sexta-feira, 6 de julho de 2012

Timor-Leste: BREVES PALAVRAS PARA ATITUDE INCOMPREENSÍVEL E GANANCIOSA




Ana Loro Metan – Timor Lorosae Nação, em 16.02.2011 - reposição

A INCONCEBÍVEL “VANTAGEM” DE SER FAMILIAR DE MÁRTIRES

Não sabemos se a notícia da Agência Lusa está incompleta ou se é mesmo realidade que os familiares das vítimas dos crimes da ocupação foram ao parlamento lembrar que esperam indemnizações… E lembrar só isso. Justiça, não pediram. Quero confiar na Lusa. Até por ter vivido acesas discussões com quem ainda há pouco mais de um mês esgrimia comigo, no mais recôndito lugarejo de Timor Leste, que a indignação pelo atraso das indemnizações era de todos os familiares e que se o Estado devia era mais que tempo de pagar… Exagero de uns quantos. Meu e de muitos familiares não é. Queremos que seja feita justiça. A pressa de receber indemnizações (quantas imerecidas?) é daqueles que esperam “negociar” e beneficiar através de sofrimentos a que muitas vezes foram alheios ou até de que foram causadores por denúncias aos invasores. A perda de familiares que amamos ainda hoje, que pereceram perante o inumano e terrível invasor, não tem preço. Se minimamente preço tiver será fazendo-se justiça com as punições previstas nas leis nacionais e internacionais.

Não sou de vitupérios mas a verdade é que estes familiares gananciosos e oportunistas enojam. Eles não pedem que se faça justiça mas sim que lhes paguem o que consideram que o Estado timorense lhes deve. O Estado somos todos nós, timorenses, e não devemos nada aos que negoceiam com a morte de mártires!

Tanto quanto me apercebi e apercebo existem timorenses que querem cobrar “vantagem” pelos que foram martirizados antes e depois da ocupação. Compreensivelmente a maior corrente é a de durante a ocupação. Até aqueles que colaboraram e se sentiram indonésios (e se sentem) durante os quase 25 anos da fase negra do nosso país querem agora receber indemnização pelos familiares que traíram e que só por isso foram torturados e assassinados. Perante isto não é difícil concluir que precisamos de ter músculos estomacais bastante fortes para não vomitarmos.

Compreendia-se que as indemnizações fossem exigidas se acaso uma outra exigência tivesse sido feita: justiça! Cabe à Indonésia indemnizar o país e os familiares prejudicados pelos comportamentos hediondos dos seus militares e das suas polícias. Não sem antes apurar responsabilidades, encontrar culpados, aplicar justiça. As indemnizações só seriam possíveis depois e nunca sendo aplicadas através de verdadeira palhaçada porque existem familiares de vítimas e outros que nem isso são, que estão a libertar a sua ganância e oportunismo à custa da história negra do nosso país durante aqueles imensos anos de ocupação. Também não deve ser o Estado timorense a pagar pelas chacinas dos militares e polícias da Indonésia. Mas é o que vai acontecer.

Faltará ainda fazer a justiça merecida ao período revolucionário de 1974 e 1975, anterior à invasão indonésia. Sabemos que não há partido político timorense de então que não tenha cometido os seus excessos e assassínios. Mas justiça, em Timor Leste, é coisa que não existe. Se não há justiça. Se não se apuram responsabilidades. Se assim sempre tem acontecido, como é possível apurar quem deve indemnizar a quem?

A responsabilidade de tudo isto pertence a uma “mascarada” ou “palhaçada” a que deram o nome de CAVR (Comissão de Acolhimento, Verdade e Reconciliação) para encobrir criminosos. Bem ao jeito de Horta e de Gusmão, entre outros. Recorde-se o Caso Bere. Impera a impunidade. O crime que tem sempre compensado os criminosos. Fraca Justiça, pobre povo, pobre país, negro futuro.

Breves palavras. Muitos vómitos, é o que de tudo isto se consegue.

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CELEBREMOS A VIDA


por Recados para Facebook

António Veríssimo

Não importa quem, nem os os nem as as. Importa que há nossos semelhantes que nos conquistam e se deixam conquistar, que se desnudam das vestes que podem ser inexatas através da aparência. É então a partir desse momento que conhecemos os ou as, que os ou as vamos descobrindo e observando continuamente, com enorme interesse, que lhes vamos construindo um nicho no nosso coração. Nicho que se confunde com amor ou amizade plena. Confiança plena. Respeito pleno. Admiração. Capacidade de entender e perdoar - se houver razões para desculpar (perdoar) algum desentendimento. E quantas vezes descobrimos que afinal aqueles desentendimentos, quase ofensas, cimentaram mais e melhor as nossas amizades, os nossos amores sem desejos carnais mas de partilhas nos pensares, nos ideais, nas ações... Aprender, aprender sempre. É a vida. A boa vida que merece ser celebrada por tanto entendimento e felicidade nos ter trazido. A má vida fica para trás, sempre, num marco histórico muito bem assinalado na memória para que não cometamos os mesmos erros. Foram os momentos de sofrimento que também soubemos partilhar. É a vida. Vida que só os amigos sabem bem miscigenar. Confundirem-se nas dores, nas ansiedades, nos pessimismos. Força amiga! Força amigo! Ergue-te! Aqui me tens, agarra as minhas mãos, a minha casa, o que é meu e agora é teu. A partilha.

Eis que ambos se agigantam. A má vida, as más experiências, os acontecimentos que nos varreram foram vencidos. Partilhamos sorrisos e felicidades. Celebramos a vitória, mais uma, no longo caminho que nos junta ou que nos juntou. Alheios da distância geográfica que nos separa estamos sempre juntos e presentes. Por isso nem a morte nos separa. E perde significado. Porque juntos vencemos tudo e a ela também, porque ao longo de décadas celebrámos a vida tão intensamente, com tanta partilha, respeito e honestidade, com tanta amizade e amor, com tanta felicidade e sintonia... Como diziamos: "a morte só existe para os que não sentem a vida e não a viveram partilhando com os justos e queridos, com os amados."

Celebremos a vida, minha querida Ana. Continuamos juntos em imensas coisas deste universo e daqueles que desconhecemos. Juntos quase em tudo que me ensinaste, que te ensinei. Estas palavras aqui alinhadas fui eu que as escrevi ou foste tu? Fomos. Exigimos as cores da alegria, da vida, para os imortais. Vivamos com o sorriso da nossa eternidade.