quarta-feira, 2 de novembro de 2011

NO TOP 50 DOS MAIS DESENVOLVIDOS É OBRA!




ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA*

Aquele reino que ainda flutua entre Espanha e o Norte de África, a que chamam Portugal, ocupa, este ano, o 41º lugar entre os 187 países avaliados no Relatório para o Desenvolvimento Humano das Nações Unidas.

É um bom lugar, mesmo que os países que se assemelham a Portugal sejam – segundo o documento - a Grécia e a Hungria.

Noruega, Austrália e Holanda (que se calhar, como diz o ministro luso das Finanças, pagam também 23% de IVA na electricidade) ocupam os primeiros lugares na lista de países com maiores progressos na saúde, educação e rendimento.

Nas últimas posições estão países que não são, por enquanto, referência para o regime esclavagista de Lisboa, República Democrática do Congo, Níger e Burundi.

Portugal, agora chefiado pelo “africanista de Massamá”, integra o grupo das 47 nações consideradas mais desenvolvidas pela ONU. Quando comparado com o ano passado, então chefiado pelo amigo do “líder carismático” da Líbia, José Sócrates, desceu um lugar, se bem que o confronto este ano envolva 187 países e não 169 como no ano passado.

O documento apresenta a evolução ao longo dos últimos 30 anos, período no qual a esperança de vida à nascença em Portugal aumentou 8,2 anos, a escolaridade subiu em média 2,9 anos e o rendimento nacional bruto por pessoa cresceu 76%. Para o efeito não contam os 800 mil desempregados, os 20% de pobres e outros tantos para quem uma refeição é uma miragem.

Grécia e Hungria são países que os peritos da ONU consideram semelhantes a Portugal pelo número de habitantes e índice de desenvolvimento humano e que ocupam, respectivamente, o 29º e o 38º lugares.

Portugal apresenta uma esperança de vida (isto era antes da entrada em vigor do regime que os obriga a viver sem… comer) para os nascidos este ano de 79,5 anos, ligeiramente inferior à Grécia (79,9), mas consideravelmente superior à Hungria (74,4).

A ordem mantém-se quanto ao rendimento nacional bruto - Grécia com 23747 dólares por pessoa em 2011, Portugal com 20573 e Hungria com 16581. A previsão para este ano aponta para o valor mais baixo registado em Portugal entre os últimos quatro referidos: em 2000 atingiu os 20662, cinco anos depois subiu para 20980, em 2010 baixou ligeiramente para 20928, tendência que manterá este ano, quando decrescerá para 20573.

Na escolarização, os húngaros surgem na liderança dos três países com 11,1 anos de escolaridade média por habitante, seguidos dos gregos (10,1) e, à distância, dos portugueses (7,7). Também aqui não contam os analfabetos funcionais (os que sabem ler e escrever mas não lêem nem escrevem e que na sua grande maioria estão integrados nas seitas políticas).

Portugal assume a dianteira entre os três países e situa-se em 19º lugar quando são ponderados os critérios do índice de desigualdade de género avaliados em 149 países. A Grécia aparece no 24º lugar e a Hungria em 39º. Ora tomem lá! E ainda dizem mal do governo…

Entre os factores que contribuem para este índice, Portugal lidera na taxa de mulheres deputadas (27,4%), à frente da Grécia (17,3%) e da Hungria (9,1%), e na percentagem de mulheres com emprego (56,2%), destacado à frente da Grécia (49,2%) e da Hungria (42,5%).

A Grécia volta a liderar quando é avaliada a taxa de mortalidade materna (mulheres que morrem devido a complicações relacionadas com a gravidez ou no parto), com duas mães a morrerem por cada 100 mil crianças que nascem anualmente, seguida de Portugal (sete) e Hungria (13).

Que chatice. Deve ser culpa, como diz o ministro da Saúde, dessa coisa aberrante a que chamam Serviço Nacional de Saúde. Se fossem os privados a mandar, o país estaria muito melhor, dirá com certeza o ministro Paulo Macedo.

Onde Portugal volta a liderar é na taxa de mães adolescentes, que são 16,8 em cada mil crianças que nascem, seguido da Hungria (16,5) e da Grécia (11,6).

Convenhamos que, bem vistas as coisas, as mães adolescentes sempre ajudam Portugal e liderar…

* Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

Título anterior do autor, compilado em Página Global: “COMO É POSSÍVEL MANTER UM GOVERNO EM QUE UM PRIMEIRO-MINISTRO MENTE?”

Orçamento do Estado leva ao empobrecimento dos portugueses e do país, diz CGTP




PÚBLICO - LUSA

O secretário-geral da CGTP considerou nesta quarta-feira que o Orçamento do Estado para o próximo ano tem como estratégia o empobrecimento dos portugueses e do País e que isso terá como consequência a incapacidade para se pagar as dividas.

“O aumento do desemprego, a redução das remunerações do trabalho e o corte nos direitos sociais e laborais são elementos estruturantes do Orçamento do Estado, não são decorrentes das respectivas políticas, e vão levar ao empobrecimento do País, o que torna impossível cumprir os compromissos assumidos”, disse Manuel Carvalho da Silva, em conferência de imprensa.

O dirigente sindical considerou ainda que a proposta de Orçamento do Estado entregue pelo Governo na Assembleia da República acentua “um ciclo de recessão, com impactos negativos que não se sabe até onde vão”.

A CGTP aproveitou o encontro com os jornalistas para reafirmar a sua indisponibilidade para discutir o aumento do horário de trabalho e lembrar que a redução do horário de trabalho esteve sempre na origem das grandes lutas sociais e laborais.

“A possibilidade de os trabalhadores terem mais descanso foi sempre um anseio, que depois se ligou à necessidade de aumento do emprego. Este processo em curso significa um processo de retrocesso civilizacional”, disse o líder da Intersindical acusando o governo de ter uma postura de agressão aos trabalhadores.

O Governo apresentou à discussão em sede de concertação social a possibilidade de os horários de trabalho diários poderem ser aumentados em meia hora.

“Vamos travar uma batalha muito intensa contra isto”, prometeu o sindicalista.

“A violência do Orçamento do Estado e esta medida ainda justificam mais que se faça greve geral a 24 de Novembro”, concluiu.

QUEM TEM MEDO DA DEMOCRACIA EM REFERENDOS? OS MESMOS DE SEMPRE!




ANTÓNIO VERÍSSIMO

UM DIA O SOL BRILHARÁ PARA TODOS NÓS

Diz Manuel António Pina em “O Medo da Democracia”, coluna de opinião do Jornal de Notícias, que “Bastou o primeiro-ministro grego anunciar que consultará o povo, através de referendo, sobre as novas e gravosas medidas de austeridade e perda total da soberania orçamental impostas ao país pelos "mercados" e seus comissários políticos em Bruxelas e nos governos de Berlim e Paris para cair a máscara democrática desta gente.”

Pois foi, pois é, não sendo novidade que os jagunços da alta finança mundial (caso de Sarkosy e Markel entre outros) nada têm de democratas e usam a palavra democracia de boca cheia mas de significado vão ou absolutamente adulterado. O mesmo se passa com certos e incertos dos políticos e governantes da praça portuguesa, caso de Cavaco Silva, caso de Passos Coelho, caso de José Sócrates, caso de Paulo Portas, caso de tantos outros vigaristas políticos que subvertem a democracia por troca com as suas vantagens e vantagens de familiares, clientelas, amigos e uma quanta minoria dos que de ano para ano estão mais ricos à custa de tanta exploração, tanta corrupção, tanto roubo.

E a UE? U de União? Mas que União? Mas que suposta solidariedade? Mas que hipocrisia incontida e indisfarçável? Mas que vilania, a dos mais ricos, que mostram à saciedade a sua vontade e prática em se apropriarem dos países do sul, fazerem dos trabalhadores do sul da Europa os novos escravos que lhes bastem para enriquecerem mais os seus minoritários magnatas e os seus próprios cofres!

Ainda no Jornal de Notícias diz Manuel António Pina no segundo parágrafo da sua prosa: “Na pátria da Democracia, o Governo decide-se por um processo democrático básico e Sarkozy fica "consternado" e considera a decisão "irracional" enquanto alemães e FMI se mostram "irritados" e "furiosos" com ela. E Merkel e Sarkozy assinam um comunicado conjunto dizendo-se "determinados" a fazer com que a Grécia cumpra as suas imposições e lhes ceda o que ainda lhe resta de soberania; só lhes faltou acrescentar "queiram os gregos ou não queiram" e mobilizar a Wehrmacht e a "Force de Frappe"...

Por vontade da gula francesa de Sarkosy, ou alemã de Merkel, aliada à pirataria da NATO, por exemplo, não seria de admirar que a Grécia fosse ocupada, o seu povo obrigado a cumprir trabalho forçado e escravo, para além de saquearem museus e todos os valores no triplo ou quadruplo da real divida da Grécia… Exagero? Por muito menos, por mentiras já vimos países serem ocupados. Mentiras que sabemos que foram corroboradas, a nivel de Portugal, por Durão Barroso e Paulo Portas, entre outros, mas que agora estão a beneficiar do favor feito ao invasor norte-americano no Iraque. E Barroso lá vai, lá está, na dita UE de vento em popa, e Portas cá vai, cá está, no governo português, mais conhecido por Bando de Mentirosos. Ora com pessoas deste jaez nos governos, nas direções, nas presidências de organizações e países o que esperamos que possa acontecer aos países, à Europa, ao Mundo? Pautar como se pautam pela vigarice, pela desonestidade, o que podemos esperar de tais salafrários?

No penúltimo parágrafo da referida prosa de Manuel António Pina consta: “Até Paulo Portas, ministro de uma coligação eleita com base em compromissos eleitorais imediatamente rasgados mal tomou posse, está "apreensivo".

Vá, vá… Pina não deve admirar-se da atitude e comentário de Portas. É que ele até foi comedido, por agora. Dele e dos outros sabemos que têm uma ideia distorcida de democracia, sabemos e temos constatado por atos que democratas não são. Ora se não são isso e cabem na perfeição nos referidos no parágrafo anterior… Não sendo verdade mas para rimar apetece dizer que o senhor Pina não atina…

Por fim, no último parágrafo, afirma e questiona o ilustre colunista: “O medo que esta gente, que tanto fala em Democracia, tem da Democracia é assustador. Aparentemente, o projecto de suspensão da Democracia por 6 meses (ou por 48 anos) estará já em curso. Pinochet aplicou no Chile as receitas de Milton Friedman suspendendo sangrentamente a Democracia. Como é que "boys" de Chicago como Gaspar ou Santos Pereira, que chegaram a ministros sem nunca antes terem governado sequer uma mercearia, o fariam em Democracia?“

Medo da democracia? Diga isso a eles, a esses democratas e logo terá a resposta. É que eles na verdade são democratas… só que de uma democracia em que nós não contamos a não ser de quatro em quatro anos, ou de cinco em cinco, na época em que é declarado aberto o vale tudo das campanhas eleitorais, em que os mentirosos, os vigaristas, os parasitas, os filhas e filhas de mal comportadas endrominam os eleitores com aquilo em que são especialistas: iludir, ludibriar, fazer de conta que antes não tiveram responsabilidade nenhuma no caos para onde nos conduziram e ainda mais querem conduzir. Referendos não. Isso retira-lhes poder e pode tronar-se um perigoso hábito. Eles precisam é de caos para atemorizarem, manipularem, e mesmo nesse caos acelerar o processo de sugarem o que há e o que não há sem qualquer espécie de escrúpulos.

Em sua coluna opinativa Manuel António Pina foi objetivo mas curto. Aqui fica tudo um bocadinho mais grosso… porque a verdade nunca fez mal a ninguém, exceto aos que mentem e nos vigarizam sob o falso pretexto de nos governarem. E será essa prática, deles, que um dia os derrubará. Já esteve mais longe esse momento. Políticos reciclados não houve nunca e não vai haver porque são eles próprios que naturalmente entram em processo de putrefação. É chegado o momento de já nem suportarmos o mau cheiro que paira neste país e no resto de Europa, e no resto do mundo. Um dia… o sol brilhará para todos, tenhamos esperança e façamos tudo que for preciso para que tal aconteça. Por saberem isso é que existe uma minoria que teme a democracia. Só não vê nem compreende quem não quer, regra geral esses são analfabetos políticos e cobardes por opção.

*O MEDO DA DEMOCRACIA em Página Global

*Também publicado em PÁGINA LUSÓFONA, blogue do autor.

Passos Coelho: “NÃO QUEREMOS SER CONFUNDIDOS COM A GRÉCIA”




JORNAL DE NEGÓCIOS

Pedro Passos Coelho considerou que "é evidente" que a decisão do governo grego tem um efeito de contágio "ao conjunto dos países europeus" e torna em parte inúteis "os resultados" das últimas cimeiras europeias.

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou hoje que Portugal não seguirá a decisão do governo grego de realizar um referendo sobre o plano de resgate europeu e apelou à união dos portugueses.

À entrada para uma reunião do Conselho Nacional do PSD, num hotel de Lisboa, Pedro Passos Coelho considerou que "é evidente" que esta decisão do governo grego tem um efeito de contágio "ao conjunto dos países europeus" e torna em parte inúteis "os resultados" das últimas cimeiras europeias.

"Eu espero que Portugal se possa aplicar ainda com mais determinação, para mostrar à União Europeia e ao mundo que nós não seguiremos estes exemplos. Não queremos ser confundidos com o que se está a passar na Grécia, e isso depende inteiramente de nós", disse.

Passos Coelho acrescentou que, "quanto mais incerto e arriscado é o ambiente externo, mais Portugal precisa de se mostrar unido, coeso, a executar o seu programa sem falhas", mostrando "que honra os seus compromissos externos".

Austrália aceita São Tomé e Príncipe como membro observador da Commonwealth




ÁFRICA 21

O chefe da diplomacia são-tomense fez estas declarações após ter participado na 21ª cimeira da Commonwealth decorrida de 29 a 30 de outubro corrente em Perth, região ocidental da Austrália.

São Tomé - O Governo australiano aceitou que São Tomé e Príncipe seja membro observador da Commonwealth, afirmou à imprensa segunda-feira Manuel Salvador dos Ramos, ministro são-tomense dos Negócios Estrangeiros e Comunidades.

O chefe da diplomacia são-tomense fez estas declarações após ter participado na 21ª cimeira da Commonwealth decorrida de 29 a 30 de outubro corrente em Perth, região ocidental da Austrália.

Manuel Salvador Dos Ramos indicou por outro lado que a Austrália prometeu ajudar financeiramente o Programa Alimentar Mundial (PAM) em São Tomé e Príncipe que lidera o programa de fornecimento de alimentos a cerca de mil alunos da pré-escola, no quatro da cooperação bilateral.

Este pedido foi aceite e o país, para garantir a continuidade do programa do PAM nos próximos cinco anos, precisa de mobilizar cerca de cinco milhões de dólares americanos, afirmou o chefe da diplomacia são-tomense.

Dos Ramos adiantou que São Tomé e Príncipe propôs igualmente à Austrália a construção, no pais, de um centro de excelência onde, entre outras vantagens, será administrado o ensino da língua inglesa para funcionários públicos, jornalistas, diplomatas e militares.

Ele sublinhou que uma equipa multissetorial do Governo australiano deverá deslocar-se a São Tomé e Príncipe para identificar potenciais áreas de investimentos.

Em finais de Março último, esteve em São Tomé e Príncipe um enviado especial da primeira-ministra da Austrália, Julia Gillard, que manteve diversos contactos com autoridades do pais.

O enviado especial do Governo australiano veio solicitar o voto de São Tomé e Príncipe para sua candidatura a membro do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

O MEDO DA DEMOCRACIA




MANUEL ANTÓNIO PINA – JORNAL DE NOTÍCIAS, opinião

Bastou o primeiro-ministro grego anunciar que consultará o povo, através de referendo, sobre as novas e gravosas medidas de austeridade e perda total da soberania orçamental impostas ao país pelos "mercados" e seus comissários políticos em Bruxelas e nos governos de Berlim e Paris para cair a máscara democrática desta gente.

Na pátria da Democracia, o Governo decide-se por um processo democrático básico e Sarkozy fica "consternado" e considera a decisão "irracional" enquanto alemães e FMI se mostram "irritados" e "furiosos" com ela. E Merkel e Sarkozy assinam um comunicado conjunto dizendo-se "determinados" a fazer com que a Grécia cumpra as suas imposições e lhes ceda o que ainda lhe resta de soberania; só lhes faltou acrescentar "queiram os gregos ou não queiram" e mobilizar a Wehrmacht e a "Force de Frappe"...

Até Paulo Portas, ministro de uma coligação eleita com base em compromissos eleitorais imediatamente rasgados mal tomou posse, está "apreensivo".

O medo que esta gente, que tanto fala em Democracia, tem da Democracia é assustador. Aparentemente, o projecto de suspensão da Democracia por 6 meses (ou por 48 anos) estará já em curso. Pinochet aplicou no Chile as receitas de Milton Friedman suspendendo sangrentamente a Democracia. Como é que "boys" de Chicago como Gaspar ou Santos Pereira, que chegaram a ministros sem nunca antes terem governado sequer uma mercearia, o fariam em Democracia?

Papandreou: O REFERENDO SERÁ “SIM OU NÃO AO EURO”




DESTAK - LUSA

O primeiro-ministro grego, Georges Papandreou, disse hoje ao seu governo que o referendo ao plano de resgate europeu será um “sim ou não ao euro”, segundo a agência Bloomberg.

Na segunda-feira, Papandreou anunciou um referendo, que se deverá realizar em dezembro, sobre um acordo europeu que implicava um perdão de 50 por cento da dívida grega e a imposição de novas medidas de austeridade.

Muito criticado internamente, o chefe do governo grego disse hoje aos seus ministros que o referendo será “um mandato claro e uma forte mensagem dentro e fora da Grécia sobre o nosso trajeto europeu e a nossa participação no euro”, segundo uma transcrição citada pela Bloomberg.

“O dilema não é ter este ou outro governo. É sim ou não ao acordo de resgate, sim ou não à Europa, sim ou não ao euro”, acrescentou o primeiro-ministro grego.

Papandreou não explicitou, contudo, qual será a formulação exata da pergunta feita aos gregos em referendo.

Papandreou estará hoje em Cannes, onde terá encontros com líderes europeus sobre a crise grega. De acordo com o jornal grego To Vima, Papandreou vai também encontrar-se com o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

CAVACO NÃO SABE ESCOLHER GRAVATAS




JORGE FIEL – JORNAL DE NOTÍCIAS, opinião

A coisa parece difícil - mas não vai ser fácil. Esta frase de humor marxista, tendência Groucho, assenta como uma luva ao paciente trabalho de criação do primeiro banco privado após o 25 de Abril, desenvolvido, há 30 anos, por Artur Santos Silva.

Sozinho, de pasta na mão e sem remuneração, andou dois anos a reunir a centena de accionistas privados da SPI (antecessora do BPI) que subscreverem o capital inicial de 1,5 milhões de contos - e a tentar receber luz verde governamental.

Apesar de a AD de Sá Carneiro ter ganho as legislativas, foi mais fácil convencer TMG, RAR, Sogrape, Riopele & C.ª a abrirem os cordões à bolsa do que obter o sim do ministro das Finanças, Cavaco Silva, que por duas vezes torceu o nariz ao pedido, alegando que a abertura da banca a privados era "um dossiê muito sensível". Persistente, Artur não desistiu e acabou por conseguir a autorização em 1981, assinada por João Morais Leitão, o ministro das Finanças de Balsemão.

O banqueiro é não só persistente ao ponto da teimosia, como também paciente, como fica demonstrado pelo facto de ter adiado um ano a abertura do escritório em Lisboa da SPI - durante esse tempo esteve à espera que Fernando Ulrich, a pessoa que ele desejava para dirigir a operação da sociedade na capital, se libertasse das funções de chefe de gabinete de João Salgueiro.

Para explicar esta espera, Santos Silva cita Segismundo Warburg (fundador da SG Warburg), que recrutava pessoas da mesma maneira que comprava gravatas: não as contratava por necessidade (ninguém compra uma gravata porque precisa) mas porque gostava delas. Por necessidade, compramos líquido amarelo para a louça, papel higiénico, leite ou meias pretas - não gravatas.

A escolha da pessoa certa para o lugar certo é uma das mais difíceis tarefas de um gestor, em que mesmo os mais pintados já meteram água. Que atire a primeira pedra quem nunca se enganou na avaliação das capacidades e carácter de um ser humano.

A mesma dificuldade se sente na selecção dos amigos com que mais privamos. Que atire a primeira pedra quem nunca foi desiludido por um amigo em que confiava.

Olhando para o rol de patifarias de que são suspeitos vários ex--amigos do peito e da política do PR - Oliveira e Costa (seu companheiro no Banco de Portugal, secretário de Estado e conselheiro de investimentos), Dias Loureiro (seu ex-braço direito no PSD e Governo), Isaltino Morais (seu ministro e autarca laranja modelo) e Duarte Lima (seu vice-presidente no partido e líder parlamentar) - sou forçado a concluir que ele falha na escolha das pessoas.

A alternativa à conclusão de que Cavaco não sabe escolher gravatas é muita má. Atendendo à péssima qualidade das companhias de que se rodeou, seria terrível sujeitar o presidente à prova do provérbio popular "diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és".

Portugal: Militares sentem o mesmo descontentamento que o resto dos portugueses - CEME




Margarida Pinto - Lusa

Lisboa, 02 nov (Lusa) -- O chefe de Estado-Maior do Exército (CEME) disse hoje que "sente" no seio dos militares as mesmas preocupações e descontentamento que existem em toda a sociedade, recusando comentar a manifestação convocada pelas associações do setor para 12 de novembro.

"A manifestação tem regras, os militares fazem um uso do direito consignado na lei e certamente cumprirão os limites dessa lei. Sobre isso não tenho nada mais a referir", disse o general Pinto Ramalho, em resposta a perguntas que os jornalistas lhe colocaram à saída de uma audição na comissão parlamentar de Defesa Nacional, que decorreu à porta fechada.

O CEME garantiu que não nota um "ambiente crispado no seio do Exército", explicando estar a falar "do normal funcionamento da cadeia de comando: aí o Exército funciona de forma coesa e disciplinada".

*Foto EPA

ONU: DESIGUALDADES E DEGRADAÇÃO AMBIENTAL AMEAÇAM PROGRESSO




NAJLA PASSOS – CARTA MAIOR

Relatório das Nações Unidas sobre desenvolvimento humano global defende necessidade de medidas arrojadas contra pobreza e devastação ambiental. Repetição do avanço visto em 40 anos levaria a progresso 'extraordinário', mas cenário agora é de incerteza. Alerta coincide com posições que Brasil levará à Rio+20, a Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável.

BRASÍLIA – A persistência da desigualdade entre países ricos e pobres e da degradação ambiental representam um sério risco para o desenvolvimento das nações mais pobres. O progresso global dos últimos 40 anos - cujo ritmo, se repetido nas próximas quatro décadas, produziria resultados “extraordinários” – está ameaçado, se não forem tomadas medidas arrojadas contra as variações climáticas, danos ambientais e desigualdades.

O alerta é do Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) 2011, “Sustentabilidade e Equidade: Um futuro melhor para todo”, elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). O documento foi divulgado nesta quarta feira (02) em Copenhague, na Dinamarca, país cujo governo se comprometeu a reduzir emissões de carbono em 40% nos próximos dez anos.

Segundo o estudo, de 1970 a 2010, os países que estavam entre os 25% piores colocados no ranking de desenvolvimento humano (187 nações, no total) melhoraram sua situação geral em 82%, o dobro da média mundial. Mantida esta velocidade, a maioria das nações pobres atingiria, em 2050, Índice de Desenvolvimento Humano igual ou melhor do que o de países que, hoje, ocupam as primeiras posições.

“As previsões sugerem que o continuado insucesso na redução dos riscos ambientais graves e das crescentes desigualdades sociais ameaça abrandar décadas de progresso sustentado da maioria pobre da população mundial – e até inverter a convergência global do desenvolvimento humano”, afirma a administradora mundial do Pnud, Helen Clark, no prefácio do estudo.

O alerta ocorre às vésperas da Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável que o Brasil sediária no ano que vem. E coincide com as posições iniciais do país, que defenderá que o futuro do planeta depende da superação da pobreza e redução das desigualdades.

Ainda de acordo com o relatório, as projeções apontam que, em muitos casos, os mais desfavorecidos suportam e continuarão a suportar os impactos da deteriorização ambiental, mesmo que não tenham contribuído – ou contribuído pouco – para o problema.

Apesar de três quartos do crescimento das emissões desde 1970 provirem de países com um IDH 'baixo', 'médio' e 'elevado' – categorização feita pelo Pnud - os níveis globais de efeito estufa mantêm-se muito mais significativos nos países com IDH 'muito elevado'.

O estudo revela, entretanto, que o crescimento econômico explica, em grande parte, as emissões, mas não são deterministas. Haveria evidências de que as emissões de carbono estiveram associadas ao crescimento da renda, nas últimas décadas. Porém, elas não apresentam correlação com outras variáveis do IDH, como expectativa de vida e educação.

Resumindo, os padrões não são inevitáveis. “O crescimento impulsionado pelo consumo de combustíveis fósseis não é um pré-requisito para uma vida melhor em termos de desenvolvimento humano mais amplo”, afirma Helena Clark.

Pessimismo

O relatório denuncia que 40% da terra do planeta encontra-se degradada devido à erosão dos solos, diminuição da fertilidade e sobrepastoreiro. A produtividade da terra recua, com perda de rendimento que pode chegar à metade, nos cenários mais negativos.

Outro problema se deve a relação das populações com a agricultura, que consome de 75% a 80% da utilização de água do planeta. Um percentual de 20% da produção de cereais utiliza água de forma insustentável.

O declínio dos estoques de peixes prejudicará a dieta das comunidades ribeirinhas e de zonas insulares e costeiras. Também afetará fontes de renda e emprego na indústria do turismo regional. Os maiores riscos, inclusive, colocam-se aos 1,3 milhão de pessoas que trabalham na agricultura, pesca, silvicultura, caça e apanha.

As mudanças climáticas elevarão os níveis do mar, reduzirão as chuvas e aumentarão as temperaturas. O relatório aponta estimativa de aumento de 50 centímetros no nível do mar nos próximos 40 anos, o que poderá inundar áreas costeiras de 31 países da América Latina e do Caribe, incluindo o Brasil.

O desmatamento, entretanto, é o maior desafio apontado no cenário atual. Na última década, América Latina e Caribe sofreram as maiores perdas florestais, seguida pela África Subsaariana e pelos Estados Árabes. As demais regiões ganharam ligeira cobertura, causada pelas políticas de reflorestamento. Ainda assim, a desertificação ameaça as terras áridas de um terço da população mundial.

Fórum anti-G20 reivindica poder de decisão e avisa: 'primeiro os povos, depois os bancos'




LUÍSA DUARTE, Paris – OPERA MUNDI – Foto EFE

'Para nós, o G20 é ilegítimo. A busca de soluções globais deve envolver todos os países e não apenas esses 20'

“Primeiro os povos, depois os bancos". Foi com esse lema que cerca de 10 mil pessoas desfilaram nesta terça-feira (01/11) no primeiro dia do Fórum dos Povos, o Contra-G20, que acontece até sexta-feira (04/11) em Nice, no sul da França. ONGs, sindicatos, associações, organizações de esquerda e ecologistas se encontram a apenas 26 quilômetros de Cannes, onde começa nesta quinta-feira (03/11) o encontro do G20.

O Fórum dos Povos preferiu evitar o enfrentamento direto com os 12 mil homens deslocados para fazer a segurança das delegações dos 20 chefes de Estado presentes na maior cúpula internacional já organizada pela França, país que preside atualmente o grupo dos vinte. “Nós sabemos que o G20 e o G8 são muito bem protegidos. Fazer o fórum em Cannes criaria um clima de tensão entre manifestantes e as autoridades, o que não queríamos ver", explicou ao Opera Mundi Gildas Jossec, porta-voz da Coalizão G8G20, organizadora do Fórum de Nice.

“Para nós, o G20 é ilegítimo. A busca de soluções globais deve envolver todos os países e não apenas esses 20”, apontou. A reivindicação dos altermundialistas é colocar o G7, G8 e G20 sob tutela das Nações Unidas e reformar essa instituição. Autofinanciado e com o custo total de 100 mil euros, o encontro reúne representantes de diversos movimentos, como o espanhol “Indignados”, o norte-americano “Occupy Wall Street”, o inglês “Coalition of Resistance”, militantes gregos e ainda os brasileiros da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e do Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas).

Apesar de terem diferentes demandas, as organizações concordam em pontos-chave: a não instrumentalização da dívida pública pelos mercados para destruir os serviços públicos; o desenvolvimento de mecanismos de controle para as operações bancárias; o fim de paraísos fiscais; ampliação da transparência das transações financeiras e obrigar os mais ricos a arcarem com o peso da dívida, dentre outros. Mesmo a igualdade de sexos, a defesa dos pequenos agricultores e a luta contra o aquecimento global e o desmatamento integram o programa.

Os militantes defendem ainda a criação de um fundo global de apoio a processos democráticos. “Todos os movimentos têm propostas que não são utopias", diz Jossec.

Aurélie Trouvé, co-presidente da ATTAC (Associação pela Tributação das Transações Financeiras para ajuda aos Cidadãos), questionou as medidas econômicas concretas para sair da crise. “Há 13 anos, nós lutamos por uma taxa sobre as transações financeiras. Antes, esta ideia parecia totalmente revolucionária, mas hoje é defendida por muitos políticos. Só que ficou na etapa do discurso. Queremos que ela seja realmente implantada.”

No entanto, apesar de a reunião ser contra o G20, Bernard Salamand, presidente do CRID (Centro de Pesquisa e Informação para o Desenvolvimento), um coletivo que reúne 53 associações francesas, ressaltou a vocação do espaço para debater soluções políticas, e não para desenvolver documentos técnicos econômicos. “Nós não temos uma posição coletiva e não estamos aqui para construir um contra-programa. Diremos que há alternativas, que são vividas por cidadãos e ideias que vem deles. Os políticos e atores da economia devem as utilizar e implantar”, concluiu.

Cyber militante

Recentes movimentos de ocupação em diferentes cidades ao redor do mundo vêm movimentando a web e seduzindo população e imprensa. “Para nós, é uma imensa esperança ver movimentos como o dos “Indignados”. Que os povos tomem consciência que estão pagando por uma crise que não provocaram”, disse o presidente do ATTAC.

Sites bem administrados, vídeos explicativos, documentos de comunicação disponíveis para download, tudo acessível em um clique para informar e montar um espaço de militância em qualquer local do globo. Mas de acordo com os organizadores apenas 2 mil militantes devem se reunir no sul da França. Jossec garante que depois da intensa atividade em redes sociais e da cobertura da imprensa desses protestos da sociedade civil, a percepção dos militantes vem mudando e atrai cada vez mais novos integrantes. “Somos muito solicitados pela imprensa, mas não mais sob o aspecto da manifestação, mas porque querem saber mais sobre nossas proposições e isso é novo ”, contou.

A imagem pacifista continua sendo uma das grandes diretrizes dos coletivos, que são tradicionalmente reprimidos a força durante encontros de dirigentes internacionais. “Os balck blocs, (coletivo anarquista que emprega ações violentas) serão poucos. Quando fizemos a manifestação contra o G8, há alguns meses, eles eram apenas algumas dezenas e nós milhares de pacifistas e não-violentos, cidadãos engajados em associações e movimentos alternativos unidos pela ideia de que quem deve pagar a crise são os mais ricos”, sublinhou Trouvé.

A falta de um acordo entre os líderes do G20 que traga uma solução econômica palpável é a maior crítica dos altermundialistas. “Tentamos passar a mensagem que mesmo questões complexas como a economia nos dizem respeito. A crise que vivemos não é uma catástrofe natural, há humanos por trás dela. Temos que reconquistar o direito de decidir ou participar da decisão de nosso futuro”, disse Salamand.

Israel pune palestinos com novos assentamentos e corte de verbas por entrada na Unesco





"São cerca de 2 mil casas em áreas que, em qualquer acordo de paz futuro, ficarão em mãos de Israel", diz o governo

Israel decidiu nesta terça-feira (01/11) acelerar a construção de 2 mil novas casas nos territórios ocupados de Jerusalém Oriental e Cisjordânia, além de suspender temporariamente a transferência de verbas aos palestinos, como medida de retaliação à decisão da Unesco de aceitar a Palestina como membro de pleno direito.

Essas foram as decisões tomadas nesta terça-feira pelo Governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, em reunião realizada em Jerusalém, que contou com a participação dos oito ministros mais relevantes do Gabinete.

As novas casas serão construídas em Jerusalém Oriental e nos assentamentos judaicos de Ma'ale Adumim e Gush Etzion, no território ocupado da Cisjordânia.

"São cerca de 2 mil casas em áreas que, em qualquer acordo de paz futuro, ficarão em mãos de Israel", diz uma mensagem do Gabinete do primeiro-ministro israelense, na qual as autoridades ameaçam "novas medidas" de retaliação em uma próxima reunião.

A suspensão de fundos à ANP tem por enquanto caráter temporário, até que seja adotada uma decisão final a respeito, disse à agência Efe uma fonte oficial israelense que falou sob condição de anonimato. "Não há ainda uma decisão definitiva sobre a transferência do dinheiro, mas pode ser adotada muito em breve".

Israel arrecada e transfere à Autoridade Nacional Palestina (ANP) 100 milhões de shekels mensais (cerca de R$ 47 milhões) na condição de impostos, taxas e tarifas alfandegárias, em virtude dos Acordos de Paris (1995), protocolo econômico dos Acordos de Oslo.

A reunião tinha sido convocada nesta segunda-feira com o objetivo expresso de analisar as respostas à aceitação da Palestina na Unesco, iniciativa contestada por Israel e Estados Unidos. Para ambos, a inclusão do povo árabe como membro pleno da entidade contraria os esforços de paz negociada no Oriente Médio.

A fonte oficial israelense argumentou que as medidas adotadas pelo Executivo respondem à "rejeição palestina de retornar às conversas de paz e, em seu lugar, comparecer aos organismos da ONU para tomar medidas unilaterais".

A Organização para a Libertação da Palestina (OLP), por sua vez, pediu nesta terça-feira ao Quarteto para o Oriente Médio - grupo integrado pelos EUA, ONU, União Europeia e Rússia - e ao restante da comunidade internacional uma condenação de Israel pelas decisões aprovadas.

"Esperamos que os membros do Quarteto e o restante da comunidade internacional condenem nos termos mais enérgicos esta atitude israelense para consolidar a ocupação", disse à Agência Efe Xavier Abu Eid, porta-voz da OLP.

Ele também criticou a decisão de Israel de acelerar as construções nos assentamentos judaicos. "Essas construções demonstram que a verdadeira intenção de Israel não é negociar, mas nos ditar a solução. Significam que não temos um parceiro para a paz".

Os impostos que Israel congelará são vitais para as finanças da administração palestina na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, pois a maior parte desses recursos é utilizada para o pagamento dos salários dos servidores.

Apesar disso, o porta-voz da OLP afirmou que os palestinos não cederão às medidas de pressão israelenses. "(A Palestina) continuará suas ações não violentas para seguir defendendo os direitos legítimos do povo palestino, incluindo o acesso aos organismos internacionais".

Tanto Israel como os Estados Unidos - principal aliado do Estado judaico - repudiaram a iniciativa da Unesco de incorporar a Palestina como membro. Ambos decidiram nesta segunda-feira cortar o financiamento concedido à agência da ONU, o que representa uma redução de um quarto do orçamento da entidade.

A imprensa local já indicava nesta terça-feira que o Executivo israelense tendia a aprovar a construção de novas unidades nas colônias situadas em "lugares que Israel não considera problemáticos", embora o anúncio tenha recebido "críticas internacionais".

Israel considera Jerusalém como sua "capital eterna e indivisível do povo judeu" e não faz distinções entre o território delimitado pela Linha Verde e o do armistício de 1949, que pôs fim à primeira guerra árabe-israelense.

Os assentamentos de Gush Etzion, no distrito de Belém, e Ma'ale Adumim, ao leste de Jerusalém, são dois dos três grandes blocos de colônias que o Governo israelense busca anexar em um eventual acordo de paz com os palestinos.

Conforme o direito internacional, os assentamentos no território ocupado por Israel desde 1967 são ilegais e prejudicam a viabilidade de um Estado palestino.

Maioria dos países lusófonos com "baixo desenvolvimento humano", Moçambique o pior




CFF - LUSA

Copenhaga, 02 nov (Lusa) - Apesar dos progressos alcançados nas últimas duas décadas, a maioria dos oito países lusófonos mantém a classificação de "baixo desenvolvimento humano", sendo Moçambique o quarto pior do mundo no índice de 2011 das Nações Unidas.

Moçambique (184.º), Guiné-Bissau (176.º), Angola (148.º), Timor-Leste (147.º) e São Tomé e Príncipe (144.º) continuam a ocupar os lugares mais baixos no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que este ano analisou 187 países.

Cabo Verde (133.º) surge classificado como tendo "desenvolvimento humano médio" e o Brasil (84.º) como país de "desenvolvimento humano elevado".

Portugal é o único lusófono entre os 47 países com "desenvolvimento humano muito elevado" e Moçambique o pior classificado no índice elaborado desde 1990 pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Em Moçambique, a esperança de vida ronda os 50,2 anos, há apenas 1,2 anos de escolaridade média e 898 dólares de rendimento per capita (643 euros).

A Guiné-Bissau é o país lusófono com a menor esperança de vida à nascença (48,1 anos), registando 2,3 anos de escolaridade média e um rendimento per capita de 994 dólares (712 euros).

Angola regista uma esperança média de vida de 51,1 anos, 4,4 anos de escolaridade média e um rendimento per capita de 4.874 dólares (3.486 euros).

O estudo revela ainda que mais de metade da população angolana vive abaixo do limiar da pobreza ou em pobreza extrema, ressalvando contudo que os últimos dados disponíveis nesta área remontam a 2001.

Em Timor-Leste, a pobreza extrema atinge 38,7 por cento da população (dados de 2009) e o RNB per capita ronda os 3.005 dólares (2.147 euros).

Ao nascer, um timorense pode esperar viver em média 62,5 anos e ir à escola 2,8.

Os cidadãos são-tomenses vivem em média 64,7 anos, ganham 1.792 dólares (1.280 euros) e as crianças frequentam a escola em média durante 4,2 anos.

Cerca de 28 por cento da população vive abaixo do limiar da pobreza e há 10 por cento de cidadãos em pobreza extrema.

Cabo Verde atinge em 2011 os 74,2 anos de esperança de vida e os 3,5 anos de escolaridade média, enquanto o RNB per capita é de 3.402 dólares (2.428 euros).

Portugal ocupa o 41.º lugar da lista, com 79,5 anos de esperança de vida à nascença, 7,7 anos de frequência escolar média e 20.573 dólares (14.678 euros) de RNB per capita.

No Brasil, a esperança de vida é de 73,5 anos, as crianças frequentam em média 7,2 anos de escolaridade e cada brasileiro tem um rendimento anual médio de 10.162 dólares (7.248 euros).

Cerca de 3,8 por cento da população brasileira vive abaixo do limiar da pobreza (com menos de 1,25 dólares por dia).

Relativamente à tabela de 2010, a generalidade dos países manteve as classificações, à exceção de Portugal, que desceu uma posição, e do Brasil que subiu outra, contudo, os responsáveis pelo índice ressalvam que na edição deste ano são avaliados mais 16 países que na anterior e que o método de análise dos dados foi alterado.

O índice que analisa critérios como a esperança de vida à nascença, a média de anos de frequência escolar e o Rendimento Nacional Bruto (RNB) integra o relatório anual sobre desenvolvimento do PNUD, que inclui também índices que medem a pobreza e as desigualdades internas.

ONU quer criação "urgente" de imposto sobre comércio de divisas para luta contra a pobreza




CFF - LUSA

Copenhaga, 02 nov (Lusa) - As Nações Unidas defendem a criação "urgente" de um imposto sobre o comércio internacional de divisas que possa financiar o combate às alterações climáticas e à pobreza extrema, no relatório sobre desenvolvimento humano divulgado hoje em Copenhaga.

"Estima-se que a aplicação de um imposto de apenas 0,005 por cento ao comércio internacional de divisas poderia conseguir 40 mil milhões de dólares adicionais em cada ano. Isso melhoraria significativamente o fluxo de ajuda dirigida aos países mais pobres, que ascendeu a 130 mil milhões de dólares em 2010, num momento em que o financiamento ao desenvolvimento abranda devido à crise mundial", refere o relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Este imposto permitiria que os que "mais ganharam com a globalização ajudem os que menos benefício obtêm com ela", defende o PNUD, estimando que todos os anos sejam necessários 105 mil milhões de dólares para financiar a adaptação às alterações climáticas, especialmente na Ásia Meridional e na África subsaariana.

O relatório "Equidade e sustentabilidade: Um melhor futuro para todos", divulgado hoje em Copenhaga, alerta que os avanços conseguidos pelos países mais pobres arriscam estagnar ou mesmo retroceder até meados do século se não forem tomadas "medidas audaciosas" para abrandar as alterações climáticas.

O documento aponta ainda que a expansão dos direitos reprodutivos e o acesso a contracetivos "abrem uma nova frente" na luta contra da desigualdade de género e a pobreza.

"Os direitos reprodutivos podem contribuir para reduzir a pressão ambiental, já que abrandaria o crescimento demográfico mundial numa altura em que se espera que a população do planeta aumente de 7 mil milhões para 9.300 milhões nos próximos 40 anos", refere o texto.

O relatório do PNUD é publicado anualmente desde 1990 e inclui um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que classifica os países mediante os progressos conseguidos nas áreas da saúde, educação e Rendimento Nacional Bruto (RNB) per capita.

Noruega, Austrália e Holanda ocupam os primeiros lugares na lista de países com maiores progressos na saúde, educação e rendimento, revela o IDH de 2011, que coloca RDCongo, Níger e Burundi nas últimas posições.

Brasil defenderá políticas de incentivo à criação de emprego em detrimento...




... de políticas recessivas

FYRO - LUSA

Rio de Janeiro, 02 nov (Lusa) - A Presidente brasileira vai reforçar na cimeira do G-20 que a solução para a crise não está em políticas recessivas, mas sim na adoção de mecanismos de incentivo à criação de emprego e rendimento, segundo a presidência.

Dilma Rousseff já está em Cannes, França, onde participará entre na quinta e na sexta-feira na reunião das 20 maiores economias do mundo, que procurarão soluções para combater a crise mundial.

De acordo com a presidência, outro ponto a ser destacado por Dilma Rousseff será a necessidade de se colocar um fim à "guerra cambial" praticada por alguns países, bem como às políticas monetárias que estimulam o protecionismo.

Este tem sido o discurso oficial da Presidente brasileira em quase todas as suas intervenções públicas desde o agravamento da crise.

A posição brasileira deverá receber o apoio de outras nações emergentes com a Índia e a África do Sul, conforme a própria Dilma Rousseff indicou após a V Reunião do Fórum IBAS, realizado há duas semanas em Pretória, na África do Sul.

Outra bandeira a ser levantada pelo Brasil, acompanhado das nações emergentes, será a defesa da redução da volatilidade dos fluxos de capital financeiro.

As nações emergentes são as principais afetadas com a "fuga de capitais", que têm abandonado os países desenvolvidos em crise em direção às economias em desenvolvimento, a pressionar a taxa de câmbio destes países.

Como um dos principais produtores e exportadores de produtos agrícolas, o Brasil também apoiará as políticas que defendem a transparência na formação de preços e que favoreçam a especulação nestes mercados.

"Uma importante contribuição da comunidade internacional seria a proibição de subsídios à exportação agrícola", ressalta o texto, que apresenta os pontos gerais a serem defendidos pelo Brasil na Cimeira de Cannes.

Antes de iniciar os trabalhos no G-20, a Presidente brasileira realizará ainda hoje dois encontros bilaterais. Pela manhã, com a primeira-ministra australiana, Júlia Gillard, e o segundo com o Presidente chinês, Hu Jintao.

“COMO É POSSÍVEL MANTER UM GOVERNO EM QUE UM PRIMEIRO-MINISTRO MENTE?”




ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA*

Se os porcos propriamente ditos comem farelo e não morrem, os escravos portugueses têm de se habituar a essa nova dieta.

O aumento de meia hora por dia no horário de trabalho "é de facto trabalho obrigatório não remunerado, coisa que na nossa civilização não existe há vários séculos", disse hoje o economista João Ferreira do Amaral.

Ou seja, é mais uma forma de dar corpo à escravatura que – impune e descaradamente – o Governo português está a impor aos seus súbditos. Não deixa, contudo, de ser um mal menor para todos aqueles que estão voluntariamente obrigados a aprender a viver sem comer.

Elevar o horário de trabalho em duas horas e meia por semana "não tem efeitos significativos na economia, do meu ponto de vista", disse Ferreira do Amaral à margem da conferência "O valor da poupança e o rigor das Finanças Públicas", promovida hoje pelo Tribunal de Contas em Lisboa.

"Talvez [o Governo] nem se tenha apercebido da gravidade" desta medida, disse João Ferreira do Amaral, que acrescentou: "O que me mete mais impressão é que estas medidas sejam anunciadas sem haver um estudo do impacto que elas [terão] na realidade."

Estudo? Parafraseando Afonso Camões, presidente da Lusa, o Governo do reino adoptou uma técnica que evita estudos, análises, ponderações, equidade. Ou seja, “é assim que eu quero, é assim que vai ser”.

As duas confederações sindicais, UGT e CGTP, repudiaram hoje a proposta do Governo, considerando que se trata de uma medida que estimula o desemprego e não a competitividade.

"Está em causa a destruição do horário de trabalho, não há memória deste tipo de medida em toda a União Europeia e merece o nosso repúdio total", disse o secretário-geral da UGT, João Proença, no final de uma reunião de concertação social.

Apesar da contestação dos sindicatos, o ministro da Economia e do Emprego, Álvaro Santos Pereira, afirmou aos jornalistas que as confederações acolheram com interesse a proposta do Executivo.

Reconheça-se, todavia, que os trabalhadores (excluem-se desta categoria todos os que o não são, caso dos chefes, directores, administradores, patrões e similares) até deveriam era trabalhar sem ganhar ou, até, pagar para trabalhar.

Eu sei que Passos Coelho dizia que “estas medidas (de José Sócrates) põem o país a pão e água”, acrescentando que “não se põe um país a pão e água por precaução”.

Ora, como segundo o primeiro-ministro o país está de tanga, urge substituir a dieta alimentar dos portugueses, pondo-os a comer farelo. De facto, se os porcos propriamente ditos o comem e não morrem, porque razão os escravos portugueses não poderão ter a mesma alimentação?

Importa igualmente recordar que em muitas coisas Portugal é grande. Exemplos? Hum! Nos bacanais políticos, nas orgias político-económicas e, é claro, nas festas da abundância (Fado, Futebol e Fátima) com que alimenta os escravos.

Como bem sabem os 800 mil desempregados, os 20% que ainda vivem (isto é como quem diz) na miséria e os outros 20% que a têm à porta, em todas as sociedades (é o caso de Portugal) em que existem seres superiores e inferiores, em que os esclavagista estão no poder, os escravos têm de pagar os manjares dos seus donos, seja pelas pensões vitalícias ou por outros emolumentos.

Aliás, por muito que seja o dinheiro envolvido na chulice, importa reconhecer que os políticos portugueses, os de ontem e os de hoje (a fazer fé nas fábricas partidárias, possivelmente também os de amanhã), são mesmo seres superiores que, como exímios azeiteiros, exploram os escravos até ao tutano. E exploram porque tal lhes é permitido. E sé é isso que a plebe quer, não há nada a fazer.

Aliás, basta ver a galeria de notáveis e superiores cidadãos lusos para ter a certeza de que todos eles, de Dias Loureiro a Oliveira e Costa ou Ângelo Correia, de Jorge Coelho a Armando Vara merecem tudo o que recebem e ainda muito mais.

Se em Portugal a casta superior é constituída por todos aqueles que trabalham não para os milhões que têm pouco ou nada (os escravos), mas sim para os poucos que têm cada vez mais milhões, ninguém pode dizer que eles não são competentes e merecedores que os plebeus continuem a pagar para manter a sua mama.

* Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

Título anterior do autor, compilado em Página Global: GOVERNO PORTUGUÊS QUER JOVENS FORA DO PAÍS

UM MUNDO SEM EUROPA




ADRIANO MOREIRA – DIÁRIO DE NOTÍCIAS, opinião

As múltiplas previsões, análises e suposições sobre a evolução da União Europeia multiplicam-se com fundado pessimismo dominante, mas de regra evitando a questão levantada pelo Conselho, dirigido por Philipe Andreani, e que se traduz em avaliar a eventualidade de um mundo sem Europa. Trata-se em primeiro lugar de reconhecer que a União Europeia começa por mostrar uma espécie de blocagem política, com evidente controvérsia, ainda que não assumida expressamente, sobre as divisões de competências dos órgãos do poder organizados pelo dificilmente legível Tratado de Lisboa.

As identidades nacionais frequentemente parecem recordar o princípio da soberania quando a crise as desafia, o facto de já possuir um número de telefone, pelo qual perguntava Kissinger, não parece suficientemente divulgado, a influência da União na política mundial não parece inquietante para os poderes emergentes, e o liberalismo do credo do mercado, com as exigências brutais destinadas a recuperar o sistema que levou à crise actual, a fazer recordar as lutas passadas do operariado, e da classe média também agora atingida, contra uma estrutura política, económica, e social, que fazia da proclamação de Jeferson uma fraca mensagem. Talvez por isto, Lucien Jaume (Qu'est-ce que l'esprit européen?, 2010) escreveu que, a respeito da Europa, "parece que, principalmente em França, não sabemos já o que significa esta ideia".

A análise que este comentário inspirou atribuiu com frequência responsabilidades ao liberalismo, na versão europeia que, para simplificar, chamamos credo do mercado, uma deriva do genuíno pensamento dos fundadores da União, cuja experiência dolorosa de vida os tornou antes apegados ao realismo.

É talvez exacto que nesse pensamento fundador eram dominantes os objectivos da paz para um continente frequentemente em guerra civil, a preservação da influência europeia num mundo cuja mudança incluía a perda do império euromundista, e não parece difícil condescender em acrescentar, com outros comentadores, o desenvolvimento sustentado que incluía a primeira indispensável tarefa que era a reconstrução. Todavia, rapidamente os objectivos políticos se tornaram dominantes, à medida que a queda da URSS abriu caminho a um alargamento sem estudo prévio de governança, o que colocou em confronto o liberalismo extremo de Margaret Thatcher e o Estado Previdência de Mitterrand, um conflito que veio atingir, na viragem do milénio, sobretudo os países europeus que a crise fez abranger pela fronteira da pobreza, entre os quais Portugal.

O debate, que foi progredindo nas reuniões dos estadistas, vai eventualmente passar para a rua, menos orientado pelas discussões teóricas mas sobretudo pela urgência de encontrar meios de manter uma qualidade de vida decente, isto é, que respeite os princípios e promessas do art.º 49 do Tratado que instituiu a União Europeia.

Simplesmente a crise, se fez renascer a luta pela sustentação dos direitos humanos, igualmente tende para dar relevo ao individualismo da soberania, à distinção entre Estados ricos e Estados pobres, o que muito rapidamente conduz à ambição da hierarquia das potências, que habita de forma errada o Conselho de Segurança, o que poderá fazer esquecer aos Estados europeus os erros cometidos sempre que lhes ocorreu assumir o Directório. O discurso meio aparentemente científico, meio discretamente histórico, da chanceler da Alemanha não é difícil de filiar nessa memória, sendo mais difícil de fundamentar quando aparece aflorado pelo Governo francês. Trata-se de um facto, o qual, sempre que politicamente assumido, destruiu a Europa, sendo certamente o caminho mais fácil para que o mundo passe definitivamente sem ela.

O regresso ao pensamento dos fundadores, que não desconheciam os esforços seculares dos Projectistas da Paz, parece o único apoio indispensável para que, em situação de crise sem precedente, com dispersão de centros de decisão por vezes inidentificáveis, a União dos antigos dominadores da ordem internacional garanta preservar uma voz ouvida na nova ordem a construir.

“A influência da União na política mundial não parece inquietante para os poderes emergentes".