quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

DOMESTICADOS, INVERTEBRADOS E CASTRADOS




Orlando Castro*, jornalista – Alto Hama*

O consultor político do Presidente da República de Portugal, e seu ex-assessor de imprensa, considera que "uma informação não domesticada constitui uma ameaça com a qual nem sempre se sabe lidar".

Num artigo de opinião publicado no primeiro número da versão brasileira da revista Campaigns & Elections sobre "a importância da agenda", Fernando Lima assume o que todos já sabiam que era há muito tempo, um criado de luxo do poder.

O jornalismo em Portugal (que já não sei bem o que é) continua a sua corrida no sentido da perda total de credibilidade. A coisa parece, de vez em quando, estar brava. Mas só parece.

Como sempre, é mais a parra do que a uva. Desde logo porque, ao contrário do que seria de esperar, os “macacos” (que são cada vez mais) não estão nos galhos certos (que são cada vez menos). E quando assim acontece (e acontece muitas vezes), tanto jornalistas como produtores de conteúdos tendem a sobrevalorizar as ideias de poder em detrimento do poder das ideias.

O Estado de Direito... democrático ainda é, é cada vez mais, uma criança e, como tal, ainda há muitos vícios, deformações e preconceitos herdados que a muitos dá jeito conservar. É claro que o “quero, posso e mando” não serve nenhuma das partes, mas continua a fazer escola, sobretudo tendo como mestres os donos dos jornalistas e os donos dos donos.

Não serve mas é praticado, não serve mas é estimulado. Não serve mas vai servindo.

A promiscuidade na sociedade portuguesa está de pedra e cal. Na Comunicação Social todos a querem independente mas, como é hábito, controlam essa independência pelos mais diferentes meios, sejam económicos, partidários ou outros.

O jornalismo que vamos tendo, qual reles bordel, aceita tudo e todos. No entanto, reconheça-se, os jornalistas sempre podem ser deputados. Vá lá! Maria Elisa Domingues, Vicente Jorge Silva, Ribeiro Cristóvão foram exemplos de como, em Portugal, se confunde a obra prima do Mestre com a prima do mestre de obras.

Se todos podem ser jornalistas, porque carga de água não podem os jornalistas ser deputados... da Nação ou assessores de políticos, ou conselheiros do presidente, ou prostitutos da alma? Nem mais. É uma pequena vingança, mas mais vale pequena do que nenhuma. Não?

Aliás, a própria Comissão da Carteira Profissional de Jornalista entende que não é incompatível ser jornalista e deputado. O mesmo se passa com o Sindicato dos Jornalistas que viu o seu presidente ser candidato a deputado.

Nada importa. Os Jornalistas (até) não têm razão de queixa...

São uma classe prestigiada, nobre e cada vez mais dignificada? Não. É claro que não. Qualquer um pode ser jornalista. Utilizando as palavras de um amigo que, de quando em vez, me dá a honra de comentar o que aqui vou escrevendo, “para ter a carteira profissional de Jornalista basta o estágio que varia consoante as habilitações, ser maior de 18 e fazer do jornalismo o seu ganha-pão”.

Mais. Diz ele que “uma empregada de limpeza que seja amiga do chefe de redacção e de mais dois jornalistas que por sua honra confirmem que é colega de trabalho, passa logo a Jornalista”.

Embora o exemplo seja extremo, o pressuposto é verdadeiro. Aliás não faltam casos que, perante a apatia dos (verdadeiros) profissionais, confirmam a tese deste meu amigo.

“O caso do Quinito foi uma boa prova da anarquia em que nos encontramos. Era um futebolista que passou a treinador, e de treinador a jornalista e director de um jornal regional”, desabafa o meu amigo.

É claro que o Jornalismo não é isso. Mas também é claro que o “nosso” jornalismo é também isso. É e será enquanto os Jornalistas não colocarem a casa em ordem... Mas isso dá muito trabalho e rende pouco.

É muito mais vantajoso e lucrativo ser criado de luxo do poder, como é bem exemplificado por Fernando Lima. E depois das diferentes comissões de serviço sempre poderá ser administrador de uma qualquer empresa, pública ou privada.

* Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

Título anterior do autor, compilado em Página Global: INQUÉRITO AOS OFICIAIS DAS FORÇAS ARMADAS, JÁ!

Timor-Leste: NOVA ZELÂNDIA VAI ENVIAR MAIS TROPAS ANTES DAS ELEIÇÕES



RTP

A Nova Zelândia vai enviar mais tropas para Timor-Leste antes das eleições presidenciais e legislativas previstas para este ano, segundo noticia hoje a cadeia australiana ABC.

A primeira-ministra da Nova Zelândia, Helen Clark, adiantou que o número de soldados neozelandeses em Timor-Leste subirá, com este aumento, para cerca de duas centenas (180 elementos das forças armadas e 25 polícias) e que o contingente que já se encontra em Timor-Leste passará a ser chefiado por um oficial mais graduado.

Disse ainda que vão também seguir para o território dois helicópteros militares Iroquois e 32 equipas de ar e terra para transporte adicional de apoio às operações das Nações Unidas. A governante justificou este reforço militar com a eleição presidencial que se aproxima, uma altura, sublinhou, potencialmente instável em Timor-Leste.

A força de estabilização internacional (ISF, na sigla em inglês) que se encontra em Timor-Leste é liderada pela Austrália e integra pessoal do Exército, da Força Aérea e da Marinha da Austrália e da Nova Zelândia.

Segundo a página oficial do Ministério da Defesa australiano, a ISF integra atualmente 460 elementos, 380 dos quais das forças armadas australianas, o que quer dizer que a Nova Zelândia se propõe a mais do que duplicar o número de tropas que atualmente estão mobilizados (80).

A ISF está em Timor-Leste desde 2006, a pedido do Governo timorense, para manter a estabilidade e garantir a segurança, e apoiar a missão das Nações Unidas no território, mas nem sempre as relações entre as forças internacionais e as autoridades locais têm sido pacíficas.

Em abril, o Presidente timorense, José Ramos-Horta, disse que a recomendação do instituto australiano para a política estratégica (ASPI), num relatório, no sentido de uma permanência militar internacional em Timor-Leste até 2020, "não corresponde aos desejos de Timor-Leste". O primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, afirmou também que o objetivo é que a ISF termine a sua presença ainda este ano.

No seguimento destas declarações, o ministro da Defesa australiano, Stephen Smith, remeteu a avaliação de uma retirada das tropas de Timor-Leste para depois das eleições e em acordo com o Governo de Díli.

Recentemente, o Ministério da Defesa australiano anunciou uma reestruturação das Forças Armadas, o Plano Beersheba, que mantém o foco nas operações militares de estabilização em Timor-Leste e nas ilhas Salomão.

O mandato da Missão das Nações Unidas em Timor-Leste (UNMIT), que integra 140 militares da portuguesa Guarda Nacional Republicana, vigora até final de 2012.

Em declarações à agência Lusa, o porta-voz da GNR, tenente-coronel Costa Lima, disse que "não é expectável que haja alteração quantitativa ao contingente presente em Timor-Leste até ao final da missão da ONU".

ANGOLA COMEMORA O DIA DOS MÁRTIRES DA REPRESSÃO COLONIALISTA



África 21, com Angop

Há 51 anos ocorreram os trágicos acontecimentos da Baixa de Kassanje, em que mais de 15 mil homens, mulheres e crianças foram barbaramente mortos pela aviação colonial portuguesa.

Luanda – Os angolanos comemoram quarta-feira, 4 de Janeiro, o quinquagésimo primeiro aniversário do Dia dos Mártires da Repressão Colonial, com manifestações político-culturais e desportivas.

A data história da luta de libertação nacional marca o início de uma revolta contra a ocupação colonial portuguesa de cerca de 500 anos (1482-1975) e que ceifou a vida de milhares de patriotas.

Há 51 anos ocorreram os trágicos acontecimentos da Baixa de Kassanje, em que mais de 15 mil homens, mulheres e crianças foram barbaramente mortos pela aviação colonial portuguesa, que sobre si descarregou bombas de napalm.

Perante um amplo e forte movimento reivindicativo dos seus direitos de liberdade e sobrevivência, que unia os camponeses dos centros agrícolas da Baixa de Kassanje, as autoridades coloniais lançaram, em 1961, a sua violência contra as populações daquela região, num genocídio que geraria a comoção geral e acenderia a chama rumo à vitória contra o colonialismo português.

Desde aqueles trágicos acontecimentos, outros momentos históricos sucederam-se na vida dos angolanos.

Os acontecimentos na Baixa de Kassange foram o germe gerador do movimento libertador que despoletaria no 4 de Fevereiro de 1961 e culminaria no dia 11 de Novembro de 1975, com a proclamação da Independência Nacional.

Este ano, para a data de Celebração Nacional, foi elaborado pelo Ministério da Administração do Território um programa comemorativo que se estende até ao dia 15 de Janeiro, Dia dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria.

A celebração deste ano tem como lema “Honremos os nossos heróis, promovendo o bem estar de todos os angolanos”. Das actividades culturais e recreativas, destacam-se palestras, entrevistas, reportagens com várias personalidades, exposições fotográficas, entre outras.

Porto da Praia em Cabo Verde prepara-se para receber navios de cruzeiro



África 21, com agências

A operação foi o primeiro grande teste à logística de transfer de passageiros do porto para o aeroporto da Capital.

Cidade da Praia - O Porto da Praia, na capital de Cabo Verde, operou na última quinta-feira (29) seu primeiro "turn around" para navios de cruzeiros.

A operação foi o primeiro grande teste à logística de transfer de passageiros do porto para o aeroporto da Capital, e vice-versa, envolvendo a Enapor, companhias aéreas, agências de turismo, empresas de transporte e outros operadores.

Duzentos e setenta passageiros a bordo do navio da companhia finlandesa Cristina Cruises, atracado no Porto, fizeram a viagem de regresso num voo charter e outros tantos, que chegaram no mesmo avião, embarcaram no transatlântico para darem início ao seu cruzeiro.

PS diz que deputados têm dever de reserva sobre as secretas e que está em curso...



... investigação criminal

Público - Lusa

O PS alega que não apresentou conclusões relativas às audições sobre o estado dos serviços de informações por as reuniões parlamentares terem decorrido sob “compromisso de reserva” e por algumas das matérias estarem sob investigação criminal.
Estas posições constam de uma declaração assinada pela vice-presidente da bancada socialista Isabel Oneto e que foi nesta quinta-feira entregue à Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.

Esta comissão procedeu praticamente desde o início da presente legislatura a uma série de audições sobre fugas de informação nos Serviços de Informação da República Portuguesa (SIRP) e sobre o alegado acesso aos registos telefónicos pessoais do jornalista Nuno Simas, actual director adjunto da Agência Lusa.

Ao contrário dos grupos parlamentares do PSD, CDS-PP, PCP e Bloco de Esquerda, o PS não apresentou um documento de conclusões sobre os resultados das audiências, entregando em alternativa um texto a justificar o motivo dessa opção.

Na declaração, o PS alega que, a pedido de quem foi ouvido em sede de comissão parlamentar, “as audições decorreram à porta fechada, assumindo os deputados o compromisso de reserva, dado que as questões abordadas dizem respeito ao funcionamento de um dos serviços de informações da República, matéria que, por natureza, é reservada”.

Ou seja, segundo os socialistas, “no respeito pelo dever de reserva”, entendeu-se “não apresentar nem subscrever qualquer relatório final que, por qualquer forma - directa ou indirecta -, revelasse o teor dos assuntos abordados durante as reuniões”.

Para a sua opção de não apresentar qualquer relatório de conclusões, o PS invoca também que há factos que fundamentaram as audições parlamentares em relação aos quais já foram abertos processos criminais, não devendo como tal a Assembleia da República, “no respeito pelo princípio de separação de poderes, pronunciar-se sobre factos que se encontram em investigação criminal”.

O PS acrescenta, ainda, que o SIRP “é um instrumento fundamental para o funcionamento do Estado de Direito democrático”.

“Entende o PS que o exercício da acção política deve cumprir-se na defesa do interesse nacional, com transparência, mas também com o sentido de responsabilidade, que impede a divulgação de factos relativos ao funcionamento dos serviços de informação da República”, acrescenta a declaração da bancada socialista.

PSD diz que "indícios" de ligações à Maçonaria podem afetar credibilidade da secreta




O relatório apresentado pelo PSD sobre as alegadas irregularidades no funcionamento dos serviços secretos concluiu pela existência de "indícios e suspeitas" do envolvimento de dirigentes daqueles serviços a "grupos de pressão" ou "sociedades secretas, nomeadamente ramos da Maçonaria".

"Os indícios e suspeitas do envolvimento de titulares de lugares de chefia e de direção dos serviços de informação com grupos de pressão pretensamente instalados na sociedade portuguesa ou a sociedades secretas, nomeadamente ramos da Maçonaria, potenciam afetar a credibilidade e o prestigio dos serviços de informações", conclui o relatório.

Os relatórios dos diversos partidos foram hoje divulgados no sítio da internet da comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, tal como foi anunciado pelo seu presidente, Fernando Negrão (PSD), na quarta-feira.

Portugal: MAÇONARIA - A LOJA DE CONVENIÊNCIA DA DEMOCRACIA




Daniel Oliveira – Expresso, opinião, em Blogues

A Maçonaria já foi uma organização com valores democráticos. A Maçonaria já foi uma organização poderosa. Em diferentes graus, dependendo da loja em questão (há as mais tradicionais e rigorosas, e as dos 300, só mesmo para negócios), aconteceu-lhe o que aconteceu a muitas organizações históricas: foram-se os valores ficou o poder. Sendo secreta, esse poder não está sujeito ao escrutínio público. E isso é perigoso para a democracia.

A Maçonaria não é a única e nem sequer a com maior poder. Nos sectores conservadores temos a Opus Dei, onde se juntam fanáticos religiosos com uma comovente entrega espiritual ao vil metal. Nos sectores financeiros, e à escala global, temos organizações como a Bilderberg ou a Trilateral. Todas elas alimentam os espíritos que se apaixonam por teorias da conspiração. Nuns casos é paranoia, noutros nem por isso.

A verdade é esta: organizações secretas só o são, em democracia, porque nelas se trafica o que não se pode traficar à luz do dia. Raramente são ideias, porque essas, em sociedades livres, não precisam da obscuridade. Quase sempre são negócios, influências, empregos e poder. E se a coisa se passa na sombra torna-se tentador tornear a lei.

Devo dizer que, apesar de saber que acontece, tenho uma certa dificuldade em perceber porque procura, em democracia, uma pessoa honesta e livre a participação em organizações secretas. Imagino que seja a distinção de ser escolhido para um circulo restrito de "eleitos". Uma reminiscência da adolescência. Nunca devemos desprezar a importância de nos sentirmos importantes. E há tanta gente que se leva tão a sério... Já a razão porque carreiristas e traficantes se sentem bem neste tipo de organizações é bem mais fácil de compreender: mesmo que não tenham nascido para isso, elas são o lugar ideal para construir carreiras a medíocres e fazer negócios menos claros.

Mas a coisa fica bem mais grave quando percebemos que naqueles espaços se traficam, em segredo, os segredos do Estado. Ou seja, que estas organizações se apoderam, usando da sua obscuridade, de funções que a democracia reservou ao Estado. Ou que, como é o caso de Luís Montenegro, escondem incompatibilidades de funções.

Ficámos ontem a saber que o advogado e líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, pertence à loja Mozart, de que faz parte Jorge Silva Carvalho, o ex-diretor do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED). Montenegro é membro da Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais, Liberdades e Garantias, que tem investigado as irregularidades no SIED, que envolvem Jorge Silva Carvalho. Ou seja, investigador e investigado são colegas de avental numa loja que tem sido envolvida no tráfico de informações das secretas.

Esperemos que a investigação vá até ao fim. E que fique clara uma regra: o secretismo da Maçonaria (ou de qualquer outra organização do género) não tem proteção constitucional. Luís Montenegro está, por isso, obrigado a confirmar se pertence à Loja Mozart e se nela mantém algum tipo de relação com Jorge Silva Carvalho. Se sim, deve explicar porque não o declarou, como motivo evidente de incompatibilidade para se envolver neste caso. Interessa também saber se usou o seu poder no Parlamento e no grupo parlamentar do PSD para que o relatório preliminar sobre a investigação ao SIED fosse alterado e dele saíssem as alusões à relação entre a Maçonaria e as secretas. Sabendo que mentir ao Parlamento em matéria de facto é, apesar de comum, grave. Num caso desta importância, é gravíssimo.

*Ver outros títulos relacionados públicados hoje em Página Global

DO CAIS DO SODRÉ AO GIGANTE ADAMASTOR




Orlando Castro*, jornalista – Alto Hama*

Cada vez me convenço mais que Portugal vai emergir. Talvez em 2016 junto ao mar Egeu. E este convencimento vem do facto de o governo estar cheio de gente que diz preferir perder dinheiro para defender a causa pública.

São tantos, creio que serão mesmo todos, os super-homens e mulheres que integram o governo que é difícil não acreditar que serão capazes de emigrar depois de afundar o país, outrora Pátria e há muito, muito tempo, Nação.

E perante tão gratificante exemplo, os super-portugueses que, todos os dias, mostram a sua super-competência de viverem sem comer, também estão dispostos a dar uma ajudinha. Basta ver a forma como comem e calam.

Desde logo porque, ao contrário dos donos do país, sabem que ao viverem sem comer estão a ajudar as contas públicas e a diminuir o número de pobres. E é basilar para a recuperação que não se acabe com os ricos mas, antes, com os pobres.

Consta de um estudo que Pedro Passos Coelho um dias deste irá divulgar, que 800 mil portugueses até estão dispostos a dar ao governo todo o subsídio de Natal e o todo o subsídio de férias durante o tempo que for necessário.

Em troca apenas querem uma pequena coisa: ter emprego!

Enquanto isso, vão fazendo exercícios de memória, não tanto para se recordaram do que é ter três refeições por dia, mas para não esquecerem o que lhes foi dito.

Quem terá afirmado que os políticos "recebem porcaria de volta dos cidadãos quando se lhes dirigem com falta de respeito e com promessas não-cumpridas"?

"Se lhes transmitirmos credibilidade os portugueses compreendem, se lhes falarmos sem verdade e com falta de respeito, eles compreendem que estamos a ser batoteiros e em Portugal já temos um Estado batoteiro", afirmou alguém.

Esse alguém falava no Bom Jesus de Braga, no dia 5 de Julho de 2008, sobre "Jovens e Política" durante uma conferência que foi uma espécie de "universidade de Verão" para os militantes do seu partido.

Esse alguém considerou que, na política portuguesa, tinha de acabar a situação de os poderes públicos darem emprego aos amigos em vez de optarem pela qualidade técnicas daqueles que escolhem para os cargos.

Abordando um estudo encomendado pelo Presidente da República, Cavaco Silva, sobre a participação dos jovens na política, esse alguém disse que os dados revelados sobre o afastamento dos jovens "não são diferentes dos de Espanha, França ou mesmo de quase todo o mundo ocidental".

Também disse que "é preciso atacar as causas" desse afastamento, entre as quais destacou o facto de, muitas vezes, ainda se "confundir rituais democráticos e democracia". "Vemos isso acontecer em países de África ou da Ásia, mas, mesmo em democracias ocidentais, há, por vezes, mais ritual do que democracia", acentuou.

Em consequência dessa constatação, sublinhou que muitos jovens pensam que "votam mas o resultado é sempre o mesmo", o que os leva a afastarem-se das urnas e dos partidos ou movimentos políticos.

"Não interessa chegar ao poder apenas pelo poder, mas sim indicar ao eleitorado o que se vai fazer, dentro de paradigmas satisfatórios e cumprir", reforçou, considerando ser necessário "cultivar o gosto pelas novas soluções", apontando o caso dos problemas ligados ao estado social, para dizer que, quando se candidatou às eleições directas no seu partido, "não encontrou ninguém que fosse especialista na matéria".

"Precisamos de ter grupos de reflexão sobre a problemática social e há muita gente social-democrata que sabe pensar o problema, e o mesmo acontece na área das relações internacionais, quer no que toca à Europa quer noutras áreas", defendeu.

Disse ser fundamental que as pessoas, em vez de se habituarem a depender do Estado, pensem no que podem fazer para seu bem e da sociedade: "Porque não se propõe aos manifestantes desempregados que criem uma empresa, eventualmente com outros colegas, em vez de andarem em manifestações?", perguntou.

Foi também esse alguém que exigiu na negociação para viabilizar o Orçamento para 2011 que não houvesse aumento de impostos. Foi o mesmo que exigiu igualmente que “toda a diminuição da despesa fosse feita para que o país pudesse proceder à consolidação das contas públicas”.

Foi o mesmo que chegou a dizer que mexer no subsídio de férias ou no subsídio de Natal seria um autêntico disparate.

Revelando-se um colossal batoteiro, conseguiu que os portugueses lhe passassem um cheque em branco e, dessa forma, chegou a timoneiro de uma chata que disse ser caravela, afundando-a no primeiro remoinho do cais do Sodré, com a justificação que a culpa é do Gigante Adamastor que dá pelo nome de troika.

* Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

Título anterior do autor, compilado em Página Global: INQUÉRITO AOS OFICIAIS DAS FORÇAS ARMADAS, JÁ!

Angola: BLOCO DEMOCRÁTICO EXIGE DEMISSÃO DO GOVERNADOR DE BENGUELA


Armando da Cruz Neto, governador de Benguela - Foto: Tedoro Albano / VOA

António Capalandanda, Benguela - VOA

"O pior governador que a província de Benguela já teve", diz dirigente provincial do BD

O Bloco Democrático (BD) classifica Armando da Cruz Neto como o pior governador que a província de Benguela já teve ao longo de vários anos.

Francisco Viena, secretário provincial do Bloco, fazia a avaliação do desempenho do governo local durante o ano de 2011. Disse esperar que o chefe do executivo da província se demita pelo fracasso da sua governação.

“Sendo o péssimo governador provincial de Benguela, na minha opinião enquanto líder na oposição, o senhor Armando da Cruz Neto devia até demitir-se,” disse aquele dirigente partidário.

Definiu como indicadores de avaliação, a excessiva partidarização das instituições públicas, limitações no exercício da cidadania e os baixos níveis de oferta dos serviços essências básicos as populações.

A oposição diz mesmo desconhecer as políticas públicas implementadas pelo executivo de Armando da Cruz Neto, durante o ano transacto. 4, 5 valor é classificação dada ao desempenho negativo do governador numa escala de 0 a 20

“Em termos de desenvolvimento político eu considero um grande défice, porque não conseguiu manter uma relação cordial com os partidos políticos na oposição,” afirmou Viena, acrescentando que, “ em termos de desenvolvimento social pior um pouco porque assistimos meninos a estudarem em lugares inadequados fazendo-me lembrar os anos de guerra.”

Refira-se que, em cerimónia de fim de ano, o governador provincial de Benguela fez um balanço positivo do seu executivo em 2011, tendo apontado melhorias no sector da educação, saúde, agricultura, pescas, obras públicas e águas, menos o sector energético que segundo ele, foi a fragilidade da sua governação.

UNITA EXIGE DEMISSÃO DO GOVERNADOR DE CABINDA



José Manuel, Cabinda - VOA

Mawete João Baptista de falta de sentido de governação e de desrespeito relativamente à especificidade do enclave.

A UNITA deplora a situação social da população de Cabinda e pede a demissão do governador provincial, Mawete João Batista.
A petição daquele movimento angolano vem sustentada numa nota de imprensa, tornada pública terça-feira, em Cabinda, onde o secretariado local do movimento de galo negro acusa o executivo provincial e o também general Mawete João Baptista de falta de sentido de governação e de desrespeito relativamente à especificidade do enclave.

O pedido de demissão do governador, segundo a UNITA, justifica-se pela falta de execução e implementação dos investimentos aprovados para a província, para o biénio 2010 e 2011, e por não ter justificado o destino dado aos cerca de nove bilhões de kwanzas, orçamentados pelo Ministério das Finanças, para o desenvolvimento local.

João Manuel, secretário para a comunicação da UNITA, caracteriza o quadro sócio-político de "dramático".

Na sua nota de imprensa, a UNITA lamenta ainda a situação crítica das vias terciárias, a falta de construção das casas sociais, de infra-estruturas sanitárias como, por exemplo, as obras do Hospital Provincial de Cabinda, para além de outros empreendimentos sociais de carácter social.

Ministro da Defesa angolano chega a Bissau para analisar reforma militar



RTP

O ministro da Defesa de Angola, Cândido Van-Dunem, chegou hoje a Bissau para uma visita quatro dias durante os quais vai analisar com as autoridades guineenses o andamento do processo de reforma do setor militar do país.

À chegada ao aeroporto internacional de Bissau, Cândido Van-Dunem disse que é portador de uma "mensagem pessoal" do Presidente José Eduardo dos Santos para o primeiro-ministro guineense, Carlos Gomes Júnior. "Estou aqui como enviado especial do Presidente José Eduardo dos Santos, Presidente de Angola e presidente em exercício da CPLP para entregar uma mensagem pessoal ao primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior", afirmou aos jornalistas.

O ministro da Defesa angolano também se referiu aos acontecimentos militares do passado dia 26 de dezembro que acabaram na detenção de vários militares entre os quais o Chefe do Estado-Maior da Armada, Bubo Na Tchuto. "Obviamente que temos vindo a acompanhar os últimos desenvolvimentos que ocorreram na Guiné-Bissau no dia 26 de dezembro", disse o governante angolano, sem avançar mais pormenores.

Cândido Van-Dunem apenas salientou a disponibilidade de Angola para apoiar o processo de reforma do setor militar guineense."Angola tem mantido uma relação de solidariedade, de apoio ao processo de reforma no setor de Defesa e Segurança da Guiné-Bissau, viemos mais uma vez manifestar a nossa solidariedade e disponibilidade nesse processo", frisou o governante angolano.

"Somos dois povos irmãos, Angola na sua condição de presidência da CPLP tem responsabilidades acrescidas no âmbito das responsabilidades que nos incumbem, porque o nosso engajamento no processo de reforma de setor de defesa da Guiné-Bissau é conhecido quer pela sociedade guineense, quer pela comunidade lusófona quer pela comunidade internacional", assinalou Candido Van-Dunem.

"Nessa dupla condição, viemos trazer a nossa solidariedade mais uma vez, constatar o nível de evolução do processo em que nos encontramos na condição de parceiro da Guiné-Bissau", disse o ministro da Defesa de Angola.

O ministro da Defesa da Guiné-Bissau, Baciro Dja, afirmou, por seu lado, que a visita do homólogo angolano "é uma demonstração inequívoca" dos laços de amizade entre os dois povos.

"Esta visita é bem-vinda à Guiné-Bissau, num momento especial. O Presidente José Eduardo dos Santos demonstra mais uma vez os laços históricos que unem os nossos dois povos e a continuidade de relações criadas entre Amílcar Cabral e Agostinho Neto", defendeu Baciro Djá.

"Este é o momento de podermos contar com os irmãos e Angola está presente", afirmou o governante guineense.

Angola mantém desde 21 de março em Bissau cerca de 200 efetivos das suas forças armadas e polícia nacional, integrados na MISSANG para apoiar a reforma do setor de defesa e segurança da Guiné-Bissau.

CPLP: Oposição pressiona governo português para rejeitar adesão da Guiné Equatorial


Obiang, o ditador sanguinário da Guiné Equatorial, presidente do país há mais de 30 anos (PG)
Deutsche Welle

Governo de Lisboa está a ser pressionado no Parlamento para boicotar a adesão da Guiné Equatorial à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e a não ceder a interesses económicos que desvirtuem o espaço linguístico.

A polémica admissão da Guiné Equatorial como membro de pleno direito da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) levou o Bloco de Esquerda (BE) a apresentar no Parlamento português na terça-feira (03.04) um projeto de resolução que recomenda ao Governo a rejeição da adesão do país por ser "repressivo e corrupto".

"Tratar-se-ia de uma decisão duplamente errada, por falta de requisitos linguísticos e democráticos", pode ler-se no projeto de resolução apresentado na comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros da Assembleia da República, segundo o qual, uma eventual adesão, levaria "a um desprestígio enorme" da CPLP.

Os estatutos da organização lusófona estipulam que os países membros da CPLP devem seguir os "valores da democracia e o respeito pelos direitos humanos".

Uma eventual adesão da Guiné Equatorial à CPLP requer a aprovação unânime dos Chefes de Estado e de Governo da organização.

A decisão do governo português está dependente do relatório que a organização vai apresentar na cimeira de Maputo, agendada para julho.

Interesses ditados pelo petróleo

O deputado bloquista Pedro Filipe Soares informou que o projeto visa forçar o governo a tomar uma posição sobre o assunto, até à realização da cimeira de Maputo, no inicio do segundo semestre de 2012.

"Do nosso ponto de vista o governo português tem todos os motivos para reprovar a adesão, designadamente pela questão da língua. Só formalmente é que o português foi indicado como língua oficial do país, mas não tem um uso recorrente pelos guinéus equatorianos”, disse o deputado bloquista, que acusa o governo de estar a ceder aos interesses ligados ao petróleo e às riquezas naturais da Guiné Equatorial.

“Os interesses económicos de geoestratégia dos recursos naturais – enfatizou –na prática não se podem sobrepor a valores que consideramos essenciais para o século XXI. Há dados recentes que dão conta da existência de censura na imprensa. Durante a chamada primavera árabe, todas as noticias sobre o que passava no Egito e na Tunísia foram proibidas na Guiné Equatorial.”

O deputado bloquista, citado pela agência Lusa defende ainda que o Governo deve "exercer pressão juntos dos parceiros da CPLP para que não se desvirtue este projeto comum que já provou, defendendo os valores da democracia e dos direitos humanos, ser uma mais-valia".

Idêntica posição foi defendida por Bernardino Soares, do Partido comunista Português. “A nós – disse - preocupa-nos muito que se esteja a procurar fazer um caminho de deriva em relação ao principio da CPLP que é o de ser uma comunidade de língua portuguesa para a transformar numa comunidade que tem mais em vista um certo conglomerado de interesses muito ligados aos recursos económicos daquela região do globo.”

A representante do PSD na comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros da Assembleia da República, Mónica Ferro, manifestou a oposição do Partido Social Democrata à proposta de resolução do BE.

“O PSD acredita que a única maneira de fazer a promoção do Estado de direito e dos direitos humanos na Guiné Equatorial é inclui-lo em espaços onde possa haver troca de boas praticas, ou até alguma pressão diplomática nesse sentido, e não isolar os países”, disse a parlamentar do principal partido do governo português.

Por seu turno, o Partido Socialista, atualmente na oposição mas que governava Portugal na altura em que o pedido de adesão da Guiné Equatorial foi apresentado à CPLP, defendeu que antes da decisão deverão ser avaliados os progressos das reformas democráticas na Guiné Equatorial exigidas pelos oito Estados membros na altura da formalização do pedido pelas autoridades de Malabo.

“Esse processo está em curso e seria extemporâneo interrompê-lo agora. Existe uma equipa que deve avaliar se a Guiné Equatorial está a cumprir aquilo que acordou ou não”, disse a deputada socialista, Maria de Belém.

Em 17 de novembro, o Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, pediu ao primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, que desenvolva "diligências" no sentido de que a Guiné Equatorial, que já detém o estatuto de observador associado da CPLP desde 2006, passe a Estado-membro da organização.

Por sua vez, Passos Coelho, que na altura se encontrava numa visita a Luanda, referiu que o Governo português está aberto a discutir e a analisar a situação da Guiné Equatorial, considerando que, no espaço regional, o país tem uma importância muito relevante para a Língua Portuguesa.

Em julho do corrente ano, Moçambique irá assumir a presidência rotativa da CPLP na cimeira de Maputo, que deverá decidir sobre a adesão da Guiné Equatorial.

Autor: João Carlos (Lisboa) / Pedro Varanda de Castro - Edição: António Rocha

2012 É O ÚLTIMO ANO ANTES DA NOVA ORTOGRAFIA




Ortografia atual vale até o dia 31 de dezembro deste ano; a partir de 2013, países que falam português escreverão da mesma forma

Esse ano, de 2012, é o último para a população brasileira e dos demais países que falam a Língua Portuguesa se adaptarem às novas regras ortográficas. Aprovado por decreto no Brasil em 18 de abril de 1995, o acordo ortográfico tem o objetivo de unificar a linguagem escrita de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.

As regras entraram em vigor no Brasil em 1º de janeiro de 2009, mas serão consideradas lei a partir de 1º de janeiro de 2013. Para o educador José Everaldo Nogueira Júnior, responsável pela Everconsultoria e professor da PUC (Pontifícia Unidade Católica) de São Paulo, “é importante lembrar que a mudança é somente ortográfica, não muda nada no jeito de falar e não existe a preocupação de unificar a pronúncia desses países, apenas a escrita”.

Ainda segundo Nogueira Jr., Portugal sofrerá mais com as mudanças do que o Brasil. “No Brasil, a mudança não chega a mais que 0,5%. Já Portugal terá alteração em mais de 1,5% das palavras, o triplo”, diz o professor. “A questão do ‘c’ em palavras como fato, que era facto, pode complicar para eles”, acrescentou.

Dúvidas

Isso acontece, ainda de acordo com o educador, porque o Brasil sozinho tem população maior do que os outros sete países, por isso, nossa forma de escrever será a menos afetada. Apesar disso, Nogueira Jr. aponta que “existe preocupação muito grande em relação ao uso do hífen, eu concordo, mas se você pegar qualquer página de livro e contar o número de palavras com hífen, é irrisório”, conta. Além disso, a perda do trema e dos acentos diferenciais no caso de palavras iguais – como pára e para – também pode ser um problema.

Entretanto, para acabar com essas dúvidas “basta consultar o Volp (Vocabulário da Língua Portuguesa)”, complementa.

Para Nogueira Jr., a unificação da ortografia na Língua Portuguesa é muito positiva, tanto no ponto de vista político quanto econômico. Segundo ele, atualmente existe muita troca de documentos de literatura, de registro escrito, além de documentos de acordos internacionais.

Identidade

Antes da mudança, eram redigidos dois acordos, com a mudança na lei, será apenas um. Do ponto de vista econômico, um mesmo livro pode ser vendido nos outros países, sem a necessidade de revisão e uma nova edição.

“Além disso, o processo é muito mais do que uma mudança no registro escrito. É uma questão de identidade nacional. A Língua Portuguesa era a única no mundo todo escrita de duas formas. Acho a mudança ótima”, ressalta o professor.

Brasil: DEVAGAR COM O UFANISMO EXAGERADO



Paulo Kliass* – Correio do Brasil, opinião

Nada contra quem queira comemorar a ultrapassagem da Inglaterra e a conquista do sexto lugar. Mas o fundamental é que não se perpetue a tradição secular de se acomodar nos louros desse tipo de vitória parcial e continuar esquecendo a urgência de compartilhar esses frutos com a maioria da população.

As principais manchetes do ano que se inicia, na verdade, já estavam anunciadas antes mesmo de 31 de dezembro. De acordo com previsões divulgadas antecipadamente por algumas empresas de consultoria econômica, o Brasil estaria a ponto de se tornar a sexta maior economia do mundo em termos de seu Produto Interno Bruto, o tão falado PIB.

Para quem acompanha a evolução do desempenho econômico dos principais países do mundo, tal fato não apresentava nenhuma surpresa. Há algumas economias que formam um meio de campo embolado, logo depois dos 4 primeiros: Estados Unidos, China, Japão e Alemanha. Esse grupo é composto por França, Inglaterra, Brasil e Itália. E existem várias metodologias possíveis para mensuração dos PIBs nacionais.

É fato inquestionável que, ao longo da última década, a economia brasileira avançou de forma significativa, bem acima da média de crescimento dos países industrializados, em especial os do espaço europeu. Mas também contribuiu para o salto mais recente a política de valorização cambial de nossa moeda, o real. Os PIBs nacionais são apurados e calculados nas moedas de cada país e depois convertidos para uma comparação padronizada. No caso, utiliza-se o dólar norte-americano. Assim, caso nossa política cambial fosse mais realista e menos fantasiosa, provavelmente o resultado de nosso PIB em US$ fosse menor. E aí não estaríamos ocupando aquela que passou a ser considerada por muitos como a “gloriosa sexta posição”. Ou seja, não teríamos ultrapassado os britânicos.

Daí a razão de ser o título do artigo. “Devagar com o andor, pois o santo é de barro”. A sabedoria popular muitas vezes nos empresta imagens que contribuem bastante para analisar a realidade social e econômica. É sempre recomendável um pouco de cautela nessas comemorações ufanistas. Essa forma de torcida irracional, como se o ranqueamento dos PIBs pudesse ser tratado como as posições dos carros em uma corrida de fórmula 1, sob a narração daquele famoso locutor televisivo, infelizmente ainda tão conhecido dos lares brasileiros. “Lá vem o Brasil em sétimo lugar, antes da curva de chegada, e atenção, agora acelera de forma inesperada e passa a Inglaterra! A partir desse instante, ocupa a sexta posição na competição”…

O PIB procura medir o conjunto de bens e serviços produzidos por um país ao longo de um determinado período – a padronização geralmente aceita é de um ano. Muitas vezes os meios de comunicação transmitem uma falsa idéia desse importante conceito das chamadas Contas Nacionais. O PIB não mede o total das riquezas de um país. Riqueza é um conceito que a teoria econômica classifica como “estoque”, pois reflete uma variável acumulada ao longo da história. O PIB reflete a renda (contraponto do produto) gerada durante um certo período – trata-se de uma variável classificada como “fluxo”. Assim, por exemplo, a riqueza petrolífera potencial de um país não é contabilizada no PIB e sim a produção de petróleo efetivada no ano. O valor de uma indústria ou do total de um parque industrial tampouco é contabilizado no PIB e sim a produção industrial realizada nesse período (além da parcela do investimento do empreendimento efetuado nesse mesmo período).

Apesar disso, é claro que existe uma forte correlação entre riqueza e renda. E os países que apresentam um estoque de riqueza elevado tendem a apresentar uma renda também mais alta do que os demais. Como se pode perceber, apenas a utilização do PIB como único elemento de comparação entre países é bastante limitada. O volume do PIB depende do tamanho do país em termos geográficos, das suas facilidades de obtenção de riquezas naturais, da dimensão de sua população, entre outros tantos aspectos.

Assim, as análises devem incorporar outras dimensões para se buscar algo mais efetivo em termos da compreensão da realidade social e econômica que se pretende estudar e comparar. Uma primeira “sofisticação” seria a avaliação do PIB na sua relação com a população do país considerado. Afinal para que serviria a renda de uma nação senão para beneficiar o seu povo? E aqui surge uma importante diferença de conceito, que parece pouco expressiva, mas é bem sutil. Trata-se do conceito de “PIB per capita”, ou seja, o valor do produto dividido pelo total da população. Países pouco populosos tendem a apresentar PIBs menos elevados, mas que podem ser muito expressivos caso seja levado em consideração o fato de que ocorreram em contextos demográficos de diminuta população.

Bom, nesse caso a nossa sexta colocação já vai lá prá baixo e somos ultrapassados por outros países que parecem ser mais “eficientes” na geração de renda ou produto com menos recursos humanos. Segundo as classificações do PIB per capita dos organismos multilaterais, o Brasil ocuparia a 71ª posição. Ou seja, alguns países grandes descem e outros menores sobem. Afinal, para que pretenderiam cidadãos uruguaios ou finlandeses concorrerem ao título de campeões mundiais do PIB total? Seus territórios são pouco extensos, suas populações não são enormes, mas esses países oferecem condições razoáveis para a vida social e econômica.

Em seguida, a evolução mais recente de avaliação sócio-econômica começou a incorporar outros indicadores para avaliar os países. Foi quando surgiu o conceito, hoje bastante difundido, do Índice de Desenvolvimento Humano – o famoso IDH. Tratava-se da tentativa de incorporar outras dimensões para além das variáveis econômicas “stricto sensu”. Assim, o índice introduz a educação (taxa de analfabetismo) e saúde (mortalidade infantil) junto com o PIB per capita. Ou seja, procura-se de alguma forma verificar como a performance econômica está sendo apropriada pela população em termos de alguns elementos básicos de mensuração de sua qualidade de vida. A geração dos dados é polêmica, principalmente pelas reclamações dos países que se sentem prejudicados na comparação internacional. Por isso, as avaliações oficiais são levadas a cabo por organismos vinculados à Organização das Nações Unidas – ONU. Nesse caso, a posição brasileira se vê ainda mais distanciada dos primeiros colocados. De acordo com as últimas classificações, o nosso País ocuparia a 84ª posição. Desnecessário comentar muito aqui a respeito da precariedade de nossas condições de saúde e educação em termos de comparação internacional. Uma pena, é triste, mas é a verdade nua e crua!

Por outro lado, as correntes da economia política mais crítica avançaram na elaboração de uma família de indicadores ainda mais sensíveis. Os mais conhecidos são os “Indicadores de Exclusão Social” – IES. Por meio deles, pretende-se apreender não apenas o produto gerado e as condições gerais de saúde e educação. Assim, o IES incorpora elementos como a concentração de renda e da riqueza, bem como a existência de disparidades regionais. Na verdade, reflete uma forma de buscar desvendar a realidade existente por trás das “médias estatísticas”, que podem muito elegantemente estar a esconder acentuados graus de desigualdade no interior do país. Outras formas de mensuração estão em pleno desenvolvimento, tal como incorporar a dimensão da preservação ambiental e de qualidade de vida, entre outras. Em todas elas, mais uma vez o Brasil não consegue obter vantagem comparativa com os países que estão à sua frente no quesito de PIB puro e simples.

Com essas informações, o que se pretende oferecer aqui é uma visão mais realista e menos ufanista da comparação apressada dos PIB, tal como vem ocorrendo ao longo dos últimos dias. A lista de tarefas que o Brasil ainda tem a cumprir para com a maioria de sua população é longa. Os elevados índices de morte violenta, como a taxa de homicídios e a taxa de mortos nos acidentes de trânsito. Os elevados índices de analfabetismo entre adultos e as preocupantes proporções do chamado “analfabetismo funcional” no conjunto da população. As altas taxas de ocupação residencial sem as mínimas condições de oferta de serviço de saneamento, como água e esgoto. Os números expressivos de famílias residindo em condições de favela e áreas consideradas como de alto risco. As péssimas condições associadas ao tempo e à qualidade no uso de transporte público. A falta de acesso à terra para quem vive no campo. Os vergonhosos índices de trabalho escravo denunciados a cada ano. E por aí vai.

Nada contra quem queira comemorar a ultrapassagem da Inglaterra e a conquista do sexto lugar. Mas o fundamental é que não se perpetue a tradição secular de se acomodar nos louros desse tipo de vitória parcial e continuar esquecendo a urgência de compartilhar esses frutos com a maioria da população. Ou seja, a tarefa de transformar o mero crescimento econômico em efetivo desenvolvimento social e econômico para todos. E para isso é necessário mexer na questão da profunda desigualdade que continua a ser a marca de nossa sociedade. Não apenas essa redução de fachada, onde se comparam os rendimentos dos que estão no topo dos 10% de renda mais alta. Isso porque nossa sociedade é tão profundamente desigual, que nesse último decil estão presentes parcelas expressivas das classes médias, a esconder a verdadeira face da permanência da elevada disparidade.

Trata-se, isso sim, de reduzir a vergonhosa concentração da riqueza em mãos dos 0,5% ou 1% mais abastados, na comparação com a absoluta maioria que se vê obrigada a sobreviver com uma renda equivalente ao salário mínimo. Aí, sim, teríamos então algo que mereça realmente ser comemorado com tanto orgulho.
  
*Paulo Kliass é Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal e doutor em Economia pela Universidade de Paris 10.

Ruptura de dique no Estado do Rio de Janeiro obriga 4000 pessoas a deixar as suas casas



Jornal de Notícias, com foto em Lusa

A ruptura de um dique na manhã desta quinta-feira obrigou 4000 pessoas a deixar as suas casas na cidade de Campos dos Goytacazes, no norte do Estado do Rio de Janeiro, na região sudeste do Brasil.

De acordo com o coordenador da Defesa Civil do município, major Edson Braga, 1200 famílias tiveram apenas três horas para deixar o bairro de Três Vendas, onde a água deverá atingir cerca de dois metros de altura. "Nós estamos trabalhando preventivamente para remover as pessoas em tempo hábil para evitar maiores prejuízos", disse o responsável, citado pelo jornal "Folha de São Paulo".

Duas aeronaves, equipes de bombeiros e o Exército trabalhavam na retirada dos moradores, segundo informações da rede de televisão "GloboNews", e tendas começaram a ser montadas para abrigar as famílias.

A barragem que cedeu fica numa estrada que liga as cidades de Campos dos Goytacazes e Itaperuna. A erosão foi constatada por volta das 6.00 horas (8.00 em Lisboa) por um agente da Defesa Civil que morava nas imediações.

Antes da inundação provocada pela ruptura do dique, Campos dos Goytacazes já registava pelo menos 590 pessoas desabrigadas devido ao aumento do nível do rio Paraíba do Sul.

O Paraíba do Sul recebe as águas dos rios Muriaé e Pomba, que nascem no Estado de Minas Gerais, o mais afectado pelas chuvas que atingem o Sudeste do Brasil.

Segundo o mais recente balanço da Defesa Civil do Rio de Janeiro, as chuvas deixaram um morto no Estado, no município de Laje do Muriaé.

Em Minas Gerais, já são 71 municípios em situação de emergência. Oito pessoas morreram e uma continua desaparecida após ter sido arrastada por uma enxurrada. Há registo de uma vítima também no Estado do Espírito Santo.

BRASILEIRO TERMINA 2011 OTIMISTA SOBRE 2012, O QUE AJUDARÁ ECONOMIA



Najla Passos – Carta Maior

Dois terços das famílias apostam que o novo ano trará mais melhorias socioeconômicas ao país. Quanto maior a escolaridade e a renda, maior o otimismo. Em dezembro, Índice de Expectativa das Famílias medido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobe e atinge 67%. Segundo presidente do Ipea, Marcio Pochmann, confiança induz crescimento, via consumo.

BRASÍLIA - Após o primeiro ano de mandato da presidenta Dilma Rousseff, os brasileiros de todas as faixas de renda e níveis de escolaridade estão mais otimistas com a situação socioeconômica do país, segundo pesquisa divulgada nesta quinta-feira (5) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Pelo levantamento, em dezembro, 64,4% das famílias acreditavam que, em 2012, o Brasil passará por melhores momentos do que em 2011. Em novembro, 60,1% das famílias mostravam grandes expectativas para o futuro próximo.

Este otimismo tem chances de se tornar uma espécie de profecia que se autorrealiza. De acordo com o presidente do Ipea, Marcio Pochmann, a confiança das pessoas atua como fator redutor ou indutor do crescimento econômico. “Se as expectativas estão otimistas em relação ao futuro, tende-se a gastar mais. Quando há forte pessimismo, gasta-se menos”, disse.

O otimismo dos brasileiros resulta de uma percepção de que houve melhoria nas condições de vida. Em dezembro, 78,2% das famílias diziam se sentir melhores financeiramente do que um ano antes. Na metade de 2011, eram 74,7%. Para 2012, 86,6% das famílias apostam que irão progredir, percentual maior do que em novembro (82,7%).

Os dados apurados pelo Ipea fazem parte de uma pesquisa mensal realizada com 3,8 mil domicílios, distribuídos por 200 cidades diferentes, na qual o instituto tenta apurar um Índice de Expectativas das Famílias (IEF).

Em dezembro, o IEF atingiu 67,2 pontos, 3,5 a mais do que em novembro, igualando-se ao mais alto já observado antes (janeiro de 2011). Em dezembro de 2010, o índice estava em 64,6 pontos.

Pela metodologia do Ipea, quando o índice fica entre 60 e 80 pontos, as famílias podem ser consideradas “otimistas”. Acima disso, é “grande otimismo”. Abaixo, na faixa de 40 a 60 pontos, há “moderação”. De 20 a 40 pontos, há “pessimismo” e, de 0 a 20 pontos, “muito pessimismo”.

No mais recente levantamento, observou-se que todas as regiões do país apresentaram em dezembro um IEF superior ao de novembro, com exceção do Nordeste, que registrou queda de 0,6 pontos.

Em relação à expectativa para 2012, a região mais otimista é a Centro-Oeste (82,2% das famílias acham que a situação socioeconômica será melhor este ano) e a menos, o Sul (59,6% apostam em melhoria em 2012).

Quando se faz uma análise por escolaridade, verifica-se que, quanto mais estudo, mais otimismo sobre 2012. Estão nas categorias “superior incompleto” e “superior ou pós graduação” as mais altas expectativas (73% e 68,9%, respectivamente). O menor índice é entre os “sem escolaridade” (57,7%). A pesquisa possui ainda outras quatro categorias (fundamental completo e incompleto e médio completo e incompleto).

Já num recorte por renda, o maior otimismo sobre 2012 está entre quem ganha de 4 a 5 salários mínimos (75,8%) e entre os mais ricos (acima de 10 mínimos, 71,7%). E o menor, entre os quem ganham até um mínimo (51,9%).