quarta-feira, 4 de Maio de 2011

Alta comissária da ONU condena mortes em manifestações no Uganda




ÁFRICA 21

Alta comissariária da ONU para os Direitos Humanos aponta para pelo menos oito mortos e 250 feridos, incluindo mulheres e crianças.

Genebra - Pelo menos oito pessoas morreram e 250 foram feridas em protestos iniciados, há três semanas, no Uganda, refere o alto comissariado da ONU para os Direitos Humanos. Um comunicado emitido em Genebra, aponta que entre as vítimas estão mulheres e crianças, além de 580 detidos, informa a rádio ONU.

A polícia ugandesa e as Forças Populares de Defesa do Povo usaram indiscriminadamente balas reais e de borracha, gás lacrimogéneo e gás de pimenta contra manifestantes após a denominada "Marcha para o Trabalho", iniciada a 11 de Abril. Parte das vítimas não estaria envolvida nos protestos, sublinha o alto comissariado.

A comissária dos direitos humanos da ONU lançou um apelo urgente às autoridades ugandesas para que cessem imediatamente o "uso da força" contra políticos da oposição e manifestantes. Navi Pillay disse que a acção estaria a intensificar a crise prevalecente no país africano.

Ela descreve o uso da força como desproporcional, referindo que invade a liberdade individual dos cidadãos comuns ugandeses.

Pillay chamou atenção para o caso de Kizza Besingy, um líder da oposição, detido por quatro vezes durante as ultimas três semanas. Besingy foi alvejado numa mão e segundo relatos, não recuperou a visão após ter sido atingido por gás de pimenta lançado à queima-roupa nesta quinta-feira, em Kampala.

A alta comissária disse que apesar de não recomendar a violência e tumultos, as "autoridades devem aperceber-se que as suas próprias acções teriam sido o factor principal da transformação de protestos pacíficos contra o escalar dos preços alimentares e de combustíveis numa crise nacional."

A alta comissária saudou a intenção manifestada pelas autoridades ugandesas em iniciar o diálogo com líderes da oposição num processo que deverá "abordar as preocupações legítimas e demandas da população" relativas à subida do custos de vida e abertura do espaço político.

O governo ofereceu uma indemnização familiares de algumas vitimas. A propósito, Pillay sublinhou que esta "deve ser proporcional aos danos sofridos."

O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos lançou um apelo ainda urgente as autoridades ugandesas para terem "contenção no uso desproporcional da força". O apelo inclui a necessidade da "garantia do respeito dos direitos individuais, liberdade de expressão e reunião - de acordo com a constituição ugandesa de 1995, além da observação das obrigações internacionais."

PR rwandês responsabiliza governantes africanos por intervenções estrangeiras




ÁFRICA 21, com Panapress

"Qual é, enquanto africanos , a nossa parte de responsabilidade?", interroga o chefe do Estado rwandês. “Que imagem a própria África dá ao resto do mundo?", questiona.

Paris – O presidente rwandês, Paul Kagamé, considerou que a intervenção militar das potências internacionais nos países em crise em África, baseando-se nos casos da Côte d’Ivoire e da Líbia, é a "consequência de um fracasso coletivo e individual dos dirigentes africanos".

"Quando alguns Estados africanos criam eles próprios as condições de uma ingerência externa nos seus próprios assuntos, a sua responsabilidade é inteira. Se a nossa própria fraqueza e a nossa má governação nos expõem à manipulação, é inútil queixar-se", declarou Paul Kagamé em entrevista à revista "Jeune Afrique" publicada nesta segunda-feira.

Na Côte d’Ivoire (Costa do Marfim), afirmou Kagamé, as imagens da detenção de Laurent Gbagbo "inspiraram-me uma espécie de tristeza quanto à maneira como se faz e concebe a política em África".

"Quanto mais olho mais vejo, por trás, a sombra do cenarista estrangeiro. O facto de que 50 anos após as independências o destino do povo ivoiriense, da sua economia, da sua moeda, da sua vida política estarem ainda controlados pela antiga potência colonial coloca um problema. É isto que estas imagens mostram antes de tudo”, afirmou o presidente rwandês.

Segundo Paul Kagamé, se a França interveio na Côte d’Ivoire foi devido à incapacidade da União Africana e da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) resolver a crise neste país, acrescentando que é a consequência de um "fracasso coletivo e individual" dos africanos.

"Qual é, enquanto africanos, a nossa parte de responsabilidade?", interroga o chefe do Estado rwandês. “Que imagem a própria África dá ao resto do mundo? Pensamos que o espetáculo de um Exército estrangeiro, mesmo sob cobertura onusina, intervindo nas ruas de uma capital africana é uma boa coisa? Por que nós, africanos, deixamos que nos criem este tipo de situações? Temos a coragem de nos olharmos num espelho?", questionou.

Na foto: Criminoso de guerra Paul Kagamé

Brasil: Experiência de erradicação da pobreza chama a atenção do Banco Mundial




JORNAL DO BRASIL, com Agência Brasil

BRASÍLIA – O Banco Mundial quer detalhes sobre a execução do Plano Brasil Sem Miséria, desenvolvido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e anunciado ontem. A instituição também quer maiores informações sobre o Programa Bolsa Família. Ambos servirão de base a um plano internacional para a próxima década, cujo foco é a renovação das estratégias de atuação nas áreas de proteção social e trabalho.

O Brasil é o único país latino-americano cujos projetos sociais serão tomados como referência para a execução de um plano mundial. O secretário executivo do MDS, Rômulo Paes de Sousa, esteve na semana passada em Paris, na reunião do Bird, para definir os pilares que sustentarão esse planejamento internacional.

Paes de Sousa disse à Agência Brasil que há consenso geral de que as medidas adotadas se sustentem em políticas públicas de geração de trabalho e transferência de renda. A ideia, segundo ele, é adotar um plano mundial que estimule a inclusão produtiva, que tenha tenha uma abordagem conjunta, mas que respeite as distinções entre as necessidades dos moradores das zonas rural e urbana.

“A experiência já mostrou ao mundo que nem sempre o que é aplicado em um país pode ser usado em outro. Mas as experiência bem-sucedidas podem e devem ser tomadas como exemplos e adaptadas às necessidades de cada região para que assim funcionem”, afirmou o secretário. “Há consenso geral sobre o que não deve ocorrer.”

Paes de Sousa disse que tanto o Bird quanto especialistas dos países em desenvolvimento elogiaram os avanços sociais registrados no Brasil durante as reuniões em Paris. Ao apresentar o  modelo brasileiro, destacando o Bolsa Família e o futuro  Plano Brasil Sem Miséria, o secretário disse que ouviu das autoridades estrangeiras elogios e perguntas sobre detalhes dos programas.

Aos estrangeiros, o secretário afirmou que a política social do governo brasileiro se baseia no tratamento não comercial do tema, no envolvimento de setores distintos dos governos federal, estadual e municipal, na elaboração de um cadastro eficiente com os nomes dos beneficiados e seus históricos, a integração entre os programas e a associação desses elementos com o “Estado forte e sólido”.

Segundo Paes de Sousa, o principal impasse dos países em desenvolvimento é definir se aguardam os resultados do crescimento econômico ou se o associam à execução de políticas sociais. Para  o Brasil, o ideal é adotar um sistema associado, o que ocorre desde a gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de acordo com o secretário.

Além do Brasil, foram chamados pelo Banco Mundial para mostrar suas experiências autoridades da Costa Rica, da Libéria, da China, do Bahrein, dos Estados Unidos e da Rússia.

O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome informou que de 2003 a 2008 aproximadamente 24,1 milhões de brasileiros deixaram a linha de pobreza. Os programas de transferência de renda condicionada, como o Bolsa Família, atendem a cerca de 12,9 milhões de famílias. De 2003 a 2010, mais de 13 milhões de empregos formais foram criados.

Guiné-Bissau -Taxa de prevalência do SIDA ronda 2,8 porcento da população




ANGOLA PRESS

Bissau - O vírus VIH/SIDA afecta 2,8 porcento da população em geral da Guiné-Bissau, e 5,8 porcento dos jovens com mais de 15 anos de idade.   
 
A revelação foi feita hoje(quarta-feira) por João Silva Monteiro, secretário executivo do comité nacional de luta contra a SIDA, no âmbito da reunião do conselho nacional sobre a doença, que decorre em Bissau sob a presidência do Primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior. 
 
Citando o último relatório da ONU/SIDA, João Silva Monteiro lembrou que o documento referia que a Guiné-Bissau tinha registado uma quebra, em termos de novas infeções, da ordem dos 25 porcento. 
 
"Esses dados indicam que a resposta nacional na luta contra a doença está sendo positiva", notou João Monteiro, antigo ministro dos Negócios Estrangeiros guineense, também conhecido no país por 'Huco' Monteiro. 
 
O responsável pelo secretariado executivo de luta contra a SIDA na Guiné-Bissau adiantou ainda que a taxa de prevalência da doença entre as mulheres grávidas é de 5,8 porcento, uma percentagem idêntica à que se regista entre indivíduos com idade superior a 15 anos.  

"Quer dizer que ainda somos um país de epidemia generalizada, um país de muita preocupação em termos da SIDA, mas ao tempo essa percentagem mostra que temos um nível de prevalência muito mais baixo do que aquilo que se falava em tempos", disse 'Huco' Monteiro. 
 
"Havia um período em que a Guiné-Bissau era indiciado como um país de 10, 12 porcento. Não estamos nesse patamar, mas ainda assim somos um país de epidemia generalizada", notou o responsável do secretariado nacional de luta contra SIDA.   
 
Para o futuro, Huco Monteiro diz que a estratégia encetada até aqui deve ser mantida, isto é, uma intensa acção de sensibilização junto de pessoas de risco, nomeadamente os jovens, os profissionais de muita mobilidade (camionistas, vendedeiras, pescadores ou profissionais de sexo) e o uso regular de preservativos nas relações sexuais. 

O responsável sublinhou ainda que a sensibilização para a prevenção face à doença deve ser levada a cabo e reforçada junto dos homossexuais.

AGRICULTORES DA ÁFRICA DO SUL DESLOCAM-SE PARA MOÇAMBIQUE




Incerteza de reforma agrária
leva agricultores sul-africanos a adquirirem terras aráveis nos países vizinhos

MMT – LUSA

Maputo, 04 mai (Lusa) -- A comunidade de agricultores sul-africanos pretende adquirir terras aráveis em Moçambique, Camarões, Zâmbia, Líbia, Egito e Gabão, face à incerteza de reformas agrárias na África do Sul, anunciou o vice-presidente do sindicato, Theo De Jager.

Segundo Theo De Jager, cerca de 800 farmeiros sul-africanos já se encontram em Moçambique, enquanto outros 600 esperam receber terras cultiváveis na província de Gaza, sul do país.

Até maio de 2012, os agricultores sul-africanos deverão iniciar as suas atividades em várias regiões de Moçambique, assegurou à Agência Reuters o vice-presidente do sindicato de agricultores sul-africanos.

Theo De Jager considerou que Moçambique reúne condições favoráveis para a produção de cereais, açúcar e biocombustíveis, bem como para a criação de animais.

O responsável referiu ainda que aos agricultores sul-africanos foram prometidas terras aráveis em 22 países africanos, nomeadamente Congo-Brazzaville, onde, ao abrigo de um acordo com o governo, os farmeiros sul-africanos se comprometeram a melhorar a segurança alimentar nos próximos 105 anos.

O investimento na área agrícola na África do Sul tem vindo a reduzir substancialmente dada a incerteza causada pela reforma da terra, que prevê que, até 2014, cerca de 30 por cento da terra arável seja entregue à população maioritariamente negra.

O programa tem causado certa preocupação à comunidade de agricultores comerciais sul-africanos que, nos últimos tempos, têm optado por reduzir a aplicação de novos capitais.

Até 2010, o governo sul-africano conseguiu transferir apenas seis por cento da terra aos negros e pretende flexibilizar o processo nos próximos tempos.

Guiné Equatorial: DELEGAÇÃO DA CPLP EM VISITA DE AVALIAÇÃO




País mostra evolução na abertura
mas não é fácil avaliar todos os aspetos da democracia - CPLP

SK – LUSA

Lisboa, 04 mai (Lusa) -- O secretário executivo da CPLP considerou que se tem verificado uma evolução na abertura da Guiné Equatorial, mas admitiu, contudo, que "não é fácil" avaliar todos os aspetos que dizem respeito ao estado da democracia naquele país.

Uma missão da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) chega hoje a Malabo para fazer uma "pré-avaliação" do estado de adesão da Guiné-Equatorial ao bloco lusófono e dar "continuidade às reuniões de concertação", explicou à Lusa o secretário executivo da organização, Domingos Simões Pereira.

"Visitei o país e pude constatar alterações. Não vou fazer qualificativos. Mas estou convicto de que há interesse" em concretizar a adesão, e isto passa pela adoção dos princípios orientadores da CPLP, como o respeito pelos direitos humanos e governação democrática, explicou.

Simões Pereira admitiu, contudo, que avaliar todos aspetos que dizem respeito à 'saúde' da democracia na Guiné Equatorial "não é um processo fácil".

A possível adesão da Guiné Equatorial como membro de pleno direito da CPLP tem sido criticada por organizações e alguns políticos lusófonos. Em causa estão as críticas à natureza ditatorial e repressiva do regime do Presidente Teodoro Obiang, no poder desde 1979.

"Tenho que reconhecer que, enquanto organização, os nossos interlocutores são sempre os estados. Temos um mecanismo de funcionamento que é diferente da sociedade civil (...) Nós vamos dialogando da forma mais aberta possível, mas sempre sem ultrapassar os limites considerados normais na relação diplomática", vincou.

Apesar destas dificuldades, salientou Simões Pereira, há "indicadores bastante objetivos" que permitem à CPLP "manter a pressão no sentido de uma maior abertura democrática na Guiné Equtorial".

"Se há pouca sociedade civil a funcionar no país há aqui um espaço de sensibilização. Se temos pouco contacto com a oposição, devemos depreender que o processo de uma maior pluralidade política" ainda não é satisfatório, exemplificou.

"A afirmação da Guiné Equatorial de querer abrir-se ao mundo, de querer integrar a CPLP e de querer realmente apresentar aquilo que eles dizem ser uma nova fase e forma de se relacionar com a sua população, mas também com o exterior, dá-nos uma oportunidade de partilhar com o país aquilo que nós entendemos serem os princípios universalmente aceites em termos de direitos humanos e governação", salientou.

E o facto de Malabo "continuar a afirmar o seu interesse e disponibilidade em colaborar para uma Guiné Equatorial melhor compreendida, mas também melhor enquadradora desses direitos universalmente aceites, é positivo", vincou.

No programa de adesão da antiga ex-colónia espanhola à CPLP foram acordados pontos concretos em termos de implementação e difusão do português; apropriação de património cultural da CPLP; maior abertura democrática e a subscrição dos princípios e estatutos da CPLP; entre outros.

Simões Pereira explicou que a missão permanecerá no país até sexta-feira e procurará "sensibilizar Malabo para a implementação dos pontos acordados", bem como para as "questões e expetativas que preocupam a CPLP".

"Queremos ver atos concretos e mudanças substantivas que possam facilitar a tomada de decisão pelas instâncias competentes", frisou.

O FIM DA ERA BUSH E O TEMPO DE OBAMA




CRISTINA SOREANU PECEQUILO* – CARTA MAIOR

O tempo de Obama

A morte de Bin Laden pode ser descrita como último capítulo da administração George W. Bush escrito pelos democratas, e o primeiro do que poderá se converter em um novo tempo para a gestão Obama. Mesmo com as revisões de missão no Iraque e Afeganistão, estas eram as guerras de W. Bush, travadas segundo seus referenciais. Agora, pós-Bin Laden, os conflitos serão os de Obama. Passado este momento de união nacional breve, o vazio moral e de esperança que tem caracterizado o último ano nos EUA tende a reaparecer com intensidade em meio às pressões da corrida à Casa Branca. O artigo é de Cristina Soreanu Pecequilo.

Separados por quase uma década, o setembro de 2001 e o maio de 2011 parecem conformar um pequeno momento histórico da política interna e externa dos Estados Unidos (EUA). De uma prova de fraqueza a uma de força da hegemonia, este ciclo teve Osama Bin Laden como sua personagem principal, e a Al-Qaeda e o terrorismo transnacional fundamentalista islâmico, como simbólicas da violência contra a democracia.

Apesar das diferenças partidárias do republicano George W. Bush (2001/2008) e do democrata Barack Obama (2009/2011), Bin Laden continuou sendo definido, do auge da guerra contra o terror até 2011, como o inimigo número 1 da América.

Para Obama, a continuidade dos esforços para a captura de Bin Laden tornou-se simbólica de uma das principais promessas de sua campanha, a de lutar a “guerra certa” (Afeganistão e Paquistão) e não a “guerra de escolha” (Iraque). Com a morte de Bin Laden no Paquistão, associada à retirada do Iraque e o cronograma de saída do Afeganistão, na Casa Branca parece-se dizer, enfim, “missão cumprida”. Mas será que a morte de Bin Laden deterá todos os impactos internacionais que tem se atribuído a ela? Ou trata-se mais de um reposicionamento tático da presidência Barack Obama às vésperas do décimo aniversário do 11/09, em meio a uma economia sem vigor e com suas reformas trancadas pela pauta eleitoral de 2012 e a pressão dos grupos de interesse?

Dificilmente, em termos comparativos, Obama buscará capitalizar os eventos relativos à morte de Bin Laden da mesma forma que W. Bush o fez em 2001, com base na tragédia e no medo. Além de representarem eventos diferentes em magnitude e escala, a vitória representada pelo desaparecimento de Bin Laden tende a ser curta e rapidamente esvaziada pela realidade doméstica. Ainda que possam celebrar nas ruas o desaparecimento de seu maior adversário, atitude que condenaram, e condenam em outras nações em eventos semelhantes, os norte-americanos têm diante de si uma sociedade economicamente debilitada e socialmente fragmentada. Passado este momento de união nacional breve, o vazio moral e de esperança que tem caracterizado o último ano tende a reaparecer com intensidade em meio às pressões da corrida à Casa Branca. Na verdade, considerando-se o passado político recente de Obama, seria incorreto atribuir ao Presidente a tentativa de manipular o imaginário norte-americano em torno exclusivamente do tema Bin Laden.

Mais do que nunca, este foco de discussão tentará ser superado à medida que o pleito neoconservador sustentou-se durante grande parte da década passada no trinômio Bin Laden-Al Qaeda-Guerra Global contra o Terrorismo. Embora a Secretária de Estado Hillary Clinton tenha afirmado que a “luta continua”, a mensagem precisa ser lida de duas maneiras: a luta, hoje, será travada nos termos definidos pela Casa Branca, nos teatros e batalhas vistos como prioritários pelos democratas e, segundo, a luta contra os que acusaram Obama de, ao longo de seus dois primeiros anos de mandato, de diminuir os esforços contra o terror e enfraquecer o país. Mesmo com as revisões de missão no Iraque e Afeganistão, estas eram as guerras de W. Bush, travadas segundo seus referenciais. Agora, pós-Bin Laden, os conflitos serão os de Obama.

Entretanto, ao fazer estas afirmações não estaríamos incorrendo em apenas uma mudança de semântica? Não se repetiria apenas um jogo de palavras que esconde os mesmos interesses norte-americanos? Sim e não. Pois, se dentro de casa a morte de Bin Laden deve ser entendida como uma “limpeza de agenda”, privando os neoconservadores do discurso do medo, também no exterior ela deve ser percebida desta forma. Falar em reposicionamento tático não significa afirmar que a hegemonia deixou de projetar poder ou abdicará de sua condição imperial, mas indicar que a mesma está se reajustando para tentar minimizar suas recentes perdas.

Basta uma breve contextualização do cenário do Oriente Médio para se perceber esta demanda urgente por uma adaptação: a queda de Hosni Mubarak no Egito, as operações da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Líbia, a instabilidade na Síria, as revoltas no Iemen, somente para mencionar alguns acontecimentos indicam a dificuldade dos EUA em controlarem o cenário regional. As conversações entre o Hamas e o Fatah, o processo de paz Israel-Palestina em estagnação são igualmente componentes deste processo. Apesar da alegada “sombra” da Al-Qaeda em muitos destes eventos, apontada tanto pelo Ocidente quanto pelo Oriente, a quase totalidade dos processos deu-se à margem do que era, ou foi, a influência de Bin Laden. A morte de Bin Laden apenas formaliza, principalmente para o público norte-americano, aquilo que já havia se tornado patente, a dinâmica própria que as nações têm assumido em paralelo, escapando às tentativas de controle pelos EUA, e que demandam contenção para minimizar a perda de influência.

Não deixa de ser sintomático que em meio a todas as transformações , a pergunta dominante tenha sido “o que mudará sem Osama Bin Laden” como se o ato terrorista perpetrado em 2001 fosse a única origem da nova ordem mundial em formação. Exagerada, a expectativa de que tudo mudará no pós-Bin Laden, esconde as transformações graduais e táticas que Obama busca imprimir em sua administração para a campanha presidencial de 2012. Em meio a uma oposição republicana que o acusa de não ser norte-americano e que faz de sua plataforma discursos radicais anti-governo, pró-armas, pró-religião e maniqueísta, que se concentra em nomes como os de Sarah Palin e Donald Trump, Obama precisa diferenciar-se por projetos e visões positivas de esperança como o fez em 2008.

Se houver mudanças nos EUA, as mesmas não serão motivadas pelo fator Bin Laden, mas residirão em iniciativas democratas. Iniciativas estas interligadas em cenários internos e externos, que variam desde a reforma de saúde e as incursões de Obama mais próximas à população em tragédias nacionais (do atentado a Gabrielle Giffords à destruição dos tornados), até a reavaliação das alianças estratégicas regionais e globais.

Nesta trajetória, a morte de Bin Laden pode ser descrita como último capítulo da administração W. Bush escrito pelos democratas, e o primeiro do que poderá se converter em um novo tempo para a gestão Obama.

(*) Professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)

Fotos: Na foto divulgada pela Casa Branca, o momento em que Obama, Hillary Clinton e seus assessores mais próximos assistiam ao vivo à ação que resultou na morte de Bin Lade. (Foto: Pete Souza/Casa Branca)

Portugal - FMI: Redução de serviços do Estado e salários congelados até 2013




PAULO MIGUEL MADEIRA – PÚBLICO

Educação com corte de 195 milhões em 2012

O Estado terá de “reduzir o número de serviços” no próximo ano e congelar salários até 2013, de acordo com o memorando de entendimento entre o Governo e a troika Comissão-BCE-FMI.

Estas são duas uma das medidas previstas no capítulo das medidas orçamentais para 2012, no âmbito da redução de despesa, mas cuja poupança específica não está quantificada.

Para o conjunto da administração central, prevê-se medidas com um impacto de poupança anual de 500 milhões de euros, que o próximo Governo deverá ainda decidir, e que será avaliadas pela EU-FMI já no início do próximo ano.

Um dos sectores afectados será o da educação, com uma redução de custos de 195 milhões de euros no próximo ano (face a um orçamento de 6377 milhões este ano), o que deverá ser conseguido através da “racionalização da rede escolar com a criação de agrupamentos de escolas, abaixamento das necessidades de pessoal, centralização das compras; e redução e racionalização das transferências para as escolas privadas com acordos de associação”.

Ficou decidida também a criação de uma administração fiscal única e a promoção dos serviços partilhados entre as diferentes estruturas do Governo.

Serão reduzidas as transferências do Estado para os organismos públicos e outras entidades e reorganizado o fornecimento de serviços ao nível local, quer os das câmaras quer os da administração central.

O acordo estipula também que o conjunto dos salários do sector público, em percentagem do PIB, diminuirá em 2012 e 2013, apesar de se preverem duas recessões consecutivas de dois por cento.

Este objectivo será conseguido com a limitação das admissões na administração pública, com o objectivo de obter diminuições anuais de pessoal de um por cento ao ano até 2014, e de dois por cento nas autarquias, além do acima referido com congelamento salarial em 2012 e 2013, a par da redução dos benefícios de saúde da ADSE, ADM e SAD.

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Portugal: Torres Couto afirma que estamos perante um «péssimo acordo» - com o FMI




TSF

O antigo secretário-geral da UGT Torres Couto concluiu, no Fórum TSF, que estamos perante um «péssimo acordo» que vai acabar com a classe média e aumentar o desemprego.

O último líder da UGT a negociar com o FMI disse, no Fórum TSF, esta manhã, que Portugal precisa de «um sobressalto cívico e ético» porque o acordo entre o Governo e a "troika" é «péssimo» para os portugueses.

Torres Couto antecipou anos muito difíceis, sublinhando que este acordo vai «acabar com a classe média, impedir que a procura interna tenha qualquer contributo para a recuperação da crise e aponta para dois anos de recessão económica que, por conseguinte, vão agravar o desemprego».

«Vamos ter uma agitação social brutal. Como é que é possível vir alguém, primeiro-ministro, sublinhar a validade ou a importância deste acordo? Este acordo é mau, preocupante e vai atirar o país para um situação de empobrecimento total», acrescentou.

Por isso, o antigo secretário-geral da UGT acusou o Governo de manipular a opinião pública quando garante que este é um «bom acordo», dando exemplos de algumas consequências desta ajuda externa.

«Vão agravar os impostos sobre as casas, as pessoas vão pagar uma factura energética maior. A partir de Janeiro vamos ter, possivelmente, idosos que vão morrer com problemas de saúde porque não vão ter dinheiro para aquecer a sua casa. Como é que é possível dizermos que este acordo é bom? Isto é patético e os portugueses têm que acordar», declarou.

Torres Couto crticou ainda o Governo e os partidos da oposição de terem enfraquecido a posição negocial do país com «guerrilhas» que apenas servem interesses partidários.

«Tudo isto foi fruto da incapacidade dos nossos dirigentes políticos para terem concertado uma posição prévia à chegada da "troika". Isso devia ter sido feito como fizemos em 83. Negociamos um plano de salvação nacional e quando o fundo chegou a Lisboa limitou-se a avalisar as nossas posições», comparou.

«Nos últimos meses, não. O Governo e a oposição entraram em delírio, numa guerrilha patética e enfraqueceram a posição negocial do país, preocupados única e exclusivamente com uma eleição que aí vem», contestou Torres Couto.


Na foto: Torres Couto

Timor Leste: RAMOS HORTA FELICITA GNR PELO SEU CENTENÁRIO




MSO – LUSA

Díli, 04 mai (Lusa) -- O Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, felicitou hoje a GNR pela passagem do seu centenário, numa mensagem dirigida à corporação e a Portugal, divulgada pela Presidência da República.

"No centenário da GNR, associo-me a esta prestigiosa corporação e felicito o Comando, todos os oficiais, sargentos e praças", refere a mensagem enviada por Ramos-Horta, em que elogia "o trabalho altamente meritório" da Guarda Nacional Republicana.

O Presidente timorense destaca o papel que a GNR tem sabido desempenhar "em Portugal e em muitos pontos do globo, no quadro das Nações Unidas ou das várias instituições europeias, na formação e capacitação de forças de lei e ordem noutros países".

"Timor-Leste tem uma experiência, de mais de dez anos, de relacionamento fecundo, são e solidário com a GNR. O profissionalismo e a dedicação dos oficiais e elementos da GNR são conhecidos por todos os timorenses.

Portanto, neste dia, em nome de todos os timorenses, transmito as nossas mais calorosas felicitações a toda a família da GNR", conclui a mensagem presidencial.

Timor-Leste: CIDADÃOS DESLOCADOS EXIGEM ASSISTÊNCIA





Díli - Os cidadãos que foram forçados pelo Governo a abandonar as suas casas na área de Perumnas, Díli, manifestaram-se esta segunda-feira, junto ao gabinete presidencial para exigir a ajuda já prometida pelo Ministério da Justiça.

Membros de 59 lares, agora transferidos para Ailok Laran, pediram ajuda ao Presidente Ramos Horta para resolver o seu problema. Ricardo Soares, coordenador dos deslocados, afirmou que quando o grupo foi obrigado a deslocar-se, o Ministério da Justiça prometeu assistência mas, até agora, nenhuma ajuda foi concedida. «O Ministério da Justiça tinha falado em ajuda em três dias, e já passaram cinco meses», afirmou Ricardo Soares.

O representante do Forum de ONG, Tau Matan Onorio Soares Almeida, que também participou na manifestação, afirmou que é necessário o Governo resolver o problema. «A comunidade está mesmo a sofrer. As grávidas não têm assistência de saúde e as crianças perderam o ano escolar», disse Soares Almeida.

Ramos Horta afirmou que é urgente o Governo encontrar uma solução para o problema, tendo dado garantias que iria alertar o primeiro-ministro, Xanana Gusmão, para o problema.

(c) PNN Portuguese News Network

ALCAEDA NO IÉMEN PROMETE VINGAR MORTE BIN LADEN




SCA - LUSA

Aden, 04 mai (Lusa) - Um líder local da Al-Qaida na Península arábica (Aqpa), no sul do Iémen, prometeu hoje vingar Usama bin Laden, morto no domingo passado durante uma operação militar norte-americana nos arredores da capital do Paquistão, Islamabad.

"Iremos vingar Usama bin Laden. Vamos provar isso aos inimigos de Deus. Eles vão ver aquilo que não esperam", afirmou o líder da província de Abyane, um reduto da rede terrorista, em declarações à agência noticiosa francesa AFP, via telefone.

Para o chefe local, que pediu o anonimato, "o martírio do xeque Usama não significa que a jihad [guerra santa] vai parar".

Segundo o mesmo representante, a Aqpa, organização que resulta da fusão dos braços saudita e iemenita da Al-Qaida, "está a preparar um plano de ação para continuar com a jihad numa próxima etapa".

O líder local da Aqpa, organização particularmente ativa nas regiões sul e este do Iémen, não adiantou mais pormenores sobre este eventual plano de ação.

As promessas de atos de vingança caso Bin Laden morresse já não são uma novidade para as autoridades norte-americanas.

Segundo noticiou hoje o jornal espanhol "El País", um preso de Guantanamo, Sharif al Masri, um jihadista egípcio detido no Paquistão em 2004, afirmou durante um interrogatório que se Usama bin Laden fosse capturado ou assassinado seria detonada uma bomba nuclear nos Estados Unidos.

O diário espanhol referiu que esta "confidência" aparece num relatório classificado, datado de setembro de 2008, do Departamento de Estado norte-americano.

O documento é relativo a Abu Faraj Al Libi, um líbio de 41 anos, considerado um dos presos mais valiosos de Guantanamo, ligado a experiências nucleares, químicas e bacteriológicas desenvolvidas nos campos de treino da Al-Qaida no Afeganistão.

TALIBÃ E ALCAEDA PROMETEM VINGANÇA POR MORTE DE BIN LADEN




TERRA

Militantes da Al-Qaeda e do Talibã prometeram vingança contra as forças paquistanesas e americanas pela morte de Osama bin Laden no domingo.

Bin Laden foi morto com um tiro na cabeça após resistir à prisão em uma operação conduzida por uma unidade de elite do Exército americano na cidade de Abbottabad, a 100 km de Islamabad, no Paquistão.

Representantes do Talibã ouvidos pela BBC admitiram que a morte de Bin Laden, visto como um herói pela milícia islâmica, abalou os militantes - mas eles negam que sua morte tenha afetado a sua "guerra santa" no Afeganistão.

Um porta-voz do Talibã para a região do Waziristão, no Paquistão, disse à BBC que militantes realizarão ataques contra forças de segurança paquistanesas devido ao seu envolvimento na morte de Bin Laden.

Além disso, um porta-voz da rede Haqqani - grupo insurgente que opera no Afeganistão e no Paquistão e é aliado do Talibã - enalteceu o "martírio" de Bin Laden e afirmou que seus militantes redobrarão seus esforços na luta contra os Estados Unidos no Afeganistão.

O correspondente da BBC em Islamabad, Shoaib Hasan, disse que autoridades do setor de segurança no Paquistão estão se preparando para ataques de militantes em represália contra a morte de Bin Laden. Os Estados Unidos fecharam ao público suas embaixadas e consulados no Paquistão.

"Como um pai"

A BBC conseguiu contato com militantes de várias partes do Paquistão, entre eles o jovem Mohammad Younus, que é membro do Talibã e lutou por quatro anos nas regiões de Helmand e Kandahar, no Afeganistão.

Falando à BBC no sul do Paquistão, horas depois da confirmação da morte de Bin Laden, o militante disse que "Osama Bin Laden era como meu pai".

Para o combatente do Talibã, a morte do líder da Al-Qaeda não afetará a luta de seu grupo, pois ela "não depende de um homem".

Younus acrescentou que ele e seus companheiros vão continuar na luta contra os Estados Unidos e que vão se vingar pela morte de Bin Laden, em ações contra as forças americanas nos Estados Unidos, Afeganistão e Paquistão.

CRESCEM QUESTIONAMENTOS SOBRE MORTE E SEPULTAMENTO DE BIN LADEN





A morte de Osama bin Laden desarmado despertou temores de que os Estados Unidos possam ter ido longe demais ao agir como policial, juiz e carrasco do homem mais procurado do mundo.

Mas para vários líderes muçulmanos, a questão mais perturbadora é se o sepultamento do líder da Al-Qaeda no mar foi contrário à prática islâmica.

A Casa Branca disse na terça-feira que Bin Laden havia resistido aos militares dos EUA que invadiram seu esconderijo na Paquistão, e que houve temores de que ele iria "se opor à operação de captura".

O porta-voz da Casa Branca Jay Carney se recusou a especificar que tipo de resistência Bin Laden ofereceu, mas acrescentou: "Esperávamos uma grande resistência e fomos recebidos com grande resistência. Havia muitas outras pessoas armadas... no complexo."

Helmut Schmidt, ex-chanceler da Alemanha Ocidental, disse à TV alemã que a operação pode ter consequências incalculáveis no mundo árabe em um momento de tensão na região. "Está muito claro que foi uma violação da lei internacional", afirmou.

Essa visão encontrou eco no renomado advogado de direitos humanos australiano Geoffrey Robertson. "Não é justiça. É uma perversão do termo. Justiça significa levar alguém ao tribunal, declará-lo culpado com base em provas e sentenciá-lo", disse Robertson ao canal Australian Broadcasting Corp, em Londres.

"Este homem foi submetido a uma execução sumária, e o que parece agora, após uma grande quantidade de desinformação da Casa Branca, é que pode ter se tratado de um assassinato a sangue frio."

Robertson disse que Bin Laden deveria ter ido a julgamento, assim como os nazistas da 2a Guerra Mundial foram em Nuremberg ou o ex-presidente iugoslavo Slobodan Milosevic foi perante ao tribunal de crimes de guerra em Haia após sua prisão em 2001.

Gert-Jan Knoops, especialista na lei internacional sediado na Holanda, disse que Bin Laden deveria ter sido preso e extraditado para os Estados Unidos.

"Os norte-americanos dizem estar em guerra contra o terrorismo e que podem abater seus adversários no campo de batalha", declarou Knoops. "Mas formalmente falando, este argumento não se sustenta."

Sepultamento no mar

Syed Ahmed Bukhari, clérigo muçulmano sênior de Nova Délhi, disse que as tropas dos EUA poderiam ter capturado Bin Laden facilmente.

"Os Estados Unidos estão disseminando a lei da selva em toda parte, seja no Afeganistão, no Iraque, no Paquistão ou na Líbia. As pessoas estão caladas há muito tempo, mas agora passou dos limites."

Son Had, porta-voz do Jema''ah Ansharut Tauhid, o grupo islâmico fundado pelo líder indonésio Abu Bakar Bashir, disse estar claro que Bin Laden se tornou um mártir.

"No islã, um homem que morreu... lutando pela sharia recebe a maior honraria dada a um homem abaixo da de profeta, ou seja, a de mártir. Osama é um combatente do islã, da sharia".

Mas para muitos líderes islâmicos a maior preocupação é o enterro de Bin Laden no mar, e não na terra. Seu corpo foi levado a um porta-aviões dos EUA onde militares disseram que ele foi sepultado no mar de acordo com os ritos islâmicos.

I.A. Rehman, funcionário da Comissão de Direitos Humanos do Paquistão, disse que o funeral é mais importante do que saber como Bin Laden foi morto.

"O fato de que não estava armado é menor... atrairá maior atenção saber se ele foi sepultado de forma islâmica. Tem surgido reações de clérigos muçulmanos segundo os quais ele não foi enterrado apropriadamente, e isto causará discussões durante algum tempo."

ONDE ESTAVA OSAMA BIN LADEN EM 11 DE SETEMBRO DE 2001?




MEMÓRIA

MICHEL CHOSSUDOVSKY

Uma versão anterior deste artigo foi publicada quatro anos atrás no contexto da efeméride do evento trágico do 11 de Setembro. O paradeiro de Osama bin Laden no dia 10 de Setembro foi confirmado por uma reportagem da CBS. Osama estivera hospitalizado um dia antes dos ataques do 11/Set.

Quem alguma vez poderia ter coordenado os ataques a partir da sua cama num hospital militar paquistanês fortemente vigiado, localizado em Rawalpindi?

É de recordar que o Hospital Militar Combinado de Rawalpindi (sob a administração dos militares paquistaneses) "proporciona exclusivamente tratamento especializado para pessoal do Exército e suas famílias imediatas". Osama bin Laden deve ter tido algumas conexões entre os militares ou a inteligência paquistanesa para ser admitido no hospital. Ele foi, segundo a reportagem CBS de Dan Rather, admitido com "tratamento para uma pessoa muito especial".

Se a reportagem de Dan Rather na CBS é correcta e Osama foi na verdade admitido no hospital militar paquistanês a 10 de Setembro de 2001, por cortesia do aliado da América, com toda a probabilidade ele ainda estava no hospital em Rawalpindi no dia 11 de Setembro, quando se verificaram os ataques. Com toda a probabilidade, os seus paradeiros eram conhecidos de responsáveis estado-unidenses na manha de 12 de Setembro, quando o secretário de Estado Colin Powell iniciou negociações com o Paquistão, tendo em vista prender e extraditar bin Laden.

A reportagem da CBS é uma bomba em potencial. Ela invalida a lenda de Osama criada pela inteligência dos EUA. Ela lança dúvida sobre a noção de que Obama era o "cérebro" por trás dos ataques do 11/Set. Ela aponta para o encobrimento e a cumplicidade nos mais altos escalões da administração estado-unidense.

O presidente Obama confirmou que "capturar ou matar o líder da al Qaeda Osama bin Laden permanece uma alta prioridade dos EUA" pelo seu papel em organizar e coordenar os ataques do 11/Set a partir da sua cama de hospital no departamento de urologia do hospital militar de Rawalpindi. Se Osama não estava por trás dos ataques do 11/Set, toda a construção da "guerra ao terrorismo" colapsaria como um castelo de cartas, a administração Obama não teria uma perna para se manter de pé. Além disso, a sua justificação para travar uma guerra no Médio Oriente e na Ásia Central assenta na duvidosa justificação de que "a América estava sob ataque" e de que o governo do Afeganistão (Taliban) era cúmplice nos ataques do 11/Set.
10/Setembro/2010

**O artigo "Onde estava Bin Laden no dia 11 deSetembro de 2001?", publicado em 2006, encontra-se em
http://resistir.info/chossudovsky/osama_11set01.html

O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=20986

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/  

FILHA DE BIN LADEN ASSEGURA QUE O PAI FOI CAPTURADO VIVO





Uma filha de Osama bin Laden assegurou que o pai foi capturado vivo pelos soldados norte-americanos antes de ser assassinado, segundo a televisão Al-Arabiya, que cita uma fonte das forças de segurança paquistanesas.

De acordo com a mesma fonte, identificada como um alto responsável das forças de segurança do Paquistão, os soldados norte-americanos detiveram Bin Laden durante os primeiros minutos do ataque militar à casa onde o líder da Al-Qaeda se encontrava.

A mesma fonte, que teve acesso ao testemunho da filha do líder da Al-Qaeda, garantiu que só depois as forças norte-americanas mataram Bin Laden.

A morte do líder da rede terrorista foi anunciada pelo presidente norte-americano, Barack Obama, no domingo à noite em Washington (segunda-feira de madrugada em Lisboa).

Segundo responsáveis norte-americanos, o líder da Al-Qaeda foi morto durante um ataque a um complexo nos arredores de Islamabad, na localidade de Abbottabad, onde a sua presença foi confirmada no final de Abril.

A Casa Branca divulgou na terça-feira mais detalhes da operação militar, referindo que Bin Laden não estava armado quando foi morto.

«Existia inquietação sobre o facto de Bin Laden resistir à operação de captura e com efeito resistiu (...) Bin Laden foi morto pelo disparo de bala. Não estava armado», referiu o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney.
Carney referiu ainda que a mulher de Bin Laden não foi morta mas ferida numa perna durante a operação.

Na segunda-feira, os responsáveis norte-americanos tinham referido que esta mulher tinha sido utilizada como escudo humano para proteger o chefe da Al-Qaeda e que tinha sido morta.

ESTRATEGISTAS DE DILMA QUEREM NEUTRALIZAR INTERESSES CONTRARIADOS




ANDRÉ BARROCAL – CARTA MAIOR

Com a presidenta disposta a enfrentar interesses empresariais, estrategistas do governo apostam que o poder econômico despejará milhões em adversários do PT em 2014, se não for impedido por uma reforma política que só permita dinheiro público em campanhas eleitorais. Problema é obter consenso entre os dois maiores partidos do país e do governo: o PT de Dilma e o PMDB do vice-presidente, Michel Temer.

BRASÍLIA – A presidenta Dilma Rousseff está disposta a tirar proveito do conforto político que tem para enfrentar interesses empresariais que considera contrários ao interesse do país. Os adversários do PT encolheram e têm menos condições de fazer uma dobradinha eficaz com empresários descontentes para tentar jogar Dilma contra a opinião pública. Os estrategistas da presidenta apostam que os confrontados reagirão com a arma que lhes resta: dinheiro. O troco viria com maciço financiamento de rivais do PT na eleição de 2014. Para se proteger da revanche, os estrategistas querem proibir patrocínio privado de campanhas.

O uso exclusivo de verba pública nas eleições depende de uma reforma política que os estrategistas de Dilma sonham ver votada no fim do ano, mesmo que custe uma penosa negociação com aliados. Só num começo de mandato, sem o acúmulo de desgastes do Palácio do Planalto com apoiadores, e diante de uma oposição fragilizada, é que seria possível votar “a mãe de todas as reformas”.

A relação que o governo tenta estabelecer com o Congresso, até agora, contribui para evitar fissuras com aliados. Na visão do Planalto, o Legislativo deve ser palco de grandes batalhas estruturais, não uma Casa da qual o governo dependa todos os dias, em votações cotidianas. É o caso da reforma tributária, que deve ser começar a ser discutida ainda no primeiro semestre. E da reforma política, no segundo semestre.

O plano de tocar a reforma política e defender a proposta de acabar com financiamento privado de campanhas esbarra, no entanto, num conflito que parece difícil de se resolver e que sugere, de fato, um alto custo. As duas maiores legendas do Brasil e do governo, PT e PMDB, que dividem o Planalto – Dilma pertence à primeira e o vice-presidente, Michel Temer, à segunda – têm visões divergentes sobre o tema.

Para o PT, as mudanças devem fortalecer os partidos e reduzir a influência do poder econômico. Já o PMDB defende valorizar mais candidaturas do que agremiações e acha complicado convencer a sociedade a aceitar dinheiro público em campanhas. Daí que a presidenta, mesmo simpática à reforma, e a despeito dos planos que a cercam, pretende assistir ao debate de longe. “Ela é a favor da reforma política mas não vai entrar de sola, é um assunto para o Congresso resolver. Há muita divergência na base aliada”, diz um ministro.

Reforma política: prioridade petista
A intenção de partir com tudo para levar a reforma política adiante este ano foi explicitada pelo PT em reunião do Diretório Nacional dias 29 e 30 de abril. O encontro produziu dois documentos. Uma resolução sobre prioridades para 2011, que coloca a votação da reforma no topo, e um apenas sobre a reforma, com as teses defendidas. “O financiamento privado superpotencializa a influência do grande capital na política e favorece a corrupção”, afirma o documento sobre a reforma.

Nas resoluções, a cúpula petista incentiva dirigentes, bancadas e militantes a ocupar espaço na sociedade e na mídia para pregar a reforma política e buscar aliados, como sindicatos e outros partidos. “Estamos no momento propício para fazer essa reforma, a sociedade precisa de um sistema político melhor”, diz o líder do PT na Câmara, deputado Paulo Teixeira (SP).

O principal cabo eleitoral petista pela reforma política será o ex-presidente Lula. Desde o fim de 2010, ainda no Planalto, Lula pensa em montar uma frente de partidos de esquerda (PT, PSB, PCdoB e PDT) em prol da reforma. Antes, sentia-se engessado. O assunto tem potencial para afetar a relação de um presidente da República com seus apoiadores, já que os partidos têm opiniões variadas e divergentes.

É a dificuldade enfrentada por Dilma Rousseff hoje e que a leva a evitar envolvimento direto. O vice dela é do PMDB. O presidente do Senado, José Sarney, é do PMDB, maior bancada da Casa. Segundo um aliado de Michel Temer, a maior parte da legenda discorda do financiamento público. Acha que é muito difícil convencer a sociedade de que vale à pena gastar dinheiro público assim. Que não impede caixa dois. E que só favorece o PT.

Pesquisas indicam que o PT é o partido predileto dos eleitores que declaram ter alguma preferência. Parece o único capaz de sobreviver à base de voto de legenda, e o financiamento público estimula, de alguma forma, o voto de legenda. Isso porque é uma proposta que tem uma irmã gêmea. O eleitor votaria, para deputado ou vereador, numa lista que os partidos apresentariam na campanha, em vez de votar num candidato específico. O oposto do que o PMDB defende, que é valorizar candidatos.

Temer, o guia peemedebista

A posição peemdebista no debate da reforma política tem sido manifestada por Michel Temer desde que o tema começou a ser discutido pelo novo governo e o novo Congresso. Em fevereiro, Temer foi ao Senado, discursar sobre o tema, quando os senadores decidiram instalar comissão especial para tratar da reforma. Em março, publicou artigo na imprensa a respeito. Nas duas ocasiões, defendeu que deputados (federais e estaduais) e vereadores sejam eleitos conforme os votos que receberam individualmente, sem levar em conta alianças que suas siglas tenham feito.

Para Temer, a mudança corrigiria distorção que ele acredita existir no sistema eleitoral brasileiro. Presidente, governadores, prefeitos e senadores são eleitos graças a votações individuais. Deputados e vereadores, não. Na avaliação do vice, a nova regra faria uma espécie de depuração no Congresso, ao diminuir o número de partidos representados lá dentro - hoje, são 22 legendas. E, com tal redução, os partidos sobreviventes também se fortaleceriam.

Essa é uma proposta que, segundo um aliado de Temer, o PMDB faz questão que esteja na reforma política. Mas que mexe em algo que, em seus últimos documentos sobre o tema, o PT chama de "virtude do atual sistema que precisa ser preservada", que é a eleição proporcional para casas legislativas.

Com visões antagônicas no coração da base de apoio ao governo, há condições de aprovar alguma reforma política e que ela contemple financiamento público de campanhas? Para os estrategistas de Dilma, que enxergam uma reeleição acirrada contra um poder econômico contrariado, sim. Custaria cargos e emendas parlamentares. Mas uma reforma estruturante como essa valeria o preço.

EM TEMPO DE FEBEAPÁ




MÁRIO AUGUSTO JAKOBSKIND – DIRETO DA REDAÇÃO

A política partidária brasileira continua pequena, cada vez mais no varejo, haja vista o destaque que a mídia de mercado concede a figuras patéticas como Gilberto Kassab e mesmo o ex-Presidente FHC. Este senhor fez o que fez em oito anos de mandato e como se não fosse responsável por uma série de medidas contra o povo, que não caberia neste espaço enumerar, tenta ditar regras para os brasileiros.

Agora mesmo, percebendo que o seu partido, o PSDB, está a fazer água começa a admitir a fusão com o Democratas, um aglomerado de políticos conservadores, parte ainda egressos da época da ditadura.

Por muito menos, em outros países presidentes que deixaram o cargo acabaram sendo obrigados a responder por atos suspeitos. Cardoso entregou o que pôde e fez o possível para reduzir o poder do Estado em nome de uma suposta modernidade. E ainda por cima mandou esquecerem tudo o que tinha escrito antes de ser Presidente, iludindo os mais incautos.

Criou um Instituto com o seu nome, que nestes dias reuniu oposicionistas venezuelanos em São Paulo para fazer proselitismo contra o Presidente Hugo Chávez. Nada de novo no front, a não ser a repetição de denúncias sem comprovação e que se aprofundadas não resistem a uma análise. Repetiram o que a Secretária de Estado Hillary Clinton vem dizendo exaustivamente, numa campanha com o objetivo de solapar a Revolução Bolivariana.  

E no meio deste vazio do esquema PSDB-Demo aparece lépido e faceiro o Prefeito de São Paulo, Kassab, empenhado em criar um partido, o Social Democrata (PSD), que não se julga nem de direita, esquerda ou de centro, talvez muito pelo contrário.  

Pior que o patético político de São Paulo acha que está falando sério. Pior ainda é que alguns analistas de sempre têm colocado o novo partido como inovador.  Um dos tais analistas de sempre  afirmou ser o PSD de esquerda. Esqueceu de pesquisar nomes que aderiram ao referido ideário. Só para citar alguns, a Senadora Kátia Abreu, ainda no Demo e porta-voz da bancada ruralista, além de presidente da Confederação Nacional da Agricultura fechou com Kassab, da mesma forma que o político carioca Índio da Costa, vice na chapa do candidato tucano José Serra. Este Da Costa, que  ofende o grupo étnico com o seu nome, se alinha aos setores de direita que ainda utilizam o linguajar da Guerra Fria, como demonstrou na campanha presidencial do ano passado.

Para ilustrar a mediocridade do rambe-rambe político partidário surge no palco um político que se intitula comunista, mas tem o apoio entusiasta da senadora Kátia Abreu. Trata-se de Aldo Rabelo, do PC do B, relator do Código Florestal que está para ser votado no Congresso e que se aprovado como está concederá anistia aos depredadores do meio ambiente. 

Os mais críticos ao projeto, relatado por Rabelo e que visivelmente favorece os grandes do setor fundiário, acusam o parlamentar de estar retribuindo favores pessoais prestados pelo agronegócio na campanha do deputado no ano passado. Rabelo responde as críticas dizendo serem feitos por “desafetos anticomunistas”.

Rabelo e outros que se consideram comunistas fazem lembrar a história do diálogo de um engraxate com um cidadão estadunidense na praia de Copacabana no período de grande efervescência política, antes de 64. O referido, influenciado pelo senso comum, se mostrava muito preocupado com a possibilidade da ascensão do comunismo no Brasil. Pediu a um engraxate opinião sobre o fato. Ele então não pensou duas vezes e respondeu ao cidadão estadunidense: “doutor, não se preocupe porque se o comunismo chegar nós avacalha”...

Há testemunhas deste diálogo retratado pelo inesquecível Sergio Porto, o Stanislau Ponte Preta, genial criador do Festival de Besteira que Assola o País (Febeapá). Se estivesse entre nós teria um tremendo manancial. País que tem FHC, Kassab, Kátia Abreu, Índio da Costa, Aldo Rabelo e tantos outros, como Paulo Maluf, Renan Calheiros, Eduardo Cunha, que nem caberiam neste espaço, alimentariam o Febeapá.

E tem mais: se o governo Dilma Rousseff decidir cortar pensões de viúvas para economizar gastos, conforme disse o Ministro Garibaldi Alves, aí o fato merece citação no Febeapá. Será que o governo acha que cortar de pensionistas vai resolver alguma coisa? Em vez disso, não seria melhor adotar um posicionamento de frear a farra do capital financeiro, setor que realmente pesa na balança e não a(o)s pensionistas.

É isso aí, o Febeapá deveria ser revivido, até para contemplar as novas gerações com informações valiosas. Fica a sugestão de um Febeapá do III Milênio, que contemplaria também representantes de outros setores além do político partidário.