quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2012

Timor-Leste: ONU DEVERÁ MANTER APOIO APÓS SAÍDA DA UNMIT - Ramos-Horta



PDF - Lusa

Nova Iorque, 22 fev (Lusa) - O presidente timorense, José Ramos-Horta, afirmou hoje no Conselho de Segurança que as Nações Unidas deverão continuar a apoiar a governação, forças de segurança e Justiça em Timor-Leste após a retirada da sua missão (UNMIT), no final de 2012.

"O consenso que está a emergir é que o papel da ONU pode incluir apoio para fortalecer as instituições democráticas, capacitação das instituições do setor de segurança, em particular da Polícia Nacional (PNTL) e apoio contínuo em áreas como a governação, Justiça e Direitos Humanos", afirmou o presidente timorense.

Ramos-Horta fazia um balanço das discussões entre governo e ONU, iniciadas em janeiro deste ano, sobre o potencial papel da organização em Timor-Leste após a retirada da missão (UNMIT).

A decisão final sobre o futuro envolvimento da ONU compete ao próximo governo timorense, mas o executivo de Xanana Gusmão vai prosseguir as discussões com a ONU, tendo em vista uma "opção que seja talhada às prioridades e necessidades específicas de Timor-Leste".

"Deixem-me ser claro: precisamos e queremos uma parceria internacional sustentada por uma missão modesta da ONU em linha com as reais necessidades do país e ajustada à realidade em evolução no terreno", sublinhou.

"Até ao final deste ano, gostaríamos de assistir ao fim da missão de paz e à formação de uma nova parceria com a ONU".

Na quinta-feira, o mandato da UNMIT será estendido de fevereiro até dezembro de 2012, a última renovação da única missão de paz da ONU num país lusófono.

Ramos-Horta veio a Nova Iorque acompanhado pela ministra das Finanças, Emília Pires, pelo ministro-adjunto dos Negócios Estrangeiros, Alberto Carlos, cuja "longa e rica experiência" internacional sublinhou no início da sua intervenção.

Fugindo várias vezes ao discurso escrito para fazer comentários informais, o presidente timorense e prémio Nobel da Paz evocou antigas memórias "nos corredores da ONU", desde 1975, quando Timor-Leste lutava pela independência.

Lembrou a história da luta até à independência e também "experiências traumáticas" como os conflitos de 2006, que "podiam ter sido evitados", assegurando o Conselho de Segurança que hoje o povo "está empenhado em assegurar que paz e estabilidade continua em 2012 e para além".

Ramos-Horta sublinhou a melhoria dos indicadores económicos e sociais do país e a consolidação da democracia nos últimos anos, apontando em particular as "dificuldades na Administração Pública".

Deixou um convite a todos os membros do Conselho para visitarem o país este ano e "verem com os próprios olhos quão longe foi o país" e também conhecer "as montanhas e nadar nas águas límpidas" timorenses.

Novamente fugindo ao discurso, revelou que quase cancelou a vinda a Nova Iorque devido à morte de um familiar, mas que fez questão de "partilhar as boas noticias que acontecem pelo menos num canto do mundo" com os diplomatas envolvidos na tentativa de resolução de conflitos difíceis como os do Médio Oriente.

Ameera Haq, representante do secretário-geral da ONU em Timor-Leste, sublinhou o facto "notável" de ser Ramos- Horta a discutir na ONU o fim de uma missão cujo envio ele próprio pediu.

Quanto às eleições presidenciais e parlamentares deste ano, em que Timor comemora também o 10.º aniversário da independência, há "todas razões para acreditar que terão sucesso", e que a transição pós-UNMIT está a avançar a bom ritmo.

"Depois de 2012 não deve haver pessoal fardado da ONU em Timor-Leste, mas deve haver pessoal", afirmou.

As várias intervenções de membros do Conselho de Segurança foram sobretudo de congratulações pelos progressos no país, e o embaixador de Portugal sublinhou que o país é já um "caso de sucesso" na história das missões de paz da ONU.

O representante português disse ainda haver razões para uma missão dos membros do Conselho a Timor-Leste este ano, que esteve prevista para 2011, mas acabou por não se confirmar.

Leia mais sobre Timor-Leste - use os símbolos da barra lateral para se ligar aos países lusófonos pretendidos

Opinião: Um marco do desaparecimento do português em Timor-Leste





Quase 60 anos de pesquisa indicam que as crianças aprendem melhor nas suas línguas maternas e que, tendencialmente, aprendem melhor outras línguas, valorizando a sua cultura e perdendo sentimentos de discriminação derivados de uma hierarquização sociolinguística normalmente associada a processos de colonização - mas não só.

CENTENAS DE ANOS de experiência e de produção científica revelam que a diversidade etnolinguística, a par de outros factores tão ou mais importantes, FRACTURAM as sociedades e que a inexistência de línguas nacionais que permitam a criação de laços extra-comunitários à escala nacional, sobretudo através do sistema de educação, é meio caminho andado para A DESGRAÇA. Exemplos pelo mundo inteiro abundam e, depois do projecto-piloto REPETE-13, serão precisas dezenas de anos até se perceber, in loco, que o uso das línguas indígenas em ambiente escolar não é uma panaceia universal para problemas estruturais que continuarão a existir e a resultar em níveis de analfabetismo inaceitáveis - a América Latina está cheia de exemplos disso.

Ao Senhor/Senhora Anónimo/a das 14h16 de 16 de Fevereiro: It's better you give your texts to somebody who speaks portuguese as mother language because like the lousy leaflet on Mother-Tongue Multilingual Education Programme in its Portuguese version, revision is highly recommended when making a copy of UNESCO advocacy toolkit on mother tongue projects.

O projecto que ora (e não hora) se inicia será um marco do desaparecimento do português em Timor, como Vª. Exª. pretende, a coberto dos interesses das crianças timorenses. Admito, é engenhosa a estratégia, está bem construída, a demagogia é fabulosa (a raiz do povo timorense, o orgulho, os direitos, etc...). Mas alguém com dois dedos de testa e que leia as coisas, ao ver os protagonistas desta belíssima campanha de marketing, se apercebe que é neo-colonialismo anglo-saxónico, e bem feito, admito. E acredito que vá dar certo, porque os portugueses estão de calças na mão - não necessariamente os brasileiros. Agora, também acredito que, a médio prazo, será mais um factor a juntar aos demais que farão com que Timor mergulhe ciclicamente em crises. Mesmo que tenhamos mais crianças a escrever e a ler, será que elas poderão ir à escola numa situação de crise? Isso já não interessa?

Tinan Komunikasaun Sosial SEKM Organiza Workshop Jornalista ho Edito




Acasio Pinto – Radio Liberdade (tl)

Radio Online – Relasaiona ho tinan 2012, governu disidi hanesan tinan ba komunikasaun sosial, Sekertariu Estado Konselhu Ministru organiza workshop loron tolu ba editor ho jornalista nasional.

Worskhop hahu 20-22 ne’ebe halao iha hotel Exelesior Resort Fevereiru ho tema ‘Hasae profesionalizmu ba prosesu dezenvolimento Timor leste.

Iha abertura, Prezidenti Parlamanto Nasional, Fernando La Sama de Araujo dehan, midia nia papel importante, tamba ne’e governu presiza duni atu atu fo kapasitasaun atu bele fo informasaun dezenvolimentu ho diak.

“Hau hanoin ne’e importante tebes atu jornalista sira bele iha koinesementu klean no jornalista ho editor sira mos tenke apreden lian Tetum tamba durante ne’e jornalista sira hakerek lian Tetum la tuir sinonimo,”La Sama kestiona.

Iha fatin hanesan Tulela Sekertariu Estadu Konselhu Ministru Avelino Coelho dehan, midia iha tempu luta ba ukun-an importante tebes fo informasau ba mundu Internasional atu fo tulun ba TL nia resistensia.

Iha tempu ukun-an midia sai importante liu tamba nasuan TL atu halao dezenvolvimentu liu husi kontrola sosial.

Tuir Avelino, tinan 2012 tau tinan ba komunikasuan sosial tamba uha ukun-an ne’e media liu husi knar jornalista sira fo ona kontribuisaun meximu ba nasaun ne’e.

Alende ne'e mos orador nasonal Vice Ministru Justisa, Ivo Valente koalia konaba "publikasaun midia ho ninia implikasaun ba prosesu penal. Prezensa mos Komisairu Pe. Martinho Gusmao ho Diretor STAE Tomas Cabral konaba midia nia knar iha eleisaun no halo diskusaun konaba kodiku konduta husi STAE ne'ebe ladun fo liberdade impresa.

Iha worshop ne’e prezensa espert midia ne’ebe sai orador husi Indoenezia hanesan Bambang Harymuti, Atma Kusuma, Wina Armada Suakrdi, Pryambodo R. H.


MOVIMENTU ESTUDANTES LAUTEM REJEITA POLITIKA LIAN INAN




Movimentu Estudantes Universitariu no Joventude Distritu Lautem (MEUJ-DL) halo deklarasaun ba publiku hodi rejeita politika lian inan nudar lia instrusaun prinsipál hodi hanorin alunus hahu husi Pre-Eskolár to’o Kuartu Anu Ensinu Básiku iha Distritu lautem, hahú fulan Fevereiru tinan 2012.

MEUJ – DL hato'o ida ne'e liu husi konferensia ba imprensa Segunda Feira ne’e (23/01) iha Kampus Universidade National Timor Lorosa'e – UNTL.

Iha Konferensia ne’e, MEUJ-DL husu ba Ministerio Edukasaun no kultura RDTL atu hapara politika implementasaun hodi dezenvolve lian materna ba prosesu aprendizagem tanba politika ne’e hanesan politika Devide et Impera.

“Ami Estudante Universitario Juventude Distrito Lautem konsidera politika ba programa implementasaun ne’e hanesan haburas rasismu no sukuismu iha Timor Leste no afeta ba unidade nasional” hateten ba Porta Voz MEUJ-DL.

Sira mos deklara no afirma hodi rejeita no kontra total politika Ministerio Edukasaun no UNESCO atu implementa lian materna ba prosesu aprendizagem iha nivel ensinu baziku no sekundariu iha Distritu Lautem.

Alem de ne’e mos husu ba Parlamentu Nasional liu-liu Komisaun F Asuntu Edukasaun atu halo estudu no analize profunda ba implementasaun programa lian materna ne’e atu halo estudante sira difisil atu uza lian tetum sai hanesan komunikasaun iha ambiente eskola no komunidad.

“Se ejijensia hirak ne’e la iha konsiderasaun no hetan responde maximu hosi orgaun kompetente ami sei mobiliza komunidade, estudante, juventude no organizasuan movimentu universitariu sira tomak hodi asaun protesta hasoru Ministerio Edukasaun” hateten Porta Voz Mario “Kabitan” Soares (CJITL)


EUROCENSURA




Daniel Oliveira – Expresso, opinião, em Blogues

Não conheço nenhum jornalista sério, daqueles que defendem, como eu defendo, que o jornalismo tem limites e que os fins não justificam os meios, que critique a divulgação, por parte da TVI, da conversa entre Vítor Gaspar e Wolfgang Schauble. Diz o código deontológico dos jornalistas portugueses, que não difere muito dos que vigoram noutras democracias: "O jornalista deve respeitar a privacidade dos cidadãos excepto quando estiver em causa o interesse público ou a conduta do indivíduo contradiga, manifestamente, valores e princípios que publicamente defende. O jornalista obriga-se, antes de recolher declarações e imagens, a atender às condições de serenidade, liberdade e responsabilidade das pessoas envolvidas." O interesse público é indiscutível, assim como as condições de serenidade, liberdade e responsabilidade das pessoas envolvidas. O teor da conversa nada tinha de privado. O local era público. E aquelas pessoas estavam ali, não a título privado, mas em representação de Estados.

O acordo tácito com os jornalistas - de não recolherem som de conversas - não tem, não pode ter, mais valor do que a sua obrigação profissional. As regras afixadas, ao que parece numa folha escondida atrás de uma planta, não têm valor de lei. São a vontade de políticos. Até poderiam afixar um papel a dizer que os ministros só podem ser filmados no seu melhor perfil que nem assim os repórteres de imagem (são repórteres, não são fotógrafos de casamentos) deixariam de ter de cumprir a sua obrigação.

Um jornalista que, tendo acesso a uma informação de tal relevância política e económica, que envolve o futuro e a vida de dez milhões de cidadãos, não garantisse o acesso desses mesmos cidadãos a essa informação seria um mau jornalista. Se alguém violou as suas obrigações foram os dois ministros que, na presença de jornalistas e num lugar público, tiveram uma conversa de interesse público achando que aquelas pessoas que ali estavam com câmaras eram meros turistas. Quem quer reserva nas suas conversas, quando essas conversas são sobre assuntos de Estado, escolhe a ocasião e o lugar para as ter. Não conta com a falta de brio profissional dos outros.

Ao contrário do que disse o furioso ministro das finanças alemão, não houve qualquer recolha secreta. A câmara, bem grande, estava à frente dos dois ministros. Não se trata de uma escuta telefónica, de uma violação de correspondência, de uma câmara oculta. Se os ministros são displicentes, perante jornalistas, talvez seja porque se habituaram, citando o nosso Presidente da República, ao "jornalismo suave" que se pratica nos corredores de Bruxelas. A burocracia não afecta apenas funcionários e políticos. Há, nas instituições da União Europeia, demasiados profissionais de informação complacentes com a opacidade de quase todas as decisões.

A suspensão do jornalista da TVI, quando estamos a falar de uma instituição que nos pertence a todos, é um ataque à liberdade de imprensa e um ato de censura. A instituições políticas não têm nem o direito nem a autoridade para suspender jornalistas. Se ainda existisse alguma solidariedade entre jornalistas nenhuma imagem seria recolhida destas reuniões até que o respeito pela liberdade de imprensa fosse reposto (ainda por cima sabendo-se que, apesar deste não ser o primeiro episódio do género, esta é a primeira suspensão de um jornalista). Os políticos não escolhem os jornalistas que podem ter acesso às sedes das instituições públicas. Se o fizerem, passaremos a ter meros propagandistas e noticiar atos políticos. No caso, os mesmos políticos que já tiveram, nas mesmas circunstâncias, conversas em frente a jornalistas para que elas fossem divulgadas. Irritam-se quando a divulgação das suas inconfidências não lhes é útil, apenas isso.

A representante portuguesa na Representações Permanentes (REPER) considerou a decisão "infantil". Porquê? "A TVI devia ser banida para sempre do tour de table", disse Maria Rui Fonseca. Pois eu acho que uma funcionária que, representando Portugal, julga que pode banir órgãos de comunicação social, para sempre, de espaços públicos que são pagos, como ela própria, pelos contribuintes, é que devia ser banida das suas funções. Talvez esteja em Bruxelas há demasiado tempo e julgue que aquele espaço é a sua casa. Não é. É nossa. E ninguém lhe deu qualquer poder para decidir quem são os órgãos de informação que podem e que não podem trabalhar juntos das instituições públicas europeias.

A representante portuguesa defendeu ainda que "a recolha de imagens pelas televisões devia acabar e passar a ser feita pelos serviços do Conselho, que posteriormente as distribuíam". Acho bem. Desde que a sua transmissão seja feita no espaço dedicado à publicidade e que o Conselho pague a sua divulgação. Já a recolha de imagens para noticiários é feita por jornalistas, com carteira profissional e sujeitos a um código deontológico. E eles recolhem as boas e as más imagens, e não apenas aquelas que os políticos querem que os seus eleitores vejam.

Um representante alemão disse que se os jornalistas não passarem a respeitar as regras impostas pelos ministros duvida "que o ministro Schäuble entre na sala enquanto decorrer o tour de table". Parece-me excelente. Se o senhor Schäuble é incapaz de ficar calado deve mesmo precaver-se. A função de um jornalista é que não passa a ser diferente por causa dos amuos de um incontinente verbal.

Campos e Cunha: Portugal podia ter evitado crise tão grave, mas não houve...




..."líderes políticos que o quisessem"

i online – Lusa

Portugal podia estar a lidar melhor com a crise financeira se há uma década o Estado tivesse começado a reduzir os défices orçamentais, mas não houve "líderes políticos que o quisessem", disse hoje o ex-ministro das Finanças Luís Campos e Cunha.

"O país mais exemplar nesse aspeto é a Irlanda. A Irlanda tinha um problema parecido com o nosso, e seguiu sempre uma política de excedentes orçamentais. Quando se deparou com o problema bancário, pôde rapidamente resolvê-lo, e neste momento está muito à frente de nós, exatamente porque teve uma política de consolidação orçamental", disse Campos e Cunha à imprensa, à margem da conferência "O Papel da UE entre os EUA e os BRICS", organizado pela Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa.

Campos e Cunha nota que "a dívida pública irlandesa, antes da crise [de 2008], era 25 por cento [do PIB], a de Portugal era 70 por cento", enquanto que, há vinte anos, "a dívida irlandesa era "70 por cento, e a nossa era 40 por cento".

Questionado pela Lusa sobre se teria sido politicamente possível em Portugal ter excedentes orçamentais no período antes da crise global, Campos e Cunha (que foi ministro das Finanças de José Sócrates durante seis meses em 2005) respondeu afirmativamente.

"Teria sido necessário e, se fosse bem explicado, teria sido politicamente possível, assim houvesse líderes políticos que o quisessem", disse Campos e Cunha.

LEITORES E ELEITORES




A importante revista inglesa The Economist anunciou em suas manchetes, há algum tempo, que a leitura no Brasil é uma vergonha. Para a revista, a situação das bibliotecas públicas e o baixo índice de leitura dos brasileiros constituem “motivo para vergonha nacional”, juntamente com o crime e com as taxas de juros.

“Muitos brasileiros não sabem ler. Em 2000, um quarto da população com 15 anos ou mais eram analfabetos funcionais. (…) Apenas um adulto alfabetizado em cada três lê livros. O brasileiro médio lê 1,8 livros não-acadêmicos por ano – menos da metade do que se lê nos EUA ou na Europa. Em uma pesquisa recente sobre hábitos de leitura, os brasileiros ficaram em 27º em um ranking de 30 países, gastando 5,2 horas por semana com um livro. Os argentinos, vizinhos, ficaram em 18º.”

Não por acaso, as sociedades menos desenvolvidas e mais dominadas são justamente as que menos lêem. São aquelas que admitem o analfabetismo com naturalidade. Aliás, um dos indicadores de desenvolvimento usados na atualidade é o número de televisores difundidos pelo país. Não é o número de livros publicados ou lidos pelo cidadão.

Não devia nos estranhar que o deputado mais votado do Brasil nas últimas eleições seja alguém vindo da televisão, onde alcançou popularidade. E o pior, corre risco de não ter homologada a sua eleição, por supostamente ser analfabeto.

A Inquisição não queimava apenas as ”bruxas” e os hereges. Incinerava montanhas de livros em praça pública para que não fossem lidos. No regime militar, agentes do governo invadiam casas, apreendiam e destruíam livros cujos títulos e autores achassem inadequados. Jornais foram duramente censurados. Em vez de criarem escolas para alfabetização e estímulo à leitura, optaram por uma rede de televisão concebida como monopólio para impor ao povo idéias, padrões de consumo e dependência.

Saramago, em “A Historia do Cerco de Lisboa”, apresenta uma metáfora importante do poder do leitor e, por que não, do eleitor. Cansado de apenas revisar obras de uma editora, Raimundo Silva resolve um dia inserir no texto uma única palavra sua. Num tratado de história, num trecho onde dizia que “os cruzados ajudaram os portugueses a conquistar Lisboa”, introduziu um “não” antes do verbo. A pequena intervenção do revisor passou despercebida e o livro foi publicado. Descoberta a alteração, assume uma nova chefe dos revisores. Essa desafia Raimundo a escrever uma outra história, para provar que aquele “não” inserido tinha razão de existir. E o revisor é “castigado” a se tornar escritor de outra história. Seu ato de rebeldia traz muitas outras conseqüências à sua vida, inclusive no amor.

Lemos e elegemos mal. Por sermos maus leitores, somos também maus eleitores. Poucos se dão conta do poder que temos para intervir na história contada.

*Pablo Morenno é servidor público federal e escritor. Publicou os seguintes livros: Por que os homens não voam?, crônicas. Porto Alegre: WS Editor, 2003. Um menino esquisito, infantil, com CD. Porto Alegre: WS Editor, 2006. Flor de Guernica, crônicas. Porto Alegre: WS Editor, 2009. O Menino-peixe & outras histórias verídicas, crônicas. Porto Alegre: WS Editor, 2011. Com o livro “Flor de Guernica” recebeu o prêmio de Livro do Ano da Associação Gaúcha de Escritores e foi finalista do Prêmio Açorianos em 2010, categoria crônicas.

Leia mais em Debates Culturais

Samakuva: "UNITA já ultrapassou trauma da morte de Savimbi




Eduardo Ferro, Washington – VOA, com foto

Samakuva considera que a UNITA cumpriu com todas as suas tarefas no processo de paz

Comentando o décimo aniversário da morte do líder histórico da UNITA o actual presidente do maior partido da oposição angolana, Isaías Samakuva, afirmou que a UNITA ultrapassou já o "trauma" da morte de Jonas Savimbi, fundador e primeiro líder daquela organização.

"Podemos dizer, sem receio de errar, que dez anos depois, a UNITA conseguiu ultrapassar o trauma resultante do desaparecimento físico do seu líder e conseguiu manter-se viva em torno dos seus ideais", disse Isaías Samakuva, que sucedeu a Jonas Savimbi no congresso de 2003.

A morte do fundador permitiu ao partido abraçar um "processo de democratização interna", disse ainda Isaías Samakuva, que sublinhou o facto de o partido ter sido pioneiro em Angola na organização de processos eleitorais internos, com a realização de três congressos.

Quanto ao processo de reconciliação nacional, Samakuva considera que a UNITA "cumpriu" com todas as suas tarefas do processo de paz, "apesar da perseguição e da intimidação de que são alvos os seus membros".

Por seu lado Abílio Camalata Numa, um dos últimos oficiais do braço armado da UNITA que acompanhou Savimibi até ao fim, afirmou que a sua morte foi desnecessária, porque estava prestes a conclusão de um acordo.

Para Numa, se o desfecho não tivesse sido este, Angola teria alcançado na mesma a paz, porque, segundo afirma, "psicologicamente o país não tinha mais força para poder continuar com guerras durante muito mais tempo".

De acordo com o general da Unita , Jonas Savimbi perspectivava, após a assinatura de um acordo de paz, a união do partido para "prosseguir a luta política".

Apesar da perspectiva de um acordo Camalata Numa realçou contudo que nunca acreditou em negociações entre o Governo e a UNITA, já que, afirmou, "a história tinha ensinado" que os seus adversários não eram "muito sérios em termos de negociação" e "nunca honraram nenhum acordo".

PORQUE HOJE É DIA 22




Orlando Castro*, jornalista – Alto Hama*

Mau grado a vontade, os avisos e as pressões dos quadrúpedes ruminantes, com ou sem gibas sobre o dorso, que em Angola e Portugal nasceram a saber tudo e são donos divinos da verdade, volto a publicar – como, aliás, faço todos os anos desde 2002 – o texto que escrevi na altura em que se confirmou que Jonas Savimbi tinha sido morto em combate.

O Povo Angolano, Angola, África e todos os que pugnam pelos ideais de liberdade e democracia no Mundo, estão de luto. Luto por diversas razões.
O Dr. Jonas Malheiro Savimbi, Presidente da UNITA, tombou heroicamente em combate! Tombou heroicamente em combate o meu Presidente.
Tão heroicamente que as Forças Armadas de Angola (ou pelo menos parte delas) tiveram necessidade de O humilhar... mesmo depois de morto. Trataram o meu Presidente como um cão raivoso, como um troféu de caça. Até na morte Jonas Savimbi atemorizou os militares de José Eduardo dos Santos.
Os adversários, ou até mesmo os inimigos, merecem respeito. E isso não aconteceu. As FAA não humilharam Jonas Savimbi, humilharam uma grande parte do Povo Angolano.
A África perdeu um dos seus mais insignes filhos, cuja vida e obra O situam na senda dos arautos da História Africana como N'Krumahn, Nasser, Amílcar Cabral, Senghor, Boigny e Hassan II.
O Dr. Jonas Malheiro Savimbi, Presidente da UNITA, o meu Presidente, tombou em combate ao lado das suas tropas e do Povo mártir, apanágio só concedido aos Grandes da História.
Deixou-nos como maior e derradeiro legado a sua coragem e o consentimento do sacrifício máximo que pode conceder um combatente da liberdade, a sua Vida.
Fiel aos princípios sagrados que nortearam a criação da UNITA, o Dr. Savimbi, rejeitando sempre e categoricamente os vários cenários de exílios dourados, foi o único dos líderes angolanos que sempre viveu e lutou na sua Pátria querida.
A ela tudo deu e nada tirou, ao contrário de outros com contas, palácios e mansões no estrangeiro.
Fisicamente o meu Presidente morreu. Fisicamente o meu Presidente foi humilhado. Mas uma coisa é certa. Não há exército que derrote, mate ou humilhe uma cultura, um povo, uma forma eterna de ser e de estar.
Jonas Savimbi, o meu Presidente, continuará a ter quem defenda essa cultura, esse povo, essa forma eterna de ser e de estar.
"Há coisas que não se definem - sentem-se». Foi isto que em 1975 me disse, no Huambo, Jonas Malheiro Savimbi. É isto que José Eduardo dos Santos nunca compreendeu. A UNITA não se define - sente-se. Jonas Malheiro Savimbi não se define - sente-se. Angola não se define - sente-se.
E porque se sente, e não há maneira de matar o que se sente, é que Jonas Malheiro Savimbi, o meu Presidente, continuará vivo. Vivo no esforço pela paz em Angola, vivo pela dignificação dos angolanos, vivo pela liberdade, vivo pela coerência... vivo porque os heróis não morrem nem são humilhados.
Obrigado Presidente.

* Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.


INAUGURAÇÃO DO ESTADO POLICIAL EUA 2012




Obama assina o “Decreto de Autorização da Defesa Nacional”


Dizer que 1 de Janeiro de 2012 é “um dia triste para os EUA” é um eufemismo. A assinatura do Decreto HR 1540 e a sua passagem a letra de lei equivale a militarizar a aplicação da lei, a revogação do Decreto Posse Comitatus e a inauguração, em 2012, do Estado Policial EUA.

Com um debate mínimo nos media, num momento em que os norte-americanos comemoravam o Ano Novo com os seus mais próximos, o “Decreto de Autorização de Defesa Nacional” HR 1540 (DADN) foi assinado pelo presidente Barack Obama e passou a letra da lei. A assinatura real teve lugar no Havai, a 31 de Dezembro .

De acordo com a Declaração Oficial de Assinatura de Obama, a ameaça da Al Qaeda à segurança da pátria constitui uma justificação para revogar direitos e liberdades fundamentais, com uma simples assinatura.

A polémica Declaração Oficial de Assinatura é uma tentativa de encobrir os factos. Obama afirma discordar do Decreto, mas promulga-o.

“[Tenho] sérias reservas relativamente a certas disposições que regulamentam a detenção, interrogatório e julgamento de suspeitos de terrorismo.”

Obama implementa o “Estado Policial EUA”, embora reconheça que algumas disposições do decreto são inaceitáveis. Se fosse realmente o caso, poderia vetar o Decreto HR 1540, ou devolvê-lo ao Congresso com as suas objecções.

O Decreto HR 1540 é o “presente” de Ano Novo de Obama para o povo norte-americano.

Ele justifica a assinatura do Decreto como um meio de combate ao terrorismo, como parte de uma agenda de combate ao terrorismo. Mas, em termos práticos, qualquer norte-americano que se oponha às políticas do Governo dos EUA pode, de acordo com as disposições do Decreto, ser rotulado de “presumível terrorista” e ficar sob detenção militar.

“Além disso, quero esclarecer que meu governo não irá autorizar a detenção militar indefinida sem julgamento de cidadãos norte-americanos. De facto, creio que isso deitaria por terra as nossas mais importantes tradições e valores enquanto nação. A minha Administração irá interpretar a secção 1021 de um modo que garanta que qualquer detenção que autorize cumpre a Constituição, a lei marcial, e todas as outras leis aplicáveis.”

Barack Obama é um advogado (licenciado pela Harvard Law School). Sabe bem que a sua declaração de assinatura (que invoca o seu compromisso com a democracia) é puramente cosmética. Não tem força de lei.

A declaração de assinatura de modo algum invalida ou modifica a assinatura de facto pelo Presidente Obama do Decreto HR 1540 e a sua passagem a letra de lei.

“Ditadura democrática” nos EUA

O Decreto HR 1540 revoga a Constituição dos EUA. Enquanto a fachada da democracia prevalece, apoiada pela propaganda dos media, a república norte-americana é atacada. A tendência é para o estabelecimento de um estado totalitário, um governo militar com roupagem civil.

A passagem do Decreto HR 1540 está intimamente relacionada com a agenda militar global de Washington. A busca da hegemonia militar mundial exige também a “militarização da Pátria”, ou seja, o fim da República norte-americana.

Na prática, a declaração de assinatura destina-se a enganar os norte-americanos e atribuir uma “faceta democrática” ao Presidente, bem como ao aparelho de estado militar policial do pós-11 de Setembro.

As “mais importantes tradições e valores” foram na verdade revogados a partir do dia de Ano Novo, 1 de Janeiro de 2012.

O Decreto autoriza a detenção militar arbitrária e indefinida de cidadãos norte-americanos.

As Lições da História

A assinatura do Decreto HR 1540 no passado dia 31 de Dezembro de 2011 vai permanecer como um marco indelével na história norte-americana.

Se o quisermos colocar num contexto histórico comparativo, as disposições relevantes do Decreto HR 1540 são, em muitos aspectos, comparáveis aos que constam do “Decreto do Presidente do Reich para a Protecção de Pessoas e do Estado”, vulgarmente conhecido como o “Decreto do Incêndio do Reichstag” (Reichstagsbrandverordnung), promulgado na Alemanha sob a República de Weimar, a 27 de Fevereiro de 1933, pelo presidente (Marechal de Campo) Paul von Hindenburg.

Implementado na sequência imediata do incêndio do Reichstag (que serviu de pretexto), este decreto de Fevereiro de 1933 foi usado para revogar liberdades civis, incluindo o direito de Habeas Corpus.

O Artigo 1º do “Decreto do Presidente do Reich para a Protecção de Pessoas e do Estado” de Fevereiro de 1933 suspendeu liberdades civis sob o pretexto de “proteger” a democracia: “Assim, as restrições à liberdade pessoal, ao direito à livre expressão de opinião, incluindo a liberdade de imprensa, ao direito de associação e reunião, as violações de privacidade das comunicações postais, telegráficas e telefónicas, os mandados de revista domiciliária, as ordens de confisco, bem como as restrições aos direitos de propriedade, são permitidos para além dos limites legais prescritos.” (Art. 1, destaque nosso)

A democracia constitucional foi anulada na Alemanha através da assinatura de um decreto presidencial.

O decreto do Incêndio do Reichstag foi seguido, em Março de 1933, pela “Lei de Concessão de Plenos Poderes” (Ermächtigungsgesetz) que permitiu (ou concedeu) ao governo nazi do Chanceler Adolf Hitler invocar poderes de facto ditatoriais. Estes dois decretos permitiram ao regime nazi introduzir legislação que estava em contradição manifesta com Constituição de Weimar de 1919.

No ano seguinte, após a morte do presidente Hindenburg em 1934, Hitler “declarou o cargo de Presidente vago” e assumiu os destinos do país como Fuhrer, juntando as funções de chanceler e chefe de Estado.

O presente de Ano Novo de Obama para o povo norte-americano

Dizer que 1 de Janeiro de 2012 é “um dia triste para os EUA” é um eufemismo. A assinatura do Decreto HR 1540 e a sua passagem a letra de lei equivale a militarizar a aplicação da lei, a revogação do Decreto Posse Comitatus e a inauguração, em 2012, do Estado Policial EUA.

Como na Alemanha de Weimar, direitos e liberdades fundamentais são revogados sob o pretexto de que a democracia está ameaçada e deve ser protegida.

O DADN é o “Presente de Ano Novo de Obama” ao povo norte-americano.

Montreal, Canadá, 1 de Janeiro de 2012

Publicado em Global Research, 1 de Janeiro de 2012

Tradução: André Rodrigues P. Silva

Moscovo: Grupo punk feminino invade e atua na Catedral de Cristo Redentor




José Milhazes – Da Rússia - Foto do jornal Novaya Gazeta

Cinco jovens conseguiram hoje entrar, disfarçadas de crentes, na Catedral de Cristo Redentor, montar aparelhagem junto do altar e interpretar canções contra Vladimir Putin e a direção da Igreja Ortodoxa Russa.

A correspondente do jornal Novaya Gazeta, que assistiu a esta manifestação, descrê que, depois de descobrirem roupas coloridas e extravagantes, os membros do grupo Pussy Riot começaram a cantar a canção “Mãe de Deus, expulsa Putin”, ao mesmo tempo que dançavam desenfreadamente junto das “Portas do Paraíso”, parte central do altar nos templos ortodoxos.

Elas entoaram também: “Batinas negras, galões de ouro [alegação à estreita colaboração entre a Igreja Ortodoxa Russa e os serviços secretos soviéticos KGB]. O fantasma da liberdade está no Céu. A parada Gay foi enviada, acorrentada, para a Sibéria…”.

As cantoras não pouparam críticas ao ensino da religião ortodoxa nas escolas, aos automóveis de luxo dos prelados e à fé que o Patriarca Kirill I tem em que Putin vencerá as presidenciais à primeira volta.

Na semana passada, num encontro do candidato Vladimir Putin com os líderes religiosos da Rússia, Kirill I fez grandes elogios dele, apresentando-o como o único garante da estabilidade no país.

“Que vergonha, meu Deus!”, soava no refrão.

Os guardas do templo começaram a arrastar as jovens do altar, mas as jovens continuavam a gritar “Mãe de Deus, torna-te femininista!”.

“Estão possessas!”, comentou um dos guardas, enquanto arrastava a solista, ajudado por paroquianas ortodoxas que diziam: “Não têm medo da ira divina!”.

As jovens do Pussy Riot tiveram de abandonar o templo debaixo de maldições e pragas, mas conseguiram escapar das mãos dos guardas e não serem detidas pela polícia.

A Catedral de Cristo Redentor é um dos templos ortodoxos mais bem guardados de Moscovo, pois é nele que o Patriarca Kirill I celebra as festas mais importantes da Ortodoxia.

P.S. Acho que a juventude deve ser inconformista, mas tratou-se claramente de um exagero. A liberdade de uns não pode prejudicar os direitos dos outros.

* José Milhazes, jornalista, correspondente em Moscovo de vários órgão de comunicação social portugueses, entre os quais a RDP, TSF, jornal Público, SIC, e também de outras nacionalidades, como poderá ver em pormenor.

ANONYMOUS E A GUERRA DE INFORMAÇÃO DIGITAL




Eduardo Febbro, Paris – Carta Maior

Um católico que, no dia 5 de novembro de 1605, quase conseguiu fazer voar pelos ares o Parlamento inglês com 30 quilos de pólvora, com o rei James I dentro, é o rosto oficial de uma nova revolta ocidental. Sem se encaixar em um rótulo tradicional, Anonymous realiza a sua maneira o desejo não confesso de muitos cidadãos do planeta: colocar uma pedra na engrenagem da perfeição ultraliberal, abrir a cortina de sociedades ultrapoliciais que só protegem os interesses do poder. O artigo é de Eduardo Febbro.

Paris - Guy Fawkes nunca pensou que sobreviveria a tantos séculos, e menos ainda que, mais de quatrocentos anos depois de suas andanças, a máscara que o representa se converteria em pleno século XXI no emblema daqueles que – desde os indignados até os guerreiros digitais do Anonymous, passando por toda a galáxia dos grupos antiglobalização – se opõem ferreamente à ordem de um mundo ultraliberal, depredador e indolente.

Este católico que, no dia 5 de novembro de 1605, quase conseguiu fazer voar pelos ares o Parlamento inglês com 30 quilos de pólvora, com o rei James I dentro, é o rosto oficial da revolta ocidental e, mais precisamente, o distintivo com o qual o grupo de hackers reunido sob a denominação de “Anonymous” se apresenta ao mundo. Suas ações já são parte da resistência permanente contra toda forma de violação de liberdade segundo os critérios com os quais Anonymous a entende.

Presente há vários anos na cena do hacking contestatório, Anonymous ganhou fama quando, em 2010, em plena ofensiva oficial contra o fundador do Wikileaks, Julian Assange, o grupo atacou as empresas multinacionais que tinham se somado ao boicote instrumentalizado pelo governo dos EUA contra todas as fontes de financiamento do Wikileaks: os portais de Amazon, PayPal, Visa, MasterCard e Postfinance, a filial dos serviços financeiros dos correios suíços, foram bloqueados pela operação Payback montada por Anonymous contra essas empresas que, sem ter nenhuma ordem judicial, trataram de impedir que o dinheiro chegasse a Wikileaks.

Era a primeira vez na história que se realizava uma ofensiva dessa magnitude não mais em nome do ciberanarquismo, mas sim em defesa de certa forma de liberdade.

Quem são e de onde vem esses valentes que ousaram penetrar as portas mais protegidas para ferir o coração do sistema? Frédéric Bardeau e Nicoals Danet, os autores de um destacado ensaio sobre Anonymous (“Anonymous: piratas informáticos ou altermundistas digitais?’), descrevem a influência desta galáxia sem hierarquia nem manual de instruções como “um movimento que modifica a relação de formas no interior da sociedade”.

De ação em ação, Anonymous instalou-se na paisagem política mundial e excedeu em muito a herança de seus pais culturais, a saber, toda a cultura contestatória norteamericana dos anos 70 perfeitamente representada por Stephen Wozniak, co-fundador da Apple, e Richard Stallman, o iniciador do projeto GNU.

Anonymous se plasmou em quatro operações muito ousadas. A primeira: os ataques contra a igreja da Cientologia, em 2008. A segunda: a ciberofensiva contra o escritório de advocacia Baylout, defensores dos direitos autorais da indústria do disco e do cinema nos Estados Unidos, e contra o portal da Motion Picture Association of America (MPAA), associação que o Anonymous persegue por suas “políticas excessivas” na proteção dos direitos autorais. Terceira: a intervenção a favor de Assange no que ficou conhecido como o primeiro episódio de uma autêntica guerra da rede. Coldblood, um dos porta-vozes do Anonymous, explicou então que a operação em defesa de Assange estava se convertendo em uma guerra, mas não uma guerra convencional. “É uma guerra de informação digital. Queremos que a internet siga sendo livre e aberta para todo mundo, como sempre foi”. O quarto episódio remonta ao dia 19 de janeiro, logo após o fechamento do site Megaupload e a prisão de seu criador, o multimilionário Kim Schmitz. Lançados dos quatro pontos cardeais do planeta, os ataques orquestrados por Anonymous bloquearam os portais do Ministério da Justiça dos EUA, da Casa Branca, da Warner, da Universal, do FBI, do organismo que supervisiona a internet na França, Hadopi, e a estrutura que administra os direitos de autor, a Sacem. Anonymous conseguiu inclusive penetrar no portal da presidência francesa e modificar as mensagens de boas vindas.

A quinta e última ação ocorreu há apenas alguns dias. Um grupo que se identificou como Anonymous divulgou a gravação de uma “reunião” telefônica entre o FBI e a polícia britânica, na qual se falava de ações contra os ciberativistas. Onde estão para conseguirem se meter nestas conversas tão íntimas? “Em todas as partes”, respondem Frédéric Bardeau e Nicolas Danet, os autores do ensaio sobre Anonymous. Estes dois especialistas observam que os Anonymous não são piratas propriamente, pois não roubam nada. Tampouco são “terroristas”, mas “um fenômeno muito mais vago cujo único fio condutor é a defesa da liberdade de expressão”. Bardeau e Nadet contam que, em certo momento, “a CIA tentou realizar um perfil dos simpatizantes de Anonymous: era tão indefinido que terminava apontando para a metade do planeta”.

Seu lema tornou-se realidade: “somos legião”. Neste sentido, Frédéric Bardeau destaca que os Anonymous não se enquadram em nenhum rótulo. “Não são nem anarquistas, nem sindicalistas revolucionários, nem marxistas. É um movimento pós-moderno, anônimo, planetário, descentralizado. Entre os Anonymous do Brasil, muito fortes e mobilizados contra a corrupção, e os da Áustria e Alemanha, todos antifascistas, não há unidade, mas sim denominadores comuns como a liberdade e a neutralidade da rede”. Diferentemente dos indignados ou de outros movimentos antiglobalização, Anonymous atua a partir do anonimato: não há partido político, nem fórum, nem cúpula, nem manifestação. Sua identidade física é a máscara de um militante católico britânico do século XVI e seus territórios são estes: irc.anonops.li, twitter@AnonOps, @AnonymousIRC, Facebook Anonymous, AnonOps.blogspot.com.

A origem do nome provém dos fóruns anárquicos 4chan. Neste portal norteamericano é fácil inscrever-se e cada participante recebe o pseudônimo de “Anonymous”. Estão em muitos lugares ao mesmo tempo, alguns são hackers aficionados, outros não, universitários, empregados, militantes de uma ou de muitas causas. Anonymous realiza a sua maneira o desejo não confesso de muitos cidadãos do planeta: colocar uma pedra na engrenagem da perfeição ultraliberal, abrir a cortina de sociedades ultrapoliciais que só protegem os interesses do poder. Nicolas Danet comenta que “Anonymous é um pouco como o voo dos pássaros migrantes. Formam uma massa que conhece o objetivo, mas um pássaro pode deixar o grupo a qualquer momento”. Os vídeos de Anonymous já são famosos, tanto pelo conteúdo como pela voz metálica que anuncia: “Somos legião. Não perdoaremos, não esqueceremos. Tenham medo de nós”.

Tradução: Katarina Peixoto

Grécia: PAÍS HIPOTECADO TRANSFORMADO EM PROTETORADO



Carta Maior - Esquerda.net*

Os ministros das Finanças da Zona Euro anunciaram ”um acordo” para concretizar o segundo resgate à Grécia. A aplicação do processo será feita através de um governo de agentes da troika em permanência em Atenas. Os dois partidos que sustentam no Parlamento o governo criado em Bruxelas – os socialistas do PASOK e os direitistas da Nova Democracia – foram obrigados a assinar o acordo e a comprometer-se com a sua aplicação a seguir às eleições gerais previstas para abril.

Os ministros das Finanças da Zona Euro anunciaram aquilo que dizem ser ”um acordo” para concretizar o segundo resgate à Grécia supostamente para reduzir a dívida soberana deste país de mais de 160 por cento do PIB para 120 por cento até 2020 e permitir, para já, que Atenas pague 14 bilhões de euros até ao próximo 12 de março para não ser considerada em moratória.

O “acordo”, que inclui um perdão calculado em 53 por cento da dívida privada, contém ainda uma série de zonas indefinidas, designadamente a participação do FMI, que segundo a diretora geral da organização será decidida apenas na segunda semana de março. Toda a aplicação do processo será feita através de um governo real de agentes da troika em permanência na capital. Só não se trata de uma tutela porque, segundo o ministro francês das Finanças, “essa palavra não existe no nosso vocabulário”.

De acordo com os cálculos divulgados no âmbito da reunião dos ministros das Finanças da Zona Euro realizada terça-feira em Bruxelas, o chamado plano “de salvamento” está avaliado em 237 bilhões de Euros: 130 bilhões do segundo resgate (a somar aos 110 bilhões do primeiro) e 107 bilhões decorrentes do “perdão voluntário” da dívida privada. A comissão grega de credores privados queixa-se, no entanto, de que esse “perdão” não é de 53 por cento mas sim de 70 por cento.

No plano social, este processo inclui as novas medidas de austeridade recentemente anunciadas e que irão incidir principalmente sobre cortes radicais no salário mínimo e em pensões sociais. Jean-Claude Juncker, presidente da Zona Euro, afirmou que o acordo é “de grande amplitude” e deverá permitir “um novo começo” a continuação na Grécia no Euro, fato que “analistas” citados imediatamente pela imprensa internacional consideram pouco provável.

Os dois partidos que sustentam no Parlamento o governo criado em Bruxelas – os socialistas do PASOK e os direitistas da Nova Democracia – foram obrigados a assinar o acordo e a comprometer-se com a sua aplicação a seguir às eleições gerais previstas para abril.

O comissário europeu das Finanças, Olli Rehn, explicou que o novo regime político grego será aplicado “sob estrita vigilância” estrangeira através de “uma presença permanente da missão da Comissão Europeia” em Atenas. Esta atuará como governo e tratará também de “modernizar” o aparelho de Estado, isto é, aplicará as demissões previstas e outras que venham a ser decididos em Bruxelas e decidirá igualmente a globalidade da verba que venha a ser necessária.

Os ministros das Finanças informaram que “o setor público (governado pela troika) decidirá o montante preciso da assistência financeira até ao início de março”, assunto e datas que significam importantes incertezas pendentes e a continuação das discussões. O tema entrará na agenda da cimeira do Eurogrupo no início de março, embora seja abordado primeiramente ao nível dos ministros das Finanças.

A participação do setor privado no processo será feita também retirando qualquer tipo de poder às autoridades gregas. As obrigações da dívida grega passam a ser de direito inglês, pelo que um conflito entre o Estado grego e os credores privados será, a partir de agora, decidido em Luxemburgo, podendo os segundos apropriar-se de bens públicos gregos em caso problemas de amortizações. A Grécia tornou-se um país hipotecado.

Perante a evidência de que a Grécia se transformou num protetorado efectivamente alemão dentro da União Europeia, o ministro francês das Finanças, François Baroin, rejeitou que se trate de “uma tutela”. “Essa é uma palavra que não faz parte do nosso vocabulário”, disse. “Um controle, um monitoramento, um acompanhamento, conselhos, uma fiscalização, a continuação da peritagem da troika sim, mas tutela de modo nenhum”, explicou.

O problema da origem do dinheiro não está resolvido, analisando as declarações proferidas depois da reunião, uma vez que os países que o impuseram, designadamente a Alemanha e o Luxemburgo, não querem participar e a contribuição do FMI é considerada “insuficiente”. Um eventual aumento desta será decidido apenas na segunda semana de março, anunciou a directora-geral Christine Lagarde, isto é, a escassos dias de Atenas ser obrigada a pagar 14 bilhões de Euros para não ser considerada inadimplente.

Jornais europeus afirmam que não é a primeira vez que a Grécia vive sob tutela estrangeira desde que o Estado moderno foi fundado, em 1830. Esteve na sombra de grandes potências como a França, a Inglaterra e a Rússia durante grande parte do século XIX, e depois sob administração efetiva da Inglaterra e dos Estados Unidos, com representantes executivos presentes nos ministérios.

Os mesmos jornais não recordam que já bem dentro do século XX a Grécia viveu sob administração e ocupação alemã, então durante o regime do Segundo Reich, situação de que a atual se aproxima mais devido aos interesses dominantes alemães sobre a estrutura montada supostamente para combater a dívida soberana e que, segundo os antecedentes já testados, só tem contribuído para a agravar: de 112 para cerca de 170 por cento do PIB de 2010 até agora.

(*) Artigo publicado no site do grupo parlamentar europeu do Bloco de Esquerda.

SOE BOMBA IHA STAE, LU OLO: PNTL TENKI INVESTIGA



Suara Timor Lorosae

DÍLI - Kandidatu Presidente Republika atual Presidente Partidu FRETILIN, Francisco Guterres “ Lu-Olo” husu ba Polisia Nasional Timor Leste (PNTL) atu halo investigasaun ba kazu ema deskonhesidu nebe soe bomba ba iha edifisiu STAE no CNE.

“ Presija Polisia sira hatene para ba kaer ema sira ne’e para lori ba justisa,” dehan Lu-Olo ba STL iha Licedere depois remata prosesaun Jornada Refleksaun ba Orasaun loron 111, hametin unidade, paz no estabilidade, Tersa (21/2).

Presidente Partidu FRETILIN ne’e hateten katak soe bomba ne’e hamosu instabilidade no mos hamosu krime, tamba ne’e Polisia Nasional Timor Leste (PNTL) tenki buka halo investiga sei maka autores ba aktus ida ne’e.

Antes ne’e membru Parlamentu Nasional (PN), preokupa tebes ho situasaun ne’e, hanesan Deputada husi Bankada CNRT, Virginia Ana Belo katak dadaun ne’e, PNTL halo hela investigasaun ba kazu ne’e, hein deit nia rezultadu see maka halo krime ne’e. informasaun kompletu iha STL Jornal no STL web, edisaun Kinta (23/2). Jaime do Rosario


LUGU SAI KAPITAUN BA KANDIDATURA PR 13




DILI - Kandidatu Nasional Prezidente Republika (PR) ba periodu 2012-2017, Jose Luis Guterres (LUGU) sai kapitaun ba kandidatura Prezidenti Republika nain 13. Tamba liu husi sorteiu kandidatura PR iha Tribunal Rekursu, Tersa (21/2) liu ba, nia hetan nomeru 10 husi kandidatura sanulu resin tolu.

“Ida ne’e hatudu ona katak povu nasaun ne’e, asuwain Timor oan hotu hakarak hili Jose Luis Guterres. Tamba iha mundu tebebola ema nebe’e tau nomeru 10 laos naran ema. Maibe ema nebe’e hatama golu makaas. Iha ekipa tebebola, ema nebe’e tau nomeru 10 ne’e normalmente kapitaun ekipa,” dehan Abel da Costa Freitas Ximenes nudar Koordenador Jeral Ekipa Susesu Kandidatura PR Jose Luis Guterres ba STL iha Sede Nasional Ekipa Susesu Kandidatura LUGU, Vila Verde, Dili, Kuarta (22/2).

Iha sorteu ne’e, kandidatura PR nain 13 hetan nomeru hanesan, Dr. Manuel Tilman (1), Taur Matan Ruak (2), Francisco Guterres Lu-Olo (3), Francisco Xavier Do Amaral (4), Rogerio Tiago de Fatima Lobato (5), Maria Do Ceu Lopes da Silva (6), Angelita Maria Fransisca Pires (7), Jose Ramos Horta (8), Francisco Gomes (9), Jose Luis Guterres (10), Abilio da Conceicao Abrantes de Araujo (11), Lucas Ramametan da Costa (12) no Fernando La Sama de Araujo (13).

Hatan konaba modelu kampanha nebe ekipa susesu kandidatura PR LUGU, sei halo iha loron sanulu resin lima nia laran, Abel hatete sira iha programa kampanha ho modelu oi-oin no sira sei uza modelu hotu-hotu, maibe depende ba kondisaun no situasaun. Informasaun kompletu iha STL Jornal no STL Web, edisaun Kinta (23/2). Jasinta Sequeira


Jornalista Laiha Kredensial Bandu Kobertura Iha Eleisaun




Acasio Pinto – Radio Liberdade (tl) – fotu

Radio, online – Diretor Sekertariu Tekniku Administrasaun Eleitoral (STAE) Tomas Cabral fo sai katak, ba jornalista Nasional ho Internasional laiha karta kredensial husi STAE sei la autoriza kobertura prosesu tomak iha eleisaun prezidensial no parlamentar.

“Hau apela ba kolega jornalista sira husi Nasional no Internasional tenke hetan karta kredensial husi STAE mak bele halo kobertura iha prosesun elisaun rua ne’e,”dehan Tomas iha workshop ne’ebe organiza husi Sekertariu Estadu Konselhu Ministru durante loron tolu iha otel Exelesior Resort Tersa, (21/2).

Iha workshop ne’e Diretor STAE lori materia ho topiku “Kampanha no kobertura ba eleisaun prezidensial 2012".

Iha biban ne’e Editor husi jornal Independente Gaudensiao Figueredo la satisfas ho kodiku konduta ne’ebe CNE fo sai katak, jornalista atu fo sai informasaun ba publiku tenki hetan lisensa husi Prezidenti da meja iha sentru votasaun. Lei ne’e kontra tebes liberdade imprensa ninian.

“Hau hare lei ne’e hanesan hamate knar jornalista atu halao kobertura. Ida ne’e hanesan halo sensura ba notisias jornalista nian antes fo sai ba publiku. Lei ne’e kontra tebes kode etika jornarnalista ninian,”Gaudensio lamenta.

Responde ba asuntu ne’e Diretor STAE dehan, laos asuntu hotu tenki husu lisensa husi prezidenti da meja, maibe importante mak iha kontazen ne’e tenki husu ba Prezidenti da meja konaba rezultadu kontazen de votus, atu nune’e labele halo kofuzaun konaba kandiatu nia votus.

Tomas fo ezemplu, iha sentru votasuan ida se’e jornalista la komfirma ho prezidenti da meja bele hamosu konfuzaun ba votus. Ida ne’e laos ba media hotu, importante liu mak media radio ho televizaun. Konaba media imprimi sei diak liu tamba notisias ne’e sei hatun iha loron aban.