nas escolas primárias privadas, porque entendemos que são cidadãos que gozam de mesmos direitos, para além de que o facto dos pais matricularem os filhos nas escolas privadas, abre espaço para que famílias com menos posses tenham vagas nas escolas públicas.

G-12 não espera grandes resultados nos X Jogos Africanos

Por fim debatemos sobre a realização do X Jogos Africanos de Maputo 2011, onde aplaudimos a acção do PM de convidar as atletas de renome que hoje estão fora de actividade para se juntarem às atletas que participarão nas competições.

Em relação aos preparativos deste grande evento, Campira disse que o G-12 deixou claro ao PM que, “o COJA está a fazer uma má gestão do processo, a própria publicidade feita é insignificante, as obras decorrem a ritmo lento, a preparação dos atletas foi tardia, porque enquanto os atletas de outros países já estavam a preparar-se fora dos seus países, os moçambicanos ainda estavam aqui no País, e só agora faltando menos de três meses é que saem para prepararem-se em outros países”.

“Tudo isso mostra que o COJA é uma estrutura que deixa a desejar”, considerou Campira que afirmou também que a Coligação G-12 não espera ver grandes resultados. Pese embora, não significa isso que estejamos contra os nossos atletas”.  

PM reconhece fragilidades nas políticas

O presidente da Coligação G-12 disse que o Primeiro-ministro reconheceu e lamentou, entre os pontos colocados, o facto de estarmos a importar batata, tomate e cebola da África do Sul, Swazilândia etc. e afirmou que há de facto uma necessidade de rever as políticas de desenvolvimento. Por isso o PM propôs-se a levar estas questões ao Conselho de Ministros para serem analisadas.

“O PM ficou sensibilizado com as questões, e disse que o governo irá considerar primordialmente a questão dos impostos, ou seja a isenção dos direitos aduaneiros para a importação de insumos agrícolas, para que os agricultores moçambicanos possam ter facilidades na sua aquisição e por conseguinte aumentar a produtividade”, disse Campira.

Francisco Campira deu a conhecer ainda que, o PM reconheceu a legitimidade da questão das promoções na Defesa mas, disse que é preciso tomar em conta que promover um funcionário a um cargo superior tem implicações financeiras ao Estado, todavia a preocupação merecerá a devida atenção.

Segundo Campira, Aires Ali negou que continuem a existir células do partido dentro das instituições do Estado.

Portugal: UMA GAMELA EXCLUSIVA PARA O PS…D




ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

Miguel Relvas tem razão quando calcula que, com mais meia dúzia de lentilhas, os jornalistas que ontem eram do PS passam  hoje a ser do PSD.

Em declarações à Lusa e, em resposta as declarações do ministro dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão, que acusou no passado dia 10 de Maio o PSD de querer “desmantelar” o serviço público televisivo, Miguel Relvas (então “apenas” secretário-geral do PSD) considerou ser “inaceitável que uma televisão pública custe aos portugueses um milhão de euros por dia”.

Só faltou acrescentar que, afinal, o PSD não tem a mínima responsabilidade nisso, não é?

“Parece-nos inadequado e inaceitável”, sublinhou o então  secretário-geral do PSD, “particularmente num momento de crise”, em que os portugueses já têm encargos com a casa, saúde, educação, entre outras despesas.

Jorge Lacão “foi ministro dois anos com a tutela da comunicação social e não fez nada, rigorosamente nada, para inverter a situação que se vive na Comunicação Social pública”, acusou Miguel Relvas, passando mais uma vez a esponja laranja sobre os tempos em que permitiu, e que agora renova,  o regabofe dos seus “boys” na RTP.

Segundo Jorge Lacão, a proposta do PSD de “privatizar a RTP1 e fazer entrar privados na RTPi e RTP África não tinha paralelo em nenhum outro país no espaço europeu, mesmo nos que estão a receber ajuda externa”.

Esta brincadeira dos meninos do PS... D faz-me lembrar que o anterior ministro português da propaganda, que também acumulava com os Assuntos Parlamentares, rejeitou "em absoluto", a existência de qualquer interferência do Governo na RTP e considerou na altura, Julho de 2009, que o PSD revelava "desconhecimento" do que é o serviço público de rádio e televisão.

Augusto Santos Silva tinha toda a razão. Diria, toda e mais alguma. E se há matéria em que ele é o perito dos peritos, a interferência ou manipulação da comunicação social é uma delas.

O então ministro português da propaganda respondia no Parlamento ao deputado social-democrata Agostinho Branquinho, hoje um dourado “ongoing”, que acusou a RTP de estar a ser instrumentalizada pelo Governo e pelo PS e de prosseguir há três anos uma "estratégia de silenciamento" do PSD nos seus noticiários.

Logo na altura considerei uma infantilidade a acusação do PSD, isto porque o governo do PS sabia como ninguém a melhor forma de fazer as coisas, sabia como manipular “sem manipular”, como interferir “sem interferir”, fosse na RTP (que pelos vistos tanto preocupa o PSD) ou em muitos outros meios.

Agostinho Branquinho baseou a acusação feita à RTP nos relatórios da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) sobre o pluralismo político-partidário no serviço público de televisão nos anos de 2006, 2007 e 2008.

"Em 2008, uma vez mais, de acordo com o relatório, houve uma sub-representação do PSD no serviço público de televisão", apontou Branquinho, dizendo que isso aconteceu também nos dois anos anteriores.

Na resposta, tal como depois Jorge Lacão, Santos Silva disse que as declarações de Agostinho Branquinho "só revelavam da parte do PSD o desconhecimento absoluto do que é o serviço público de televisão e de rádio".

"Nem o Governo, nem o PS, nem qualquer outro partido tem qualquer interferência na informação do serviço público de rádio e televisão. Não sei se havia isso no tempo [dos governos] do PSD, mas com este Governo não há nenhuma interferência", declarou Santos Silva.

Nesta como em quase todas as outras matérias, o melhor é encerrar Portugal para balanço. Mas, antes, importa dizer que com o actual Governo o certo é que acabem todos aqueles que, sobretudo na Imprensa (lato sensu), não obedecem.

Contudo existe uma enorme diferença entre Miguel Relvas e Augusto Santos Silva, ou até mesmo Jorge Lacão. Neste tema, apesar de tudo, creio que o PSD ainda tem de aprender muito com o PS. Em matéria da manipulação na comunicação social, os então SS, Sócrates e Silva, chegaram tão cedo que o Governo ainda hoje não deu por isso.

Os então governos do soba maior (sem ofensa para estes) José Sócrates chegou tão cedo que conseguiu, sem grande esforço e em muitos casos apenas por um prato de lentilhas, fazer de grande parte da “imprensa o tapete do poder”, transformar jornalistas em “criados de luxo do poder vigente", convencer os mais cépticos de que mais vale ser um propagandista de barriga cheia do que um ilustre Jornalista com ela vazia.

Mas não ficou por aí. Chegou tão cedo que conseguiu, sem grande esforço e em muitos casos apenas por um prato de lentilhas, convencer os jornalistas que devem pensar apenas com a cabeça... do chefe, mostrar aos Jornalistas que ter um cartão do PS era mais do que meio caminho andado para ser chefe, director ou até administrador.

Miguel Relvas tem razão quando calcula que, com mais meia dúzia de lentilhas, os jornalistas que ontem eram do PS passam  hoje a ser do PSD.

E se amanhã voltarem ao PS, nada de mal acontecerá. Portugal é uma gamela onde têm lugar cativo todos os que são do PS…D.

**Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

Activista anti-corrupção sai da prisão e continua greve de fome em local público de Nova Deli




DESTAK - LUSA

O activista indiano Anna Hazare saiu hoje da prisão em Nova Deli, sob a ovação de milhares de seguidores, e iniciou uma marcha até um local público, onde continuará a sua greve de fome contra a corrupção.

Visivelmente debilitado após quatro dias de jejum e ajudado por colaboradores, o ativista de 74 anos, inspirado nas ideias de Mahatma Gandhi, falou aos seguidores a partir de um estrado montado à saída da prisão, onde hasteou a bandeira da Índia.

Anna Hazare prevê prosseguir a campanha sem as delimitações iniciais propostas pelas autoridades num local público de Ramlila, para onde a marcha se dirige.

Num breve discurso emitido pela televisão, Anna Hazare afirmou em hindu que os seus seguidores são a sua “fortaleza”, pedindo-lhes que não causem estragos na propriedade pública e que não importunem as pessoas – "os irmãos e irmãs "- que encontrarão a caminho de Ramlila.

Os assistentes de Hazare tinham anunciado num primeiro momento que o septuagenário sairia da prisão na tarde de quinta-feira, mas a saída acabaria por ser adiada até hoje para dar tempo para preparar o espaço onde o ativista continuará o seu protesto.

Anna Hazare foi detido pela polícia na terça-feira depois de negar aceitar as condições impostas pela polícia para o seu protesto, tendo iniciado uma greve de fome na prisão, acompanhado por colaboradores, muitos deles ativistas proeminentes.

O objectivo do movimento é pressionar a aprovação de uma lei anti-corrupção no parlamento indiano, depois de o diploma apresentado pelo Governo, que excluia o primeiro-ministro e poder judicial, ter despoletado críticas.

A prisão de Hazare desencadeou manifestações espontâneas contra a corrupção nos setores político e administrativo da Índia.

*Foto EPA

Pelo menos 15 mortos após apelo internacional para saída de Bachar al-Assad da Síria




SOFIA CASTRO - LUSA

Damasco, 19 ago (Lusa) -- Pelo menos 15 manifestantes morreram hoje na Síria, um dia depois de os Estados Unidos e a Europa se terem juntado num coro de apelos para que o Presidente sírio, Bachar al-Assad, abandone o poder.

Sob o mote "o princípio da vitória", os manifestantes sírios saíram hoje, mais uma vez, para as ruas, naquela que é a terceira sexta-feira (dia sagrado para os muçulmanos) do Ramadão.

De acordo com o Observatório sírio dos Direitos Humanos (OSDH), pelo menos 11 pessoas morreram e outras 16 ficaram feridas em localidades próximas da cidade de Deraa.

*Foto EPA

Portugal: 1,5 MILHÕES DE PORTUGUESES NÃO TÊM MÉDICO DE FAMÍLIA




DESTAK - LUSA

Cerca de 1,5 milhões de portugueses inscritos nos centros de saúde em 2010 não têm médico de família, revela o relatório da atividade dos Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES) da Administração Central dos Serviços de Saúde (ACSS).

«Os dados referentes a 2010, excluindo os inscritos que optam por não ter médico de família, apontam para um valor nacional de 15% de inscritos sem médico de família, o que significa que cerca de 1,5 milhões de pessoas ainda não têm médico atribuído», observa o relatório elaborado pela Unidade Funcional para os Cuidados de Saúde Primários da ACSS. Recorde-se que em Janeiro, a então ministra da Saúde, Ana Jorge, apontava apenas para meio milhão de portugueses sem médico de família.

Segundo o relatório da ACSS, apesar de o valor nacional ser de 15%, «as assimetrias regionais são ainda bastante significativas». Em 2010 as regiões Lisboa e Vale do Tejo e Algarve eram as únicas abaixo da média nacional (6,8 médicos por 10.000 residentes), apresentando um rácio de médicos de 6,4 por 10.000 habitantes.

As consultas médicas realizadas em 2010 nos cuidados de saúde primários (CSP) registaram um aumento de 2,7% em relação a 2009.

As regiões de saúde do Algarve e Alentejo registaram valores de crescimento do número de consultas acima da média, de 3,9% e 6,9%, respectivamente.

As regiões com maior número de consultas per capita são o Alentejo e o Centro. Na região de Alentejo, por exemplo, concretizam-se 35% mais consultas per capita do que a média nacional (2,9 consultas per capita), o que pode estar relacionado com o seu índice de envelhecimento (em 2009 o valor foi de 58,5 para um valor nacional de 49,7) e índice de dependência total (em 2009 o valor foi de 186,6 para um valor nacional de 120,3).

Em sentido contrário está a região do Algarve - que se depara com uma "forte escassez" de médicos de família -, onde são realizadas menos 20% de consultas per capita do que a média nacional, refere o documento divulgado no site da ACSS.

As consultas nos SAP baixaram significativamente em todas as regiões (23% a nível nacional), refere o documento, que aponta como razão a reorganização dos serviços de urgência, que levou ao encerramento de vários SAP nos últimos anos.

«Esta variação deve ser considerada como positiva no sentido em que esta atividade é transferida para os cuidados de saúde personalizados via Unidades de Saúde Familiar (USF) e Unidades de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP)», observa.

Segundo os autores do documento, a reforma dos CSP veio facilitar o acesso pela forma de organização de trabalho em equipas autónomas. As Unidades de Saúde Familiar cobrem já cerca de 36% da população (304 USF existentes em Julho de 2011).

«As restantes unidades de cuidados personalizados estão também a organizar-se, à semelhança das USF, de forma a dar resposta às necessidades da população. No entanto, nestas unidades verifica-se um número considerável dos utentes inscritos sem médico de família», salientam.

Apesar da tendência ligeiramente decrescente das consultas não programadas em função do total de consultas, entre o ano 2009 e 2010, os valores observados (60%) demonstram ainda um elevado peso da actividade não programada.

Guiné-Bissau: PAÍS ESTÁ PRONTO PARA REFORMA DAS FORÇAS ARMADAS





A Guiné-Bissau está pronta para «o arranque efetivo» da reforma no setor da defesa e segurança e agora «a bola está do lado da comunidade internacional» em termos de garantia de meios para o arranque efetivo.

A garantia foi deixada hoje por Iancuba Injai, conselheiro do Presidente da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá, após uma reunião entre o Presidente (comandante supremo das Forças Armadas) e oficiais generais e oficiais superiores das Forças Armadas (FA) do país.

Numa declaração sem direito a perguntas, o responsável explicou que o Presidente convocou a reunião para saber junto dos oficiais do «estado geral» das FA e sobre a reforma em curso no país, «bem como a situação de todos os elementos das FA, neste momento crucial de arranque iminente, efetivo, da reforma no setor da defesa e segurança».

Indonésia entrega a Xanana M-16 e bens pessoais que tinha quando foi detido em 1992




SIC NOTÍCIAS

O ministro da Defesa da Indonésia, Purnomo Yusgiantoro, entregou hoje, em Díli, a Xanana Gusmão a arma M-16 que o atual primeiro-priministro de Timor-Leste usou durante a luta contra a ocupação indonésia (1975-1999).

Além da arma, as autoridades indonésias entregaram também a Xanana Gusmão  todo o material que tinha em sua posse quando foi detido pelas forças da  Indonésia em Díli, em 1992, quando comandava as Forças Armadas de Libertação  Nacional de Timor-Leste (FALINTIL). 

As bandeiras de Portugal, da ONU, das FALINTIL, uma farda e dinheiro  faziam parte de uma série de objetos entregues pelo Governo de Jacarta a  Xanana Gusmão, numa cerimónia realizada em Díli, para assinalar o reforço  da cooperação entre os dois países.
 
Em declarações aos jornalistas e visivelmente emocionado, o primeiro-ministro  timorense afirmou que o gesto do "ministro da Defesa da Indonésia não é  só simbólico como também expressa o incremento" das relações bilaterais.

"Podemos ver a magnitude do gesto com a entrega do material que pertence  às FALINTIL. É uma lição para todos os países que atualmente lutam entre  si, estão em guerra e se matam uns aos outros", afirmou Xanana Gusmão. 

Segundo o primeiro-ministro timorense, a "Indonésia e Timor-Leste querem  mostrar que a guerra não resolve nada e que depois da guerra se tem de viver  como seres humanos, como vizinhos e como países". 

Depois da entrega simbólica daquele material foram assinados dois memorandos  de entendimento para reforçar a cooperação entre os dois países nos setores  da defesa e do comércio. 

O ministro da Defesa indonésio disse que os dois países falaram também  sobre os assuntos em que podem cooperar no futuro. 

"Somos vizinhos e os vizinhos estão lá para sempre. Por isso, devemos  estar juntos agora e no futuro", disse. 

Governo timorense quer negociar até final de outubro fim do monopólio de participada da PT





Díli, 19 ago (Lusa) -- O Governo de Timor-Leste quer concluir até ao final de outubro negociações com a Timor Telecom (TT) para terminar o monopólio daquela operadora de telecomunicações, detida maioritariamente pela Portugal Telecom (PT), anunciou o primeiro-ministro timorense.

O anúncio foi feito por Xanana Gusmão num discurso proferido na quinta-feira, durante um encontro com a Câmara de Comércio e Indústria do país, enviado hoje à Lusa pelo gabinete do primeiro-ministro.

No discurso, Xanana Gusmão afirmou que o Governo timorense pretende "ter as negociações com a Timor Telecom concluídas até finais de outubro do presente ano, havendo planos para licenciar novos prestadores de serviços de forma a permitir-lhes começar a prestar serviços em princípios de 2012".

Chefe das Forças Armadas de Moçambique na cerimónia de desmobilização em Timor-Leste




JORNAL DIGITAL

Maputo - Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), Tenente-General Olímpio Cambona, vai representar as FADM, este sábado, 20 de Agosto, em Díli, na cerimónia de desmobilização de 236 combatentes das Forças Armadas de Libertação e Independência de Timor-Leste (FALINTIL).

A cerimónia de desmobilização, reconhecimento e atribuição de patentes aos homens e mulheres que estiveram envolvidos na luta pela independência de Timor-Leste, nos quais integra o primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, visa o cumprimento do decreto assinado pelo Presidente timorense, José Ramos-Horta, baseado na lei e respeito aos veteranos, incluindo os que morreram em combate.

Segundo o programa que consta no convite dirigido às FADM, a cerimónia de desmobilização incluirá actos de reconhecimento e tributos para com os combatentes que não estão no activo desde Outubro de 1999, mas que integraram a Frente Armada e contribuiram para a independência.

No acto que contará com a presença de altas individualiades nacionais e estrangeiras, as tropas deverão receber insígnias para colocar no uniforme, uma medalha comemorativa e um diploma de honra.

Além de Xanana Gusmão, vão ser desmobilizados Taur Matan Ruak, actual Chefe das Forças de Defesa de Timor-Leste, e Francisco «Lu Olo» Guterres, atual presidente da Fretilin.

(c) PNN Portuguese News Network

Cabo-Verde – Presidenciais: OBSERVADORES E ANALISTAS NÃO ARRISCAM PREVISÕES




JORNAL DIGITAL

Praia - A dois dias da segunda volta das eleições presidenciais deste Domingo, 21 de Agosto, observadores e analistas não fazem antevisões depois de, na primeira volta, o favorito das sondagens ter sido excluído do acto eleitoral da segunda volta.

Com cerca de mais de 9 mil do que o segundo classificado na primeira volta, Jorge Carlos Fonseca, apoiado pelo Movimento para a Democracia (MpD), sabe que existem 45 mil votos a conquistar, muitos deles por parte de militantes e simpatizantes do Partido Africano da Independência de Cabo-Verde (PAICV), que apoia Manuel Inocêncio Sousa.

Na primeira volta, os referidos votos foram para Aristides Lima, da área do PAICV, mas sem o apoio formal do partido liderado por José Maria Neves.

O professor universitário e analista político, João Silvestre Alvarenga, não tem dúvidas de que, «de acordo com os erros dos vários lados em disputa, a competição será renhida».

Em declarações a PNN, João Silvestre Alvarenga afirmou que, devido às denúncias de compra de votos, fraude eleitoral, imoralidade e abuso na utilização dos bens públicos em campanha, «seria temerário avançar qualquer prognóstico porque várias incógnitas ainda estão em jogo e nem mesmo os apoiantes de Aristides Lima, com os seus 45 mil votos, saberão definir essas eleições, devido às sucessivas turbulências ocorridas e outras que poderão ainda vir a acontecer».

O jornalista Marcos Fonseca considera que o cenário aparenta ser mais favorável a Manuel Inocêncio Sousa, que conseguiu garantir o apoio político do seu partido na Região Santiago Sul, o maior círculo eleitoral do país e onde perdeu na primeira volta.

«Manuel Inocêncio de Sousa tem a seu favor o facto de ter vencido a primeira volta em São Vicente, sua ilha natal, conquistando assim os dois maiores círculos eleitorais país», explica Marcos Fonseca, que acredita que «boa parte dos eleitores de Aristides Lima, que partilha da mesma ideologia política que Manuel Inocêncio de Sousa, poderão votar nele».

O analista Corsino Tolentino e apoiante de Aristides Lima, reconhece, em entrevista ao jornal Expresso das Ilhas, que a diferença conseguida por Jorge Carlos Fonseca «é um bom apoio mas não é confortável».

Entretanto, outro fenómeno que pode vir a acontecer é o aumento da abstenção, com muitos dos eleitores de Aristides Lima a não comparecerem à votação.

Tanto nas ruas como nas redes sociais, vários apoiantes de Aristides Lima têm manifestado a sua intenção de votar em Jorge Carlos Fonseca, enquanto outros já anunciaram que se vão abster.

Sem qualquer previsão científica de um vencedor, já que com o fracasso das previsões da primeira volta as empresas de sondagem retiraram as suas equipas de campo, Cabo-Verde pode ficar tanto com o cenário actual de um Presidente da República apoiado pelo partido do Governo ou, pela primeira vez, ter um Chefe de Estado identificado com a oposição.

Para João Silvestre Alvarenga, neste último caso, seria um teste à coabitação política. No entanto, admite a tentação do MpD em «querer desestabilizar o Governo e provocar a sua queda antecipada, embora tal seja pouco provável na prática».

O analista vai ainda mais longe dizendo claramente que «generais estarão prontos para detonar guerras políticas pelo poder e colocarão a factura do apoio político partidário em cima da mesa do Presidente da República».

No caso da vitória de Manuel Inocêncio Sousa, «será, acima de tudo, a vitória de José Maria Neves o que, na minha opinião é a maior vitória política pessoal de um homem em Cabo-Verde mas, simultaneamente, o maior desastre político para a sociedade», acrescenta João Silvestre Alvarenga, sublinhando que essa vitória, representa «o trunfo de tudo o que há de mais retrógrado na nossa história política e cultural, que é o sucesso do carneirismo político contra alguma expectativa de um movimento libertário, democrático e meritocrático».

O jornalista Marcos Fonseca tem uma leitura semelhante e admite que, em caso de vitória de Jorge Carlos Fonseca, este poderá estar mais atento às questões jurídicas e constitucionais, enquanto Manuel Inocêncio de Sousa será um colaborador do Governo.

Vários são os observadores que consideram que o espectro político e as lutas políticas não serão os mesmos em Cabo-Verde depois das eleições apesar de, em caso de vitória de Manuel Inocêncio Sousa, se manter a tradição de um Governo e um Presidente da República da mesma cor política, como acontece desde 1991.

Essa nova fase deverá afectar profundamente os dois partidos que bipolarizam a política cabo-verdiana.

O PAICV encontra-se já num profundo processo de mudança e, apesar do discurso conciliador do presidente e dos apoiantes de Aristides Lima com o objectivo de garantir a eleição de Manuel Inocêncio Sousa, advinha-se ainda luta nos próximos meses, visando a liderança do partido.

Felisberto Vieira, que se apresenta como alternativa a José Maria Neves, reclamou, esta quarta-feira, 17 de Agosto, perante centenas de militantes, o respeito e o direito à existência de tendências. Em resposta, o presidente do PAICV e primeiro-ministro disse que ninguém vai sair do partido e admitiu a criação de tendências, já previstas nos estatutos. «Havendo um ou outro dirigente que queira, tem toda a liberdade para o fazer», concluiu.

Corsino Tolentino, analista, antigo combatente e ministro da Educação no Governo de Pedro Pires entre 1985 e 1990, acredita num processo de democratização interna do PAICV com uma redistribuição de papéis e novos equilíbrios.

«Pelo que conheço, deduzo que não haverá divisão do partido mas antes uma redistribuição dos papéis e dos actores e todos vão preocupar-se com a estabilidade dinâmica», explica Corsino Tolentino.

Resta ainda saber se Aristides Lima vai preparar a sua candidatura presidencial para 2016 que, em caso de vitória de Manuel Inocêncio Sousa neste Domingo, voltará a não ter o apoio do PAICV, ou se tentará liderar uma tendência interna, enfrentando o seu principal apoiante, Felisberto Vieira.

Com o PAICV ocupado com o processo de clarificação de águas com vista a apresentar-se unido nas eleições autárquicas de Maio de 2012, o MpD tem pela frente o desafio de se afirmar definitivamente como alternativa ao poder actual, ou ficar simplesmente como um partido autárquico, como chegou a antever o analista português Marcelo Rebelo de Sousa, antes das Legislativas de Fevereiro, em caso de derrota do MpD, liderado por Carlos Veiga.

Será Jorge Carlos Fonseca eleito Presidente da República? Esta pergunta salta surge nos diversos círculos políticos da capital cabo-verdiana. Tal vitória pode ser entendida como de um homem que fez um longo percurso e que se preparou para esta batalha, depois de ter conseguido apenas 3% nas Eleições Presidenciais de 2001. o próprio candidato admitiu que necessitava do apoio de um partido grande para vencer as eleições e, nesse caso, recebeu-o do MpD, partido que ele abandonou em 1993.

Assim, o MpD pode reclamar vitória e exifir a Jorge Carlos Fonseca que fique «refém» das suas políticas considerando, entre outros aspectos, que ele estará tentado a recandidatar-se em 2016 e, nessa altura, terá de contar com o apoio do MpD que apostará tudo numa vitória nas Legislativas desse mesmo ano, colocando assim término ao mandato do PAICV. Com este último cenário, o actual Presidente do MpD, Carlos Veiga, poderá surgir como o grande vencedor.

Desta forma, apesar da derrota nas Legislativas de Fevereiro, o Presidente do MpD poderia ser tentado a ficar no partido mesmo depois das autárquicas de 2012, deitando por terra veleidades de dois homens fortes no partido: Jorge Santos e Ulisses Correia e Silva.

O primeiro, actual vice-presidente do partido, apoiou sempre a a candidatura de Jorge Carlos Fonseca e viu nessa luta uma forma de voltar a disputar a liderança do MpD.

O segundo, também vice-presidente do partido e Presidente da principal Câmara Municipal do país, Praia, é visto em muitos círculos do MpD e fora dele como o natural e melhor candidato à presidência do partido.

No entanto, ao anunciar a sua recandidatura à Câmara Municipal da Praia para as eleições de 2012 pode ter dado uma indicação de que não estaria interessado, por agora, na liderança do MpD, facto que poderia levar Carlos Veiga a recandidatar-se.

300 mil cabo-verdianos deverão ir às urnas, numa disputa em que a abstenção deverá ultrapassar os 50%. Manuel Inocêncio Sousa ou Jorge Carlos Fonseca lutam para substituir Pedro Pires, depois de dois mandatos.

(c) PNN Portuguese News Network

*Foto em Lusa