quinta-feira, 19 de Abril de 2012

O BOSQUE EM FLOR



Rui Peralta

Mali (1)

Fronteiras a Norte com a Argélia, e este com o Níger, a Sul com a Costa do Marfim e o Burkina Fasso, a Sudoeste com a Guiné-Conakry e a oeste com o Senegal e Mauritânia, uma vasta extensão de um milhão, duzentos e quarenta mil quilómetros quadrados, dez a quinze milhões de almas espalhadas por oito regiões (sabia-as de cor: Gao, Kayes, Kidal, Koulikoro, Mopti, Ségou, Sikasso, Tombuctu) e um distrito (Bamako, a capital). Almas que vivem, na sua maioria, da agricultura e da pesca, onde mais de metade da população vive com cerca de um euro por dia, num pais produtor de ouro e urânio, mas onde a vida tem, como as lágrimas, o sabor do sal transportado pelas caravanas Songais.

Mas não é o sal que provoca as lágrimas de dor. É o petróleo e o urânio. A prospeção e exploração de petróleo e gás na bacia de Taoudeni, que estende-se do Leste da Mauritânia ao Norte do Mali (no ponto exato onde os tuaregues proclamaram Azawad) levada a cabo por algumas petrolíferas, na Mauritânia desde a década de setenta do século passado, no Mali em tempos mais recentes, desde que a especulação sobre imensas reservas a norte do Mali para compensarem a escassez da Mauritânia. Habitado pelos nómadas Árabes, Tuaregues e Peulh e pelos sedentários Songoi, Arma, Sorka, Somono, Bozo e Bambara, tornou-se o cenário das crónicas politicamente corretas das envenenadas plumas e línguas dos fazedores de opinião. O Norte do Mali passou a ser um território tuaregue, como se estes fossem os únicos habitantes da região, vendendo-se esta ideia aos consumidores de notícias do resto do mundo. Bem explorada esta ideia e talvez em breve as agências de turismo estejam a vender passagens e ferias em Azawad o “país dos tuaregues”. Aparentemente é um bom negócio e imagino os turistas gordos de meia-idade e as cougars passeando-se em Tombuctu com os jovens tuaregues como acompanhantes…

Tuaregue é uma palavra árabe derivada de Targa, nome berbere da província de Fezzan, situada no sul da Líbia. Targa significa canal de drenagem, terra arável, jardim. Os árabes transformaram o significado do termo em boa terra. Tuaregue era, assim, o habitante de Fezzan. Durante a colonização, ingleses, franceses e alemães incorporaram o termo nas suas línguas. Por sua vez as versões populares atribuem o termo a tawariq, abandonado por Deus, mas talvez isto não seja mais do que os islâmicos a rechaçarem as tradições animistas destes povos.

De qualquer forma os tuaregues autodenominam-se Imuhagh, os homens livres, diferenciando-se dos artesãos (a exemplo dos ferreiros, casta desprezada, mas temida pelos seus poderes mágicos que descendem dos artesãos judeus, fugitivos no século XV para o Sudão, onde misturaram-se com outras populações) e dos escravos, identificando-se em coletivo como Tamust, a nação. No início do seculo XX, eram também chamados de Kel tagelmust, povo do véu azulado, um exclusivo dos homens adultos, não sendo autorizado antes da puberdade. O Tagelmust cobre todo o rosto, exceto os olhos, protegendo dos maus espíritos, do sol do deserto e das rajadas de areia durante as viagens das caravanas.

Mais recentemente os tuaregues são também conhecidos por Kel Tamasheq, falantes de tamasheq, língua que é o principal elo comum aos vários grupos deste povo berbere que utiliza o alfabeto tifinagh, único alfabeto berbere ainda em uso.

Prováveis parentes de marroquinos e egípcios, habitavam a costa mediterrânica norte Africana e a domesticação do camelo permitiu-lhes expandirem-se para sul. Aliás são eles os responsáveis pelo sangue tipo A, um marcador caucasiano, ser comum no lago Chade, consequência das rotas transarianas de escravos, percorridas pelos tuaregues. Movimentam-se por um vasto território que atualmente abrange parte da Líbia, Argélia, Mali, Burkina Fasso e Níger. De linhagem materna, as mulheres desfrutam de inteira liberdade, participando na vida pública e gerindo os bens da família. O casamento é monogâmico e elas escolhem o marido. Não cobrem o rosto, embora nas últimas décadas a influência fundamentalista islâmica tenha provocado alterações neste quadro.

A sociedade tuaregue é uma sociedade hierarquizada, cujas castas descendem da rainha Tin-Hinan e do seu esposo Takama. Cada grupo é chefiado pelo amenokal, eleito pelos nobres, guerreiros, cuja casta é a Imajeren, portadores da espada Takoba, semelhante ao tipo de espada medieval das cruzadas, com lâmina larga de dois gumes e um friso longitudinal, cujo punho é decorado por um retângulo, tipo cruz. Usam também uma lança de ferro, azagaia curta e o punhal preso ao braço, defendendo-se com um escudo de pele de antílope. Asseguram proteção aos vassalos, Imrad e em troca estes pastam os rebanhos de carneiros, cabras e camelos.

A religião é responsabilidade dos Ineselmen, que cuidam das leis corânicas. Convertidos ao Islamismo no seculo XVI, os tuaregues sempre exerceram os deveres religiosos sem muito rigor, pois o facto de serem nómadas impede-os de efetuar algumas das obrigações e ritos religiosos. Combinam a tradição sunita com algumas crenças e ritos animistas.

O quadro das castas fica completo com os Iklan, descendentes dos escravos e divididos em diversas subcastas. A dominação francesa proibiu a escravatura em finais do seculo XIX, embora esta tenha permanecido através dos tempos e praticada á margem da lei colonial. De qualquer forma é ainda hoje comentado a existência de mercados de escravos e de ligações a redes de escravatura de mulheres e crianças, vendidas para os ricos mercados da Arabia Saudita, Koweit e Emiratos.

Alimentam-se essencialmente de tâmaras, leite, manteiga, queijo e papas de cereais (painço, trigo e arroz) deixando a carne para grandes festas e cerimonias e habitam em tendas feitas de pele de carneiro, de boi ou de cabra, fixadas sobre estacas, sendo que alguns grupos usam cabanas semicirculares, de paredes e cobertura de esteiras.

Depois de diversas revoltas e rebeliões contra os poderes coloniais, através dos seculos, no período pós-independência, os Tuaregues revoltam-se em Kidal, no ano de 1963, sendo brutalmente reprimidos pelas autoridades do jovem estado maliano. Após a revolta de Kidal vive-se um período de seca, acentuada durante o decénio de 1974 – 1984, uma autentica tragedia no Norte do Mali, que arrastou as populações para a fome, afetando em particular as populações nómadas, o que causou que muitas famílias procurassem refugio na Líbia e na Argélia, chegando algumas a ir para o Líbano.

Em finais de Junho de 1990, um grupo armado composto por 60 homens, executa um ataque noturno na área de Tiderméne, matando o represente do governo central, a sua esposa, um prisioneiro e um guarda. No dia seguinte os ataques sucedem-se na área de Menaka, onde morreram 14 pessoas, entre elas 4 soldados.

Os grupos rebeldes são constituídos por sectores de jovens exilados na Líbia, durante os anos de seca, treinados como soldados do exército líbio e usados em diferentes países, como o Chade, Líbano e Palestina. Estes diferentes grupos refletem divisões de clãs na sociedade tuaregue e das diferentes etnias e grupos sociais do norte do Mali. Entre eles destacam-se:

- Movimento Popular de Libertação de Azawad, agora Movimento Nacional de Libertação de Azawad (MNLA)
- Frente Islâmica Árabe de Azawad (FIAA)
- Exercito Revolucionário de Libertação de Azawad, (ERLA)
- Frente Popular de Libertação de Azawad (FPLA)
- Frente Nacional de Libertação de Azawad (FNLA)
- Grupo para a Autonomia de Timitrine (GAT)
- Frente Unida de Libertação para a Autonomia de Azawad (FULAA)
- Movimento Patriótico Ganda Koye (MPGK. Ganda Koye é em Sonrhai, uma das línguas faladas no Mali e significa donos da terra. É um movimento que combate os tuaregues e que foi responsável pela morte de alguns operacionais da FIAA)

*Rui Peralta, um novo elemento do coletivo que "alimenta" o Página Global. Este é o seu segundo conteúdo publicado em Página Global. Muitos outros se seguirão. Damos-lhe as boas-vindas.

 - Leia o título anterior deste autor em O Arco da Crise

Timor-Leste: Novo Presidente da República fala sobre resultado das eleições



Jornal Digital

Tomada de posse a 20 de Maio

Díli - O novo Presidente da República, Taur Matan Ruak, dirigiu a sua primeira mensagem ao povo timorense e aos seus antecessores, depois da vitória. O ex-Chefe das Forças Armadas toma posse do cargo a 20 de Maio.

No resultado preliminar das Eleições Presidenciais, realizadas a 16 de Abril, Taur Matan Ruak obteve 61% dos votos e o candidato da FRETILIN, Francisco Lu-Olo Guterres, 38%.

«A primeira parte da minha afirmação é destinada às pessoas mais queridas de Timor-Leste, que têm mostrado ao mundo, através da disciplina, activismo e envolvimento, que estamos prontos para assumir a responsabilidade sobre o nosso próprio futuro. Humildemente, diante de todos, afirmo que estou pronto para aceitar a responsabilidade que me foi concedida, através de uma eleição livre e democrática», referiu Taur Matan Ruak, no seu primeiro discurso após o STAE ter declarado o resultado das Eleições.

O novo Chefe de Estado dirigiu também uma mensagem a Francisco Lu-Olo Guterres e aos seguidores da FRETILIN, dizendo que o país precisa da contribuição de cada cidadão para o seu desenvolvimento.

«Eu gostaria de transmitir uma mensagem especial ao meu irmão e compatriota Francisco Lu-Olo Guterres. Ele adoptou uma postura exemplar e digna durante todo o período de campanha. Para os militantes e simpatizantes da FRETILIN, eu gostaria de dizer que ninguém será excluído. O nosso país precisa de todos nós, cidadãos responsáveis que honram a FRETILIN, um partido histórico, que merece o nosso respeito», declarou o ex-Chefe das Forças Armadas.

Taur Matan Ruak elogiou ainda a contribuição do actual Presidente José Ramos-Horta e do Primeiro-ministro Xanana Gusmão, relativamente ao desenvolvimento do país.

«Gostaria de transmitir uma mensagem muito especial ao Presidente cessante, José Ramos-Horta, por todo o apoio que prestou durante estes anos. Estou certo de que todos os cidadãos compartilham também o meu profundo reconhecimento pelo trabalho nobre, competente e digno, que fez pela Pátria», disse o vencedor.

«Estou ciente da extensão da responsabilidade que vou ter sobre mim, a partir de 20 de Maio. Conto com as contribuições preciosas dos meus antecessores, Xanana Gusmão e José Ramos-Horta, para um futuro cheio de Paz, Prosperidade e Desenvolvimento».

(c) PNN Portuguese News Network

Cabo Verde contra acordo que prevê dois anos de transição na Guiné-Bissau



JSD - Lusa

Cidade da Praia, 19 abr (Lusa) - Cabo Verde está contra o acordo que prevê um período de transição de dois anos na Guiné-Bissau até à realização de eleições, anunciou hoje o Presidente cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca.

O acordo foi assinado na quarta-feira entre o Comando Militar que liderou o golpe de Estado de 12 de abril e os partidos da oposição na Guiné-Bissau.

Jorge Carlos Fonseca anunciou também que vai enviar o chefe da diplomacia de Cabo Verde a Dacar para estudar com o presidente senegalês, Macky Sall, o regresso à normalidade institucional na Guiné-Bissau.

Para o Presidente cabo-verdiano, que recusou a ideia de existir uma "guerra surda" entre as comunidades de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), qualquer solução final passa sempre pela reposição do poder político aos dirigentes eleitos democraticamente na Guiné-Bissau.

"A solução que as instituições legítimas que Cabo Verde está a patrocinar e a apoiar não passam por esse tipo de soluções, mas sim pelo restabelecimento da ordem constitucional, que foi posta em casa pelo golpe militar", frisou Jorge Carlos Fonseca.

"A posição de Cabo Verde é esta: qualquer solução tem de partir do princípio do respeito pelas instituições passarem pelo crivo da vontade democrática dos guineenses e não uma solução que possa surgir aos olhos de todos como legitimação de golpes de Estado", acrescentou.

Questionado sobre se a CPLP está a ter o papel que devia ter em relação à Guiné-Bissau, Jorge Carlos Fonseca lembrou que é positivo que a organização tenha, "pelo menos", uma posição "clara e em cima dos acontecimentos", para que possa ter uma intervenção "ativa, pronta e útil", guiada "por princípios e por valores".

"Pertencemos às duas instâncias, conhecemos relativamente bem a Guiné-Bissau. No quadro da CEDEAO, é natural que nem todos os países tenham esse conhecimento da realidade guineense, é preciso transmitir esse conhecimento e fazer esse trabalho de ajustamento das soluções às realidades", sustentou.

Para Jorge Carlos Fonseca, qualquer negociação tem de contar com a presença dos representantes do Governo legitimamente eleito, que não podem estar "injustificadamente" privados da liberdade.

"A libertação dos responsáveis políticos é uma condição importante para que se possa avançar num caminho razoavelmente aceitável e de acordo com os parâmetros estabelecidos (pela CPLP)", concluiu.

Durão Barroso reafirmou exigência de reposição da legalidade

EL - Lusa

Luanda, 19 abr (Lusa) - O presidente da Comissão Europeia reafirmou hoje em Luanda a importância de a legalidade democrática ser reposta na Guiné-Bissau, depois do golpe de Estado realizado por militares em 12 de abril.

"É essencial que a legalidade democrática seja respeitada e só posso subscrever aquilo que Angola, a CPLP, a CEDEAO, o Conselho de Segurança da União Africana, o Conselho de Segurança da ONU e a própria União Europeia já disseram", disse Durão Barroso, que falava à saída de um encontro com o presidente do parlamento angolano, no quadro da visita oficial de dois dias que hoje iniciou a Angola.

Antes, José Manuel Durão Barroso foi recebido pelo Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, mas não foram feitas declarações à imprensa depois do encontro.

Instado a comentar se a situação na Guiné-Bissau tinha sido abordada no encontro com o chefe de Estado angolano, Durão Barroso confirmou e destacou a "grande convergência de pontos de vista com Angola" na questão.

"Estamos a trocar as nossas análises sobre a situação na Guiné-Bissau, que nos preocupa, e esperamos também que o Conselho de Segurança da ONU, que hoje vai reunir consiga algum progresso em relação a uma questão que é tao grave, não apenas para o povo da Guiné-Bissau, mas também para toda a região", concluiu.

Relativamente a Angola, Durão Barroso recordou anteriores visitas que fez, destacando a "grande confiança" que deposita no futuro deste país.

"Vim aqui em momentos dramáticos, em momentos dificílimos da história de Angola e vejo que Angola está a crescer, não só economicamente mas que está a construir as bases para a institucionalização democrática para a realização próxima de eleições que vão ser, segundo me dizem, livres e justas", referiu.

Guiné-Bissau: GOVERNO DE TRANSIÇÃO SERÁ TÉCNICO E NÃO POLÍTICO - Comando Militar


Lusa

Bissau, 19 abr (Lusa) - O Comando Militar que tomou o poder na Guiné-Bissau diz que o Governo de transição será mais técnico e menos político e aberto ao maior partido (PAIGC), para "arrumar o país" em dois anos, a começar pelas Forças Armadas.

Em entrevista à Lusa em Bissau, Daba Na Walna, porta-voz do Comando Militar das Forças Armadas, diz que vai propor os nomes dos vice-presidentes da Assembleia Nacional Popular (Serifo Nhamadjo e Sori Djaló) para cargos de condução do governo de transição, após o golpe de Estado 12 de abril, e justifica o motivo para dois anos de transição com uma questão de disciplina nas forças armadas.

Faz também um balanço do estado das Forças Armadas da Guiné-Bissau, lamenta situações de pânico e admite que tenham havido excessos dos militares, quando do golpe, nomeadamente o roubo de bens pessoais de políticos guineenses. "Ouvi falar (das pilhagens), é natural que numa situação destas e com as Forças Armadas que temos, que não têm disciplina militar - eu costumo dizer, isto aqui é um 'bando armado' - é um perigo com que estamos a lidar, tem de haver regulamento da disciplina militar. É por isso que pedimos uma transição de dois anos, para que se faça o trabalho de casa", diz.

Serifo Nhamadjo será o Presidente da República interino

Bissau, 19 abr (Lusa) -- Serifo Nhamadjo, vice-presidente do parlamento até ao golpe de Estado de 12 de abril, será o futuro Presidente da República interino da Guiné-Bissau e Sori Djaló o presidente do Conselho Nacional de Transição, disse à Lusa fonte partidária.

Daba Na Wana, porta-voz do Comando Militar que tomou o poder na Guiné-Bissau na semana passada, já tinha dito hoje à Lusa que enviou a proposta da nomeação daqueles dois ex-vice-presidentes da Assembleia Nacional Popular aos partidos políticos que formam o Conselho nacional de Transição.

Serifo Nhamadjo, do PAIGC (maior partido do país e no poder até há uma semana), concorreu as eleições presidenciais à revelia do partido e ficou em terceiro lugar na primeira volta de 18 de março com 15 por cento dos votos.

Após terem sido conhecidos os resultados eleitorais, com outros quatro candidatos derrotados, incluindo Kumba Ialá (presidente do PRS) que ficou em segundo lugar, contestou o escrutínio alegando fraude eleitoral.

Sori Djaló era também vice-presidente da Assembleia Nacional Popular e destacado líder do PRS, maior força da oposição na Guiné-Bissau.

Nas frequentes ausências de Kumba Ialá, era ele que conduzia os destinos do partido.

FP.

Nome do primeiro-ministro "em breve", dizem partidos políticos

Bissau, 19 abr (Lusa) - Os partidos políticos que estão a negociar com o Comando Militar, que realizou há uma semana um golpe de Estado na Guiné-Bissau, prometeram hoje "para breve" a divulgação do nome do primeiro-ministro e a posse do Presidente interino.

Manuel Serifo Nhamadjo e Ibraima Sory Djaló foram anunciados pelos partidos (a maioria sem assento parlamentar e sem que do grupo faça parte o PAIGC, o maior partido, que estava no poder) como o Presidente da República e o Presidente do Conselho Nacional de Transição.

O anúncio oficial foi feito esta noite em Bissau por Fernando Vaz, porta-voz dos partidos, que disse que a posse ainda não está marcada e disse que os dois políticos aceitaram o convite.

O Presidente interino Raimundo Pereira e o primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior depostos pelos golpistas a 12 de abril encontram-se detidos em parte incerta.

FP.

Guiné-Bissau: “ANATOMIA” DO GOLPE PELA VOZ DO COMANDO MILITAR



FP - Lusa

Bissau, 19 abr (Lusa) - O golpe de Estado de quinta-feira passada na Guiné-Bissau "começou a ser trabalhado" três dias antes, no dia 09, quando os militares souberam que o primeiro-ministro ia pedir uma intervenção da ONU, disse hoje o porta-voz dos militares.

Em entrevista à Agência Lusa, Daba Na Walna, até aqui o rosto do Comando Militar que desencadeou o golpe, explicou que a ação militar foi "uma espécie de antecipação" do que aconteceria, um "golpe de legítima defesa", para impedir que forças estrangeiras "viessem esmagar as Forças Armadas da Guiné-Bissau".

Tudo girou à volta da presença de uma missão angolana em Bissau, a chamada Missang, explicou o tenente-coronel ao explicar o golpe, que disse ter sido objeto de muita discussão, acabando por prevalecer a decisão de se avançar.

O golpe, com a prisão do Presidente interino e do primeiro-ministro, deu-se poucas horas depois de uma conferência de imprensa em que Kumba Ialá, líder do maior partido da oposição e candidato presidencial, disse que não iria haver campanha de ninguém para a segunda volta das eleições presidenciais, marcadas para dia 29.

A associação entre as ameaças de Kumba Ialá e o golpe que se seguiu foi feita mas Daba Na Walna garante que foi apenas uma coincidência.

"Se Kumba Ialá estivesse a par do que estava a acontecer seria muito imprudente dizer isso publicamente. Foi mera coincidência. Kumba Ialá não tinha conhecimento de nada e é bom que isso fique bem claro. Tentou fazer-se essa colação entre políticos e Forças Armadas, não tivemos nada a ver com isso", diz.

A relação entre as Forças Armadas e a Missang vinha a deteriorar-se nos últimos tempos mas azedou ainda mais quando o embaixador de Angola em Bissau disse a António Indjai, chefe do Estado Maior General das Forças Armadas, que tinha informações de que estava a ser preparado um golpe militar, conta Daba Na Walna.

E o golpe final terá sido, continua, após o conhecimento de uma carta que o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, teria escrito ao secretário-geral da ONU a pedir uma força das Nações Unidas.

A carta foi divulgada na quarta-feira e apesar de assinada não foi escrita em papel timbrado nem tem qualquer carimbo. "Se quiséssemos mentir e forçar provas teríamos obrigado o primeiro-ministro a pôr o timbrado da primatura (gabinete do primeiro-ministro). Tivemos a carta através de Carlos Pinto Pereira (antigo assessor jurídico de Henrique Rosa quando este foi Presidente interino e assessor jurídico de Carlos Gomes Júnior). Vimos que não era timbrada mas entregámos porque estamos certos, se estivermos a mentir Deus sabe", diz o militar.

E o pior, diz também, é que a carta foi entregue ao ministro dos Negócios Estrangeiros de Angola, Georges Chicoti. "Ainda que admitamos que a carta pudesse ter algum sentido, o portador não devia ser o ministro das Relações Exteriores de Angola, não somos um protetorado de Angola".

Por isso, conclui: "Para nós era uma cabala a ser montada contra nós e o objetivo da vinda estrangeira era simplesmente esmagar as Forças Armadas da Guiné".

Missang era um braço armado do Governo - Comando Militar

Fernando Peixeiro e Mussá Balde, da Agência Lusa

Bissau, 19 abr (Lusa) - A Missang, missão angolana na Guiné-Bissau, "estava a funcionar como uma espécie de braço armado do Governo", acusou hoje o porta-voz do Comando Militar que deu o golpe de Estado na Guiné-Bissau há uma semana.

Em entrevista à Agência Lusa, o responsável avisa: "não toleraremos que este país seja de novo dominado". Daba Na Walna diz que os militares querem a cooperação com Angola, que respeitam os angolanos e que os militares que estão no país são amigos. Mas que também apreciam o respeito.

"O país é nosso, não é da CPLP nem de Angola. Angola tem de reconhecer isso", diz Daba Na Walna, que conta que a ministra da Presidência deixou clara a ligação entre a Missang e o Governo, numa reunião realizada poucos dias antes do golpe de Estado.

"Maria Adiatú Djaló Nandinga disse que a Missang não saía daqui porque a presença angolana trouxe a paz à Guiné. Compreendemos que o esforço que António Indjai (chefe das Forças Armadas) fez, abortando o golpe de 26 de dezembro contra Cadogo (Carlos Gomes Júnior) não serviu para nada. Afinal de contas quem fez tudo foram os angolanos", diz.

Ao longo da entrevista, a mágoa contra a Missang é visível. Os angolanos vieram para apoiar a reabilitação das casernas até que "começaram a ser manipulados pelos políticos. A missão passou a ser uma espécie de guarda pretoriana do Governo", diz Daba Na Walna.

Quanto à saída da missão angolana, o "rosto" do golpe militar de há uma semana não adianta datas, conta apenas como está o processo: os angolanos disseram que iam sair a partir de dia 14 e concluíam o processo a 30, depois não tiveram autorização, depois a autorização foi dada, depois não havia combustível.

"Fontes da CPLP disseram-me que há uma manobra dilatória dos angolanos, à espera que a ONU se pronuncie sobre o envio de forças para aqui", diz o militar, adiantando não ter medo do Conselho de Segurança da ONU porque "Deus está acima de tudo" e "a verdade objetiva é trazida ao de cima pela história".

"O Conselho de Segurança pode aprovar (uma força) porque Angola tem muito dinheiro, move os cordões a nível internacional. Toda a gente sabe porque é que Angola faz isso, é por causa da bauxite da Guiné, não é por amor à pátria da Guiné que os angolanos estão a fazer isto", diz.

E também a CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental) não quer a presença de Angola na Guiné-Bissau, "do ponto de vista estratégico".

Daba Na Walna diz que Angola apoiou o regime de Laurent Gbagbo, ex-Presidente da Costa do Marfim, e quem está no poder agora é Alassane Ouattara (que preside à CEDEAO). E diz que também a Nigéria não vê "com bons olhos" a presença Angolana, porque Angola "está metida na sua zona de influência".

"É uma luta de hegemonia, eu é que sou hegemónico aqui, fulano é que manda acolá", diz, negando no entanto que isso possa prejudicar a Guiné-Bissau.

"Precisamos de Angola por causa dos laços históricos e pelo que representa também em termos de potencial económico em África. A nível da cooperação sul-sul Angola pode ser saída viável para a Guiné, como a Guiné pode ser útil para Angola. Como precisamos também da CEDEAO e da Nigéria. Mas somos um país que pensa por si. Ser pobre não significa não ter cabeça para pensar", afiança.

Partidos apoiantes do primeiro-ministro anunciam "frente comum anti-golpe"

Bissau, 19 abr (Lusa) - Nove partidos que apoiaram o primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, nas eleições presidenciais anunciaram hoje que vão criar "uma frente comum anti-golpe de Estado" para dar luta àqueles que, dizem, querem "matar a democracia" no país.

A posição das forças políticas, encabeçadas pelo PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde, no poder até ao golpe de Estado de 12 de abril), foi transmitida hoje aos jornalistas em conferência de imprensa por Fernando Mendonça que leu um documento assinado pelos líderes ou representantes das nove formações.

Num comunicado conjunto saído de uma reunião os partidos apoiantes do primeiro-ministro e vencedor da primeira volta das presidenciais de 18 de março, Carlos Gomes Júnior, voltaram a exigir a sua libertação e do Presidente interino do país, Raimundo Pereira, detidos na sequência do golpe do passado dia 12. Para dar resposta aos que acusam de pretender "matar a democracia" na Guiné-Bissau, as nove formações políticas dizem que se vão juntar numa "frente nacional comum anti-golpe para reposição da ordem constitucional".

Nenhuma força armada do mundo conseguiu vencer o seu próprio povo - PAIGC

MB - Lusa

Bissau, 19 abr (Lusa) - O secretário nacional do PAIGC, o maior partido da Guiné-Bissau, liderado por Carlos Gomes Júnior, que foi detido pelos autores do golpe de Estado de 12 de abril, disse hoje que nenhuma força armada do mundo conseguiu vencer o seu próprio povo.

"Não há forças armadas no mundo que tenham conseguido vencer o seu próprio povo", disse Augusto Olivais, sublinhando que a força da razão vai acabar por prevalecer sobre o golpe militar.

Em conferência de imprensa promovida por nove partidos que apoiaram Carlos Gomes Júnior na primeira volta das eleições presidenciais de março passado, o secretário nacional do PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde) afirmou que os partidos só defendem um caminho para o regresso à normalidade na Guiné-Bissau, a devolução do poder ao partido escolhido pelo povo para governar nas eleições legislativas de 2008.

O dirigente do PAIGC afirmou que qualquer solução fora deste âmbito é ilegítima.

"Toda essa engenharia que se está a fazer hoje não é em representação do povo guineense. Pode ser tudo menos a democracia que temos e que estamos a lutar para aperfeiçoar cada dia que passa", defendeu Olivais, referindo-se ao acordo assinado na quarta-feira entre os militares e alguns partidos que apoiam o golpe de Estado.

Para o secretário nacional do PAIGC, os autores do golpe deviam simplesmente respeitar os apelos da comunidade internacional para a devolução do poder aos órgãos eleitos.

Augusto Olivais disse que o seu partido nunca solicitou qualquer encontro com os autores do golpe embora esteja aberto ao diálogo mas com a condição do retorno à ordem constitucional.

"O PAIGC está aberto ao diálogo, mas nunca pediu qualquer audiência com os militares. Podemos até vir a conversar mas desde que aceitem o retorno à democracia e a Constituição da Republica", observou.

Com a detenção pelos militares de Carlos Gomes Júnior, presidente do PAIGC e de Raimundo Pereira, primeiro vice-presidente do partido, e com Adiatu Djalo Nandigna, terceira vice-presidente, escondida, tem sido na prática Augusto Olivais o principal responsável do partido.

UM ASSASSINO CONFESSO




Mário Augusto Jakobskind – Direto da Redação, com foto

E o ex-ditador Jorge Rafael Videla abriu o jogo ao admitir que a ditadura que comandava matou entre sete e oito mil pessoas. Elas estavam presas ou sequestradas e, nas palavras do militar, “para não provocar protestos dentro e fora do país”.

Responsável por um maior número de mortes do que o admitido*, Videla, cumprindo prisão perpétua, confessou ainda que “não havia outra solução” e a cúpula militar “estava de acordo que era o preço a pagar para ganhar a guerra contra a subversão”.

A confissão, sem nenhum arrependimento vai sair em um livro do jornalista Ceferino Reato com o título Disposición Final, la confesión de Videla sobre los desaparecidos. Na verdade, o que se fez na Argentina não difere em muito da "solução final" colocada em prática pelos nazistas contra judeus, ciganos, subversivos e outros.

Enquanto isso, aqui no Brasil continua a expectativa de que a Presidenta Dilma Rousseff divulgue os sete nomes que intregrarão a Comissão da Verdade, aprovada pelo Congresso em novembro do ano passado. E lá se vão seis meses.

O caso brasileiro é peculiar. Os defensores da Lei da Anistia, promulgada ainda no tempo da ditadura e que manteve impune agentes do Estado que violaram os direitos humanos, lembram a todo momento que ela continua em vigor. Alegam que a decisão foi confirmada recentemente pelo Supremo Triubunal Federal e não se pode fazer mais nada etc e tal. Justificam até que não cabe reviver o passado e tal. Mas silenciam quando questionados que os violadores de direitos humanos nem julgados foram para serem anistiados.

Nesse sentido, vale mencionar o caso do Chile, um país extremamente conservador nos mais variados campos e que elegeu Sebastián Piñera, colaborador da ditadura de Pinochet. Pois bem, apesar do conservadorismo, apesar de Piñera e apesar de estar em vigor uma Lei de Anistia, como no Brasil, promulgada nos estertores da ditadura, neste momento mais de mil agentes do Estado, civis e militares, estão sendo julgados pelos crimes lesa humanidade cometidos. Cento e vinte foram condenados.

Como se explica que mesmo com a Lei da Anistia em vigor as entidades defensoras dos direitos humanos conseguiram reverter o quadro da impunidade?

Nesta história merce destaque a participação do juiz espanhol Baltazar Garzón, que colocou o ditador Augusto Pinochet em prisão domiciliar em Londres, em 1998. Foi, sem dúvida, um gol de placa jurídico, embora depois de algum tempo o ditador tivesse ganho o direito de voltar ao Chile.

Na ocasião, ficou a promessa de que prosseguiria no Chile o juízo contra Pinochet e outros agentes do Estado que cometeram barbaridades. Ocorreram muitas ações judiciais continuadas até o dia de hoje.

Garzón pode ser considerado o iniciador do processo de se fazer justiça no Chile, que na prática tornou a Lei de Anistia letra morta. Mas não foi só isso, as entidades defensoras dos direitos humanos e familiares das vítimas da repressão não pararam de se movimentar em busca da memória, verdade e justiça, inclusive com manifestações de protestos nas portas das casas e prédios onde residem torturadores que ficaram impunes até bem pouco tempo.

No Chile também houve momentos em que setores conservadores e até mesmo os que tinham culpa no cartório faziam ameaças e lembravam que a Lei da Anistia estava vigente etc e tal. Os mais extremistas ameaçavam com retrocesso, esquecendo-se que o mundo de hoje é diferente daquele da época do golpe que derrubou Salvador Allende com o total apoio do Departamento de Estado norte-americano e da ditadura brasileira.

É importante conhecer o que se passa no Chile, pois aqui neste momento estão acontecendo fatos parecidos. Os com culpa no cartório fazem ameaças via internet e comemoram o golpe de abril de 64. São figuras mantenedoras de um tempo de retrocesso que se espera o Brasil jamais reviverá.

É preciso fazer justiça ao magistrado espanhol Baltazar Garzón, que está sendo vítima do conservadorismo em seu país. Os ministros da instância máxima da justiça espanhola determinaram o afastamento de Garzón das hostes judiciais por um prazo de superior a dez anos. Na prática encerraram a carreira de Garzón na magistratura espanhola.

Garzón recebeu a solidariedade concreta do Congresso argentino, que o convocou para prestar assessoria jurídica à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Por aqui poderiam também ter feito o mesmo ou pelo menos um ato de desagravo a Garzón, que, querendo ou não os agentes de Estado que cometeram atrocidades nos mais diversos rincões do Cone Sul, entrou para a história desta região do mundo.

Já na Colômbia, sem a participaçao do presidente Rafael Correa, do Equador, devido ao não convite a Cuba, realizou-se em Cartagena a VI Cúpula das Américas. Barack Obama lá esteve para falar o que se esperava, defendendo seus interesses, e ainda por cima certificar a Colômba em termos de direitos trabalhistas, isso como último item para a implementação do Acordo de Livre Comércio edntre os dois países. O que a Secreteária de Estado Hillary Clinton veio propor no Brasil.

Incrível, na prática o presidente dos Estados Unidos ajudou o governo colombiano a esconder fatos graves que lá ocorrem, exatamente na área trabalhista. Para se ter uma ideia, mesmo com o programa de proteção do Estado em vigor desde 1998, no período de 1984 a 2011 foram assassinados mais de 1.190 sindicalistas, segundo denúncias de entidades como o Centro de Estudos de Direito, Justiça e Sociedade, a Fundação Ideias para a Paz e tantas outras.

E isso, apesar de o artigo 39 da Constituição colombiana afirmar que “os trabalhadores têm direito a constituir sindicatos|”.

Barack Obama simpesmente ignorou tudo isso e se posicionou de forma apenas a defender os interesses dos Estados Unidos, algo que seu país vem fazendo há muito tempo.

Mas falar da Cúpula de Cartagena sem mencionar o papel positivo da Presidenta Dilma Rousseff seria um lapso. Dilma falou de igual para igual com Obama ao lembrar que a relação dos EUA na América Latina deve ser entre iguais e não da forma como tem acontecido, ou seja, que só é levado em conta os interesses estadunidenses.

Fez bem Cristina Kirchner em sair antes do fim da cúpula, que nada mencionou na declaração final sobre as Malvinas, que são argentinas. Cuba, por causa dos EUA e Canadá, também ficou de fora no texto.

* É correspondente no Brasil do semanário uruguaio Brecha. Foi colaborador do Pasquim, repórter da Folha de São Paulo e editor internacional da Tribuna da Imprensa. Integra o Conselho Editorial do seminário Brasil de Fato. É autor, entre outros livros, de América que não está na mídia, Dossiê Tim Lopes - Fantástico/IBOPE

MUJICA SE REÚNE COM DILMA PARA FORTALECER PARCERIAS ESTRATÉGICAS




Correio do Brasil, com Portal Vermelho - de Brasília

Após ter adiado a viagem que faria ao Brasil no último dia 5, o presidente uruguaio Pepe Mujica chega, nesta quinta-feira, ao Brasil para um dia de reuniões com a presidente Dilma Rousseff.

A ideia é fechar alguns projetos comuns nas áreas de energia, mineração, infraestrutura e economia. Mujica estará acompanhado por dez assessores, entre ministros e secretários da Presidência do Uruguai. Ele retorna a Montevideu às 16h.

No ano passado, Dilma e Mujica decidiram intensificar as parcerias nas áreas de infraestrutura e tecnologia. A presidente disse que eles pretendem concluir dois trechos da ferrovia que liga os dois países – entre as cidades gaúchas de Cacequi e Santana do Livramento, na fronteira uruguaia.

O Brasil é o principal destino das exportações uruguaias e também o principal fornecedor do país vizinho. Na visita ao Uruguai, a presidente ressaltou a necessidade de ampliar as trocas comerciais para garantir um crescimento acima das taxas mundiais nos últimos anos. Em 2010, o intercâmbio bilateral ultrapassou US$ 3 bilhões.

Brasil: CPMI COMEÇA A INVESTIGAR O ESQUEMA DE CACHOEIRA




Correio do Brasil, com RBA - de Brasília

O Congresso Nacional criou oficialmente, na manhã desta quinta a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que vai investigar as relações do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com parlamentares e agentes públicos e privados. O esquema de crimes e fraudes faz parte das apurações das operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal.

A vice-presidente do Congresso, Rose de Freitas (PMDB-ES), comunicou que as lideranças da Câmara e do Senado têm até terça-feira para indicador os titulares e suplentes que farão parte da CPMI. A comissão será composta por 15 senadores e 15 deputados titulares e igual número de suplentes. Os parlamentares serão indicados seguindo o critério de proporcionalidade, aquele partido que dispõe de mais políticos terão direito a um maior número de cadeiras.

Com atraso

Com 20 minutos de atraso, o Congresso formalizou nesta manhã a criação da CPMI, após a leitura do requerimento para este fim, na sessão extraordinária do Congresso Nacional, pelo 1º secretário, deputado Eduardo Gomes (PSDB-TO), e constitui regimentalmente o ato de criação da CPMI.

A vice-presidente do Congresso, Rose de Freitas (PMDB-ES) convocou sessão conjunta para a próxima terça-feira, às 19h30, para apresentação dos membros da comissão. Essa também é a data-limite para a indicação dos nomes pelas bancadas partidárias.

Na primeira reunião da CPMI, será eleito o presidente do colegiado e indicado o seu relator. A comissão tem o prazo de 180 dias, com possibilidade de prorrogação, para concluir os trabalhos.

Assinaturas

O requerimento contabilizava até o ato da leitura 72 assinaturas no Senado e 337 na Câmara, número mais do que suficiente para garantir o quórum, que é de 27 senadores e 171 deputados.

O número de apoiadores da investigação pode ser alterado até à meia-noite, quando será publicado o ato de criação da CPMI. Até lá, os parlamentares podem assinar o documento ou retirar suas assinaturas. O requerimento para a criação da CPMI foi protocolado junto à Mesa do Congresso na noite de terça-feira.

Segundo a Constituição, uma CPI tem poderes de investigação próprios das autoridades judiciais e pode, por exemplo, ouvir testemunhas, investigados e indiciados, requisitar informações e documentos sigilosos a instituições financeiras, além de quebrar os sigilos bancário, fiscal e de dados. Ao término das investigações, as conclusões devem ser encaminhadas ao Ministério Público.

ONDE PARAM 10 MILHÕES E 333 MIL EUROS DAS "LUVAS" DOS SUBMARINOS?




Paulo Gaião – Expresso, opinião, em blogues

Dois representantes alemães da Ferrostaal que vendeu os submarinos a Portugal, Johann Friedrich Haun e Hans Peter Muehlenbeck, confessaram num tribunal de Munique em Dezembro de 2011 que a empresa pagou 62 milhões de euros em subornos pela venda dos submarinos a Portugal e à Grécia.

Pelo menos um terço desta quantia de 62 milhões de euros chegou às autoridades dos dois países, disse Joachim Eckert, o juiz do tribunal alemão. O resto terá sido distribuído por uma teia de intermediários. Em troca da confissão, ambos os representantes da Ferrostaal foram condenados a uma pena suspensa de dois anos . A empresa multinacional aceitou pagar por acordo uma multa de 140 milhões de euros ao Estado, cerca de um quarto do valor de um submarino.

Parece óbvio que o Ministério Público alemão, em alguns casos sensíveis mais dependente do poder político do que verdadeiramente autónomo (como ficou demonstrado há uns anos no caso do financiamento ilegal da CDU) fez o acordo para não revolver mais podres e defender o interesse público. Os alemães foram corruptores ativos. E o suborno era prática habitual há muitos anos, aceite pela Ferrostaal (uma empresa presente em mais de 40 países) e pelos governos compradores de equipamentos desde pelo menos 1999, como também disse o juiz do tribunal alemão. Sem comissões, não se fazia negócio.

Na Grécia, o ex-ministro da Defesa está preso desde a semana passada, acusado de corrupção por receber "luvas" na compra de quatro submarinos em 2000 num valor de quase 3 mil milhões de euros. Em Portugal, o caso dos submarinos (duas unidades), comprados no tempo em que Durão Barroso era primeiro-ministro e Paulo Portas ministro da Defesa por quase mil milhões de euros permanece em fase de inquérito há seis anos. Nenhum governante foi até hoje ouvido no processo. Esta semana, o Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro, disse que não havia verbas para fazer perícias. A ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, desmentiu e disse que em seis anos de investigação nunca o MP pediu a realização de quaisquer perícias.

O dinheiro cala a verdade

Não há perícias, mas há contas avaliadas pelos alemães no processo encerrado em Munique. Se um terço de 62 milhões em "luvas" chegou às autoridades gregas e portuguesas, este valor é de 20 milhões 666 mil euros. Pressupondo que as autoridades gregas e portuguesas repartiram o bolo, a questão é saber para que bolsos foram 10 milhões e 333 mil euros chegados a Portugal? (ou pelo menos metade disso porque o valor do negócio grego foi o dobro). Nem tudo está perdido... O processo está aí (para além do das contrapartidas sobreavaliadas da compra dos submarinos) À espera que lhe mexam.

Quando "o dinheiro fala, a verdade cala" (para utilizar a frase na moda citada pelo juiz Carlos Alexandre). Mas o dinheiro deixa sempre rasto. O problema é haver coragem para farejar...

PASSOS COELHO ESTÁ A FAZER ”UM PÉSSIMO TRABALHO”, diz Mário Soares



Jornal de Notícias

O ex-chefe de Estado Mário Soares considerou, esta quinta-feira, que o primeiro-ministro está a fazer "um péssimo trabalho", enquanto o presidente honorário do PS, Almeida Santos, disse que o executivo PSD/CDS é formado por "tecnocratas sem experiência política".

Mário Soares e Almeida Santos falaram aos jornalistas à entrada para o almoço do 39.º aniversário do PS, depois de ambos terem sido interrogados sobre a forma como avaliam o atual Governo.

"Elogiei Pedro Passos Coelho sempre do ponto de vista moral e tenho simpatia por ele. Agora, acho que ele está a fazer um péssimo trabalho e também acho que o Governo não está a funcionar", sustentou Mário Soares.

Para Almeida Santos, este Governo, "apesar de ter algumas pessoas inteligentes, é sobretudo formados por tecnocratas sem grande experiência política".

"Este Governo tem tecnocracia a mais e experiência política a menos", advogou o presidente honorário do PS.

Sobre o atual estado do PS, tanto Mário Soares, como Almeida Santos, desdramatizaram a circunstância de partido de oposição, depois de seis anos de Governo.

Mário Soares, por exemplo, negou que o atual PS viva com o "fantasma" do ex-primeiro-ministro José Sócrates.

"Sócrates está muito bem no seu sítio [em Paris] e sabe o que está a fazer. O PS não está numa situação difícil, está na oposição. Estivemos seis anos no Governo e agora estamos na oposição. É o normal em democracia", declarou o ex-Presidente da República.

Já Almeida Santos disse que é normal que os novos secretários-gerais sintam dificuldades em afirmar-se como líderes partidários.

"O PS está a melhorar. A seguir à saída de um líder há sempre problemas - isso aconteceu depois de Mário Soares", frisou.

Leia mais em Jornal de Notícias

AVENTANDO POR AQUI O "AVENTAR"




Aventar é um blogue Worldpress que esporadicamente trazemos aqui ao Página Global, quase sempre com pertinentes conteúdos sobre dizeres e desdizeres da situação depauperante de personagens e acontecimentos em Portugal.

Percebemos que é um coletivo que, fecundo, vai postando quotidianamente e com qualidade - num exercício de admirável capacidade democrática. Importa referir isso porque mal estará quem assim não o reconheça e não lhe renda homenagem. Pela nossa parte, neste coletivo do Página Global onde coexistem alguns leitores assíduos do Aventar, temos momentos em que não resistimos a “roubar” uns quantos conteúdos. Aqui vão. Que nos aventem um perdão. (Redação PG – LV)

A extrema-direita portuguesa tem um herói: Rui Rio


Escola da Fontinha assaltada pela polícia de choque. Detenções, destruição de todo o material em regime de auto-de-fé:

«Usaram tasers, bateram em alguns de nos, revistaram nos a força, arrastaram as prai 30 pessoas q la estavam para fora. O bairro ta todo cercado. Grande concentracao de moradores a seguir as llinhas policiais. Decidimos ir protestar para a camara. Venham la ter.»

Narrativa da Gui no facebook.Tudo porque para a extrema-direita mais vale uma escola abandonada que uma es.col.a a funcionar.

Neste momento concentração frente à Câmara Municipal do Porto. Era para onde eu ia agora se estivesse no Porto. E você, cidadão da Invicta, está à espera de quê?

Rui Rio é um democrata


Formado no país de Hitler, Rui Rio é um adepto do rigor e da exigência. Tem-no demonstrado ao longo de quase 12 anos de mandato, período durante o qual a cidade do Porto se desenvolveu extraordinariamente e se assumiu como a capital do norte e de todo o noroeste peninsular.

A par deste crescimento exponencial, Rui Rio tem dado provas de ser um democrata emérito, como o atesta o despejo, sem aviso prévio, da Escola da Fontinha. Uma atitude compreensível face ao espírito e à letra da lei. A verdade é que ainda não chegámos à Madeira. Se queriam ocupar um espaço vazio que depois disto vai continuar vazio, os marginais em questão deviam ter cumprido as regras vigentes. É assim a democracia. Da mesma forma que quem diz mal de Rui Rio não tem direito a subsídios, quem dá vida a um espaço morto não tem também direito à existência.

Portanto, repitam comigo: Rui Rio é um democrata de mão cheia. Rui Rio tem virtudes cívicas e éticas que deixam qualquer um assombrado. Rui Rio gosta do 25 de Abril. Rui Rio não tem saudades de Salazar. Rui Rio é um amante da liberdade.

Repitam estas frases muitas vezes e lamentem o facto de hoje não ser dia 1 de Abril. É que seriam mentiras mesmo muito giras.

Ler mais em Aventar

Apelo aos portugueses e aos diretores dos jornais

Céu Mota - Aventar

Será a loucura total o que vou dizer a seguir. Mas espero que não me levem a mal!

O desespero dos portugueses já chegou ao espaço dos leitores nos jornais diários: alguns já não aguentam estar calados e, pela via mais democrática, educada e civilizada, dão o seu grito «Basta!».

Estamos “indignados” e a “ser roubados por políticos incompetentes, mentirosos e rascas”, li ontem no JN. Pensamos todos, como aquele leitor, ”numa forma de correr com eles pela via democrática”. Será que vamos conseguir, algum dia?

E se um dia…

as caixas de correio eletrónicas dos jornais portugueses ficassem atulhadas, entupidas de cartas de milhares de portugueses indignados? A tal ponto que seria notícia.A tal ponto que um ou outro diretor fizesse uma edição totalmente dedicada à opinião dos cidadãos, do cidadão comum, do Zé-Povinho. As páginas cobertas de palavras de cidadãos anónimos, numa sinfonia desconcertante mas afinadíssima, com sons de verdade, com sílabas bem medidas e exigentes. E, acima de tudo, muitas perguntas.

Não estamos a dormir. O estado em que está o país despertou-nos sobremaneira!