terça-feira, 27 de Dezembro de 2011

General Nunda promete, custe o que custar, pôr de joelhos o Povo da colónia de Cabinda




ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA*

O chefe do Estado-Maior General das FAA, general Geraldo Sachipengo Nunda, anunciou, em Luanda que um dos objectivos determinados pelo Comandante-em-Chefe, José Eduardo dos Santos, para 2012 é a pacificação da colónia angolana de Cabinda.

Afinal, pela própria voz do general que foi comandante da UNITA e que ajudou a assassinar Jonas Savimbi ficou a saber-se, de forma oficial, que Cabinda não está pacificada.

E pacificar é, na linguagem do regime colonial angolano, calar de uma vez por todas todos aqueles que pensam de maneira diferente. É, aliás, uma regra de ouro que o MPLA já impôs com êxito em Angola.

De facto, mesmo que esquecida pelo resto do mundo, Cabinda não se rende. E como nunca deixará de lutar, nunca será derrotada. O Governo de Angola continua sem conseguir calar a força da razão que floresce na sua colónia. Prende civis, mata supostos guerrilheiros, atemoriza meio mundo mas, na verdade, continua com a espinha na garganta.

Do ponto de vista militar, o regime angolano vai tentando todas as soluções bélicas para ver se pela razão da força consegue domesticar os cabindas. Sem resultado.

Um das opções, recorde-se, foi entregar o comando da região ao General Jack Raul, um oficial de quem o regime esperava que fosse capaz de partir a coluna a todos quantos, sobretudo na colónia de Cabinda, teimam em ser livres.

Chegado da Rússia onde recebera formação específica para tentar derrotar as forças que em Cabinda lutam por um dos seus mais elementares direitos: a independência, Jack Raul aparecia como o militar que iria pôr de joelhos os cabindas.

Não resultou. De joelhos os cabindas põem-se perante Deus. Perante os homens, mesmo que armados até aos dentes, estão sempre de pé.

Seja como for, basta ver agora as palavras do general Nunda, as Forças Armadas de Angola vão tentar, mais uma vez, arrasar a resistência (civil e militar) em Cabinda, seja através do General Lúcio Gonçalves do Amaral ou de outro qualquer especialista.

Será mais um fracasso. Não que os generais angolanos sejam maus militares, mas porque o regime angolano se esquece que só é derrotado quem deixa de lutar.

E, na verdade, deixar de lutar é coisa que não passa, e ainda bem, pela cabeça dos cabindas.

* Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

Título anterior do autor, compilado em Página Global: BISSAU, BRUXELAS, LISBOA E LUANDA

Guiné-Bissau: Embaixadores da UE condenam conflitos militares de segunda-feira



INFORPRESS – LUSA, com foto

Bissau, 27 Dez (Inforpress) - Os embaixadores da União Europeia acreditados na Guiné-Bissau condenaram hoje os conflitos militares de segunda-feira e declararam o total apoio às autoridades democráticas, a quem pedem um inquérito sobre os acontecimentos.

A posição dos diplomatas europeus foi transmitida aos jornalistas pelos embaixadores de Portugal, António Ricoca Freire, de França, Michel Flesch, e por Joaquin Gonzalez Ducay, representante residente da União Europeia em Bissau, após uma reunião com o Governo guineense.

Os três diplomatas foram recebidos em audiências separadas pelo primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, depois de terem estado numa reunião com o ministro dos Negócios Estrangeiros guineense, Mamadu Djaló Pires, com os elementos da comunidade internacional acreditados em Bissau.

Ganzalez Ducay disse que a União Europeia "condena firmemente" qualquer tentativa de pôr em causa as autoridades legítimas da Guiné-Bissau e declarou o seu apoio ao Governo, a quem pede, porém, que faça um inquérito "de acordo com os procedimentos e as leis" guineenses para um esclarecimento dos incidentes de segunda-feira.

"A União Europeia está solidária com as autoridades da Guiné-Bissau a quem dá o apoio total para continuar o processo da reforma e da estabilização do país", disse o embaixador da União Europeia na Guiné-Bissau, lançando um apelo aos militares.

"Fazemos um apelo às Forças Armadas para que continuem a ser o que são, umas Forças Armadas republicanas, dispostas a apoiar o poder civil. Que mostrem que estão lá para defender o poder democrático da Guiné-Bissau", enfatizou Ducay.

No mesmo sentido, o embaixador de Portugal, António Ricoca Freire, salientou a condenação já expressa pelas autoridades portuguesas aos acontecimentos de segunda-feira e reiterou o apoio de Lisboa ao Governo de Bissau.

"Estaremos ao lado das autoridades constitucionais da Guiné-Bissau no sentido de uma reposição da ordem e sobretudo no sentido dos processos do inquérito que deverão ser desenvolvidos pelas instituições competentes na maior legitimidade e no respeito pelo Estado de direito", assinalou Ricoca Freire.

O embaixador de França, Michel Flesch, afirmou que o seu país, tal como toda a comunidade internacional, "deseja que a vida democrática se desenrole de forma normal na Guiné-Bissau, dentro das regras".

O diplomata francês entende assim que os conflitos militares de segunda-feira demonstram a necessidade de a comunidade internacional continuar com os apoios à Guiné-Bissau.

"Os eventos das últimas 24 horas mostram bem que embora haja progressos na Guiné-Bissau há que continuar com o processo da reforma do setor da Defesa e Segurança. Temos que ser positivos e otimistas mesmo que de quando em vez haja dificuldades", notou Michel Flesch.

Os conflitos militares de segunda-feira levaram à detenção de pelo menos seis pessoas, entre as quais o chefe do Estado-Maior da Armada, Bubo Na Tchuto.

O Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas guineenses, António Indjai, considerou que os conflitos foram uma “tentativa de subversão da ordem constitucional”, mas o Governo negou que tenha havido uma tentativa de golpe de Estado, confirmando apenas um assalto ao paiol do Exército.

Nos conflitos já na madrugada de segunda-feira para hoje ficou gravemente ferido um agente da polícia, disse aos jornalistas o ministro do Interior guineense, Fernando Gomes.

O PORTUGUESINHO, O GALÊS E O CHINÊS





Numa sociedade em que valores como a competitividade ou o dinheiro se sobrepõem à solidariedade ou à decência, é sempre bom saber que há pessoas como Christian Bale, enorme actor já em O Império do Sol, para que possamos apreciar melhor figuras como António Mexia.

Bale tentou visitar o dissidente chinês Chen Guangcheng, tendo sido impedido de o fazer, o que só poderia acontecer num país democrático. Podem ver o vídeo mais abaixo.

Ao que parece, não existem vídeos em que possamos ver Mexia com os novos accionistas da EDP, mas, se existissem, não me espantaria vê-lo de joelhos no chão a manifestar disponibilidade para um projecto em que acredite. Entretanto, é possível ouvi-lo a elogiar a ausência de preconceitos de um governo que vende a quem der mais. É claro que ninguém se espanta por saber que a empresa chinesa pretende manter a actual equipa executiva da EDP.

É claro que há muitas afinidades entre Mexia e a China, nomeadamente no que se refere ao desejo de retirar direitos aos trabalhadores e de prescindir, o mais possível, desse incómodo chamado democracia.

Enquanto Chen Guangcheng luta para que os cidadãos do seu país usufruam de liberdade, Mexia luta para manter os seus privilégios e o seu gabinete, sem preconceitos contra as ditaduras. Ambos servem de exemplo para muita coisa, mas só o primeiro é exemplar.


JOGUE E INSTRUA-SE




MANUEL ANTÓNIO PINA – JORNAL DE NOTÍCIAS, opinião

Esqueça o "Trivial Porsuit". O jogo das noites de 2012 será tentar descobrir uma ideia, uma "representação que se forma no espírito", uma "percepção intelectual" ou um "pensamento" nas 812 palavras da mensagem de Natal do primeiro-ministro.

É uma espécie de "Jogo da (in)Glória". Quem, por exemplo, encontrar algo parecido com uma "percepção intelectual" na frase "queremos colocar as pessoas comuns com as suas actividades, os seus projectos, os seus sonhos, no centro da transformação do país", avança duas casas; e quem, designadamente algum dos 689,6 mil desempregados ou dos 100 mil jovens forçados a sair do país, não vir na frase "uma sociedade que se preza não pode desperdiçar nem os seus jovens nem as pessoas que se encontram na fase mais avançada da sua vida activa" uma piada de humor negro, volta ao início e será obrigado a reler as estatísticas do desemprego e da emigração.

Já quem vislumbrar uma "representação que se forma no espírito" diferente da hipocrisia na frase "um dos objectivos prioritários (...) do Governo consiste na recuperação e fortalecimento da confiança", depois de ter ouvido Passos Coelho garantir que, consigo a primeiro-ministro, não haveria aumentos de impostos nem seriam confiscados os subsídios de férias e Natal, será expulso do jogo.

"Um Bom Natal e um Feliz Ano Novo", como disse Passos Coelho (foi impressão minha ou ouviu-se mesmo, em fundo, o sinistro riso de Muttley?)


Portugal: ANS acusa Governo de preparar plano "de regressão" nas carreiras...




... para "milhares de militares"

André Teixeira Ferreira – Lusa, com foto

Lisboa, 27 dez (Lusa)- O presidente da Associação Nacional de Sargentos acusou hoje o Governo de estar a preparar um plano "de regressão" nas carreiras de "milhares de militares" e de querer "empurrar" para as Forças Armadas a responsabilidade por alegadas ilegalidades.

"O senhor ministro da Defesa, o senhor ministro das Finanças e os quatros chefes militares, decidiram fazer uma reunião cujo resultados desconhecemos e o que apareceu na comunicação social, em ´newsletters' no Exército, quer o que aparece dentro das unidades, não é de modo nenhum para nos deixar tranquilos, muito pelo contrário", afirmou à agência Lusa o sargento-chefe Lima Coelho.

O líder da ANS, que falava a propósito do protesto convocado para quarta-feira à tarde junto ao ministério da Defesa juntamente com a Associação de Praças, referiu que "sob a suposta realização de pretensas irregularidades [na aplicação do sistema retributivo dos militares, em vigor desde janeiro de 2010] há intenção de penalizar aqueles que há muito vêem sendo penalizados".

Açores: Governo garante condições de acolhimento para família deportada do Canadá




AÇORIANO ORIENTAL - LUSA, com foto

O Governo Regional dos Açores anunciou o arrendamento de moradias em Rabo de Peixe, ilha de S. Miguel, para acolher a família de dez pessoas deportada do Canadá que chega na sexta-feira ao arquipélago.

A família de Paulo Sebastião, que vivia no Canadá desde 2001, recebeu ordem de repatriamento em 2007, “tendo até agora esgotado todos os recursos legais possíveis para evitar a execução do repatriamento decidido pelas autoridades canadianas”, adianta uma nota do executivo.

Segundo o Governo, através da Direcção Regional das Comunidades e do Instituto para o Desenvolvimento Social dos Açores (IDSA), foi estabelecido um plano de intervenção, que incluiu a preparação de uma equipa técnica para a recepção dos cidadãos em causa logo à sua chegada ao aeroporto de Ponta Delgada.

A equipa técnica está mobilizada para apoiar este caso de deportação e, após as tarefas de recepção e alojamento, “desenvolverá todas as acções necessárias à integração na escola por parte dos quatro menores que integram a família, promovendo, ao mesmo tempo, o enquadramento dos seus restantes membros”, adiantou o executivo.

Em declarações hoje à agência Lusa, a Junta de Freguesia e familiares directos da família de Paulo Sebastião reconhecerem pouco poderem fazer para ajudar os deportados.

Madeira: Aumento dos impostos vai custar 160 milhões aos madeirenses em 2012



JORNAL DE NOTÍCIAS

As medidas fiscais anunciadas esta terça-feira pelo chefe do Executivo madeirense vão custar aos habitantes cerca de 160 milhões de euros em 2012, disse uma fonte ligada ao processo.

As alterações fiscais, entre as quais está a aproximação do valor das taxas praticadas na região às que estão em vigor no Continente "representam uma subtracção de 160 milhões de euros", vincou a fonte, que acrescentou que as medidas anunciadas por Alberto João Jardim, no âmbito de uma carta de intenções acertada com o Governo da República e que servirá de suporte ao Programa de Ajustamento da Madeira, vão obrigar "os madeirenses a um esforço colossal, superior ao que é exigido aos restantes cidadãos portugueses".

Os responsáveis pelo governo da Madeira já tinham assumido que a actualização das taxas de IRS e IRC visavam "garantir um aumento da receita fiscal em 30 milhões de euros", ficando agora a saber-se que a subida da taxa principal de IVA, para 22 %, "deverá assegurar mais de 100 milhões de euros de receita, a que acresce o agravamento dos impostos sobre os produtos petrolíferos".

A mexida na taxa de IVA - que ficarão nos 5, 12 e 22% - tem como consequência um aumento dos impostos a pagar pelos madeirenses, em comparação com os continentais.

"A taxa incidirá sobre o preço base dos produtos e serviços que são mais caros na sequência dos custos com os transportes", especificou.

Assumindo Alberto João Jardim que o ajustamento será feito através da redução da despesa, tendo na terça-feira sido revelado uma redução de 15 por cento nas transferências para os serviços e fundos autónomos, o próximo orçamento da Madeira deverá inscrever menos "300 milhões no lado da despesa, ou seja um corte de 20 por cento".

A Madeira fica obrigada a reduzir o número de funcionários, estando Jardim "decidido a abolir o subsídio de insularidade", que permitirá uma economia de 30 milhões de euros e uma redução de quase 5 por cento dos encargos com o pessoal.

Os funcionários públicos do Porto Santo vão perder metade do actual subsídio de insularidade, que representa um acréscimo de 30 por cento.

A redução da despesa será suportada no corte de 70% no investimento público autorizado a Alberto João Jardim, que passa a ter como limite os 150 milhões de euros.

O Serviço Regional de Saúde vai ter menos 45 milhões de euros por ano, verba que o governo regional espera poupar com "um crescimento mais acentuado na utilização dos genéricos e uma maior eficiência garantida pela prescrição electrónica de receitas, entre outras medidas de racionalização".

Como medida estruturante, a Madeira assume "o compromisso de reduzir em mais de mil milhões de euros o peso da dívida pública, que terá de se situar nos 40 por cento do PIB no final da atual legislatura".

Mais Economia

Brasil terá a quinta maior economia do mundo antes de 2015 -- ministro da Fazenda



GL – LUSA, com foto

São Paulo, 27 dez (Lusa) - O ministro brasileiro da Fazenda, Guido Mantega, disse hoje que o Brasil deverá alcançar o posto de quinto maior e economia do mundo antes de 2015, prazo previsto pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

"O FMI prevê que o Brasil será a quinta economia em 2015, mas acredito que isso ocorrerá antes", declarou o ministro, assinalando que a velocidade de crescimento do Brasil é, hoje, o dobro da registada na Europa.

"É inexorável que nós passemos a França e no futuro, quem sabe, a Alemanha, se ela não tiver um desempenho melhor", disse Mantega, citado pelo jornal O Estado de São Paulo.

O ministro afirmou que, entre 2003 e 2010, o crescimento anual do Produto Interno Bruto brasileiro ficou perto dos 4,5 por cento, patamar que espera ser retomado em 2012.

"O importante é que estaremos crescendo mais em 2012 do que em 2011", disse o ministro brasileiro, que previu para o próximo ano uma taxa de câmbio mais favorável às exportações e um crédito mais barato.

Mantega voltou a dizer que, apesar do crescimento económico, o Brasil ainda precisa melhorar o padrão de vida da população.

Na segunda-feira, um estudo do Centro de Pesquisa para Economia e Negócios (CEBR, em inglês), publicado pelo jornal The Guardian, indicou que o Brasil já se tornou a sexta maior economia global, tendo ultrapassado o Reino Unido.

Brasil: Dilma impôs estilo e saiu da sombra de Lula em primeiro ano de mandato



DEUTSCHE WELLE

Em seu primeiro ano de mandato, a presidente da República mostra estilo discreto, enfrenta a corrupção e encerra 2011 com aprovação de 72% dos brasileiros.

Em um ano de governo, Dilma Rousseff passou de uma desconhecida no cenário internacional a chefe de Estado que ofereceu ajuda à Europa em crise. Vista inicialmente como mera sucessora de Lula, ao longo dos primeiros doze meses de mandato, Dilma impôs seu estilo e saiu da sombra do líder carismático.

"Ela mostrou que tem o próprio perfil, que não seguiria apenas a política de Lula, mas traria a sua própria tônica", analisa Claudia Zilla, especialista do Instituto Alemão de Relações Internacionais e de Segurança (SWP) em conversa com a DW Brasil. Mas a capacidade brasileira de apoiar a Europa é vista com reservas. "A pergunta é: como a economia brasileira vai se desenvolver daqui para frente? Haverá ainda espaço para tanta autoconfiança?", questiona a pesquisadora sobre o futuro da habilidade financeira do país diante da crise que assola os mais ricos.

Essa investida do Brasil por mais espaço na comunidade internacional, que Dilma buscou com menos afinco que Lula, ainda é um pouco "incompreendida". "Os europeus não sabem se essa oferta de ajuda é um jogo de cena, um jogo de relações públicas para se projetar internacionalmente, ou se o país tem condições de concretizar esse apoio", avalia Rafael Duarte Villa, diretor do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP).

Em seu primeiro ano, a presidente não conseguiu comprovar a capacidade de auxiliar efetivamente a Europa. De qualquer maneira, a líder esteve bastante ocupada com problemas internos de grande repercussão: a queda de sete ministros, seis deles envolvidos em denúncias de corrupção.

Perdas, mas com ganhos

A saída em série começou aos seis meses de governo: Antonio Palocci, ex-ministro da Casa Civil, foi o primeiro a deixar o cargo acusado de enriquecimento ilícito. Os ministros do Transporte, da Agricultura, do Turismo, do Esporte e do Trabalho renunciaram depois – só Nelson Jobim, ex-ministro da Defesa, deixou o posto por motivos não ligados à corrupção, em julho.

Apesar dos escândalos, o maior desafio de Dilma se converteu em ganhos. "O lado positivo desse cenário é que ela enfrentou os problemas, tomou decisões, demonstrou sensibilidade às denúncias", ressalta Jorge Abrahão, do Instituto Ethos. E acrescenta: "Não que a corrupção tenha sido maior nesse ano. O potencial de escândalos de corrupção sempre foi alto em todos os governos. A postura que a presidente tem tido é positiva ao enfrentar essas questões."
Para Duarte Vila, a postura da presidente foi "inovadora" ao decidir "não negociar a corrupção". O povo brasileiro também parece estar satisfeito: o estilo Dilma Rousseff de governar é aprovado por 72% da população. Para 56% dos cidadãos, a administração da primeira presidente do país é "ótima", revelou a pesquisa da CNI-Ibope de dezembro.

Nesse quesito, a sucessora superou o mentor: Lula encerrou o seu primeiro ano de governo, em 2003, com aprovação de 42% da população, segundo pesquisa do Instituto Datafolha.

Continuidade e estilo

Dilma seguiu com os programas sociais implantados na administração passada, baseados na transferência de renda. A presidente acertou em continuar com a "luta contra pobreza", pontuou Claudia Zilla. Nos próximos anos, no entanto, Dilma pode encontrar mais dificuldade: "Há cada vez menos dinheiro para ser distribuído. Então, os programas sociais que são baseados na transferência de renda ficam sob pressão", justifica Zilla, lembrando o contexto internacional de recessão.

Com um estilo bem mais discreto e menos mediático, a presidente passou doze meses tentando controlar a inflação, cuja previsão é de 6,5% em 2011, como também tentou preservar a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto, que deve ser de 3% neste ano. "Se não acontecer nenhum fato interno que faça Dilma perder as rédeas do rumo político, o restante do mandato deve ser tranquilo", prevê Duarte Villa.

Promessa assumida durante a campanha eleitoral, o desenvolvimento sustentável ainda não virou uma marca do governo, opina o representante do Instituto Ethos. "Há muitos investimentos sendo feitos, muitos sem considerar padrões sociais, ou ambientais. É desejável que o governo tenha uma postura que equilibre essas dimensões. Crescimento de um país não é só crescimento econômico."

Autora: Nádia Pontes - Revisão: Carlos Albuquerque

PRESIDENTE DO BRASIL DIZ QUE 2011 “NÃO FOI FÁCIL”




Portugal Digital, com Agência Brasil

Para 2012, Dilma Rousseff anunciou que os programas de transferência de renda, a saúde, a educação e o apoio às pessoas com deficiência estão entre as prioridades do governo.

Brasília – Na sua coluna semanal, publicada terça-feira em vários veículos de imprensa, a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, diz que, apesar da crise econômica internacional, está otimista e será possível manter uma série de programas sociais no país. Dilma diz que o ano de 2011 “não foi fácil”, mas com planejamento e políticas acertadas a economia brasileira foi protegida, assim como setores produtivos e emprego.

Para 2012, Dilma Rousseff afirma os programas de transferência de renda, a saúde, a educação e o apoio às pessoas com deficiência estão entre as prioridades do governo.

“O mais importante é que encerramos o ano sem abrir mão dos princípios fundamentais para o país: crescimento econômico com distribuição de renda. Este é o caminho da prosperidade, que está sendo construído por nós e para nós, sustentado numa forte democracia. O mundo hoje nos vê com respeito e confiança. E, 2012 será mais um marco de consolidação do modelo brasileiro”, disse a presidente.

A seguir, os principais pontos abordados por Dilma na sua coluna semanal.

Crescimento Econômico

A presidente disse que o Brasil enfrentou o desemprego e lembrou que, até novembro, foram criados mais de 2,3 milhões de postos de trabalho no país. Segundo ela, a taxa de desemprego foi a menor da série histórica – 5,2%. “Batemos o recorde de exportações, atraímos volumes recordes de investimento direto externo e nossas reservas internacionais ultrapassam os US$ 350 bilhões”, comemorou.

Salário  Mínimo

Dilma lembrou ainda que o novo valor do salário mínimo - R$ 622 - passará a vigorar a partir de 1º de janeiro. Até 31 de dezembro de 2011, o valor do mínimo é de R$ 560.

Redução de impostos

A presidente disse também que houve redução de impostos para melhorar a qualidade de vida dos brasileiros. Ela ressaltou que 5 milhões de pequenas empresas, que estão no Simples, e os microempreendedores individuais terão redução nos tributos e crédito mais fácil e mais barato. Dilma destacou ainda que todos serão beneficiados com a redução para zero do Pis-Cofins sobre massas, farinha e pão e com a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) - sobre geladeiras, fogões e máquinas de lavar. Também disse que o crédito continuará com redução de custo para os financiamentos de longo prazo. “Com menos impostos e mais crédito, a economia brasileira vai crescer mais”, disse a presidente.

Programa Minha Casa, Minha Vida

Dilma disse que o governo vai continuar “apoiando a compra da casa própria”, por meio do programa já em vigência, que é direcionado aos mais pobres e à classe média. Segundo ela, estão garantidos os recursos. Ela disse que o objetivo é subsidiar a construção de moradias para a população com renda de até R$ 5 mil, com auxílio especial para os de menor renda até R$ 1,6 mil.

Redução da Pobreza

A presidente disse que seu “governo continuará investindo fortemente na erradicação da pobreza extrema”. Ela lembrou que das 407 mil famílias que não recebiam qualquer benefício do governo quase 80% estão inseridas no Programa Bolsa Família e “logo as outras serão incluídas”.

Saúde

Dilma disse que sua disposição é “trabalhar muito para aumentar a qualidade dos serviços prestados à população”. Ela ressaltou as ações dos programas Melhor em Casa que se refere ao tratamento domiciliar, o SOS Emergências, relativo ao aperfeiçoamento no atendimento nos pronto-socorros em todo país, o Saúde Não Tem Preço que diz respeito à distribuição de medicamentos para tratamentos de hipertensão e de diabetes nas redes de farmácias. Para a presidente, os investimentos de R$ 4 bilhões no programa de enfrentamento ao crack levarão ao combate intensivo ao narcotráfico e suas máfias.

Pessoas com deficiência

A presidente mencionou ainda que está entre as prioridades do governo dar oportunidades e qualidade de vida a cerca de 45 milhões de pessoas com deficiência no país. Segundo ela, por meio do programa Viver sem Limites será possível garantir direitos, apoiar e estimular os brasileiros com deficiência para que tenham uma vida plena.

Educação

Dilma disse também que o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e de Emprego (Pronatec) oferecerá 8 milhões de vagas em cursos técnicos e de qualificação profissional para jovens e trabalhadores. Ela lembrou ainda que o programa Ciência sem Fronteiras levará 101 mil estudantes e pesquisadores brasileiros em áreas tecnológicas, de engenharia e médicas para estudar nas melhores universidades do exterior.

Otimismo

“Temos todos os motivos para olhar 2012 com grande otimismo, com a certeza de que o Brasil continuará crescendo com estabilidade e diminuindo a desigualdade em um ambiente de pujante democracia. Deixo meu abraço carinhoso e a certeza de um Feliz Ano Novo para você, sua família e para todos os brasileiros”, disse a presidente.

Brasil: Copacabana deve receber 2 milhões de pessoas na passagem de ano




Portugal Digital, com agência

De acordo com a secretaria municipal de Turismo, ao longo da orla de Copacabana e do Leme, serão montados quatro palcos.
Rio de Janeiro - Dois milhões de pessoas são esperadas na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, para assistir aos shows de artistas da Música Popular Brasileira, apresentações de passistas e da bateria de escolas de samba e a queima de fogos, que é o ponto alto da noite.

A virada do ano terá como tema a sustentabilidade, dando largada para o Rio+20, Conferência Mundial das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, programada para junho do ano que vem, no Rio de Janeiro.

De acordo com a secretaria municipal de Turismo, ao longo da orla de Copacabana e do Leme, serão montados quatro palcos que receberão projeções de imagens da Mata Atlântica e da biodiversidade, assim como os 16 minutos da queima de fogos que também foram inspirados em elementos da natureza. Segundo a secretaria, as balsas com os fogos de artifício ficarão a uma distância de 300 metros da areia distribuídas em 11 pontos.

Já a secretaria municipal de Saúde colocará a disposição da população sete postos de atendimento médico, que terão 193 profissionais de saúde, sendo 72 médicos. Para os casos mais graves, os hospitais públicos e as unidades de Pronto Atendimento (UPA) darão apoio com 70 ambulâncias.

O MetrôRio informou, por meio de nota, que até o momento foram vendidos quase 40 mil bilhetes dos 140 mil cartões que foram colocados a venda para o réveillon. Segundo a concessionária, os interessados em adquirir os bilhetes especiais deverão comprá-los nas estações da Central do Brasil, Carioca ou Largo do Machado. As vendas se estenderão até às 19h deste sábado (31), ou até que os cartões se esgotem.

A concessionária explicou que foram colocados à disposição das pessoas com necessidades especiais e maiores de 65 anos cerca de 11 mil cartões. Os usuários que têm direito a gratuidade poderão retirar apenas um bilhete de ida e volta nas estações.

Brasil: DILMA COLECIONA VITÓRIAS NO CONGRESSO E TERÁ OPOSIÇÃO ACUADA




ANDRÉ BARROCAL – CARTA MAIOR

Em seu primeiro ano, Dilma Rousseff vale-se de base parlamentar inédita para aprovar o que quis e barrar as CPIs que não quis. Econômica nas MPs como Lula e FHC não foram, favorecida por desidratação extra de adversários pelo PSD e com a "sorte" da saída de Antonio Palocci, que contribuía para tensão com aliados, Dilma entrará em 2012 vendo oposição acuada pelo fantasma da CPI da Privataria.

BRASÍLIA – Com uma base de apoio parlamentar de tamanho inédito desde o fim da ditadura militar, em 1985, o governo Dilma Rousseff teve, em seu primeiro ano, uma vitoriosa relação com o Congresso. Ganhou quase todas as votações, viu sair das entranhas adversárias um partido "independente" que esvazia ainda mais a oposição, conteve o apetite inimigo por CPIs contra o governo, resistiu ao forte lobby do judiciário por aumente de salário.

Um sucesso que a presidenta deixou passar sem registros no pronunciamento de fim de ano em cadeia de rádio e TV que fez na última sexta-feira (23).

Uma coincidência delimita o caminho vencedor do governo no Congresso em 2011. Em cada uma das extremidades, encontra-se a palavra “salário”.

O primeiro grande desafio da recém-empossada presidenta foi a definição, em fevereiro, do salário mínimo de 2011, que teve reajuste pouco generoso (7%) por causa do crescimento zero de 2009 – uma regra de correção do piso tornada permanente até 2015 prevê aumento com base no crescimento econômico de dois anos antes. Dilma não cedeu a apelos de aliados por reajuste maior.

Teve a mesma postura na última votação do ano, que aprovou orçamento federal de 2012 faltando dez minutos para o início do recesso parlamentar. Não aceitou nem dar aumento real para aposentado que recebe mais de um salário mínimo, nem para juízes e trabalhadores de tribunais pelo país, que tiveram no presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cezar Peluso, um atuante "sindicalista" durante o ano.

O jogo duro de Dilma com Judiciário e aposentados tinha exatamente o objetivo de garantir que o governo conseguiria bancar em 2012 um reajuste de 14% do salário mínimo sem comprometer recursos destinados a outras áreas.

Para o governo, um piso mais robusto no ano que chega será fundamental para o país atravessar a crise econômica global sustentando uma trajetória de crescimento que levou o país ao posto de sexto maior produto interno bruto (PIB) do planeta em 2011. Mais salário deve alavancar o consumo.

As medidas que o governo chamou de anti-crise são uma boa ilustração da força e do sucesso que Dilma conquistou na relação com o Congresso. E isso fica ainda mais evidente, quando se pensa no que passaram países ricos atolados da crise.

O presidente norte-americano Barack Obama lutou – e sangrou – para aumentar o teto da dívida doméstica. Na Europa governos ditos progressistas sucumbiram e foram substituídos por tecnocratas, pacotes de austeridade fiscal foram aprovados com muito custo, plebiscitos morreram no nascedouro.

Enquanto isso, no Brasil, o governo aprovava um pacote de incentivo fiscal à indústria. Arrancava autorização para controlar a especulação com dólar no chamado “mercado de derivativos”. Renovava até 2015 mecanismo que, se existe há bem mais bem mais tempo do que a crise global, é considerado essencial agora - ajuda a pagar a dívida pública sem levantar desconfiança no “mercado” de que o país vai se “europeizar”, a chamada Desvinculação das Receitas da União.

“O Congresso teve maturidade política", disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em café de fim de ano com jornalistas no último dia 22. Em pronunciamento de fim de ano levado ao ar por emissoras de rádio e TV na véspera, o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), fez questão de registrar a cooperação com o governo, ao contrário de Dilma, que não mencionou o assunto. “Trabalhamos em sintonia com o governo federal para evitar que essa turbulência freie o crescimento”, afirmou.

Palocci sai: inflexão

Entre as duas coincidências temáticas que demarcam o bem sucedido ano parlamentar do governo, uma mudança no coração do governo contribuiu para melhorar essas mesmas relações. A substituição daquele que, no início da gestão Dilma, era visto como uma espécie de primeiro-ministro todo poderoso, Antonio Palocci, ex-chefe da Casa Civil.

Alvejado por denúncia de enriquecimento ilícito, Palocci balançou por três semanas no cargo, até deixá-lo – porque “quis sair”, Dilma fez questão de dizer também em café da manhã de fim de ano com jornalistas, dia 16. Até aquele momento, Palocci era o operador de uma estratégia de “jogo duro” político do governo com o Congresso, combinada com Dilma.

Uma estratégia que previa liberação a conta-gotas de dinheiro para obras incluídas no orçamento a pedido de deputados e senadores, as emendas. Que implicava usar ao máximo todos os instrumentos internos do governo para mudar a legislação sem depender do Congresso – e, portanto, de votações que sempre custam algum tipo de negociação (e concessão) política.

Dilma recorreria o mínimo possível às medidas provisórias (MPs), para reduzir ao máximo o número de votações. Não por acaso, Dilma encerra o ano tendo assinado uma comparativamente baixa quantidade de MPs. Até esta segunda-feira (26), tinha baixado 34. O ex-presidente Lula abriu o primeiro mandato com 157 e o segundo, com 69. No último ano da gestão Fernando Henrique, o primeiro com as MPs obedecendo às regras atuais, foram assinadas 81.

Palocci também foi protagonista em uma votação complicada não pode exatamente entrar na conta das vitórias do governo, embora também não possa ser considerada uma derrota. O novo Código Florestal, para cujo debate o governo foi arrastado por sua numerosa fatia de aliados ruralistas, só será votado em definitivo no ano que vem.

Como sabe que não tem nada a ganhar, do ponto de vista da imagem pública, com a aprovação da nova lei bem no ano em que o país sediará um grande encontro planetário sobre desenvolvimento sustentável, a Rio+20, Dilma preferia sancioná-la ainda este ano e livrar-se de vez do assunto. Não poderá porque a votação enroscou na Câmara, ainda sob a articulação de Palocci, precisou de seis meses para “desenrolar” no Senado, e o resultado é que os deputados só vão voltar a mexer no projeto na volta das férias.

O mesmo acontecerá com outro projeto que o governo queria começar a votar na Câmara ainda em 2011 mas terá de se contentar em discuti-lo após o recesso. É o que estabelece novas regras para aposentadorias de funcionários públicos. O governo deve realizar concursos públicos em 2012 e gostaria de contratar os servidores já dentro das novas regras. Não conseguirá.

CPIs, não

Palocci inaugurou uma longa série de ministros que viriam a ser denunciados por desvio ético em reportagens da imprensa, numa escalada que animaria os adversários do governo Dilma a adotar a mesma postura vista com o antecessor dela, Lula.

A cada acusação nova, um pedido novo de CPI, às vezes sob um batismo genérico de “CPI da Corrupção”. Seis ministros caíram por suposta corrupção, mas nenhuma comissão parlamentar de inquérito foi instalada.

Anêmica, a oposição a Dilma não consegue aglutinar um terço dos deputados ou dos senadores para emplacar uma CPI. O ano termina com os três principais partidos anti-Dilma com 88 deputados, mais ou menos a metade do tamanho que precisariam ter para abrir uma CPI. Juntos, PSDB, DEM e PPS perderam 21 deputados desde a eleição de 2010.

No Senado, os três têm 15 parlamentares - teriam de ser ao menos 27 para abrir CPIs, algo que não conseguem nem contando com dissidentes entre partidos governistas.

Desfalcada desde as urnas em 2010, no enfrentamento com o popularíssimo Lula, a oposição sofreum um baque adicional onze meses depois, quando, em setembro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou a criação do Partido Social Democrático, o PSD do prefeito paulistano Gilberto Kassab.

A sigla nasceu como a quarta maior do Congresso, atrás apenas de PT e PMDB, que dividem o governo com Dilma e o vice dela, Michel Temer, e os tucanos.

Tucanos que terminam o ano na mira da CPI que tanto cobraram contra Dilma, uma comissão destinada a apurar se houve mesmo bandalheira em privatizações da administração Fernando Henrique, como diz o livro-denúncia A Privataria Tucana.

Com o principal adversário acuado pela expectativa de uma CPI, o governo Dilma tem tudo para começar o ano legislativo mais forte do que o vitorioso 2011.

Imagem Escolhida: NÃO BEBAM, A MORTE ESPERA-VOS A FAZER ESGARES VITORIOSOS




Encontrará na próxima postagem um lamentável e odioso título sobre a realidade angolana em acidentes rodoviários. Numa semana pereceram 70 pessoas em trágicos acidentes rodoviários pelas más, boas e razoáveis estradas de Angola.

O cartoon do dia, de Casimiro Pedro, no Jornal de Angola, é a nossa Imagem Escolhida, em respeito e memória aos imensos angolanos que já morreram nas estradas do país e como aviso importante para os que ainda têm a possibilidade de corrigir seus comportamentos quando rolam pelas ruas e estradas de Angola.

Por favor, conduzam com moderação e nem pensem em pegar num volante se acaso ingerirem bebidas alcoólicas. Também compete às autoridades angolanas reforçar as campanhas dirigidas à prevenção rodoviária e ao civismo dos condutores e dos transeuntes que deslocando-se a pé muitas vezes o fazem sem os devidos cuidados. A morte espera os incautos fazendo esgares vitoriosos. Contrarie-a. Dê valor à vida.

Angola: MAIS DE 70 MORTOS EM ACIDENTES DE VIAÇÃO NUMA SEMANA



DESTAK - LUSA

A Polícia Nacional registou numa semana mais de 70 mortos, consequência de 296 acidentes de viação, que resultaram igualmente em 277 feridos ligeiros e graves.

Os dados foram hoje divulgados pela agência de notícias angolana, Angop, que cita o comissário Carlos Salgueiro, membro da Comissão Nacional de Prevenção Rodoviária do Comando Geral da Polícia Nacional.

O oficial da polícia referiu ainda que contribuíram para o elevado número de mortes e feridos os atropelamentos e choques entre viaturas e motociclos, incluindo-se igualmente as colisões entre veículos automóveis, os despistes, seguido de capotamento.

Neste ano, prestes a findar, o Governo angolano lançou uma campanha de sensibilização dos automobilistas contra o consumo de álcool, para reduzir os acidentes de viação que continuam a ser em Angola, a segunda causa de morte depois da malária, desde 2009.

No primeiro semestre de 2011, a Polícia Nacional havia divulgado já um balanço que dava conta de 1.630 mortos e 5.927 feridos, em resultado de 6.509 acidentes, números que evidenciavam uma tendência de agravamento da situação em relação a 2010.

A liderar a lista de causas dos acidentes estava o consumo excessivo de álcool, seguido da utilização de telemóveis durante a condução e o não uso de capacete pelos motociclistas.

Moçambique: Crianças faltam às aulas em Nhangau para afugentarem macacos das hortas



ANGOLA PRESS

Maputo - Um número considerável de alunos que frequentam escolas no posto administrativo de Nhangau, arredores da cidade da Beira, província moçambicana de Sofala, decidiu abandonar as aulas para se dedicarem a afugentar macacos das machambas (hortas) familiares, noticia hoje (terça-feira) a LUSA.

Segundo residentes do posto administrativo de Nhangau, os alunos estão a desistir das aulas com o objectivo de proteger a produção familiar, principal base de sustento.

Em Moçambique, cerca de 80 por cento da população, estimada em 21 milhões de habitantes, residem nas zonas rurais, sobrevivendo da prática da agricultura rudimentar.

Os residentes daquela província referem que a sua produção agrícola está em risco e as crianças ficam prejudicadas por "gazetarem" constantemente às aulas para afugentarem macacos nas machambas.

"Há problemas de macacos que destroem culturas nas nossas machambas, principalmente as de mandioca e maçaroca. Além disso, não podem sair de casa todos os membros da mesma família, porque estes macacos ficam a fazer estragos. Por isso, lançamos um grito de socorro aos governantes", disse Almeida Gude, um dos residentes da região de Tchondja, em Nhangau.

De acordo com o jornal Notícias, de Maputo, a intervenção de Almeida Gude foi reforçada por outros residentes que, igualmente, afirmaram que o assunto já foi abordado com a representação do Estado na Beira, centro do país.

José Manuel, que também reside na região de Tchondja, em Nhangau, disse que a situação tem contribuído negativamente para a segurança alimentar naquele posto administrativo e o baixo aproveitamento escolar.

"Dizem que não podemos abater sem autorização do Governo os animais selvagens que nos ameaçam, assim, nós, o povo, é que saímos prejudicados. Afinal, entre os macacos e a população, quem é mais importante?", questionou José Manuel.

Por seu lado, o director dos Serviços Distritais de Educação, Juventude e Tecnologias da Beira, César Campira, assegurou que o sector de Actividades Económicas tem trabalhado com técnicos da área de Floresta e Fauna Bravia "para garantir o afugentamento de macacos".

Missão portuguesa com 14 voluntários parte para a Guiné-Bissau apesar dos conflitos



FPA (VM/MB) - LUSA

Lisboa, 27 dez (Lusa) - Uma missão humanitária portuguesa com 14 voluntários, incluindo médicos e professores, parte na quarta-feira para a Guiné-Bissau, apesar dos conflitos militares registados na segunda-feira, disse à Lusa a presidente da organização responsável.

"Dos 14 voluntários, não houve ainda qualquer desistência e vamos manter", disse Joana Benzinho, fundadora e presidente da Afectos com Letras, Associação para o Desenvolvimento pela Formação, Saúde e Educação.

Segundo a responsável por esta missão, que é já a terceira organizada pela Afectos com Letras, a embaixada de Portugal em Bissau está a par da deslocação e a organização tem estado em contacto permanente com os parceiros locais, portugueses e guineenses.

"Até ao momento não nos aconselharam a não ir, por isso estamos a manter", disse, ressalvando que se for aconselhada a não viajar, a organização cancelará a missão.

Sobre os objetivos da III Missão Solidária Guiné-Bissau 2011/2012, que decorre entre quarta-feira e 09 de janeiro, Joana Benzinho explicou que inclui a entrega de um contentor de ajuda humanitária com bens recolhidos em Portugal nos últimos três meses, que já está no porto de Bissau e será distribuído diretamente pela associação.

Leite em pó, cereais, papas, água engarrafada, medicamentos, mobiliário para salas de aula, material didático, livros, material escolar, roupas e brinquedos são os bens doados.

Além disso, os voluntários vão dar consultas de medicina dentária e de clínica geral aos 120 alunos de uma escolinha na Tabanca de Djoló, a funcionar desde outubro de 2010 e cuja construção contou com a ajuda financeira da Afectos com Letras.

Vão também dar consultas às 70 crianças de uma creche em Varela, no norte do país, que ajudaram a construir e vão agora acabar de equipar, com equipamento didático e mobiliário que levam no contentor.

Além das consultas médicas, os voluntários vão promover ações de formação em áreas como saúde oral, línguas, educação alimentar, formação ambiental e de sustentabilidade ou animação sociocultural.

Está igualmente prevista a entrega de leite em pó, água engarrafada e medicamentos no Hospital de Cumura, no Centro Nutricional e Maternidade de Ingoré, bem como no Centro de Saúde de Varela.

Criada em setembro de 2009, a Afectos com Letras, Associação para o Desenvolvimento pela Formação, Saúde e Educação tem como missão a melhoria das condições de vida das crianças da Guiné-Bissau.

A primeira missão da associação ao país decorreu em dezembro do ano passado e a segunda em abril.

Conflitos militares na Guiné-Bissau na segunda-feira resultaram na detenção do Chefe do Estado-Maior da Armada, Bubo Na Tchuto, e motivaram reuniões do Governo, Forças Armadas e comunidade internacional, a decorrer hoje em Bissau.

O Governo português informou na segunda-feira estar a acompanhar "com atenção" a situação no país e recomendou à comunidade portuguesa "as medidas de precaução adequadas nestas circunstâncias".

Bissau: Agente da polícia gravemente ferido nos conflitos de segunda-feira - Governo



DESTAK - LUSA

Um agente da Polícia de Proteção Pública (PPP) da Guiné-Bissau ficou ferido com gravidade em consequência da troca de tiros na última madrugada no bairro de Luanda, subúrbios de Bissau, afirmou hoje o ministro do Interior guineense.

Segundo Fernando Gomes, o agente foi baleado por um elemento do grupo de militares que se sublevaram na segunda-feira, numa operação em que, de acordo com a Liga Guineense dos Direitos Humanos, foram detidos pelo menos oito militares.

Segundo o ministro, o agente terá sido atingido a tiro quando se deslocou para a residência de um deputado, no bairro de Luanda, onde alegadamente estariam escondidos um grupo de militares.

"Tivemos a informação de que estavam escondidos na casa desse político alguns elementos da rebelião e armados. Quando os agentes lá chegaram, foram recebidos a tiro. Um dos nossos agentes foi atingido com oito tiros no corpo. Está gravemente ferido e em risco de vida", disse o ministro do Interior.

Fernando Gomes afirmou ainda que o agente ferido deve ser levado ainda hoje para o Senegal, "caso contrário pode morrer".

O político em questão, cujo nome o ministro não quis revelar, estaria a monte e os elementos que se encontravam na sua residência também.

"A Liga tem sido contactada por pessoas cujos nomes foram apontados como ligados a este caso. Estamos preocupados com a sorte de todos, foi isso que fizemos ver ao Ministro do Interior e ao chefe do Estado-Maior General", declarou Vaz Martins.

O dirigente da Liga disse esperar ainda hoje a autorização do general António Indjai para ir visitar os detidos implicados alegadamente na sublevação militar de segunda-feira.

Para já, Luís Vaz Martins disse ter recebido a garantia do chefe das Forças Armadas guineenses de que foram detidas oito pessoas, todas elas militares.

"O general Indjai garantiu-nos que até ao momento não detiveram nenhum civil, negando também a existência de qualquer morto ", afirmou o presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos.

Agências internacionais estão a noticiar a morte de um militar nos confrontos da noite de segunda-feira para hoje, citando fontes do exército, que não identificam.

"O chefe do Estado-Maior disse-nos que não houve nenhum morto e por ordens suas disse que não queria que houvesse vítimas mortais", acrescentou Vaz Martins.

UM ANO PARA ESQUECER





1. 2011 foi, efectivamente, um ano para esquecer. Foi péssimo para Portugal, mas não só, com a fúria dos mercados especulativos a querer transformar-nos em "lixo" (imagine-se!), e foi também mau para a União Europeia, que todavia, felizmente, sublinho o advérbio, penso "não estar a desaparecer do mapa", como escreveu na Visão o meu lúcido amigo Eduardo Lourenço, nem integrada num "impossível Estado Europeu", como salientou, na mesma revista, o conceituado professor José Gil. Julgo que nas duas afirmações foram longe de mais, embora o que está para vir, ao que parece, não nos traga qualquer tranquilidade imediata. Bem pelo contrário.

A razão do meu moderado não pessimismo resulta, como os meus eventuais leitores já perceberam, na ideia (para mim impensável) da Europa poder cair no abismo, como tantos profetas da desgraça têm vindo a profetizar. Só se os dirigentes europeus, que tanto tenho criticado, na sua falta de visão estratégica e mediocridade, não tiverem um mínimo de senso comum, que os force, mesmo que não queiram, por razões ideológicas ou de mero interesse, a mudar radicalmente de política e a delinear uma saída para a crise. É o que se impõe, como salta à vista.

Os Estados Unidos de Barack Obama - apesar de tudo o que dizem e tentam fazer os irresponsáveis republicanos - começam a dar sinais consistentes de melhoria, em relação à crise, que aliás teve neles a sua origem. Barack Obama, com a sua autoridade, humanismo e persistência, tem feito repetidos apelos à Europa, para lutar contra a crise, mudando de paradigma. E outros Estados emergentes como a China, o Japão, a Rússia, a Índia e o próprio Brasil têm, de diferentes maneiras, aderido aos apelos de Obama. Ninguém ganha com o colapso europeu, a não ser, no imediato, os especuladores.

2. A verdade é que a crise, como se sabe, é global. Ou seja, de uma ou outra maneira, afecta todos. Por isso, talvez, se multipliquem as pressões para evitar um colapso da União Europeia, que, nos últimos cinquenta anos, tem sido uma referência para o Mundo.

Ora isso implica ter uma estratégia anticrise que impeça a recessão e reduza substancialmente o desemprego. As receitas neoliberais, têm provado, pela prática dos últimos anos, que não dão qualquer resultado. Agravam a situação dos Estados em dificuldades. A austeridade sem crescimento económico só conduz a uma situação pior do que aquela que temos. Foi o que disse o nosso primeiro-ministro, sem tirar a conclusão que se impunha, quando reconheceu que - cito - "daqui a 20 anos estamos pior do que hoje". Se assim for, nesse caso - e para evitar o que seria uma desgraça -, é urgente mudar de política e apostar no crescimento económico, no conhecimento, na inovação e, sobretudo, em mais e melhor emprego. Sem empurrar os portugueses, sobretudo os que têm mais conhecimentos, para a emigração.

3. Não esqueçamos que a situação da Europa vai agravar-se consideravelmente durante 2012. Para além dos três primeiros Estados nacionais, vítimas dos mercados especulativos - a Grécia, a Irlanda, que agora começa a bater o pé, e Portugal -, o grande problema é agora a Itália, ameaçada gravemente nos próximos primeiros meses do novo ano. Mas a Espanha está também na mesma linha de ameaças, o que é tanto pior quanto o novo Governo, presidido por Mariano Rajoy, é ainda mais neoliberal do que o português. O que é bastante mau para Portugal. Seguir-se-á a Bélgica, a França, seguramente, e talvez países como a Finlândia ou a Holanda, por mais arrogantes que agora pareçam. A Alemanha, principal responsável por todas as indecisões e erros cometidos, não vai, durante o próximo ano, ficar imune. Como escreve lucidamente o ilustre sociólogo e ambientalista Viriato Soromenho-Marques: "Se a Zona Euro sucumbir, será a terceira vez, num século, que a Europa se suicida, com a Alemanha no posto de comando". Palavras sábias que nos obrigam a reflectir.

Será que a Europa, que nós conhecemos e amamos, com a desagregação e a decadência que a ameaçam, poderá vir a tornar-se "um mero apêndice geográfico da Ásia"? Tanto Soromenho-Marques como eu não queremos acreditar que tal aconteça. Como ele diz: "Os dados não estão todos lançados." "O futuro da Europa não é propriedade exclusiva de chanceleres e presidentes." É preciso portanto reagir, cívica e politicamente. "O tempo da Europa feita nas costas dos povos terminou. A nova geografia da Europa começará a ser desenhada em 2012, nas urnas e nas ruas. O combate será entre a cidadania e o federalismo, de um lado, e o populismo chauvinista do outro", diz Soromenho-Marques, a meu ver com toda a razão.

4. É neste contexto europeu tão incerto e complexo que Portugal tem de se defender para vencer a crise. As imposições da troika - não o esqueçamos - dependem da evolução da Europa, em especial da Zona Euro. Foi por isso que sempre defendi que o memorando da troika, que já teve emendas e acrescentos, não devia ser considerado como a Bíblia Sagrada. Ora o pior foi a preocupação do Governo de ir além do memorando da troika, nas suas "receitas", para poder ser considerado pela senhora Merkel um "bom aluno da Europa". Que inocência...

2012 vai ser um ano seguramente muito difícil para todos os Estados europeus, pertençam ou não à Zona Euro. Para o Reino Unido também, apesar de ser ter afastado da Zona Euro, como já começa a pressentir-se. Mas creio, como atrás afirmei, que a União Europeia vai ser finalmente obrigada, pela força das circunstâncias, a fazer uma ruptura política profunda. De que todos os Estados europeus vão beneficiar. E nós portugueses, obviamente, também. Espero não me enganar.

5. A Rússia, que é um Estado europeu, ou melhor, euro-asiático, por efeito de uma eleição fraudulenta entrou em convulsão, com manifestações nunca vistas nas ruas e praças das grandes cidades, chegando até à Sibéria. À semelhança da "primavera islâmica" - que está longe de concluída -, temos agora, de forma por enquanto mais pacífica, o "outono russo". Os russos, ao que parece, fartaram-se de Vladimir Putin, do clã saído da antiga KGB, que se instalou no poder, após o colapso do comunismo, da corrupção e da fraude eleitoral. E veio manifestar-se para a rua com uma indignação que há quase um século nunca foi vista.

No entanto, Putin e o seu clã, continuam no poder, tentando assegurar as suas posições sem grande violência. Há sintomas indisfarçáveis do profundo descontentamento da população russa, mas não se sabe o que daí vai resultar, desse fenómeno inesperado que tem, como noutros países, a sua origem na "revolução informática" e na nova informação que leva, com rara rapidez, até às populações mais fechadas, o conhecimento do que se passa. Veremos como tudo irá acabar. Mas não é excessivo prevenir, neste fim de 2011, que os tiranos se cuidem. Contra eles, felizmente, as revoltas estão a ocorrer em todos os continentes.