sábado, 14 de Janeiro de 2012

UMA CONTÍNUA CONSPIRAÇÃO – O BLOQUEIO



Martinho Júnior, Luanda
I

Quando algum investigador põe a nu o poder da aristocracia financeira mundial, formada a partir das casas bancárias europeias trasladadas para os Estados Unidos e mentoras do capitalismo que formou carteis, monopólios e castas, o capitalismo que está na origem e é motor da “nova ordem global”, logo aparece alguém ainda “melhor informado” e que conclui: esse indivíduo está a seguir uma trilha de risco pelo que só pode estar a propagar “teoria da conspiração”.

Levo a sério esse tipo de “críticas”, por que elas trazem um sinal de classe que se identifica por completo com o poder que ao não se assumir em nome da humanidade, hoje mais que nunca, em função dum egoísmo atroz e insuperável é contra ela.

Sabemo-lo pela amarga experiência da esmagadora maioria, dos 99% a que se refere o “Occupy Wall Street”, sabemo-lo sobretudo pela amarga experiência dos povos de África, América Latina e Ásia!…

As práticas de conspiração são evidentes, as práticas de conspiração duns míseros 1% que sufocam, com a globalização neo liberal dum capitalismo esmerado na especulação dos grandes lucros, a humanidade e o planeta, não se importando que, contra si, hajam tantas e tão insofismáveis evidências-que-são-práticas.

Uma das evidências mais gritantes é Guantánamo, por que essa ignomínia ética, moral e histórica faz parte de outra ignomínia ainda maior que é sem dúvida um exemplo anualmente exposto duma contínua prática de conspiração: o bloqueio a Cuba!

“As nações participantes da 66ª Assembleia Geral das Nações Unidas, rechaçaram, terça-feira, 25 de outubro, de maneira contundente e pela vigésima ocasião, o bloqueio económico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos a Cuba” (http://www.granma.cu/portugues/mais-informacoes/26oct-comunidad.html).

Cada ano que passa o bloqueio é discutido na ONU e sujeito à manifestação do voto de todos os estados ali representados e qual é o resultado?

Cuba responde às adversidades impostas pelo império com mais educação, mais saúde, mais integração com outros estados, nações e povos da América Latina, na ALBA, na CELAC, na UNASUR, no PETROCARIBE… e em troca, com todo o saber e experiência acumulados, socorre, em especial nas horas adversas mais difíceis, alguns dos mais deserdados da Terra um pouco por todo o planeta!

Haverá algum bloqueio capaz de parar a vontade de humanidade que Cuba construiu com sua revolução ao longo dos mais de 50 anos de sua afirmação?

Haverá algum bloqueio possível quando, integrando o pelotão das modernas nações que emergem da rota dos escravos, a Revolução Cubana, constituindo-se em vanguarda dos movimentos de libertação, optou com seus melhores filhos, com seus sacrifícios e com o seu sangue, pela luta contra colonialismo, contra o “apartheid”, contra as suas sequelas e contra o subdesenvolvimento que bebe da história de séculos?

Contra a esmagadora maioria, os 99% evocados pelo movimento “Occupy Wall Street”, as sucessivas administrações norte americanas e os falcões de Israel marcam o que está na essência de suas opções: a imposição do seu domínio que tudo tem a ver com o império, que nada tem a ver sequer com o respeito pela democracia, muito menos com o respeito que merecem todos os povos, a humanidade, por que é sem dúvida contra a humanidade!

Por que os Estados Unidos têm tanto receio de levantar o bloqueio a Cuba?

O quê e quem os bloqueia?

Em nome da ética, da moral e da história:

Fim ao bloqueio é o que pedem os 99% da humanidade!

Nota:
Este artigo homenageia os Antigos Combatentes dos movimentos de libertação de Angola e do Continente Africano, que perfilham todos os matizes filosóficos, ideológicos e políticos, por que a luta contra o subdesenvolvimento de todas as nações que emergiram da rota dos escravos, é uma luta comum, uma luta que só pode unir os dois continentes das margens do Atlântico.

Evoca ainda os 5 prisioneiros cubanos do império, 3 deles combatentes da causa do movimento de libertação em África contra o colonialismo e o “apartheid”.

O dia 15 de Janeiro é em Angola o Dia dos Antigos Combatentes.

Novo contingente parte para o Líbano e integra militares de Timor-Leste pela primeira vez



MP/(ATF/MPC) – Lusa, com foto

Lisboa, 14 jan (Lusa) - Um grupo de 131 militares parte na segunda-feira para o Líbano, no âmbito da participação portuguesa na missão das Nações Unidas naquele país, sendo um contingente que integra pela primeira vez tropas de Timor-Leste.

Estes militares, 120 portugueses e 11 timorenses, pertencem à Unidade de Engenharia n.º 11, comandada pelo tenente-coronel Rui Pedro Brazão da Costa, e permanecerão na localidade de Shama, no sul do Líbano, próximo do quartel-general da missão da ONU (UNIFIL), segundo o Estado-Maior General das Forças Armadas.

A participação na UNIFIL é uma das missões internacionais que Portugal decidiu abandonar este ano, devido aos constrangimentos orçamentais, pelo que as tropas nacionais só permanecerão no Líbano até meio do ano.

O orçamento destinado às forças nacionais destacadas em missões internacionais em 2012 teve um corte de 30%, passando de 75 milhões de euros para cerca de 52 milhões.

A maior fatia, que ronda os 19 milhões de euros, destina-se à participação portuguesa no Afeganistão, no âmbito da NATO, e que Portugal decidiu manter integralmente até 2014, por ter sido considerada estratégica e prioritária.

Além de reduzir a presença no Líbano, Portugal vai abandonar a missão das Nações Unidas de combate à pirataria no Índico, mas continuará a participar na operação da União Europeia na mesma região.

Porém, em dezembro, o ministro da Defesa admitiu que após terminar a participação na missão ONU no Líbano, Portugal pode vir a participar com militares em novos teatros de operações este ano ou em 2013.

"Admitimos que durante o ano de 2012 possam surgir cenários onde, no âmbito das Nações Unidas, haja novos teatros de operações onde Portugal possa participar, não sabemos como vai evoluir toda a chamada primavera árabe, o que vai acontecer na Líbia, e entre o que parece ser um esgotamento da nossa participação no Líbano e outros cenários onde poderá haver necessidade de participação das Nações Unidas, nós queremos ficar com essa margem de manobra", afirmou Aguiar-Branco.

Portugal participa na missão da ONU no sul do Líbano desde 2006 com sucessivas unidades de engenharia do Exército.

Quanto à cooperação com Timor-Leste na área da Defesa, abrange a formação a oficiais, sargentos e praças, além de militares portugueses destacados naquele país para apoiarem as Forças Armadas timorenses.

Em setembro passado, quando o primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, visitou Portugal, os dois países renovaram os protocolos de cooperação militar a partir deste ano, quando termina a missão de paz das Nações Unidas em Timor-Leste.

Foi ainda durante a visita de Xanana Gusmão a Portugal que foi anunciado que militares timorenses integrariam o contingente português que parte na segunda-feira para o Líbano.

Óbito/Sanhá: Corpo de Presidente recebido em Bissau por milhares de pessoas



Lusa, com foto

Bissau, 14 jan (Lusa) - O corpo de Malam Bacai Sanhá, Presidente da República da Guiné-Bissau, chegou hoje a Bissau às 15:30, onde era aguardado por autoridades civis e militares e por muitos milhares de populares.

O corpo chegou com 90 minutos de atraso em relação ao previsto e as cerimónias no aeroporto foram encurtadas. A urna com os restos mortais do Presidente deu uma volta na placa do aeroporto, desfilando perante as autoridades locais, Presidente interino, primeiro-ministro, governo, autoridades religiosas, militares e judiciais, o corpo diplomático e os responsáveis de organizações internacionais presentes na Guiné.

Depois de ser coberta com a bandeira nacional, a urna foi transportada num jipe, ornamentado com uma grande fotografia de Malam Bacai Sanhá, com quatro militares a servirem de escolta.

RAPPER ALVEJADO POR GNR QUER REPOR VERDADE EM TRIBUNAL




Salomão Rodrigues – Jornal de Notícias, ontem

O jovem cantor rapper de Santa Maria da Feira baleado por um GNR, em Rio Meão, já está em casa. Fábio Vitó rejeita vingança, mas está indignado com as justificações para o tiro. Vai tentar repor a "verdade" em tribunal e acredita que o disparo foi um "acidente".

"Não há justificação para o tiro da GNR. A única coisa que fizemos foi uma inversão de marcha e nem fugimos a nenhuma ordem de paragem", afirmou , ontem, ao JN, o jovem, de 21 anos, baleado por um elemento da GNR no decurso de uma operação stop, na madrugada do passado dia 1, em Rio Meão (Santa Maria da Feira), quando ia ao lado do condutor.

"Eu não sou nenhum bandido. Sou um puto e nada mais que um puto com família e amigos que faz música e é acarinhado", adiantou. "Não tenho ódio nem quero vingança em relação ao militar que me baleou. Quero justiça", adiantou Fábio Vitó.

E sobre o tiro que o atingiu gravemente no abdómen tem uma justificação. "Quero acreditar que tenha sido um acidente, mas não me digam que o GNR escorregou. Quero a verdade", reivindica o jovem, um dia depois de ter tido alta no Hospital da Feira, onde esteve em coma induzido. "Sou uma pessoa consciente para perceber que erros todos cometem, mas há que assumi-los e não esconder. O GNR não sabia quem estava dentro do carro, no meu lugar podia estar uma criança que ele podia ter matado. Nada justifica um tiro", reiterou.

Indignação

A "indignação" que Fábio diz sentir prende-se com a alegada postura do militar após o tiro. "Diz que partiu o vidro com uma lanterna, mas não foi isso que aconteceu". Para Fábio, o GNR também não procedeu correctamente ao não informar o socorro do que verdadeiramente aconteceu. "Disse que eu estava indisposto ou que tinha tido um acidente. Em momento algum me perguntou se eu estava bem ou me pediu desculpa. Limitou-se a dizer que o sangue que eu tinha nas calças e que não parava de sair era da mão dele", acusou. Também não aceita a justificação que o tiro aconteceu por ter escorregado. "Isso não é verdade. Da maneira como a bala foi disparada, não pode ter caído".

Fábio Vitó chegou a querer falar com o militar. Mas já não quer. "Eu não ia levar o caso até as últimas consequências se falassem verdade comigo. Mas agora ainda tentam fazer de mim o mau da fita quando eu era apenas o passageiro de um carro. O GNR já não é apenas um homem que errou, ele está a tentar passar para mim a culpa do que aconteceu", disse.

Sobre este caso, a GNR fez já saber publicamente que ele está a ser alvo investigado e rejeita qualquer encobrimento do acontecimento.

“É PRECISO METER AGÊNCIAS DE RATING NA ORDEM”, diz Mário Soares



Jornal de Notícias

O ex-presidente da República Mário Soares disse que "é preciso meter as agências de 'rating' na ordem", um dia depois da Standard & Poor's ter cortado em dois níveis o 'rating' de Portugal.

"São os Estados que têm que impor respeito aos mercados e não o contrário. (...) Enquanto isso não acontecer nós não podemos sair da situação em que estamos", defendeu, este sábado, Mário Soares.

O socialista defendeu que a austeridade que hoje se vive no país deve-se à falta de capacidade e coragem dos líderes europeus, que definiu como "maus e salta-pocinhas".

"Como é que os alemães, que provocaram duas guerras mundiais e mataram milhões nos vão dar lições de moral?", questionou Mário Soares, que insistiu nas críticas à chanceler alemã, Angela Merkel, defendendo que os gregos não podem continuar a ser apelidados de "preguiçosos".

A agência Standard & Poor's cortou na sexta-feira, dia 13, o 'rating' de Portugal em dois níveis, de BBB- para BB, passando assim a nota para um nível já considerado 'lixo' ('junk'), tal como o havia feito a Moody's e a Fitch.

Para o ex-Presidente da República a "Europa está à beira do abismo e a questão é saber se cai ou não", mas mostrou-se esperançado que "antes do colapso" prevaleça "o bom senso".

As declarações de Mário Soares foram realizadas em Leiria durante a apresentação do seu livro "Um Político Assume-se - Ensaio Autobiográfico, Político e Ideológico".

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HAVERÁ SEMPRE TACHOS PARA OS FILHOS DO PS…D



Orlando Castro*, jornalista – Alto Hama*

Muito gostam os partidos portugueses de dizer o óbvio. Então não é que o PS acusou hoje o PSD de fazer o que o PSD acusou o PS de fazer?

Ou seja, que o primeiro-ministro (o PS diz que é Passos Coelho), tem feito afirmações sobre as nomeações para empresas "que não correspondem à verdade", sugerindo que o Governo "meteu a mão" no caso dos nomes designados para a EDP.

Numa declaração aos jornalistas na Assembleia da República, o vice-presidente da bancada do PS, José Junqueiro, considerou ainda que existe "um desfasamento em claro prejuízo da verdade" nas nomeações publicadas no Diário da República e no Portal do Governo.

"O Grupo Parlamentar do PS concretiza, esta sexta, a entrega das perguntas ao senhor primeiro-ministro e exige uma explicação cabal sobre as nomeações, gostaríamos de lhe deixar bem claro que as suas afirmações de quinta-feira não correspondem à verdade e que dentro de dias lhe poderemos dizer em concreto aquilo que é o verdadeiro número de nomeações que estão a ser feitas", afirmou José Junqueiro.

Recorde-se, não adianta mas sabe bem, que Pedro Passos Coelho defendeu, ontem, que tem sido coerente com a sua promessa de libertar o Estado do "amiguismo" e das "clientelas", defendendo-se de críticas às nomeações feitas pelo Governo.

Para José Junqueiro, "quem não queria ser eleito para dar emprego aos amigos e para libertar o Estado e a sociedade civil dos poderes partidários, acabou neste momento por ser o 'chairman' de uma agência de empregos".

Não quero analisar a justeza das declarações do PS em função da credibilidade que me não merece José Junqueiro. Tenho, no entanto, de recordar que no dia 20 de Junho de 2010, em Baião, o secretário de Estado da Administração Local de Portugal, exactamente José Junqueiro, antecipou em muitos meses o que viria a verificar-se ser uma certeza: o primeiro-ministro José Sócrates “é uma oportunidade para o país, mas também um exemplo para a Europa”.

Já nessa altura, ou sobretudo nessa altura, era possível verificar as condições exigidas para se ser deste PS e estar na calha para bons empregos. Bastava, como certamente basta agora, ouvir José Junqueiro.

E são elas, subserviência total, coluna vertebral amovível (ou, preferencialmente, ausência dela) e disponibilidade total para estar sempre de acordo com o dono do partido.

“O que nós precisamos é de homens públicos que saibam estar à altura das responsabilidades”, afirmou na altura José Junqueiro sobre o então chefe do Governo, a propósito das dificuldades económicas por que passava e passará Portugal e outros países europeus.

Crê-se, aliás, que para além de uma notável demonstração de subserviência, a tese de Junqueiro visava já o lançamento da candidatura de José Sócrates a algo mais do que ser um simples primeiro-ministro do protectorado alemão que dá pelo nome de Portugal.

O secretário de Estado lembrou nessa altura o défice de 9,3 por cento em Portugal, mas também os 11 por cento dos EUA e os 12 por cento do Reino Unido.

“Na quinta economia, a da França, e na primeira economia, a da Alemanha, tal como na outras economias poderosas, as coisas não vão de feição”, acrescentou o agora apoiante de António José Seguro.

Pois é. E foi graças à perspicácia de José Junqueiro que Nicolas Paul Stéphane Sarkozy de Nagy-Bocsa e Angela Dorothea Merkel, entre muitos – mas mesmo muitos e não só da Europa – pediram a imediata e erudita ajuda de José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa.

José Adelmo Gouveia Bordalo Junqueiro, um professor universitário de Aveiro, que não deixa os seus créditos por louvaminhas alheias, considerou que o Governo de Portugal estava a tomar as medidas adequadas para corrigir o défice e lembrou os sinais de recuperação da economia portuguesa nos primeiros meses de 2010.

E a quem se devia na altura tão esforçado trabalho em prol dos 800 mil desempregados, dos 20% de portugueses que estavam na miséria e de outros 20% que já a tinham a bater à porta? Claro. Na altura foi a José Sócrates. Amanhã logo se verá.

“Portugal cresceu a um ritmo recorde em toda a Europa no primeiro trimestre. Já sei que no segundo trimestre vai repetir a mesma dose. O crescimento de Portugal está em marcha”, enfatizou Junqueiro, sem deixar tempo a que a audiência tivesse dúvidas sobre a similitude entre Deus (no céu) e José Sócrates (na terra).

“O primeiro-ministro é o motor desse ânimo e dessa esperança para vencer as dificuldades”, salientou Junqueiro, acrescentando que José Sócrates, “com a sua determinação, tem um discurso positivo, um discurso da resistência e ganhador”.

O secretário de Estado e dirigente nacional do PS criticou depois o PSD, considerando “não ser um bom exemplo para o país” o maior partido da oposição “aconselhar Portugal a recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI) ou a fundos europeus”.

“Isso dá um sinal de fragilidade”, observou José Junqueiro, lembrando que esse tipo de discurso pode conduzir à queda das bolsas e de outros indicadores económicos. O homem sabia do que falava...

É certo que José Junqueiro, como muitos outros, limitou-se, sem originalidade, a dizer o que dissera o seu chefe. Mas, reconheço, repetir o que o chefe dizia era à época meio caminho andado, mesmo quando as provas acabavam por já nessa altura revelar que, afinal, José Sócrates não sabia o que dizia e não dizia o que sabia, se é que sabia alguma coisa.

* Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

Título anterior do autor, compilado em Página Global: A (IN)CULTURA DEMOCRÁTICA DA LUSA

Imagem Escolhida: MIREM-SE NO EXEMPLO… DOS DESGRAÇADOS QUE EMIGRAM



Redação

Esta Imagem Escolhida parece que já foi incluída no Página Global anteriormente mas como há elementos do coletivo que gostam de bisar a foto volta a ser Escolhida. Nela é retratado o semblante de um português esforçado, vítima de tanta mentira de um Bando de Mentirosos que se apossou democraticamente dos poderes em Portugal.

Preocupante é que se nota pela foto que os semblantes dos portugueses estão a ficar com parecenças ao mentiroso-mor Passos Coelho. Será que também eles para sobreviverem têm de andar a mentir e que isso é a razão de semblantes alterados e parecidos com o atual PM português? Será que existe uma explicação científica para este fenómeno? Que quem mente fica com cara de Passos Coelho? Ah! Então a mentira tem cara, ao contrário do que nos ensinaram; porque antes descreviam-na como se fosse coisa de vigaristas, de políticos, mas com traços indefinidos. Teremos de passar a ensinar às nossas crianças que se mentirem correm o sério risco de se começarem a parecer fisionomicamente com Passos Coelho. Até já podemos imaginar a mãe a dizer aos seus filhos: “Não mintam, olhem que ficam com cara de Passos Coelho.” Junto a esse dito de alerta e para temer, quando não querem comer a sopa: “Come a sopa se não vem aí o aldrabão do Passos Coelho”.

Estupefactos os filhos olham para os pratos limpíssimos e vazios sobre a mesa e questionam: “Oh mãe, se não há dinheiro… mas qual sopa, se cá em casa não há comer?” A mãe sorri, aparentemente confiante, e diz: “Pois é verdade mas… era para ver se vos enganava”. Num ápice o filho mais velho salta da cadeira e grita para os outros: “Fujam, a mãe está a ficar com cara de Passos Coelho!”

O MELHOR É EMIGRAR, FUJAM!

É mesmo. O melhor é emigrar. Daí trazermos aqui um Ciclo de Conferências que talvez possa contribuir para esclarecimento de muitos portugueses. Pedimos desculpa de o publicarmos com algum atraso e por isso terem perdido a oportunidade de ouvirem dois oradores (Vale Azevedo e Dias Loureiro) excelsos nesta arte de emigrar após umas grandes golpadas – o que não será o vosso caso porque quanto muito vós sois vítimas das golpadas.

Vide e aproveitai tão rara oportunidade.

Ciclo de conferências sobre o tema: “Emigração no séc XXI”

Serão oradores os melhores especialistas da actualidade.

Acesso gratuito.

(Ver programa em anexo)


Desfrute o melhor possivel da sabedoria destes mestres.

POPULAÇÃO DA ALEMANHA CRESCE GRAÇAS A IMIGRANTES



Deutsche Welle

Pela primeira vez desde 2002, o crescimento populacional devido à imigração na Alemanha compensou o déficit de nascimentos. A principal causa foi a abertura das fronteiras para trabalhadores do Leste Europeu.

Após oito anos em queda, o número de habitantes na Alemanha registrou ligeira alta em 2011 – principalmente devido ao aumento no número de imigrantes do Leste Europeu. Mais de 81 milhões de pessoas viviam na Alemanha no final do ano passado, 50 mil a mais do que em 2010. A estimativa, divulgada nesta sexta-feira (13/01), é do Departamento Federal de Estatísticas.

Ao todo, em 2011 o número de pessoas que se mudou para a Alemanha superou em 240 mil o dos que deixaram o país – maior saldo em dez anos. Em 2010, por exemplo, este número havia sido de 128 mil.

"Isso, entretanto, não significa uma tendência, é apenas uma contagem instantânea", diz o Reinhold Zahn, do Departamento Federal de Estatísticas. "Em médio e longo prazo, a população está diminuindo." Dados exatos sobre 2011 no entanto ainda não existem.

A principal causa para o ligeiro, mas surpreendente, crescimento populacional são os imigrantes vindos de países novos na União Europeia (UE), especialmente da vizinha Polônia, que entrou no bloco em 2004, e da Romênia, na UE desde 2007.

Desde maio do ano passado, quando foi implementada a livre circulação de trabalhadores para oito países que haviam aderido à UE em 2004, estão se mudando para a Alemanha, em média, 28 mil pessoas por mês.

Também por causa da crise da dívida aumentou, acima da média, o número de gregos, espanhóis, portugueses e italianos que buscam a sorte na Alemanha.

Os pesquisadores não constataram mudança significativa na relação entre nascimentos e óbitos em 2011. O número de recém-nascidos ficou entre 660 e 680 mil, enquanto o de óbitos variou de 835 a 850 mil.

FF/dpa/epd - Revisão: Roselaine Wandscheer

Europa ao fundo: Após rebaixamentos, Merkel cobra pressa para novo fundo de resgate





Líder alemã pede rapidez na criação do fundo permanente de resgate como resposta à redução das notas de nove países da zona do euro pela Standard & Poor's. Decisão de agência de rating é motivo de críticas na Europa.

A chanceler federal alemã, Angela Merkel, cobrou neste sábado (14/01) rapidez no estabelecimento do fundo permanente de resgate, o chamado Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (MEEF), ao comentar a redução das notas de nove países da zona do euro anunciada na sexta-feira pela agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P). Ela também ressaltou que a Europa tem um "longo caminho" pela frente para reconquistar a confiança dos investidores.

A Standard & Poor's anunciou na sexta-feira o corte na classificação da maioria dos países da zona do euro, entre os quais a França e Áustria, que perderam a nota máxima, e Portugal, Espanha e Itália, que baixaram dois pontos. "Reduzimos as classificações de Chipre, Itália, Portugal e Espanha, em dois níveis, os de Áustria, França, Malta, Eslováquia e Eslovênia, em um ponto, e mantemos os níveis da Bélgica, Estônia, Finlândia, Alemanha, Irlanda, Luxemburgo e Holanda", informou um comunicado da agência.

"Creio que agora fica mais claro que necessitamos rapidamente do MEEF, que estará abastecido de capital", disse a chefe de governo alemã, ao discursar diante de correligionários em uma reunião de cúpula de seu partido, a União Democrata Cristã (CDU), na cidade de Kiel. Ela afirmou que o fundo tornará as economias da Europa "independentes de tais classificações", porque os países não precisam recorrer ao mercado para conseguir mais dinheiro.

De acordo com o que foi acertado na última cúpula europeia, o MEEF substituirá a partir de julho o atual Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), que se nutre de capital nos mercados e sofrerá provavelmente as consequências do rebaixamento de classificações.

Merkel sublinhou, ainda, que o rebaixamento reflete apenas a opinião de uma das três grandes agências de rating, e lembrou que a agência Fitch anunciou que manterá neste ano a melhor nota da França.

França avançará com medidas de austeridade

O primeiro-ministro francês, François Fillon, também deixou claro que o rebaixamento deve impelir os países europeus a implementarem rapidamente o pacto destinado a reforçar a disciplina orçamentária. Alemanha e França têm liderado os esforços de resgate de outros países da zona do euro, num momento em que o continente tem enfrentado crise após crise nos últimos dois anos.

Ele disse que seu país vai avançar com as medidas de austeridade após a agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) ter rebaixado a nota da França.

Fillon adotou um tom sombrio ao comentar o rebaixamento, que feriu particularmente a autoconfiança francesa e pode prejudicar os esforços contra a crise europeia. A França é um país central para esses esforços, e o rebaixamento pode tornar os esforços franceses para ajudar outras nações ainda mais difíceis, já que pode onerar seus próprios custos ao pedir empréstimos.

Fillon disse que o rebaixamento confirmou a necessidades de seu governo conservador prosseguir nos planos de reformas para reduzir dívidas, apesar das preocupações de que mais medidas de austeridade possam sufocar o crescimento.

Ele assegurou que o governo não iria ajustar o orçamento ainda, afirmando que este foi planejado levando em conta uma suposição de aumento dos custos de empréstimos. A S&P havia alertado 15 nações europeias em dezembro que elas estavam em risco de rebaixamento.

O rebaixamento, que ocorre três meses antes das eleições presidenciais na França, foi "um alerta que não deve ser dramatizado mais do que deve ser subestimado", disse ele. A S&P retirou na França seu cobiçado status AAA, rebaixando a nota do país em um nível para AA+. A Itália caiu ainda mais. Já a Alemanha manteve sua classificação máxima.

Surpresa em Bruxelas, críticas de Chipre e Áustria

O comissário europeu responsável pela regulação dos mercados financeiros, Michel Barnier, disse estar "surpreso" com o momento escolhido pela S&P para descer a notação de vários países, quando a zona do euro está endurecendo as regras orçamentárias. "Quando todos os governos e instituições europeias estão mobilizados para reforçar o controle das contas públicas da União Europeia, me surpreendo com o momento escolhido pela agência Standard & Poor's e com a sua avaliação, que não leva em conta os progressos atuais", comentou.

O ministro das Finanças de Chipre, Kikis Kazamias, chamou de "arbitrária e infundada" a decisão da Standard & Poor's de cortar a nota de seu país em dois níveis, reduzindo a status de lixo. Ele disse no sábado que a agência ignorou as medidas de austeridade tomadas na ilha, assim como a descoberta de significativos depósitos de gás natural em sua costa. Ele afirmou que a medida ilustra uma vez mais como as agências de classificação de crédito exacerbam a crise da Europa.

O chanceler federal da Áustria, Werner Faymann, criticou a decisão da S&P de retirar de seu país a classificação máxima AAA e sublinhou que seu governo de coalizão está trabalhando em um pacote de austeridade. Ele escreveu em sua página no Facebook que "os dados econômicos da Áustria continuam a ser muito bons" e acrescentou que a decisão mostrou "que Áustria deve se tornar mais independente dos mercados financeiros".

MD/lusa/dpa/ap - Revisão: Carlos Albuquerque

*Título alterado por PG

Itália: DESAPARECIDOS, FERIDOS E MORTOS EM NAVIO DE CRUZEIRO QUE ENCALHOU




Casal de portugueses ficou com ferimentos ligeiros em acidente de cruzeiro em Itália - MNE

Sara Madeira - Lusa

Lisboa, 14 jan (Lusa) - Um casal de portugueses residentes na Suíça sofreu ferimentos ligeiros no acidente de sexta-feira à noite com um navio de cruzeiro em Itália, disse à Lusa fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

De acordo com a mesma fonte, não há informação de qualquer vítima mortal portuguesa e a embaixada de Portugal em Roma tem estado a acompanhar a situação desde manhã.

Até ao momento, já foram recuperados três corpos do mar e 69 pessoas continuam desaparecidas depois de o cruzeiro Costa Concórdia ter encalhado junto da pequena ilha de Giglio na costa da Toscânia, na noite de sexta-feira.

Dois franceses e um peruano são as três vítimas mortais do naufrágio ao largo da ilha de Giglio, em Itália

António José Gouveia - Lusa

Lisboa, 14 jan (Lusa) - Dois turistas franceses e um membro da tripulação peruano foram as três vítimas mortais resultantes do naufrágio do navio cruzeiro que encalhou na ilha de Giglio, o Costa Concordia, disse a Agência Ansa, citando as autoridades locais.

Os corpos das três vítimas estão na morgue de Orbetello, vila localizada em frente à ilha de Giglio, sendo que as autoridades decidiram fazer a autópsia no local.

O presidente da câmara local confirmou "três mortos" excluindo os desaparecidos, e fontes hospitalares registaram a entrada de 40 feridos, incluindo dois graves.

Angola: ADVOGADOS EXIGEM LIBERTAÇÃO DOS GREVISTAS BOMBEIROS



O País (ao)

O grupo de advogados da Associação “Mãos Livres”, constituído por três causídicos para defender a causa dos 21 efectivos dos Serviços de Protecção Civil e Bombeiros (SPCB) de Luanda, detidos em finais de Dezembro passado por tentativa de greve, defendem a sua libertação total e incondicional, por alegadamente terem sido detidos ilegalmente pela Justiça Militar, afirmou o presidente desta organização filantrópica, Salvador Freire dos Santos.

Falando em exclusivo para O PAÍS esta semana, Salvador Freire explicou que a detenção destes efectivos que reclamavam por melhores condições de trabalho e salariais, que se encontram presos na cadeia de Tombo, a sul do município de Belas, em Luanda, é ilegal por os mesmos serem civis, não pertencerem a nenhuma força militar e nem paramilitar. “ Eles pertencem ao Ministério do Interior que é um órgão político, e não militar como é o caso do Comando Geral da Polícia Nacional, que é operativo e funciona com material bélico”, justificou.

Salvador Freire entende que terá havido um equívoco da parte do gabinete jurídico dos Serviços de Protecção Civil e Bombeiros ao remeter o processo disciplinar à Procuradoria Militar da Guarnição de Luanda (PMGL), tendo em seguida este órgão legalizado a prisão dos mesmos e enviado-os para os calabouços. “Enquanto civis, o processo não deveria ser encaminhado à Procuradoria Militar, porque só os militares é que respondem neste órgão e não o contrário como aconteceu infelizmente”, sublinhou.

O jurista disse mesmo ter havido violação de alguns procedimentos, reiterando que a prisão é ilegal, sobretudo, por estarem detidos preventivamente num presídio militar.

“Há uma ilegalidade neste sentido e a única solução é soltar os mesmos cidadãos que estão privados de liberdade”, reforçando que a instituição que dirige vai bater-se pela legalidade junto dos órgãos competentes e que justiça seja feita à luz do que está consagrado na própria lei.

Assim sendo, o grupo liderado pelo conhecido por David Mendes, onde inclui, Afonso Mbinda e Salvador Freire vai solicitar ao Supremo Tribunal Militar(STM), um “habeas corpus” no sentido de se restituir à liberdade destes cidadãos (catorze homens e sete mulheres). “ Vamos fazê-lo ainda ao longo desta semana, para que, num curto espaço de tempo, tenhamos os nossos concidadãos em liberdade”, afirmou.

O causídico mostrou-se confiante que o recurso a ser interposto a este órgão de maior instância castrense no país, poderá obter o propósito desejado, que é o de “repor a legalidade”. “Sempre tivemos confiança nos Tribunais e creio que o recurso que vamos apresentar junto desta máxima instância militar poderá resultar a favor da liberdade dos nossos constituintes”, declarou o novo responsável máximo da “ Mãos Livres”, eleito em Dezembro de 2011 para um mandato de cinco anos, em substituição de seu colega David Mendes, que cumpriu dois mandatos consecutivos à frente deste agremiação.

Instado sobre o estado anímico dos detidos, o responsável respondeu que é calmo, já que os aludidos cidadãos, segundo ainda a fonte, “estão conscientes que agiram de acordo com a lei e não violaram nenhuma norma e têm a plena confiança que os órgãos de justiça poderão restitui-los à liberdade o mais breve possível, porque não há nenhum crime nisto tudo, mas houve apenas uma precipitação das próprias instâncias dos Bombeiros, através do seu gabinete jurídico”.

Prudente nas suas declarações, Salvador Freire reconheceu que, apesar de o grupo estar com o moral alto, continua constituir sempre preocupação para a sua soltura, argumentando que “ cadeia é sempre cadeia por mais que estejamos tranquilos se tenhamos cometidos crimes ou não, porque a liberdade é um bem natural e não é bom que alguém esteja privado deste bem”, assegurou Salvador Freire, para quem a restituição da liberdade aos acusados é a única via para se repor o que foi violado.

Familiares indignados

Entretanto, familiares dos detidos ouvidos por O PAÍS, à margem desta entrevista, que falaram sob anonimato, temendo eventuais represálias dos Serviços de Protecção Civil e Bombeiros contra os seus ente queridos, dizem, mostraram-se indignados com a atitude que consideram de musculada da parte da instituição que acusam de ter agido de má fé. “Houve exagero. Não seria necessário chegar-se até a esse ponto, porque sendo civis têm o direito de se manifestar como manda a lei”, desabafou uma jovem , irmã de uma das detidas.Com semblante triste (banhada em lágrimas) estava uma mãe que aparentava 60 anos e que clamava pela liberdade do seu único filho, que disse estar preso sem culpa formada. “Estão a dizer que lhe prenderam à toa, porque a greve é permitida por lei, e, por isso, não vejo a razão de ter sido levado à cadeia”, deplorava. Na mesma senda, uma outra mulher, essa mais nova que a primeira entrevistada, 51 anos, também mostrou-se inconformada com a detenção da sua segunda filha. “É quem toma conta da casa, e com a prisão dela estamos a morrer de fome” revelou.

Num grupo de oito pessoas, maioritariamente mulheres, acusaram a direcção dos SPCB de ter agido “impiedosamente” contra os grevistas que reclamavam pela melhoria das suas condições laborais e salariais, atendendo à natureza e à complexidade do seu trabalho, cujo perigo é iminente quando em cumprimento das suas obrigações profissionais.

“Esqueceram-se que os nossos filhos têm uma profissão de riscos e as suas reclamações são motivos de abuso de autoridade e deram-se ao luxo de mandá-los à prisão, como sendo a prenda do Natal que nos deram”, desabafou uma das senhoras ouvidas também por este jornal.

Socorro ao ministro do Interior

Os referidos familiares, em declarações a este jornal, pedem ao titular da pasta, comissário-chefe, Sebastião Martins, a quem consideram como um dirigente competente e homem de bem para que intervenha na resolução deste caso, que se afigura como “incompreensível na medida em que não havia qualquer intenção de se amotinar, mas apenas para reclamar um direito que lhes é inalienável e consagrado na Constituição”, afirmou o pai de um jovens que está nestes serviços há seis anos.

Segundo o mesmo homem, “o senhor ministro do Interior é uma pessoa que pode atender o nosso clamor neste sentido, a maioria de nós é velha e rogamos que haja indulgência da sua parte enquanto responsável máximo da Polícia no país, e que mande autorizar para que os nossos filhos voltem em liberdade, porque é deles que contamos para comer e vestir, apesar de auferirem um salário que ainda não é o ideal e que os levou à prisão”, exclamou.

Entretanto, o clima de tensão entre os funcionários de Serviços de Protecção Civil e Bombeiros e a direcção deste órgão há muito vinhase desenhado com a publicação na imprensa de notícias que davam conta das dificuldades por que passavam os bombeiros. Melhoramento da alimentação, equipamentos de trabalho, desrespeito dos chefes contra subordinados, baixos salários e ameaças de prisão, esse último consumado com a detenção dos “ insurrectos”, foram os alegados motivos da tentativa da greve.

A problemática salarial é o que mais tem estado a “tirar sono” ao corpo de Bombeiros, ao contrário de outras instituições do Ministério do Interior (MININT), que auferem melhores ordenados. Para elucidar, o salário mínimo de um bombeiro é de 30 mil Kwanzas. “É muito baixo se se estiver em conta os riscos por que passam no cumprimento das suas actividades diárias”, reconheceu um responsável policial colocado no MININT.

- Ireneu Mujoco  - 13 de Janeiro de 2012

Visita a Angola - Miguel Relvas, em entrevista: “Um angolano é um português em Portugal”



O País

GRANDE ENTREVISTA

Em pouco mais de 10 anos, Angola passou do 10º lugar das exportações portuguesas para o 4º lugar, tornando-se no principal parceiro comercial de Portugal fora do espaço comunitário, ultrapassado apenas pela França, Alemanha e Espanha. Deve-se ao esforço unilateral do sector empresarial português, deve-se a uma maior atenção dos governos de Portugal à diplomacia económica ou a ambos?

Não podemos esquecer que houve, entre outros factores, um lamentável e longo período de guerra em Angola que, de alguma forma, impossibilitou um normal fluxo comercial mas que desde os acordos de paz facilitou as trocas e a atracão para Angola de investimentos que trazem consigo meios humanos e a reposição dos normais circuitos económicos. Assim foram as circunstâncias que motivaram as alterações e não a vontade de ambos os governos em estreitar essas relações, pois isso é algo em que os séculos de história comum impõem-se a qualquer vontade política. Nós somos países irmãos “condenados” a entendermo-nos e a respeitarmo-nos mutuamente como países soberanos que somos.

Sempre sentimos da parte das autoridades Angolanas e nomeadamente do Eng. José Eduardo dos Santos, Presidente da República de Angola a manifesta vontade de estreitar as relações de cooperação entre os dois Países. O atual governo português tudo fará para incentivar essas relações, como comprovam os gestos de aproximação que são visíveis de ambas as partes. Neste contexto, Portugal acompanha com muito interesse a emergência de uma classe empresarial angolana.

No Atlântico sul: a língua como instrumento económico

Pode ou não falar-se de relação económica com dois sentidos, dado o nível dos investimentos angolanos em Portugal, na banca, energia e agora também na comunicação social?

É claro que uma relação saudável entre duas economias pressupõe uma reciprocidade e uma vontade explícita de incentivar essas trocas de investimentos, sinal que ambos os tecidos empresariais sentem interesse e utilidade nessa colaboração. Logo, ninguém pode estranhar que tal se verifique e o contrário é que seria estranho.

O fortalecimento de tais trocas é o “cimento” mais robusto e intemporal que podemos concretizar para se passar das declarações meramente diplomáticas para os atos que realmente fortalecem as relações entre estados soberanos que se respeitam e admiram.

Em que medida a ausência de um acordo de dupla tributação tolhe os esforços para uma cooperação mais frutífera entre os dois países?

A cooperação entre Portugal e a República de Angola tem-se desenvolvido crescentemente apesar da inexistência de um acordo sobre dupla tributação internacional entre ambos os países, que não tem sido, todavia, um obstáculo irremovível.

Mas um acordo desse tipo, independentemente do modelo que vier a ser adoptado, beneficiaria substancialmente a cooperação entre ambos os países também ao nível da troca de informações. Portugal tem conhecimento que a República de Angola está a promover uma relevante e ambiciosa reforma fiscal que não deixará de criar as condições para dotar o Estado angolano com uma vasta rede de acordos de dupla tributação internacional, essencial ao sucesso do processo de internacionalização da sua economia como se vem assistindo nos últimos anos. Aliás, vários funcionários da administração fiscal já estagiaram em Portugal. O objectivo é a criação, em Angola, de um corpo especializado de funcionários apto à negociação das convenções.

Em Portugal fala-se em parceria estratégica com Angola...todavia, em Angola fala-se em cooperação. Vê diferenças conceptuais práticas entre estas duas visões?

Penso que é mais uma questão semântica. O que podemos constatar é um incremento cada vez maior de interação entre os dois Estados e entre as respectivas sociedades civis. Temos uma língua e uma cultura comuns e isso é um património que não tem preço nem se adquire ou aliena por qualquer vontade política. O que importa é encontrar os caminhos de cooperação que sejam úteis aos dois Povos e em áreas cujo património linguístico facilite e onde ambos os Estados vejam vantagem nessa integração no espaço mais alargado do mercado atlântico sul no qual o português surge como verdadeiro instrumento económico.

No que respeita ao capital humano e toda a sua envolvência, cooperação ou emigração com sentido biunívoco...o que é que Defende ?

Neste momento sente-se mais um fluxo de Portugal para Angola mas ao longo dos tempos verificamos que são movimentos conjunturais ditados pelas circunstâncias económicas e sociais que afectam os Países. Não dependem de uma vontade política. Os governos devem encarar tais realidades com a sagacidade de políticas de Estado e não ao sabor das opiniões mais ou menos populistas que normalmente se manifestam.

Prova disso é o recente acordo firmado entre os dois governos que visa a facilidade de circulação de pessoas entre os nossos dois países. Estou convicto que irá dar um impulso saudável as nossas já fortíssimas relações de amizade e de respeito mútuo. Neste momento o número de residentes de Angolanos em Portugal e de Portugueses em Angola não deverá ser muito diferente. Assim, defendo uma cada vez maior e mais facilitada movimentação de pessoas e bens nos dois sentidos, pois isso representa um incremento e uma imagem de maturidade nas relações entre os dois Países.

Recursos humanos, a maior riqueza de qualquer pais

É nossa motivação tudo fazer para criar as condições para que essa juventude e esses quadros possam regressar tão breve quanto possível (…)esta é a geração mais bem preparada da história recente de Portugal.

Há uma saída de jovens quadros portugueses para Angola, Brasil, Estados Unidos, Austrália e também para a Europa etc. Acredita que algum dia esses quadros possam voltar a Portugal?

Esses movimentos são ditados pelas conjunturas económicas e sociais. Representam sempre uma perda momentânea para o país de origem pois é “inteligência” que está ao Serviço de outras economias.

É nossa motivação tudo fazer para criar as condições para que essa juventude e esses quadros possam regressar tão breve quanto possível, pois temos a convicção que os recursos humanos são a maior riqueza de qualquer Pais e que esta é a geração mais bem preparada da história recente de Portugal.

Esta emigração não poderá ter efeitos negativos para o desenvolvimento do seu país nos próximos anos?

Em coerência com a resposta anterior, é óbvio que tal representa uma perda mas que tudo faremos para que seja conjuntural e de curta duração.

Existem já cerca de três gerações de angolanos e angolano-descendentes a viver em Portugal e para muitos angolanos os interesses passam por Portugal, seja pela via da vida social e económica, seja através da cultura, desporto e gastronomia.

Como é que o governo português, e o senhor ministro em particular, caracteriza a migração angolana? Isto é, como é que os angolanos são vistos em Portugal, de uma forma institucional e como grupo do ponto de vista social, económico e até político (ao nível local e autárquico?)

Penso que tal situação está perfeitamente estabilizada e consolidada numa demonstração de adaptação e aceitação que talvez não tenha paralelo em mais nenhuma parte do mundo.

Não tenhamos receio de assumir esse grande património comum que é o respeito e aceitação recíproca que soubemos demonstrar ao longo dos atribulados tempos que temos vivido à escala mundial. Um português é angolano em Angola e um angolano é um português em Portugal.

Viveu na Lunda, chegou a deputado aos 23 anos e ocupa um super posto no Governo

É inequivocamente o número dois do governo português e do Partido Social Democrata (PSD). E, um indefectível de Pedro Passos Coelho.

Teve responsabilidade directa na promoção deste, não só a líder do PSD como a primeiro-ministro. Quando se fala em Miguel Relvas fala-se do amigo de longa data do actual chefe de governo. Nos meios de comunicação social e nos bastidores da politica portuguesa descreve-se Relvas como “a sombra do primeiro ministro”…o seu braço-direito. o seu amigo, aliado, político-gémeo, é o seu par; é o poder dentro do círculo do poder, incluindo na economia, na comunicação, nos negócios, nas privatizações – se Vítor Gaspar, o ministro português das Finanças trata da venda, Miguel Relvas trata da compra. Tanto poder atrai mais poder: tem muitos homens de negócios a seus pés. Vai decidir vencedores e perdedores. Por isso, tem entrada meteórica na lista dos “Mais Poderosos de Portugal”. Nas suas relações com a esfera de negócios constam ainda fortes ligações com membros do Partido dos Trabalhadores do Brasil e virtuais ligações com influentes pessoas do circulo do poder angolano.

Mas não só: Miguel Relvas é e sempre foi visto também como um estratega por excelência, conhecido, por ser o homem que melhor domina a “máquina laranja”.

Desde a chegada ao poder do tandem PSD/ CDS-PP e a formação do XIX governo constitucional de Portugal, Miguel Relvas assume o cargo de ministro-adjunto do Primeiro-ministro e dos Assuntos Parlamentares, um super posto que tutela autarquias, relações com o parlamento, comunicação social, entre outros pelouros.

É também secretário-geral do PSD de Passos Coelho, cargo a que regressou após ter estado na sede dos sociais-democratas, em 2004, quando Pedro Santana Lopes chegou à presidência do partido e do Governo português. Em 1985, aos 23 anos, foi eleito deputado, tornando-se um dos mais jovens de sempre a ocupar o lugar, onde esteve durante 24 anos.

Com 49 anos de idade, tem no seu percurso uma mão cheia de cargos: secretário de Estado da Administração Local durante o Governo de Durão Barroso (2002-2004). A sua carreira política teve início em 1987 quando foi secretário-geral da Juventude Social Democrata até 1989. Mais tarde assumiu funções de deputado à Assembleia da República (19912009); Presidente da Assembleia Municipal de Tomar (1997-2009); Presidente da Região de Turismo dos Templários (2001-2002); SecretárioGeral do PSD (2002-2005 e a partir de 2010).

Licenciado em Ciência Política e Relações Internacionais pela Universidade Lusófona, viveu em Angola até 1974. É adepto fervoroso do Sporting e tem uma ligação muito forte ao distrito de Santarém, por onde é eleito até a interrupção do seu mandato. Viveu até aos 13 anos em Angola com os seus pais e os dois irmãos mais novos. Quando voltou para Portugal prosseguiu os estudos em Tomar; posteriormente na Faculdade de Direito da Universidade

Educação e cultura elementos cruciais nas relações entre Estados

“A língua comum potencia essa capacidade de cooperarmos nesse sector fundamental para o desenvolvimento dos povos, num mundo cada vez mais competitivo. Será algo que as gerações vindouras não perdoarão se não formos capazes de traduzir em actos essa realidade”

É a terceira visita de peso de um governante português a Angola, desde a chegada ao poder da coligação socialdemocrata – partido popular. Como se pode interpretar este movimento?

É um sinal inequívoco de empenhamento dos actuais Governos de comunhão de objectivos sempre pautados pelo respeito mútuo.

A questão da concessão de vistos de entrada de angolanos para Portugal e de portugueses para Angola preocupa-o e ao seu governo ou já não?

A aplicação plena do recente acordo representa um avanço que deixa ambos os Governos confortáveis.

As relações entre Portugal e Angola parecem estar muito centradas em negócios, designadamente na banca, telecomunicações, construção civil ... Está o governo português apostado em diversificar a cooperação a outros domínios tais como educação e cultura?

Esta minha visita a Angola é a prova da importância que a cultura e todas as formas da sua divulgação são assumidas por ambos os Governos.

Quanto à educação, é fundamental que se consolide a cooperação pois essa é uma prioridade natural que nos une e onde Portugal pode dar um contributo determinante com vantagens para ambos os países. A educação é um sector onde Portugal poderá assumir um papel relevante na exacta medida em que o Governo Angolano o entender.

Todos teremos a ganhar no incremento da cooperação nessa área, pois a língua comum potencia essa capacidade de cooperarmos nesse sector fundamental para o desenvolvimento dos povos, num mundo cada vez mais competitivo. Será algo que as gerações vindouras não perdoarão se não formos capazes de traduzir em actos essa realidade.

Deslocalização empresarial: sim ou não?

Na sua visita a Angola, a presidente do Brasil, Dilma Roussef apelou a que as empresas brasileiras empreguem mais angolanos a nível sénior. Julga ou não ser importante que isto se faça com as Empresas portuguesas que operam em Angola?

Claro que sim, sempre respeitando as necessidades operacionais de cada empresa.

Há correntes que defendem uma deslocalização das empresas, nomeadamente fábricas, de Portugal para Angola, passando de uma relação de exportação de produtos e serviços para uma relação mais localizada de produção. Como é que o governo português encara estas sugestões?

Os estados devem proporcionar as condições mais propícias à livre fixação das empresas, mas as escolhas devem pertencer aos empresários dos dois países. Se no entender deles essa for uma solução para incrementar as trocas entre os dois países, por que não?

A SADC com a África do Sul à cabeça poderá, na sequência de acordos aduaneiros e de livre circulação, constituir um grande concorrente para algumas exportações portuguesas. Na África do Sul, por exemplo, existe uma grande comunidade portuguesa que poderá ela mesma constituir-se como concorrente à produção de determinados produtos.

De que forma Portugal encara este aspecto regional africano?

Temos de estar preparados para as mudanças e, se em princípio podem oferecer dificuldades, devemos olhá-las como oportunidades para evoluirmos e adaptarmo-nos de modo a, negociando com essas entidades, obter posições mais vantajosas para os produtos portugueses e com tempo adaptarmo-nos e podermos competir num espaço económico mais alargado e, por isso, de maior dimensão com vista a outras e novas oportunidades.

Relativamente à sua visita a Angola...

Troca de experiências a nível parlamentar, autarquias e comunicação social apenas, ou há mais áreas de debate e de interesse na sua viagem?

É natural que o enfoque da minha visita tenha que ver com as áreas que tutelo no governo a que pertenço.

No entanto espero que o impacto vá muito para além delas e constitua mais um testemunho inequívoco do fortalecimento das relações entre dois Países que se respeitam.

Viveu no Dundo, Lunda Norte, até aos 13 anos de idade. Que memorias guarda de Angola e especialmente do local onde viveu?

Recordo os anos da minha infância e juventude na Lunda, na região da Diamang, como um tempo de grande felicidade, usufruindo dos espaços imensos e da tranquilidade da região.

Recordo as muitas visitas ao museu do Dundo, onde me surpreendia sempre com a beleza das máscaras e das esculturas em madeira, obra dos geniais artistas tchokwe.

Como se começava a trabalhar muito cedo, os finais de tarde já eram de lazer. E como as estradas eram boas, era fácil fazer um passeio de dezenas de quilómetros para jantar em casa de amigos dos meus pais, em Andrada (hoje N’Zagi), no Lucapa ou outras povoações.

Uma das saídas do Dundo é belíssima, uma vez que se passa pela barragem do Luaximo, onde existia mesmo um miradouro.

São tantas as recordações que não cabem numa breve resposta. Em síntese, se quisesse resumir os meus anos na Lunda numa palavra, diria FELICIDADE e para me sentir em casa quando estou em Angola.

- João Van-Dunem, Filipe Correia de Sá e José Kaliengue  - 13 de Janeiro de 2012