sexta-feira, 31 de Agosto de 2012

OS RICOS DE ANGOLA

 

José Eduardo Águalusa

Espero sinceramente que esta crónica pareça completamente ridícula daqui a meia dúzia de anos. Trata-se de uma crónica que tem por tema a inauguração com a presença do Presidente da República! Num país minimamente desenvolvido, com um saudável sistema de economia de mercado, a inauguração de um novo centro comercial representa, quando muito, uma notícia relevante para o bairro onde o mesmo se situa.

O facto de um tal acontecimento nos entusiasmar tanto (a mim entusiasma) diz bem do lamentável atraso em que nos encontramos - é o espanto do camponês ao ver pela primeira vez uma televisão (ou, ao invés, do menino da cidade diante de uma galinha). Daqui a meia dúzia de anos espero, pois, que a notícia da inauguração de um centro comercial já não alvoroce ninguém. Olhando para trás haveremos todos de sorrir, com certa auto-ironia, ao lembrarmo-nos do tempo em que não havia em nenhuma cidade angolana um bom cinema, com filmes actuais, ou sequer uma boa livraria. Nessa altura o Presidente da República, quem quer que seja, há-de estar a inaugurar grandes bibliotecas públicas, bons hospitais, auto-estradas, escolas em bairros carentes, e então nós teremos orgulho nesse Presidente da República. Os nossos ricos - por falar em centros comerciais - são igualmente reveladores do terrível atraso em que três décadas de guerra, corrupção e incompetência deixaram o país.

Não temos ainda ricos como os ricos dos países ricos. Os ricos dos países ricos são charmosos e elegantes. Praticam musculação em casa, uma hora por dia, com a ajuda de um personal trainer, e ainda lhes sobra tempo para o yoga, a escalada, a esgrima, ou a equitação.

Os nossos ricos, esses, luzem de gordura. Acham que assistir ao futebol, sentados num sofá, é a forma mais confortável de fazer desporto. Os ricos dos países ricos morrem de velhice perto dos cem anos. Os nossos sofrem crises de malária e morrem vítimas de doenças ligadas a maus hábitos alimentares, como os pobres dos países ricos, antes dos setenta. Os verdadeiros ricos têm no escritório uma tela de Miró ou de Picasso. Os nossos têm uma fotografia do Presidente da República a inaugurar centroscomerciais. Os verdadeiros ricos coleccionam a grande arte do nosso tempo - Paula Rego, David Hockney, Portinari, Basquiat, etc..

Os nossos ricos coleccionam "arte africana", o que quer que isso seja, comprada muitas vezes nos mercados populares. Os verdadeiros ricos assistem em Londres ou em Nova Iorque a concertos dirigidos por grandes maestros. Os nossos assistem em Luanda a desfiles de misses. Os ricos legítimos almoçam num dia com Mário Vargas Llosa, em Paris, e no outro com Barack Obama, em Washington.

Os nossos almoçam com o Pierre Falcone em algum recanto escondido. Os verdadeiros ricos lêem o Times Literary Suplement e a New Yorker. Os nossos lêem a "Caras", na versão nacional, e sorriem felizes de cada vez que encontram o próprio rosto (encontram sempre, é inevitável) iluminado por uma aura de gordura. Resumindo: os nossos ricos são uma fraude. São tão duvidosos, enquanto ricos, tão refutáveis e mal-amanhados, quanto eram enquanto comunistas. Precisamos, urgentemente, de novos novos ricos. Ou então resignamo-nos a que estes envelheçam Porém, como disse antes, receio que a maior parte morra antes de envelhecer decentemente.
 
*Origem de publicação não referida, recebido via email
 

Angola: EDUARDO DOS SANTOS "NOVO" PRESIDENTE, MPLA VENCEU AS ELEIÇÕES! - I

 


Líder da UNITA apela à votação apesar de processo "completamente viciado"
 
30 de Agosto de 2012, 22:36
 
Luanda, 30 ago (Lusa) - O líder da UNITA, Isaías Samakuva, apelou hoje em Luanda, numa curta declaração à imprensa, à votação de todos nas eleições gerais em Angola, apesar de considerar o processo eleitoral "completamente viciado".
 
No texto que leu na noite de hoje, o líder do partido do "Galo Negro" justificou o apelo ao voto com a promessa feita na véspera de se dirigir aos angolanos para os informar da decisão da UNITA acerca da sua participação no escrutínio.
 
"Apesar de o processo estar completamente viciado, hoje, numa reunião do Comité Permanente, decidimos que vamos todos ao voto. Com ordem, com serenidade e com tranquilidade. Vamos votar", afirmou. "Sempre defendemos a lei e é dentro deste quadro que faremos valer a nossa razão", acrescentou.
 
Composição do parlamento e futuro chefe de Estado decidem-se hoje nas urnas
 
31 de Agosto de 2012, 06:03
 
Luanda, 31 ago (Lusa) - Angola realiza hoje as terceiras eleições da sua história e as primeiras em que o Presidente da República é escolhido por via indireta, num dia que vai testar a credibilidade do processo eleitoral, após acusações de irregularidades dirigidas pela oposição.
 
A UNITA chegou a propor o adiamento das eleições gerais, numa carta dirigida a José Eduardo dos Santos, presidente do partido maioritário e da República, não se responsabilizando pelo que aconteceria se o diálogo fosse recusado, mas o MPLA disse na quinta-feira que não via motivos para mudar o dia da votação.
 
No mesmo dia, a Comissão Nacional Eleitoral (CNE) declarou estarem reunidas "todas as condições" para avançar com o processo e o comandante da Polícia Nacional avisou que 70 mil efetivos estão prontos para responder a pertubações da ordem pública e para "defender o Governo e muito especialmente o seu líder até às últimas consequências".
 
Apesar de considerar o processo "completamente viciado", o presidente da UNITA disse no final do dia de reflexão, e véspera das eleições, que o seu partido vai participar na votação e apelou à participação de todos.
 
Os 9.757.671 eleitores angolanos escolhem um novo parlamento, num escrutínio em que o MPLA, partido no poder desde a independencia, em 1975, parte favorito contra oito formações políticas, propondo-se como a única força credível para desenvolver Angola, com base na obra feita nos últimos anos.
 
Os principais partidos de oposição insistem nas acusações de perpetuação no poder de José Eduardo dos Santos, na distibuição de riqueza e na denúncia de uma rede clientelar do partido no poder, que dizem confundir-se com o aparelho de estado.
 
A principal novidade que vai surgir hoje nos boletins de voto é a Convergência Ampla de Salvação Nacional - Coligação Eleitoral (CASA-CE), de Abel Chivukuvuku, dissidente da UNITA e ex-delfim de Jonas Savimbi, apresentando-se como uma terceira via aos dois partidos históricos.
 
Dos 220 deputados eleitos diretamente, sairão por via indireta o Presidente e o Vice-Presidente da República, cargos que serão preenchidos com os dois primeiros nomes da lista vencedora pelo círculo nacional para um mandato de cinco anos.
 
A encabeçar a lista do MPLA está o Presidente José Eduardo dos Santos, que poderá obter hoje a legitimação nas urnas para um cargo que exerce há 32 anos, e Manuel Vicente, ex-administrador da Sonangol, estrela ascendente no partido, enquanto vários históricos foram relegados para segundo plano nas listas.
 
O dia será também um teste à CNE, cuja credibilidade foi posta em causa pela UNITA e outros partidos de oposição, devido à divulgação dos cadernos eleitorais, presença de delegados das listas nas mesas de voto, disponibilização de atas no fim da votação e transmissão de dados.
 
Na quinta-feira, um protesto de jovens ligados à CASA-CE foi reprimido e quinze pessoas ficaram detidas, quando tentavam manifestar-se junto à sede da CNE em Luanda contra a decisão de credenciar apenas metade dos delegados solicitados pelo partido.
 
Mais de dois mil observadores nacionais e internacionais foram acreditados para acompanhar a votação, mas várias organizações cívicas angolanas queixaram-se de ficar sem resposta aos seus pedidos de credenciamento.
 
A União Africana, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral são as principais organizações presentes, mas, ao contrário das legislativas de 2008, ganhas pelo MPLA com mais de 80 por cento dos votos, a União Europeia não terá observadores no terreno, alegando que Angola não deu atenção às suas recomendações feitas nesse ano.
 
HB
 
Assembleias de voto abertas para terceiro escrutínio desde a independência
 
31 de Agosto de 2012, 07:54
 
Luanda, 31 ago (Lusa) -- As assembleias de voto em Angola abriram hoje cerca das 07:00 para as terceiras eleições desde a independência, em 1975, em que o favorito é o partido de José Eduardo dos Santos, no poder há 33 anos.
 
Cerca de 9,7 milhões de eleitores são chamados a depositar o seu voto nas 10 mil assembleias abertas até às 18:00 para eleger os deputados.
 
Segundo a Constituição angolana, o líder do partido vencedor é eleito Presidente da República para os próximos cinco anos.
 
*O título nos Compactos de Notícias são de autoria PG
 
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25 ANOS DEPOIS! – I

 

Martinho Júnior
 
1 – Faz 25 anos que Angola viveu experiências impressivas para a sua trajectória de jovem país africano e para a vida em toda a África Austral; de entre essas experiências há duas sintomáticas da evolução que se seguiria ao longo da década final do século XX e primeira década do século XXI:
 
- As “South Africa Defence Forces” do regime do “apartheid”, tirando partido da panóplia de bases na Namíbia ocupada e da sua posição de força em toda a região desencadeava a “Operation Modular”, em socorro de seus “apêndices” em Mavinga, numa altura em que as FAPLA procuravam exercer a soberania angolana em todo o espaço nacional e muito em particular no imenso sudeste do país.
 
- O estado angolano iniciava as transformações a que se foi sujeitando a partir de 1985, levando a julgamento os oficiais da sua segurança que ousaram, no seguimento de orientações, dar combate ao tráfico ilícito de diamantes e à panóplia de interesses que agiam nesse âmbito e com essa cobertura, entre eles alguns interesses externos contra a orientação socialista de então.
 
2 – A tendência de muitos analistas, observadores e até historiadores é para estudar os fenómenos sem os correlacionar e sem correlacioná-los com a conjuntura global e sua evolução no espaço e no tempo; no entanto o que estava a acontecer em Angola e em toda a região, era já sintomático das transformações que ocorriam no mundo e em função disso chamo desde logo a atenção para o facto de que o que se passava a nível interno do estado angolano, tocando seus próprios instrumentos de poder, ser indissociável em relação aos acontecimentos que se desenrolavam na região ainda contaminada pelo regime do “apartheid” e seus “apêndices” (os “bantustões” e os “freedom fighters” afins), assim como era indissociável da evolução global, tendo em conta muito em particular os fenómenos que ocorriam nos países socialistas do leste da Europa e na própria URSS.
 
A “globalização” em função da hegemonia do império, explorando a lógica capitalista e o neo liberalismo, estava já em curso, depois dos ensaios na América Latina da “Escola de Chicago” tendo Milton Friedman como ideólogo e figura de destaque.
 
Karl Popper e a “Oppen Society” do “especulador-filantropo” George Soros viriam em tempo oportuno em seu socorro quando se acelerou o processo de implosão nos países socialistas, tudo sob a supervisão dos serviços de inteligência ao dispor da hegemonia e das multinacionais afectas ao domínio, tirando partido da multiplicidade de culturas indexadas à dominante cultura anglo-saxónica.
 
Se em Angola se iniciavam as transformações que iriam pôr de lado as pretensões socialistas, o regime do “apartheid” por seu turno entrava no seu período final e mais crítico, daí a intensidade dos combates que ocorreriam em Mavinga e Cuito Cuanavale, precisamente numa enorme área reclamada para prospecção por parte da De Beers!
 
Se os países do socialismo real estavam a ser intestinamente tocados, também o movimento de libertação em África se iria ressentir, pelo que as transformações se coadunavam com a lógica capitalista prevalecente: para ela sair em vantagem, a hegemonia podia tirar partido da luta entre contrários levados ao antagonismo e à guerra e, entre uma tese como a do movimento de libertação e uma antítese como a do “apartheid”, a síntese da “democracia representativa”, com as sociedades abertas aos interesses neo liberais, tornava-se de realização possível – seria por essa via que se conduziria a “globalização” ao sabor da aristocracia financeira mundial, das oligarquias e das elites formatadas, conforme às lições resultantes das experiências realizadas na América Latina, como conforme às lições que as culturas elitistas detinham em África, tendo como ponto de partida as experiências “incontornáveis” de Cecil John Rhodes… “do cabo ao Cairo”!...
 
3 – Desde então passou a ser indispensável a formação das novas elites africanas, aferidas ao padrão das “democracias representativas” e aptas para o continuado exercício de poder, se possível prevendo as suas alternâncias, pelo que o processo angolano, como de todos os componentes da SADC, deu passos imediatos nessa direcção a partir de 1985.
 
As doutrinas socialistas no quadro do movimento de libertação serviam ainda para fazer frente à besta do “apartheid”, mas mesmo sendo elas doutrinas que visavam a construção da paz, seguindo uma trilha de equilíbrio, de harmonia e de luta contra o subdesenvolvimento, ficaram à mercê da lógica capitalista que passou a iluminar os mentores do poder de estado vocacionado para o “mercado” das sociedades de consumo, até por que a reconstrução e a reconciliação nacionais iriam estabelecer o plasma para as integrações ao mesmo tempo que poderiam absorver os interesses provenientes do exterior.
 
Como sustentáculo da sua projecção em Angola, a “globalização” iria tirar partido do petróleo e da indústria mineira, sobretudo dos diamantes, binómio esse que seria alvo das disputas que levariam à “guerra dos diamantes de sangue”, que só teve fim com a morte de Savimbi em 2002.
 
Savimbi aproveitou o episódio das transformações dos instrumentos do poder de estado, sintomático na prisão dos oficiais que haviam levado a julgamento os traficantes do 105/83, para ocupar um espaço que só lhe foi possível graças ao “laxismo” e falta de prevenção do poder angolano, ele próprio também “aberto” em relação às possibilidades de “privatização” em relação à exploração e comércio dos diamantes: os recursos já não eram para benefício do povo por via do estado e desse modo, ocupar o espaço dos diamantes aluviais tornou-se-lhe apetecível ao ponto dos diamantes poderem financiar a tentativa de tomada do poder pela guerra!
 
Os dois contendores utilizaram os recursos (o petróleo dum lado, os diamantes do outro), como “barricadas”, até por que as explorações de uns e de outros eram em território distinto: o petróleo era junto ao litoral e os diamantes bem no “interior profundo”!...
 
O cartel dos diamantes tentou por via de Savimbi, encontrar soluções para chegar ao poder em Angola numa posição privilegiada e, não o conseguindo por via da guerra, haveria de o alcançar em condições satisfatórias por via da inteligência, no momento em que a “síntese” se tornou possível.
 
O “modelo” da “globalização” em Angola e em toda a África Austral, em função dos interesses e conveniências da aristocracia financeira mundial e da sua hegemonia, em função do império, iria apropriar-se da necessidade da paz que fazia parte da essência do socialismo e aproveitar esse fundamento para, depois do vazio criado pelo desalojar das correntes que se prontificavam a realizá-la, fazer coincidir isso com o final das grandes conflagrações militares: o socialismo serviria para ir até ao fim das guerras, mas já não serviria para protagonizar a paz enquanto doutrina dominante, ou mesmo de doutrina com reflexos no poder!
 
Gravura: Capa do livro “War in Angola – The final South African phase” de Helmoed-Romer Heitman: da instalação dos “Liaision Teams” em 1986, até à assinatura do “”Acordo de Nova York” a 22 de Dezembro de 1988.
 

Timor-Leste: DOCUMENTÁRIO SOBRE O LUSITÂNIA EXPRESSO

 

 
Está em produção um documentário sobre os 20 anos do Lusitânia Expresso, da responsabilidade do realizador português Francisco Manso que conta com o apoio da RTP e tem emissão prevista para Novembro. A equipa irá estar em Timor de 8 a 15 de Setembro.
 
Na sequência do massacre no cemitério de Santa Cruz, ocorrido a 12 de Maio de 1991, a redacção da revista portuguesa Fórum Estudante lançou a iniciativa "Missão Paz em Timor" que levou estudantes de várias nacionalidades numa viagem de ferry-boat até ao mar de Timor. O navio chamava-se "Lusitânia Expresso" e partiu de Lisboa com o objectivo de colocar uma coroa de flores no local do massacre, um acto simbólico para sensibilizar a opinião pública internacional para a causa de Timor.
 
Esta missão contou com o apoio de várias figuras públicas, entre elas, o ex-Presidente da República Portuguesa, General Ramalho Eanes, e de 120 estudantes, de 23 países.
 
A 9 de Março de 1992, após três meses de viagem, o navio Lusitânia Expresso saiu de Darwin e foi sobrevoado por aviões militares indonésios, sendo interceptado por quatro navios de guerra indonésios , no dia 11 de Março, à entrada nas águas de Timor. Após o lançamento da coroa de flores ao mar, em memória dos que perderam a vida no massacre no cemitério de Santa Cruz, o Lusitânia Expresso foi obrigado a regressar a Portugal.
 
Apesar de não ter atingido o seu objectivo de chegar a Dili, a viagem do Lusitânia conseguiu mobilizar a atenção dos media internacionais, contribuindo de alguma forma para a retirada da Indonésia e para independência de Timor Leste.
 

Timor-Leste: 13º ANIVERSÁRIO DO REFERENDO DA INDEPENDÊNCIA

 

Timor Digital
 
«Cooperação entre o Estado e os cidadãos é a chave» - PR
 
Díli – O Presidente da República Taur Matan Ruak disse que os timorenses continuam a exigir que o Governo melhore a vida dos cidadãos para a prosperidade.
 
Taur Matan Ruak acredita que a cooperação entre o Estado e os cidadãos é a chave para combater a pobreza no país.

«Peço ao Governo e a todas as pessoas que trabalhem em conjunto com um pano claro e espírito para reduzir a pobreza», referiu o Chefe de Estado, esta quinta-feira, 30 de Agosto, no seu discurso do 13º aniversário do referendo que tornou o país independente.

«A prosperidade pode acontecer se todos nós trabalharmos juntos», disse o Presidente.

O actual governo baseia-se no Plano Estratégico Nacional feito por Xanana Gusmão, que prevê que, em 30 anos, Timor-Leste será um país desenvolvido.

O Presidente do Parlamento Nacional, Vicente Guterres, disse que está na hora do desenvolvimento nacional e pediu aos jovens que se apliquem para darem o seu contributo.

Os recursos humanos são muito importantes para incrementar o desenvolvimento do país, disse Vicente Guterres.

A FRETILIN opõe-se ao plano de Xanana Gusmão, pois acredita que vai custar muito dinheiro. Segundo o plano estratégico, será preciso uma grande quantia e o plano concentra-se mais nas infra-estruturas, e não nos sectores de educação e saúde.

Em cinco anos do anterior Governo, liderado pelo actual Primeiro-ministro o Executivo gastou mais de 5 milhões de dólares, que deram pouco resultado ao povo. A maioria das pessoas ainda está na pobreza.

Estradas, pontes, abastecimento de água, saneamento, escolas em mau estado e instalações limitadas e preços altos nos mercados e pouco lucro, são os principais problemas enfrentados pelo povo, especialmente aqueles que estão nas áreas rurais. O desemprego, a corrupção e o favoritismo e também são outros grandes problemas.

Alguns membros do Governo anterior foram expostos à Comissão de Investigação Anti-Corrupção.

Apenas o caso de corrupção da ex-ministra da Justiça, Lúcia Lobato, foi decidido pelo tribunal, que decretou cinco anos de prisão. No entanto, o Tribunal de Recurso ainda não tomou a sua decisão sobre o caso.

O Vice-primeiro-ministro, Fernando Lasama de Araújo, disse que o Governo tem um forte compromisso em trazer o desenvolvimento para perto das pessoas e pediu ao Executivo para trabalhar mais para melhorar a vida das pessoas vida.
 
(c) PNN Portuguese News Network
 

Timor-Leste: Miguel Relvas assina acordos de cooperação no sector dos media

 

Timor Digital - foto em Sapo TL
 
Programa de Comunicação Social 2012-2013
 
Díli - O Ministro de Estado e da Presidência do Conselho de Ministros, Agio Pereira, e o ministro-adjunto e dos assuntos Parlamentares de Portugal, Miguel Relvas, assinaram um Acordo de Cooperação para o sector de comunicação social, bem como quatro protocolos adicionais.
 
O principal objectivo deste acordo é a cooperação bilateral no sector dos media e contribuir para o fortalecimento da independência da comunicação social, no exercício responsável da liberdade de informação, de modo a cumprir um dos objectivos do V Programa Constitucional do Governo, que prevê que «o direito à informação, a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa são vitais para a consolidação da democracia em Timor-Leste».

O fluxo de informação aumenta a compreensão pública sobre os projectos e actividades do Governo, ajudando a criar unidade e coesão nacional.

Este acordo segue o Programa de Comunicação Social 2012-2013, financiado pela União Europeia sob um acordo de parceria em Portugal, e o Memorando correspondente de Entendimento, assinado entre o Instituto Português para o Suporte ao Desenvolvimento (IPAD), os Meios de Comunicação Social (GMCS) e a secretaria de Estado do Conselho de Ministros (SECM), em 6 de Junho de 2012.

Com a necessidade de incorporar os diversos programas, projectos e actividades de cooperação bilateral neste campo, Timor-Leste e Portugal decidiram criar este documento, cobrindo as seguintes áreas: regulação e auto-regulação do sector, elaboração de legislação em conformidade com as melhores práticas internacionais, educação, formação e investigação relevante, criação e desenvolvimento de agências de notícias e estações públicas ou comunitárias de rádio e televisão, incluindo assistência técnica para suas operações diversas.

Os quatro protocolos concentram-se igualmente no sector de media. Um dos quais, que envolve a Universidade Nacional de Timor-Leste (UNTL) e da Universidade Católica de Portugal (UCP), além de ambos os Governos, prevê um intercâmbio académico e a criação de uma biblioteca especializada para media, na UNTL.

No que diz respeito ao intercâmbio académico, o protocolo define que os graduados da UNTL, do Bacharelato em Ciências Sociais e Comunicação, vão participar durante um semestre no curso correspondente da UCP.

Os seis primeiros formandos do curso de media da UNTL, já abrangidos por este protocolo, participaram numa visita às instalações da Rádio e Televisão de Timor-Leste (RTTL), conduzida pelo ministro Miguel Relvas.

O escritório do Ministério de Presidencial do Conselho de Ministros disse que outro protocolo, que envolve os dois Governos e o Centro de Formação Profissional para Jornalistas, centra-se na formação especializada de trabalhadores das instituições de media em Timor-Leste.

O terceiro protocolo foi celebrado entre os dois Governos e a Lusa - Agência de Notícias de Portugal, e prevê a criação de uma dependência em Timor-Leste, que é um dos objectivos do V Programa Constitucional do Governo, aprovado em reunião extraordinária do Conselho de Ministros a 25 e 26 de Agosto.

O quarto e último protocolo que, para além dos dois Governos também envolve a RTTL e a Rádio e Televisão de Portugal (RTP), diz respeito à exploração e protecção dos arquivos da RTTL, que estão em risco de deterioração.

Digitalizar e proteger este arquivo é fundamental para a preservação da memória colectiva nacional e do histórico de parceria que existe entre a RTTL e a RTP.

Agio Pereira enfatizou que «a comunicação é considerada um dos pilares da democracia moderna e um factor importante para a área social, a estabilidade e o desenvolvimento sustentável para os países.

É fundamental que Timor-Leste desenvolva este sector.

«A assinatura deste acordo é um passo importante rumo a um futuro estável e próspero, não só com pessoas esclarecidas e desenvolvidas, mas também felizes», concluiu.

(c) PNN Portuguese News Network