quarta-feira, 17 de Agosto de 2011

Espanha: Polícia carrega com bastões contra manifestantes da Puerta del Sol


foto Jorge Guerrero/AFP

JORNAL DE NOTÍCIAS

Agentes policiais carregaram esta quarta-feira contra centenas de manifestantes na Puerta del Sol, depois de alguns terem agredido agentes com garrafas de água e outros objectos, no fim da manifestação contra os gastos com a visita de Bento XVI.

Com bastões, os agentes fizeram uma linha que foi "limpando" a Puerta del Sol, no centro de Madrid, onde antes já se tinham vivido momentos de muita tensão entre os manifestantes e grupos de jovens peregrinos que ali se encontravam.

Os manifestantes foram afastados para várias ruas de acesso à Puerta del Sol - nomeadamente Carretas e Carrera de San Jerónimo - e a praça ficou praticamente deserta.

"Assassinos, assassinos", gritavam repetidamente os manifestantes, com relatos a darem conta de algumas agressões a agentes.

Os poucos peregrinos que ainda ali permaneciam já abandonaram o local.

Antes, peregrinos e manifestantes provocaram-se mutuamente com os primeiros a cantar, rezar e a gritar "Benedicto, Benedicto", e os manifestantes a repetirem palavras de ordem em defesa de um Estado laico e contra os gastos originados pela visita do papa.

Muitos dos participantes no protesto, autorizado pelo Governo, queixam-se de a polícia ter permitido que os peregrinos, que estavam na praça, praticamente travassem os manifestantes, que acabaram por ficar concentrados no local.

Um cordão policial tem tentado separar os dois grupos mas pelo menos uma pessoa foi já detida, com os peregrinos a rezarem e a cantarem, gritando repetidamente "Benedicto, Benedicto" e os manifestantes a responder "Eu sou pecador, eu sou pecador".

Os manifestantes, em que se incluem pessoas de todas as idades, cristãos anti-gastos com a visita, homossexuais, republicanos e indignados, começaram o protesto às 19.30 horas (18.30 horas em Lisboa).

A tensão na Puerta del Sol causou alguns problemas ao percurso da manifestação, com muitos já na praça e outros ainda sem terem conseguido sair da praça Tirso de Molina, a cerca de 700 metros.

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Timor-Leste: KIRSTY GUSMÃO EXPLICA ESTRATÉGIA NACIONAL PARA A EDUCAÇÃO





Novo sistema educativo

Díli – O Governo timorense aprovou o decreto-lei que elimina a língua portuguesa dos primeiros anos da escola primária, em todo o país. Os estudantes de Díli usarão o Tetum e os alunos dos outros distritos usarão as línguas maternas.

Em entrevista exclusiva, a Presidente da Comissão Nacional de Educação, Kristy Sword Gusmão, declarou que os estudantes deveriam começar a aprender a língua portuguesa apenas a partir do quinto ano de escolaridade.

O ministro da Educação, João Cancio Freitas, conduziu, em Novembro de 2009, uma comissão com o fim de desenvolver uma política acerca do uso das línguas nativas dos alunos no sistema de educação de Timor-leste. Participaram quatro representantes do Ministério da Educação de Portugal e dois membros da Austrália.

Neste encontro, surgiu a necessidade de reunir com o Presidente da República, o Primeiro-ministro, o Ministro da Educação, professores, autoridades locais e estudantes, com o fim de discutir sobre a utilização das línguas maternas nas escolas.

Segundo Kristy Sword Gusmão, muitos estudantes transmitiram à Comissão que gostariam de utilizar a língua materna desde os primeiros anos da escola primária, antes de aprenderem línguas estrangeiras como Português ou Inglês. Nesta sequência, a Comissão Nacional de Educação convidou dois especialistas da Universidade de Melbourne e da Suécia, tal como membros da igreja, do Governo e de Organizações não Governamentais (ONG).

A nova política foi estabelecida a 21 de Fevereiro de 2011. Kristy Sword Gusmão defende a necessidade de implementar o novo sistema, uma vez que, desde que se utiliza a língua portuguesa no ensino básico, depois da independência, muitas crianças têm tido dificuldades de aprendizagem. Este é um dos motivos que levam as crianças abandonarem a escola logo nos primeiros anos, por não entenderem as matérias.

«Também observei que, nas salas de aula, as crianças são forçadas a utilizar a língua portuguesa», comunicou a Presidente da Comissão Nacional de Educação, acrescentando que «a realidade mostra que muitos dos próprios professores não sabem a língua portuguesa. É importante melhorar o sistema de modo que as crianças consigam aprender também outros idiomas». Kristy Sword Gusmão chegou à conclusão que os alunos do ensino básico apenas conseguiam ler e escrever se usassem a língua materna.

Segundo a Presidente da Comissão Nacional de Educação, este novo sistema é semelhante ao de outros países, incluindo a política de educação das Filipinas.

O objectivo é preparar os alunos para começarem a aprender a língua portuguesa no quinto ano de escolaridade. Esta medida não pretende remover o Português do sistema de educação de Timor-Leste, uma vez que se trata de uma ligação importante à história do país e do povo.

O novo processo está ainda a ser analisado. O Governo necessita de tempo para o implementar, dado que os professores precisam de formação e as comunidades têm que ser informadas.

«O Governo Português deve investir mais dinheiro para que a língua possa ser utilizada diariamente em Timor-Leste», afirma Kristy Sword Gusmão.

O Secretário-geral FRETILIN, Mari Alkatiri, é de opinião que, se o seu partido ganhar as eleições legistlativas em 2012, irá abolir as políticas educativas que o actual governo pretende implementar, uma vez que o Tetum e o Português devem ser considerados os idiomas oficiais de Timor-Leste. Mari Alkatiri diz ainda que esta política do Governo de Xanana Gusmão vai dividir o povo timorense.

Também o Presidente do Parlamento Nacional, Fernando Lasama de Araujo, diz não concordar com esta posição do Governo, uma vez que as línguas maternas, incluindo Makasae, Fataluku e Mambae, devem ser ensinadas por instituições, em vez de utilizadas como línguas prioritárias para o ensino básico.

O Inglês é utilizado em Timor-Leste como «língua do trabalho», segundo a Constituição. Bahasa Indonesia é o idioma mais falado no seio das gerações mais jovens.

(c) PNN Portuguese News Network

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Timor-Leste: Segurança a sul reforçada com 168 efetivos das forças policiais especiais




SIC NOTÍCIAS

Díli, 17 ago (Lusa) -- A segurança na região sul de Timor-Leste, onde confrontos entre grupos de jovens provocaram a morte a um polícia, foi "reforçada", disse hoje à agência Lusa secretário de Estado da Segurança de Timor-Leste, Francisco Guterres.

"Reforçámos a segurança com 168 efetivos das forças policiais especiais e de contingência", afirmou Francisco Guterres, contactado através de telefone pela Lusa.

No domingo, confrontos entre grupos de jovens rivais no distrito de Cova Lima, sul de Timor-Leste, provocaram a morte a um polícia e um ferido graves.

Timor-Leste: Xanana Gusmão entre ex-combatentes desmobilizados no sábado





Díli, 17 ago (Lusa) -- O primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, é um dos 236 antigos combatentes das Forças Armadas de Libertação e Independência de Timor-Leste (FALINTIL) que vão ser desmobilizados no sábado, segundo um decreto presidencial divulgado em Díli.

No sábado, decorrerá em Díli a cerimónia de desmobilização, reconhecimento e atribuição de patentes a 236 homens e mulheres que estiveram envolvidos na luta pela independência do país com a presença de vários elementos da comunidade internacional.

"É altura de expressar solenemente o reconhecimento devido pela vitória alcançada e de erguer bem alto os exemplos de coragem, dignidade e solidariedade, que já são parte do património cultural do nosso povo", lê-se no decreto assinado pelo Presidente timorense, José Ramos-Horta.

LUANDA ALBERGA ENCONTRO DE MÉDICOS DA CPLP




ANGOLA PRESS

Luanda – A capital angolana, Luanda, será palco, de 18 e 19 deste mês, do V e VII Congressos de médicos e de saúde mental da Comunidade Médica de Língua Portuguesa (CMLP), respectivamente, soube hoje, terça-feira, a Angop.

Segundo o bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Alberto Pinto, os congressos decorrerão sob o lema “Melhorar a saúde no espaço da CMLP: Um desafio com múltiplas especificidades”.

O evento terá o objectivo de levar os médicos a reflectirem nas suas preocupações, analisarem metodologias inovadoras de abordagem clínica, cientifica e gestionária e, consequentemente, apresentarem aos altos dirigentes da saúde do país, de modo que possam reforçar as competências e coloca-los ao serviço das populações.

A conferência irá proporcionar momentos de reflexão que permitirá o reforço, se não até mesmo a revalorização, dos conceitos de relevância, efectividade, eficiência, impacto e capacidade de sustentação da ciência medica.

Serão abordados os temas o “Desenvolvimento dos recursos humanos – O que preconiza a OMS”, “Doenças não transmissíveis – Um combate permanente – Acções em curso em cada país”, “Os desafios da formação medica pós-graduada no âmbito da CMLP”, entre outros.

Estarão presentes médicos de Angola, Portugal, Moçambique, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Timor Leste, São Tomé e Príncipe Macau.

ANGOLA E ÁFRICA DO SUL ASSINAM COOPERAÇÃO NO DOMÍNIO DA DEFESA




ANGOLA PRESS

Luanda - Um protocolo sobre Normas de Organização e Funcionamento da Cooperação de Defesa foi assinado hoje (quarta-feira), em Luanda, pelos ministros da Defesa de Angola e da África do Sul, Cândido Pereira Van-Dúnem e Lindiwe Sizulu, respectivamente.
 
O documento foi rubricado à margem da XXXI Cimeira de Chefes de Estado e de Governo que decorre hoje e qunita-feira na capital angolana, Luanda, debatendo questões sobre a integração regional e a situação política do Madagáscar e Zimbábwe.

De acordo com o ministro angolano da Defesa, Cândido Van-Dúnem, trata-se de um instrumento que visa regular os mecanismos de relação entre os ministérios da Defesa e as forças armadas de ambos os estados membros da SADC, por formas a garantir a soberania das duas nações da região austral do continente.

“O objectivo é fazer com que as instituições cumpram os procedimentos militares e de defesa, quer a nível da SADC, quer bilateral (Angola/África do Sul)”, disse o governante angolano.
 
Para o governante, os dois países quiseram aproveitar a realização em Angola da cimeira para trocar inteligências no domínio militar e de defesa, com vista a permitir que se possa encontrar caminhos viáveis rumo ao reforço da cooperação a nível bilateral e integrado na Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).
 
Para a realização desta cimeira, que encerra quinta-feira, foi realizada de 11 a 13 deste mês a reunião do comité de altos funcionários, que preparou a reunião de ministros que decorreu de 15 a 16.

SADC: Tema da Cimeira demonstra importância das infra-estruturas - PR angolano





Luanda – O Presidente da República de Angola, José Eduardo dos Santos, declarou que o tema da Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da SADC é “demasiado significativo” e demonstra o reconhecimento da importância do desenvolvimento das infra-estruturas como garante da circulação de pessoas e bens e crescimento económico.

O estadista angolano desejava boas-vindas aos seus homólogos participantes na Cimeira de Chefes de Estado e de Governo, que decorre em Luanda, sob o lema: “Consolidar as bases de integração regional, desenvolvimento das infra-estruturas para facilitar as trocas comerciais e a liberalização económica”.

Declarou que este foi o entendimento do Governo angolano há nove anos, quando terminou a guerra e decidiu empreender um processo de reconciliação e de reconstrução nacional.

Para o Presidente da República de Angola, “sem a harmonização dos espíritos e a recuperação e criação de novas infra-estruturas não seria possível assegurar a estabilidade e gerar novos postos de trabalho, pondo assim em causa o próprio processo de desenvolvimento”.

Afirmou que a criação de infra-estruturas é também um garante do processo de paz no interior de um Estado, pelo efeito multiplicador que tem no crescimento da economia, na distribuição da riqueza e na superação do desfasamento entre as diferentes áreas do país.

A título ilustrativo, informou que foram recuperados três mil 982 quilómetros da rede básica de estradas, foram asfaltados seis mil 699 quilómetros de estradas, estando em curso mais mil 743 quilómetros.

Adianta que foram reabilitados 760 quilómetros de caminhos-de-ferro, estando em curso a reabilitação de mais mil 644 quilómetros, bem como foram reconstruídas 250 pontes, construídas 121 e estão em curso de reabilitação mais 475.

Enalteceu também a reabilitação de seis grandes barragens e construídas duas novas, a recuperação e ampliação de oito postos de produção e transformação de energia eléctrica e construção de cinco subestações, assim como foram reabilitadas cinco redes de transporte de energia eléctrica, construídas seis e cinco estão em construção.

Apontou ainda a reabilitação de 15 redes de distribuição e a construção de sete nas províncias do Kuando Kubango, Cunene e Lunda Norte.

O Presidente da República salientou que para além destas, foram construídas infra-estruturas sociais que permitiram o acesso de milhões de cidadãos à educação e à saúde.

O estadista disse esperar que esta Cimeira venha a produzir os resultados esperados, por forma a que a nossa comunidade possa beneficiar de um novo impulso que a projecte em definitivo na rota de um desenvolvimento sustentado e irreversível.

“Cabe-nos a nós, que ontem levantámos a bandeira da liberdade contra a opressão, erguer hoje a bandeira da paz, da democracia e do desenvolvimento, sempre tendo no horizonte os interesses inalienáveis dos nossos Povos”, rematou.

SADC - ELIMINAR A POBREZA É O GRANDE DESAFIO





O secretário Executivo da SADC, Tomaz Salomão, fala dos grandes projectos da região e das perspectivas de crescimento no médio prazo. Em entrevista ao Jornal de Angola, o moçambicano ao serviço da organização regional aborda a participação da sociedade civil nos programas e projectos da SADC e da sua visão sobre o futuro da comunidade.
Jornal de Angola - Que avaliação faz do processo de integração regional?

Tomaz Salomão - É uma avaliação positiva. A integração regional é um processo longo e os objectivos não são alcançados de um dia para o outro. O importante é definir objectivos, metas claras e um caminho para alcançar os objectivos. Esta organização foi criada desde a altura dos Países da Linha da Frente para reduzir a dependência económica da África do Sul e ao mesmo tempo fazer com que os países trabalhassem juntos para vencer os desafios que se impunham.

JA - No início já tinha os países que tem hoje?


TS - Na altura organização era constituída por Angola, Botswana, Moçambique, Tanzânia, Zâmbia, Malawi, Lesoto e Suazilândia. O esforço inicial foi vencer o apartheid e daí que batalhas como a do Cuito Cuanavale sejam marcos na história da região.

JA - Porquê?

TS - Porque foi a Batalha do Cuito Cuanavale que mudou completamente a conjuntura e a correlação de forças na região. Pela primeira vez, a máquina repressiva e militar sul-africana foi vencida num campo de batalha, o que era impensável. Por isso, quando celebramos o Cuito Cuanavale estamos a celebrar o processo de pacificação e libertação total da África Austral. A batalha do Cuito Cuanavale foi em 1988, em 1990 temos a independência da Namíbia. Em 1992, a libertação de Nelson Mandela e em 1994 o fim da guerra em Moçambique.

JA - A queda do apartheid mudou a região ou apenas a África do Sul?

TS – Levou à democratização da África do Sul e, pouco depois, ao fim da guerra em Angola. É isso que nos faz olhar para trás e vermos como foi difícil o caminho, mas valeram a pena os sacrifícios. Muita gente morreu, os melhores filhos da região e dos países deram as suas vidas e hoje somos Estados soberanos e independentes, agregados numa comunidade económica que pretende olhar para o futuro.

JA - A sociedade civil participa nos projectos de integração?

TS - A participação não é a que desejamos. Mas gradualmente, por via do fórum das organizações não governamentais, a sociedade civil começa a afirmar-se. Penso que este processo deve começar nos países membros e em determinado ponto vamos caminhar para a cúpula regional. Todas as organizações da sociedade civil, todos aqueles que a compõem, seguramente vão encontrar no processo de diálogo com os governos e instituições o melhor caminho de trazer os cidadãos para o debate das questões regionais.

JA - Para quando a zona de comércio livre?

TS - A zona de comércio livre já está lá. Somos uma região que tem paz, estabilidade, segurança e as pessoas podem circular livremente. Hoje pode-se viajar de Luanda para Joanesburgo por estrada, de Luanda à Namíbia ou Maputo por estrada. Há anos, mesmo dentro de Angola, viajar por exemplo para o Lubango, pensava-se duas vezes. Isso é o sinal que as coisas estão a caminhar.

JA – E isso chega para falarmos de comércio livre?

TS - A zona de comércio livre existe, foi lançada em 2008. Na altura houve dois países que solicitaram mais tempo para se preparem, porque acabavam de sair de uma conjuntura de guerra difícil. Foi o caso de Angola e da República Democrática do Congo. Creio que Angola, a todo o momento, vai juntar-se à zona de comércio livre. Todos os anos fazemos uma auditoria para vermos os constrangimentos que enfrentamos, ouvindo os homens de negócios sobre as dificuldades que enfrentam. Quando Angola se juntar à zona de comércio livre da região, a SADC fica significativamente reforçada.

JA - Quais são as vantagens do comércio livre para os Estados membros?

TS - A grande vantagem é estarmos a operar num mercado maior. Sabe que qualquer homem de negócios decide sobre investimentos em função do mercado consumidor. Primeiro o doméstico, depois o regional, continental ou mundial. Todos nós pensamos no mercado. Uma coisa é dizer que em Angola há entre 12 a 15 milhões de habitantes e outra é olhar para um mercado total de 250 milhões de habitantes.

JA - Quais são os grandes projectos da SADC?

TS - O maior projecto é melhorar as infra-estruturas para que elas facilitem a livre circulação de pessoas e bens e não haja demoras desnecessárias ao atravessar uma fronteira. Temos de melhorar a qualidade das estradas, linhas férreas, portos, sistema de transportes aéreos e telecomunicações, para que a conectividade interna dentro e entre os países seja rápida e eficaz.

JA - O que está a ser feito na área das infra-estruturas?

TS - Os países estão a trabalhar para melhorá-las, no quadro das relações bilaterais e do protocolo mais amplo de comércio e circulação de pessoas e bens. Há também projectos que se prendem com a energia. Estamos com um défice energético. Queremos ligar Angola à rede energética da África Austral para que possa exportar. Vamos continuar a desenvolver os nossos recursos humanos, para que sejam eles os donos, conhecedores e geradores do processo de desenvolvimento e capazes de fazer investigação para fortalecer o nosso desenvolvimento. Temos terras férteis, recursos hídricos e gente trabalhadora, as políticas estão no lugar. Não faz sentido dependermos de ajuda alimentar seja de quem for.

JA – Qual é o grau de execução dos projectos?

TS - O grau de execução é variável. Alguns encontram-se ainda em estudos e outros já foram terminados. Agora estamos na fase de mobilização de recursos financeiros para a sua execução a nível regional e a procura de mercados que disponham de recursos que possam financiar a realização desses projectos. A ideia é termos possibilidades de um dia criarmos o Fundo de Desenvolvimento da SADC, que vai permitir o financiamento dos projectos.

JA – Que avaliação faz da participação de Angola nos projectos da SADC?

TS - Angola é um país fundador da organização. Mesmo em tempos difíceis, cumpriu sempre as suas obrigações. Penso que é uma coisa digna de menção e louvor. Angola esteve sempre presente e vai continuar a estar. É um país que joga um papel fundamental. É uma economia em franca expansão, na direcção correcta e, seguramente, por via disso, Angola vai desempenhar um papel central nos esforços de integração regional.

JA - O que espera da Cimeira de Luanda?

TS - Espero a reafirmação de que somos uma organização regional forte, com clareza de objectivos. Sabemos para onde vamos e como temos de ir. O ponto central é o desenvolvimento de infra-estruturas que facilitem a integração ou a circulação de pessoas e bens e, por via disso, com a estabilidade macroeconómica e com o ambiente de paz que temos, atrairmos os investimentos nacionais, regionais e continentais para a nossa região, para que ela tenha um papel activo nas relações económicas internacionais.

JA – Vai ser analisada a conjuntura mundial?

TS - Espero que a cimeira reflicta sobre as acções onde devemos concentrar a nossa atenção, no sentido de fazermos face aos choques externos que não dependam de nós, mas que têm as suas origens, alguns deles, nos países desenvolvidos, mas que de alguma maneira nos afectam. Precisamos ter uma resposta individual e colectiva de como fazer face a esses choques. É preciso que reflictamos à volta disso, para, a partir daí, podermos encontrar as soluções certas e o caminho correcto para onde vamos caminhar.

JA - Que esforços devem ser feitos para eliminar as disparidades nas economias dos países membros da SADC?

TS - O desenvolvimento é um processo permanente e longo. Mas é necessário que as economias continuem a crescer a um ritmo acelerado como está a acontecer com a economia de Angola, para recuperarmos algum tempo perdido. Para já, é fundamental manter este ritmo acelerado de crescimento nas outras economias da região.

JA – Todos os países da SADC estão a crescer?

TS - Angola, Botswana, Moçambique, Namíbia, Tanzânia, Zâmbia Zimbabwe e Maurícias precisam de continuar a crescer a este ritmo e consolidar os mecanismos e os mercados financeiros para que gradualmente caminhemos para uma situação em que os desequilíbrios sejam corrigidos a longo prazo. Também queremos que a economia da África do sul continue a crescer, não queremos desaceleração da economia sul-africana, mas as outras, por maioria da razão, têm de crescer rapidamente.

JA - Até que ponto os programas da SADC podem ajudar no combate à pobreza?

TS - Passados 30 anos, temos paz, estabilidade e segurança, podemos circular, estamos a produzir uma série de instrumentos e protocolos. Metade da nossa população ainda vive abaixo da linha da pobreza. O nosso maior desafio é, a médio prazo, levar metade dos 250 milhões de habitantes da região para uma situação em que disponham de mais água, melhor educação, saúde, alimentação, fora dos riscos do HIV, melhor habitação e melhor qualidade de vida.

JA - Há condições para que isso aconteça?

TS - Este é o desafio que a região tem a longo prazo. Mas para isso é necessário que a estabilidade política continue a existir, as políticas macroeconómicas continuem a ser geridas no sentido de garantir a estabilidade macroeconómica.

JA - Que estratégias a SADC tem para o combate ao HIV-­Sida?

TS - Temos programas que, em primeiro lugar, permitem o acesso dos infectados aos medicamentos. São programas que reduzem a ocorrência de novas infecções com a educação em particular da juventude sobre os riscos do HIV. Essa é a nossa estratégia. O antigo presidente do Botsuana vai fazer uma apresentação na cimeira sobre a situação da Sida na região que, como sabemos, é a mais afectada do mundo pelo HIV. Precisamos de continuar a proteger os cidadãos.

JA - Muitos países da região importam de países terceiros produtos que existem aqui. Como mudar o rumo das coisas?

TS - O ponto de partida é criarmos condições para que sejamos um mercado competitivo e isso passa pela estabilidade política, políticas macroeconómicas correctas e um programa claro de desenvolvimento das nossas infra-estruturas, para reduzir os custos dos transportes das mercadorias. Isso vai atrair investimentos produtivos, para que o valor acrescentado seja feito nos nossos países e não sejamos eternos exportadores de matérias-primas. Por exemplo, em Angola é exactamente isso que deve ser feito, para que todo valor acrescentado fique aqui.

JA - Que vantagens vê na isenção dos vistos nos países da SADC?

TS - Queremos que as pessoas circulem e decidam sobre investimentos a realizar e tenham oportunidades de usufruir aquilo que os países oferecem. Isto cria, também, uma identidade regional, a ideia de que pertencemos a uma mesma região e bloco. Isso só é possível se tomarmos medidas que facilitem a circulação de pessoas e bens. Um dos passos previstos é exactamente este, a eliminação dos vistos. Os países estão a trabalhar neste sentido.

JA - As actuais moedas nacionais podem ter circulação regional ou as moedas de referência vão continuar a ser o dólar e o euro?

TS - As moedas nacionais já estão a ter esse papel. Há uma realidade urbana, mas também há uma realidade remota nas zonas rurais e fronteiriças onde as moedas têm um papel fundamental. Estou em crer que isso já acontece na fronteira com a Namíbia. As moedas nacionais estão a jogar um papel importante nas economias da região.

JA - Caminhamos para uma união monetária?

TS - Um dia vamos chegar ao estágio de federação, à União monetária, o que quer uma moeda única. Mas é um processo longo, que precisa de levar em conta todas as lições e experiências negativas e positivas noutras partes do mundo, para que, com a frieza necessária, se tome a decisão mais adequada sobre o caminho a seguir. Temos ainda algum tempo para continuarmos a reflectir nisso e o importante é que os mercados financeiros continuem a trilhar o processo de desenvolvimento.

JA – A adopção da moeda única da SADC, prevista para 2018, é possível?

TS - Sim. Mas com os choques que estão a acontecer no mundo, com a experiência da União Europeia e de outras partes do mundo, seguramente é preciso olhar para estes elementos e concluir se aquilo que se planeou para 2018 se mantém ou não. Quando chegarmos a essa altura decidiremos, depois de auscultarmos e consultarmos as instituições monetárias e financeiras e o sector privado.

JA - Qual é a visão que tem para a região no médio prazo?

TS - No futuro vejo uma região com infra-estruturas de alta qualidade, uma região em que a circulação de pessoas é uma realidade. Vejo uma região em que o PIB em cada um dos países cresce, com melhor educação, saúde, água, melhor qualidade de vida para as pessoas e, acima de tudo, uma região que vive em segurança e paz.

MARCHA DAS MARGARIDAS REÚNE MULHERES CONTRA A POBREZA EM BRASÍLIA




BRASIL DE FATO - Agência Brasil - ontem

100 mil mulheres chegam para encontro da Contag em Brasília

Com o lema “Desenvolvimento Sustentável com Justiça, Autonomia, Igualdade e Liberdade”, começa nesta terça-feira (16), em Brasília, a Marcha das Margaridas, encontro que deve reunir milhares de mulheres de diversos países da América Latina. Organizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), a manifestação alerta para o fato de que são as mulheres as que mais sofrem com a pobreza no Brasil.

“Nós temos a absoluta certeza de que a pobreza no nosso País tem sexo, tem a cara feminina; tem cor, pois são negras as pessoas mais pobres; e tem lugar: estão no campo e na periferia das cidades. Portanto, nossa pauta não tem só apelo, mas também legitimidade”, pontua Carmem Foro, secretária de Mulheres da Contag.

Entre as atividades, a Marcha das Margaridas terá o lançamento de uma campanha contra o uso agrotóxicos e um ato público no Congresso Nacional pela reforma política.
Nesta quarta, as mulheres seguirão em marcha à Esplanada dos Ministérios. O ato de encerramento acontecerá na “Cidade das Margaridas”, às 15h, com a presença da presidenta Dilma Rousseff.

A marcha vai percorrer as ruas da capital federal para divulgar a pauta de reivindicações, que abordam questões como democratização dos recursos naturais, atualização dos índices de produtividade no campo, fim da violência no meio rural, maior participação política da mulheres e melhores condições de trabalho, com autonomia e igualdade.

A Marcha das Margaridas se consolidou na luta contra a fome, a pobreza e a violência de gênero a partir de mobilizações nacionais realizadas em 2000, 2003 e 2007.

- Com informações da Rede Brasil Atual

Brasil: UPP SOCIAL É PROJETO AINDA DISTANTE DA REALIDADE NO RIO




CORREIO DO BRASIL, com Rede Brasil Atual - do Rio Janeiro

Criado em 2009 pela prefeitura do Rio de Janeiro, o Programa UPP Social se desenvolve de forma desigual nas comunidades. Já foram gastos cerca de R$ 850 milhões, em sua maior parte destinados ao Morar Carioca, principal projeto de habitação e urbanização da prefeitura. O objetivo da iniciativa é – promover o desenvolvimento social, incentivar o exercício da cidadania e derrubar fronteiras simbólicas nas comunidades beneficiadas pela Unidades de Polícia Pacificadora. Segundo a Secretaria Municipal de Habitação, doze das dezoito comunidades onde foram instaladas UPPs têm obras do Morar Carioca em andamento.

Outros aspectos da UPP Social, como a prestação de serviços até então inexistentes em algumas comunidades e a realização de convênios para a oferta de empregos à juventude, entre outros, também ainda não se desenvolveram satisfatoriamente. A coleta de lixo, por exemplo, ainda é desigual nos locais beneficiados. Para realizar esse serviço, a Secretaria Municipal de Conservação dividiu as favelas em três grupos: planas, íngremes e as que misturam os dois tipos de terreno.

– Teríamos cometido um erro se não levássemos em consideração essa especificação. Desenvolvemos uma logística para cada situação –, explica o secretário Carlos Roberto Osório.

Organizados pela prefeitura, os mutirões para a iluminação e conservação de áreas comuns, calçadas, escadarias e becos nas favelas beneficiadas pelas UPPs também avança de forma desigual. Segundo a Secretaria de Conservação, o mutirão está em andamento na Mangueira e no Andaraí. Novas equipes começaram a trabalhar no dia 11 de  agosto no Borel, comunidade que produz em média nove toneladas de lixo por dia e desde então passou a receber a visita diária da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) e teve instalados 21 novos pontos de coleta, como caçambas e lixeiras.

Morador do Borel há seis anos, Leonardo Venâncio, de 26 anos, reconhece que a coleta do lixo na comunidade melhorou nos últimos dias: – Colocaram vários suportes e contêineres em toda a comunidade, a coisa está melhor. Temos visto o pessoal da Comlurb trabalhando no morro todos os dias, coisa que nunca aconteceu, diz o morador, que é pai da pequena Lara e trabalha como porteiro em um prédio no bairro da Tijuca.

Leonardo avalia o que mudou com a chegada da UPP: – Posso dizer que a vida no Borel melhorou 90%. Sem a bandidagem, o modo de vida ficou bem melhor, está mais fácil circular pela comunidade. Sem falar que a UPP valorizou a área e as casas, diz.

O jovem trabalhador, no entanto, ainda sente falta da prometida presença do Estado no que diz respeito a serviços como emissão de documentos e oferta de empregos:

– O governo só levou esses serviços para nós duas vezes: no início, na época da implantação da UPP, e agora, quando a UPP completou um ano. Esses benefícios nunca foram levados para a gente de forma permanente como prometeram –, diz, ressaltando que nunca viu ninguém da prefeitura nem da UPP Social no Borel.

Na Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão, assim como em diversas outras comunidades ocupadas pela polícia, os mutirões de conservação e limpeza e a coleta de lixo ainda não deslancharam. Outros serviços prometidos pela UPP Social também não. De todo modo, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, garante que até o fim de outubro todas as comunidades cariocas ocupadas pela polícia ganharão de forma permanente a sua UPP Social.

Brasil: Ministro dos Transportes nega participar em esquema de corrupção na pasta





O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, afirmou em depoimento no Congresso, nesta terça-feira, que sua “atitude e forma de agir sempre se pautou pelos melhores princípios de conduta ética”. Ele fez essa declaração ao responder ao senador Alvaro Dias (PSDB-PR), que lhe perguntou “de onde partiu a voz de comando no esquema de corrupção arquitetado” nesse ministério.

- Quem está lhe falando aqui é um homem honesto, de vida correta – declarou o ministro.
Paulo Passos participou de audiência pública na Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado (CI). Ele assumiu o Ministério dos Transportes após o pedido de demissão de Alfredo Nascimento, que saiu da pasta após as denúncias de corrupção envolvendo superfaturamento de obras.

Alvaro Dias disse que “não adianta ao governo substituir Alfredo Nascimento por Paulo Sérgio Passos, porque o que precisa ser alterado é o modelo existente, que é complexo e corrupto”.

- E que limpeza é essa que o governo estaria promovendo, que não permite a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito] para investigar o caso? – questionou o senador.

Passos também rechaçou a acusação de que tenha liberado recursos para três obras em BRs com irregularidades graves, desconsiderando relatórios do Tribunal de Contas da União (TCU). Acompanhado de assessores, Passos limitou-se na sua exposição inicial a falar sobre as três obras em trechos das BRs 265, 101 e 317.

– Não havia nenhum impedimento para suplementação de recursos nessas obras quando foram feitos. O Ministério dos Transportes não fez absolutamente nada de ilegal. Não se pode confundir uma indicação do TCU de paralisação por irregularidade grave com decisão, porque a decisão cabe ao Congresso – afirmou.

Passos assumiu o ministério no mês passado em meio a denúncias de corrupção que derrubaram 28 pessoas na pasta e em órgãos vinculados. Ele era secretário-executivo do ex-ministro e senador Alfredo Nascimento (PR-AM), que perdeu o cargo no escândalo. Na sua fala inicial, Passos não citou os gastos contestados na gestão do antecessor.

Escritório

Ao ser questionado pelo senador Demóstenes Torres (DEM-GO) se seria verdade que Valdemar Costa Neto despachava no Ministério dos Transportes, o titular da pasta, Paulo Pereira Passos, negou ter conhecimento disso.

– Não me consta que ele tenha escritório no ministério para despachar – declarou.

Deputado federal por São Paulo, Valdemar é secretário-geral do PR, partido envolvido nas denúncias de corrupção nesse ministério. Sobre a questão dos aditivos em licitações, que são muitas vezes vinculados a casos de superfaturamento, Paulo Passos disse que “ministro de Estado não examina nem aprova aditivos; eles estão previstos na Lei 8.666 (Lei das Licitações) e devem ser utilizados, desde que dentro da legalidade”.

OLHO POR OLHO, DENTE POR DENTE




ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

Embora a procissão ainda vá no adro, se o governo anterior era ladrão, o que dizer do actual? Passos Coelho está a conseguir transformar José Sócrates num ingénuo pilha-galinhas.

Quanto a mim, se quem roubasse o governo anterior deveria ter 100 anos de perdão (ladrão que rouba ladrão…), todos os que roubarem o actual devem ter pelo menos mil anos, tal é a lata e o descaramento dos seus super-ministros e similares.

Como se já não bastasse entrarem nos nossos bolsos, resolvem todos os dias pôr-nos de pernas para o ar, numa voraz sofreguidão  para ver se não há nenhum cêntimo escondido nas dobras das calças rotas.

Num cenário de 800 mil desempregados, 20% da população já a viver sem comer e outros 20% a viver com o espectro da fome a bater à porta, creio que a solução é mesmo (seguindo, aliás, a metodologia do governo) não olhar a meios para atingir o objectivo de não ter os pratos vazios.

Se eles, Passos Coelho e companhia, entendem que devem roubar os milhões que têm pouco, ou nada, para dar aos poucos que têm milhões, é mais do que altura de responder na mesma moeda, eventualmente ao estilo de olho por olho, dente por dente.

É claro que poderemos ficar cegos e desdentados. Mas para quem só vê os outros a comer tudo e a não deixar nada, pouco diferença fará ter olhos e dentes…

Para além de tudo (impostos e mais impostos, desemprego e mais desemprego, miséria e mais miséria) o governo de Passos Coelho está a tratar os cidadãos como uma casta menor, intelectualmente estúpida.

O líder do governo disse na campanha eleitoral que não aumentaria a carga fiscal. Mudam-se os tempos, mudam-se as exigências, mantêm-se os burros de carga. Tão burros, segundo o governo, que vão agora pagar tudo o que os super-cérebros do PSD entendam como necessário para que os amigos, os assessores, os amigos dos amigos, continuem a chular o país à grande.

Ao passar, entre outros exemplos, o IVA da electricidade dos 6% para os 23%, mantendo os bilhetes de futebol nos 6%, o que estará a pedir esta corja de oportunistas?

Justificar, como o fez na sua habitual “câmara lenta” o ministro das Finanças, que "a esmagadora maioria dos países da União Europeia paga a electricidade à taxa máxima de IVA", é também uma forma de dizer aos consumidores que são uma cambada de burros.

Tão burros que, pensará o super-ministro, nem sabem que o seu nível de vida é dos mais fracos dessa mesma Europa. 

Será que os portugueses aceitam continuar a ser “um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora,  aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice”?

Será que os portugueses “já nem com as orelhas são capazes de sacudir as moscas” porque são “um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta”?

Será que os portugueses vão continuar a aceitar “uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não discriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro”?

Será que os portugueses vão continuar a aceitar  “um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País”?

**Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

Portugal: Mais de metade dos desempregados procura trabalho há mais de ano




Nuno Aguiar - Dinheiro Vivo

O número de pessoas desempregadas há mais de 12 meses voltou a aumentar no segundo trimestre deste ano

Apesar da queda na taxa de desemprego no segundo trimestre, o número de desempregados de longa duração continua a aumentar. Mais de metade dos portugueses sem trabalho estão à procura de emprego há mais de um ano.

Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o número de desempregados de longa duração passou de 365,2 mil para 372,4 mil, o que representa um aumento de 2% em relação aos três primeiros meses do ano. Ou seja, esta categoria já representa 55,2% do total de pessoas sem trabalho (675 mil).

Por outro lado o número de desempregados sem trabalho há menos de 12 meses caiu 6,5%.
Esta diferença de números pode indicar que o desemprego de natureza mais estrutural continua em tendência de subida.

No total, a taxa de desemprego caiu 0,3 pontos percentuais no segundo trimestre deste ano, para os 12,1%. Uma redução justificada pelo início da época de Verão e aumento temporário de empregos ligados à indústria do turismo.

Portugal: Indústria agro-alimentar em risco de perder 40 mil empregos com aumento do IVA




José Manuel Rocha - Público

Federação do sector teme deslocalização de empresas

A Federação da Indústria Portuguesa Agro-alimentar (FIPA) prevê que o sector perca 40 mil postos de trabalho directos e indirectos se o Governo optar pelo aumento do IVA para compensar a redução da taxa social única (TSU) paga pelas empresas.

As consequências de uma mexida no imposto sobre o valor acrescentado foram analisada pela Deloitte, a pedido da FIPA. A consultora considera que o sector agro-alimentar está já a viver sob "forte tensão", que será agravada se aumentar o IVA aplicado aos produtos agrícolas transformados - passando-os da classe mais baixa de tributação para a mais elevada.

As consequências de uma mexida no imposto sobre o valor acrescentado foram analisada pela Deloitte, a pedido da FIPA. A consultora considera que o sector agro-alimentar está já a viver sob "forte tensão", que será agravada se aumentar o IVA aplicado aos produtos agrícolas transformados - passando-os da classe mais baixa de tributação para a mais elevada.

O estudo da Deloitte mostra que a indústria agro-alimentar é actualmente responsável por 600 mil empregos directos e indirectos - os que existem nas unidades de transformação e os que estão associados às explorações agrícolas. Um aumento da carga fiscal sobre os produtos teria como consequência o desaparecimento de 8000 empregos nas fábricas e 32 mil nos campos. Quarenta mil empregos no total ou o equivalente a 7,5 por cento da força de trabalho actual.

O sector agro-alimentar representa actualmente um volume de negócios de 13,4 mil milhões de euros, 4 por cento do total nacional. A sua contribuição para o produto interno bruto (PIB) português é de 1,6 por cento.

Em comunicado emitido ontem, a FIPA defende que um aumento do IVA vai afectar seriamente um sector que é de extrema importância para a economia nacional - contribui para reduzir a dependência das importações e garante escoamento para mais de metade da produção nacional de produtos agro-pecuários. O estudo da Deloitte mostra mesmo que o crescimento médio anual da cobertura das importações pelas exportações foi, entre 2006 e 2010, de cerca de 4 por cento, enquanto a média nacional ficou perto de 0 por cento.

O sector agro-alimentar representou, no ano passado, cerca de 18 por cento do volume de negócios da indústria transformadora e foi o que mais contribuiu para o valor acrescentado bruto nacional.

"A indústria agro-alimentar é de extrema importância para o país". "Estamos, porém, muito preocupados com os entraves que já enfrentamos e outros que podemos vir a ter de considerar", afirma Jorge Tomás Henriques, presidente da FIPA.

Num contexto de claro aumento dos preços das matérias-primas e com as cadeias de distribuição a pressionarem no sentido de conseguirem o melhor preço, um aumento do IVA poderia conduzir à deslocalização de muitas empresas. A federação lembra que a taxa média de imposto aplicada aos produtos de consumo alimentar é em Portugal de 11 por cento, contra os 7,4 por cento que vigoram em Espanha, o que afecta a capacidade concorrencial das companhias portuguesas.

*Notícia publicada na íntegra às 11h09 em Público

ESTÁ TUDO A CAIR AOS PORTUGUESES! ATÉ VAMOS FICAR EUNUCOS!




ANTÓNIO VERÍSSIMO

EXPORTEMOS AS PEDRAS, PARA PORTUGAL NÃO SE AFUNDAR TÃO DEPRESSA

Em notícia dos órgãos de comunicação social de Portugal “O Produto Interno Bruto português diminuiu 0,9% em volume no segundo trimestre, face igual período de 2010, e teve uma variação nula em relação aos primeiros três meses do ano, divulgou, esta terça-feira, o Instituto Nacional de Estatística”. Podemos ler, neste exemplo, no Jornal de Notícias. E ainda: “No primeiro trimestre deste ano, a economia portuguesa tinha caído 0,6%, quer face ao período anterior quer em relação ao mesmo trimestre de 2010, divulgou o INE a 9 de Jnho, revendo a primeira estimativa que apontava para uma queda de 0,7%.” Ou seja: A economia portuguesa caiu. Está tudo em queda em Portugal excepto os aumentos dos impostos e os preços dos bens de consumo vitais e não vitais. A descrença nos políticos também cresceu. Idem para a fuga de capitais que... cresceu, idem para o clientelismo político-prostituto-partidário, idem para a corrupção e fugas ao fisco por parte dos que são detentores de riquezas imensuráveis. Mas nisso também temos um PR que, como foi dado a entender e ele não soube explicar convenientemente, fez a sua “perninha” num ludibrio ao fisco por via de uma SISA sobre casa adquirida em condomínio privado lá para os lados dos Algarves. Ora se temos um PR assim, que até se dizia dele ser honesto, o que não devemos esperar da maioria dos políticos profissionais em Portugal? Portugal está em queda, porque será? Também será por isso? Mas que pergunta tão parva!

Por essa razão, porque tudo está em queda excepto aquilo que nos inferniza e trama o povo, o pagante, podemos concluir que tudo nos está a cair. Há até aqueles pessimistas que temem que os portugueses percam o pirilau e os tomates. Que caiam de maduros ou de podridão, a exemplo do resto que neste país está a cair.

No caso concreto dos pirilaus e dos tintins os portugueses não devem temer que aconteça. Vão ser só vantagens. Podemos e devemos a partir daí aproveitar para produzir riqueza exportando para os países ricos o “material” que for caindo. Sempre são para aí uns seis milhões de pirilaus e o dobro de tintins, mesmo dando desconto àqueles que presentemente já só têm um. É muito material. E também podemos acabar com a preocupação de educar filhos, de os alimentar e vestir. Sem o “material” acabam-se os filhos. Progressivamente acaba-se com a fatura onerosa da educação, dos abonos de família de pouco mais de 20 euros por mês – quem o recebe. Acaba-se com tanta coisa malvada!

Finalmente acaba-se com o país depois de umas dezenas de anos sem o “material”. Além disso, porque já há portugueses habituados a não comer e que vão finar-se, talvez Portugal exista somente por mais uns 30 anos. Se calhar nem isso. O que é um bem adquirido, uma mais-valia, e uma felicidade para os que neste país estão a sofrer. Imaginem a delícia que será não ter de ouvir aldrabões como Sócrates ou como Passos Coelho. Nem ter-mos de andar a pensar que se calhar o PR andou nas negociatas com os Oliveiras e Costas banqueiros e cadeireiros que até lhe compraram acções por dois chavos quando elas só valiam um chavo… Honestidades sui generis.

Vamos ficar limpinhos. Sem “material” ficaremos eunucos. Não vamos ter de nos preocupar com coisa alguma… A não ser com os funerais, que estão caríssimos. Mas os recursos financeiros para isso também existem (por enquanto): Vamos apanhar as pedras do país e exportá-las pelo melhor preço. Com a vantagem de que assim o país fica mais leve e não se afundará com tanta rapidez. O que nos dará tempo de planificar tudo muito bem até ao último português a finar-se. Quem será o último… logo ele saberá.

E depois? Perguntam. Depois salvam-se os Sem-Pátria e os da Pátria do Cifrão. E isso que nos interessa? Não são portugueses! Sem dúvidas! Veja-se o que eles têm feito em Belém, em São Bento e nos abrigos esconsos dos seus partidos políticos e nos quartéis-generais dos que são cada vez mais ricos por via de enganarem milhões!

*Também publicado em Página Lusófona, blogue do autor

Paris e Berlim querem suspender fundos estruturais e de coesão a quem não cortar défice





Bruxelas deveria cortar os fundos estruturais e de coesão aos Estados-membros da União Europeia (UE) que não consigam reduzir o défice, defenderam hoje a Alemanha e a França numa carta ao presidente da união, Herman Van Rompuy.

"No futuro, deveriam ser suspensos os pagamentos dos fundos estruturais e de coesão aos países da zona euro que não sigam as recomendações dos procedimentos de défice excessivo", escreveram o presidente francês Nicolas Sarkozy e a chanceler alemã Angela Merkel, numa carta citada pela agência noticiosa France Presse.

Países como Portugal, a Grécia, Espanha, Itália e mesmo a Irlanda -- as economias que mais têm vindo a sofrer com a crise de dívida pública na zona euro -- são grandes recetores de fundos estruturais e de fundos de coesão.

Angola: Cimeira da SADC vai debater em Luanda integração regional e infraestruturas




EL - LUSA

Luanda, 17 ago (Lusa) -- A 31ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) inicia-se hoje em Luanda, com a integração regional e infraestruturas em agenda.

Os trabalhos, que se prolongam até quinta-feira, vão decorrer sobre o tema "Consolidar as bases de integração regional, desenvolvimento das infraestruturas para facilitar as trocas comerciais e a liberalização económica".

Nesta cimeira, a presidência da organização, atualmente detida pela Zâmbia, passará para Angola.

Na cimeira de Luanda deverá ainda ser analisada a acusação de gestão danosa ao secretariado executivo da organização pelo namibiano Hage Geisgop, presidente cessante do Conselho de Ministros.

O secretariado executivo é liderado pelo moçambicano Tomaz Salomão e segundo Hage Geisgop já está em curso uma investigação para apurar a verdade dos factos.

*Foto em Lusa

Moçambique: CIMPOR PASSA A DETER CEM POR CENTO DA CIMENTOS DE NACALA




Maria João Babo - mbabo@negocios – Jornal de Negócios

A Cimpor chegou a acordo no início de Julho para adquirir os 49% que ainda não detinha na moçambicana CINAC - Cimentos de Nacala, anunciou hoje o presidente executivo da cimenteira portuguesa, que passa assim a deter a totalidade do capital da empresa que é detentora de uma moagem de cimento, terrenos e pedreiras de calcário.

A Cimpor tinha adquirido 51% do capital da CINAC à sua accionista Camargo Corrêa, numa operação finalizada no primeiro semestre deste ano, pelos quais pagou 6,4 milhões de dólares (cerca de 4,5 milhões de euros).

O acordo para a aquisição dos restantes 49% prevê uma parte do pagamento em dinheiro, que o CEO da Cimpor não revelou, e outra parte em troca de acções.

O grupo moçambicano Insitec passa a ter uma participação de 1% na Cimentos de Moçambique.

Em Moçambique, a Cimpor tem actualmente uma quota de mercado da ordem dos 80%, tendo este mercado atingido um volume de negócios para o grupo no primeiro semestre deste ano de 47,5 milhões de euros.

Timor-Leste: CERIMÓNIA DE DESMOBILIZAÇÃO DA FALINTIL




JORNAL DIGITAL

Díli - O Comandante das Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL), Taur Matan Ruak, afirmou que a desmobilização da Frente Armada foi baseada na lei e respeitou os veteranos, mesmo aqueles que morreram em combate.

A Libertação Nacional da Frente Armada da Resistência Timorense (FALINTIL) será desmobilizada a 20 de Agosto, dia oficial do movimento.

O Comandante Ruak comunicou o seu contentamento acerca do método escolhido pelo governo para honrar os veteranos de Timor-Leste: «Penso que a desmobilização tem um valor importante. Não é como em 1999, quando eu simplesmente tive que enviar os oficiais para casa».

O Conselho de Ministros aprovou um decreto-lei que prevê a desmobilização da FALINTIL. O Ministério da Solidariedade Social aprovou o diploma que regula o processo, descrio no Estatuto de Libertação Nacional de Combatentes, estendendo-se a todos os membros activos desde 1999.

As cerimónia de desmobilização incluirá actos de reconhecimento e tributos para com os combatentes que não estão no activo desde Outubro de 1999 mas que integraram a Frente Armada e contribuiram para a independência.

O documento determina ainda que as tropas deverão receber insígnias para colocar no uniforme, uma medalha comemorativa e um diploma de honra.

O Secretário-geral da Frente Revolucioonária de Timor-Leste ndependente (FRETILIN), Mari Alkatiri, informou que alguns veteranos não receberam subsídios, ao contrário de outras pessoas que não estiveram directamente envolvidas na luta pela independência.

«Alguns combatentes não receberam reconhecimento. O Governo não honrou a sua dignidade», afirmou Mari Alkatiri, durante a campanha eleitoral para as eleições directas do seu partido. Disse ainda que a FRETILIN não negaria as contribuições aos veteranos que contrubuiram para a independência de Timor-Leste.

(c) PNN Portuguese News Network

Timor-Leste: AGENTES POLICIAIS ACUSADOS DE CORRUPÇÃO




JORNAL DIGITAL

Díili - O Primeiro-ministro Xanana Gusmão recebeu informação de que alguns membros da Polícia Nacional de Timor-Leste venderam, ilegalmente, cupões da companhia petrolífera a civis.

«Descobri que alguns agentes da PNTL venderam talões de consumo da companhia petrolífera por 50 dólares (cerca de 35 euros). Isto aconteceu várias vezes», referiu Xanana Gusmão, durante uma reunião com os membros de gabinete do Ministério das Finanças, esta sexta-feira, 12 de Agosto.

O Secretário de Estado da Segurança, Francisco Guterres, afirmou estar consciente desta situação. Alguns vales desapareceram durante uma operação policial, no distrito de Covalima, no ano passado.

Alguns agentes deram também cupões às suas famílias, para que podessem abastecer-se sem pagar, na companhia Esperansa Timor Oan Fuels.

O Primeiro-Ministro pediu ainda aos membros do Governo para não utilizarem as viaturas oficiais em actividades partidárias ou pessoais. Xanana Gusmão apelou ainda a todos os cidadãos que tiverem conhecimento de situações como esta, o dever de comunicarem à Comissão Anti-Corrupção.

(c) PNN Portuguese News Network