sexta-feira, 12 de Agosto de 2011

NÃO SE DEIXEM ENGANAR! OS TIMORENSES TÊM DE ERGUER A CABEÇA E DIZER BASTA!




O título acima é decalcado do comentário do leitor Marco Fonseca, que podem ler mais em baixo. Prosseguimos a divulgação em destaque de opiniões de alguns leitores que fizeram questão de se manifestar sobre a eventual aprovação pelo governo de Gusmão da reforma na educação que prevê a abolição da língua portuguesa no ensino. Para já no ensino básico, como divulgou a Agência PNN. 

COMENTÁRIOS EM:


Comentário A - Anónimo

Isso de apoiar as línguas maternas é um lobo vestido de cordeiro. Soa muito bem mas a impraticabilidade é flagrante, em Timor ou na Suíça. Vejam lá se a vizinha Indonésia embarcou em algo semelhante (que exigem muuuuuitos recursos que, obviamente, Timor não tem): a Indonésia tem 600 línguas e dilectos diferentes. Na Papua Nova Guiné (neo)colónia australiana, as línguas locais desaparecem a uma velocidade assustadora e imaginem qual é uma das línguas oficiais...

A escolha de línguas nada tem a ver com as melhores práticas pedagógicas. Muitos timorenses aprenderam a ler e a escrever em indonésio, que não era a sua língua mãe, e fizeram-se grandes homens e mulheres. A escolha de línguas oficiais e de instrução prende-se com as opções políticas, sempre assim foi, vejam-se as teorias do nacionalismo e a sua análise sobre a escolha de línguas oficiais. Mais, as velhas teorias explicam muito bem como é que a instrução universal cimenta o nacionalismo e como é reduzido o número de línguas escolhido (a Itália de Garibaldi escolheu um dialecto que agora é conhecido por italiano). Para quê inventar o que já está inventado? Só se houver a hidden agenda. Como é notoriamente o caso.

Comentário B – Anónimo

Os timorenses são independentes, fazem o que acharem melhor. Mas não venham então chatear portugueses, brasileiros (e também são-tomenses, moçambicanos, cabo-verdianos e angolanos) a pedir esmolas que, os 9 mil milhões não lhes chegam. Querem falar inglês, cantonês ou conchichinês, façam o favor. Mas não venham é chatear os «colonialistas» com lamechas e conversas da treta.

Se o português não se difunde mais em Timor, a culpa é também das autoridades timorenses que não se empenharam como supostamente a constituição que escreveram os obrigaria. Larguem a CPLP e juntem-se ao Pacífico ou às Caraíbas. Mas larguem então os «colonialistas» parvos que foram dos poucos que se lembravam deles em alguns fóruns internacionais durante muito tempo e que, se os abandonaram em 75, é porque, se calhar, chegaram a antecipar aquilo que os indonésios só depois de muito tempo descobriram: a pedra no sapato (como dizia o Alatas). (os indonésios devem agora estar a rir-se...)

Comentário C - Anónimo

A próxima deve ser. «ai, e tal, o sistema jurídico civilista também não presta, e tal, a common law tem mais a ver a com a biti bo'ot timorense, e tal, também não precisamos de juristas de matriz civilista e tal...» As línguas indígenas depois também não servirão porque não abarcam conceitos jurídicos, é melhor outras línguas. Depois o Conselho de Ministros começa a ser noutras línguas.


Olhem, para substituir o português, voto no indonésio. Pelo menos toda a gente passa a perceber correctamente as instruções das embalagens de shampô, cimento, piri piri, água e tudo aquilo que os remediados e os mais pobres timorenses arrancam das prateleiras. O chinês também dava jeito. Mas isso é melhor não, porque senão os australianos ficam muito nervosos e um australiano nervoso dá lugar a dez navios de guerra em frente ao Palácio do Governo.

COMENTÁRIOS EM:


Comentário A - Marco Fonseca

Não se deixem enganar! Os Timorenses têm de erguer a cabeça e dizer basta! Os Timorenses não são fantoches nas mãos dos ricos!

Se as crianças não aprendem Português na primária, vão aprender quando!!! Só quem enterra a cabeça na terra é que não vê o presente envenenado!

Assim como o Português nunca sucumbiu à língua Castelhana, espero que o Tétum e o Português em Timor não sejam espezinhados por interesses económicos/capitalistas de alguns!

Esta gente não se preocupa com os Timorenses, querem apenas o vosso dinheiro e pisar o povo!

Como pode Timor dizer que é livre quando lhe apontam a catana à sua cultura e identidade?

Como podem vir afirmar que se deveria implementar o Inglês, e se aceita sem tumultos uma barbaridade dessa?!

Os Timorenses deveriam sentir orgulho em aprender o Tétum e o Português e dizerem aos seus filhos:

“Eram estas as línguas que os teus antepassados falavam, o teu pai, mãe, avós, bisavôs… sinto orgulho em ti meu filho, por estares a aprender de novo o que nunca devia ter sido arrancado de nós!”

Não se deixem enganar! Continuem a lutar!

Comentário B – Anónimo

Dr. Mari Alkatiri,

Não diga que vai abolir o ensino de línguas indígenas. Elas também devem ser protegidas (também está na Constituição, no mesmo artigo da línguas oficiais). Creio que deveria era pugnar por um programa semelhante ao da Sra. Kirsty, mas bem pensado e de médio prazo. No fundo, a ideia, no geral, é muito boa. As intenções por detrás dela é que são duvidosas.

Não sei se sabe, mas o inglês é ensinado desde a escola primária, em Portugal (às vezes até antes, no ensino privado). Por um motivo muito simples: as crianças habituam-se e aprendem mais rapidamente a língua. Há imensas crianças poliglotas no mundo: conheço imigrantes portugueses na Alemanha que aprenderam a ler e a escrever em alemão, falam português em casa e, nalguns casos, outras línguas, como o italiano ou o francês (a nacionalidade dos outros pais). E são pessoas bem sucedidas, não porque aprenderam a ler e a escrever na língua materna mas porque o sistema de ensino alemão é Excelente. Conheço até um caso de uma portuguesa, a viver em Portugal, que só fala francês para o filho para que seja bilingue.

No contexto de Timor-Leste, quanto mais cedo se aprender o português e o tétum, melhor. Mais há a possibilidade de aprenderem bem estas línguas. A língua mãe será SEMPRE falada em casa, ainda mais se os pais forem incentivados a fazê-lo. Posteriormente, com uma disciplina da língua mãe (para saberem escrever e ler nela), não se corre o risco de alienar NENHUMA língua. Proponha à Sra. Kirsty que invista numa campanha destas. Seria bem mais útil.
 
 

Timor-Leste: JAPÃO CONTRIBUI COM 1.6 MILHÕES DE DÓLARES PARA AS ELEIÇÕES DE 2012




SAPO TL

Representantes do Governo japonês e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) assinaram ontem um acordo através do qual o Japão contribuirá com 1,6 milhões dólares no apoio às eleições presidenciais e legislativas de Timor-Leste em 2012, segundo comunicado das Nações Unidas.

A ajuda irá incidir no apoio ao Secretariado Técnico da Administração Eleitoral (STAE), nas áreas de logística e operações. O acordo foi assinado por Mikiko Tanaka, Director Nacional do PNUD, e Iwao Kitahara, o embaixador japonês em Timor-Leste. Estiveram também presentes o Vice Primeiro-Ministro José Luís Guterres, o Director do STAE Tomas Cabral, o Vice-Ministro Parlamentar dos Negócios Estrangeiros do Japão e Ameerah Haq, Representante Especial da ONU em Timor-Leste.

 “O Japão sente-se lisonjeado por poder dar o seu contributo para o processo da democracia na mais jovem nação asiática,”disse o embaixador Kitahara. “O nosso apoio irá dar uma maior liberdade e justeza durante as eleições.”

Com esta contribuição, o Japão torna-se um dos maiores apoiantes das próximas eleições, dando seguimento a um outro acordo, aquando das eleições em 2007. O projecto do PNUD para as eleições também contará com o apoio da Suécia (SIDA), Irlanda (Irish Aid), Espanha (GPECS) e União Europeia( projecto Pro Palop).

SAPO TL com Nações Unidas

*Tudo sobre TIMOR-LESTE ou outro país da CPLP se clicar no respetivo símbolo na barra lateral

Trabalhos preparatórios do orçamento decorrem com "transparência sem precedentes"




SK - LUSA

Lisboa, 12 ago (Lusa) -- O Governo de Timor-Leste anunciou hoje que os trabalhos preparatórios do Orçamento Geral do Estado para 2012 estão a decorrer num "padrão de transparência sem precedentes", com reuniões a serem transmitidas pela televisão estatal.

Em comunicado oficial, o executivo de Díli refere que o Orçamento Geral do Estado para 2012 terá incluído verbas específicas para as eleições presidenciais e legislativas e as comemorações históricas dos dez anos da restauração da independência, que decorrem no próximo ano.

"O Comité de Revisão do Orçamento (...) está atualmente a conduzir a tarefa difícil de analisar os orçamentos propostos para 2012, um ano determinante que incluirá eleições presidenciais e legislativas e importantes comemorações históricas", lê-se na nota assinada pelo secretário de Estado do Conselho de Ministros e porta-voz do Governo timorense, Ágio Pereira.

A mesma fonte precisa que o governo liderado por Xanana Gusmão iniciou este processo em 01 e 02 de agosto, através da revisão, análise e discussão do Orçamento Geral do Estado de 2011.

Estes trabalhos decorreram "num fórum aberto e transparente" e contaram com a participação de "agentes do Estado, membros do Governo, deputados, diretores e funcionários públicos", que partilharam informações "com vista a melhorar a execução do Orçamento no futuro", destaca a nota.

"Como parte das medidas consolidadas do Governo para providenciar transparência e responsabilização os procedimentos foram difundidos em direto e sem edição através da televisão nacional", o que "demonstra um nível de transparência sem precedentes", segundo a mesma fonte.

De acordo com o comunicado, a sessão de trabalho "marcou um passo importante para Timor-Leste, demonstrando a igualdade de todos os agentes do Estado com um nível sem precedentes de debate sincero e destemido". Revelou igualmente "uma função pública segura, madura e despolitizada, com os agentes de todos os partidos políticos a sentarem-se lado a lado tendo em vista (...) a melhoria da prestação de serviços em prol do povo de Timor-Leste".

O Orçamento Geral do Estado para 2011 "está até aqui equilibrado", mas foi pedido a "todos os ministros que estabelecessem prioridades para os seus orçamentos afetados e que só utilizassem o fundo de contingência para o objetivo para que este foi criado, nomeadamente o de fundo de emergência", lembra a nota do executivo.

No comunicado, Ágio Pereira refere que a "maior falha de qualquer governo é a sua recusa em identificar e assumir debilidades durante o processo de construção de Estado" e que o "maior ataque à democracia é esconder esses desafios atrás de portas fechadas".

CRISE E O BRASIL: AS DUAS SAÍDAS DE DILMA




ANTÓNIO MARTINS – OUTRAS PALAVRAS

A presidente fez um discurso corajoso em São Paulo. Mas o governo (ainda?) não caminha na direção de suas palavras

As crises permitem conhecer melhor os governantes. A fase brilhante do governo Lula começou precisamente em 2008, na primeira onda das atuais tempestades financeiras. Quando percebeu que as ideias supostamente “sérias” sobre a necessidade de “respeitar os mercados” haviam conduzido o mundo ao abismo, o presidente optou por políticas ousadas. Ao invés de cortar gastos, como mandavam os economistas “prudentes”, elevou o salário mínimo, a Bolsa Família, estimulou setores que começam a demitir. As decisões sustentaram o emprego e a produção e mantiveram o Brasil a salvo. Já Barack Obama parece tornar-se menor, diante das dificuldades. Intensamente pressionado pelos extremistas do Partido Republicano e do Tea Party, passou a admitir, há cerca de um ano, uma agenda de corte dos serviços públicos e isenção de impostos para os ricos. De concessão em concessão, descambou, no início do mês, para um acordo desastroso sobre a dívida norte-americana. O compromisso, que torna o Estado quase impotente diante da crise, semeou desconfiança sobre a coordenação política dos EUA e foi o estopim de uma nova série de vendavais, cujos desdobramentos ainda não se pode prever.

Por tudo isso, é estimulante examinar um discurso feito nesta quarta-feira (10/8), em São Paulo, pela presidente Dilma  – e praticamente ignorado pelos jornais impressos. Ao participar de um evento fechado (a abertura do Encontro Nacional da Indústria da Construção), ela referiu-se explicitamente à segunda onda da crise, e indicou um rumo. Criticou de modo direto as políticas de ataque aos direitos sociais, que começaram a ser adotadas há cerca de um ano – primeiro na Europa, depois nos Estados Unidos. “Alguns [países]”, disse, “pegaram seus recursos fiscais e entregaram para os bancos. Salvaram os bancos e deixaram sua população, que estava endividada com o subprime, sem nenhum apoio e nenhum resgate”.

Garantiu que a postura do Brasil será diferente. “Nós não entraremos em recessão. (…) Não significa que sejamos imunes. Mas só seremos presas fáceis se não reagirmos”. Frisou que tal atitude permitiu que o país fosse, em 2008, “o primeiro a sair da crise”. E prometeu reagir da mesma maneira: “Estamos decididos a preservar nossas forças produtivas, nosso emprego e nossa renda (…) Isto é correto do ponto de vista moral e ético mas também do ponto de vista econômico”.

São palavras importantes, inclusive porque crise financeira coincide com um momento de imenso desgaste da democracia representativa. Profundamente influencida pelas finanças, a maior parte dos Parlamentos, governos e da mídia tornou-se surda em relação às sociedades, o que dá origem com frequência a políticas próximas à irracionalidade. É ótimo saber que, nas palavras, o governo brasileiro não foi tomado por ela.

Talvez esta lucidez da presidente, mobilizada pelas turbulências, possa ajudá-la a corrigir um gravíssimo problema de seu governo, diretamente relacionado ao discurso de ontem. A política econômica seguida nos sete primeiros meses de gestão representou um retrocesso em relação à de seu antecessor, e faz lembrar a estupidez que Dilma agora enxerga em outros países.

Embora de modo menos extremo, o governo desviou-se, a partir de janeiro, para a mesma linha — de favorecimento aos mercados financeiros e ataque aos direitos sociais – seguida por europeus e norte-americanos. Por um lado, o Banco Central promoveu cinco rodadas seguidas de elevação das taxas de juros. Elas passaram de 10,75% para 12,5% ao ano. Entre 58 países acompanhados pela revista The Economist, situam-se entre as cinco mais elevadas. Adotadas a pretexto de combater a inflação, são um péssimo remédio para enfrentar este mal. Além disso, provocam dois efeitos colaterais devastadores.

Transferem renda (via pagamento de juros) do conjunto da sociedade para a pequena minoria que tem dinheiro sobrante para aplicar no mercado financeiro. E devastam a indústria: a perspectiva de rendimentos incomparáveis atrai para o Brasil uma enxurrada de capitais especulativos de todo o mundo, encarecendo o real frente a outras moedas e tornando a produção nacional não-competitiva.

Conformado em alimentar a ciranda especulativa, o governo restringe investimentos importantes. O volume de recursos retirado de todos os outros itens do Orçamento da União para pagamento de juros (o mal-chamado “superávit primário”) vem batendo recordes. Apenas nos seis primeiros meses do ano, foram R$ 78,1 bilhões. São quatro vezes o valor destinado anualmente ao programa Brasil Sem Miséria, e mais de duas vezes e meia o orçamento total do trem-bala (R$ 33 bi) …

Para chegar a tanto, adotou-se no início do ano um bloqueio (“contingenciamento”) de recursos do Orçamento que perdura até hoje. Ele paralisa iniciativas públicas que têm enorme impacto na garantia de condições de vida, na geração de emprego e na manutenção da capacidade de consumo. Mas também liquida projetos essenciais a longo prazo. É responsável, entre muitos outros efeitos, pelo corte drástico de verbas sofrido pelo ministério da Cultura e pela profunda letargia do Plano Nacional de Banda Larga – um iniciativa que a sociedade civil vê como estratégica e a presidente pretendia apresentar como um dos legados de seu governo.

As alegações apresentadas para o “contingenciamento” são patéticas. Fala-se em “austeridade” e “eficiência”. São, em princípio, valores muito positivos. Mas pratica-se um corte de verbas bruto, sem definir nenhum critério sobre que despesas devem ser eliminadas (o Estado continua comprando software que poderia ser obtido gratuitamente e importando de laboratórios transnacionais medicamentos cujas patentes poderiam ter sido quebradas, por exemplo). Ao mesmo tempo, abre-se os cofres do Tesouro para a despesa mais perdulária e contraproducente: o pagamento, a muito poucos, de juros que corroem o parque produtivo e de serviços do Brasil.

Politicamente, só é possível encontrar uma explicação para as políticas muito mais conservadoras, adotadas ao longo dos sete primeiros meses de governo Dilma. Governantes, como quaisquer seres humanos, têm virtudes e defeitos diversos. Sem o carisma, a tarimba política e o protagonismo nas lutas sociais de seu antecessor, a presidente sentia-se insegura para enfrentar as duas ameaças simultâneas com que se deparou no início do mandato. Temia que a alta da inflação derrubasse sua popularidade, ao corroer o poder de compra da nova classe média. E não se sentia segura para combater a alta dos preços enfrentando, ao mesmo tempo, os mercados financeiros e a mídia – sempre aliada a estes. Preferiu o conforto pouco criativo dos times que, no futebol, jogam pelo empate.

A presidente que falou na última quarta-feira era de outra natureza (veja, no vídeo abaixo, o trecho a partir do minuto 13:00). A ousadia pareceu ter-lhe restituído confiança e humor. Não se sabe, ainda, se a mudança é duradoura. Hoje mesmo, há na mídia especulações em sentido oposto. Como os interesses envolvidos na política econômica são bilionários, haverá tensões. Mas é inegável que o discurso de São Paulo aponta a possibilidade de que se abra a partir dele — e a depender das ações dos movimentos sociais — uma nova fase do governo.

Brasil: JUÍZA É EXECUTADA EM NITERÓI




PORTUGAL DIGITAL, com Agência Brasil

Segundo a Polícia Militar, a magistrada estava dentro do carro, na porta de sua casa, quando homens armados passaram e atiraram várias vezes contra ela, em Niterói, no Grande Rio.

Rio de Janeiro – A juíza Patrícia Lourival Acioli, da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, no estado do Rio de Janeiro, foi assassinada na madrugada desta sexta-feira (12).

Segundo a Polícia Militar, a magistrada estava dentro do carro, na porta de sua casa, quando homens armados passaram e atiraram várias vezes contra ela, em Niterói, no Grande Rio.

A magistrada era responsável por julgar crimes de homicídio em São Gonçalo, segundo município mais populoso do estado do Rio, e conhecida por sua atuação contra a violência cometida por policiais militares da região.

Como titular da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, ela era responsável por julgar casos de homicídio no segundo município mais populoso do estado do Rio, inclusive os casos de autos de resistência, isto é, mortes provocadas pela polícia supostamente em confronto com o suspeito.

Em setembro de 2010, a magistrada determinou a prisão de quatro policiais militares de Niterói e São Gonçalo, acusados de integrar um grupo de extermínio na região. Em janeiro deste ano, ela também decretou a prisão de seis policiais acusados de forjar autos de resistência.

Na última terça-feira (9), Patrícia Lourival Acioli condenou o oficial da Polícia Militar Carlos Henrique Figueiredo Pereira a um ano e quatro meses de detenção, em regime aberto, pela morte do jovem Oldemar Pablo Escola Faria, de 17 anos, em setembro de 2008.

Portugal - "Troika": ARRANQUE DO PROGRAMA FOI BOM MAS É PRECISO MAIS




TSF

A "troika" atribuiu nota positiva à aplicação do programa de ajuda externa a Portugal, mas avisa que o calendário é apertado e o que foi feito até agora ainda não chega.

Na conferência de imprensa de balanço da aplicação do programa de ajuda externa que decorreu esta manhã, a comitiva da "troika" considerou que as medidas já adoptadas pelo governo português deixam antever que os objectivos finais serão alcançados.

Na primeira avaliação trimestral, a "troika" falou no empenho do novo Governo, que tem avançado dentro do calendário previsto as primeiras medidas-chave, mas alertou que o que foi feito até agora não chega.

O representante da Comissão Europeia, Jürgen Krôger deu o exemplo do imposto extraordinário deste ano.

«O imposto sobre o subsídio de Natal é apenas uma das medidas necessárias. Foi fácil, é claro, mas é preciso ir mais longe. O programa prevê cortes na despesa pública que são incontornáveis, mas também nas grandes empresas do Estado. Estamos muito atentos à redução destes custos», afirmou.

A imagem de Portugal saiu reforçada do último encontro de líderes, disse Poul Thomson, do FMI, por isso, o país não pode perder a oportunidade de seguir o plano de resgate à risca.

«O que a decisão dos líderes europeus quer dizer é que a bola está do lado de Portugal. O programa vai ter sucesso se as reformas forem implementadas, porque a Europa vai fazer tudo o que for preciso desde que Portugal seja perseverante», defendeu.

Contudo, Poul Thomson afirmou que os desafios mais difíceis estão para vir. O "homem" do Fundo Monetário Internacional falou num "Estado gordo", "pesado demais" que tem de sofrer uma "dieta" urgente.

«O perímetro do Governo foi crescendo ao longo dos anos, agora a chave do programa passa por para e reverter essa situação, e retomar o controlo das instituições públicas. E muitas das principais reformas ainda estão para vir. Vão ser estes os maiores desafios», avisou Poul Thomson.

O arranque, a partir de agora, tem de ser no sector fiscal, que permita um maior controlo sobre as empresas privadas, sector público e também a nível local.

«O próximo passo do Governo tem de ser a adopção de medidas no sector fiscal que sejam abrangentes e estruturais e que permitam retomar o controlo das empresas estatais, das parcerias público-privadas [PPP] e das várias entidades a todos os níveis, não só as locais», sublinhou o responsável do FMI.

Apesar dos buracos financeiros devido a casos como o BPN ou a dívida da Madeira, a "troika" acredita que a meta de 5,9 por cento do défice vai ser cumprida este ano.

- Notícia actualizada às 14h02

Portugal: MINISTRO POUCO ADIANTOU SOBRE A POUPANÇA POR PARTE DO ESTADO





Na curta declaração desta manhã, o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, pouco ou nada avançou em relação a medidas concretas para a poupança por parte do Estado.

Estado, municípios, regiões autónomas, todos devem cumprir as medidas para atingir um objectivo: conter a despesa. O princípio foi anunciado, esta manhã, pelo ministro das Finanças mas faltou explicar a forma de alcançar esse objectivo.

Vítor Gaspar ficou por um exemplo. «Será aplicado já em Setembro o congelamento das progressões no regime remuneratório no Ministério da Administração Interna (MAI) e no Ministério da Defesa Nacional. Será assim evitada a perpetuação de uma situação de irregularidade», anunciou.

Parte do discurso do ministro Vítor Gaspar foi dedicado ao trabalho da "troika" nas últimas duas semanas, recordando os objectivos da missão e o resultado.

«É com satisfação que constato a avaliação positiva sobre o cumprimento das medidas previstas no referido programa. O trabalho técnico levado a cabo pelos representantes das três instituições consistiu, em grande parte, na avaliação do cumprimento de um conjunto de medidas com adopção prevista até ao final de Julho», declarou.

O teste foi superado e, como já era de esperar, o Fundo Monetário Internacional (FMI), a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu (BCE) confirmaram o desvio de 1,1 por cento no PIB.

«No decorrer da visita foi analisada em detalhe a situação orçamental do país tendo-se confirmado a existência de um desvio previsível, fase à meta estabelecida para o défice de 2011, de cerca de 1,1 por cento do PIB», referiu o ministro.

Mas, apesar desta nota positiva, a batalha contra a crise não está ganha. É preciso «determinação, persistência e trabalho», sublinhou o ministro das Finanças.

Mário Soares acusa o governo português de destruir o Estado com privatizações





“Com tais medidas, não se trata de tirar gorduras ao estado mas de o destruir, quando mais precisamos dele”, escreve Mário Soares.

Lisboa - O ex-presidente de Portugal, Mário Soares, um dos fundadores do Partido Socialista, acusa o governo do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, do Partido Social Democrata (PSD), de estar a destruir o Estado.

Num artigo publicado nesta quinta-feira (11) na revista Visão, Soares acusa o governo de estar a arruinar o património nacional por "tuta e meia". O ex-presidente da República e ex-primeiro-ministro diz que o governo está a querer fazer privatizações “a qualquer preço, arruinando o património nacional, sem contrapartidas sólidas”.

A este propósito, refere como "péssimo" exemplo a privatização do Banco Portugês de Negócios (BPN) e qualifica de "erro colossal" as previstas privatizações de grandes empresas públicas do país como a Águas de Portugal, os CTT (Correios), a TAP (aviação) e a REN (Rede Eléctrica Nacional).

“Com tais medidas, não se trata de tirar gorduras ao estado mas de o destruir, quando mais precisamos dele”, escreve Mário Soares.“E para quê?”, questiona. “Para serem vendidas por tuta e meia a empresas estrangeiras, e sendo algumas delas, curiosamente estatizadas”, afirma.

“Sabemos que são precisos cortes, austeridade, e muito dinheiro para pagar os juros dos empréstimos. Mas com bom senso e sentido patriótico de coesão nacional”, opina. “O mais grave é que não nos resta dinheiro para investir” e, assim, Portugal enfrenta uma situação de recessão sem “qualquer horizonte de esperança”.

Mas, diz Soares, a salvação está nas mãos da Europa. A União Europeia, com o alargamento da crise a outros países, "está a acordar para as suas responsabilidades". Se acordarem, então a situação portuguesa "poderá resolver-se por si".

Luanda BD: Trabalho de história de quadrinhos dentro da lusofonia é pouco conhecido




ANGOLA PRESS

Luanda – Os trabalhos de história de quadrinhos (HQ), produzidos por cartonistas a nível da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesas), ainda é muito pouco explorado pela comunidade e os fazedores da arte que conjuga texto e imagens, considerou hoje, quarta-feira, em Luanda, o cartonista brasileiro Fábio Moo.

Segundo o artista, em entrevista à Angop, a propósito do Festival Internacional de Banda Desenhada “Luanda Cartoon”, actividades do género são uma mais-valia para a troca de informação, desenvolvimento e exploração de novas analogias em termo cultural e criação do intelecto estudantil.

"Para realçar o intercâmbio conduzimos para cá sete edições já publicadas. Até porque poucas são as obras de história de quadros angolanas ou brasileiras comercializadas em Portugal e vice-versa", disse.

De acordo com o cartonista Gabriel Bá, a utilização da imagem e da palavra como meio de educação comportamental do aluno tem um valor instrutivo muito importante, pois as escolas podem utilizar para explorar outras concepções e proporcionar um conhecimento facilmente adquirido.

O apoio institucional e empresarial para tornar a actividades do género mais abrangente foi um dos argumentos avançados para se ultrapassar o desconhecimento.

A oitava edição do Festival Internacional de Banda Desenhada (BD) teve início na última sexta-feira, em Luanda, e conta com a participação de 30 artistas nacionais e cinco estrangeiros.

Angola – Namibe: AUMENTAM PREÇOS DOS PRODUTOS DA CESTA BÁSICA




ANGOLA PRESS

Namibe - Os preços dos produtos da cesta básica registaram um ligeiro aumento em relação ao primeiro trimestre do ano em curso, fruto da actual taxa aduaneira e das constantes oscilações do dólar norte-americano, no mercado internacional.

De acordo com um documento da Direcção Provincial do Namibe do Comércio, Hotelaria e Turismo, o circuito comercial foi estável durante o mês de Julho, tendo notado a subida dos preços dos produtos da cesta básica e hortofrutícola nos vários estabelecimentos comerciais da província.

Numa ronda feita pela Angop em alguns estabelecimentos comerciais da cidade do Namibe, constatou-se que uma lata média de leite em pó custa AKZ 2 mil e 411, ao passo que a lata de leite moça está no valor de 220.00

O preço de um pacote de massa alimentar oscila entre AKZ 100 a 120.00, do açúcar 170.00, óleo alimentar 350.00, enquanto que um quilo de feijão está a ser adquirido ao preço de 210.00 e o sal comum está no valor de 77.00Kzs.

A lata de 500 miligramas de azeite está no valor de 600.00, farinha de trigo 240.00 o  quilograma e o vinagre está a ser adquirido a 160.00 AKZ, ao passo que o quilo de carne de vaca ronda entre os 800.00 e 500.00

No mercado informal os preços são idênticos, sendo tal a avalanche, que está a ser justificado pelos comerciantes e vendedores ambulantes com a carência de produtos e dos altos preços que estão sendo praticados pelos grossistas.

Comparativamente aos preços praticados até ao fim do segundo trimestre do ano, existe uma diferença abaixo dos dois porcento, segundo analistas económicos, actualmente apreensivos com a subida galopante de preços.

O empresário do município do Tombwa, 93km da sede da província do Namibe, Carlos Mamedes, falou, a título de exemplo, sobre a carência de óleo alimentar na província. O produto está a ser adquirido a AKZ 400.00, contra os anteriores 210.00, há quatro meses.

Cabo Verde – Eleições: ABERTA CAMPANHA PARA A SEGUNDA VOLTA DAS PRESIDENCIAIS




ANGOLA PRESS

Cidade da Praia - A campanha para a segunda volta das eleições presidenciais em Cabo Verde, entre o opositor Jorge Carlos Fonseca e o candidato do partido no poder, Manuel Inocêncio Sousa, iniciou quinta-feira, soube-se hoje (sexta-feira), de fonte oficial caboverdeana, a partir de Bissau, citada pela AFP.
      
"A campanha eleitoral para a segunda volta começou (quinta-feira) e ela vai durar até 19 de Agosto", declarou a AFP, uma fonte próxima da Comissão nacional de eleições (CNE).
       
A recontagem dos votos da primeira volta organizada a sete de Agosto prossegue hoje (sexta-feira), e os resultados definitivos são esperados durante o dia, indicou a mesma fonte, sem dar mais detalhes.
       
No total, pouco mais de 305 mil eleitores foram chamados as urnas em Cabo Verde e no estrangeiro para escolher entre os quatro candidatos, o futuro presidente da República.
       
Segundo os resultados provisórios, quase completos, publicados pela CNE, Jorge Carlos Fonseca, candidato do Movimento para a democracia (MPD, liberal, principal partido da oposição), está à frente do escrutínio com 37,3 por cento dos votos, seguido de Manuel Inocêncio Sousa, do Partido africano para independência de Cabo Verde (PAICV, no poder), com 32 por cento.
       
Aristides Lima, um quadro do PAICV, que se postulou como independente, recolheu 27,4 por cento dos votos, enquanto que Joaquim Monteiro, professor e antigo combatente, situou-se em último lugar com 2 por cento dos votos.

São Tomé e Príncipe: Mais de 900 bolseiros no estrangeiro têm propinas em atraso




ANGOLA PRESS

São Tomé - Mais de 900 estudantes bolseiros são-tomenses a fazerem formação superior e profissional em diversos países da Europa, África e América Latina não recebem ajudas de custo há cerca de seis meses, informou hoje (sexta-feira) fonte do Ministério da Educação. 
 
"Nós pagámos até ao mês de Março" de 2011, confirmou à Lusa hoje Costa Carlos, coordenador do departamento de bolsas de estudo do Ministério são-tomense da Educação, Cultura e Formação (MECF). 
 
Angola, Portugal, Cuba, Moçambique, Cabo Verde, Argélia, Rússia, Brasil, Marrocos e Venezuela são os países que acolhem estudantes do arquipélago de São Tomé e Príncipe. 
 
O Ministério da Educação Cultura e Formação calcula que estão contabilizados 907 estudantes espalhados por 10 países, onde São Tomé e Príncipe tem estudantes a concluir formação. 
 
Portugal acolhe actualmente mais de 500 bolseiros distribuídos entre formação superior e profissional, recebendo cada um 250 euro por mês, para o caso de formação superior e 100 euros para aqueles que estão a fazer formação profissional. 
 
Os estudantes que recebem maior fatia em termos de ajudas de custo mensal são os que estudam na Argélia (cinco), que recebem 400 dólares norte americanos mês, Portugal, Cabo Verde (350 dólares), Moçambique (300 dólares) e Brasil (300 dólares). 
 
A Rússia, onde estão também cinco estudantes, é o país onde os estudantes têm maior dificuldade.  
 
Os bolseiro são-tomenses da Universidade de Amizade dos Povos da Rússia, na capital russa, correm o risco de serem expulsos desse estabelecimento de ensino, pois as bolsas de estudo são pagas com atraso e não têm meios para pagar o seguro médico e residência. 
 
Sistematicamente as autoridades do Ministério são-tomense da Educação são confrontadas com queixas de atraso no envio de propinas. 
 
"São mais de 03 milhões de dólares anuais que o Estado gasta só para pagamento das ajudas de custo com os estudantes no estrangeiro", disso Costa Carlos, lamentando a "impaciência" dos estudantes que "muitas vezes não compreendem o esforço que o governo faz para que eles recebam esse dinheiro".
 
A esses 907 estudantes no estrangeiro, somam-se ainda outros 300 que beneficiam de bolsas internas. A maioria deles é proveniente da ilha do Príncipe e estudam na Universidade Lusíada de São Tomé, no Instituto Universitário de Contabilidade, Administração e Informática (IUCAI). 
 
Na Venezuela encontram-se 10 estudantes, todos a fazerem medicina e são os únicos que não recebem ajudas de custo do Estado são-tomense.  
 
"Estudantes da Venezuela não recebem por serem chamados estudantes do Governo venezuelano, eles recebem lá todos os apoios necessários", explicou Costa Carlos. 
 
O coordenador do departamento de bolsas de estudo do ministério revela ainda que para este ano lectivo estão previsto irem mais cinco estudantes para a Rússia, outros cinco para Cuba, 25 para Marrocos, três para Argélia e dois para o Egipto, o que consequentemente vai aumentar as despesas com a formação no estrangeiro. 

Guiné-Bissau: Defendida comissão internacional para investigar assassínios de 2009




ANGOLA PRESS

Bissau - A Liga Guineense dos Direitos Humanos defende uma comissão internacional para investigar os assassínios de dirigentes políticos ocorridos em 2009, entre eles o do ex-Presidente "Nino" Vieira, disse hoje (sexta-feira) o presidente da organização, Luís Vaz Martins.  

"A Liga sempre defendeu esta hipótese", lembrou Vaz Martins, em declarações à Agência Lusa e à RDP/África à margem de uma conferência de imprensa para assinalar o 20.º aniversário da criação da organização. 
 
Em 2009, o Presidente Nino Vieira, o chefe das Forças Armadas, general Tagmé Na Waié e os deputados Baciro Dabó e Hélder Proença foram assassinados em circunstâncias que nunca foram esclarecidas.  
 
"Vivemos momentos peculiares da história do nosso país, daí que qualquer teoria a favor da intervenção internacional na crise da Guiné-Bissau é louvável, aliás a Liga sempre defendeu isso. A Liga não defende a teoria do nacionalismo exacerbado", afirmou Luís Vaz Martins. 
 
"Defendemos que deve haver participação da comunidade internacional porque a Guiné-Bissau não é uma ilha à parte", acrescentou o presidente da Liga. 
 
Luís Vaz Martins comentava a tese defendida pelo líder da Aliança Democrática, Víctor Mandinga, segundo o qual apenas uma comissão internacional poderia levar a cabo inquéritos independentes para a descoberta da verdade sobre os assassínios de 2009. 
 
Sobre a exigência de um grupo de partidos da oposição para a demissão do actual governo, o presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos diz que a sua organização subscreve a posição do Movimento da Sociedade Civil (plataforma que congrega mais de 100 organizações) segundo a qual "é preciso preservar a estabilidade" no país. 
 
Questionado sobre a situação actual do respeito dos direitos humanos na Guiné-Bissau, Luís Vaz Martins afirmou que "a impunidade reina, com o Estado sem meios ou forças para mudar a situação", sobretudo, desde a guerra civil de 1998/99. 

Guiné-Bissau: Oposição promete marchas até que primeiro-ministro seja julgado





Bissau - A oposição na Guiné-Bissau garantiu hoje (sexta-feira) que vai continuar a fazer manifestações até que o primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior seja levado a tribunal, e teceu duras críticas ao Presidente da República, acusado de "andar aos ziguezagues". 
 
Há cerca de um mês que os partidos da oposição na Guiné-Bissau vêm promovendo manifestações, a exigir que sejam apuradas as eventuais responsabilidades do primeiro-ministro em assassinatos cometidos em 2009.

Esta semana o Presidente da República, Malam Bacai Sanhá, considerou não haver razões para demitir o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, tendo os partidos da oposição, unidos num "colectivo da oposição democrática", respondido em conferência de imprensa que da parte deles não vão desistir de ver Carlos Gomes Júnior em tribunal. 
 
A oposição, cujo maior partido é o PRS (Partido da Renovação Social), lamentou o "ambíguo posicionamento" do Presidente, que também terá entrado no "jogo do empurra para a justiça institucional", acrescentaram.

De acordo com a oposição, o chefe de Estado quer que sejam remetidos os "quatro bárbaros assassinatos de 2009 para as autoridades castrenses, julgando poder, desta forma, imputar a exclusividade da responsabilidade destes crimes aos militares. 
   
Se Malam Bacai Sanhá "não andasse aos ziguezagues e tivesse cumprido com o prometido, ou seja divulgar os nomes dos políticos no activo envolvidos nos assassinatos, não estaríamos aqui, hoje, a reclamar justiça", defendeu a oposição. 
 
Segundo os partidos, ninguém esquece como o Presidente e o primeiro-ministro "saíram altamente beneficiados com aqueles assassinatos", e a oposição "não deixará cair por terra impunemente e sem justiça os algozes de Baciro Dabó e Hélder Proença", nem descansará enquanto não forem apuradas as responsabilidades de Carlos Gomes Júnior e do Presidente interino da altura, Raimundo Pereira.
 
Na conferência de imprensa, os partidos apresentaram também uma certidão de arquivamento de um processo contra Hélder Proença, demonstrando, disseram, que este nunca esteve envolvido em algum golpe de Estado, como o governo o acusou há dois anos, dias depois da sua morte. 
 
Na conferência de imprensa, Marciano Indi, do PRID (Partido Republicano da Independência e Desenvolvimento), disse que Carlos Gomes é suspeito dos assassinatos de há dois anos e acrescentou que "num Estado de direito ninguém defende criminosos nem se solidariza com eles". 
 
Sori Djalo, pelo PRS, garantiu que o primeiro-ministro tem de ir a tribunal e garantiu que "as marchas não vão parar nunca" porque é preciso levar Carlos Gomes Júnior à justiça. 
 
Em 2009, o Presidente "Nino" Vieira, o chefe das Forças Armadas, general Tagmé Na Waié e os deputados Baciro Dabó e Hélder Proença, foram assassinados em circunstâncias que permanecem por esclarecer.  

ÀS SUAS ORDENS, DOTÔ MERCADO




PAULO KLIASS*, em Debate Aberto – CARTA MAIOR

O mercado “pensa”, o mercado “avalia”, o mercado “propõe”, o mercado “desconfia”, o mercado “sugere”, o mercado “reage”. E aí sim, de vez em quando, o tom de voz sobe e o mercado “exige”!! E, aos poucos, o que era antes um sujeito, o indivíduo “mercado” também vai ganhando ares de divindade.

Uma das inúmeras lições que a atual crise econômica tem a nos oferecer é a possibilidade de compreender um pouco melhor os mecanismos de funcionamento da economia capitalista em sua fase de tão ampla e profunda internacionalização financeira. Depois de baixada a poeira e dado o devido distanciamento temporal, imagino a quantidade de teses que serão desenvolvidas para tentar entender e explicar aquilo que estamos vivendo a quente pelos quatro cantos do planeta.

As alternativas de enfoque são muitas. A relação conflituosa entre os interesses do capital produtivo e os do capital financeiro stricto sensu. A autonomia – na verdade, uma quase independência – do circuito monetário em relação ao chamado lado “real” da economia. A contradição entre o discurso liberal ortodoxo patrocinado pelos dirigentes dos países mais ricos até anteontem e a prática atual de medidas protecionistas de seus próprios interesses nacionais. A postura inequívoca e amplamente expandida de defesa das vontades das grandes instituições financeiras em primeiro lugar, sempre às custas de cortes nos gastos orçamentários na área social voltados à maioria da população de seus países. A dita solidez das estruturas do mercado financeiro, agora tão confiável quanto a de um castelo de cartas. A perda completa de credibilidade das instituições financeiras, a exemplo das chamadas agência de rating, que passam a escancarar a sua relação incestuosa com setores econômicos. O fim do mito da chamada “independência” dos Bancos Centrais, cujas políticas monetárias estariam sendo implementadas de forma neutra e isenta, uma vez que baseadas em critérios técnicos e científicos (sic...) do conhecimento econômico acumulado. A falência das correntes que se apegavam às teorias chamadas da “racionalidade dos agentes” para buscar assegurar que não haveria o que temer com o funcionamento das livres forças de mercado, pois o equilíbrio entre oferta e demanda sempre apontaria a solução mais racional possível. E por aí vai. A lista é quase infindável.

Mas um elemento, em especial, chama a atenção em meio a essa enormidade de aspectos. E trata-se de algo importante, pois diz respeito à tentativa de legitimação de toda e qualquer ação dos poderes públicos na busca da saída para a crise econômica. Com isso procura-se fugir da conseqüência mais próxima em caso de fracasso: colocar em risco a sua própria legitimidade política. Ainda que nos momentos de maior tensão seja perceptível uma contradição entre os desejos dos representantes do capital financeiro e as possibilidades oferecidas pelos agentes do governo, no final quase tudo acaba se resolvendo no conluio entre o público e o privado. Nos bastidores do poder, a ação do Estado é ditada, via de regra, pelos interesses do capital.

Mas nas conjunturas de crise profunda, como a atual, passa a operar também a chamada opinião pública. Os temas de economia e de finanças, antes restrito às páginas dos jornais especializados, ganham as manchetes de capa e se convertem em preocupação de amplos setores da sociedade. A população se assusta, exige mais explicações, quer entender melhor! Porém, não se consegue tornar tão claros os mecanismos de funcionamento da dinâmica econômica em tão pouco tempo e em tão poucas linhas. E nesse momento ganham importância os interlocutores chamados a explicar: os economistas dos grandes bancos, os analistas das instituições financeiras, os responsáveis pelas empresas de consultoria, enfim os chamados “especialistas”. Cabe a eles a tarefa de convencimento do grande público de que a crise é causada por este ou aquele fator, ou então de que as medidas anunciadas há pouco por um determinado Ministro da Economia são ou não adequadas para resolver os problemas a que se propõem.

E aqui entra em campo um elemento essencial na dinâmica do discurso. Uma entidade que passa a ser reverenciada em ampla escala, coisa que era antes reduzida a uma platéia restrita. Trata-se do famoso “mercado” – muito prazer!. Um dos grandes enigmas da história da humanidade, tanto estudado e ainda tão pouco desvendado em seus aspectos essenciais, passa a ser tratado como um ser humanizado, um quase indivíduo. Isso porque para justificar a necessidade das decisões duras e difíceis a serem tomadas - sempre às custas de muitos e para favorecer uns bem poucos – recorre-se às opiniões de “alguém” que conheça, que assegure que não há realmente outra solução. Tem-se a impressão de que o mercado vira gente, um dos nossos!

As matérias dos grandes jornais, as páginas das revistas de maior circulação, os sítios da internet, os programas na televisão e no rádio, enfim, por todos os meios de comunicação passamos a conhecer aquilo que nos é vendido como sendo a opinião dessa entidade, dessa quase pessoa. As frases e os estilos podem variar, mas no fundo, lá no fundo, tudo é sempre mais do mesmo. Recorrer a um mecanismo que beira a abstração para justificar as medidas mais do que concretas. Fazer um chamamento a uma entidade externa, com ares de messianismo e divindade, para convencer de que as proposições - expostas numa linguagem e numa lógica incompreensíveis para a maioria - são realmente necessárias. Sim, sim, é preciso também ter fé! Pois em caso contrário, aquilo que nos espera é ainda pior do que o péssimo do vivido agora. Será o caos!

É o que tem acontecido na atual crise da dívida norte-americana ou na seqüência dos diversos capítulos da crise dos países da União Européia. O mercado “pensa”, o mercado “avalia”, o mercado “propõe”, o mercado “desconfia”, o mercado “sugere”, o mercado “reage”. E aí sim, de vez em quando, o tom de voz sobe e o mercado “exige”!! E depois o mercado “ameaça”. O mercado “cai”, o mercado “sobe”, o mercado “se recompõe”. O mercado “se sente inseguro”, o mercado “fica satisfeito”, o mercado “comemora”. O mercado “não aceita” tal medida, o mercado “se rebela” contra tal decisão.

E assim, à força de repetir à exaustão essa fórmula aparentemente tão simples, o que se busca, na verdade, é fazer um movimento de aproximação. Tornar a convivência com um ser que conhece de forma tão profunda a dinâmica da economia um ato quase amical e familiar para cada um de nós. Mas o “mercado” - sujeito de tantos verbos de ação e de percepção - não tem nome! Ele não pode ser achado, pois o mercado não tem endereço. Ele não pode ser entrevistado, pois o mercado nunca comparece fisicamente nos compromissos. Ele tampouco pode ser fotografado, pois o mercado não tem rosto. O que há, de fato, são uns poucos indivíduos que fazem a transmissão de suas idéias, de seus pensamentos, de seus sentimentos. São verdadeiros profetas, que têm o poder de fazer a interlocução entre o “mercado” e o povo. Pois, não obstante a tentativa de torná-la íntima de todos nós, essa entidade não se revela para qualquer um.

Ele escolhe uns poucos iluminados para representá-lo aqui entre nós. Como se, estes sim, tivessem a procuração sagrada para falar em seu nome e representar aqui seus interesses. E aos poucos o que era antes um sujeito, o indivíduo “mercado” também vai ganhando ares de divindade. Tudo se passa como ele se manifestasse exclusivamente por meio de seus oráculos, os únicos capazes de captar e interpretar o desejo do deus mercado. Pois ele pensa, fala, acha, opina, mas não se apresenta para um aperto de mão, ou mesmo para uma prosinha que seja, para confirmar o que andam falando e fazendo em seu nome aqui pelos nossos lados.

Mas, apesar de toda evidente fragilidade da cena construída, não há como contestá-la. O mercado é legitimado por quem tem poder de legitimar. O discurso dos que não acreditam e dos que desconfiam não chega à maioria. Sim, pois aqui tampouco pode haver espaço para a dúvida. Nenhuma chance para o ato irresponsável que seria dar o espaço para o contraditório. A única certeza é de que o mercado sempre tem razão. E ponto final. Assim, todos passam horas na angústia e na agonia para saber como o mercado “reagirá” na abertura das bolsas de valores na manhã seguinte ou para tentar antecipar como o mercado “avaliará” hipotéticas medidas anunciadas para as transações de câmbio na noite da véspera.

O resultado de toda essa construção simbólica pode ser sintetizado na tentativa do convencimento político e ideológico dos caminhos escolhidos para a solução da crise. O mercado “alertou”, o mercado “ponderou”, o mercado “pressionou”, o mercado “exigiu”. E, finalmente, o mercado “conseguiu”. Por todo e qualquer lado que se procure, tentam nos convencer que não havia realmente outra forma possível de evitar o pior dos mundos. Como somos todos mesmo ignorantes em matéria de funcionamento dessa coisa tão complexa como a economia, somos chamados a delegar também as formas de solução para a crise. E, como sempre acontece em nossa tradição, estamos às suas ordens, Dotô Mercado...

*Paulo Kliass é Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal e doutor em Economia pela Universidade de Paris 10.

Crise: George Soros culpa Merkel e a Alemanha e fala de crise existencial para a Europa




PÚBLICO - LUSA

Zona euro em risco

O investidor norte-americano George Soros atribuiu as culpas da escalada da crise na zona euro ao Governo alemão e à chanceler Angela Merkel, em artigo publicado hoje no matutino de economia Handelsblatt.

“Foram as hesitações alemãs que reforçaram a crise na Grécia e conduziram ao contágio que se transformou numa crise existencial para a Europa”, escreveu o gestor financeiro.

Na opinião de Soros, “foi um erro não atribuir o papel de fiador, em casos de incumprimento, à União Europeia, mas aos respectivos países”.

Agora, o Governo alemão “tem particulares responsabilidades, porque só a Alemanha pode inverter a dinâmica do desmoronamento da Europa”, afirma o investidor norte-americano.

Soros critica ainda directamente a chanceler alemã, Angela Merkel, advertindo que “a sua política de pequenos passos é demasiado lenta, e a situação é cada vez mais insustentável”.

Para Soros, a actual estratégia traçada pelos líderes da zona euro de atribuir empréstimos à Grécia através de um fundo de resgate criado com garantias dos outros Estados da moeda única “é insustentável e obriga a Itália e a Espanha a pagarem juros mais altos pelas suas obrigações da dívida pública do que os juros que recebem pelos apoios à Grécia”.

O investidor, que ficou famoso por em tempos ter feito tremer o Banco de Inglaterra, com manobras especulativas na bolsa, advertiu ainda contra uma eventual baixa do rating da França, prevendo que o próximo passo da zona euro será o aumento da dotação do fundo de resgate.

“Mas até lá a nota AAA da França pode estar em risco”, afirma Soros, defendendo, por sua vez, a introdução de Eurobonds, títulos da dívida pública suportados em conjunto pelos países da moeda única.

Esta solução, que permitiria obter empréstimos a juros mais baixos nos mercados financeiros, tem sido recusada, no entanto, pela Alemanha e pelos Países Baixos, nomeadamente.

Na opinião de Soros, porém, se Berlim e os outros países da moeda única que têm rating AAA (a nota máxima) continuarem a opor-se aos Eurobonds, “o euro desmoronar-se-á”.

Após a cimeira de líderes da zona euro ter aprovado novo pacote de ajudas à Grécia e o alargamento do âmbito do fundo de resgate, há três semanas, em Bruxelas, as turbulências regressaram aos mercados financeiros, que começaram também a pressionar as dívidas da Espanha e da Itália, obrigando o Banco Central Europeu a intervir, comprando títulos destes países.

A chanceler Angela Merkel e o Presidente da França, Nicolas Sarkozy, anunciaram, entretanto, que se vão reunir na terça feira, em Paris, para debaterem a situação na zona euro, e fazer propostas concretas para combater a actual crise.

FINALISTAS GUINEENSES NA RÚSSIA SEM MEIOS PARA REGRESSAR A CASA




JM - LUSA

Moscovo, 12 ago (Lusa) -- Um grupo de 27 alunos guineenses que terminaram os cursos universitários em várias cidades russas não podem regressar ao seu país, pois as autoridades de Bissau não lhes enviam o título de regresso a casa.

"Aqui, na cidade de Voronej [sudoeste da Rússia], são dois, mas o total de finalistas guineenses que não pode regressar ao país é de 27", declarou à Lusa, por telefone, o estudante guineense Iacunda Sanhá.

Um bilhete de avião de Moscovo para Bissau custa cerca de 28 mil rublos (700 euros) e os finalistas não têm esse dinheiro para o pagar.

"As autoridades guineenses não pagam qualquer tipo de bolsa de estudo e nós recebemos do Estado russo um subsídio mensal de 1100 rublos [27 euros], que não dá para nada", declarou à Lusa, via e-mail, João Conte, guineense que estuda na cidade de Rostov no Don, no sul da Rússia.

"Só alguns finalistas conseguiram sair da Rússia com a ajuda de parentes que vivem em Portugal, mas os outros são abandonados à sua sorte", acrescentou.

Segundo João Conte, "não obstante os estudantes guineenses serem os mais miseráveis na Rússia e trabalharem como escravos, acabam os seus estudos com honra, ganham olimpíadas, provas desportivas".

A situação descrita repete-se ano após ano, pois Bissau ainda não tomou medidas para resolver o problema.

"No fim de cada ano letivo, os finalistas guineenses têm que abandonar a residência estudantil para dar lugar aos outros e passam a viver nas ruas, ilegalmente", acrescenta.

Moçambique: AGRICULTORES NÃO APROVEITAM LINHA DE CRÉDITO BANCÁRIA




André Catueira, da Agência Lusa

Beira, Moçambique, 11 ago (Lusa) -- Uma linha de crédito de apoio à agricultura desenvolvida por um banco de Moçambique continua a ser pouco utilizada porque os agricultores têm "dificuldades em apresentar planos de negócio saudáveis", disse à Lusa fonte bancária.

"Só temos um projeto de produção em Nampula [norte], e outros três de cadeia de valor aprovados, isso porque os agricultores têm dificuldades em apresentar planos de negócio saudáveis", disse Marcelino Botão, gestor de agronegócios do Standard Bank.

Este banco lançou, em 2010, uma linha de crédito de 25 milhões de dólares (cerca de 17,5 milhões de euros) para impulsionar a agricultura no país. A linha de crédito tem duração de três anos.

"Estamos a começar o segundo ano de crédito e financiámos 1.89 milhões de dólares [1,32 milhões de euros] e temos agora oito milhões [5,6 milhões de euros] disponíveis para os projetos em carteira. Mas achamos que o financiamento é muito pouco, cerca de oito por cento. Precisamos de mais projetos para incrementar a agricultura", disse Botão.

Até ao momento, o Standard Bank rejeitou 23 projetos agrários de "revolução verde" em Moçambique, por "não apresentarem planos de negócio" e constituírem risco de financiamento, acrescentou.

Segundo o gestor do Standard Bank, que falava durante a cerimónia de lançamento do plano de investimento do Corredor da Beira (centro de Moçambique) para potenciar os pequenos agricultores, 12 novos projetos estão em carteira, a serem desenvolvidos nas províncias de Manica e Tete (centro) e Maputo (sul).

A linha de crédito do Standard Bank é a única com fundo de garantia em Moçambique, assegurado pela Aliança para a Revolução Verde em Africa (AGRA) e pelo Centro de Promoção da Agricultura (CEPAGRI), ligado ao Ministério da Agricultura. Os camponeses não precisam apresentar nenhuma garantia de bens para aceder ao crédito.

O acesso ao financiamento é um dos problemas que bloqueia a agricultura comercial em África. As instituições financeiras hesitam em financiar os pequenos agricultores devido os riscos da agricultura de subsistência, o que faz com que os créditos sejam geralmente elevados, excedendo entre 25 a 30 por cento.

"É preciso uma simplificação das políticas financeiras para financiar a agricultura, e nessa abordagem vamos trabalhar com o Standard Bank para reduzir os custos dos créditos", disse Namanga Ngongi, presidente da AGRA, que quer tornar realidade a revolução agrária em África.

A falta de politicas de financiamento agrário em Moçambique levou à desistência de fazendeiros zimbabueanos, que se tinham instalado em Manica, depois da crise económica e política do Zimbabué.