sexta-feira, 2 de Setembro de 2011

SE SALVAR SAI CARO… ENTÃO MORRAM!




ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

O presidente e a coordenadora nacional da Autoridade dos Serviços do Sangue e da Transplantação de Portugal pediram hoje a demissão em protesto contra as intenções do ministro da Saúde de cortar as verbas daquele organismo.

“Recuso-me a permanecer aqui porque o meu lugar está esvaziado de funções. Não posso aceitar que haja doentes que se podem salvar mas que vão morrer porque o país está em dificuldades económicas”, disse à Lusa a coordenadora nacional das Unidades de Colheita de Órgãos, Tecidos e Células para Transplantação, Maria João Aguiar.

A demissão da coordenadora nacional surge na sequência das declarações “absolutamente desastrosas” do ministro da Saúde, Paulo Macedo, em entrevista à TVI nesta quinta-feira à noite.

Questionado sobre se os transplantes estariam em risco, o ministro Paulo Macedo admitiu que “pode não haver o mesmo número de transplantes”, explicando que é preciso perceber se o país “pode sustentar o actual número de transplantes”.

“O que pretendemos é manter um número de transplantes tão interessante e de qualidade como tem vindo a ser feito, mas claramente dando menos incentivos aos hospitais, porque também não é necessário. Estes incentivos visam um incremento e o que achamos é que não é necessário haver aqui um incremento”, acrescentou o ministro.

Perante as declarações do ministro, Maria João Aguiar e o director geral da Autoridade dos Serviços do Sangue e da Transplantação (ASST), João Rodrigues Pena, apresentaram hoje a sua carta de demissão ao ministério como “forma de protesto”, uma informação que o ministério já confirmou à Lusa.

“Enquanto médica e enquanto técnica para mim isto é absolutamente inaceitável”, disse Maria João Aguiar, acrescentando: “É muito difícil para os médicos aceitar que haja doentes que se podem salvar e vão morrer porque o país está em dificuldades económicas. Digam então às famílias dos doentes que temos de fazer cortes económicos para salvar o Serviço Nacional de Saúde e terão que morrer doentes.”

“Como é que um doente que está à espera de um transplante para sobreviver recebe estas notícias? A colheita não sobe nem desce por milagre, tem de ser apoiada”, sublinhou a responsável.

Em Agosto, o Governo decidiu cortar para metade os incentivos para a realização de transplantes, com efeitos retroactivos desde o início do ano.

A responsável refere que o anúncio de cortes aos incentivos previstos para a ASST tinham sido recebidos pelos responsáveis como “inevitáveis” face à actual situação do país: “Eu, com alguma ingenuidade, pensei que poderia tentar fazer o mesmo trabalho com metade [do orçamento] e que se iria tentar que os números da actividade não baixassem. Mas as declarações do senhor ministro [nesta quinta-feira] foram muito claras.”

Maria João Aguiar considera que as suas funções deixam de fazer sentido quando o ministério admite que o país está sem capacidade económica para manter o actual nível de colheitas e transplantes.

A responsável garante que as transplantações renais significam uma “poupança de milhões de euros” ao Estado: “A transplantação é a maneira mais económica para os doentes que vão continuar a gastar dinheiro ao Estado porque continuam em diálise se não são transplantados.”

Afirmou ainda à Lusa que decidiu enviar uma mensagem aos colegas que trabalham na área, apelando para que “continuem a ter em mente os doentes que estão em lista de espera, porque eles existem e sofrem todos os dias”.

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

Jovens "decididos" a manifestarem-se no sábado para exigirem "destituição" de PR angolano




SK - EL

Lisboa, 02 set (Lusa) -- Um grupo de jovens angolanos está "decidido" a manifestar-se este sábado em Luanda para "exigir a destituição de José Eduardo dos Santos, que até agora não legitimou o seu poder", afirmou hoje à Lusa um dos organizadores da manifestação.

Contactado telefonicamente a partir de Lisboa, Carbono Casimiro, um dos mais conhecidos 'rappers' angolanos, garantiu à Lusa que apesar de "algumas intimidações" os jovens estão "decididos" a levar a cabo a manifestação marcada para sábado na Praça da Independência.

Casimiro tem estado na linha da frente das manifestações que se realizaram este ano na Praça da Independência, em Luanda, todas com o mesmo pretexto: contra o Presidente José Eduardo dos Santos. A primeira tentativa, a 07 de março foi frustrada pela polícia, que deteve cerca de 20 pessoas, a segunda, a 02 de abril, foi bem sucedida, sem interferência das autoridades e permitiu juntar cerca de 300 pessoas.

Desta feita, o objetivo, frisou o ativista, é "exigir a destituição de José Eduardo dos Santos, que até agora não legitimou o seu poder" e "a democratização dos órgãos públicos".

"Temos um excelente feedback de pessoas que realmente se identificam com esta causa e que garantem que vão participar - sem medo - na manifestação", afiançou.

O rapper lembrou que foi dado conhecimento da intenção ao Governo Provincial de Luanda, bem como a "várias outras entidades internacionais" na capital angolana.

"O nosso objetivo é permanecer no largo até que o regime nos ouça -- isto se houver condições claro", sustentou.

Sobre se temem ações preventivas para impedir a manifestação ou o uso excessivo da força por parte das autoridades, o jovem foi perentório: "Temos uma polícia que age em nome de um partido, que não age para preservar a integridade e o bem-estar público. Mas continuamos firmes, sabemos o que queremos e não temos medo da força que eles possam vir a usar", frisou.

De acordo com Casimiro, no sábado alguns jovens vão vestir t-shirts com o lema "Liberdade ou Morte", o que demonstra "como estão decididos a enfrentar -- em nome da liberdade - esse aparato que todos sabemos que ali vai estar".

Segundo Carbono Casimiro, elementos do grupo de organizadores terão sido contactados por um administrador municipal que os tentou convencer a desmarcar a manifestação, mas os jovens garantem que não vão ceder.

*Foto em Lusa

Guiné-Bissau fez avanços importantes mas estabilidade ainda frágil, diz Luiza Viotti





A presidente do grupo nas Nações Unidas para a paz na Guiné-Bissau, Luiza Viotti, considerou que houve no país “avanços importantes em direção à estabilidade” mas também que “essa estabilidade ainda é frágil”.

“É muito importante que todos os atores se empenhem por manter essa estabilidade, a integridade das instituições democráticas, e haverá sempre o apoio entre os parceiros internacionais. É muito importante que se evitem declarações, ou manifestações, ou ações, que possam por em perigo as instituições democráticas e a estabilidade do país”, afirmou.

Luiza Viotti preside à Configuração Específica para a Guiné-Bissau na Comissão de Construção da Paz da ONU e terminou hoje uma visita de dois dias a Bissau, onde se reuniu com o primeiro-ministro e com ministros mas também com diplomatas acreditados no país e com representantes da sociedade civil.

No final da visita, em conferência de imprensa, a responsável disse que é preciso que a paz se consolide e que para isso é importante os esforços de todos, governo, partidos políticos e sociedade civil. No plano económico também se realizaram “avanços importantes”, realçou.

A visita, acrescentou, destinou-se também a debater a reforma do setor de defesa e segurança, e nesse sentido será organizada em Nova Iorque, ainda este ano, uma reunião de alto nível para mobilizar o apoio de parceiros internacionais, para o lançamento de um fundo de pensões, que permita que os militares possam passar à reforma “em condições adequadas”.

A responsável, disse, recebeu do governo o “total compromisso” em relação à estabilidade e à implementação dos projetos previstos no programa de consolidação da paz, bem como à reforma do setor de segurança e defesa.

Quanto às manifestações que os partidos da oposição têm organizado em Bissau, a exigir a demissão do primeiro-ministro, Luiza Viotti considerou que as mesmas são normais e da natureza de uma sociedade democrática, desde que “sejam canalizadas pelos canais democráticos institucionais”.

“Enquanto há manifestações pacíficas não há maiores problemas”, afirmou.

A visita de Luiza Viotti a Bissau acontece dois meses depois de o Fundo de Construção da Paz ter disponibilizado 16,8 milhões de dólares (11,7 milhões de euros), para o período 2011-2013, destinados à reforma do setor de defesa e segurança, reconciliação e diálogo nacional e revitalização da economia, através da criação de emprego para jovens, mulheres e militares desmobilizados.

São Tomé e Príncipe: Portugal quer reforçar cooperação com o País na área da saúde





O secretário de Estado português dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Luís Brites Pereira, defendeu ontem a necessidade de reforço da cooperação entre Portugal e São Tomé e Príncipe na área da saúde.

“É estruturante manter essa cooperação (no setor da saúde), porque a qualidade dos serviços e as respostas têm sido precisas para situações de carência e, por vezes, gravíssimas que precisam de respostas imediatas”, afirmou Luís Brites Pereira que visitou os serviços de pediatria do Hospital Ayres de Menezes, o mais importante de São Tomé.

O governante português realizou esta visita com Manuela Eanes, esposa do General Ramalho Eanes e membro da comissão de honra do projeto 'Um lugar Pró Joãozinho'.

No final da visita, o secretário de Estado considerou que o setor da saúde é “aquele que salta mais à vista e é mais urgente” e com o qual se tem que lidar.

As condições que verificou existirem no hospital da capital são-tomense permitiu-lhe concluir que a área da saúde é a “que precisa de respostas imediatas”.

O Secretário de Estado português dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, que se encontra em São Tomé e Príncipe para assistir, este sábado, à tomada de posse do presidente eleito do país, Manuel Pinto da Costa, abordou também a situação geral da
cooperação entre os dois países.

Segundo Luís Brites Pereira o governo português tem “uma visão dessa cooperação a médio e longo prazos, que passa por reforçar não só a capacitação de pessoal técnico, mas também por apostar no setor empresarial e económico”. E considerou serem estes dois setores “o motor dinamizador do crescimento”.

Ana Maria Príncipe, do hospital de São João do Porto, também participou na visita ao hospital da capital são-tomense.

O Hospital de São João do Porto, recorde-se, está a desenvolver um projeto de instalação de um serviço de hemodiálise em São Tomé. O projeto, segundo o diretor do hospital, tem várias fases. Neste momento quadros portugueses estão a dar formação em São Tomé a técnicos do hospital Aires de Menezes que irão futuramente lidar com o tratamento de doentes com problemas renais.

O diretor-geral do hospital Aires de Menezes, José Luís de Ceita, classificou a parceria com o São João do Porto como sendo “de cinco estrelas”.

“Esperamos que o governo português e o de São Tomé, conjuguem esforços para a implementar todos os passos para que possamos ter de facto um serviço de hemodiálise no nosso país”, concluiu José Luís de Ceita.

*Foto em Lusa

Brasil - Opinião: AQUI JAZ UMA REVISTA... NO ARDIL DA DIREITA





Petistas que não querem se identificar asseguram que José Dirceu pressionou o quanto pôde o comando do partido para que a crítica “à mídia” fosse um dos pontos centrais do documento do 4º Congresso, que começa hoje e se estende até domingo. O “Zé” ainda queria forçar a mão para que lhe fosse feita uma moção de desagravo. Isso provavelmente ficará por conta da iniciativa de algum “companheiro”, e o texto deve, então, contar com a aprovação dos demais. Mas a coisa não pára por aí.

A turma do Zé também conseguiu emplacar uma crítica à dita “faxina” promovida por Dilma e ressuscitou a tese de que tudo não passa de sabotagem da oposição, apoiada pela “conspiração midiática”, que teria tentando derrubar Lula. Ressuscita a tese inventada para enfrentar a denúncia do mensalão. Como vocês lerão no post abaixo deste, os petistas não querem agora controlar apenas a radiodifusão. Em seus planos, está meter as patas também nos jornais, nas revistas e na Internet, que não são concessões públicas (não que eu defenda o controle das outras).

A Executiva Nacional do partido, que havia desistido oficialmente da tese do controle da mídia, em encontro realizado no começo do mês passado, mudou de idéia e endossa, agora, o documento bucéfalo. Vale dizer: o Zé parou de conspirar no quarto do hotel, saiu do cafofo e, agora, conspira abertamente dentro do PT mesmo.

O texto faz questão de ressaltar os esforços de Lula no combate à corrupção e diz que sua continuidade depende da reforma política, o que é uma piada macabra. A proposta do partido para a dita-cuja reforça o que pode haver de pior no sistema proporcional de votos. Se o PT conseguir emplacar a sua tese, o que é ruim vai piorar. Já demonstrei isso aqui. O que motiva a crítica à faxina — e esse é um movimento combinado com o Babalorixá de Banânia — é o temor de que a demissão de alguns larápios acabe carimbando no governo Lula a pecha de “corrupto”.

A presidente também já afirmou que não aceita o controle da mídia, como quer o PT, o que é referendado pelo ministro Paulo Bernardo, que agora vem sendo atacado pela Al Qaeda Eletrônica criada ao tempo em que Franklin Martins era o ministro da Supressão da Verdade. Mas o Zé conseguiu. O documento do PT vai:

- atacar, na prática, a liberdade de imprensa e pressionar o Planalto a apoiar o “controle da mídia”;

- atacar a “faxina”, sugerindo que isso decorre da “conspiração midiática”;

- fazer um desagravo branco a Lula, numa espécie de recado velado a Dilma.

E, depois desses recados todos, vai cantar as glórias da presidente, é claro!

Do blog do Reinaldo Azevedo


"NÃO, VOCÊS NÃO PODEM!"

Eles acham que podem tudo. E é nosso dever moral, ético, político, humano, dizer-lhes que não. É nosso dever de pais, de filhos, de professores, de alunos, de trabalhadores, de empresários, de leitores, de jornalistas. É nosso dever! Dos homens e das mulheres livres!

Se militantes políticos, mas cidadãos como quaisquer um de nós, eles podem fazer tudo o que não está proibido em lei — ou arcar com as conseqüências da transgressão. Se funcionários do Estado, podem fazer apenas o que a lei lhes permite. Num caso e noutro, é preciso que lhes coloquemos freios. Não são os donos do poder, mas seus ocupantes. E têm de dançar conforme a música da democracia e do estado de direito. Mas eles estão mal acostumados.

Porque o método da mentira deu certo uma vez, eles repetiram a dose. Porque deu certo outra vez, eles insistiram. Agora estão empenhados em transformar o engodo e a trapaça numa categoria de pensamento, num fundamento, num — e isso é o mais pateticamente ridículo — ato de resistência. Têm de ser relatados. Têm de ser denunciados. Têm de ser combatidos onde quer que se manifestem com seu falso exclusivismo ético, com sua combatividade interesseira; com suas duas morais: a que usam para incensar os crimes de seus pares e a que usam para crimininalizar a decência de homens de bem.

Criminalizaram a Lei de Responsabilidade Fiscal. E ela era boa.
Criminalizaram as privatizações. E elas eram boas.
Criminalizaram o Proer. E ele era bom.
Criminalizaram a abertura do país ao capital estrangeiro. E ela era boa.
Criminalizaram os programas sociais, chamando-os de esmola. E eles eram bons.

Não há uma só virtude que se lhes possa atribuir que não decorra de escolhas feitas antes deles — e que trataram aos tapas e, literalmente, aos pontapés.

Nota da Redação: Nos títulos indicados existem mais comentários que convidamos a ler e deduzimos serem continuação de transcrições “Do blog do Reinaldo Azevedo”.

BRASILEIRA PRODUZ DOCUMENTÁRIO SOBRE REFUGIADOS NEGROS NA ALEMANHA


Mbolo Yufanyi, de Camarões, é um dos protagonistas do documentário e da organização The Voice

DEUTSCHE WELLE

A cineasta Denise Garcia acaba de produzir "O fardo das fronteiras", filme que retrata a vida de africanos requerentes de asilo no país. Vítimas de opressão e isolamento, os refugiados lutam pelo direito de ir e vir.

Depois de mais de dois anos de filmagens e pesquisa, não foi fácil reduzir quase 80 horas de gravação para 80 minutos de documentário. De 20 entrevistados, a produtora Denise Garcia escolheu para o filme O fardo das fronteiras quatro protagonistas, todos eles negros que solicitaram asilo político na Alemanha.

A brasileira – natural do Rio de Janeiro, mas de criação e sotaque porto-alegrenses – veio para a Europa após o sucesso de Sou feia, mas tô na moda, produção de 2005 que retrata a vida de mulheres do funk carioca. A primeira exibição do filme em solo alemão foi em 2006, no festival Transmediale, de Berlim.

"Depois da minha experiência no Rio de Janeiro, com a favela, não consegui mais me identificar com minha própria classe: a classe média branca. Não saiu mais da minha cabeça o quanto o racismo ainda está presente no mundo moderno, algo contraditório num país rico como a Alemanha. Quando cheguei ao país, logo me perguntei: 'como vivem os negros aqui?'", conta a documentarista.

Foi então que ela conheceu Mbolo Yufanyi. Natural de Camarões, ele chegou à Alemanha em 1998. O africano, que viveu três anos num abrigo para refugiados, é uma das principais vozes do documentário de Denise e também do movimento de luta pelos direitos dos asilados na Alemanha. Desde que chegou ao país, Yufanyi é membro da organização The Voice, fundada em 1994 e hoje presente em vários países.

Apesar de eles não serem o maior grupo de estrangeiros a aportar em terras germânicas, Denise decidiu focar seu documentário nos negros por considerá-los a síntese de uma realidade. "A cor ainda tem um papel muito importante na questão do racismo", diz a diretora. "Aqui, a maioria das lutas pelos direitos dos refugiados parte dos negros, não porque somos os únicos a sofrer, mas porque somos os que mais sofrem", completa Yufanyi.

Na última década, o país de origem da maioria dos refugiados que chegou à Alemanha foi o Iraque, mas, em 2010, 16,5% dos requerentes de asilo vieram da África. A Somália está entre as dez origens mais frequentes, correspondendo a 5,4% dos pedidos na Alemanha, de acordo com o Departamento Federal para Imigração e Refugiados.

Definições legais

A vinda de refugiados africanos para a Europa remonta à década de 1950, quando foi criada a Convenção das Nações Unidas relativa ao Estatuto dos Refugiados.

Refugiado é a pessoa que, "temendo ser perseguida por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas, se encontra fora do país de sua nacionalidade e que não pode ou, em virtude desse temor, não quer valer-se da proteção desse país". Assim definiu a Convenção de Genebra de 1951, promovida pela Organização das Nações Unidas para discutir o Estatuto dos Refugiados.

Concebido como um instrumento pós-Guerra, o acordo inicialmente se limitava a pessoas fugindo de acontecimentos ocorridos antes de 1951. Em 1967, um protocolo deu ao acordo um caráter universal. Hoje, há 147 países signatários da Convenção e do Protocolo. A Alemanha é um deles.

"Acho que na época da Convenção de Genebra não se pensou que os africanos pudessem vir a usar essa lei. Com a independência e as guerras civis, eles começaram a pedir asilo na Europa", diz Denise. Segundo a brasileira, o fluxo de refugiados da África para a Alemanha foi crescente até os anos 1980 e a criação da Residenzpflicht ("residência obrigatória"), incluída na Lei do Processo de Asilo alemã em 1982.

De acordo com a regulação, os requerentes de asilo só podem deixar o distrito onde está localizado o Escritório de Imigração em que foram registrados com uma permissão por escrito. "Nenhum outro país europeu mantém uma limitação tão rigorosa da liberdade de ir e vir", escreveu a pesquisadora Beate Selders num estudo sobre a Residenzpflicht citado pelo jornal Die Welt. "A residência obrigatória restringe, humilha e isola. Vejo-a como um regime semi-aberto", opina Denise.

À margem da sociedade

Mbolo Yufanyi, um dos protagonistas do documentário de Denise, sentiu na pele os efeitos da obrigatoriedade de residência. O africano viveu por quase três anos no abrigo para refugiados Weilrode, na Turíngia. Yufanyi conta que cerca de 200 pessoas moravam no local enquanto esperavam pelo processamento de seu pedido de asilo político.

Em dormitórios coletivos e sem permissão para trabalhar, os refugiados recebiam cupons para comprar alimentos. Durante a semana, havia apenas um ônibus por dia ligando o abrigo à cidade e nenhum aos sábados e domingos. "As condições eram muito ruins, mas não piores que as de outros abrigos. Não existem abrigos bons", diz Yufanyi.

O refugiado de Camarões conta que participou dos protestos que culminaram com o fechamento do abrigo Weilrode. Segundo ele, há centenas de locais semelhantes na Alemanha. "Antes era possível viajar para outras cidades, mas com a obrigatoriedade de residência aumentou o controle sobre os refugiados. Perdi a conta de quantas vezes fui parado pela polícia simplesmente por ser negro", declara.

Para Yufanyi, o objetivo dos abrigos é fazer com que os refugiados optem por deixar a Alemanha por vontade própria. "Acho que o lema dos asilos é 'isolamento, perseguição e degradação'. Servem para mostrar que você não é bem-vindo neste país", opina.

"A vida ali é um tédio total", acrescenta Denise, que visitou diversos abrigos. Yufanyi conta que, em Weilrode, viu enlouquecer o pai de uma família vietnamita que estava no abrigo há 11 anos, e outro refugiado, no local há sete anos, suicidar-se.

A vinda para a Europa

Yufanyi teve seu pedido de asilo negado cinco anos depois de chegar à Alemanha – segundo ele, não por falta de provas sobre a sua perseguição em Camarões, mas por causa de suas atividades políticas em território germânico. Depois de ter sido casado com uma alemã, o africano tem hoje uma permissão de residência no país. Enquanto luta por uma permissão sem limitações, ele vive em Berlim e faz doutorado em políticas florestais africanas.

Segundo Yufanyi, é pequeno o número de pessoas que deixam o próprio continente para vir à Europa. "Os refugiados que saem da África são ricos, senão não conseguiriam pagar a viagem. E, quando chegam aqui, são vistos como pobres."

Denise considera uma fantasia achar que todo o continente africano pedirá asilo na Europa. "Não é natural para o ser humano deixar o seu lugar de origem. É preciso algo muito traumático para que as pessoas se desloquem para um país cuja língua não falam, em que o clima é diferente e onde não têm família", diz.

Quando perguntado sobre as condições de vida enfrentadas ao chegar à Alemanha, Yufanyi diz não acreditar que sejam uma total surpresa para os refugiados. "Quando se tem problemas sérios no próprio país, se aceita qualquer oferta para deixá-lo. Há sempre a esperança de começar uma vida nova."

O africano auxiliou inúmeros refugiados desde que se uniu à The Voice e pretende continuar lutando. "Queremos acabar com as deportações e fazer com que as fronteiras se abram para todos os que quiserem visitar ou viver neste país ou em qualquer outro lugar do mundo." Para Yufanyi, o fato de Denise ter escolhido falar da The Voice em seu documentário é um reconhecimento do comprometimento da organização ao longo de 17 anos.

Lançamento em Fevereiro

O documentário O fardo das fronteiras – inicialmente batizado de Bleiberecht (direito de permanência) – está pronto. Denise o inscreverá na Berlinale, o Festival Internacional de Cinema de Berlim. Se selecionado, o filme – com trechos em alemão e em inglês – será lançado durante o evento, entre 9 e 12 de fevereiro de 2012. Depois, a jornalista pretende exibir no Brasil o documentário, que foi financiado pela produtora brasileira Toscographics.

"Todos os refugiados que entrevistei moraram em abrigos por vários anos. Mas o filme não é contado a partir do ponto de vista de vítimas, mas de pessoas que se organizaram politicamente, disso eu faço questão", ressalta Denise.

Além de Yufanyi, participam do vídeo os refugiados Chu Eben e Florence Sissako, também de Camarões, e Osaren Igbinoba, da Nigéria. Denise usou ainda entrevistas com o professor Andreas Eckert – pesquisador da Universidade Humboldt de Berlim – e com o advogado Ulrich von Klinggräff, que defendeu Yufanyi e Oury Jalloh – refugiado de Serra Leoa que morreu incendiado numa cela de delegacia, na cidade de Dessau, em 2005.

De acordo com Departamento Federal para Imigração e Refugiados alemão, de janeiro a julho de 2011 foram apresentados 27.467 pedidos de asilo no país. Neste mesmo período, mais de 26 mil processos foram decididos, e apenas 1,5% (387) dos requerentes tiveram reconhecido o direito de asilo.

Autora: Luisa Frey - Revisão: Alexandre Schossler

A LÍBIA, A OTAN E O GRANDE MÉDIO ORIENTE




JOSÉ LUÍS FIORI – CORREIO DO BRASIL

O que ocorrerá na Líbia após a guerra? Haverá um longo período de caos, seguido da formação de um governo de coalizão tribal, instável e autoritário, sob o patrocínio e a tutela militar da Otan. Assim, estará criado o primeiro “protetorado colonial” da organização militar, na África.

 “Se aqui e no exterior todos perceberem que estamos prontos para a guerra a qualquer momento, com todas as unidades das nossas forças na linha de frente prontas para entrar em combate e ferir o inimigo no ventre, pisoteando-o quando estiver no chão, para ferver seus prisioneiros em azeite e torturar suas mulheres e filhos, então ninguém se atreverá no nosso caminho”.

John Arbuthnot Fisher, Primeiro Lord do Almirantado da Marinha Real Britânica, (cit. in Norman Angell, A Grande Ilusão, Editora UNB, 2002, p: 275)

É preciso ser muito ingênuo ou mal informado para seguir pensando que a “Guerra da Líbia” foi feita em nome dos “direitos humanos” e da “democracia”. E, ainda por cima, acreditar que o governo de Muamar Kadafi foi derrotado pelos “rebeldes” que aparecem nos jornais, em poses publicitárias. Tudo isso, enquanto a aviação inglesa comanda o ataque final das forças da Otan à cidade de Sirta, depois de ter conquistado a cidade de Trípoli. Até o momento, a “primavera árabe” não produziu nenhuma mudança de regime na região, mesmo na Tunísia e no Egito, e não há nenhuma garantia de que os novos governos sejam mais democráticos, liberais ou humanitários que seus antecessores.

Até porque quase todos os seus líderes ocuparam posições de destaque nos governos que ajudaram a derrubar, com o apoio de uma multidão heterogênea e desorganizada. No caso da Líbia, não se pode nem mesmo falar de algo parecido a uma “mobilização massiva e democrática” da oposição, porque se trata de fato de uma guerra selvagem e sem quartel, entre regiões e tribos inimigas, que foram mobilizadas e “pacificadas” transitoriamente, pelas forças militares da Otan.

Segundo Lord Ismay, que foi o primeiro secretário-geral da Otan, o objetivo da aliança militar criada pelo Tratado do Atlântico Norte, assinado em 1949, era “manter os russos fora, os americanos dentro e os alemães para baixo”. E este objetivo foi cumprido plenamente, durante todo o período da Guerra Fria. Mas depois de 1991 a Otan passou por um período de “crise de identidade” e redefinição do seu papel dentro sistema internacional.

Num primeiro momento, a organização militar se voltou para o Leste e para a ocupação/incorporação de alguns países da Europa Central que haviam pertencido ao Pacto de Varsóvia. Além disso, decidiu participar diretamente das Guerras do Kosovo e da Sérvia. E, ao mesmo tempo, lançou, em 1994, um projeto de intercâmbio militar e de segurança com os países árabes do norte da África, o chamado “Diálogo Mediterrâneo”.

Dez anos depois, na sua reunião de cúpula de 2004, em Istambul, os dirigentes da Otan decidiram expandir o seu projeto de segurança e criaram a “Iniciativa de Cooperação de Istambul” (ICI), voltada para os países do Oriente Médio. Além disso, neste mesmo período, a Otan, que não havia apoiado as guerras do Afeganistão e do Iraque, decidiu aderir e colocar-se ao lado das tropas anglo-americanas, instalando suas forças também na Ásia Central.

Foram os ingleses que cunharam o termo “Oriente Médio”, para referir-se aos territórios situados no meio do seu caminho, entre a Inglaterra e a Índia, e que pertenciam ou estavam sob a tutela do Império Otomano. Incluindo os territórios que foram retalhados e divididos depois do fim da Primeira Guerra Mundial, sendo transformados em “protetorados” da Inglaterra e da França – que já eram, naquele momento, as duas maiores potências imperiais da Europa e que submeteram e colonizaram a maior parte da África Sub-Sahariana e todos os países árabes do norte do continente, hoje incluídos no “Diálogo Mediterrâneo” da Otan.

Mas foi o ex-presidente norte-americano George W. Bush quem cunhou o termo “Grande Médio Oriente”, apresentado pela primeira vez na reunião do G-8, realizada em Sea Islands, nos EUA, em junho de 2004. A idéia era definir e unificar um novo espaço de intervenção geopolítica, que iria do Marrocos até o Paquistão, e deveria ser objeto da preocupação prioritária das Grandes Potências na sua guerra contra o “terrorismo islâmico” e a favor da “democracia” e dos “direitos humanos”. Desta perspectiva, se pode compreender melhor o significado geo-estratégico da “primavera árabe” e da Guerra da Líbia.

Assim mesmo, o que se deve esperar que ocorra depois da guerra? Na Líbia, haverá um longo período de caos, seguido da formação de um governo de coalizão tribal, instável e autoritário, sob o patrocínio e a tutela militar da Otan. Ao mesmo tempo, estará dado um passo decisivo na construção de uma força de intervenção “ocidental”, capaz de projetar seu poder militar sobre todo o território islâmico do Grande Médio Oriente. E, de passagem, estará criado o primeiro “protetorado colonial” da Otan, na África. Triste sina da África!

 *José Luís Fiori, cientista político, é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Participem na paz e evitem criar tensões, pede representante ONU aos partidos guineenses




FP - LUSA

Bissau, 02 set (Lusa) -- O representante Especial do secretário-geral das Nações Unidas na Guiné-Bissau, Josep Mutaboba, apelou hoje aos guineenses, "incluindo os representantes dos partidos políticos", para que participem na "consolidação de paz" e evitem criar tensões no país.

Num comunicado divulgado em Bissau, Josep Mutaboba salientou "as importantes e corajosas reformas em curso no país" e disse que neste momento todos os atores nacionais "devem continuar de forma ativa e construtiva a desenvolver ações que visem a consolidação dos esforços até aqui obtidos na Guiné-Bissau no caminho para a estabilidade e recuperação económica".

O representante do Secretário-Geral "apela a todos os atores, incluindo os partidos da oposição, para que demonstrem sentido de responsabilidade e abstenham-se de proferir declarações e realizar ações suscetíveis de criar tensões no país, particularmente num momento em que a Guiné-Bissau está, em conjunto com a comunidade internacional, a desenvolver iniciativas que visam alcançar reformas duradouras e cruciais para a estabilidade e o desenvolvimento do país".

No mesmo comunicado, Josep Mutaboba apela ao governo e à população em geral para "continuar a desempenhar um papel construtivo" no fortalecimento do Estado de direito, na construção de instituições credíveis, na reabilitação do sistema judicial e na manutenção "de um ambiente político que permita ao país continuar a gozar da confiança dos parceiros internacionais, particularmente no que concerne às reformas do setor de defesa e segurança".

Os apelos de Josep Mutaboba surgem numa altura em que os partidos da oposição garantem que irão realizar em breve mais marchas pacíficas em Bissau, a exigir a demissão do primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior.

Moçambique: GOVERNO QUER AJUDA DE PORTUGAL PARA DESENVOLVER VOLUNTARIADO




MMT - LUSA

Maputo, 02 set (Lusa) -- O governo moçambicano pediu hoje a ajuda de Portugal para implementar o voluntariado em Moçambique, prevendo, em breve, criar uma equipa de trabalho para aperfeiçoar as várias ideias que poderão ser desenvolvidas sobre a matéria.

O ministro moçambicano da Juventude e Desporto, Pedrito Caetano, recebeu hoje em audiência o secretário de Estado do Desporto e Juventude de Portugal, Alexandre Mestre, com quem debateu a possibilidade de partilha da experiência de Portugal no campo do voluntariado.

Em declarações à Lusa, no final da reunião, Pedrito Caetano disse que Moçambique exortou Portugal a partilhar a sua "experiência no processo de implementação do voluntariado que já está muito bem consolidado naquele país".

"Portugal tem uma experiência de organização do voluntariado já muito bem consolidada. Trocamos algumas ideias de como capitalizar isso para o bem dos dois países", afirmou o governante moçambicano.

No ano passado, o Parlamento moçambicano aprovou, na generalidade, a Lei do Voluntariado do país, visando dar enquadramento jurídico a esta atividade.
A norma jurídica tem por objetivo estipular os direitos, deveres e proibições do voluntariado exercido em prol do interesse público.

Hoje, os governos de Maputo e Lisboa concluíram que "precisam estabelecer uma equipa de trabalho para aprimorar as várias ideias que poderão ser desenvolvidas", realçou o ministro moçambicano.

"No culminar da realização da conferência dos ministros responsáveis da juventude e desporto da CPLP, em julho do próximo ano, em Lisboa, podemos aprimorar essas ideias", garantiu Pedrito Caetano.

O secretário de Estado do Desporto e Juventude de Portugal, por seu lado, apontou o programa de voluntariado nas florestas como um dos que "podem ser eventualmente replicados" em Moçambique.

"Há muitas ideias que foram trocadas, que são ainda embrionárias, mas que vão ser objeto de articulação entre os serviços e entre governos para reforçar a cooperação no domínio do desporto e talvez a juventude, neste momento, seja um dos pólos que necessite mais deste reforço da cooperação que já é salutar", salientou.

Para Alexandre Mestre, "o novo governo, como o anterior, como o futuro (de Portugal) velarão sempre pelo desenvolvimento da economia portuguesa e da economia dos nossos irmãos, leia-se Moçambique".

"Vamos continuar a cooperar para o desenvolvimento económico de ambos os países", garantiu.

CRESCIMENTO ECONÓMICO DO BRASIL É O SEGUNDO MAIS BAIXO ENTRE OS BRICS





O ritmo de crescimento da economia brasileira é superior ao dos países ricos, mas entre as nações que formam os BRICS, grupo que inclui também China, Rússia e Índia, só supera o da África do Sul.

Segundo dados divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a economia brasileira cresceu 3,1% no segundo trimestre deste ano, em comparação com igual período de 2010, com o PIB a alcançar 1,02 biliões de reais (pouco mais de 445 mil milhões de euros).

Segundo o levantamento feito pelo IBGE com base em dados do Banco Mundial, em termos de crescimento do PIB, o Brasil está, assim, em quarto lugar entre os países que formam o grupo dos BRICS.

No segundo trimestre, o PIB da China cresceu 9,5%, o da Índia 7,7% e o da Rússia, 3,4%. Já a economia sul-africana registou 1,3% de crescimento.

Considerando o PIB per capita, no entanto, o Brasil ocupa a segunda posição no bloco, com 10.900 dólares por habitante, atrás apenas da Rússia, que regista 15.900 dólares por habitante.

O PIB per capita da África do Sul é de 10.700 dólares, o da China, de 7.400 dólares e o da Índia, de 3.400 dólares.

Segundo o IBGE, o crescimento da economia brasileira é sustentado pelo mercado interno, tanto pelo consumo das famílias como pelos investimentos.

O sector externo continua a contribuir negativamente para o crescimento económico do Brasil, já que o volume dos bens importados cresce sistematicamente mais que o volume dos bens exportados.

 Mais Brasil

Presidente Dilma aproveitará visita afetiva para estreitar laços do País com a Bulgária




FYRO - LUSA

Rio de Janeiro, 02 set (Lusa) -- A Presidente brasileira, Dilma Rousseff, pretende, numa visita também afetiva que fará à Bulgária, país onde nasceu o seu pai, consolidar projetos que permitam a intensificação das relações bilaterais entre os dois países.

A declaração foi feita hoje pelo ministro das Relações Exteriores do Brasil, António Patriota, que chegou pela manhã à capital búlgara, Sófia, segundo a Agência Brasil.

A viagem de Patriota visa, entre outros objetivos, preparar a visita oficial que Dilma Rousseff fará ainda este ano ao país. Segundo o ministro, a data exata para esta visita ainda não está definida.

O pai da presidente brasileira, Petar Rusev, nasceu na Bulgária e emigrou para o Brasil na década de 1930. Ao chegar no Brasil adaptou o seu sobrenome para "Rousseff".

Segundo a agência Brasil, Patriota terá dito que a presidente alimenta grande expectativa em relação à viagem, que mistura momentos de emoção e ansiedade.

O ministro brasileiro foi recebido pelo seu homólogo búlgaro, Nikolay Mladenov, e encontra-se ainda hoje com o presidente da Bulgária, Giorgi Parvanov.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, o representante brasileiro também tratará nesta deslocação de assuntos da agenda bilateral.

Além do interesse em aumentar o fluxo de comércio entre os dois países, Patriota pedirá o apoio do governo búlgaro ao pleito por uma reforma no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

AQUI JAZ UMA REVISTA




MAIR PENA NETO – DIRETO DA REDAÇÃO

Veja colocou a pá de cal em sua decadente trajetória com a matéria publicada na última edição, na qual se valeu de todos os métodos, inclusive criminosos, para corroborar uma de suas teses, desta vez a de que o ex-ministro José Dirceu conspira contra o governo de Dilma Rousseff.

A matéria não se sustenta jornalisticamente, com uma série de ilações e conclusões frágeis, porém o mais grave foi o seu método de apuração, com recurso à espionagem, invasão de privacidade e outros delitos, o que levou seu repórter a ser denunciado pelo hotel em que José Dirceu estava hospedado por tentativa de violação de domicílio. Para quem não leu a matéria ou o que já foi escrito sobre ela, o repórter da Veja hospedou-se no mesmo hotel de Dirceu, em Brasília, e tentou por duas vezes entrar no quarto do ex-ministro, primeiro passando-se por hóspede do apartamento que tinha esquecido as chaves, e, depois, por assessor da prefeitura de Varginha que fazia questão de deixar no quarto "documentos relevantes".

O que pretendia o repórter caso fosse bem sucedido em sua empreitada? Fuçar papéis e documentos do investigado? Roubá-los caso encontrasse algo que fosse ao encontro da tese da reportagem? Quem o orientou a agir dessa maneira? Seu chefe imediato, os editores da revista, o dono da editora que a publica? As perguntas são muitas e todas complicam ainda mais a situação de Veja e sua forma de fazer jornalismo.

A revista foi além e publicou imagens gravadas no corredor do andar do hotel em que Dirceu se encontrava, que mostram o ex-ministro com outras figuras da política brasileira. Veja não esclarece como obteve as imagens, mas parece pouco provável que as tenha conseguido com o próprio hotel, o que reforça as suspeitas de que tenha instalado algum equipamento por conta própria, o que aumenta a gravidade do delito. Trata-se, primeiro, de um caso de polícia. Depois, de grave atentado à ética jornalística.

A desfaçatez de Veja impressiona ainda mais, pois ocorre pouco após o escândalo do comportamento criminoso e, consequentemente, desprovido de ética do tablóide News of the World, do império midiático de Rupert Murdoch, que espionava personagens da vida pública inglesa como procedimento editorial assumido. O caso do jornal londrino não só está fresco em nossa memória, como ainda ocupa os tribunais ingleses, com jornalistas presos e respondendo a processos.

Há um bom tempo, Veja perdeu credibilidade perante boa parte dos leitores com capacidade crítica e de observadores do comportamento midiático. A recente reportagem pode ter sido o passo final para sua sentença de morte. A revista semanal não deve ser extinta, como o News of the World, mas tende a se tornar cada vez mais leitura ligeira de sala de espera de consultórios médicos, sem o prestígio outrora desfrutado.

A matéria de Veja colocou jornalistas e toda a imprensa perante a necessidade de responder à sociedade sobre que tipo de ofício praticamos. Somos todos imprensa marrom? Não temos limites nas nossas apurações? Vale tudo na busca de uma informação? Compactuamos com este tipo de jornalismo? Creio que jornalistas, empresas jornalísticas, sindicatos e associações precisam se manifestar claramente, repudiando o procedimento da revista. Do contrário, nos locupletamos.

* Jornalista carioca. Trabalhou em O Globo, Jornal do Brasil, Agência Estado e Agência Reuters. No JB foi editor de política e repórter especial de economia

Brasil: Na Bienal do Rio, Dilma anuncia programa para vender livro popular a R$ 10




Fabíola Ortiz - Especial para o UOL Educação - No Rio de Janeiro

A presidente Dilma Rousseff anunciou nesta quinta-feira (1º) a criação do Programa do Livro Popular, na cerimônia de abertura da Bienal Internacional do Livro, no Rio de Janeiro. O programa pretende fomentar a produção e a comercialização de livros que custem R$10.

A ideia é baratear e facilitar o acesso aos livros para formar mais leitores no país. O preço de R$10 para o livro popular foi determinado a partir de estudos que levaram em conta o impacto desse valor no orçamento familiar em diferentes classes sociais, segundo estudos de consumo cultural feitos pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e pela Associação Nacional de Livrarias a partir de dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Com investimentos de R$36 milhões, as primeiras ações já começam a ser implementadas na próxima semana pela Fundação Biblioteca Nacional, órgão do MinC responsável por gerir o programa e a compra de livros para bibliotecas. O primeiro edital irá convocar editores e autores a inscrever seus títulos no Portal do Livro Popular. Em seguida, um segundo edital irá cadastrar livrarias, bancas de jornal e outros pontos de venda interessados em vender livros mais baratos.

Já as bibliotecas comunitárias e públicas poderão se cadastrar no Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas para receber um cartão-livro com créditos que podem variar de R$300 a R$15 mil para a compra livros. Através dessa medida, a Fundação Biblioteca Nacional espera adquirir cerca de 5 milhões de livros para essas bibliotecas ainda em 2011.

Leitura no Brasil

Existem cerca de 95 milhões de leitores de livros no Brasil, de acordo com a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro. No entanto, apenas 36 milhões de leitores compram livros. O estudo revelou ainda que outros 77 milhões de brasileiros ainda não tem o hábito de ler livros. Os índices de leitura por brasileiro cresceram na última década, de 1,8 para 4,7 livros por habitante ao ano. O que significa ainda um índice muito reduzido, mas a média per capita se manteve no período em 1,1 exemplar por habitante ao ano.

Dilma defendeu o acesso ao livro como uma política de educação e cultura e pediu ao Congresso Nacional pressa na aprovação do plano. “Ampliamos e vamos continuar as nossas políticas de acesso à educação e à cultura, com ações como o Plano Nacional do Livro e Leitura que espero que o Congresso aprove logo. Isso implica, necessariamente, que uma parte da nossa produção de livro tem de ser acessível com preços adequados. Isso vai criar um mercado imenso”, afirmou a presidente.

Protesto

Antes da presidente Dilma chegar à Bienal, estudantes da rede federal de ensino se reuniram próximo ao auditório principal para protestar por mais recursos para a educação, mais vagas para concurso e melhor infraestrutura.

A estudante Michele Godoy, 16, aluna do Instituto Federal Rio de Janeiro- IFRJ, na unidade de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, disse ao UOL Educação que a mobilização foi feita pelo Facebook. "Quase 2 mil alunos se manifestaram. Queremos que 10% do PIB vá para a educação", disse a aluna.

Após os protestos, uma comissão formada pelos manifestantes foi recebida pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, que estava no evento.

*Foto em Lusa

Brasil: PT elogia combate à corrupção mas aponta ‘faxina’ como ardil da direita




CORREIO DO BRASIL - de Brasília

A primeira edição do discurso petista a ser apresentado no quarto Congresso Nacional da legenda, o partido faz uma enfática defesa das medidas moralizadoras tomadas pela presidenta Dilma Rousseff, mas aproveita para demarcar diferenças e fazer um alerta: a tentativa de aproximação de setores do PSDB e da “mídia conservadora” em torno da “faxina” ética não passa de um golpe para solapar a base de apoio no Congresso e paralisar o governo. O documento preliminar toma o cuidado de igualar Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no combate aos malfeitos.

“Nunca na história deste país a corrupção foi combatida com tanta profundidade e sem protecionismos partidários como nos governos Lula e Dilma”, afirma o texto. No entanto, o PT fixa limites ao dizer que o combate à corrupção “há de ser honrado sem desconstruir o Estado de Direito ou sonegar as garantias individuais. Sem esvaziar a política ou demonizar os partidos, sem transferir acriticamente para setores da mídia que se erigem em juízes da moralidade cívica”.

Mesmo sem citar nominalmente o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, ambos do PSDB, o texto manda um recado sobre o que pensa o partido da recente troca de afagos entre Dilma e o tucanato.

“A oposição, apoiada – ou dirigida – pela conspiração midiática que tentou sem êxito derrubar o presidente Lula apresenta-se agora liderando uma campanha de ‘apoio’ à presidenta Dilma, para que esta faça uma ‘faxina’ no governo. Mesmo sem credibilidade, omissos que são no combate à corrupção nos seus próprios Estados e muitas vezes coniventes que foram nos governos federais dos quais participaram, esses políticos intentam, dissimuladamente, dissolver a base parlamentar do governo Dilma, a fim de bloquear suas iniciativas e neutralizar seus avanços”.

No item 92 do texto, o partido deixa claro que vai assumir a defesa de integrantes da base aliada denunciados pela imprensa.“O PT deve repelir com firmeza as manobras da mídia conservadora e da oposição de promover uma espécie de criminalização generalizada da conduta da base de sustentação”.

A expressão “mídia conservadora” é citada inúmeras vezes nas 24 páginas do documento. O texto esclarece a mudança estratégica de posição do partido em relação ao controle da mídia.

Enquanto Dilma mandou arquivar o projeto do ex-ministro da Comunicação Institucional Franklin Martins sobre o tema, o PT decidiu que o palco de atuação será o Congresso, onde o partido vai tentar aprovar um “marco regulatório” para os meios de comunicação e regulamentar artigos da Constituição ainda pendentes sobre o tema. A expressão “controle social” da mídia foi abandonada e as manifestações sempre são acompanhadas do repúdio total à censura.

“É uma tarefa do PT fazer o debate sobre o marco regulatório. A sociedade pode constituir um conselho para discutir o que seria algo razoável”, disse o secretário nacional do Comunicação do PT, André Vargas.

Embora o clima geral seja de indignação quanto à reportagem de capa da revista Veja que chama o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu de “poderoso chefão”, o texto base não cita nenhum nome ou episódio pontualmente. No entanto, não está descartada a aprovação de uma moção de apoio a Dirceu e repúdio à Veja durante o Congresso.

O texto será submetido aos 1.350 delegados da etapa extraordinária do 4º Congresso nacional do PT que acontece entre sexta-feira e domingo em Brasília.

As mais acessadas do CdB

KAK RECOMENDA PRISÃO DOMICILIÁRIA PARA MINISTRA DA JUSTIÇA LÚCIA LOBATO




Redação, com Timor Hau Nian Doben

A Comissão de Anti-Corrupção (KAK) de Timor-Leste recomendou prisão domiciliária para a ministra da justiça Lúcia Lobato, de acordo com Guido Gusmão Goulart no Timor Hau Nian Doben. Segundo a KAK a ministra é suspeita de estar envolvida em ações de corrupção.

Lúcia Lobato declarou aos jornalistas que está pronta para responder ao caso nos tribunais se existirem fortes evidências sobre o seu envolvimento nas ações de que vem sendo acusada.

Ainda segundo Goulart, a ministra disse que recebeu “os termos de prisão domiciliária devido a três ou quatro casos contra mim, até agora. Mas não recebi uma acusação definitiva. Quando a receber vou tomar a minha posição contra todos essas acusações”. A ministra também afirmou que não pode pronunciar-se sobre a sua “demissão antes de receber um aviso legal do Ministério Público.” Lúcia Lobato já prestou declarações na Comissão Anti-Corrupção.

O Ministério Público está a elaborar o processo a fim de o remeter para tribunal, prevendo concretizá-lo até finais de Setembro, para ser submetido a julgamento.

Nas acções estão envolvidos outros elementos. O comissário da KAK, Adérito de Jesus, declarou que ainda não podia anunciar os nomes dos funcionários do governo envolvidos, mas adiantou que a KAK está a investigar 16 casos, para além de outros, prevendo que os casos de corrupção em tribunal, envolvendo funcionários do governo e diretores de serviços, podem aumentar em número significativo até ao final deste ano.

A prisão domiciliária preventiva aplicada a Lúcia Lobato está relacionada, por agora, com gastos do Orçamento de Estado no valor de 97 mil dólares em compra de uniformes para reclusos das prisões de Timor-Leste.

DEPOIS DE ESCRITO

Volvidas algumas horas desta publicação, em abono da correção da notícia, salientamos que a ministra Lúcia Lobato não está compelida a prisão domiciliária mas sim legalmente obrigada a termo de identidade e residência, o que é completamente diferente. (Redação PG)