segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Brasil: COM RECEIO DA CRISE, GOVERNO AUMENTA META DE SUPERÁVIT





O ministro brasileiro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou hoje a subida da meta de superávit primário do governo em 10 mil milhões de reais (4,3 mil milhões de euros).

O aumento anunciado representa aproximadamente 0,3 por cento do PIB brasileiro. Caso a subida seja aprovada pelo Congresso Nacional, a meta de superávit primário para 2011 passará para 91 mil milhões de reais (39 mil milhões de euros).

A medida é justificada pelo receio de que a crise sentida nos países do hemisfério norte afecte também a economia do Brasil. 

"Não somos imunes às consequências desse cenário recessivo. O Brasil tem de se antecipar para impedir que essa deterioração da economia internacional acabe afectando os avanços que tivemos na economia brasileira", afirmou Mantega.
 
Segundo o ministro, a intenção é conter as despesas públicas, para permitir que o Banco Central reduza os juros no caso de o cenário mundial piorar. 

"Se houver alguma deterioração, o Banco Central terá mais grau de liberdade para tomar medidas para enfrentar uma eventual desaceleração", disse o ministro. 

O anúncio não foi bem recebido pelos representantes sindicais brasileiros, que se reuniram na manhã de hoje com Mantega e com a presidente Dilma Rousseff.
 
"O governo vai tomar exactamente medida oposta da que tomou em 2008, quando diminuiu o superávit para alimentar a economia. Na nossa visão, aumentar o superávit agora é um gesto para o mercado", disse o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva, segundo o jornal O Estado de São Paulo. 

Para o sindicalista, a medida só funcionará se os juros "caírem imediatamente". 

"Não dá para manter políticas públicas e sociais se não tem funcionários, reajustes", afirmou o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Arthur Henrique, ao jornal Folha de São Paulo. 

Os sindicalistas disseram que manterão as suas reivindicações. Entre elas está o fim da fórmula que reduz o valor das reformas, a criação de um nível salarial nacional para os polícias e a regulamentação do dinheiro destinado à saúde. 

Nesta semana, os sindicatos protestarão em frente ao Banco Central do Brasil, em Brasília, onde decorrerá a reunião do Comité de Política Monetária que definirá a taxa básica de juros da economia. A expectativa do mercado é que esta seja mantida em 12,5 por cento ao ano.

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O SENTIDO POLÍTICO DA “FAXINA” DE DILMA




Felipe Amin Filomeno*, colaborador de Outras Palavras e editor de blog pessoal

Ao agir de modo aberto contra corrupção, presidente pode deixar direita sem discurso. Mas até onde ela levará sua ofensiva?

O que a “faxina” que a presidente Dilma Rousseff está realizando nos ministérios tem a dizer sobre a conjuntura social do Brasil contemporâneo? Num sentido amplo, é um fenômeno político implicado na trajetória de crescimento econômico com equidade social promovida desde 2003 pelas administrações do PT. Ao longo desta trajetória, as forças sociais conservadoras foram esvaziadas de um discurso crítico sobre política econômica e social, tendo que concentrar seus esforços em ataques à corrupção. Por outro lado, à medida em que a democracia se fortalece e problemas sócio-econômicos são minimizados, segmentos politicamente conscientes da sociedade tendem a apresentar novas demandas ao Estado, tal como o combate à corrupção.

A novidade de Dilma pode ser a passagem de uma estratégia defensiva para outra de ataque, capaz de enfraquecer ainda mais as forças conservadoras. A “social democracia globalizada” de Lula trouxe aumento da massa salarial e do nível de emprego, redução das desigualdades e incorporação de milhares de brasileiros à classe média. Como estratégia politicamente moderada de desenvolvimento, envolveu  a criação de uma ampla coalizão de centro-esquerda, tendo PT e PMDB como componentes principais. Para os intelectuais de esquerda e movimentos sociais mais radicais, a agenda meramente reformista de Lula foi uma decepção. O que estes talvez não tenham percebido é que foi justamente a “moderação” de Lula uma das principais causas de uma grande vitória da esquerda brasileira: a anulação do Democratas, principal representação partidária do neoliberalismo no país. O reformismo de centro-esquerda de Lula atraiu a classe média, trouxe benefícios aos pobres e, num momento de prosperidade, deixou a oposição sem um discurso que veiculasse um projeto alternativo ao país.

Na falta de uma estratégia focada em políticas econômicas e sociais, à oposição restou o ataque à corrupção. Isto não foi fácil. Em primeiro lugar, era preciso convencer a sociedade de que a corrupção era um traço distinto da administração do PT, ao invés de uma prática arraigada no Estado brasileiro que, por séculos, foi comandado por aquelas mesmas forças conservadoras em benefício das elites do país. Em segundo lugar, era preciso que tais ataques enfraquecessem não apenas o governo ou o partido, mas Lula, pessoalmente. Não funcionou. Apesar do mensalão, Lula derrotou Geraldo Alckmin.

Entretanto, não era nem o Democratas, nem o PSDB, o grande articulador da estratégia conservadora focada no ataque à corrupção. Foi a grande mídia tradicional, através de reportagens baseadas em versões e boatos, e de uma cobertura tendenciosa e desproporcional dos fatos. Seja em sua forma partidária ou em sua versão midiática, o ataque conservador à corrupção contribuiu mais para gerar crises de governabilidade do que para combater este terrível problema. Afinal, o ataque era muito mais fruto do oportunismo das forças sociais conservadoras do que de um compromisso com a ética no serviço público. Fosse isto teriam expurgado a corrupção do aparato estatal durante os 500 anos em que governaram o país, certo?

Bom, mas há um lado positivo nisso tudo. À medida em que o brasileiro se acostuma com a democracia, consegue emprego formal, obtém aumento salarial, e alcança um padrão de consumo de classe média, outros problemas – como a corrupção – passam a ganhar mais destaque em sua “agenda de preocupações”. Isso provavelmente aconteceria mesmo sem a pressão da mídia e me remete a algo que o Fernando Henrique chamou uma vez de “pedagogia da democracia”. É a este aspecto do problema que a administração de Dilma deve se voltar. Mais especificamente, é salutar que deixe a estratégia defensiva adotada no governo Lula (de tentar “blindar” o governo sem promover uma “faxina”) para uma estratégia ofensiva (promovendo de fato a “faxina”).

As dificuldades da nova estratégia estão na manutenção do apoio ao governo no Congresso, pois lideranças políticas envolvidas em casos de corrupção acabam afastadas da administração federal, e na perda do foco em outras prioridades do Estado (como o enfrentamento da crise mundial através de ajuste fiscal e política industrial). Por outro lado, seus benefícios estão em satisfazer demandas genuínas do eleitorado contra a imoralidade no serviço público, em aprimorar a gestão pública, e em esvaziar o conservadorismo do único discurso que lhe restou (o do combate a corrupção).

*Felipe Amin Filomeno é sociólogo e economista, doutorando em Sociologia pela Johns Hopkins University, com apoio da CAPES/Fulbright. Tem artigos publicados nas revistas Economia & Sociedade, História Econômica & História de Empresas, e da Sociedade Brasileira de Economia Política.

Moçambique - Público ausente: SALAS DE CINEMA EXIBEM FILMES COM CADEIRAS VAZIAS




EDUARDO QUIVE - ÚLTIMA HORA

Está-se cada vez mais distante das salas de cinema em Maputo. Público desinteressado e a evolução da indústria cinematográfica no País, estão por detrás do cenário, segundo alguns entrevistados pela nossa reportagem.

Até antes do princípio deste século, o Cinema Scala, Gil Vicente, Charlot e Xénon, na cidade de Maputo, 700 e São Gabriel, na Matola, não tinham sido atingidos pelos sindromas do vazio nas suas salas. Mas, bastou entrarmos para o ano 2000, para tudo ficar infectado por um vírus que não só afecta os cinemas, mas também e principalmente o público, pois é visto que sem ninguém, as salas não servem.

Preocupado com o triste cenário que se vive nas salas, o Escorpião visitou algumas casas que foram referência na história do cinema em Moçambique.

No São Gabriel, da Matola, não nos foi possível encontrar os responsáveis, mas está visível no rosto daquela casa, o abandono e até a insatisfação dos proprietários.

Aliás, pelo que se nota numa placa muito bem visível, está ao serviço da Igreja Pentecostal Deus é Amor, depois de muito tempo ter estado um letreiro que anunciava a venda do loca. Assim, foi-se o sonho, para quem pensava que aquele cinema, mereceria uma renovação e terá o mágico poder de voltar a puxar as massas para assistirem as projecções que hoje não tem público.

Já o Scala, com o aspecto a aproximar-se da velhice, também se ressente da falta de público. Segundo uma fonte que encontramos no local, apesar de referir que as pessoas com competências para falar do assunto não estavam presentes, porém afiancou-nos que o público abandonou o Scala e que pouco a pouco, o espaço que pertence ao cinema, vai cedendo às necessidades financeiras da instituição, pelo que é arrendado aos interessados, tal como é o caso de uma loja de venda de acessórios de viaturas e uma pastelaria.

“Essa medida é para a sobrevivência da casa, porque só pela bilheteira das sessões de filme, isto já estaria encerrado. “E acho que vocês viram que a parte cedida a estas lojas, apresentava um mau aspecto, parecia uma ruína” disse-nos a fonte encontrada no local, apelando para que contactássemos os responsáveis, uma tentativa sem sucesso.

Para além das casas mencionadas, existem outras tantas que até estão em total abandono e a degradação é um caso consumado. Referimo-nos ao Cinema Machava no bairro do mesmo nome, o Kanema no bairro 25 de Junho, Moçambique que já faz tempo que se transformou em casa de negócios, Olímpia no Xipamanine, Tivoli, dentre outras casas


Público justifica o desinteresse

Velhos moradores da Matola recordam o passado do cinema São Gabriel e um outro na Machava que está nas mãos do total desinteresse.

“Já nem se quer me lembrava que ainda existe o São Gabriel, isto porque há muito que não vou e nem oiço falar dele. Foram bons momentos que se viveram naquela sala. Lembro-me que a nossa maior preocupação naquela altura, era de arranjar rapazes com algumas moedas para nos levar ao cinema. Estava na moda e quem não pudesse até se achava não civilizado. Muitas vezes fui lá e aproveitava disso para namorar”, contou-nos Maria Luísa, cidadã de 36 anos de idade, munícipe da Matola.

Luísa, nome pelo qual é chamada, recordava esses momentos enquanto conversava com a nossa reportagem numa manhã de sábado. Enquanto nos falava, viajava para os tempos remotos “e bons tempos mesmos. Para nós, ver filmes em grandes projecções era fantástico, também porque não tinha televisor na minha casa”. Disse.

Falando em televisores em casa, alguns interpelados pela nossa reportagem, falaram deste aparelho, como um pioneiro do precipício do vazio nas salas de cinema.

Primeiro foi o TV depois os vídeos e algum tempo seguido, os DVD´s. A quem “culpa” o “Mabulo hi ku yakana” (dialogando se constrói), programa transmitido pelo na altura, Emissor Inter-provincial de Maputo e Gaza, (agora Emissor Provincial de Maputo) um dos canais da Rádio Moçambique. O programa era transmitido no princípio da noite, mais ou menos ao horário em que se podia ir ver um filme. Mas a rádionovela, foi mais forte do que as imagens que se podiam projectar em telas gigantes.

“Lembro-me que ficava colado ao Xirico quando anoitecia. E não era o único, ficávamos em grupo para escutar”. Contou-nos Rosário João.

Por outro lado, os nossos entrevistados, avançaram com outras respostas.

“Vários factores justificam o desinteresse por ir assistir um cinema. Até porque Maputo é muito agitado quando chega o fim-de-semana. Com o público dividido entre ir assistir uma peça teatral no Gilberto Mendes e no Avenida, ou ir ao espectáculo musical no Coconuts, Big Brother, Café-Bar Gil Vicente, Franco Moçambicano, entre outros lugares, ou então ficar em casa, acompanhado pelas diferentes programações televisivas, desde aos brasileiros, portugueses e moçambicanos e/ou mesmo, acompanhar os grandes avanços da hollyhood”.

Acrescentou ainda que, “hoje em dia, até os celulares completam várias necessidades de entretenimento”.

Verdade ou não, o facto é que as salas do cinema aparecem poucas vezes no cardápio dos maputenses.

* Fotos: Rogério Manhique

Posse do PR em São Tomé e Príncipe: RAMALHO EANES NO LUGAR DE CAVACO SILVA




CA - SOL

Foram chefes de Estado e ficaram amigos. Pinto da Costa e Eanes reencontram-se no dia 3 de Setembro.

«TENHO um amigo de coração, o Presidente Ramalho Eanes. É uma figura que me daria muito prazer, muita felicidade, se ele e a sua esposa estivessem presentes na minha posse» – o desejo expresso nas declarações do Presidente eleito de São Tomé e Príncipe, Manuel Pinto da Costa, à Lusa, vai ser uma realidade.

António Ramalho Eanes vai estar na cerimónia da tomada de posse do seu amigo no dia 3 de Setembro. O Presidente da República, Cavaco Silva, incumbiu o general da tarefa de representar Portugal no acto solene.

Na semana passada, Pinto da Costa encontrou-se no Algarve com o chefe de Estado português. Durante uma visita privada de uma semana, o futuro Presidente são-tomense manteve encontros com o primeiro-ministro Passos Coelho e com o ministro dos Negócios Estrangeiros Paulo Portas.

Foram também convidados para a cerimónia de transição de poder – que vai decorrer no palácio dos Congressos – os altos dignitários dos restantes países da CPLP, bem como dos Estados-membros da Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEDEAO).

A relação de Pinto da Costa – Presidente de S. Tomé entre 1975 e 1991 – com Ramalho Eanes iniciou-se em 1979, aquando da visita oficial do primeiro a Portugal. Em 1984, é Ramalho Eanes quem se desloca ao arquipélago para, no ano seguinte, Pinto da Costa retribuir a visita. Desde então, ambos os homens de Estado têm mantido relações de amizade e, já fora dos círculos do poder, encontraram-se em Portugal noutras ocasiões.

Portugal: É AGORA, É AGORA




PEDRO MARQUES LOPES - DIÁRIO DE NOTÍCIAS, opinião – ontem

1. Daqui a três dias, o mais tardar, o Governo irá apresentar o muito esperado plano de cortes na despesa pública. Conforme o anunciado, será algo de detalhadíssimo e verdadeiramente radical. Saberemos exactamente quais as entidades a extinguir, designadamente as empresas, institutos, fundações e demais organizações dependentes do Estado. Além disto, seremos informados do valor da poupança, ou seja, do corte no tecido adiposo da colossal máquina estatal. De modo a que não restem dúvidas da mudança que aí vem, o primeiro-ministro não fez a coisa por menos: "Vai ser o maior corte na despesa dos últimos 50 anos", disse na Festa do Pontal.

Para que ninguém pense que isto são anúncios semelhantes aos da época da governação socialista, também nos foi referido o prazo de concretização deste plano: fim de Outubro. É obra. Em dois meses vai ser mudado todo um paradigma de organização do Estado, vão-se acabar com todas as entidades inúteis, vai-se começar a gastar o estritamente necessário. E, atente-se, esta redução fantástica da despesa irá ser feita sem reduzir pensões, salários ou despedimentos. Nada que espante: se Deus fez o mundo em sete dias, porque diabo o Governo não realizaria esta tarefa em dois meses?

É bem verdade que este plano já estava a ser estudado há muito tempo. Mesmo antes das eleições foi-nos garantido que já estava tudo avaliado e que mal o Governo entrasse em funções iria ser anunciado. O que não pode deixar de ser elogiado é a capacidade de em dois meses, repito, o executar.

Obviamente que não passa pela cabeça de ninguém que esta jura solene deixe de ser cumprida.

Bom, não é bem assim. Quem parece estar um pouco céptico é o ministro Vítor Gaspar, o das Finanças.

Na entrevista de 12 de Agosto, salientou que uma coisa é anunciar cortes na despesa, outra é efectuá-los. Mais, afirmou que já tinha havido um esforço enorme para a controlar no Orçamento de 2011, dando a entender, aparentemente, que não estava a ver onde se podia cortar mais. Desconhecendo, talvez, o que tem sido a narrativa do Governo, não deixou de lembrar que em nenhum documento se fala de gordura do Estado! Para quem está esquecido, esta entrevista foi feita no mesmo dia em que ia ser feito o anúncio, pelo ministro, das medidas de emagrecimento. Talvez fosse recomendável que o ministro da Propaganda falasse com o das Finanças antes daquele pôr a notícia nos jornais, evitava-se o ridículo. Também era capaz de não ser má ideia terem avisado Vítor Gaspar da apresentação do plano de corte na despesa, o tal que vai ser o maior dos últimos 50 anos, antes da entrevista. Tenho para mim que ele devia ser o primeiro a saber, e já nem peço que fosse ele a coordená-lo.

Esta descoordenação deve ter sido causada pelo vírus estival, até dia 31 vamos conhecer o grande plano e daqui a dois meses está tudo acabado. Com jeito, o Governo ainda volta atrás e desiste daquele obsceno imposto preventivo sobre o décimo terceiro mês. Não vai fazer falta com o que se vai poupar.

Só faltam 3 dias.

2. Não admira que a possibilidade de se lançar um imposto sobre os ricos tenha gerado tanto entusiasmo. Um homem que pela força do seu trabalho, pela sua visão, pelo seu empenho, tenha feito fortuna é, em Portugal, um ser desprezível. É, com certeza, um aldrabão e só ganhou dinheiro porque o roubou.

É preciso acabar com os ricos. Taxá-los até que estes decidam ir para outras paragens, desincentivá-los a investir, acabar com as suas empresas, deixar de premiar os riscos que correm, proibi-los de gerar empregos. Nessa altura vamos estar muito melhor. Vamos ficar muito mais pobres, mas, ao menos, não olhamos para o lado e vemos uns tipos a viver melhor que nós.

O Governo diz que vai pensar. Só faltava mesmo que um Governo que diz apostar na captação de capital, no apoio ao investimento e na promoção da iniciativa privada embarcasse nesta medida demagógica e populista que apenas gerará uma fuga de capitais em massa e trará apenas migalhas para o erário público.

Portugal: “SECRETAS” E VIOLAÇÃO DE COMUNICAÇÕES





É bem provável que não haja um único político português que não venha a condenar o alegado acesso pelos Serviços de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) a uma lista de chamadas telefónicas de um jornalista do Público. Caso os factos ontem revelados pelo jornal Expresso se confirmem - e como não houve desmentido, tudo leva a crer que são verdadeiros -, serão evidentes a ilegalidade e os abusos cometidos.

As missões do SIED estão explicadas no seu site na Internet, que passamos a citar:

"O SIED contribui para o processo de decisão política através da produção de informação privilegiada, sobretudo nos domínios relacionados com:

- a avaliação da ameaça terrorista, a identificação de redes internacionais de crime organizado, nomeadamente as envolvidas em narcotráfico, facilitação da imigração ilegal e proliferação nuclear, biológica e química (NBQ);

- acompanhamento permanente da situação de segurança das comunidades portuguesas residentes no estrangeiro;

- o alerta precoce para situações onde haja um potencial comprometimento dos interesses nacionais;

- as matérias políticas, energéticas, económicas e de Defesa que constituam prioridade da política externa portuguesa.

O cumprimento destes objectivos é alcançado através do desenvolvimento de actividades de pesquisa, avaliação, interpretação e difusão de informações, no escrupuloso respeito pelos direitos, liberdades e garantias consignados na Constituição da República Portuguesa e na lei e das orientações emanadas pelo Primeiro-Ministro..."

Fica por perceber que tipo de investigação levou o SIED a precisar de saber as chamadas telefónicas efectuadas pelo jornalista Nuno Simas, que, actualmente, é director adjunto da agência Lusa, empresa jornalística em que o Estado é accionista maioritário. Ameaça terrorista? Crime organizado? Ou a definição de "situações onde haja um potencial comprometimento dos interesses nacionais", formulação que pode aplicar-se a qualquer tipo de curiosidade que o SIED tenha, legitimando, assim, qualquer tipo de abuso.

Esta situação é algo semelhante ao chamado caso "Envelope 9", de 2006, quando listas de chamadas telefónicas de inúmeros elementos da classe política - a começar no então presidente da República, Jorge Sampaio - foram integrados no processo Casa Pia. Depois da indignação geral, de uma Comissão de Inquérito no Parlamento e de uma investigação ao jornal e jornalistas que deram essa notícia, o escândalo foi remetido para um mero erro involuntário da Portugal Telecom. Mas, desde aí, quase todos os responsáveis políticos e empresariais portugueses passaram a achar que tinham as suas comunicações controladas por alguém ligado ao Estado.

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, ordenou já o inevitável inquérito, no mesmo dia em que se soube que impedira, com a cobertura da Lei do Segredo de Estado, que os deputados conhecessem informação de outro inquérito que ele próprio promovera a fugas de informação nas "secretas". A questão crucial está aqui: os governantes condenam estes abusos mas preferem - eventualmente com razão - manter o segredo de Estado sobre os autores e os motivos que levaram à prática destas ilegalidades. A opinião pública, no entanto, sem dados para avaliar a necessidade desse segredo, só pode supor o pior, até porque desta vez, no meio do noticiário sobre estes dois casos, misturam-se, talvez erradamente, várias e insistentes referências a supostos interesses empresariais que nada têm que ver com o Estado. Preocupante.

Portugal: GOVERNO FEZ EM DOIS MESES QUASE 500 NOMEAÇÕES PARA GABINETES



PÚBLICO - LUSA

Dados no portal do Executivo

Dois meses depois de ter tomado posse, o Governo já nomeou quase 500 funcionários para o Executivo, com o gabinete do ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares a liderar a lista, com 65 elementos.


De acordo com os dados disponíveis na sexta-feira no portal do Governo, entre as 65 pessoas do ministério de Miguel Relvas, 15 foram nomeadas para o gabinete do ministro, e nove para o gabinete do secretário de Estado Adjunto do ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares.

Para a secretaria de Estados dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade foram nomeadas dez pessoas, para o gabinete da secretária de Estado da Administração Local e Reforma Administrativa foram nomeados 13 funcionários, enquanto na secretaria de Estado do Desporto e Juventude existiram 18 nomeações.

Contudo, tal como em outros ministérios, como o caso do Ministério da Agricultura, o Governo não divulga os nomes e remunerações de todas as pessoas que foram nomeadas para o ministério de Miguel Relvas.

Por exemplo, no quadro disponível relativo ao gabinete do ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares é indicado que foram feitas 15 nomeações, mas apenas se encontram “discriminados” os nomes e remunerações de 12 pessoas.

O segundo maior ministério em termos de pessoal nomeado é o da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, com 60 nomeações, incluindo 14 para o gabinete de Assunção Cristas, dez para a secretaria de Estado da Agricultura, sete para a secretaria de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, dez para a secretaria de Estado do Mar e 19 para a secretaria de Estado do Ambiente e do Ordenamento do Território.

O terceiro ministério onde foram feitas mais nomeações foi o Ministério da Economia, num total de 59, das quais 15 para o gabinete de Álvaro Santos Pereira. As restantes 44 nomeações estão distribuídas por seis secretarias de Estado do Ministério da Economia.

Estrutura mais pequena

A estrutura mais pequena é o gabinete do secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, para onde foram nomeados oito funcionários.

Abaixo das duas dezenas de nomeações estão ainda o gabinete do secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro, com 12, incluindo os setes funcionários da Estrutura de Acompanhamento dos Memorandos, o Ministério da Justiça, com 13 (sete para o gabinete de Paula Teixeira da Cruz e seis para a secretaria de Estado da Administração Patrimonial), e a secretaria de Estado da Cultura, com 19.

A meio da "tabela" estão os ministérios da Defesa Nacional, com 30 nomeações (24 para o gabinete de José Pedro Aguiar-Branco e seis para o gabinete do secretário de Estado Adjunto), e o Ministério da Educação e Ciência, para onde também foram nomeados 30 funcionários (12 para o gabinete de Nuno Crato e os restantes para as quatro secretarias de Estado do ministério).

No Ministério da Administração Interna foram feitas 33 nomeações, 16 para o gabinete de Miguel Macedo, oito para o gabinete do secretário de Estado Adjunto e nove para a secretaria de Estado da Administração Interna.

Abaixo das 40 nomeações estão ainda o gabinete do primeiro-ministro, com 36 nomeações, e o Ministério da Finanças, com 37 (12 para o gabinete de Vítor Gaspar e as restantes para as quatro secretarias de Estado do ministério).

No ministério dos Negócios Estrangeiros foram feitas 39 nomeações, 13 das quais para o gabinete de Paulo Portas, distribuindo-se as restantes pelas três secretarias de Estado do ministério.

Para o Ministério da Saúde foram nomeados 42 pessoas, 18 para o gabinete de Paulo Macedo, 13 para o gabinete do secretário de Estado Adjunto e 11 para o secretário de Estado da Saúde.

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Portugal - Secretas: PASSOS COELHO EXIGE “CELERIDADE” NO INQUÉRITO




EXPRESSO - LUSA

Primeiro-ministro pediu a secretário-geral do SIRP, Júlio Pereira, "celeridade e profundidade" no inquérito à alegada espionagem ao jornalista Nuno Simas.

O primeiro-ministro reuniu-se hoje com o secretário-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP), a quem pediu "a maior celeridade e profundidade" no inquérito à alegada espionagem a um jornalista, disse à Lusa fonte do seu gabinete.

Tal como o Expresso noticiou na sua última edição, o Serviço de Informações Estratégicas do Estado (SIED), que depende do SIRP, "espiou" o telemóvel de um antigo jornalista do "Público", Nuno Simas, atualmente diretor adjunto de informação da Lusa, "com o objetivo de descobrir as eventuais fontes do jornalista".

De acordo com fonte do gabinete do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho quis falar pessoalmente com Júlio Pereira por considerar que a notícia divulgada pelo Expresso "é um assunto importante e grave".

Demissão em cima da mesa?

"O primeiro-ministro quis fazer a avaliação da situação e manifestar empenho em ver o inquérito ser levado a cabo com a maior celeridade e profundidade", acrescentou a mesma fonte.

Questionado se a possibilidade de demissão de Júlio Pereira - hoje avançada pelo "jornal i" - foi debatida na reunião, a mesma fonte disse apenas que cargos como o de secretário-geral do SIRP "estão sempre à disposição do primeiro-ministro".

No sábado, o primeiro-ministro ordenou ao secretário-geral do SIRP, Júlio Pereira, a abertura de um inquérito que investigue e esclareça este caso.

*Foto em Lusa

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COSMIC TOP SECRET: A OTAN CONFIRMA QUE ELES EXISTEM!





Robert O. Dean serviu por durante 20 anos como oficial da USAF na OTAN – Organização do Tratado do Atântico Norte. Seu posto de trabalho era situado em um departamento denominado SHOC, ou Supreme Headquarters Operations Center, que vinha a ser o quartel-general e centro supremo das operações de guerra e defesas aliadas na Europa.

Galgando importantes posições dentro daquela organização, Dean foi outro que teve acesso direto aos mais importantes e secretíssimos documentos envolvendo as atividades dos OVNI no nosso planeta. Antes disso, contudo, teve o seu interesse despertado para o problema, uma vez que eram constantes os rastreamentos desses objetos através dos radares estratégicos da OTAN. Essas naves foram detectadas por incontáveis vezes voando em formação por sobre a extinta URSS, Oriental e Ocidental, França, Noruega e outros vários países!

Sempre relatados como objetos grandes, incrivelmente velozes e ainda capazes de voar em exageradas altitudes, esses objetos desconhecidos quase causaram um conflito em escala mundial, precisamente em fevereiro de 1961, quando cinqüenta deles foram rastreados vindos do território russo em direção à Europa, a cerca de 30 mil metros de altitude! Os aliados, julgando tratar-se de um ataque aéreo russo colocaram imediatamente todo o seu esquema tático de defesa em regime de alerta, ao passo que os soviéticos julgando por seu turno tratar-se de uma invasão aliada procederam da mesma forma. Após cerca de nove minutos de rastreamento, os objetos deslocaram-se para o espaço exterior e o esquema de prontidão em ambos os lados foi desfeito.

Curiosamente, contudo, Dean constatou que apesar de a chamada guerra-fria estar no seu apogeu existia uma verdadeira e até bastante estreita ligação entre os russos e os altos escalões da OTAN, especificamente no que dizia respeito aos assuntos envolvendo os OVNI. Uma linha telefônica direta e além de tudo reservada fora instalada no alto comando aliada, interligada em mesmo nível ao bloco comunista. Essa linha fazia parte de uma rede que por sua vez alcançava Washington, já nos EUA, pois esses governos SABIAM que tais máquinas voadoras desconhecidas representavam uma ameaça ao mundo todo e não a países isolados, e que somente poderiam ser detidas se todas as potências terrestres se unissem no caso de um eventual ataque!

Em janeiro de 1964, porém, o oficial norte-americano teve acesso direto a um documento ultra-classsificado da OTAN, denominado COSMIC TOP SECRET (Alto Segredo Cósmico), composto por um grosso volume e no qual existiam coisas tão estarrecedoras ao ponto de Dean declarar que jamais iria esquecê-las!

Nele estavam expressas as preocupações da OTAN quanto à virtual ameaça representada pelos OVNI, tanto que a organização percebera a necessidade de obter todo e qualquer assessoramento possível com relação ao angustiante problema, o qual aparentemente não tinha solução imediata. Foram enviadas equipes técnicas e militares para as universidades de todo o mundo, tais como Oxford, Cambridge, Sorbonne e Masssachusetts Institute of Tecnology, em busca de todas as informações que fosse possível obter nos campos da Química, Biologia, Física Quântica, Psicologia e até Teologia!

Além disso, existiam naquele extenso e bastante detalhado documento oficial, artigos relacionados à Teoria dos Campos Unificados de Albert Einstein, níveis de radiação encontrados nos locais de pousos dos OVNI, espalhados por todo o planeta e, como não poderia deixar de ser, depoimentos de pilotos militares e fotografias aéreas de caráter impressionante por estes obtidas. Incluindo-se, é claro, casos de seqüestros e outros tipos de depoimentos civis e militares, envolvendo os mais diversos tipos de contatos.

Em um desses artigos, intitulado AUTÓPSIAS DE ENTIDADES ALIENÍGENAS, estava, contudo, relatado o mais impressionante de todos os tópicos abordados: em 1961, precisamente na localidade de Timmesdorfer, Alemanha, nas proximidades do Mar Báltico, um OVNI embatera-se contra o solo em grande velocidade, tendo ficado com cerca de um terço da sua estrutura afundado – conforme demonstravam as nítidas fotografias a ele anexadas!

Pelo fato de já ter sido rastreado durante todo o seu deslocamento até o momento da colisão, as forças militares britânicas foram as primeiras a chegar no local do acidente. Os soviéticos, por sua vez, chegaram logo a seguir, também ávidos pela posse daquela presa extremamente rara. Dentro da nave alienígena, estavam os cadáveres de DOZE pequenos seres, todos mortos pela violência do impacto, e da mesma retratados em dezenas de outras nítidas fotos!

Essas criaturas, descritas como “cinzas” (grays) foram retiradas da nave acidentada e colocadas em veículos militares. Os destroços do OVNI, para melhor facilidade de transporte, foram desmembrados em seis partes, sendo cada uma delas colocada em engradados especiais e todas encaminhadas diretamente aos EUA, para a Base Aérea de Wright Patterson, em Ohio – onde existiriam até hoje as instalações super-secretas destinadas aos recolhimentos e respectivas análises dos restos desses objetos.

Tal como no acidente de Roswell, uma acurada autópsia fora levada a afeito nos cadáveres daquelas criaturas. O documento secreto da OTAN estava repleto de fotografias que acompanhavam passo a passo todas as operações desenvolvidas nesse particular. As conclusões dos peritos diziam que elas não possuíam aparelhos reprodutores. Por outro lado, os especialistas constataram que eram também desprovidos de órgãos digestivos e não processavam os alimentos como fazemos aqui na Terra. não possuindo, portanto, sistemas de evacuação como os humanos. Além do mais, detalhe bem revelador, pareciam ser feitos em série, como clones uns dos outros!!!

Olhando atonitamente para aquela profusão de fotos, as quais mostravam inclusive os estranhos órgãos internos daquelas criaturas, extraídos e dissecados, Dean declarou que sentiu-se verdadeiramente tomado por calafrios, tremedeiras, medo e pavor inusitado. Porém, segundo ele, o fato mais estarrecedor era representado pelas seguintes conclusões em caráter oficial da OTAN sobre o fenômeno OVNI:

1 - O planeta Terra e a raça humana estão sendo objetos de uma detalhada observação de TIPO E PROPÓSITO ainda não totalmente esclarecidos, efetuada por VÁRIAS ESPÉCIES DE CIVILIZAÇÕES EXTRATERRENAS – QUATRO DAS QUAIS JÁ IDENTIFICADAS. A primeira delas bastante parecida com a nossa, quase indistingüível; a segunda lembra a raça humana em altura e estatura, porém com peles dotadas de tonalidade cinza e pálida; a terceira representada pelos seres de baixa estatura, bastante relatados nos contatos efetuados em todas as partes do mundo, denominados de “cinzas”; a quarta trata-se de uma raça MEIO REPTILIANA, cuja pele é semelhante aos LAGARTOS e cujos olhos são dotados de pupilas verticais.

2 - Essas visitas alienígenas têm ocorrido há bastante tempo, por pelo menos 200 anos dentro da História conhecida, ou talvez mais.

3 - Aparentemente os alienígenas, como um todo, não seriam hostis a nós, uma vez que, se assim o fossem, teriam demonstrado tal comportamento há mais tempo, agredindo-nos militarmente de alguma forma.

4 - As rápidas aparições dessas naves, bem como as suas manobras de evasão e os sobrevôos instantâneos, denotariam demonstrações propositadas, talvez com o intuito de nos mostrar algumas das suas capacidades técnicas.

5 – Há um processo, OU PROGRAMA DE QUALQUER ESPÉCIE, que parece estar se desenvolvendo, já que esses sobrevôos passaram a resultar em aterrissagens e, finalmente, em contatos mais diretos com os humanos.

Finalmente, conclui John Dean no seu fantástico e bastante esclarecedor depoimento:

“Sei que estou me arriscando ao declarar tudo isso, violando meus juramentos. Já passei por todo tipo de situações na minha vida, mas nada se compara com aquelas coisas que vi e li. Acho que alguma coisa deve ser feita: o problema dos UFOs é, sem dúvida, a questão mais intrigante dos nossos dias e o público tem sido sistematicamente enganado e mantido em completa ignorância com relação aos fatos importantíssimos desses anos todos. Considero isso o maior escândalo científico e político que já ocorreu. Além disso, que tenho a perder dizendo aquilo que sei? Vão me silenciar, matar-me? Algum dia terão que dizer a verdade, mas isso deveria ser feito o mais rapidamente possível. É inadmissível que adiem por mais tempo essa decisão!”

*Sérgio Russo é escritor brasileiro, nascido e residente na cidade do Rio de Janeiro, pesquisador há mais de 35 anos do gênero REALISMO FANTÁSTICO e autor de 10 livros versando sobre tão apaixonante tema.

Ler também:

MOBILIZAÇÕES NA ESPANHA CONTRA REFORMA CONSTITUCIONAL




PRENSA LATINA

Madri, 28 ago (Prensa Latina) A Espanha será palco hoje de vários protestos em rejeição à decisão do governo de introduzir na Constituição o limite de déficit e a favor de que essa iniciativa seja submetida a um referendo vinculante.

Madri, Barcelona, Zaragoza, Bilbao, San Sebastián, Vitoria, Valência, Múrcia, Logroño, Cáceres, Málaga e Jerez serão algumas das cidades que se somarão à convocação de movimentos políticos e sociais contra a projetada reforma constitucional.

Sob as frases de Madri manifesta-se, "eu quero votar" e "Novo golpe de Estado financeiro", a mobilização nesta capital iniciará em Atocha e terminará na central Porta do Sol, símbolo do Movimento 15-M, os Indignados.

O mal-estar popular tomará as ruas depois que o dirigente Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) e o conservador Partido Popular (PP) acordaram na sexta-feira passada incorporar à Constituição um teto de despesa para as administrações públicas.

Entre os convocadores do protesto figuram Democracia Real Já e Juventude Sem Futuro, plataformas que junto ao 15-M nasceram nas redes sociais da Internet para expressar sua insatisfação pela situação política, econômica e social deste país europeu.

Após as últimas mobilizações isto é uma provocação, declarou ao jornal madrilenho Ramón Espinar, membro da Juventude Sem Futuro, em alusão às gigantescas manifestações de maio passado em meia centena de cidades espanholas.

O 15-M caracteriza-se por recusar o sistema capitalista e pedir democracia participativa, recordou Espinar, para quem a proposta do PSOE-PP de modificar a Carta Magna para incluir um teto da despesa pública significa "constitucionalizar" o neoliberalismo.

As citadas organizações porão em evidência a insatisfação de uma parte da sociedade com as recentes medidas econômicas acordadas pelo Governo de José Luis Rodríguez Zapatero e pela direita, encarnada pelo PP, reza a convocação.

Consagrar o neoliberalismo na Constituição e fazê-lo sem consultar os espanhóis põe de manifesto que o bipartidismo está a serviço dos mercados; isso mais é um passo contra as maiorias sociais, denunciou Espinar.

O PSOE e o PP selaram um acordo para anexar à Constituição um princípio genérico de estabilidade orçamental, o qual impede às administrações públicas incorrer em um déficit estrutural que supere as margens exigidas pela União Europeia.

Um dos temas mais controversos e criticados da reforma, fixar um teto de despesa, ficou excluído da iniciativa e figurará ao final em uma lei orgânica, norma menos rígida e mais fácil de mudar, a ser aprovada antes de junho de 2012.

A coalizão Esquerda Unida acusou os socialistas e populares de decidir substituir uma Constituição social por outra conservadora, que vem imposta pelos mercados e pelas instituições financeiras que não respondem às necessidades dos cidadãos.

pgh/edu/es

ESTUDANTES E GOVERNO CHILENO FRENTE A FRENTE





Santiago do Chile, 28 ago (Prensa Latina) Os estudantes chilenos aceitaram o convite de dialogar do presidente Sebastián Piñera, mas ratificaram as demandas do movimento social a favor da gratuidade na educação e contra o lucro.

A porta-voz da Confederação de Estudantes do Chile (Confech), Camila Vallejo, declarou que na próxima terça-feira irão à La Moneda reunirem-se com o presidente, que na sexta-feira passada tinha chamado a uma mesa de diálogo "em um clima de paz e não de guerra".

No entanto, os representantes da Confech consideraram fundamental para o estabelecimento de uma mesa de trabalho real que o governo lhes dê resposta à carta entregue no começo da semana passada e que contém as principais reivindicações da sociedade com relação ao sistema de ensino.

"Isto não constitui uma mesa de trabalho nem de diálogo nem de negociação, mas só uma primeira aproximação", destacou Vallejo após uma longa reunião dos líderes das federações universitárias neste fim de semana em Temuco, capital da Araucanía chilena.

A líder universitária chamou a que sejam retirados os projetos levado ao Parlamento nos últimos dias, os quais foram elaborados pelo Executivo de modo unilateral, sem tomar em conta os critérios dos atores sociais.

A Confech exigiu também que se ponha fim à repressão do movimento estudantil e social. A respeito, condenaram a morte do adolescente Manuel Gutiérrez, baleado em uma comuna da Região Metropolitana, no contexto da greve nacional.

"Não podemos entrar para dialogar quando a contraparte está te reprimindo", reforçou porta-voz dos estudantes chilenos.

Os estudantes exigiram nesse sentido a saída do ministro do Interior, Rodrigo Hinzpeter. "A morte de Manuel não pode ficar impune", enfatizaram. "Sabemos bem, por testemunhas da comuna, onde assassinaram o colega e que foi por parte de Carabineiros", agregaram.

A Confech anunciou que amanhã será decretado "Dia de luto nacional" pela morte de Manuel, cujo funeral acontecerá este domingo.

A presidenta da Federação de Estudantes da Universidade do Chile reafirmou que o processo de mobilização continua de pé, enquanto não for dada resposta concreta à vontade do povo chileno de transformações radicais profundas no sistema de educação.

pgh/tpa/es


GOVERNO DOS ESTADOS UNIDOS PREPARA NOVOS ATAQUES CONTRA WIKILEAKS





World Socialist Web Site - [David Walsh, Tradução de Diário Liberdade] 26 de Agosto de 2011. A administração Obama e seu Departamento de Segurança Interna continuam com seu ataque ao WikiLeaks e seu fundador, Julian Assange, como parte do esforço para sufocar a oposição ao militarismo e ao imperialismo norte-americano.

Um documento recentemente aberto em tribunal, assinado por um magistrado Juiz dos EUA em 04 de janeiro de 2011, levanta o véu sobre a tentativa do governo para montar um caso de espionagem ou "terrorismo" contra Assange e WikiLeaks. A chamada ordem de produção, o equivalente a uma intimação sob o reacionário Patriot Act, foi emitida contra o DNS do WikiLeaks, em Dynadot, San Mateo, na Califórnia. A ordem foi destinada a fornecer informações para um grande júri secreto que se reuniu em Alexandria, no estado da Virginia.

O WikiLeaks divulgou a existência da ordem judicial quarta-feira (24), apenas horas depois do grupo anti-sigilo relatar um ataque maciço de negação de serviço (DDoS), que obrigou a fuga para servidores de backup. WikiLeaks culpou as autoridades dos EUA pelo último ataque, pedindo, por uma boa causa, “São os ataques direcionados do Estado de negação de serviço, legalmente, um crime de guerra contra a infraestrutura civil?” e “Será que devemos, legalmente, declarar guerra contra os agressores do Estado que cometem crimes de guerra de infraestrutura contra nós?”

O WikiLeaks ganhou a fúria do governo dos EUA e militar para seu lançamento de coleções de documentos previamente secretos revelando suas atividades criminosas em todo o mundo. Pfc. Bradley Manning tem sido alvo de feroz perseguição pelo Pentágono por seu suposto papel na transmissão dos documentos incriminadores.

O ataque DDoS contra o WikiLeaks logo após o lançamento de dezenas de milhares de novos documentos, incluindo textos da embaixada dos EUA na Líbia lançando luz sobre o apoio de Washington e colaboração militar com o regime de Kadafi recentemente, em agosto de 2009.

A ordem de produção servido no Dynadot, como o International Business Newspoints fora, “poderia ser o primeiro grande passo pelo governo dos Estados Unidos na rotulagem do WikiLeaks como uma organização terrorista". O vice-presidente Joe Biden já denominou Assange, que permanece sob prisão domiciliar na Grã-Bretanha em relação a um caso forjado de agressão sexual na Suécia, como um “terrorista de alta tecnologia”.

A ordem do Dynadot foi emitida aproximadamente ao mesmo tempo em que os promotores do Departamento de Justiça dos EUA obtiveram uma ordem semelhante para obter os registros do Twitter. WikiLeaks relatou que Dynadot sujeitou-se a ordem do governo, sem fornecer detalhes.

Em 2008, o Julius Baer Bank and Trust solicitou uma liminar com sucesso contra o WikiLeaks sobre a liberação de documentos internos, e Dynadot foi condenada a encerrar o domínio wikileaks.org. No entanto, o mesmo juiz posteriormente revogou a liminar, citando questões da Primeira Emenda. Em dezembro de 2010, o fundador e presidente da Dynadot, Todd Han, em resposta a uma pergunta de um jornalista, comentou: “Sim, nós estamos enfrentando uma pressão significativa sobre o domínio, tanto para mantê-lo quanto levá-lo abaixo.”

A ordem de produção de três páginas de Homeland Security Department de Obama, em janeiro de 2011, é um documento sinistro, digno de um Estado policial. Manda Dynadot a entregar dentro de três dias as seguintes informações para cada conta associada ao WikiLeaks e Assange para o período de 1 de novembro de 2009 até o presente:

"1. Nomes de assinantes, usuários, nomes de telas, ou outras identidades;
2. Endereços para correspondência, endereço residencial, endereços comerciais, e-mail, e outras informações de contato;
3. Registros de conexão, ou registro de tempo da sessão e durações;
4. Tempo de serviço (incluindo data de início) e tipos de serviços utilizados;
5. Telefone ou número do aparelho ou outro número inscrito ou identidade, incluindo qualquer endereço de rede temporariamente atribuído;
6. Meios e fonte de pagamento por esse serviço (incluindo qualquer cartão de crédito ou número de conta bancária) e registros de faturamento;"

Exige também que Dynadot entregue para o governo:

"1. Registros da atividade do usuário para as conexões feitas para ou a partir da conta, incluindo a data, hora, duração e método de conexões, volume de transferência de dados, nome de usuário e origem e destino do endereço do IP;
2. Não-conteúdo de informação associada ao conteúdo de qualquer comunicação ou arquivo armazenado por ou para a(s) conta(s), tais como a origem e o destino de endereços de e-mail e endereços do IP.
3. Correspondência e notas de registros relacionados com a(s) conta(s)".
Esta ordem de varrer não é apenas destinada a construir um caso contra Assange e o WikiLeaks; sua intenção é intimidar e aterrorizar qualquer indivíduo ou organização, incluindo hosts DNS que possam contemplar oposição e expor a política do governo dos EUA, ou simplesmente prestação de serviços aos tais adversários. É mais uma tentativa de criminalizar a dissidência política.

*Traduzido para Diário Liberdade por Pamela Penha

FAO FAZ APELO PARA EVITAR FOME “INADMISSÍVEL” NO CHIFRE DE ÁFRICA




LJUBOMIR MILASIN - AFP

ROMA — A FAO considerou "inadmissível" a fome no Chifre da África e fez um apelo à comunidade internacional para que não financie apenas uma ajuda de urgência, mas também faça investimentos agrícolas por um longo período a fim de evitar a repetição de crises alimentares.

"É inadmissível que hoje em dia, com todas as fontes financeiras, tecnológicas e a experiência à nossa disposição, mais de 12 milhões de pessoas corram o risco de morrer de fome", declarou Jacques Diouf, diretor-geral da Organização da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO) em Roma.

"Planos completos de investimento já foram aprovados e estão disponíveis, mas falta financiamento. Se os governos e seus parceiros doadores não investirem imediatamente, a fome apavorante que tentamos combater voltará e será uma vergonha para a comunidade internacional", acrescentou Diouf.

Douf participou de uma reunião técnica sobre a seca e a fome no Chifre da África para preparar a conferência da União Africana que deverá reunir países doadores na cidade de Addis Abeba no dia 25 de agosto.

Diouf disse durante uma entrevista à AFP que "a construção de canais de irrigação não são obras com custos exorbitantes, são pequenas coisas que podem ser feitas".

O chefe da FAO também sugeriu a escavação de poços nos caminhos ocupados por pastos, melhoria das estradas e criação de sistemas de estocagem das colheitas. Disse ainda que a perda de produção chega aos "40% ou 60%" e pediu que os Estados africanos passem a investir 10% de seus orçamentos, ao invés de 5%, na agricultura.

Na segunda-feira, a ONU fez um apelo de urgência e pediu contribuições para o fundo da luta contra a fome no Chifre da África. A organização arrecadou até o momento presente apenas 1,3 bilhões de dólares, segundo a ONU são necessários 2,4 bilhões.

Na quarta-feira, os membros da Organização de Cooperação Islâmica (OCI) se reuniram em Istambul para arrecadar 350 milhões de dólares para a Somália.

"É necessário preparar a próxima campanha agrícola. As chuvas só irão chegar em outubro. Os únicos meios para a sobrevivência das famílias são os campos e os pastos (...) Portanto, é preciso ajudar as famílias a ficarem nas terras", declarou à AFP Cristina Amaral, diretora de operações emergências da FAO recentemente vinda da Somália.

Sally Kosgei, ministra da Agricultura do Quênia que recebe um grande número de refugiados, ressaltou que no seu país "60% das terras são áridas ou semi-áridas" e sofre também com a seca, "as famílias perdem seus pastos e a situação se agrava com a chegada dos refugiados".

O Quênia "não se queixa", existem programas, mas "nós não podemos financia-los", disse. "O mundo precisa acordar" para evitar a fome, "temos os projetos, falta a infraestrutura", acrescentou Kosgei, que citou também a construção de diques e a distribuição de cereais resistentes à falta de água.

A seca que afeta a região, a pior em 60 anos, já deixou dezenas de milhares de mortos e ameaça 12 milhões de pessoas na Somália, Quênia, Etiópia, Djibuti, Sudão e Uganda.
"Existe quase uma banalização da fome na Somália. Estamos habituados a ver imagens de crianças que morrem, de um país que está sempre em crise", lamentou Amaral.

Diouf declarou que não suporta mais "ver uma imagem de uma criança que corre o risco de morrer de fome", acrescentando: "não ficamos felizes por nossas crianças, eu não sei por que aceitamos isso para as crianças dos outros".