terça-feira, 1 de maio de 2012

SIM, COMO É POSSÍVEL?




Orlando Castro*, jornalista – Alto Hama*

"Desculpe que lhe diga, senhor primeiro-ministro, está a insultar a dificuldade de 600 mil portugueses que estão no desemprego".

O, entre outras coisas, perito dos peritos na arte do esclavagismo, também presidente do PSD e primeiro-ministro disse hoje que Portugal dos escravos tem que estar preparado para viver "durante pelo menos dois ou três anos" com "níveis de desemprego" a que não estava habituado.

"A partir de 2013 tenderemos a absorver uma parte do desemprego, uma parte ainda pequena, e a partir de 2014 absorveremos uma fatia mais importante. Ou seja, temos que estar preparados para viver durante pelo menos dois ou três anos com níveis de desemprego a que não estávamos habituados, ele não vai desaparecer de um dia para o outro", afirmou Pedro Passos Coelho.

Recordemos, entretanto, o que afirmou no dia 15 de Julho de 2010, o então líder parlamentar do PSD e hoje – pis claro! – ministro. Miguel Macedo acusou o passado o então primeiro-ministro, José Sócrates, de viver na fantasia e de ter feito um discurso sobre a situação do país que insultava as dificuldades dos 600 mil portugueses desempregados.

Se era, e era mesmo, um insulto aos 600 mil desempregados, qual será o epíteto a dar hoje ao actual primeiro-ministro, quando insulta um milhão e duzentos mil desempregados criados sob a sua administração?

É claro que Passos Coelho e os seus lacaios, todos fuba do mesmo saco, gostam de gozar com a esquelética, faminta e dorida chipala dos portugueses, julgado que todos eles são matumbos. Não serão todos, mas para lá caminham.

"O que temos hoje no país é impostos a mais, endividamento a mais, despesa pública a mais, riqueza a menos, poder de compra a menos, dificuldades a mais para as famílias e para as empresas", declarou o líder parlamentar do PSD, hoje ministro, Miguel Macedo, durante o debate do (mau) “Estado da Nação”, no Parlamento.

Ou seja, disse o mesmo que agora diz (com mais relevância numérica) o PS. É que a situação do país dos portugueses, não o país da maior parte deles, passa sempre pela mesma receita, pelo mesmo diagnóstico e – é claro – pelas mesmas vítimas.

Miguel Macedo apontou na altura os "mais de cem mil portugueses que abandonam por ano o país porque não encontram em Portugal um presente e, sobretudo, não vislumbram em Portugal um futuro" e criticou os resultados invocados e o tom utilizado pelo primeiro-ministro, José Sócrates, no seu discurso.

E então? Nada. O PSD, por falta de melhores argumentos, tem uma garganta suficientemente funda para lá caberem todo o tipo de coisas, as que o leitor está a pensar e mais uns tantos sapos.

"Desculpe que lhe diga, senhor primeiro-ministro, está a insultar a dificuldade de 600 mil portugueses que estão no desemprego", disse o então líder parlamentar do PSD e hoje ministro, acusando José Sócrates de ter demonstrado "insensibilidade social e de autismo político" e de ter feito uma intervenção de quem vive no "país da fantasia".

Segundo o líder parlamentar do PSD e hoje ministro, "os portugueses hoje não vivem melhor depois de cinco anos de Governo socialista" e Portugal é "um país com mais pobres, mais excluídos e mais desigualdades", ao contrário do que alegou o primeiro-ministro.

É claro que tanto Pedro Passos Coelho como Miguel Macedo, entre muitos outros, esperam que os portugueses vão lentamente esquecendo o que eles disseram e prometeram. Mas como não vou à missa deles, aqui continuam a recordar-se algumas das suas criminosas e canibalescas afirmações.

O então líder do PSD e hoje primeiro-ministro, disse que as medidas do governo da época punham “o país a pão e água”, acrescentando do alto da sua cátedra que “não se põe um país a pão e água por precaução”.

“Estamos disponíveis para soluções positivas, não para penhorar futuro tapando com impostos o que não se corta na despesa. Aceitarei reduções nas deduções no dia em que o Governo anunciar que vai reduzir a carga fiscal às famílias. Sabemos hoje que o Governo fez de conta. Disse que ia cortar e não cortou”, afirmou o pulha que é líder do PSD e hoje primeiro-ministro.

Também foi ele quem afirmou que “nas despesas correntes do Estado, há 10% a 15% de despesas que podem ser reduzidas”. Que “o pior que pode acontecer a Portugal neste momento é que todas as situações financeiras não venham para cima da mesa”.

E foi também esse esclavagista quem disse que “aqueles que são responsáveis pelo resvalar da despesa têm de ser civil e criminalmente responsáveis pelos seus actos”.

Tudo porque, no mais puro exemplo de pulhice, também garantiu que “ninguém nos verá impor sacrifícios aos que mais precisam”, pois “os que têm mais terão que ajudar os que têm menos”. Ou seja, “queremos transferir parte dos sacrifícios que se exigem às famílias e às empresas para o Estado”.

“Para salvaguardar a coesão social prefiro onerar escalões mais elevados de IRS de modo a desonerar a classe média e baixa”, disse o mesmo filho da pulhice, acrescentando que “se vier a ser necessário algum ajustamento fiscal, será canalizado para o consumo e não para o rendimento das pessoas”.

Como muito bem sabem o milhão e duzentos mil desempregados, Passos Coelho jurou que, “se formos Governo, posso garantir que não será necessário despedir pessoas nem cortar mais salários para sanear o sistema português”.

Tudo porque, garantia, “a pior coisa é ter um Governo fraco. Um Governo mais forte imporá menos sacrifícios aos contribuintes e aos cidadãos”. Vê-se bem a fortaleza que é este governo.

“Já ouvi o primeiro-ministro dizer que o PSD quer acabar com o 13º mês, mas nós nunca falámos disso e é um disparate”, dizia Pedro Passos Coelho, perguntando: “como é possível manter um governo em que um primeiro-ministro mente?”. Sim, como é possível?

* Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

Título anterior do autor, compilado em Página Global: KADHAFI, SARKOSY E OUTROS QUE TAIS!

Ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste nos Açores, onde estudou há 35 anos



FR - Lusa

Ponta Delgada, 01 mai (Lusa) -- O ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste, Zacarias da Costa, iniciou hoje uma visita de três dias aos Açores, num regresso ao arquipélago que ocorre 35 anos depois de ter estudado durante dois anos na ilha do Pico.

"Queria passar pelos Açores para homenagear as pessoas que me trouxeram para cá, mas também o povo açoriano, pela ligação histórica e afetiva com Timor-Leste", afirmou o chefe da diplomacia timorense em declarações aos jornalistas em Ponta Delgada.

Zacarias da Costa, que falava no final de uma audiência com o secretário regional da Presidência, André Bradford, recordou que integrava um grupo de sete jovens timorenses que foi levado para o Pico pelo padre José Brum, que esteve muitos anos em Timor-Leste a dirigir um colégio religioso.

Depois de S. Miguel, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste segue para o Pico, deslocando-se depois para o Faial.

Nas declarações que prestou aos jornalistas, o ministro timorense recordou, entre outros exemplos, que o primeiro bispo de Timor foi um açoriano para apontar que "muita coisa liga os Açores" ao seu país.

"Estamos profundamente gratos e queremos aprofundar esta relação histórica", afirmou Zacarias da Costa, acrescentando que o encontro com André Bradford também permitiu "identificar áreas de cooperação futura", entre as quais se destacam as que estão relacionadas com o mar.

"O mar é um tema comum, é algo que nos liga, mas não temos a experiência que os Açores têm nesta área", afirmou, indicando também a agropecuária como uma setor onde os Açores e Timor-Leste podem cooperar.

Por seu lado, André Bradford, que substituiu o presidente do Governo dos Açores, Carlos César, devido a um impedimento de última hora, frisou que a ligação histórica que existe entre os Açores e Timor-Leste "não é interesseira, mas resulta de um percurso de proximidade".

Ao nível da cooperação bilateral, além do mar, que é uma área em que os Açores "têm a certeza de que podem ser úteis a Timor-Leste", André Bradford afirmou o "interesse" açoriano em colaborar na área da formação profissional dos jovens timorenses.

Guiné-Bissau: Militares e políticos em reuniões contínuas ao longo do dia


FP - Lusa

Bissau, 01 mai (Lusa) - O Comando Militar que tomou o poder na Guiné-Bissau, partidos e entidades religiosas e civis participaram ao longo do dia de hoje em reuniões quase contínuas, para tentar encontrar uma saída para a crise que o país atravessa.

Ao longo do dia as reuniões realizaram-se quer na Curia, tendo o bispo de Bissau, D. José Camnaté, como anfitrião, quer no Clube Militar das Forças Armadas, sem no entanto, até à noite, se ter chegado a qualquer entendimento.

Às 20:00 (21:00 em Portugal) as reuniões continuavam, constatou a Lusa, devendo ser produzido um comunicado na manhã de quarta-feira, segundo uma fonte partidária ouvida pela Lusa.

Partidos e militares querem chegar a um consenso sobre quem vai ser o próximo Presidente da República interino e apresentar uma solução para o país numa reunião em Dacar marcada para quinta-feira, que vai juntar sete chefes de Estado e de Governo da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).

Benim, Cabo Verde, Gâmbia, Guiné-Equatorial, Senegal, Togo e Nigéria formam o grupo de contacto designado pela CEDEAO para resolver a crise política na Guiné-Bissau decorrente do golpe de Estado de 12 de abril.

Depois de não ter sido obtido consenso numa reunião na Gâmbia, no passado fim de semana, a CEDEAO impôs sanções à Guiné-Bissau e admitiu mesmo o uso da força para instaurar a legalidade democrática.

O Comando Militar e partidos no entanto já disseram acreditar que os guineenses saberão encontrar uma solução para o país.

Moçambique: Central sindical exige aumentos salariais indexados à inflação



Emanuel Novais Pereira - Agência Lusa

Maputo, 01 mai (Lusa) - Aumentos salariais indexados ao valor da inflação é a principal exigência da maior central sindical moçambicana, que espera reunir hoje nas ruas do país pelo menos 160 mil pessoas em celebração do Dia Internacional dos Trabalhadores.

"Os salários são bastante baixos e o nível de vida bastante alto. Os trabalhadores não conseguiram recuperar aquilo que o seu poder de compra perdeu com a inflação", disse à Agência Lusa Alexandre Munguambe, secretário-geral da Organização dos Trabalhadores Moçambicanos - Central Sindical (OTM - CS).

O Governo moçambicano aumentou, recentemente, as tabelas do salário mínimo do país, que variam de acordo com o sector de trabalho, mas, segundo a OTM-CS, a revisão é desadequada à realidade social dos trabalhadores moçambicanos.

"Alguns sectores não chegaram a atingir aquilo que foi a inflação verificada no ano passado. O atual salário mínimo não chega a cobrir metade das despesas de uma família e isso é muito preocupante para os sindicatos", avaliou o secretário-geral.

Munguambe mostrou-se também "preocupado" com a proposta de Lei de Sindicalização na Função Pública, que o Governo moçambicano enviou recentemente para aprovação da Assembleia da República, devido às suas "restrições".

"Gostaríamos de ver as restrições impostas no projeto-lei diminuídas, porque há muitos funcionários públicos que vão ficar de fora", disse.

Em Maputo, no habitual desfile que assinala o 1.º de maio, a OTM - CS espera receber hoje cerca de 35 mil pessoas, que se irão reunir simbolicamente na Praça dos Trabalhadores da capital moçambicana.

"A nível nacional, as estatísticas dos últimos três anos, apontam para 160 mil participantes sob o controlo da OTM -CS", acrescentou Muguambe.

Este ano, a OTM - CS tem como slogan principal no 1.º de Maio: "O trabalho digno, o salário justo, a paz e a justiça social".

LÍDER DA CGTP APELA À LUTA CONTRA A REVISÃO DO CÓDIGO DE TRABALHO



Dinheiro Vivo – Lusa, com foto

O secretário-geral da CGTP exortou os trabalhadores portugueses a lutarem contra as políticas de austeridade, em particular contra a revisão do Código do Trabalho que considera ter como objetivo a desregulamentação das relações de trabalho.

"Ao contrário do que o Governo e o grande patronato afirmam, é falsa a ideia de que há rigidez a mais no mercado de trabalho e que há pouca adaptação dos trabalhadores ao ciclo económico", disse Arménio Carlos na intervenção final da manifestação do Dia do Trabalhador, na Alameda Afonso Henriques, em Lisboa.

Para o sindicalista, não é com mais precariedade ou novas formas de trabalho gratuito que se promove o crescimento económico e se reduz o desemprego.

"Este é um tempo de luta contra estas propostas, que desregulamentam e desumanizam as relações de trabalho e envergonham o país e os portugueses", afirmou perante os manifestantes.

O líder da Intersindical prometeu que a central sindical não aceitará "despedimentos mais fáceis" nem que "o grande patronato fique com todo o poder para alterar o horário de trabalho, reduzir os salários" e "esvaziar a contratação coletiva".

"Não aceitaremos alterações assentes em mentiras grosseiras que apostam numa maior redução dos salários, quando Portugal já é o 4.º país da zona euro com menores custos do trabalho", afirmou Arménio Carlos.

Os milhares de trabalhadores presentes na Alameda aprovaram uma resolução que inclui a maioria das criticas feitas por Arménio Carlos ao Governo e repudia as sucessivas medidas de austeridade impostas aos portugueses e a alteração à legislação laboral.

A CGTP comemorou hoje o Dia do Trabalhadores em mais de 40 localidades sob o lema "Contra a Exploração e o Empobrecimento - Mudança de Política".

Portugal: UGT exige ao Governo cumprimento do acordo de concertação social



CSJ(ACL) – Lusa, com  foto

Lisboa, 01 mai (Lusa) - A UGT exigiu hoje o cumprimento do acordo tripartido de concertação social, reivindicando a necessidade de o Governo definir um calendário que permita a concretização das medidas de crescimento e de emprego previstas no documento.

A exigência foi feita pelo presidente da UGT, João de Deus, e pelo secretário-geral da central sindical, João Proença, nas intervenções que fizeram na Praça dos Restauradores, em Lisboa, para celebrar o Dia do Trabalhador.

"Neste dia, a UGT exige que o Governo cumpra a palavra dada e o acordo assinado. A UGT exige mais eficácia e rapidez de todo o Governo na implementação do acordo. Neste dia, mais uma vez, a UGT afirma a sua firme determinação em exigir o cumprimento do acordo de concertação, sob pena de o mesmo ser denunciado pela UGT, por incumprimento do Governo", afirmou João de Deus.

O presidente da UGT afirmou ser impossível compreender as razões que levaram o Governo a "negligenciar" o cumprimento das medidas do Compromisso para o Crescimento, a Competitividade e o Emprego, especialmente as destinadas a desemprego e ao crescimento económico.

"O Governo foi rápido e célere a implementar as medidas do mercado de trabalho e de alterações do Código do Trabalho, tendo-se esquecido das restantes", afirmou, defendendo a necessidade de o Governo "arrepiar caminho e, rapidamente, adotar um programa e um calendário que permitam a implementação das medidas de crescimento e de emprego".

O secretário-geral da UGT, João Proença, disse, por sua vez, que a central sindical assinou o acordo tripartido "em defesa" das oito horas de horário máximo de trabalho diário, do Estado Social e do emprego.

"Exigimos respeito por este acordo tripartido, o seu cumprimento integral", afirmou.

No final da sua intervenção, João Proença disse aos jornalistas que "a UGT respeita aquilo que assinou, mas tem do direito de crítica, o direito de opinião", considerando, contudo, ser "importante" que o acordo tripartido permaneça em vigor e seja cumprido, porque "é importante" para o país.

O secretário-geral da UGT disse ainda que as palavras de hoje do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, transmitem "alguma confiança de que o acordo vai ser cumprido".

O presidente do PSD e primeiro-ministro defendeu hoje que "não haverá uma segunda oportunidade" para que se diga que o Governo não está a cumprir com a UGT.

OIT ATACA AUSTERIDADE NA EUROPA E ELEVA PREVISÃO DE DESEMPREGO



Marcel Gomes – Carta Maior

Divulgado às vésperas deste 1º de maio, relatório da OIT critica corte de gastos no mundo desenvolvido, por gerar desaquecimento da economia e corte de empregos. Para o diretor Raymond Torres, estratégia reduz demanda agregada e, na prática, não ajuda a reduzir dívida e sequer a restaurar a confiança dos mercados. Em 2013, desocupação deve subir a 9,4% nos países ricos e a 6,2% no mundo, e se manter estável em 7,1% na América Latina.

São Paulo – As políticas de austeridade adotadas por governos da União Européia fizeram a Organização Internacional do Trabalho (OIT) elevar as estimativas de desemprego para a região em 2012 e 2013, indica o relatório Global Employment Outlook, divulgado às vésperas deste 1º de maio.

Os dados agregados sob a rubrica “Economias desenvolvidas e União Européia” apontam desemprego de 9,1% neste ano e de 9,4% no próximo, alta de 0,6 e 1,0 ponto percentual, respectivamente, em relação à última estimativa, divulgada em setembro de 2011. Com isso, o número de trabalhadores sem vagas subirá dos atuais 46,6 milhões para 48,4 milhões em 2013 naquela região.

Sobretudo por causa do mundo rico, a OIT decidiu elevar a previsão de desemprego global. A estimativa é de 6,1% em 2012 e de 6,2% em 2013, em ambos os casos 0,1 ponto percentual acima da previsão de setembro. Estima-se que haja hoje no mundo 202,4 milhões de pessoas buscando emprego sem consegui-lo.

Para o francês Raymond Torres, diretor do Instituto de Estudos do Trabalho da OIT, a alta da desocupação está intimamente ligada às políticas de combate à crise adotadas pelos governos europeus, que intensificaram o corte de gastos público com o objetivo de restaurar a credibilidade perante os mercados financeiros.

“Essa política não está funcionando, tanto que países sob ampla austeridade sofreram a redução da nota de suas dívidas, e o crédito não voltou”, afirmou Torres, em entrevista à imprensa européia. “É óbvio que o déficit público precisa ser reduzido, 10% de endividamento sobre o PIB não é sustentável, mas isso não pode ser feito de maneira agressiva”, completou.

O especialista da OIT avalia que, ao contrário, as políticas que têm sido adotadas pelas administrações européias tendem a elevar o déficit no futuro, na medida em que esfriam a economia, destroem postos de emprego e reduzem a demanda agregada. Ele admite que as grandes empresas já recuperaram boa parte de sua saúde financeira em relação à crise de 2008, mas alerta que o mesmo não ocorreu com as pequenas empresas.

“As grandes companhias já estão com bastante dinheiro em caixa, apesar de não terem, por enquanto, interesse em investi-lo. O problema são os pequenos, que continuam sem acesso ao crédito”, disse Torres. “É importante agir contra o déficit publico com estratégias de crescimento, o que até agora não existe”, criticou.

Por conta disso, a OIT estima que a desocupação no mundo desenvolvido só voltará a cair, lentamente, a partir de 2014, quando recuará a 9,2%, e seguirá baixando nos dois anos seguintes, para 8,8% em 2015, e 8,4% em 2016. O problema é que esses patamares não chegam nem perto do registrado antes da crise de 2008 – quando o desemprego na região era de 5,8%.

Para a América Latina e o Caribe as previsões da OIT são de estabilidade. O órgão acredita que a desocupação ficará em 7,1% neste ano e no próximo, e em 7,2% entre 2014 e 2016. Em relação à previsão de setembro, a estimativa para 2012 e 2013 foi cortada em 0,1 ponto percentual. Entretanto, a situação poderia ser melhor não fosse a crise do mundo rico. Isso porque, com a redução da demanda por lá, as importações vindas do sul tendem a desacelerar, conclui a OIT.

Díli: Hotel Timor apedrejado por participantes em manifestação não autorizada



MSE - Lusa

Díli, 01 mai (Lusa) - O Hotel Timor, no centro de Díli, capital de Timor-Leste, foi hoje apedrejado por um grupo de pessoas no âmbito de uma manifestação não autorizada para assinalar o dia do trabalhador, disse à agência Lusa fonte policial.

Segundo a mesma fonte, o apedrejamento está relacionado com um diferendo laboral no hotel.

O incidente ocorreu ao final da manhã e provocou danos em vidros do edifício e em algumas viaturas estacionadas no local.

As mesmas fontes disseram que dezenas de pessoas foram detidas, mas remeteram para quarta-feira mais informações sobre o incidente, salientando que está a decorrer uma investigação.

Na manifestação participaram cerca de 300 pessoas.

Segundo a polícia, a situação em Díli é de tranquilidade.

Tiago Barata, responsável pelo Hotel Timor, disse também à Lusa que o incidente está relacionado com um diferendo laboral existente com quatro funcionários do estabelecimento relacionado com um alegado furto de dinheiro.

"Continuamos disponíveis para negociar com os quatro funcionários", disse Tiago Barata.

O responsável do Hotel Timor referiu que quatro vidros foram partidos durante o apedrejamento e que o estabelecimento está a funcionar normalmente, com exceção do restaurante que só vai abrir quarta-feira.

Timor-Leste: Recenseamento de novos eleitores vai decorrer ente 02 e 18 de maio



MSE - Lusa

Díli, 01 mai (Lusa) - O Secretariado Técnico da Administração Eleitoral de Timor-Leste (STAE) vai realizar entre 02 e 18 de maio o recenseamento eleitoral de novos eleitores para as eleições legislativas de 07 de julho, informou fonte oficial.

Durante aquele período será também feita a atualização de base de dados para eleitores que tenham cartões danificados e perdidos.

"Os estudantes que quiserem mudar a residência no cartão de eleitor para o distrito de Díli também o podem fazer durante aquele período", disse à agência Lusa o porta-voz do STAE, Saturnino Babo.

Segundo Saturnino Babo, o objetivo da atualização da base de dados é facilitar a votação nas eleições legislativas marcadas para 07 de julho.

Timor-Leste realizou duas voltas das eleições presidenciais em março e abril passados.

Austrália: QANTAS VAI DESPEDIR 400 TRABALHADORES DA MANUTENÇÃO



PNE - Lusa

Sidney, 01 mai (Lusa) -- A companhia aérea australiana anunciou hoje que vai despedir cerca de 400 trabalhadores dos seus centros de manutenção na Austrália, depois de ter registado uma forte queda dos lucros de 83 por cento no segundo semestre de 2011.

De acordo com a agência noticiosa AAP, que cita um porta-voz da Qantas, a companhia vai decidir o número exato de postos de trabalho a cortar em meados de maio.

A Qantas registou no final do ano passado uma queda dos lucros de 83 por cento para 42 milhões de dólares australianos (33 milhões de euros), que atribuiu ao aumento dos preços do petróleo e às greves realizadas pelo pessoal de terra e mecânicos.

A companhia tem um plano de redução de custos de 700 milhões de dólares australianos (551 milhões de euros) até 2014.

Fuga de dissidente é novo "quebra cabeças" para PC China e relações com EUA



AC - Lusa

Pequim, 30 abr (Lusa) - A audaciosa fuga de um conhecido dissidente chinês e o seu anunciado refúgio na Embaixada dos Estados Unidos em Pequim, na semana passada, já foram descritos como "uma bomba relógio" e "um choque de automóveis em câmara lenta".

Metáforas à parte, o caso Chen Guangsheng - advogado cego que conseguiu evadir-se da casa onde se encontrava ilegalmente detido há mais de um ano - é suscetível de ensombrar as relações sino-norte-americanas e ocorre numa conjuntura muito sensível para a liderança chinesa.

A secretária de Estado norte-americana, Hilary Clinton, e o secretário do Tesouro, Timothy Geitner, são esperados na próxima quarta-feira em Pequim, para a 4.ª ronda do Diálogo Estratégico e Económico de Alto Nível China-Estados Unidos.

Ativistas e amigos de Chen garantem que ele está "sob proteção" das autoridades norte-americanas, o que Washington e Pequim ainda não confirmaram nem desmentiram.

A atitude dos dois governos é interpretada como sinal de comum embaraço.

Em fevereiro passado, o ex-chefe da polícia de Chongqing e braço direito do líder comunista local, Wang Lijun, passou mais de 24 horas num consulado dos Estados Unidos no sudoeste da China, onde terá pedido asilo político, mas segundo a embaixada norte-americana, Wang Lijun acabou por sair de "livre vontade".

Wang Lijun está hoje "sob investigação das autoridades centrais", o referido líder, Bo Xilai, foi entretanto afastado e a mulher deste, Gu Kailai, presa por suspeita de homicídio, num escândalo sem precedentes na política chinesa.

No caso de Chen, no entanto, os Estados Unidos não poderão entregá-lo à polícia chinesa e, ao contrário do que já aconteceu com outros dissidentes, o advogado não quererá sair do país.

"Amigos e apoiantes dizem que o ativista não tem nenhuma intenção de abandonar o continente e procura um diálogo direto com o governo central", disse um jornal de Hong Kong.

Chen Guangcheng, 40 anos, tornou-se conhecido por ter apresentado uma queixa contra alegados abusos na aplicação da política de controlo da natalidade ("um casal", um filho"), entre os quais abortos e esterilizações forçadas.

Desde setembro de 2010, quando acabou de cumprir mais de quatro anos de prisão por "atentados à propriedade e perturbação do trânsito", Chen estava proibido de sair de casa, numa aldeia da província de Shandong, nordeste da China, e de receber visitas.

A queda de Bo Xilai foi considerada "um revés para a linha esquerdista" do Partido Comunista Chinês (PCC) seis meses antes de um crucial congresso, que irá escolher a liderança do país para a próxima década.

Segundo alguns analistas, a "linha reformista" do PCC, aparentemente em ascensão, poderia tentar "dialogar" com Chen e atender às suas reivindicações, responsabilizando as autoridades locais pela situação.

Os mesmos analistas advertem, contudo, que essa atitude poderia ser vista como "uma perda de face" ou, pior ainda, "uma cedência a pressões estrangeiras", dois riscos que ninguém parece querer correr.

China: Salário médio oficial dos trabalhadores urbanos ronda os 240 euros mensais



AC - Lusa

Pequim, 01 mai (Lusa) - Os trabalhadores urbanos chineses ganham em média 2.000 yuan por mês (240 euros), segundo o Gabinete Nacional de Estatísticas da China, mas peritos citados hoje na imprensa oficial dizem que aquele cálculo não inclui a maioria dos assalariados.

As estatísticas oficiais foram apenas calculadas com base nos salários em vigor nas empresas estatais, empresas com capitais externos e grandes empresas privadas, disse Liu Junsheng, investigador do Ministério dos Recursos Humanos e Segurança Social, citado pelo jornal "China Daily".

Os trabalhadores das pequenas e médias empresas, que empregam quase 70 por cento da mão de obra, não foram incluídos, salientou o especialista.

Oficialmente, os salários no setor estatal são mais altos do que no privado: 37.000 yuan (4.460 euros) por ano em 2010, contra 20.700 yuan (2.490 euros).

Pelas contas da Organizaçao Mundial do Trabalho, que avalia os salários pela Paridade do Poder de Compra (PPP), o salário médio mensal na China equivale a cerca de 4.100 yuan (494 euros) - menos de metade da média mundial, estimada em cerca de 1.120 euros.

O salário mínimo, instituído na década de 90, varia de região para região: o mais elevado é o que vigora em Shenzhen, uma zona económica especial adjacente a Hong Kong - 1.500 yuan (180 euros).

Em Chongqing, o mais populoso município do país, com cerca de 33 milhões de habitantes, o salário mínimo é de apenas 870 yuan (104 yuan).

O governo chinês tenciona aumentar anualmente o salário mínimo, "pelo menos, 13 por cento até 2015", acima da média de 12,5 por cento registada nos últimos cinco anos.

De acordo com um plano divulgado em fevereiro, em 2015, o salário mínimo deverá ser equivalente a 40 por cento dos respetivos salários médios, proporção que, em algumas regiões, se situa hoje entre 20 e 30 por cento.

Comparado com a União Europeia, o salário mínimo na China continua baixo, mas já é cerca do triplo do vizinho Vietname e mais elevado, também, do que noutros países asiáticos.

MAIOR MANIFESTAÇÃO ASIÁTICA JUNTOU MILHARES EM JACARTA



FPA - Lusa

Lisboa, 01 mai (Lusa) - Milhares de trabalhadores indonésios manifestaram-se hoje na maior concentração do 1.º de Maio na Ásia, exigindo melhores salários e segurança laboral sob a vigilância apertada de polícias e militares.

Por todo o continente asiático, protestos coloridos organizados por sindicatos e partidos de esquerda partilharam a exigência de melhores salários e condições de trabalho, denunciando as políticas governamentais numa altura em que os custos de vida aumentam exponencialmente nos países com maiores crescimentos económicos.

Em Jacarta, capital da Indonésia, mais de 9.000 pessoas juntaram-se na maior praça e marcharam até à sede do Governo com cartazes em que se lia "aumentem os nossos salários" e "acabem com os contratos de 'outsourcing'".

Cerca de 16 mil polícias e soldados foram destacados para garantir a segurança no protesto, disse o porta-voz da polícia de Jacarta, Rikwanto.

"Os custos de vida aumentaram, mas os nossos salários mantêm-se inalterados. Só ganhamos o suficiente para comer e não temos dinheiro no banco. Não temos dinheiro para a educação dos nossos filhos" disse um líder dos protestos, Muhamad Rusdi, à AFP.

"Também não há segurança no emprego. Trabalhos como o telemarketing ou a produção de bens electrónicos são entregues a empresas de 'outsourcing'. Vivemos com medo de perder os empregos", queixou-se ainda.

Também em Hong Kong o aumento do salário mínimo foi a principal exigência dos cerca de 5.000 manifestantes.

"O problema de Hong Kong é que a riqueza está concentrada num pequeno número de pessoas, muitos ainda vivem na pobreza", disse o professor universitário Fernando Cheung, que ensina ação social.

Em Manila, nas Filipinas, cerca 3.000 trabalhadores e ativistas marcharam até ao palácio presidencial, levando consigo uma efígie gigante do presidente, Benigno Aquino, como um cão obediente aos capitalistas estrangeiros.

Na Malásia, o primeiro-ministro marcou o 1.º de Maio com o anúncio de planos para a instituição do primeiro salário mínimo para o setor privado, medida que beneficiará mais de três milhões de trabalhadores.

A oposição socialista, por seu lado, realizou uma manifestação pacífica em Kuala Lumpur, apelando a salários mais elevados e considerando o anúncio governamental como uma "sátira para as eleições", previstas para os próximos meses.

MILHARES PARTICIPAM NAS MANIFESTAÇÕES DO 1º DE MAIO EM ESPANHA




Estas manifestações ocorreram depois de um apelo do PSOE para uma participação maciça nestes desfiles e depois de o governo espanhol ter mandado calar os socialistas espanhóis.

Milhares de pessoas participaram nos desfiles do 1º de maio em Espanha, respondendo assim ao apelo do PSOE para a participação de empregados e desempregados nestas manifestações.

«Este 1º de maio é a expressão de rebeldia pacífica, firme e democrática contra o atentado aos serviços públicos, emprego, direitos sociais e laborais do nosso país que nos levam para bo caminho do empobrecimento», explicou Candido Mendez, da UGT espanhola.

Também numa manifestação em Madrid e, na mesma linha, Inacio Fernandez Torre, das Comissiones Obreras, classificou as políticas do governo liderado por Mariano Rajoy como «inúteis e ineficazes em termos económicos».

Contudo, ainda de acordo com este dirigente sindical espanhol, estas políticas são «tremendamente lesivas no plano social e para as relações do trabalho no nosso país».

Para além da capital espanhola, ocorreram manifestações do 1º de maio em Espanha nas cidades de Barcelona, Valencia e Alicante.

Nas últimas horas, o governo espanhol mandou calar os socialistas espanhóis, considerou que o PSOE deveria ter vergonha de sair à rua para estas manifestações.


PARA ACABAR DE VEZ COM O 1º DE MAIO




O ano passado foi o que seu viu. Este ano mais um grupo de hipermercados quer abrir as portas.

O Primeiro de Maio nasceu com a luta pelas 8 horas de trabalho (sim, trabalhar de sol a sol não é uma invenção recente, era assim até ao séc. XIX). É o dia em que se celebram os direitos dos trabalhadores em todo o mundo, logo faz todo o sentido que se acabe com ele e que à frente desse combate estejam as grandes distribuidoras, as primeiras a usufruírem das flexibilizações de horários que cada revisão das leis laborais vai incrementando. Para eles vale tudo.

A quem queira ser solidário valerá não meter lá os pés. Não é nada consigo? quando lhe cair em cima, e não falo do fim de mais um feriado, falo do regresso à selva laboral, vai ver que é.

A AMPLA CIDADE



Rui Peralta

O dia internacional do desempregado

Manhã de trabalho. As manhãs, todas as manhãs sem excepção, têm rosto. Os traços que caracterizam a expressão facial das manhãs de trabalho são grossos, algo desajeitados, um pouco inseguros e subtilmente indefinidos. Mas o céu nublado é um elemento que faz pesar a característica principal de uma manhã. E no caso das manhãs de trabalho essa característica é a desilusão.

Aquela era uma manhã de trabalho igual às outras manhãs de trabalho. Levantei-me ao som do despertador, fiz a barba, lavei os dentes, tomei um duche e preparei a refeição matinal. Fiz uns exercícios ligeiros e vesti-me. Depois foi a eterna busca matinal da pasta do trabalho que sempre fica em qualquer parte da casa. Tinha a certeza absoluta que deixei a pasta no canto da sala. Teo, o gato cinzento que fazia-se passar por meu companheiro, encostou-se às minhas pernas miando baixinho. Passei-lhe a mão, em jeito de carícia, mas Teo afastou-se e saltou para o sofá. Seguiu-o com o olhar e bingo! Lá estava a pasta! Aliviado, deixei-a na mesa, enquanto me dirigia para a cozinha.

         - És um bom amigo Teo – Confortei o animal e despejei uma lata de comida para gato no seu prato. Sem esquecer a pasta, saí porta fora, correndo em direcção á minha viatura, estacionada frente a casa. Estava com pressa. Ligo o motor e avanço, lentamente, através do trânsito apocalíptico da manhã urbana. O trabalho…Era véspera do Primeiro de Maio, o Dia Internacional do Trabalhador e curiosamente a OIT tinha divulgado umas alarmantes estatísticas sobre o desemprego mundial. São bué, como dizemos aqui em Angola. Comecei a pensar naqueles números enquanto andava no pára-arranca típico das citadinas manhãs de trabalho.

         Alguns consideram-me um viciado em trabalho, mas estou muito longe disso. Preocupo-me a fazer aquilo que gosto. Mas sei que a grande maioria (99,9% dessa coisa a que chamam população activa) não o faz, ou seja está a fazer aquilo que não gosta. Alem do mais sou um militante anti-trabalho. Sou militantemente alérgico ao trabalho e digo-o abertamente e não preocupo-me com o facto de apelidarem-me de vagabundo, preguiçoso e outras do género. Não gosto de trabalhar e se toda a gente for sincera vai dizer o mesmo. Só que temos de ganhar o pão nosso de cada dia e é ai que tudo se complica.

         Parece que nos tempos que correm o pão nosso de cada dia não pode ser garantido. Não há trabalho que chegue para todos. Ë a crise, mas não é a crise. São as novas tecnologias, mas não são as novas tecnologias. Não é um problema da mão-de-obra, nem dos gurus da gestão que todos nós aprendemos a digerir em quantidades. É um problema de Cultura. Naquilo que isto mais representa de profundo. No âmago amargo da questão e no nosso amargo âmago. Acabou, meus amigos, companheiros, camaradas, fréres ouvrieres e outros companheiros de rota, acabou o papel do Trabalho. O paradigma é outro.

         O trabalho perdeu importância. Deixou de ser rentável. Aos poucos e poucos deixou de ser fundamental para gerar lucros. É claro que ainda existem milhões e milhões de trabalhadores assalariados. E ainda vão existir por alguns decénios! Mas…Vai ser duro!

         É que este novo paradigma tem uma essência complexa. Nasce do desnível existente entre as relações sociais na produção e os avanços provocados pela revolução cientifico-tecnológica. Não é uma história igual á da Revolução Industrial, ou á da passagem da escravatura ao regime de assalariado. Não…Nessas fases de desenvolvimento o trabalho era mercadoria necessária ao lucro. Hoje já deixou de ser e amanhã não será.

Os meus pensamentos foram brevemente interrompidos pelo facto de uma senhora, que ia na viatura ao lado, ter cuspido. Provavelmente está grávida…No Antigo Egipto mitológico a deusa Neit também cuspiu, não no asfalto mas nas águas primordiais, originando Apopis.

         O tráfego melhorou. Andava-se lentamente mas sem interrupções. Liguei o rádio do carro e minutos depois avistei o edifício onde trabalhava. Estacionei a viatura e fui para o elevador, saindo, segundos depois, no 12º piso. Percorri o longo corredor e entrei no escritório. A secretária preparava o café e atirou, sorridente, um “Bom dia doutor”, ao qual respondi com um “Bom dia! Correspondência?”. Respondeu que já estava na minha mesa de trabalho e pedi-lhe para trazer o café. Entrei no gabinete enquanto ela poisava a bandeja na mesa. Dei uma leitura rápida na correspondência e verifiquei os e-mails. Recostei-me na cadeira e saboreei o café, observando-me no imenso espelho colocado no tecto do meu gabinete.

         Vivemos, nós, Humanidade, numa situação global de precariedade. Emprego temporário, trabalho precário, empregos a tempo parcial, estágios de formação, desemprego a longo termo, trabalho ilegal e outras anormalidades cada vez mais comuns, ao ponto de já não serem tão anormais assim e serem aos poucos considerados norma. Assistimos a uma queda na barbárie em todo o mundo. A ameaça já não é somente o Estado Totalitário, é também a anomia e a decomposição geral. A sociedade mercantil vai decompondo-se. As ilhotas do bem-estar são cada vez mais locais de mal-estar e o resto do mundo afunda-se gradualmente, em diversos níveis, nas guerras provocadas pelos bandos em disputa pelo que ainda tem valor.

         A Humanidade tornou-se inútil. O totalitarismo do mercado não precisa de nós para continuar o seu papel de acumulação. A implosão do capitalismo vai deixar um vazio que pode ser tornado espaço pela Humanidade, mas não nos podemos esquecer que certas partes da humanidade continuam a mover-se pelo lucro. Esta agonia da sociedade mercantil é um momento histórico único. Em nenhum momento histórico foi tão importante o factor da vontade consciente dos Homens.

         As turbulências acontecem por si e per si, já não é necessário que sejam provocadas pelos inimigos do sistema. O problema hoje é saber em que sentido se vão definir as turbulências, pois nem todas elas situam-se no campo da emancipação. Muitos dos ataques desferidos contra a nova ordem global não entram no esquema clássico de luta de classes e muitos deles servem aos que defendem uma nova ordem que nada tem de praxis de libertação.

         Urgem alternativas. Há que voltar a enquadrar a economia na sociedade, mas não a integração de uma economia mercantil numa sociedade vasta. Esse enquadramento tem de ser efectuado como superação da divisão entre consumo e produção e abolição do trabalho e do mercado. Nesta perspectiva a dicotomia reforma e revolução já não faz sentido.

         A crítica ao trabalho não é um luxo dos países ditos ricos. Ela é mais premente nos países pobres e ditos de economias emergentes, onde o trabalho já desapareceu efectivamente mas é apenas mantido para evitar turbulências que impeçam o desenfreado enriquecimento das suas elites saqueadoras, ou naquelas economias em que o trabalho nunca chegou a estar presente, porque já näo säo necessários ou nunca o foram muito e que o melhor seria o seu desaparecimento, a bem da economia mundial. É a barbárie desenfreada.

         Este é um momento da História mundial em que ser explorado pelo capital é um privilégio a que só uma minoria é permitido gozar. A crítica e a abolição do trabalho säo a condição primeira para a reapropriação dos recursos que foram expropriados pelo capital. É necessário combater o trabalho, mesmo ainda ele existe, em vez de criar soluções misericordiosas aos novos pobres, cada vez em maior numero, excluídos dos recursos.

Näo é necessário teorizar muito nem criar novas utopias. É suficiente colocar o conhecimento alcançado pela revolução cientifico-tecnológica ao serviço da humanidade. Reapropriar o conhecimento e retomar a ideia aristotélica da vida boa como fim último da sociedade. Perguntem ao kota Marx…

Confortavelmente instalado iniciei uma prazenteira leitura.

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Portugal: CGTP e UGT comemoram Dia do Trabalhador em clima de austeridade



Lusa

Lisboa, 01 mai (Lusa) - As duas centrais sindicais comemoram hoje o Dia do Trabalhador em clima de austeridade, com os habituais desfiles em Lisboa e manifestações agendadas pela CGTP para 43 outras localidades.

A CGTP e a UGT têm percursos diferentes para os respetivos desfiles do 1.º de Maio em Lisboa, mas os lemas e os objetivos das manifestações pouco diferem.

Na capital, os manifestantes da Intersindical vão desfilar entre o Martim Moniz e a Alameda Afonso Henriques, onde se realiza o comício sindical, seguido de animação musical.

Os manifestantes da UGT vão desfilar do Marquês de Pombal aos Restauradores, para onde estão previstas as intervenções sindicais.

COMEMORAÇÕES DA HIPOCRISIA



Adão Cruz - Aventar

Eu peço desculpa por este creme feito de leite azedo e de gosto amargo mas não sou eu o responsável pelos ingredientes. Aquilo que se passou naquele lugar que dá pelo nome de Assembleia da República, e deveria chamar-se Assembleia dos Interesses alheios à República, foi uma enfadonha cantilena sem qualquer alma e um despudorado ramalhete de hipocrisia. Até os pobres dos cravos pareciam todos murchos.

Ainda que respeitando e salvaguardando as pessoas honestas e sinceras que lá se encontravam, esta desenraizada cena, esquálida e amarelecida múmia da revolução, sem sangue nem vida, repugna e faz subir à garganta um nó que só consegue desatar-se quando uma lágrima de saudade humedece o canto dos olhos.

Ouvir o Presidente percorrer no seu discurso todo um mundo feito de males e bens, com a escamoteada intenção de branquear os males e redimir-se da grande responsabilidade que teve na génese da miséria que hoje somos, vá que não vá. O que se torna insuportável é ouvi-lo a meter, a martelo e a contragosto, o 25 de Abril aqui e ali, disfarçadamente , para enfeitar as palavras do discurso.

E quase nos apetece dar razão àquele sujeito com ar assim… assim grosso modo, de olhos ramelados pelo ódio, usando o cérebro com a fralda de fora, aquele sujeito com comportamento que parece marginal à linha darwiniana, aquele sujeito com a polícia à perna e que terá deitado mil e tal milhões de todos nós pelo cano abaixo, ou por canos que ninguém sabe onde vão dar, quando chama a estas coisas “folclore abrileiro”.

Claro que não é ao folclore da Assembleia que ele quer chegar. Embora isso o incomode, ele sabe que é uma farsa com a qual até poderia ser tolerante e colaborante, se fosse hipócrita, coisa que, honra lhe seja feita, não é. É facho genuino, embora por vezes use entre dentes e com sorriso provocador, a palavra democracia, que ele sabe não ter na sua boca a minima força para ser levada a sério.

Onde ele quer chegar com o seu “folclore abrileiro” é mesmo às comemorações autênticas e verdadeiras, à pureza e ao cerne das comemorações do 25 de Abril, mas todos sabemos que isso não passa de uma daquelas tiradas genuinamente fascistas que desde há muitos anos lhe entopem a garganta.

Mas o 25 de Abril é grande de mais para almas tão pequenas.

A CREDIBILIDADE DESTE GOVERNO ATINGIU O ZERO, MAS DA ESCALA DE KELVIN




jorge fliscorno – Aventar, com foto


Isto corresponde à n-ésima variante sobre o mesmo tema das calendas gregas. Tenho vergonha deste país que carrega parte da população com o fardo de pagar uma muito maior parcela da escandalosa nacionalização do BPN e do miserável buraco da Madeira. Ainda para mais com o enorme desplante de permitir à nobreza da função pública, a administração de topo, ter regimes de isenção destes cortes (já vai em 14!). Os erros foram cometidos por uns poucos, poucos estes que foram eleitos por muitos, e vai ser pago por uns poucos também.

Quando havia o escudo estes buracos também aconteceram muitas vezes. Mas, então, a desvalorização da moeda era o machado que a todos cortava o poder de compra por igual. Lembro-me, por exemplo, de haver depósitos a prazo que pagavam 18% ao ano, tal era a inflação. Agora, que esse algodão de limpar nódoas da má governação se foi, sobra-nos a sabedoria de Mazarin.

E não sou funcionário público.