quinta-feira, 3 de novembro de 2011

ABAIXO A DEMOCRACIA




Daniel Oliveira - Expresso

Cedendo à pressão de um povo que assiste, atónito, à destruição do seu País e a sucessivos planos de austeridade que o afundam cada vez mais, Papandreou, tentando salvar-se e encostar a oposição às cordas, marcou um referendo a mais um plano de "resgate". As reacções não se fizeram esperar. Os dois imperadores europeus entraram em estado de choque. Opinadores da situação mostraram a sua indignação.

Quem é que esta gente se julga para querer repor a democracia no lugar da chantagem? Quem pensa este povo que é para julgar que decide do seu futuro? Não saberão estes irresponsáveis que quem decide são os mercados? E depois deles a barata tonta alemã? E depois dela, se ainda houver alguma coisa para decidir, o senhor Sarko? Julgarão que não havendo democracia europeia podem, no lugar dela, existir democracias nacionais.

O general Loureiro dos Santos falou-nos, ontem, dos receios de um golpe de Estado na Grécia. Parece-me que o receio vem tarde. O golpe de Estado já aconteceu. Em vários países europeus, começando pela Grécia. Com violações sistemáticas às constituições nacionais - em Portugal elas acontecem com a cumplicidade do Tribunal Constitucional -, o assalto estrangeiro aos recursos das Nações e a perda ilegal de soberania - veja-se o poder que o directório europeu se tem dado a si próprio no processo de saque às empresas gregas a privatizar. O que está a acontecer ali, agora, é a tentativa de repor a legalidade democrática.

Perante as reações indignadas de tanta gente à decisão de devolver ao povo grego o veredicto sobre o seu futuro fica evidente uma coisa: anda por aí muito"democrata" que odeia a democracia. Porque ela pode travar a imposição de um programa ideológico que nunca seria sufragado pelo povo sem estar debaixo de chantagem. A Grécia deu o primeiro passo para travar esta ditadura perfeita. Se for até ao fim, pode salvar a Europa do caos político para onde se dirige. Pagará um preço alto? Mas ainda tem alguma coisa a perder?

Se os gregos aprovarem mais este plano de destruição do seu futuro - coisa nada improvável, perante o cenário que a Europa e os "mercados" lhes vão impor pelo seu atrevimento - pelo menos terão tentado dar um sinal de dignidade em tempos que ela parece ser um bem escasso.

África do Sul: HOMICÍDIO DE CASAL LUSO-DESCENDENTE COM CONTORNOS DE EXECUÇÃO




PÚBLICO – LUSA

A forma como um casal luso-descendente foi assassinado na noite de terça-feira na localidade sul-africana de Alberton, a sul de Joanesburgo, teve contornos de execução, refere a imprensa sul-africana, uma versão confirmada também pela polícia.

Segundo a descrição da cena do duplo homicídio feita pelo jornal “The Star” a partir de testemunhos de empregadas domésticas das vítimas que encontraram os corpos na manhã de quarta-feira, Carlos e Ana de Sousa teriam sido amarrados de pés e mãos, amordaçados com fita adesiva e baleados na cabeça.

Fontes da polícia e amigos do casal confirmaram à Lusa aquela versão dos acontecimentos, o que deixa em aberto a possibilidade de as vítimas terem sido mortas por alguém que conheciam.

Um elemento importante nesta teoria, confirmado pelas mesmas fontes, é que a residência da família Sousa não apresentava sinais de arrombamento ou entrada forçada.

O corpo do marido, Carlos de Sousa, de nacionalidade sul-africana e ascendência madeirense, foi encontrado por uma empregada doméstica na manhã de quarta-feira numa casa de banho nas traseiras da residência.

O da mulher, Ana, de nacionalidade portuguesa, foi encontrado pela empregada num dos quartos da residência.

Uma fonte que pediu anonimato disse à Lusa que um pequeno cofre e uma arma de fogo pertencente às vítimas encontram-se entre os dois artigos furtados pelo presumível assaltante ou assaltantes.

As autoridades, que disseram esta manhã não ter ainda procedido a qualquer detenção, escusam-se a revelar detalhes sobre o duplo homicídio de forma a “não prejudicar as investigações em curso”.

O tenente-coronel Ndou, porta-voz provincial dos serviços de polícia, disse à Lusa que “os investigadores estão a seguir várias pistas e a analisar vários cenários, a partir de provas forenses recolhidas no local, tais como impressões digitais, registos telefónicos e outras”.

O casal, que deixa dois filhos de 25 e 29 anos, possuía uma pequena empresa de construção civil com sede na residência onde vivia e onde o ocorreu o duplo assassínio.

Com este crime, ascende a quatro o número de portugueses e luso-descendentes assassinados desde Janeiro na África do Sul, três dos quais na zona consular de Joanesburgo.

A 1 de Outubro um casal e um filho menor, com 13 anos, foram assassinados no subúrbio de Walkerville, também na zona sul de Joanesburgo. O pai e o filho menor tinham nacionalidade portuguesa, a mãe era sul-africana.

O cônsul-geral de Portugal em Joanesburgo, Carlos Marques, disse à Lusa que “este duplo crime provocou grande consternação” e que todo o apoio consular está já a ser prestado à família.

“Naturalmente que estamos consternados e tristes, mas, apesar do caráter trágico dos acontecimentos, 2011 é, até agora, o ano em que menos portugueses e luso-descendentes foram assassinados na área consular de Joanesburgo desde 1991”, salientou o cônsul-geral português.

“Em nenhuma circunstância, passada ou presente, se verificaram ataques contra portugueses neste país. Os portugueses são é, por vezes, vítimas de uma sociedade que é, em si mesma, violenta. São vítimas das circunstâncias, tais como os sul-africanos em geral”, concluiu Carlos Marques.

Grécia: OPOSIÇÃO DE DIREITA EXIGE DEMISSÃO DE PAPANDREOU



RTP

O líder do partido grego Nova Democracia (oposição de direita), Antonis Samaras, reclamou hoje a demissão do primeiro-ministro socialista, Georges Papandreou, e a realização de eleições legislativas antecipadas na Grécia.

"Disse a Papandreou para se demitir e para avançar para a formação de um governo de transição (...) para a realização de eleições antecipadas", disse Samaras no Parlamento.

"Proponho um governo de transição que dure seis semanas, com pessoas com ampla aceitação, antes de irmos para eleições", afirmou, acusando Papandreou de "fazer chantagem, de mentir e de ficar agarrado ao lugar".

"Pedi a demissão de Papandreou para facilitar a evolução política e dar ao povo poder para decidir, mas ele não se demite", disse Samaras, que após o discurso deixou a sala do Parlamento com os deputados do seu partido.

Segundo um porta-voz da Nova Democracia, esta deverá estar presente na sexta-feira quando for votada a moção de confiança ao governo e votará contra.

*Foto em Lusa

MANIFESTANTES NA UCRÂNIA ENFRENTAM POLÍCIA DIANTE DO PARLAMENTO




CORREIO DO BRASIL, com Reuters - de Kiev

Cerca de 2 mil manifestantes, entre eles veteranos da Guerra do Afeganistão (1979) e refugiados do desastre nuclear de Chernobyl, entraram em confronto com policiais em frente ao Parlamento da Ucrânia nesta quinta-feira, ao protestar contra os planos do governo de cortar o pagamento de indenizações e subsídios.

Centenas de comerciantes e empreendedores de pequenas e médias empresas também estavam entre os manifestantes, que romperam uma barreira de metal para tentar entrar no prédio do Parlamento.

Eles foram afastados por policiais, que colocaram um cordão de isolamento ao redor do prédio. Não houve detenções.

A ex-república soviética está tentando cortar seus gastos orçamentários para cumprir uma promessa feita no ano passado que permitiria ao país retomar o acesso ao programa de US$ 15 bilhões do Fundo Monetário Internacional, mas seus planos de austeridade têm enfrentado forte oposição da população.

O Parlamento ucraniano está analisando uma proposta de lei que permitirá ao governo reduzir o pagamento de compensações e subsídios a pessoas como veteranos da Guerra do Afeganistão e funcionários do setor emergências que trabalharam no local do acidente nuclear de Chernobyl, em 1986.

Os protestos, que agora estão ocorrendo com regularidade, são sintomáticos de uma crescente insatisfação com o programa de austeridade do governo como um todo.

O COMPLEXO DO BEIJA-MÃO




Flávio Aguiar - Correspondente da Carta Maior em Berlim

O colunista da Folha Sergio Malbergier sugeriu que a presidenta Dilma estaria substituindo o “complexo de vira-lata” pelo de “poodle”, ao fazer exigências à União Européia na cúpula do G-20. Na verdade, a crítica do jornalista é um perfeito exemplar de outro complexo tipicamente brasileiro, o "do beija-mão", ideologicamente de direita e que assola a vida nacional desde os tempos coloniais.

Berlim - Muito se tem falado recentemente sobre o “complexo de vira-lata”, metáfora do sentimento brasileiro criada por Nelson Rodrigues, para se referir à política externa brasileira. Hoje, de maneira deselegante, o colunista da Folha Sergio Malbergier sugeriu que a presidenta Dilma Rousseff poderia estar substituindo este complexo pelo de “poodle”, ao fazer exigências à União Européia perante a cúpula do G-20.

A esquerda acusa a direita de “complexo de vira-lata” por esta querer que o Brasil se diminua perante as potências ocidentais. A direita acusa a esquerda do mesmo, e o governo brasileiro, por achar que ambos defendem um “terceiro-mundismo mofado”. Para mim, a razão nestas acusações fica com a esquerda, não com a direita, pelo fato de que, entre ambos os argumentos, coloca-se um outro complexo, que assola a direita em matéria de política externa, que é o "complexo do beija-mão".

O complexo do beija-mão é algo que assola a vida brasileira desde os tempos coloniais, e que consiste em pensar que o que se consegue na vida não se deve aos próprios méritos, mas sim ao favor dos poderosos. É um capítulo interessante da ideologia do favor, que tanto governou e nos governa ainda.

Para esse complexo, é um absurdo o Brasil se mostrar ostensivamente independente das potências ocidentais, a ponto de criticar algumas delas em público, como no caso do G-20, em que a presidenta Dilma vai cobrar medidas mais duradouras e anti-recessivas da bancada européia. É também absurdo o Brasil não se alinhar costumeiramente aos Estados Unidos. Por quê? Porque assim perderemos o beneplácito dos poderosos, e não teremos as vantagens comerciais que poderíamos ter. Como se o mundo comercial de hoje fosse regido por esses favores do beija cá dá lá.

Mas não só isso. Devemos adular também os pequenos emergentes. Para esse complexo, o Brasil errou redondamente ao não se alinhar ao neogoverno da Líbia, porque agora, nas prebendas que serão distribuídas como botim depois do bárbaro linchamento de Gadafi (que deveria ter sido julgado em Haia), não teremos parte alguma. Como se as potências bombardeiras deixassem algum espaço espontâneo para quem beijasse as mãos suas ou de seus apaniguados. A diplomacia brasileira – e nisso acerta – aposta em outra coisa, na multilateralidade de sua abordagem da cena internacional, tanto do ponto de vista comercial como do político.

Porque assim é o mundo contemporâneo: multilateral, não mais bi nem unipolar. É claro que existem considerações de natureza ética na política internacional. Apoiar uma resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre uma “no-fly zone” na Líbia que vai servir na verdade para bombardear um dos lados da questão em detrimento de outro, inclusive para matar o líder desse lado em questão, não é ético. Além disso, não é pragmático: o Brasil perderia o perfil que vem laboriosamente construindo num mundo multi-lateral que inclui, além do Ocidente em crise monetária, fiscal, econômica e política, os BRICS, o G-20, a América Latina, a África subsaariana, o Oriente Médio, para dizer o mínimo e o máximo.

Tudo isso remonta a dizer que o mundo íntimo da nossa direita é completamente anacrônico. Ele não consegue visualizar a estatura que o Brasil atingiu na cena internacional. Também não consegue visualizar a própria cena internacional, que é bem mais complexa do que um jogo de mocinho e bandido ou de gato e rato.

Uma última observação. Toda a ironia tem dois gumes, a gente sabe. É bom lembrar que na época em que Nelson Rodrigues criou a metáfora do “complexo de vira-lata” o modelo ideal de cachorro era o pastor alemão, de triste memória (o modelo ideal, não o cachorro que, deixado a seu instinto, é de índole boa e pacífica).

LOBBIES AMBIENTAL E RURAL DO BRASIL BRIGAM POR INFLUÊNCIA EM WASHINGTON


Sheyla Juruna, Juruna, líder do Movimento Xingu Vivo para Sempre, que se opõe à hidrelétrica de Belo Monte, integrou a comitiva brasileira em Washington – BBC Brasil
CORREIO DO BRASIL, com BBC Brasil- de Washington

A capital norte-americana tem sido palco de uma movimentação intensa de ambientalistas e representantes do agronegócio brasileiro nos últimos dias.

Entre reuniões com autoridades e ONGs (Organizações Não-Governamentais) e entrevistas com a imprensa, esses grupos chegam a Washington com o objetivo de chamar a atenção e buscar apoio para seus setores e suas causas.

-De certa maneira é uma busca por apoio moral, por apoio político, que pode se manifestar de diferentes maneiras, e também por apoio financeiro-, disse à BBC Brasil Andrew Miller, coordenador da ONG Amazon Watch, que intermediou a visita da líder indígena Sheyla Juruna a Washington na semana passada.

Juruna, líder do Movimento Xingu Vivo para Sempre, que se opõe à hidrelétrica de Belo Monte, integrou a comitiva que veio aos Estados Unidos participar de uma audiência convocada pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos, braço da OEA (Organização dos Estados Americanos), sobre a construção da usina.

O governo brasileiro acabou não enviando representantes, e a audiência se transformou em uma reunião informal. No entanto, Juruna e os outros integrantes da comitiva aproveitaram a passagem pela capital norte-americana para manter contatos com ONGs e com a imprensa.

-É preciso conscientizar as pessoas não só no nosso país, mas fora do Brasil também-, disse Juruna.

Mudanças

Na onda de visitas de lideranças e ativistas brasileiros, a mais recente é a da senadora Kátia Abreu (PSD-TO), representante do setor rural e também é presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), que desembarcou nesta semana nos Estados Unidos.

Com paradas em Nova York e Washington, o roteiro inclui reuniões com representantes do Congresso americano, do Banco Mundial e do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), além de encontros com investidores e visitas a universidades.

Nesta quinta-feira, a senadora recebeu jornalistas brasileiros e norte-americanos para um encontro informal, no qual falou sobre o novo Código Florestal do Brasil, do qual é defensora, e reforçou a imagem do agronegócio brasileiro como líder na produção mundial de alimentos, com uso de alta tecnologia e práticas sustentáveis.

Fazer lobby em Washington faz parte da estratégia de diferentes grupos brasileiros há várias décadas, mas o ambiente na capital dos EUA já não é o mesmo.

-Há uma longa história de ativistas brasileiros que vêm por diferentes razões. Como Chico Mendes, nos anos 80-, lembra Miller. ”Mas a dinâmica mudou muito desde os anos 80. Por exemplo, o papel que o Banco Mundial tem no Brasil é menor do que costumava ser. O Brasil é hoje uma potência emergente, uma potência econômica e política”, afirma.

Importância

Apesar das mudanças, a cidade continua sendo considerada crucial na busca de aliados para as mais diversas causas.

Além do Congresso e da Casa Branca, Washington abriga diversas ONGs e centros de estudos influentes. Há, também, o apelo da imprensa estrangeira.

-A cobertura da mídia nacional (no Brasil) é importante, mas a cobertura internacional também é muito importante, no sentido de legitimar a causa-, afirma Miller.

Segundo ele, porém, o lobby em Washington só será bem-sucedido se tiver o apoio de um movimento de base no Brasil.

-Sem esse mandato no nível local, os esforços feitos aqui em Washington não funcionam-, diz.

Lobby

Ao contrário do Brasil, onde o termo lobby chega a ser considerado pejorativo por alguns, nos Estados Unidos a atividade é comum.

-Aqui o lobby é um processo completamente transparente-, disse à BBC Brasil Letícia Phillips, representante da UNICA (entidade que representa o setor de açúcar e etanol no Brasil) em Washington.

Há três anos na UNICA e há uma década nos Estados Unidos, Phillips trabalha pelo fim da tarifa de importação e dos subsídios ao etanol nos Estados Unidos, que prejudicam os brasileiros.

Como lobista registrada no Congresso norte-americano, ela é obrigada a prestar contas de suas atividades periodicamente, esclarecendo com quem manteve contatos, sobre que questões tratou e quanto gastou.

Uma das únicas representantes do Brasil a fazer lobby profissionalmente nos EUA, Phillips enfrenta o desafio de, como ela mesma diz, “contar a história do ponto de vista dos Estados Unidos, de como (derrubar a tarifa) vai ser bom para o público norte-americano”.

Investimento

Segundo a representante da UNICA, ainda há muito desconhecimento no Congresso em relação ao Brasil, e um grande espaço para os brasileiros investirem em lobby nos Estados Unidos.

Phillips alerta, no entanto, que a atividade requer bastante investimento.

Mesmo no caso das viagens esporádicas, o investimento é grande.

-É um esforço enorme, não apenas financeiro, mas até emocional-, diz Miller, ao comentar a viagem da comitiva que viajou a Washington para a reunião sobre Belo Monte. ”Mas o fato de que as pessoas continuam vindo para cá mostra que existe pelo menos uma percepção de que é um investimento válido”, afirma o integrante da Amazon Watch. ”Os resultados concretos desse investimento, porém, são mais difíceis de medir.”

Brasil: O ÍNDICE DE CRIMINALIDADE É ALTO PORQUE O CONGRESSO É FROUXO!





Convenientemente frouxo. Isso mesmo, frouxo, covarde, com poucas exceções de parlamentares que nem conseguem erguer a voz para defender a sociedade que morre todos os dias nas mãos de quem deveria estar na cadeia. Isso mesmo, cadeia e esta foi criada para isolar do seio da sociedade elementos incapacitados de obedecerem às regras da coexistência pacífica, esse é o objetivo primordial da prisão e não a recuperação do preso, isso é assunto interno, se houve bom comportamento durante o confinamento, que receba os benefícios lá dentro e não usufruindo uma liberdade à qual não tem direito.

Não só a composição atual das duas Casas legislativas deixa a desejar, essa pasmaceira vem desde suas raízes pois não havia o menor interesse em punir ou segregar o indivíduo que não sabia se comportar em grupo, diferentemente de outras espécies onde quem não obedecer às regras fica isolado, como se pode observar em vários estudos de bandos de felinos, primatas, insetos,etc.

Por falar em animais, o Homem é um primata, infelizmente tivemos uma formação cultural alicerçada na religião, o que nos levou ao antropocentrismo, um erro fenomenal para o desenvolvimento humano, tivéssemos ouvido Darwin a situação seria outra.


Se tivéssemos estruturado uma sociedade em busca da sobrevivência o que não ocorreu na formação desse país que ainda busca ser uma Nação, teria sido diferente, contudo, ao contrário, a base da nossa cultura de grupo foi a farinha é pouca meu pirão primeiro, a terra do Pau Brasil era uma fonte inesgotável de recursos naturais, simples campo de exploração, cada um querendo seu quinhão; fomos mercantilistas, mercenários desde a primeira pegada em solo tupiniquim, daí pro levar vantagem em tudo foi um passo, uma filosofia reinante até os dias de hoje.

Mas voltemos ao ano de 2011, uma calamidade pública, um desastre social resultante do paternalismo dos políticos que se acovardam diante da necessidade de políticas públicas de segurança mais enérgicas, sérias, onde a realidade não pode ser descartada para dar lugar à demagogia.

Vivemos o pavor de sair às ruas, vivemos atrás de grades, estamos assistindo diariamente mortes estúpidas e assassinos soltos sob as mais variadas alegações, todas acobertadas por um Código Penal do tempo que vovó era virgem adornado pela Lei de Execuções Penais que premia o criminoso, abre brechas, rombos para autenticar a impunidade… e o Congresso de frouxos nada faz a não ser correr atrás das tais verbas orçamentárias, grana essa que chega aos municípios – nas bases eleitorais – o princípio que dá origem à grande corrupção em sua totalidade, tudo começa nessa esfera onde estão os eleitores e a chave é essa… os eleitores, por que aborrecê-los com regras sociais que permitam uma coexistência harmoniosa? É melhor construir uma imagem de bonzinho e ganhar votos, assim como os pais que não impõem regras, no entanto, criam problemas para o futuro dos filhos.

Alguns conceitos devem ser revistos, revisados, corrigidos como no caso do auxílio reclusão, progressão de pena, réu primário(?) indultos de um modo geral e o tal de ECA deve ser revogado, incendiado e excomungado, para que não precisemos criar uma Justiça paralela.

Até quando a classe média vai ser a vítima nessa transação financeiro-eleitoral onde o muito rico não vai pra cadeia porque é muito rico e o muito pobre não vai pra cadeia porque representa uma classe numerosa em número de votos?
Pois é, entre o mar e o rochedo, a classe média se esfola toda.

É nisso que dá viver num dos dez países mais corruptos do mundo, país sem líderes, sem macho que tenha coragem de enfrentar o seríssimo caos que a impunidade está causando onde professores são agredidos, espancados, “dimenores” usando e abusando da excessiva liberdade de empunhar uma arma e matar sem nenhuma punição.

A sociedade pode e deve reagir.

*Marli Moraes, carioca da gema, é dona de casa, presidente da Resgato, sociedade civil sem fins lucrativos e ativista pelos direitos dos animais. http://resgato.blogspot.com - http://ongresgato.blogspot.com

O que mais impressinou foi a motivação do crime, diz promotora responsável pela acusação




DESTAK - LUSA

A promotora de Justiça responsável pelo pedido de prisão preventiva de Duarte Lima no Brasil afirmou hoje que o que mais a impressionou no caso do assassinato de Rosalina Ribeiro foi a motivação do crime.

"Achei muito desproporcional ele ter feito o que fez por seis milhões de euros - que é uma quantia muito considerável - mas que, para uma pessoa do porte dele, pela riqueza que tem, pelo estilo de vida sofisticado que tem e sendo uma figura pública, achei muito desproporcional", declarou a promotora Gabriela de Aguillar Lima.

Em conferência de imprensa realizada hoje, no Rio de Janeiro, a promotora comentou pela primeira vez o teor das provas colhidas pela Polícia do Rio de Janeiro, nas quais baseou a decisão do pedido de acusação e prisão preventiva contra o ex-deputado.

Duarte Lima foi acusado pela justiça brasileira de ter matado Rosalina Ribeiro, que foi secretária e companheira do milionário português Lúcio Tomé Feteira. Na terça-feira passada foi pedida a prisão preventiva do ex-deputado.

Segundo a responsável, as primeiras explicações enviadas por Duarte Lima, via fax, à Justiça brasileira, "caíram por terra" com provas técnicas como imagens da câmara de segurança do hotel onde estava Rosalina e de documentos que confirmaram que esteve no local um dia antes do crime, ao contrário do que havia afirmado à polícia inicialmente.

"[O que Duarte Lima disse inicialmente] caiu por terra por outras provas técnicas que também foram bem aliadas e que mostraram que tudo o que ele falou não conferia", afirmou a promotora, a exemplificar os principais pontos de incoerência.

"Disse que deixou a senhora Rosalina num hotel, em Maricá, na companhia de outra senhora chamada Gisela, ou Gisele, e as câmaras do hotel não confirmaram isso. Também foi feito contacto com donos do hotel e não havia nenhuma hóspede que se chamasse Gisele, nem nenhuma pessoa que tivesse relação com a senhora Rosalina", ressaltou.

Numa outra altura em que a polícia do Rio de Janeiro tentou entrar em contacto com Duarte Lima, o ex-deputado terá dito que estava protegido por sigilo profissional, o que não era verdadeiro.

"Efectivamente ele nunca foi advogado da senhora Rosalina, não havia nenhuma procuração outorgada pela senhora Rosalina ao Duarte Lima, então ele não estava acobertado por nenhum sigilo profissional", explica.

De acordo com Gabriela, Duarte Lima, noutro momento, recusou falar à polícia alegando que, como suspeito, deveria ter tido acesso ao processo. A promotora observa, no entanto, que até então isso não havia ocorrido porque ele próprio se dizia apenas testemunha e não suspeito.

"Foram vários mecanismos com os quais ele, na verdade, só atrapalhou a investigação e, na medida em que atrapalhava, fazia com que as suspeitas recaíssem cada vez mais sobre a sua pessoa", reforçou.

O Ministério Público brasileiro defende que Duarte Lima terá assassinado Rosalina Ribeiro por esta se recusar a assinar um documento a negar um depósito de 5,2 milhões de euros na sua conta bancária.

Rosalina Ribeiro foi morta a 07 de Dezembro de 2009. Inicialmente foi dada como desaparecida e só depois foi encontrada morta com dois tiros em Saquarema, na região dos Lagos, no estado do Rio de Janeiro.

À data do crime, Duarte Lima era advogado de Rosalina Ribeiro num processo de disputa da herança de Lucio Tomé Feteira.

Segundo fontes judiciais, Duarte Lima, antigo presidente do grupo parlamentar do PSD, pode ser julgado em Portugal se as autoridades brasileiras o pedirem, ou à revelia, uma vez que Portugal não extradita cidadãos nacionais.

Ministro da Administração Interna português efetua visita de trabalho e participa...




... em Fórum Ministerial da CPLP

EL - LUSA

Luanda, 03 nov (Lusa) - O ministro da Administração Interna Miguel Macedo inicia hoje, em Luanda, uma visita de trabalho a Angola, no decurso da qual participará no II Fórum Ministerial da Administração Interna dos estados-membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).

O primeiro dia da visita é inteiramente dedicado às relações bilaterais no setor da Administração Interna, com visitas a diversos departamentos tutelados pelo Ministério do Interior angolano, e culmina com a assinatura de um protocolo de cooperação bilateral.

Após o encontro com o seu homólogo angolano, Sebastião Martins, o governante português participa na reunião ministerial bilateral, que inclui responsáveis da polícia, do Serviço Nacional de Protecção Civil, Serviços de Estrangeiros e Fronteiras e investigação.

Ao final do primeiro dia, Miguel Macedo, já na Embaixada de Portugal, depois de reunir-se com o embaixador Francisco Ribeiro Telles, participa num encontro com os professores/instrutores portugueses em missão em Angola.

O segundo dia da visita de Miguel Macedo a Angola é dedicado à cooperação a nível da CPLP, com a participação no IIº Fórum de Ministros da Administração Interna dos Países da CPLP.

Neste fórum, os ministros dos oito estados-membros da CPLP - Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste -, vão debater a aplicação da Declaração do I Forum de Ministros da Administração Interna dos Países da CPLP e do Protocolo de Cooperação entre os Países da CPLP no domínio da Segurança Pública.

Os trabalhos, que encerram ao fim do dia com a assinatura da Declaração de Luanda e divulgação do comunicado final, vão ainda incidir sobre as conclusões das reuniões dos Chefes de Polícia, Diretores/Comandantes dos Serviços de Protecção Civil e Bombeiros e Diretores de Migração e Fronteira dos Países da CPLP, que reúnem hoje na capital angolana.

A apresentação e aprovação da Constituição da Plataforma de Riscos e Desastres da CPLP e da Plataforma Tecnológica para o Combate à Imigração e Tráfico de Seres Humanos e a apresentação e aprovação da Constituição dos Conselhos de Protecção Civil e Serviços Prisionais, são os restantes pontos da agenda de trabalhos.

Ministro do Interior de Angola defende coordenação da CPLP no combate ao crime organizado




EL - LUSA

Luanda, 03 nov (Lusa) -- O ministro do Interior angolano defendeu hoje a importância da cooperação, coordenação e concertação de esforços no seio da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) no combate à criminalidade.

Sebastião Martins, que intervinha na sessão de abertura dos trabalhos da VI Reunião do Conselho dos Chefes de Polícia da CPLP, defendeu que somente a coordenação de esforços pode combater o crime organizado que, frisou, "se tornou um negócio com dimensão global e impacto macroeconómico".

A atividade do crime organizado através da proliferação dos cartéis de droga, do tráfico de armas, da pirataria marítima e informática, do contrabando e da lavagem de dinheiro constitui mesmo "uma ameaça à segurança e paz mundial".

É ainda uma ameaça "ao bem-estar das nações e dos povos, já que cria instabilidade que afasta investimentos, criando um círculo vicioso que alimenta conflitos, fomenta a pobreza em massa, subverte economias e fragiliza sistemas democráticos e de direito, contribuindo também hoje para o agravamento dos danos ambientais", acrescentou.

Nesta VI Reunião do Conselho dos Chefes das Polícias da CPLP, Angola assume a presidência deste órgão, com o comandante-geral da Polícia Nacional de Angola, Ambrósio de Lemos, a substituir no cargo o seu homólogo moçambicano, Jorge Henrique da Costa Khálau.

Os trabalhos prosseguem ao longo do dia e da agenda de trabalhos constam a avaliação da situação de criminalidade nos países da CPLP, a análise e adoção dos relatórios das comissões dos peritos ligadas à Investigação Criminal, Prevenção e Combate à Imigração Ilegal e Tráfico de Seres Humanos, Rede de Mulheres Polícia da CPLP, Comissão de Armas e Explosivos, terminando com a aprovação do comunicado final.

Moçambique: GREVE NA AÇUCAREIRA DE XINAVANE POR AUMENTOS SALARIAIS




LAS - LUSA

Maputo, 03 nov (Lusa) - Trabalhadores da açucareira de Xinavane, na província de Maputo, sul de Moçambique, encontram-se desde terça-feira em greve, exigindo que sejam cumpridos os aumentos salariais que dizem terem sido prometidos em julho passado.

Segundo um dos grevistas, citado pelo jornal Notícias, de Maputo, a administração da empresa terá prometido pagar as atualizações no mês de outubro mas não o fez.

A açucareira de Xinavane, a 140 quilómetros a nordeste de Maputo e uma das principais de Moçambique, é detida em 88 por cento pelo grupo sul-africano Tongaat Hulett e tem uma capacidade de produção de 206 mil toneladas num período de 32 semanas de moagem de açúcar.

Os trabalhadores criticaram igualmente o sindicato do setor, acusando-o de não fazer nada" e de se ter colocado "ao lado do patronato".

O sindicato e a administração da açucareira não se mostraram disponíveis para comentarem a situação.

Segundo o Notícias, na quarta-feira a polícia foi chamada ao local, depois dos operários terem ameaçado destruírem o equipamento fabril.

JULIAN ASSANGE “CRUCIFICADO” PELO SEU IDEAL DE VERDADE - mãe de Assange




DM – BM - LUSA

Sidney, Austrália, 03 nov (Lusa) - O fundador do portal WikiLeaks, Julian Assange, que viu ser-lhe recusado o recurso contra um pedido de extradição das autoridades suecas na terça-feira foi "crucificado", afirmou hoje a sua mãe.

Segundo Christine Assange, o homem que fez tremer os Estados Unidos ao publicar na internet documentos classificados do exército norte-americano e cerca de 250 mil telegramas diplomáticos, tendo sido alvo de perseguição por ter defendido o seu ideal de "verdade e de justiça".

Christine Assange encontra-se na Austrália, tendo já solicitado a Camberra a negociação de um acordo com Estocolmo com vista a obter a garantia por parte das autoridades suecas de que o filho não será extraditado para os Estados Unidos, onde pode ser julgado por espionagem.

"Ensinei o meu filho a dizer a verdade, a crer na justiça. Ele foi criado a pensar que vivemos numa democracia onde ele estava para reparar qualquer injustiça que testemunhasse", declarou, ao acrescentar que hoje já não acredita nisso.

Em caso de acordo, "eu não creio que Julian iria para a Suécia sem contestar" a sua extradição, disse, ao sustentar que o que Assange teme é a justiça norte-americana. Também o advogado do fundador do WikiLeaks, Geoffrey Robertson, exortou a Austrália a exercer o seu "dever de ajudar os australianos em perigo perante tribunais estrangeiros".

O tribunal superior britânico recusou na terça-feira o recurso do fundador do portal WikiLeaks contra um pedido de extradição das autoridades suecas por alegações de violação.

Dois juízes tornaram pública a decisão, três meses e meio após as audiências no mesmo tribunal, perante o qual Assange refutou novamente as acusações de coerção sexual e violação por parte de duas mulheres suecas.

A sentença confirma a deliberação do tribunal de Belmarsh, em primeira instância, de dar provimento em fevereiro ao mandado de detenção europeu emitido pela justiça sueca.

O australiano de 40 anos tem agora 13 dias para pedir um recurso ao Supremo Tribunal britânico, mas só se este considerar que a questão é de "importância pública".

Na eventualidade de ser rejeitado pelo tribunal de última instância, a lei determina que a extradição para a Suécia seja efetuada no espaço de dez dias.

Julian Assange pode ainda pedir que o caso seja analisado pelo Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.

O australiano encontra-se sob medidas de coação que implicam o uso de uma pulseira eletrónica e que permaneça numa residência no oeste de Inglaterra, a cerca de 200 quilómetros de Londres.

A TROPA-FANDANGA DO REINO LUSITANO




ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA*

“O que é que se vai fazer com esta cambada, de 14, 16, 20 anos que anda por aí à solta? Nada, nenhum patrão capaz vai querer esta tropa-fandanga”.

Quem disse isto? Não, não foi José Sócrates (mas poderia ter sido) nem Pedro Passos Coelho (mas poderia ter sido). Quem assim falou foi, em Dezembro de 2009, Medina Carreira.

Nua visão correcta deveria, digo eu, referir também aqueles patrões, políticos, empresários, gestores, deputados (e não são tão poucos quanto isso) que para contarem até 12 têm de se descalçar.

Ou, ainda, aqueles a quem o Euromilhões do partido bateu à porta e compraram uma rádio para só passar fandango...

Quanto aos jovens, não creio que saiam da escola sem saber ler e escrever. Tenho exemplos perto que me dizem o contrário. Creio, aliás, que se todos soubessem ler e escrever bem, Portugal teria alguma dificuldade em ter deputados, por exemplo.

Os analfabetos funcionais (sabem ler e escrever mas não lêem nem escrevem) não são propriamente a tal cambada de 14, 16 ou 20 anos. São, isso sim, os pais de muitos desses jovens que os educaram num sistema do vale tudo, nem que seja para ter uma coluna vertebral amovível.

São os que hoje pululam na Assembleia da República, nos ministérios, e nas delegações privadas dos partidos do governo, caso das administrações das empresas públicas, dos institutos públicos, das fundações etc.

Mas, dando o benefício da dúvida a Medina Carreira, importa dizer que a muitos dos patrões, como dos políticos, “made in Portugal”, interessa exactamente que os jovens sejam a tal “tropa-fandanga”.

E quando esses jovens não aceitam ser “tropa-fandanga”, lá vão penar (mesmo com um curso superior) como motoristas de táxi, como “embrulhadores” de compras numa loja de um qualquer centro comercial, ou como autómatos nos call-centers.

É que, para os donos do poder (económico e ou político), ter como empregado alguém que, ao contrário do patrão, assine documentos sem ter de pôr a impressão digital... é uma chatice.

E como se isso não fosse suficiente, o que muitos desses donos do poder querem não é gente que saiba mais, que faça melhor. Querem autómatos incultos, de coluna vertebral amovível, de formação medíocre que, para além de serem baratos, façam tudo sem questionar seja o que for.

* Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

Título anterior do autor, compilado em Página Global: NO TOP 50 DOS MAIS DESENVOLVIDOS É OBRA!

Portugal: PS diz que o Governo criou uma "folga" superior a mil milhões de euros




JORNAL DE NOTÍCIAS

O grupo de trabalho do PS para análise dos dados orçamentais concluiu que o Governo tem uma folga seguramente superior mil milhões de euros na sua proposta de Orçamento do Estado para 2012.

As conclusões deste grupo de trabalho designado pelo secretário-geral socialista, António José Seguro - e do qual fazem parte os deputados Pedro Marques, João Galamba e Pedro Nuno Santos - serão debatidas hoje, durante a reunião da Comissão Política do PS.

Fonte da direcção do PS adiantou à agência Lusa que os mais recentes dados disponibilizados pelo Governo sobre a natureza e dimensão do desvio orçamental de 2011 e sobre a necessidade de receitas adicionais em 2012 pouco ou nada mudaram em relação às convicções iniciais dos socialistas.

"Continuamos a acreditar que o Governo empolou o desvio orçamental deste ano seguramente em mais de mil milhões de euros e que a folga prevista no Orçamento é quase equivalente à receita líquida resultante dos cortes nos subsídios de férias e de Natal aplicados ao sector público", sustentou o mesmo dirigente do PS.

Segundo as estimativas do PS, dos 3,4 mil milhões de euros de alegado desvio nas contas deste ano, mil milhões são irrepetíveis em 2012, porque se referem aos "buracos" da Madeira e do BPN (Banco Português de Negócios).

Dos 2,4 mil milhões de euros restantes, o PS manifesta também dúvidas em torno de 600 milhões de euros referentes a uma projectada quebra de contribuições para a Segurança Social e à não distribuição de dividendos do Banco de Portugal e da Caixa Geral de Depósitos.

Ainda neste ponto, os socialistas dizem que ainda não foi fornecida qualquer explicação objectiva para uma estimativa de aumento de despesas com pessoal na ordem dos 270 milhões de euros, admitindo apenas que esse valor possa atingir no máximo os 100 milhões de euros.

Em relação à proposta de Orçamento para 2012, o PS advoga que as cativações previstas pelo Governo, na ordem dos mil milhões de euros, fazem já na sua totalidade parte das previsões de défice para o próximo ano - prática que não era seguida pelo executivo anterior.

Desta forma, se o ministro de Estado e das Finanças, Vítor Gaspar, apenas autorizar desbloquear 50 por cento do total de verbas cativadas, haverá uma folga na ordem dos 500 milhões de euros.

O PS aponta ainda um "empolamento" nas projecções sobre a queda de receita fiscal em 2012, já que o cálculo do Governo é de 2,4 por cento de quebra de receitas por cada um por cento de descida do PIB (Produto Interno Bruto).

"A OCDE estima que por cada ponto percentual de quebra do PIB a receita fiscal caia no máximo 1,7 por cento. Por isso, este exagero do Governo justifica-se ou por uma necessidade de sobrestimar a quebra de receitas fiscais ou por uma necessidade de subestimar a recessão em Portugal no próximo ano", sustentou um dirigente socialista.

> Mais Portugal

Portugal: Governo defende "estratégia criminosa" de empobrecimento - Carvalho da Silva



LUSA

O secretário-geral da CGTP, Carvalho da Silva, criticou hoje o Governo por defender uma estratégia de empobrecimento da sociedade portuguesa, classificando-a de "criminosa".

"O Governo assumiu como estratégia a necessidade do empobrecimento da sociedade portuguesa e isto é criminoso. Nós dizemos que está por demonstrar, nas sociedades humanas, que alguém possa cumprir com as suas obrigações [compromissos e dívidas] empobrecendo", justificou o líder sindical num fórum de debate, em Lisboa.

Carvalho da Silva, que falava no Encontro sobre o Estado, Administração Pública e Direitos Sociais, organizado pela CGTP, realçou que "o empobrecimento não melhora a vida" dos portugueses.

*Foto EPA

RAPIDINHAS DO MARTINHO – 60




MARTINHO JÚNIOR, Luanda

ESQUECERAM QUE A TERRA É A NOSSA MÃE

A aristocracia financeira mundial teve ao longo de gerações uma educação desajustada ao sentido da vida: todo o engenho e arte do seu estro e da sua posição de liderança nos processos capitalistas mundiais foram colocados ao sabor dum voraz apetite de lucro, “lucro a qualquer preço”, um lucro que está a provocar desequilíbrios humanos e ambientais insuportáveis.

Dois continentes têm sido alvos especiais dessa voracidade e da rapina que isso provoca: África e América Latina.

As violências que têm sido causadas foram ocorrendo de há mais de 500 anos a esta parte e hoje o espectro da guerra, por mais esclarecidos que sejam os dirigentes africanos na vocação de paz, continua bem presente, pendendo sobre as cabeças de todos nós.

A especulação do lucro está agora esventrada sobre a mesa da crise: enquanto as sociedades europeias periféricas são sacudidas pela convulsão que tende a salvar os bancos e sacrificando os povos, desenha-se o que pode ser o corolário das guerras que têm dilacerado o Médio Oriente e África, o ataque ao Irão!

Uma corrente do cristianismo marginalizada pelo Vaticano, assumiu uma posição, de há décadas, em relação aos fenómenos inerentes à lógica capitalista nesta fase de império, bebendo das filosofias dos povos ameríndios subjugados e não das elites globais.

Em resultado da encruzilhada em que se encontra a humanidade e a Terra, o século XXI, é um século em que à beira do abismo a humanidade tem a oportunidade de assumir as mais críticas decisões acerca de sua própria sobrevivência e do planeta.

Todos nós, seres humanos individuais, estamos de passagem na forma e nos conteúdos que nos deram vida, mas temos uma faculdade imensa: a percepção da necessidade de deixar garantias a todos aqueles que nos seguirão, às gerações futuras, a todos os seres e à Mãe Terra!

Recorde-se a entrevista de Leonardo Boff na Nicarágua, conforme divulgação do Adital, a 8 de Janeiro de 2010 (http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?boletim=1&lang=ES&cod=45728), na esteira do Projecto de Declaração Universal dos Direitos da Mãe Terra:

“La idea de fondo es que la Tierra no necesita de nosotros, nosotros necesitamos de la Tierra.

La Tierra puede seguir adelante tranquilamente sin nosotros; pero el problema es las relaciones que tenemos con la Tierra, que es una relación de explotación, de agresión, de total falta de cuidado.

Entonces lo primero que hay que hacer, y sin el cual las demás medidas no tendrán eficacia, es cambiar nuestra mirada con respecto a la Tierra.

Entender la Madre Tierra como un baúl de recursos que uno puede explotar, sin entender la Tierra como fue definido oficialmente, proclamado en la ONU el 22 de abril de 2009: que la Tierra no solamente es Tierra que uno puede comprar, vender, manipular; que la Tierra es Madre, y una Madre no se compra, no se vende, no se manipula, sino que se cuida, se ama, se protege”…

Apesar dessa corrente vital de pensamento e de acção ser quase desconhecida em África, as elites intelectuais africanas vão dando sinais, em vários domínios, de entenderem os desequilíbrios, as manipulações e as ingerências de que África está sujeita e começam a procurar uma saída, que passam inevitavelmente pela redescoberta das capacidades próprias africanas, como pelo renascimento imprescindível ao continente.

Numa intervenção em Luanda, um historiador e professor da Universidade Agostinho Neto, (http://www.portalangop.co.ao/motix/pt_pt/noticias/africa/2011/10/44/Crises-causadas-por-falta-democracia-apetencia-potencias-estrangeiras,d3021c45-0f08-43bb-9cfc-35abcab6a4e9.html), coloca com sentido de oportunidade à visibilidade pública uma das tensões que mais tem dificultado o aprofundamento da democracia em África:

“O historiador Jean Martial Arséne Mbah defendeu hoje (terça-feira), em Luanda, que as crises em África são causadas por factores internos (falta de democracia) e externos interesses das potências estrangeiras na espoliação das riquezas do continente.

Entrevistado pela Angop para aflorar a actual situação politica e económica do Continente, a fonte sustentou que na altura das independências africanas na década de 60 do século XX, havia uma certa democracia nos países francófonos, como experiência trazida pelos adventos do pós segunda guerra mundial.


Lamentou que essa democracia tenha sido abolida pela França do general Charles De Gaulle, a partir de 1958, que não tolerava o sistema multipartidário nas suas possessões africanas, instalando governos que tinham legitimidade estrangeira, daí os golpes de Estado no Togo, Mali, e noutros países, onde foram derrubados os pais das independências.

Frisou que situação similar se viveu com a morte do presidente Léon Mba, no Gabão, em 1967, tendo a França optado pelo então vice-presidente do país, Omar Bongo.

É nessa fase que se instaura os partidos únicos em todo continente africano, lamentou o também professor de Metodologia e Investigação da História Africana do Instituto Superior de Ciências de Educação (ISCED) e Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto.

Acrescentou que também que foi um período excepcional no continente pelo facto dos partidos únicos, então existentes, serem incapazes de resolver os problemas sociais e económicos dos seus povos.

Por isso, com o surgimento de crises políticas no leste europeu, nos anos 80, e a consequente queda do comunismo, regressou-se, outra vez, ao pluralismo político em África, o que forçosamente não significou a entrada do continente numa era democrática ou a instalação da democracia, disse.

A democracia para mim é o exercício do poder pelo povo, é um sistema no qual as populações devem participar na gestão dos assuntos públicos como actores e não telespectadores, enfatizou Jean Mbah.

Para o docente universitário, registou-se nessa fase uma mudança de atitude das potências estrangeiras em relação aos países africanos, a França que não apoiou o processo de democratização no continente, foi obrigada acompanhar a criação do sistema multipartidário impulsionado pelos Estados Unidos, com base nos seus interesses.

De acordo com o historiador os Estados Unidos não defendiam que a África fosse democrática, mas com o fim da guerra-fria os americanos queriam ocupar o terreno deixado pelos soviéticos e a França que acompanhava o processo conseguiu que fossem derrubados os líderes que se opunham a sua política no continente.

É assim que perderam o poder Moussa Traoré, do Mali, Didier Rastiraka, no Madagáscar, Denis Sassou Nguesso, no Congo, Mathieu Kerekou, no Benin, entre outros.

A influência francesa foi mais notória no caso do Congo que depois da eleição de Pascal Lissouba, este foi derrubado quando tentou modificar os interesses petrolíferos da França.

Situação similar, segundo a fonte, ocorreu recentemente na Côte d'Ivoire, com o presidente Laurent Gbagbo, que foi apeado no poder por tentar alterar as relações do neocolonialismo naquele país da África do oeste”.

A França para além do seu papel de potência colonial, manteve capacidades decisivas de ingerência em África nos termos do neo colonialismo, em prejuízo do aprofundamento da democracia cidadã e da participação de todos, inclusive na gestão dos assuntos geo estratégicos que se prendem com os interesses eminentemente africanos.

O holocausto no Ruanda, que se tem estendido aos Grandes Lagos e às convulsões que chegaram a Angola, prendeu-se ao contencioso entre a França e o “modelo” de hegemonia anglo saxónica e agora as responsabilidades históricas e humanas são uma vez mais imputadas só aos africanos pelas próprias elites africanas!

Perdidos nas manipulações, são essas próprias elites políticas africanas no poder que se deixam contagiar pelo ambiente e escondem os factores externos da ingerência e da manipulação, talvez por que subconscientemente percebem que se abrirem publicamente voz, por inteiro e corajosamente, é a sua própria sobrevivência que está desde logo em causa.


“Burundi.

Governo considera FDLR e LRA potenciais ameaças à segurança nos Grandes Lagos

Bujumbura– O primeiro Vice-Presidente do Burundi encarregue das Questões de Segurança, Políticas e Administrativas, Thérence, declarou segunda-feira, em Bujumbura, que as Forças Democráticas para a Libertação do Rwanda (FDLR, rebelião rwandesa) e o Exército de Resistência do Senhor (LRA, rebelião ugandesa) são as ameaças potenciais à segurança na região dos Grandes Lagos.

Thérence fez esta declaração quando intervinha durante a cerimónia de abertura de uma reunião de responsáveis dos serviços de inteligência de 11 países membros da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos (CIRGL) iniciada segunda-feira na capital burundesa.

A CIGRL agrupa Angola, Burundi, Congo, República Centro Africana, República Democrática do Congo, Quénia, Rwanda, Sudão, Tanzânia, Uganda e a Zâmbia”.

Os africanos ousam condenar a FDLR, sem condenar seu instigador externo, a França!

Na sequência das contradições entre as potências em África (que é também a história da rapina contemporânea de África), na esteira da hegemonia que “defende” o império, quando um governo conservador e liberal como o de Sarkozy se assumiu, a França foi capaz de mais um oportunismo atroz: integrar o pelotão de ataque à Líbia, desprezando as tímidas tentativas africanas de resolver os contenciosos da crise pela via de manutenção da paz com diálogo, com reconciliação e com a abertura à possibilidade de estabilidade emocional, psicológica, social, económica e política!

A França mentora de colonialismo, a França mentora de neo colonialismo ainda que recorrendo à ausência de democracia e agora a França recorrendo a todo o tipo de oportunismos, recorrendo à construção do império e à fragilização dos povos!

Para os povos de todo o mundo a fronteira está bem visível e mesmo que os poderosos continuem a entender a humanidade e o planeta como a “cosa nostra” do seu egoísmo pérfido, manipulador e mortífero, a busca de equilíbrios em benefício de todos e da Mãe Terra é o único caminho digno, saudável e garante de renascimento, pelo que a paz com essa consciência, é uma fonte de inspiração inesgotável que merece ser cultivada na profundidade do século XXI em toda a África como em todos os continentes!

Que a lição seja bem digerida por todos os serviços de inteligência dos países que compõem o CIGRL!

PAZ SIM, NATO NÃO!