segunda-feira, 12 de Setembro de 2011

Cuba: EUA TRAMITA MILHARES DE DÓLARES PARA AS DAMAS DE BRANCO




DIÁRIO LIBERDADE

Cubadebate - [Tradução de Diário Liberdade] WikiLeaks filtrou ontem uma solicitação do dia 31 de julho de 2008 ao Departamento de Estado dos EUA na qual o chefe da Oficina de Interesses dos EUA em Havana solicita novos fundos para dois membros da chamada "dissidência" cubana: Laura Pollán (das Damas de Branco) e Roberto Miranda (do Colégio de Pedagogos).

Jonathan Farrar, então chefe da Oficina diplomática norte-americana em Cuba, pediu pessoalmente 8 mil dólares ao ano para estes dois indivíduos, com o objetivo de "apoiar suas atividades em defesa dos direitos humanos", apesar – e o adverte em sua mensagem – de que o financiamento proveniente de um governo estrangeiro que persegue a mudança de regime na Ilha seja penalizado pela legislação cubana.

"A recepção de fundos desde um governo estrangeiro faz com que um indivíduo possa ser processado e ir à prisão sob a Lei 88", disse Farrar, e sugere o envio por meios clandestinos, como já fizeram em outras oportunidades: "As Damas receberam no passado fundos de 'membros de sua família' nos EUA através da Western Union."

Também recomenda que lhes enviem o dinheiro "em euros ou em outra moeda dura em vez de dólares", para evitar o agravante de trocar os bilhetes pela moeda local.

O cabo 08HAVANA613, cujo título é "Formulário para a solicitação de fundos destinados a organizações em defesa dos direitos humanos em Cuba", assegura que ambos "receberam financiamentos no passado, mas não temos nenhum detalhe sobre as fontes ou as quantidades". Precisa que no caso de Miranda obteve também "ajuda" de "embaixadas amigas".

Farrar recorda em seu informe que "a assistência humanitária" a estas pessoas está permitido pelos regulamentos da Oficina para o Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC, em sua sigla inglesa), do Departamento do Tesouro, que regula as exportações a Cuba, e solicita a dispensa de 5 mil dólares ao ano para Laura Pollán.

De acordo com a instrução do ex-chefe da SINA, ela distribuiria seus 5 mil dólares da seguinte maneira:

(A) visitas aos cárceres (transporte e mantimentos): $ 3.600 por ano
(B) medicamentos e mantimentos médicos: $ 400 por ano
(C) apoio a outras pessoas: mil dólares por ano (leia-se Damas de apoio)
No caso de Roberto Miranda, pede 3 mil dólares para:
(A) Alimentação e transporte público: 2.400 dólares por ano
(B) Outros gastos por ano: $ 600

Em 2008, ano em que Farrar envia este novo pedido de dinheiro, uma declaração do Ministério de Relações Exteriores de Cuba denunciava que "o Governo dos Estados Unidos dispunha de 45,7 milhões de dólares para pagar seus grupos mercenários em Cuba e para montar provocações. Este montante forma parte da fatura total de 116 milhões que haviam sido destinados durante a administração de Bush para alimentar a indústria de subversão e a contrarrevolução interna em Cuba às expensas do contribuinte norte-americano".

Para consultar o cabo 08HAVANA613 na página do WikiLeaks, clique aqui.

FELIPE GONZALEZ DIZ QUE EUROPA ESTÁ À BEIRA DO PRECIPÍCIO





O ex-presidente do governo espanhol Felipe  Gonzalez pediu hoje às instituições e aos líderes europeus que reconheçam  que se está "à beira do precipício" e assumam "o grau de alarme e emergência  que a situação exige".

Felipe Gonzalez falava na apresentação do livro 'La fragmentación del  poder europeo', de José Ignácio Torreblanca, na sede da Fundação Mapfre,  em Madrid, noticia a EFE. "O diagnóstico tem de ser severo, rigoroso e deve ter o grau de alarme  e emergência que a situação exige. Estamos à beira do precipício", afirmou.  "Por que não dizer que estamos à beira do precipício? Ou é preciso saltar  para o precipício para reagir?", lançou Felipe Gonzalez. 

Mostrando-se apologista de os líderes europeus falarem "honestamente"  com os cidadãos sobre os problemas que tem a União Europeia (UE), que, na  sua opinião, "está mal e a reagir em agonia" à crise económica. "Como não tenho responsabilidade institucional, digo o que me apetece",  esclareceu o antigo chefe do Executivo espanhol, considerando que os problemas  europeus têm solução, mas que é necessário que os Estados Membros reconheçam  a situação institucional e económica em que estão, sobretudo devido ao caso  de Atenas. 

Felipe Gonzalez comparou os mandatários europeus a "galgos que correm  atrás de uma lebre mecânica que nunca se sabe quem carrega". Para o político,  atribui-se a culpa aos mercados porque não se sabe quem leva essa lebre,  "atrás da qual correm os galgos e, quando pensam que a vão morder, estão  a dez metros e voltam a correr em agonia para morder a lebre e separam-se  outra vez". Gonzalez considera que é assim que se viveu o mês de agosto,  referindo-se às turbulências nos mercados.
 
O ex-presidente do governo insistiu que se os líderes e as instituições  da UE "não têm a sensação de que se está à beira de um abismo, que pode  não ser reversível, segue-se uma política agonizante de perseguir a lebre  enquanto os galgos vão à falência". Sobre a Grécia, Gonzalez interroga-se sobre se é possível resgatar o  país, bem como se submetê-lo a uma redução do défice a "velocidade de cruzeiro"  não poderia ser contraproducente. 
O antigo presidente do governo espanhol considerou compreensível que  não se esteja a investir na Europa, "começando por Espanha, porque ninguém  vê uma perspetiva de crescimento estável a três, quatro ou cinco anos".

Como tem feito nas últimas semanas, Felipe Gonzalez reclamou uma política  económica e orçamental comum na UE e que se dê início à criação de 'eurobonds' (obrigações europeias), o que, considera, daria estabilidade às contas de  cada país. 

Gonzalez disse ainda que os cidadãos não compreendem o que se está a  passar na Europa e que os políticos, em vez de apresentar uma explicação,  estão a "contribuir para a confusão". 

POR QUE RAZÃO A ISLÂNDIA DEVERIA ESTAR NAS NOTÍCIAS, MAS NÃO ESTÁ





O Diário - [Deena Stryker] Os povos que já se encontram sob ataque do FMI devem olhar para a Islândia. Recusando curvar-se perante os interesses estrangeiros, este pequeno país afirmou, alto e a bom som, que o povo é soberano. É por isso que já não aparece nas notícias.

A história que um programa de rádio italiano conta acerca da revolução que decorre na Islândia é um exemplo impressionante de quão pouco os media nos dizem sobre o que se passa no resto do mundo. Os norte-americanos lembrar-se-ão de que no início da crise financeira de 2008, a Islândia caiu literalmente na bancarrota. As razões foram mencionadas apenas de passagem e, desde então, este membro pouco conhecido da União Europeia caiu de novo no esquecimento.

Há medida que um país europeu atrás do outro atinge ou fica próximo de atingir a bancarrota, pondo em perigo o Euro e com repercussões para o mundo inteiro, a última coisa que os poderes em questão querem é que a Islândia se torne um exemplo. Eis a razão:

Cinco anos de um regime puramente neo-liberal fizeram da Islândia (população de 320 000 habitantes, sem exército) um dos mais ricos países do mundo. Em 2003 todos os bancos do país foram privatizados e, num esforço para atrair o investimento estrangeiro, passaram a oferecer serviços on-line, cujos custos reduzidos lhes permitiram oferecer taxas internas de rendibilidade relativamente elevadas. Estas contas, designadas “IceSave”, atraíram muitos pequenos investidores ingleses e holandeses. Mas, à medida que os investimentos cresciam, também a dívida externa dos bancos aumentava. Em 2003, a dívida islandesa equivalia a 200 vezes o seu PIB e, em 2007, era de 900%. A crise financeira de 2008 foi o golpe de misericórdia. Os três principais bancos islandeses, o Landbanki, o Kapthing e o Glitnir caíram e foram nacionalizados, enquanto o Kroner perdeu 85% do seu valor em relação ao Euro. No final do ano, a Islândia declarou a bancarrota.

Ao contrário do que se poderia esperar, da crise resultou que os islandeses recuperaram os seus direitos soberanos, através de um processo de democracia participativa directa, que acabou por conduzir a uma nova Constituição. Mas só depois de muito sofrimento.

Geir Haarde, primeiro-ministro de um governo de coligação social-democrata, negociou um empréstimo de dois milhões e cem mil dólares, ao qual os países nórdicos acrescentaram mais dois milhões e meio. Mas a comunidade financeira internacional pressionou a Islândia a impor medidas drásticas. O FMI e a União Europeia quiseram apoderar-se da sua dívida, alegando que este era o único caminho para que o país pudesse pagar à Holanda e ao Reino Unido, que haviam prometido reembolsar os seus cidadãos.

Os protestos e as revoltas continuaram, acabando por forçar o governo a demitir-se. As eleições foram antecipadas para Abril de 2009, resultando numa coligação de esquerda, que condenou o sistema económico neoliberal, mas logo cedeu às exigências daquele, de acordo com as quais a Islândia deveria pagar um total de três milhões e meio de Euros. Isto exigia que cada cidadão islandês pagasse 100 euros por mês (cerca de US $ 130) por quinze anos, a juros de 5,5%, para pagar uma dívida contraída por particulares perante particulares. Foi a gota de água que fez transbordar o copo.

O que aconteceu depois foi extraordinário. A crença de que os cidadãos tinham que pagar pelos erros de um monopólio financeiro, que uma nação inteira deveria ser tributada para pagar dívidas privadas caiu por terra, transformando a relação entre os cidadãos e suas instituições políticas, e acabando por trazer os líderes da Islândia para o mesmo lado dos seus eleitores. O Chefe de Estado, Olafur Ragnar Grímsson, recusou-se a ratificar a lei que teria feito os cidadãos da Islândia responsáveis pelas dívidas seus banqueiros, e aceitou o repto para um referendo.

É claro que isto apenas fez com que a comunidade internacional aumentasse a pressão sobre a Islândia. O Reino Unido e a Holanda ameaçaram com represálias terríveis, que isolariam o país. Quando os islandeses foram a votos, os banqueiros estrangeiros ameaçaram bloquear qualquer ajuda do FMI. O governo britânico ameaçou congelar poupanças islandesas e contas correntes. Como afirmou Grimsson: “Foi-nos dito que, se recusássemos as condições da comunidade internacional, nos tornaríamos na Cuba do Norte. Mas, se tivéssemos aceitado, ter-nos-íamos tornado antes no Haiti do Norte.” (Quantas vezes escrevi que quando os cubanos olham para os problemas do seu vizinho, o Haiti, consideram que têm sorte.)

No referendo de Março de 2010, 93% dos islandeses votou contra o pagamento da dívida. O FMI imediatamente congelou o seu empréstimo. Mas a revolução (apesar de não ter sido transmitida nos EUA), não se deixaria intimidar. Com o apoio de uma cidadania em fúria, o governo colocou sob investigações civis e penais os responsáveis pela crise financeira. A Interpol lançou um mandado internacional de captura para o ex-presidente do Kaupthing, Sigurdur Einarsson, à medida que outros banqueiros envolvidos no crash fugiram do país.

Mas os islandeses não pararam por aí: decidiram elaborar uma nova constituição que iria libertar o país do poder exagerado da finança internacional e do dinheiro virtual. (A que vigorava havia sido escrita quando a Islândia ganhou sua independência à Dinamarca, em 1918, sendo que a única diferença relativamente à Constituição Dinamarquesa a de que a palavra “presidente” a palavra substituiu a palavra “rei”.)

Para escrever a nova constituição, o povo da Islândia elegeu 25 cidadãos, de entre 522 adultos que não pertenciam a nenhum partido político, mas recomendados por pelo menos trinta cidadãos. Este documento não foi obra de um punhado de políticos, mas foi escrito na Internet. Reuniões da Constituinte são transmitidas on-line, e os cidadãos podem enviar os seus comentários e sugestões, vendo o documento tomar forma. A Constituição que resultará deste processo participativo e democrático será submetida ao Parlamento para aprovação depois das próximas eleições.

Alguns leitores lembrar-se-ão de que a crise agrícola da Islândia do século IX foi tratada no livro de Jared Diamond que tem esse nome. Hoje, esse país está a recuperar do colapso financeiro de forma exactamente oposta àquela geralmente considerada inevitável, como foi confirmado ontem pela nova presidente do FMI, Christine Lagarde, a Fareed Zakaria. Foi dito ao povo da Grécia que a privatização de seu sector público é a única solução. Os povos da Itália, da Espanha e de Portugal enfrentam a mesma ameaça.

Estes povos devem olhar para a Islândia. Recusando curvar-se perante os interesses estrangeiros, este pequeno país afirmou, alto e a bom som, que o povo é soberano.

É por isso que já não aparece nas notícias.

*Traduzido por André Rodrigues P. Silva para O Diário

França: CHIRAC TERIA RECEBIDO DE LÍDERES AFRICANOS MALAS COM DINHEIRO


Dominique de Villepin (à esquerda) e Jacques Chirac - AFP PHOTO PATRICK KOVARIK

RFI

Um advogado franco-libanês que trabalha como consultor para o presidente francês, Nicolas Sarkozy, acusa o ex-chefe de Estado Jacques Chirac e o ex-primeiro-ministro Dominique de Villepin de terem recebido ilegalmente de presidentes africanos mais de 20 milhões de dólares em dinheiro vivo e obras de arte raras.

Acusado de ter facilitado a criação de empregos-fantasma quando era prefeito de Paris entre 1977 e 1995, Jacques Chirac se vê envolvido em um novo escândalo político de corrupção. Em entrevista neste domingo ao Journal de Dimanche, o advogado franco-libanês Robert Bourgi afirmou que o ex-presidente da França recebeu de cinco chefes de Estado da África (Senegal, Burkina Fasso, Costa do Marfim, Congo e Gabão) cerca de 10 milhões de dólares para a sua campanha de reeleição em 2002.

Segundo o advogado, além de Chirac, seu primeiro-ministro Dominique de Villepin também recebeu diversas malas de dinheiro vivo, entre 1995 e 2005, oferecidas pelos líderes das antigas colônias francesas.

"Eu avalio em cerca de 20 milhões de dólares o valor total que eu entreguei a Chirac e a Villepin", disse Bourgi, que na época era consultor do governo para assuntos africanos.

Estátuas e relógio de diamantes entre presentes

Bourgi deu novas entrevistas nesta segunda-feira e contou à RFI que, além de dinheiro vivo entregue em maletas, ele trazia da África "presentes" oferecidos por chefes de Estado, como obras de arte raras e valiosas.

"Villepin ganhou bustos de Napoleão e máscaras africanas. Chirac ganhou um relógio que devia ter 200 diamantes, um objeto esplêndido que dificilmente pode ser usado na França", citou o advogado.

Segundo ele, o esquema de financiamento oculto de líderes africanos para autoridades francesas é muito antigo e envolve outros ex-presidentes da França, como François Mitterand, Giscard D'Estaing Georges Pompidou. Bourgi explica que os franceses fazia "vista grossa" para certas atividades ilícitas de abusos de poder na África e, assim, controlava os dirigentes destes países ricos em matérias-prima vitais para a França, principalmente o petróleo.

O advogado confessou, no entanto, não ter provas concretas de suas ações. Jacques Chirac e Dominique de Villepin já indicaram que vão processa-lo por calúnia e difamação. A oposição socialista pede a criação de uma comissão parlamentar para investigar as denúncias. Marine Le Pen, presidente do Fundo Nacional, partido de extrema-direita, se disse surpresa pelo fato de Bourgi não ter citado o nome de Nicolas Sarkozy, sabendo que "ele faz parte do círculo mais próximo do presidente".

ELEIÇÕES INTERCALARES EM MOÇAMBIQUE


Reuters/Grant Lee Neuenburg

RFI

Moçambique realiza eleições intercalares no próximo dia 7 de Dezembro, eleições onde serão eleitos os responsáveis municipais em  Cuamba, Pemba e Quilimane.

Na sequência da renúncia aos cargos dos presidentes dos municípios do Pemba, Cuamba, e Quilimane, Moçambique vai ter eleições intercalares a 7 de Dezembro. Uma exigência da lei e relembrada pela Comissão Eleitoral Nacional de Eleições, pela voz do seu presidente Leopoldo da Costa.

Segundo Leopoldo Costa qualquer cidadão pode concorrer a esta eleição, para tal, basta preencher todas as exigências previstas no código eleitoral. Declarações feitas à margem de um encontro com os vários representantes de partidos políticos e que pretendeu apelar à participação de todos os cidadãos no processo eleitoral, cuja actualização do recenseamento vai decorrer de 13 de Outubro a 1 de Novembro.

Com a colaboração do nosso correspondente em Maputo, Orfeu Lisboa.

Correspondência Moçambique
(02:06)

 


Angola: MAIORIA DOS MANIFESTANTES CONDENADOS A PENAS DE TRÊS MESES DE PRISÃO





Ficou conhecido ao fim da tarde desta segunda-feira o veredicto do julgamento dos 21 manifestantes detidos a 3 de Setembro aquando de uma manifestação em Luanda contra o regime de José Eduardo dos Santos. 17 dos jovens foram condenados a 3 meses de prisão, mas os advogados da defesa comunicaram a sua decisão de interpor recurso da sentença, por considerarem haver irregularidades no processo.

O julgamento decorrido entre a quinta-feira passada e hoje foi marcado por um clima de tensão. Vários activistas de organizações de defesa dos Direitos Humanos bem como de partidos políticos de oposição mobilizaram-se junto do tribunal de Luanda para reclamar a libertação imediata dos arguidos.

A repressão exercida por um forte dispositivo policial resultou na detenção de cerca de 40 pessoas - entre as quais o líder da Juventude da Unita na oposição- aquando do início do julgamento na quinta-feira. O julgamento desse outro grupo de manifestantes deveria começar em princípio esta terça-feira.

Em declarações à RFI, o jornalista e advogado de defesa William Tonet comenta o veredicto desta segunda-feira expressando a sua decepção.

William Tonet
(01:37)


O futuro do português em Timor-Leste (3) - O que é essa tal de 'educação multilíngue...




... em língua materna'?

DAVI B. DE ALBUQUERQUE* - EAST TIMOR LINGUISTICS: state of the art

A proposta da Educação multilíngue baseada na língua materna foi supostamente elaborada por um grupo de trabalho intitulado Língua na educação. Este grupo se reuniu em 2008 e formulou as diretrizes da proposta somente em 2010. Curiosamente, o grupo é formado por 18 membros, nenhum com formação em linguística, destes a maioria, cerca de 12 pessoas, possuem ligação direta com o governo leste-timorense, enquanto os demais possuem alguma ligação indireta ou são de entidades internacionais em atuação em Timor-Leste (em breve colocarei também os documentos para download).

Ainda, alega-se na introdução do documento, editado pela Komisaun Nasional Edukasaun, Ministério da Educação da República Democrática de Timor-Leste e UNICEF, que teve consultoria de apenas dois profissionais doutores da área. Além da escolha aparentemente aleatória de consultores, pois deveriam ser consultados linguistas de renome internacional, com pesquisas e experiência nas línguas leste-timorenses, mas não é o caso dos consultores escolhidos, o número de consultores também é inadmissível, já que uma proposta como a Educação multilingue baseada na língua materna que se pretende implantar a curto, médio e longo prazos deveria ser elaborada por um grande números de profissionais de renome e experientes das áreas de educação e linguística, assim como deveria passar pela consultoria de outra equipe independente também formada por um time de excelência em linguística e educação. Conforme li e analisei ambos os documentos, posso assegurar ao leitor e a qualquer um dos profissionais envolvidos que isto não aconteceu!

Minha análise envolveu duas publicações do Educação multilíngue baseada na língua materna, uma com o subtítulo Política Nacional e outra com o subtítulo Plano de Implementação. Foram tantos erros encontrados (de natureza formal, estrutural, linguística, científica e ideológica) que não sei nem ao menos por onde começar!

Na dúvida resolvi começar pelo óbvio, o início!     

Dividi minha análise em duas grandes partes apenas: uma apontando erros gramaticais, outra realizando uma série de comentários ao texto, praticamente linha por linha.

Um documento que pretende implantar um novo sistema educacional em um país inteiro não deve ser elaborado da maneira que o foi, como disse acima. Além disso, não deve conter tantos erros gramaticais na língua oficial do país, no caso o português. A quantidade gigantesca de erros de língua portuguesa já serve como evidência e argumento ao verdadeiro descaso que tais profissionais que o escreveram possuem em relação à língua portuguesa.   

Por questões de espaço, não colocarei neste blog minha análise completa dos dois documentos, pois foram cerca de 29 páginas (no processador de textos Microsoft Word) de erros apontados e comentários de minha autoria (14 páginas para Política Nacional e 15  páginas para o Plano de Implementação).

Desta maneira, faço um recorte do objeto a ser analisado somente para o leitor honesto formar seu próprio pensamento e opinião a respeito. Limitar-me-ei aqui a apontar erros gramaticais somente no corpo do texto do Política Nacional, que são apenas 6 páginas (o total de páginas da publicação é 20, se incluirmos capa, índice e apêndices, o que geralmente não se faz).

Nas 6 páginas de texto sobre a Educação multilíngue baseada na língua materna encontrei erros ortográficos como: urgente mente, e conómicos, hão-de (palavras separadas sem motivo); lingua, bilingue, multilingue, concluido, constroe (todos sem acentos e-ou com erros ortográficos); trasnferência, constitruição, sisteme (letras trocadas ou inseridas). Isto apenas para mencionar alguns dos vários existentes. O mesmo é válido para erros de construção sintática, já que o texto inteiro está cheio de períodos como: uma educação eficiente e eficaz e também sobre a os direitos culturais e é considerado como a “terceira língua” ou L3 de dos Timorenses dentre tantos outros.

Para finalizar, peço aos meus leitores para fazerem um exercício de pensamento comigo. Imaginem por um momento que vocês elaboraram um projeto da mesma maneira (cheio de erros gramaticais, sem nenhum estudo prévio e nenhum embasamento científico) e pretendem implantar este projeto para modificar uma esfera social específica de um país inteiro (neste caso a educação). Depois dessa tarefa de pensamento, deem um passo a frente. Agora imaginem quem, ou qual instituição, seria (in)capaz de aceitar publicar e, posteriormente, implantar este suposto projeto...

Vocês imaginaram tudo isso?

Então, acho que somente há duas respostas lógicas! A primeira, no mundo real, ninguém jamais aceitaria semelhante proposta indecorosa de baixa qualidade. Porém foi aceita, e nós estamos no mundo real! Então, resta-nos somente a segunda resposta; tal projeto foi aceito não por seus méritos, mas por interesses subjacentes a ele. Interesses de pessoas e instituições que sempre mascaram seus verdadeiros objetivos, ou seja, o lobo em pele de cordeiro...

No próximo post colocarei meus comentários ao texto Educação multilíngue baseada na língua materna – Política Nacional.      
*Davi B. de Albuquerque é professor de linguística na Universidade de Brasília

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Tudo em marcador temático na barra lateral (Temas e Origens) : TIMOR-LÍNGUA

Moçambique: LÍNGUAS NATIVAS DEVEM SER VALORIZADAS - reitor Lourenço do Rosário




PMA - LUSA

Maputo, 12 set (Lusa) -- Moçambique está no momento de capitalizar as línguas nativas, depois de ter conseguido que a língua portuguesa garantisse a unidade do país e a sua afirmação no mundo, considerou hoje em Maputo o académico moçambicano Lourenço do Rosário.

Lourenço do Rosário realçou a importância de valorizar "o património linguístico nacional", quando falava a jornalistas à margem do colóquio sobre "Diversidade Linguística nos Países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)", que arrancou hoje em Maputo.

O académico, que é igualmente reitor da Universidade A Politécnica, de Moçambique, considerou acertada a atribuição do estatuto de língua oficial ao Português, logo após a independência, em 1975, mas declarou que já é tempo de o país valorizar as línguas nacionais.

"Durante muito tempo, considerou-se que era preciso definir a língua portuguesa como um instrumento de unidade nacional e de afirmação do país no contexto internacional e acho que foi uma decisão acertada", sublinhou Lourenço do Rosário.

Mas, após diversos estudos demonstrarem as dificuldades que a maioria das crianças moçambicanas tem no ensino formal, por terem de aprender em português e não na sua língua materna, é agora importante "dar um lugar de destaque às línguas nacionais", acrescentou aquele académico.

"Não é possível, ou pelo menos há enormes dificuldades, aprender em simultâneo uma língua e adquirir conhecimentos nessa mesma língua", afirmou Lourenço do Rosário, enaltecendo a decisão do Governo moçambicano de introduzir o ensino bilingue nas escolas do país.

Referindo-se ao encontro que hoje começou em Maputo, o reitor da Universidade A Politécnica defendeu a necessidade de se fazer "um rastreio" sobre a situação da diversidade linguística na CPLP.

"Pensa-se que a CPLP nasceu apenas para proteger a língua portuguesa. Este tipo de encontros desmistifica esse pensamento", sublinhou Lourenço do Rosário.

O colóquio "A Diversidade Linguística nos Países da CPLP" vai reunir até quarta-feira linguistas, investigadores e docentes de língua portuguesa dos oito Estados membros da organização -- Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

*Foto em Lusa

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO DEBATE O MODERNISMO LUSO-BRASILEIRO




PORTUGAL DIGITAL

Seminário que começa na próxima quarta-feira vai colocar em debate uma nova forma de pensar as relações entre Brasil e Portugal.

São Paulo - "O modernismo luso-brasileiro entre liberdades e interdições". Será este o tema que irá nortear a discussão académica do seminário "Travessias" a partir da próxima quarta-feira, na Universidade de São Paulo. Uma iniciativa que traz ao Brasil vários convidados portugueses, para debater as relações entre os dois países no plano cultural.

O seminário é da responsabilidade do Núcleo de Pesquisa em Comunicação e Censura (NPCC) da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) e decorre entre os dias 14 e 16 deste mês.

A proposta do seminário é evidenciar e colocar em debate uma nova forma de pensar as relações entre Brasil e Portugal. Para isso, o evento propõe a problematização das identidades nacionais dos países em questão e das produções culturais híbridas, em tempos de regimes autoritários, bem como dos processos de interdição à arte, matizando o ideário de uma tradicional relação entre colonizador e colonizado.

Serão realizadas quatro mesas de discussão, com os títulos: “Humor e linguagens atravessadas”, “Diálogos e memórias atravessados”, “Travessias artísticas híbridas” e “Travessias restritivas político-sociais”. Além disso, a programação do evento inclui abertura com leituras dramáticas de trechos de peças teatrais censuradas.

Entre os palestrantes convidados estão Heloísa Paulo, professora da Universidade de Coimbra, e o cartunista e historiador português Osvaldo Macedo de Sousa. Ao longo do evento, os participantes poderão conferir uma exposição com trabalhos do artista. Haverá também uma videoconferência com Ana Maria Cabrera, pesquisadora do Centro de Investigação Media e Jornalismo (CIMJ) de Lisboa.

A entrada no seminário é franca, mas as vagas são limitadas, sujeitas a inscrição prévia através da Internet, no no endereço www.usp.br/npcc/travessias2011/inscricao.

BIENAL DO LIVRO DO RIO DE JANEIRO COM RECORDE DE PÚBLICO




EFE

Rio de Janeiro, 11 set (EFE).- A 15ª edição da Bienal do Livro do Rio de Janeiro finaliza neste domingo com um recorde de público e uma dedicação especial à leitura em formato digital, segundo informaram os organizadores da feira literária.

Em seu último dia, o Sindicato Nacional de Editores de Livros (SNEL) informou que 640 mil pessoas visitaram os pavilhões da feira, que começou em 1º de setembro no centro de convenções Rio Centro, superando em participação os 600 mil visitantes da edição anterior.

Com as projeções dos organizadores, os 950 expositores deverão vender até o final da feira em torno de 2,5 milhões de livros.

Na edição se destacou a presença do caricaturista Mauricio de Souza, criador da série infantil 'A turma da Mônica', e do escritor de literatura infantil Ziraldo, famoso por seu livro 'O menino maluquinho', que compartilham a autoria de 'O Maior Anão do Mundo'.

O encontro de autores com o público, as mesas literárias de discussões e a sessão de autógrafos, como a realizada na sexta-feira pelo jogador Ronaldinho Gaúcho, que inspirou um dos novos personagens de 'A turma da Mônica', foram constantes da programação oficial durante os 11 dias da Bienal.

O francês Marc Levy e os americanos Anne Rice, Patricia Schultz, Michael Connelly e Scott Turow, foram alguns dos 23 autores estrangeiros convidados para o encontro literário que neste ano prestou uma homenagem à cultura brasileira e que foi inaugurado pela presidente Dilma Rousseff.

O angolano Gonçalo Tavares, um dos representantes da literatura lusófona contemporânea, e a atriz americana Hilary Duff, ídolo das adolescentes por sua participação em uma série de televisão juvenil e que apresentou seu livro 'Elixir', foram outras atrações do encontro.

A feira contou com a participação de 150 escritores brasileiros e foi realizada com um orçamento de R$ 27 milhões e uma expectativa de faturamento calculada em R$ 50 milhões.

Líbia: FORÇAS DE GADDAFI ATACAM REFINARIA E MATAM 15 TESTEMUNHAS




REUTERS

RAS LANUF, Líbia (Reuters) - Forças leais a Muammar Gaddafi atacaram o portão principal de uma refinaria de petróleo próximo à cidade costeira de Ras Lanuf, na Líbia, matando 15 guardas e deixando outros dois feridos, disseram testemunhas.

'Cerca de 14 a 15 caminhões vieram da direção de Sirte (controlada por forças de Gaddafi) para Ras Lanuf', disse um trabalhador da refinaria, Ramadan Abdel Qader, que levou um tiro no pé durante o ataque.

'Ouvimos tiros e bombas aproximadamente às 9 da manhã (horário local) das forças leais a Gaddafi', disse ele à Reuters.

Qader disse que ele e seus colegas estavam dormindo quando forças pró-Gaddafi atacaram a refinaria.

A refinaria é controlada pelo Conselho Nacional de Transição da Líbia, os dirigentes oficiais do país depois que uma insurgência de seis meses derrubou Gaddafi.

Um jornalista da Reuters viu corpos de 15 homens com feridas de balas no hospital de Ras Lanuf, onde os feridos estavam sendo tratados.

A refinaria, conhecida como a 'Fábrica de Ras Lanuf para a Produção de Petróleo e Gás', não estava totalmente operante. Cerca de 60 funcionários estavam no local quando a refinaria foi alvo de ataque, disseram testemunhas.

'O objetivo desse ataque é assustar os guardas e os combatentes e prejudicar a produção de petróleo', disse Mohamed el-Ferjany, engenheiro na refinaria que não estava presente no ataque.

O premiê interino da Líbia disse no domingo que a produção de petróleo havia sido retomada em um local não divulgado, prometendo que mais produção seria reativada 'em breve'.

(Reportagem de Sherine El Madany)

EXPLOSÃO EM USINA NUCLEAR FRANCESA CAUSA PELO MENOS 1 MORTE




EFE

Paris, 12 set (EFE).- A explosão de um forno em um complexo nuclear em Marcoule (sudeste da França), ainda em circunstâncias pouco claras, causou nesta segunda-feira a morte de ao menos uma pessoa e feriu outras quatro, segundo informaram fontes oficiais.

O episódio ocorreu por volta das 11h45 do horário local (6h45 de Brasília) na usina de tratamento de resíduos nucleares e 'não causou nenhum vazamento radioativo', segundo informou o jornal local 'Midi Libre'. A informação foi confirmada pela Autoridade de Segurança Nacional francesa.

Fontes da Prefeitura e dos bombeiros afirmaram que foi estabelecido um perímetro de segurança no complexo. Já o 'Midi Libre' informou que as localidades situadas em torno da cidade não estabeleceram medidas de confinamento da população.

A empresa francesa Areva indicou à Agência Efe que o incidente aconteceu na área onde a elétrica EDF opera, e não na sua.

Pouco tempo depois de ser divulgado o acidente, as ações da EDF chegaram a perder mais de 6% de seu valor na Bolsa de Paris para depois atenuar sua queda até 5,46% e alcançar os 18,345 euros por título.

O complexo nuclear está situado junto ao rio Ródano e não longe da cidade de Orange, no departamento de Gard, cuja capital é Nîmes. EFE

O FURACÃO “EUROPA” APROXIMA-SE




VIRIATO SOROMENHO MARQUES – DIÁRIO DE NOTÍCIAS, opinião

A máscara caiu. A Zona Euro começa a parecer-se com o "estado de natureza" descrito por Hobbes: um campo de batalha onde o limite da razão de cada um se mede pela força da sua espada (neste caso, pelo poder económico e financeiro). Arranhando a superfície, os optimistas conseguem encontrar uma desculpa. Não, não é ainda o fim. Tudo se terá resumido ao jogo de sombras de dois bluffs: o da Grécia, escudando-se no facto de 90% da sua dívida externa estar sujeita ao direito grego (podendo ser reconvertida em dracmas no pior cenário), e o da Alemanha, ameaçando deixar a Grécia entregue à sua deriva de empobrecimento.

Na verdade, não só o novo mega empréstimo à Grécia, acordado em 21 de Julho, está em risco, como também uma fatia de 8 mil milhões do empréstimo de Maio de 2010 pode ser cancelada. Neste 2.º trimestre, o PIB helénico desabou mais 7,3%, e, há dias, 10 000 funcionários públicos foram despedidos de uma só vez. Mas a fúria dos credores não parece comover-se com isso.

A demissão do economista-chefe do BCE, Jürgen Stark, é apenas o último gesto da oposição germânica à tentativa do BCE de impedir o colapso dos mercados de dívida da Itália e da Espanha. Contra a compra da dívida desses países no mercado secundário já ergueram as suas vozes o antigo e o actual presidente do Bundesbank e o presidente federal, Christian Wulff. O comissário europeu da energia, Guenther Oettinger, propôs até que as bandeiras dos países relapsos sejam colocadas a meia haste nos edifícios comunitários! O furor teutónico está à solta. Já não se tomam decisões na base do cálculo custo-benefício, mas com raiva. Só um milagre vindo de fora, de uma América que já não tem poder, de uma Ásia que ainda não o tem, ou de um FMI que não deve ter tempo, pode impedir o suicídio da Europa de voltar a incendiar o mundo.

Grécia: AULAS COMEÇAM HOJE MAS SEM LIVROS POR FALTA DE PAGAMENTO DO ESTADO




DESTAK - LUSA

As aulas começam hoje na Grécia para os ensinos primário e secundário, mas ao contrário do habitual, sem todos os livros, que são fornecidos pelo Estado, devido à crise, informa hoje o jornal espanhol ABC.

Segundo o jornal, os livros não estão disponíveis para todos os alunos porque houve um atraso na impressão, que devia ter ficado concluída em finais de agosto.

O Ministério da Educação grego recordou que o problema deve-se ao atraso, de 49 dias, da decisão do Tribunal de Contas, que por lei deveria ter já aprovado a compra de papel para os livros.

Os poucos livros que foram impressos foram enviados primeiro para as ilhas e para zonas mais afastadas das grandes cidades, refere o ABC.

Os alunos aos quais não forem disponibilizados os livros vão ter cadernos com as primeiras lições, fotocópias e DVDs durante uns dias, até que se termine de imprimir o material necessário.

Também foi pedido aos alunos a partir do segundo ano da primária para levarem os livros do ano anterior que não queiram guardar.

A educação pública grega proporciona no início do ano letivo livros gratuitos aos cerca de 1,3 milhões de alunos do ensino primário e secundário público, refere o ABC, adiantando que os alunos de escolas privadas têm de comprar os livros, mas a um preço reduzido.

Brasil: EMBAIXADOR DIZ QUE CORRUPÇÃO ERA GENERALIZADA DURANTE GOVERNO LULA





A corrupção durante o Governo de Luiz Inácio Lula da Silva era "generalizada e persistente", segundo uma carta enviada pelo embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, ao procurador-geral norte-americano, Eric Holder.

Segundo o jornal "O Estado de São Paulo", o documento foi revelado esta semana pelo WikiLeaks.

A carta referia que a corrupção atingia os "três poderes": Executivo, Legislativo e Judiciário. 

No documento, que servia como uma preparação para a visita de Holder ao Brasil, Shannon fez ainda uma avaliação da Justiça brasileira, acusando-a de ter falta de preparação e ser "disfuncional". 
 
De acordo com o diário, esta não é a primeira revelação sobre os comentários da diplomacia norte-americana sobre a corrupção no Brasil. 
 
Documentos de 2004 e 2005 revelaram a mesma preocupação e mesmo o risco dos escândalos do 'mensalão' (pagamento do Governo a parlamentares para estes aprovarem os seus projectos no Congresso) acabarem por imobilizar o Governo. 

Mesmo no último ano do Governo Lula da Silva, a percepção norte-americana não havia mudado sobre a presença da corrupção na administração, sendo que o fenómeno não se limitaria aos três poderes. 
 
Segundo Shannon, as forças de segurança também seriam prejudicadas por "falta de capacitação, rivalidades burocráticas, corrupção em algumas agências e uma força policial muito pequena para cobrir um país com quase 200 milhões de habitantes". 

Outra constatação da diplomacia norte-americana foi sobre os problemas enfrentados pela Justiça no Brasil.  

"Apesar de muitos juristas serem de alto nível, o sistema judiciário brasileiro é frequentemente descrito como sendo disfuncional, com falta de capacitação, burocracia e atrasos", escreveu o embaixador. 

Para Shannon, "polícia, procuradores e juízes precisam de capacitação adicional" no Brasil.  

"Procuradores e juízes, em especial, precisam de capacitação básica para os ajudar a caminhar em direcção a um sistema de acusação mais eficiente", escreveu.

Brasil: QUASE 150 MIL PESSOAS DESALOJADAS PELAS CHEIAS EM SANTA CATARINA




JORNAL DE NOTÍCIAS - Ontem

Pelo menos 145 mil pessoas foram até ao momento desalojadas pelas fortes cheias que estão a afectar o estado de Santa Catarina (sul do Brasil), referiu a edição online do diário Globo.

As autoridades locais declararam quatro municípios em "estado de calamidade pública" e 38 em "situação de emergência", num total de 86 cidades afectadas.

A defesa civil informou que os resgates das populações estão a ser efectuados por helicópteros, enquanto foram mobilizados veículos para transportar águas e alimentos de primeira necessidade em direcção às zonas afectadas.  

Os responsáveis locais anunciaram até ao momento a morte de duas pessoas. 

APÓS DEZ ANOS DE ATENTADOS DO 11 DE SETEMBRO, DIREITA NOS EUA SE FORTALECE




CORREIO DO BRASIL, com RBA - de São Paulo

Os aviões atirados contra as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, e o Pentágono, em Washington, nos Estados Unidos, em 11 de setembro de 2001 são um marco na história do século XXI. Para o sociólogo Leujene Mirhan, professor especialista em Oriente Médio e membro da Academia de Altos Estudos Ibero-Árabes de Lisboa, passada uma década dos atentados, o mundo ficou mais xenófobo e mais preconceituoso contra árabes e muçulmanos.

Alguns analistas enxergaram, no episódio, um símbolo da decadência dos Estados Unidos como força imperial, como principal potência do planeta. Mirhan acredita que houve uma retomada de ações unilaterais dos Estados Unidos, principalmente no campo militar, com invasões contra o Afeganistão – ainda com o aval da Organização das Nações Unidas (ONU) – e contra o Iraque – sem apoio de outras potências. Mas há uma tendência a se reforçar a ideia de um mundo multipolar, com outras nações disputando politica e economicamente.

– Mas eu ainda não afirmaria que o mundo deixou de ser unipolar, porque mesmo com toda a decadência – com toda a crise do capitalismo, que é sistêmica, e não conjuntural – o dólar é a moeda que determina as relações de troca no comércio internacional – avalia Mirhan.

Atualmente, há pouco mais de um ano antes da eleição presidencial nos Estados Unidos, há um crescimento de forças conservadoras, como o Tea Party, agrupamento de direita instalado dentro do partido Republicano. Mirhan até acredita que Obama desponte com algum favoritismo para a disputa de 2012, mas isso não significa garantir avanços.

– Obama tinha o programa de retirada mais rápida das tropas do Iraque, em três meses. Vai completar quatro anos sem conseguir cumprir – exemplifica.

Confira a íntegra da entrevista:

- Após dez anos dos atentados de 11 de setembro de 2001, o que mudou no mundo?

– Sempre lamentamos esse tipo de atentado como o que aconteceu em Nova York e em Washington. Não ajuda absolutamente em nada às forças progressistas, porque matar inocentes não ajuda a libertação de povo algum. A popularidade do presidente (George W. Bush) na época era a pior da história. Ele recuperou a popularidade e conseguiu inclusive impor ao mundo essa soberania. A unipolaridade se fortaleceu. Vivíamos o fim da bipolaridade e os Estados Unidos se fortaleceram a ponto de travarem uma guerra no Afeganistão e outra no Iraque. Fortaleceu o campo conservador, o campo da direita.

- E em relação à comunidade árabe e muçulmana?

– Muitas consequências tivemos de lá para cá. A mais sentida é o aumento do preconceito contra os povos árabes e contra os praticantes da religião islâmica. Isso é visível. Manifestações islamofóbicas são vistas nestes dez anos em muitas partes do mundo. Na Europa cresceu muito a intolerância religiosa.

- Em que medida os atentados serviram para reacender esses preconceitos?

– A Europa é um continente que tradicionalmente foi muito fechado, avesso a qualquer penetração de religiões que não sejam as de origem cristã. No Leste Europeu a perseguição aos judeus vinha há muito tempo, do século XIX. É um continente xenófobo, que sempre procurou se fechar em sua religião. Nunca nos esqueçamos das Cruzadas, que começaram no século XI, e que era um movimento dos reis cristãos incentivados pelo papa para retomar a Terra Santa dos chamados infiéis.

Agora, em certo momento, pela necessidade de ter mão de obra barata para desenvolver atividades que o europeu não aceita, começou-se a aceitar certa imigração. Esses imigrantes, a partir da década de 1960, fizeram crescer o número de pessoas que professam a religião islâmica na Europa, o que provoca alguma reação em partidos de direita, xenófobos, radicais, intolerantes… E surgem leis que discriminam. Pode-se ter uma igreja com a cruz lá em cima, mas não pode ter a meia-lua, que é o símbolo do Islã, sobre um minarete – uma discriminação ostensiva. A mesma coisa em relação às vestimentas (como a proibição de uso de véus). O Estado não pode controlar as opções individuais das pessoas.

- Os atentados são vistos como um marco na história. Foi o início da decadência da hegemonia dos Estados Unidos?

– Nota-se hoje um caminho para a multipolaridade, mas eu ainda não afirmaria que o mundo deixou de ser unipolar. Mesmo com toda a decadência – com toda a crise do capitalismo, que é sistêmica, e não conjuntural – o dólar é a moeda que determina as relações de troca no comércio internacional. Os Estados Unidos ainda possuem o maior exército do planeta. Hoje, eles conseguem, com o poderio militar, bombardear qualquer cidade do planeta em 90 minutos com as nove frotas de que dispõem. A China tem 4 milhões de soldados, o dobro dos Estados Unidos, mas não tem a menor possibilidade de fazer frente. Então, tem-se um mundo ainda unipolar. Agora, surgem polos novos, com a China, a Índia e até o Brasil. E a União Europeia tenta se manter como um ator neste mundo.

- George W. Bush permaneceu conseguiu se reeleger depois dos atentados, mas Barack Obama venceu os republicanos em 2008. Uma de suas bandeiras era fechar a prisão de Guantánamo, o que ainda não aconteceu. O que se pode esperar nos próximos anos?

– Nos Estados Unidos, o que se vê internamente é um crescimento da direita. Mesmo estando longe das eleições do ano que vem (à presidência), ainda acho que Obama sai com certa vantagem. Ele vem de uma ala chamada mais progressista, liberal. Para os padrões deles, ser liberal é ser de esquerda. Mas ele não conseguiu fazer o plano de saúde que gostaria, está muito limitado.

No caso de Guantánamo, foi um dos primeiros atos que tomou e, logo, recuou. Quando era pré-candidato – eram seis os nomes do Partido Democrata –, Obama tinha o programa de retirada mais rápida das tropas do Iraque, em três meses. Vai completar quatro anos sem conseguir cumprir. Ele é presidente dos Estados Unidos, mas ao mesmo tempo é o chefe do império, e tem de cumprir o papel determinado pelo império.

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ANTÓNIO VERÍSSIMO

Ontem passou mais um dia de memória pelas vítimas de várias nacionalidades, mas maioritariamente norte-americanas, que inocentemente pereceram no ataque hediondo e cobarde de terroristas da Alcaeda. Foi o décimo ano depois daquele terrível e inesquecível dia. Quase três mil mortes foi o número avançado e ainda hoje chorado por familiares e amigos que num ápice se viram na necessidade de continuar o caminho da sobrevivência sem desfrutar da companhia dos seus entes amados. Decerto que nenhum merecia morte tão terrível e vil às mãos de seres desprezíveis que erradamente vitimam inocentes em vez de enfrentarem os seus verdadeiros inimigos, às vezes eles próprios e as suas mentes doentias e fanáticas. Caso de Osama Bin Laden e George Bush, entre outros.

Não escapa a esta senda de vingança e de princípios erráticos e desumanos o atual presidente Obama. As suas práticas assim o demonstram. Está ali mais um “gerreiro do mal”, contrariamente ao que pretendeu fazer crer quando da sua campanha eleitoral e nos dias imediatamente a seguir a tomar posse depois de eleito. Pouco importa se ele tem mais ou menos pigmentação de pele, o que importa é que as suas decisões e atitudes não são muito diferentes do louco e fanático que anteriormente ocupava a Casa Branca. Em nome da segurança mundial e, principalmente dos EUA, como afirma Obama e os seus séquitos de rastejantes líderes ocidentais, o mundo está cada vez a viver em maior insegurança, cada vez mais em guerras, cada vez mais a violar os direitos humanos, as liberdades e garantias indissociáveis da democracia. Vivemos cada vez mais em guerra mas Obama, sem se saber porquê, foi agraciado com um Nobel da Paz mal tomou posse da presidência norte-americana e ainda só estava na fase de promessas de retiradas militares de países que os EUA ocupam e de respeito pelos direitos dos prisioneiros. A diferença entre ele e George W. Bush é que W. Bush diz e faz, mostra que é um sacana fanático, Obama não diz mas faz, pretende ocultar que é sacana, sob a capa de cordeiro atacado pelos lobos o mundo tem ali um “guerreiro” às ordens das corporações que decidem sobre a guerra e os saques aos países e povos que rendam melhores dividendos que se traduzam em milhões de dólares.

Osama Bin Laden, com o seu fanatismo, desprezava a vida de todos que não pertencessem aos seus ideais, assim o fez ~ e fazem seus seguidores - com muitos milhares de inocentes que assassinou indiscriminadamente, doentiamente em nome de Alá. Barak Obama, depois de Bush, com o seu fanatismo, despreza a vida de todos que não pertencem à elite a que ascendeu e que até têm outros credos, assassinando milhares de inocentes nos países que ocupa com bombardeamentos a civis – dezenas de milhares já pereceram assim. Somem-se ainda mais uns milhares de soldados dos EUA mortos e estropiados, regra geral jovens, muito jovens, do povo, que vão para a guerra para melhorarem as suas más situações financeiras… Regressam em sacos de plástico, raramente inteiros e reconhecíveis. Doentiamente em nome do deus cifrão.

Nestas situações, porque a guerra é impiedosa e sempre decidida por monstros, são os plebeus de toda e qualquer parte do mundo que mais sofrem. São sempre eles as vítimas. É aquilo que vimos pelo mundo fora. Se em vez disso pudéssemos desfrutar de líderes que em vez de servirem as grandes máfias capitalistas, máfias racistas, máfias religiosamente fanáticas, etc., optassem por valorizar a vida, a cidadania, a honestidade, a justiça, a tolerância, a diversidade de culturas, a natureza, o ambiente na generalidade, a paz, não teríamos estas guerras, este desperdício de vidas e de causar mágoas permanentes aos que perdem quem amam. Se as políticas gananciosas e fanáticas dos EUA não existissem – nem outras semelhantes - o mais natural seria que não existissem Bin Ladens. O mais natural seria que os EUA não fossem tão odiados pelo mundo fora de modo cego, pelos que já nem querem separar os assassinos e culpados dos inocentes, as elites e o povo.

Se assim acontecesse, ontem não teríamos de homenagear e recordar as quase três mil vítimas assassinadas no WTC a 11 de Setembro de 2001, nem as dezenas ou centenas de milhar pelo mundo inteiro, que são de responsabilidade dos EUA, dos presidentes e elites politica-economico-financeira norte americana e, na generalidade, do mundo ocidental com os seus exércitos agrupados na NATO, uma sigla reavivada para todo o serviço de ocupação, de assassínio de civis, de defesa do dominio da perniciosa homogeneidade dos EUA sobre este globo terrestre. A repressão dos povos inocentes no seu melhor.

Se se souberem fazer respeitar e amar nunca serão odiados nem atacados, uns e outros. Assim queira a espécie humana que toma as decisões. Uma idiotice: Que resolvam as divergências a escrever, a falar, a saber ser tolerantes, justos, sobretudo respeitarem a vida de todos nós, habitantes deste planeta em auto-destruição. Utópico? Porque querem que assim seja, nós sabemos.

Mais onzes de Setembro não, obrigado!

*Também publicado em PÁGINA LUSÓFONA, blogue do autor