domingo, 1 de maio de 2011

ONU APELA A AJUDA ÀS VÍTIMAS DE SECA NA ETIÓPIA




ÁFRICA 21, com agência

As agências advertem para o risco acrescido do surto da epidemia causada pela seca nestes últimos anos.

Nova Iorque - O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA) lançou sexta-feira um apelo para uma assistência acrescida a cerca de dois milhões de pessoas atingidas pela seca na Etiópia. O OCHA indicou num comunicado citado pela Panapress que a seca que assola este país deverá persistir até à próxima estação das chuvas em outubro.

O mesmo organismo ressaltou que "a água é encaminhada por camiões cisternas para residentes das baixas terras no sul e sudeste do país afetados pela seca''.

A entidade disse igualmente que as agências de ajuda da Organização das Nações Unidas (ONU), com a colaboração das autoridades nacionais e organizações não governamentais (ONG), distribuem víveres aos lares necessitados e fornecem cuidados de saúde, serviços veterinários e pastos de gado.

As agências advertem para o risco acrescido do surto da epidemia causada pela seca nestes últimos anos, indicou o comunicado.

O Governo etíope lançou um apelo para uma assistência humanitária estimada em 75 milhões de dólares em abril e maio, enquanto as agências da ONU e seus parceiros pediram mais recursos para enfrentar as necessidades crescentes e alargar as operações nos próximos meses a fim de evitar grandes intervalos no fornecimento da ajuda.

O OCHA disse que "as recentes perturbações no Médio Oriente e na África do Norte levaram à baixa do nível da procura em termos de exportações de gado, reduzindo deste modo os recursos das comunidades afetadas''.

**As informações são da Panapress.

Brasil – SEM PROFESSOR SÓ MILAGRE




ARNALDO NISKIER* - ÁFRICA 21

Como se fosse uma grande novidade, certas correntes da imprensa buscam elementos para provar que só os salários não resolvem. É preciso muito mais. Disso estamos cansados de saber...

A ideia é nobre e merece aplausos: ministrar ensino técnico a 3,5 milhões de trabalhadores brasileiros até o ano de 2014. A presidente Dilma Rousseff, com o seu Pronatec, pretende oferecer 500 mil vagas para jovens só em 2011, com ênfase nos setores considerados os mais frágeis do ponto de vista da apropriação de recursos humanos: construção civil (com a ampliação do PAC), serviços (especialmente hotelaria e gastronomia, com as grandes competições internacionais que o país receberá nos próximos anos) e Tecnologia da informação.

O tema foi amplamente discutido no Conselho Técnico da Confederação Nacional do Comércio, sob a liderança do ex-ministro Ernane Galvêas. Falou-se em conteúdo curricular, na criação de novas escolas e na reforma das existentes, na montagem de laboratórios com características modernas, mas lá pelas tantas duas vozes se levantaram para clamar pela prioridade absoluta: o professor.

Tanto o ex-ministro Célio Borja quanto o professor José Arthur Rios foram bastante enfáticos. Se não houver um professor bem preparado e devidamente estimulado, os esforços cairão no vazio, por absoluta falta de consistência.

Como se fosse uma grande novidade, certas correntes da imprensa buscam elementos para provar que só os salários não resolvem. É preciso muito mais. Disso estamos cansados de saber, pois o dinheiro no final do mês, sozinho, não transforma um professor despreparado num mestre eficiente. É um conjunto de fatores, que talvez comece mesmo nas escolas de formação de professores, que continuam deixando muito a desejar. Temos todos saudade dos tempos das escolas normais, com o seu qualificado corpo docente. Os grandes educadores brasileiros passaram pelos institutos de educação, o que hoje não acontece, pelo menos com a mesma frequência.

O Pronatec prevê números generosos. Estima a instalação de mais de 120 escolas na rede federal de educação profissional; a ampliação de 543 escolas e a construção de 176 nas redes estaduais e uma novidade: o reforço na formação do Sistema S (Senai, Sesi, Senac e Sesc), notoriamente capaz de um trabalho de qualidade.

O público-alvo é constituído de estudantes da rede pública de ensino médio, trabalhadores desempregados e atendidos pelo seguro-desemprego e beneficiários do Bolsa Família. Para que sejam atendidas as metas, o MEC autorizou a contratação de 2800 professores e 1800 técnicos administrativos, todos mediante concurso público. Até aí, tudo bem.

Ocorre que serão profissionais provavelmente com deficiências na sua formação, apesar de aprovados em concurso, que deveriam merecer dos meios oficiais um treinamento adicional, para enfrentar de modo competente os desafios dos novos tempos. Devemos lembrar que é preciso trabalhar com se estivéssemos numa guerra, ou seja, com medidas emergenciais que certamente poderiam incluir a modalidade da educação à distância, pois se trata de um projeto nacional. É o desafio para que o Pronatec dê certo, como todos desejamos.

* Arnaldo Niskier é doutor em Educação, integrante da Academia Brasileira de Letras e presidente do CIEE/Rio

CABO VERDE TEM MAIS DE 185 MIL ESTUDANTES




ÁFRICA 21

Alunos no sistema de ensino cabo-verdiano representam quase 40% da população do país, mas há também 12,5% que nunca foram à escola.

Praia - Cabo Verde tem actualmente mais de 185 mil estudantes no seu sistema de ensino, de acordo com os dados recolhidos no Censo 2010, divulgados esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Um número que representa 40% da população analisada, com idade superior a 3 anos.

O censo, recolheu dados referentes a 461.960 indivíduos a partir dos 3 anos de idade, o que representa 94% do total da população do país, sendo 228.521 (49,5%) homens e 233.438 (50,5%) mulheres.

"Desse universo, 185.745, ou seja, 40,2%, encontravam-se na altura a frequentar um estabelecimento de ensino, sendo 90.655 (48,8%) do sexo masculino e 95.090 (51,2%) do sexo feminino. Este dado, ao contrário de grande parte dos indicadores do censo, revela uma realidade mais consonante com a correlação de géneros existente na população cabo-verdiana, onde as mulheres representam 51% dos efectivos", nota o INE de Cabo Verde.

O mesmo já não se verifica no que se refere ao número e à percentagem de pessoas que frequentaram mas já não frequentam qualquer estrutura de ensino, uma vez que dos 215.488 indivíduos (46,6%) que se encontram nessa situação, 116.055 (53,9%) são homens,
e 99.433 (46,1%) mulheres.

Outro dado a reter é que, actualmente, existem em Cabo Verde 57.905 indivíduos que nunca foram à escola, o que equivale a 12,5% dos efectivos, sendo 20.634 (35,6%) do sexo masculino e 37.271 (64,4%) do género oposto, informou o INE.

INSTITUTO CAMÕES ASSINALA DIA DA LÍNGUA PORTUGUESA





O dia 5 de maio será marcado por comemorações não só na sede, em Lisboa, mas também nos centros culturais espalhados por vários países

Lisboa - Uma exposição de livros de autores de língua portuguesa traduzidos para outros idiomas, a leitura de textos literários da língua portuguesa e uma sessão de música com letras de poetas lusófonos pelo cantor Manuel Freire assinalam em Lisboa, no Instituto Camões (IC), a 5 de maio, o Dia da Língua Portuguesa e da Cultura na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Manuel Freire, conhecido pela sua interpretação de Pedra Filosofal, é autor de um álbum com o seu nome, de 1979, em que musicou poemas de António Gedeão, José Gomes Ferreira, Fernando Assis Pacheco, Eduardo Olímpio, Sidónio Muralha e José Saramago.

A rede no exterior de centros culturais, centros de língua e leitorados do IC e as embaixadas portuguesas vão também marcar a data com "cadeias de leitura" de autores de língua portuguesa, a exibição de filmes de criadores dos oito países da CPLP e outras atividades, por vezes em parceria com as representações dos restantes estados membros.

Em diversos pontos do mundo, as representações dos países da CPLP juntam-se para assinalar o dia, como acontecerá pelo menos em Espanha, Hungria, Canadá e Egito.

O sítio do IC na internet criou entretanto uma página dedicada à data, onde a par de notícias e referências aos eventos programados, podem ser lidos textos de autores de língua portuguesa.

Trata-se da segunda vez que os países da CPLP comemoram este dia, instituído a 20 de julho de 2009, por resolução da XIV Reunião Ordinária do Conselho de Ministros da CPLP, realizada na Cidade da Praia, Cabo Verde.

O documento da CPLP justificava a decisão pelo facto de a língua portuguesa constituir, entre os povos da comunidade, "um vínculo histórico e um património comum resultantes de uma convivência multissecular que deve ser valorizada".

As embaixadas dos países da CPLP em Madrid organizam um ciclo de conferências dedicado ao tema Língua Portuguesa – Língua Global, procurando responder aos esforços de difusão e promoção internacional previstos no Plano de Ação de Brasília, de 2010.

Em Budapeste, as embaixadas de Angola, Brasil e Portugal, o IC, a associação de estudantes e o departamento de Estudos Portugueses da Universidade Elte estabeleceram em conjunto um programa que, além de uma sessão oficial, terá uma conferência sobre A História do Fado, apresentada por Alcides Murtinheira, leitor do IC em Viena, a apresentação de danças brasileiras e africanas no Centro Cultural Brasileiro e uma exposição de fotografias, cedidas pela Embaixada de Angola em Budapeste e pelo Centro Cultural Brasileiro.

O programa para o dia em Otava, no Canadá, inclui palestras dos embaixadores residentes dos países da CPLP, uma breve exposição sobre a produção literária no espaço da comunidade, a leitura de contos e a exibição de um filme.

Na capital alemã, Berlim, a inauguração da Exposição de Azulejos Portugueses na Freie Universität serve de abertura às atividades dedicadas ao Dia da Língua Portuguesa.

A celebração do Dia da Língua Portuguesa terá lugar em Brasília no Centro Cultural Português/Instituto Camões (CCP/IC), com a realização de um ‘Café Camões’ especial.

Em Moçambique, a rede do IC – que compreende nomeadamente os seus centros de língua portuguesa de Maputo, Gaza, Beira, Quelimane e Nampula – comemora o ‘Dia da Língua Portuguesa e da Cultura da CPLP’ através da colaboração com a Faculdade de Ciências de Linguagem, Comunicação e Artes da Universidade Pedagógica na organização das V Jornadas da Língua Portuguesa, com o tema O Ensino da Língua Portuguesa em Contextos Multiculturais e Multilingues. O evento decorrerá em Nampula, no norte do país, a 5 e 6 de maio.

O CLP/IC de Maputo conta ainda organizar uma exposição das obras literárias de autores de língua portuguesa mais requisitadas nesse centro.

A realização de uma semana da CPLP, com cinema e outras activdiades, está prevista para o mês de maio pelo CCP/IC de São Tomé e Príncipe.

Fora da CPLP e ainda em África, e por iniciativa conjunta de Angola - que tem a presidência semestral da CPLP-, Brasil, Moçambique e Portugal, com o apoio do leitorado de Português na Universidade de Ain Shams, o dia é assinalado no Cairo,com música, fotografia, vídeo e gastronomia, em representação dos países presentes. Pela parte portuguesa contar-se-á com a atuação da fadista Cristina Nóbrega.

RAPIDINHAS DO MARTINHO – 09




MARTINHO JÚNIOR

A MORTE DO ARTISTA

Todos os dias vão acontecendo casos que põem a nu o elevado grau de mercenarismo que como um vírus afectou o “sistema” (?) da saúde em Angola, o que confirma que na sua essência a saúde está longe de ser um direito fundamental que é preciso respeitar, muito em especial quando há situações graves evidentes.

Recorrer à saúde em situações graves, é muitas vezes “a morte do artista”, por que os vendilhões do templo não estão sequer coibidos de serem cúmplices da morte.

A Ordem dos Médicos, por seu turno, deveria de há muito assumir uma atitude crítica de acordo com a deontologia e as mais elementares filosofias em prol da preservação da vida e do respeito que o homem, enquanto ser individual, como entidade de vivência social, começando por providenciar as normas que deveriam reger o “sistema” de saúde em cada município e comuna do país, de forma a depois fiscalizar os erros, as incorrecções e sobretudo as cumplicidades que existem em benefício da morte!

A cumplicidade em benefício da morte não será crime em Angola?

Como uma clínica capaz até de promover “Jornadas científicas na qualificação e capacitação dos profissionais da saúde” (http://www.jornadasmultiperfil.com/index.html) não atendeu, conforme a notícia, este caso que abaixo se ilustra?

Como é que uma clínica que até é reconhecida na sua acção pelo Pravda da Rússia (http://port.pravda.ru/news/busines/06-09-2010/30348-clinica-0/) e faz tão esmerada propaganda na Internet indicia assumir mercenarismo em cumplicidade com a morte?

Quando eu tenho posto em causa a lógica capitalista e tanto do que ela promove, quando eu ponho em causa o aumento do fosso das desigualdades em Angola, quanto rasto de sangue e de morte isso não implica?

Este caso que é outro caso a estudar nas suas implicações humanas e sociais, interessa-me sobretudo avaliar com ele, ao seguir a pista da vítima logo a seguir ao crime, quanto o “socialismo democrático” não terá sido afinal pasto de abertos e velados processos de capitalismo por vezes do capitalismo mais selvagem, do mais egoísta, do mais subversivo à verdade, em benefício de castas que tendem a enquistar-se em prejuízo de todo o Povo Angolano, castas que se tornaram subservientes a poderes de manipulação que chegam de fora e tendem com seu exemplo preverso a ferir o espírito de unidade nacional tão necessário.

As castas que se assumem deste modo enveredam por um caminho que não ilustra o sentido da vida por parte do MPLA, do movimento de libertação, ao porem em causa o “socialismo democrático”, ao desvirtuá-lo e ao aumentar as suas indefinições ou a sua intrínseca precariedade e vulnerabilidade!

A implementação do fosso de desigualdades e a formação de castas em Angola, que consequências está a trazer para o “sistema” (?) da saúde no país e sobretudo para os seus utentes que somos nós, nós Povo Angolano?

Aconteceu agora na Clínica Multiperfil, conforme a notícia publicada no jornal O País (e também difundida pela Angonotícias), o trânsito do actor Manuel Trindade e como ele foi “atendido” enquanto lá esteve…

Em relação a este caso não conheço a família, não investiguei os “dossiers” clínicos, não auscultei os médicos, nem lhes “sondei a alma”, mas as notícias não indiciam a tal de cumplicidade com a morte?

É surpreendente verificar os indícios de como a cumplicidade com a morte é assumida de ânimo tão leve e duma forma tão aberta, tão explícita, conhecendo-se de antemão que este caso é ilustrativo de como funciona esse “sistema”: todos os doentes, mesmo apresentando ferimentos graves, que não pagarem à cabeça o valor estipulado pela “clínica” a que recorrem, são pura e simplesmente “recambiados” para um Hospital de recurso, normalmente um “Hospital do Estado”, ainda que possam sofrer consequências com essa trasladação, indo parar, quantas e quantas vezes, ao Hospital Militar Principal das Forças Armadas Angolanas…

O Hospital Militar Principal tem sido muitas vezes sobrecarregado pelos “despejos”, não tendo mãos a medir e, com a diminuição drástica dos orçamentos a que tem sido ultimamente submetido, face às enxurradas de doentes, não tem muitas vezes “chegado para as encomendas”.

Por outro lado, o HMP era um prestigiado hospital que centralizava capacidades que o colocavam como um dos pilares do conhecimento científico do ramo em Angola, mas agora em que clínicas como a Multiperfil se assumem da maneira que é patenteada e propagandeada, quanto estará ele a ser esvaziado desse conhecimento e desses incentivos, precisamente quando as Faculdades de Medicina de várias Universidades se servem dele para as práticas do ramo?

Quanto isso está a pesar nos orçamentos de uns e de outros?

Quem beneficia deste tipo de “sistemas” e de procedimentos?

Quem é prejudicado por eles?

Porquê?

Martinho Júnior - 01 de Maio de 2011

Ciúme provoca morte de actor de programa da Zimbo

A jovem Paula da Conceição Pacheco, 27 anos, acusada de provocar os ferimentos que causaram a morte do esposo Manuel Trindade das Neves, 30 anos, actor de televisão, entregou-se voluntariamente na tarde desta quarta-feira, 27, ao Comando da Divisão da Samba da Polícia Nacional, depois de ter permanecido mais de 24 horas desaparecida.

Esperança dos Santos, mãe do malogrado, contou a O PAÍS que a acusada espetou uma faca de serra no abdómen do seu filho, na manhã de Sábado, 16, por ele ter passado a noite fora de casa. O casal faria no próximo dia 26 de Maio seis meses desde que decidiram viver juntos.

Viviam em constante conflito e as coisas se complicaram na noite do dia 15, porque a esposa suspeitava que o seu Trindade a havia deixado em casa dos seus  pais com o intuito de procurar a sua amante. Para não ser perturbado pela sua companheira, ele terá deixado o seu telemóvel no mesmo local.

Inconformada com a situação e esperançosa que as suas suspeitas condiziam com a realidade, Paula Pacheco regressou à sua residência e notou que o esposo não havia passado por lá, porque as coisas estavam conforme deixara.

“Ela ligou para mim para questionar se o meu filho tinha passado a noite em minha casa. Contou que estava a receber mensagem de uma jovem que dizia ser namorada dele e que passaram a noite junto”, declarou a mãe do malogrado.

Uma fonte próxima da vítima contou a este jornal que quando o casal  se encontrou, a companheira, bastante furiosa, arremessou todos os objectos contundentes que tinha ao seu alcance.

Atendendo ao seu porte físico e ao da agressora, Manuel Trindade ainda tentou evitar e procurou sair ileso do local, mas não  escapou da ponta afiada da faca de serra.

Depois de ver o seu companheiro a perder as forças, devido ao golpe que havia atingido o abdómen, a acusada telefonou à sogra para contar o sucedido. A mãe do jovem pensando que se tratava de um ferimento ligeiro sugeriu a ela mesma que ganhasse coragem para levar o próprio esposo ao hospital mais próximo.

Os gritos de socorro da esposa foram atendidos por um dos vizinhos que os levou à clínica Multiperfil, por ser a mais próxima de casa.  No local, em pânico, Paula Pacheco voltou a contactar a sua sogra que ao notar que a mesma falava com uma tonalidade fora do normal, pediu-a que passasse o telefone ao actor da série cómica Makamba Hotel.

“Cheguei ainda a questionar ao meu filho porque razão ele deixou que as coisas atingissem este ponto”, desabafou a senhora Esperança.

Esperança dos Santos só  acreditou que o filho corria o risco de morrer quando recebeu a informação de uma amiga que ele estava gravemente ferido. A senhora conta que como  a tabela de preço  da clínica Multiperfil estipulava três mil dólares se fizer uma cirurgia daquela envergadura, os familiares do paciente, impossibilitados de pagar, se viram obrigados a transferi-lo para outra unidade hospitalar
.
“Aconselhei naquele instante a minha nora a ir a casa descansar, enquanto o levava para o posto de saúde da FAPA, depois de ter recebido os primeiros socorros na Multiperfil”, contou.

Sinais de melhoria e morte  
 
A equipa médica de serviço no Posto de Saúde da FAPA concluiu que o melhor seria  transferi-lo para o Hospital Militar, por ter constatado que a ferida tinha oito centímetros e a faca perfurou o intestino grosso.

Nesta unidade hospitalar, os médicos efectuaram a primeira cirurgia que permitiu reverter o quadro em que se encontrava o paciente. Na manhã do dia seguinte, os familiares de Manuel Trindade ficaram bastante felizes ao constatarem sinais de melhoria.

“Como olhava para ele com ar de tristeza, ele disse-me: estou vivo, estás a pensar que eu morri ou quê?”, recordou a mãe, revelando que a alegria terminou quando foi informada no final do dia que o quadro clínico do seu filho se tinha agravado e que seria submetido a mais uma intervenção cirúrgica, que veio a durar cerca de cinco horas.

A esposa de Manuel Trindade foi acompanhando o desenvolvimento do seu estado clínico através da sogra, por ter sido expulsa de casa por uma das suas cunhadas.

O actor faleceu no dia 26 de Abril numa das camas do Hospital Militar.

Depois de ter feito diversas participações na série Makamba Hotel, trabalhou durante alguns meses como segurança na discoteca Palo´s, mas posteriormente tornou-se relações públicas de uma empresa sul-africana.

O malogrado não deixou filhos.


Líbia: APÓS ASSASSINATO DA NATO SEDE DA ONU FOI DESTRUIDA E ENCERRADA




Partidários de Kadhafi
atacam sede da ONU em Trípoli depois do anúncio da morte do filho do ditador

ANGOLA 24 HORAS – 01 maio 2011

”Partidários do ditador da Líbia, Muammar Gaddafi, atacaram neste domingo a sede da ONU (Organização das Nações Unidas) e as embaixadas do Reino Unido e da Itália na capital, Trípoli.”

Os partidários do ditador realizaram protestos neste domingo (1) em frente a missões diplomáticas ocidentais em Trípoli após um porta-voz do governo divulgar que o filho mais novo do líder, Saif al-Arab Khadafi, de 29 anos, e três netos do ditador, foram mortos em um ataque da Organização do Tratado do Atlântico Norte.

O Ministério do Exterior britânico disse estar investigando relatos de que a residência de seu embaixador na capital líbia teria sido destruída. "Essas ações, se confirmadas, seriam deploráveis, já que o regime de Kadafi tem o dever de proteger as missões diplomáticas. Isso seria mais um desrespeito às obrigações internacionais de Kadafi", disse uma porta-voz do ministério.

Uma nuvem alta de fumaça também foi vista do prédio que abriga a embaixada da Itália em Trípoli. "Eu estava caminhando pela rua em que fica a embaixada e vi fumaça vindo de dentro do prédio, estava pegando fogo”, disse uma testemunha, que informou que não havia pessoas dentro do prédio, apenas um carro de segurança impedindo que outras pessoas entrassem no local.

Também houve manifestações em Benghazi, cidade já dominada pelos rebeldes, em que líbios comemoraram nas ruas deste domingo as notícias sobre a morte do filho de Gaddafi.

Rebeldes divulgaram também neste domingo (1) que forças leais a Kadhafi tentavam avançar na cidade de Zintan, a sudoeste da capital, bombardeando com foguetes áreas onde os rebeldes já haviam conquistado, segundo informou o porta-voz dos rebeldes, autodenominado Abdulrahman.

“'O Exército está agora tentando avançar a partir do leste. Eles estão bombardeando a cidade com foguetes desde o início da manhã', disse o porta-voz chamado Abdulrahman.

"Também há confrontos em al-Rayayna. Nós estamos em novas lutas desde o começo desta manhã de domingo”, afirmou o rebelde, que começaram um levante em fevereiro para depor o ditador Kadhafi.

Governo da Líbia promete reagir ao ataque que matou filho de Kadafi

O governo da Líbia reagiu neste domingo ao ataque aéreo da Otan que matou Saif al-Arab, filho mais novo do líder do país Muamar Kadafi e três netos do ditador, no último sábado . O governo prometeu retaliar o ataque, que chamou de invasão ao país.

Na véspera, o porta-voz do governo, Moussa Ibraim, já havia criticado duramente a ação da Otan.

- O que temos agora é a lei da selva. Achamos que agora ficou claro que o que está acontecendo na Líbia não tem nada a ver com a proteção de civis - disse Ibraim.

Morte do filho de Kadhafi

O governo britânico não confirmou notícias de que um dos filhos do ditador líbio Muamar Kadhafi foi morto em um ataque aéreo da Organização do Tratato do Atlântico Norte (Otan). "Nós ainda não temos verificações para comentar. São ainda notícias não confirmadas. Eu estou com medo de que nós não podemos ainda confirmar nem uma nem outra notícia", disse o ministro de relações exteriores da Inglaterra, Alistair Burt.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, negou-se a comentar a possível morte do filho de Kadhafi. "A ação da Otan na Líbia não tem como alvo indivíduos em particular", disse Cameron. "Os objetivos da política da Otan e da aliança são absolutamente claros. Estamos cumprindo a resolução 1973 da ONU para prevenir a perda de vidas de civis inocentes que são atacados pela máquina de guerra de Kadhafi", disse Camero.

Saif al-Arab tinha 29 anos de idade, era civil e estudava Alemanha. Autoridades líbias levaram jornalistas à casa que foi atingida por pelo menos três mísseis. O telhado desabou completamente em algumas áreas.

De acordo com jornalistas que foram levados ao local do ataque, o edifício foi muito danificado e uma bomba ainda não detonada permanece no local. O porta-voz do governo, Moussa Ibrahim, disse que a vila foi atacada "com força total".

"O líder Kadhafi e sua esposa estavam na casa com outros amigos e familiares. O líder está em boa saúde, não foi ferido", disse.

ONU deixa Trípoli após saques de partidários de Kadafi em escritórios

A ONU anunciou neste domingo, 1, que vai retirar todos os seus funcionários estrangeiros da capital líbia, Trípoli, depois que os escritórios da organização no país foram saqueados. Prédios da ONU e de algumas missões diplomáticas ocidentais teriam sido danificados por grupos pró-Kadafi, depois que um porta-voz do governo disse que um ataque da Otan, a aliança militar ocidental, matou o filho mais jovem do líder líbio, Saif al-Arab Khadafi, de 29 anos, e três de seus netos na noite de sábado.

Rússia critica ataque aéreo da Otan à Líbia

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia disse que há "sérias dúvidas" de que o Oeste não esteja mirando o líder líbio Muamar Kadafi e a família depois que Trípoli informou que o filho de Kadafi foi morto.

"Os argumentos dos membros da coalizão de que ataques sobre a Líbia não têm como alvo a destruição física de Muamar Kadafi e membros de sua família causam sérias dúvidas", afirmou o ministério, em comunicado, ao pedir que a coalizão ocidental "cesse fogo imediatamente". "Informação de mortes entre civis está sendo recebida em Moscou com preocupação crescente", acrescentou o documento.

O chefe do Comitê de Relações Exteriores da Câmara Baixa do Parlamento russo, Konstantin Kosachyov, condenou o ataque da Otan. "Mais e mais fatos indicam que o objetivo da coalizão é a destruição física de Kadafi", disse ele, ao solicitar que os líderes ocidentais deixem clara a posição sobre os ataques aéreos.

"Estou totalmente perplexo pelo silêncio dos presidentes dos Estados Unidos, França e líderes de outros países ocidentais", acrescentou Kosachyov, em entrevista citada pela agência de notícias Interfax. "Temos o direito de esperar que eles façam uma avaliação imediata, ampla e objetiva das ações da coalizão". O primeiro-ministro, Vladimir Putin, tem criticado duramente os ataques aéreos e acusado a Otan de tentar matar Kadafi. A Rússia se absteve da votação, em março, no Conselho de Segurança da ONU, que autorizou o uso da força na Líbia para proteger civis.

Em Bruxelas, a porta-voz da Otan, Carmen Romero, disse que a informação de mortes permanece não confirmada. "Nós miramos um comando militar e um prédio de controle com precisão", disse ela. "Não foi mirado qualquer indivíduo. Foi um alvo militar claramente ligado aos ataques sistemáticos do regime de Kadafi contra a população civil".

Grã-Bretanha expulsa embaixador da Líbia

A Grã-Bretanha decidiu expulsar o embaixador da Líbia depois de a sua embaixada em Tripoli ter sido atacada, segundo um comunicado, divulgado este domingo, pelo ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, William Hague.

"A Convenção de Viena exige que o regime de Kadafi proteja as missões diplomáticas em Tripoli. Por não o fazer, o regime violou uma vez mais as suas responsabilidades e obrigações internacionais", afirma em comunicado, referindo-se ao líder líbio Muamar Kadafi.

"Como resultado, tomei a decisão de expulsar o embaixador da Líbia", afirmou, e juntou que o diplomata tem 24 horas para abandonar o Reino Unido.

"Condeno os ataques à embaixada britânica em Tripoli, assim como às missões diplomáticas de outros países", salientou Hague. "Os ataques contras as missões diplomáticas não irão debilitar a nossa determinação de proteger os civis na Líbia", esclareceu.

A Grâ-Bretanha retirou o seu embaixador em Tripoli no início do conflito e não tem representação diplomática em Tripoli. Uma equipa de diplomáticos britânicos está em Bengasi.

NP

Líbia: FILHO E TRÊS NETOS DE KADHAFI TERÃO SIDO MORTOS PELA NATO




EXPRESSO – 01 maio 2011

A informação é avançada pelo porta-voz do regime líbio, mas não há confirmação da Aliança Atlântica. A Rússia e Venezuela criticam ataques.

O filho mais novo de Muammar Kadhafi e três netos foram mortos no sábado por um ataque aéreo da NATO, a que o líder líbio sobreviveu, anunciou um porta-voz do regime em Tripoli.

Kadhafi e a mulher estavam na sua casa em Tripoli com o seu filho de 29 anos, Saif al-Arab Kadhafim quando esta foi atingida por pelo menos um míssil de um avião da NATO, adiantou Moussa Ibrahim, porta-voz do regime.

A casa de Kadhafi em Tripoli, num bairro residencial, ficou fortemente danificada.

Saif al-Arab Kadhafi era o sexto filho de Kadhafi. Nos últimos anos, passou muito tempo na Alemanha.

Entretanto, em Bengazi, bastião dos rebeldes líbios, ouviram-se tiros festejando o anúncio da morte dos familiares de Kadhafi, noticiou a agência AFP.

NATO nega ter disparado contra "objetivos individuais"

A NATO negou hoje que dispare contra "objetivos individuais" na sua tarefa de proteção da população civil na Líbia, indicando ter conhecimento da notícia "não confirmada" da morte do filho mais novo do líder líbio, Muamar Al-Khadafi.

"Estou ao corrente das notícias não confirmadas sobre a morte de alguns membros da família de Khadafi", declara, num comunicado, o tenente general canadiano Charles Bouchard, responsável pela missão da Aliança Atlântica na Líbia.

A NATO, afirma, "lamenta todas as perdas humanas, principalmente a dos civis inocentes vítimas do conflito".

Tal como aconteceu após um ataque a uma casa de Khadafi, a Aliança insiste que as suas ofensivas "não se dirigem a objetivos individuais".

A ação militar onde pode ter morrido o filho de Khadafi - uma alegação que os rebeldes consideram como uma "mentira" e "propaganda" do regime - enquadra-se "na estratégia para destruir o controlo dos ataques contra os civis", segundo Bouchard, recomendando à populaçao que se mantenha longe de infraestruturas militares.

David Cameron garante "cumprimento" da resolução da ONU

A missão militar da NATO na Líbia está a ser feita ao abrigo da resolução 1973 da ONU, que visa proteger a população civil dos bombardeamentos de Khadafi.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, defendeu hoje que a eleição de objetivos na Líbia por parte dos responsáveis militares da Nato cumpre o mandato da resolução.

"A política de objetivos da Nato e da aliança é absolutamente clara. Está em linha com a resolução 1973 da ONU e tem que ver com a prevenção de perda de vidas civis, tendo como objetivo a máquina de guerra de Kadhafi, afirmou.

Em declarações à estação de televisão 'BBC', Cameron acrescentou que essa máquina de guerra "são obviamente os tanques, as metralhadoras e os lança mísseis, mas também o comando e o controlo".

Rússia critica "uso desproporcionado"da força

 A Rússia denunciou hoje o uso "desproporcionado" da força na Líbia pelas forças da coligação e duvida que os ataques da NATO não tenham por alvo o líder Muammar Kadhafi, referiu o ministério dos Negócios Estrangeiros.

"As declarações dos membros da coligação segundo as quais os ataques contra a Líbia não têm por objetivo a liquidação de Kadhafi e os membros da sua família suscitam fortes dúvidas", declarou em comunicado o ministério.

"O uso desproporcionado da força ultrapassa a resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU que não prevê de qualquer forma uma alteração do poder na Líbia e implica nefastas consequências e a morte de inocentes", acrescenta o texto.

Chávez pede à Europa para refletir

O Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, contestou o "assassínio" do filho mais novo do líder líbio Muammar Kadhafi e pediu à Europa para refletir e não secundar a "loucura napoleónica e fascista" dos Estados Unidos.

"Isto é um assassínio. Como é que para proteger o povo líbio estão a matar pessoas", disse Chávez, citado pela agência 'EFE'.

"Peçamos a Deus pela paz na Líbia e no mundo e que voltem à razão aqueles que se deixaram invadir como que por uma loucura (...) estão invadidos por uma loucura napoleónica, fascista", afirmou Chávez.

O Presidente venezuelano adiantou que "dos ianques tudo é possível", mas interrogou-se como é que os governos europeus podem apoiar os bombardeamentos (da NATO), mencionando nomeadamente "um governo como o de Espanha, ou como o de Itália, que ainda há muito pouco (tempo) negociavam com a Líbia e com Kadhafi".

"Nós continuamos a apelar às Nações Unidas - e cada vez mais vozes se juntam à nossa humilde posição - para que se obtenha um cessar-fogo e se respeite a soberania da nalção líbia", adiantou, numa alusão à proposta que lançou a 28 de fevereiro para a constituição de uma comissão para resolver o conflito na Líbia.
 
 

QUEM TEM MEDO DE FALAR SOBRE CABINDA?




ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

Não existe nas linhas de montagem da comunicação social portuguesa nenhuma autonomia editorial e, ou, independência. Nas horas de expediente, sete ou oito por dia, os operários exercem o jornalismo, tal como poderiam exercer o enchimento de latas de salsichas.

E não existe sobretudo, mas não só, por culpa dos jornalistas que, sob a conveniente (sinónimo de bem remunerada) capa da cobardia se deixa(ra)m transformar em autómatos ao serviço dos mais diferentes protagonistas, sejam políticos, partidários, sindicais ou empresariais.

Basta ver quantos são os supostos jornalistas que, nomeadamente na blogosfera, dizem quem são e mostram a chipala. São muito poucos. A grande maioria prefere o cómodo e barato anonimato. Para que se não saiba que têm as meias rotas nunca se descalçam.

Habituados a viver na selva supostamente civilizada onde, com o patrocínio e cobertura dos poderes instituídos, vale tudo, os chefes de posto das linhas de produção de textos de linha branca entendem que a razão da força, dada por alguns milhares de euros de avenças ou similares, é a única lei. E, digo eu, dos Jornalistas esperar-se-ia que lutassem pela força da razão. Não acontece. Não é de agora, mas agora tem mais força e seguidores.

Força da razão? Claro que não. Até porque em Portugal não existem Jornalistas a tempo inteiro. Na maior parte do tempo útil são cidadãos como quaisquer outros e que, por isso, não precisam de ser sérios nem de o parecer. Nas horas de expediente, sete ou oito por dia, exercem o jornalismo, tal como poderiam exercer o enchimento de latas de salsichas.

Como para mim existe uma substancial diferença entre exercer jornalismo e ser Jornalista, entre ser operário de um órgão de comunicação social e ser Jornalista, tal como exercer medicina e ser médico, continuo a dizer que nesta profissão quem não vive para servir não serve para viver.

E é por isso que Cabinda não é notícia. Uma bitacaia (insecto que se instala sobretudo debaixo das unhas dos pés) no presidente do MPLA teria com certeza muito maior cobertura do que o facto de em Cabinda imperar o terror.

É por isso que os operários dos órgãos de comunicação social lá estão para se servir, para servir os seus capatazes, e não para servir o público, para dar voz a quem a não tem.

Infelizmente os media estão cada vez mais superlotados de gente que apenas vive para se servir, utilizando para isso todos os estratagemas possíveis: jornalista assessor, assessor jornalista, jornalista cidadão, cidadão jornalista, jornalista político, político jornalista, jornalista sindicalista, sindicalista jornalista, jornalista lacaio, lacaio jornalista e por aí fora.

Como diz Gay Talese, cabe ao jornalista procurar incessantemente a verdade e não se deixar pressionar pelo poder público ou por quem quer que seja. Não interessa se as opiniões são do Secretário-Geral da ONU, da Rainha de Inglaterra, do Presidente da República de Portugal ou do “dono” de Angola, de seu nome José Eduardo dos Santos.

Ou, segundo o jornalista inglês Paul Johnston, o jornalismo sério, objectivo e imparcial sabe "distinguir entre a opinião pública, no seu mais amplo sentido, que cria e molda uma democracia constitucional, e o fenómeno transitório, volátil, da opinião popular".

Falar hoje de Cabinda é algo que desagrada aos poderes políticos de Angola e de Portugal, bem como ao poder económico nacional ou global.

Foto: Carlos Narciso, eu e o Paulo F. Silva.

"É para mim um raro privilégio, para além de uma honra, estar sentado a esta mesa, aqui na Casa da Imprensa, ao lado de dois dos melhores jornalistas de língua portuguesa que conheci ao longo de trinta e tal anos de profissão", afirmei ontem durante o lançamento do livro: “Cabinda – Ontem protectorado, hoje colónia, amanhã Nação”.

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

OBRIGADO AOS QUE DISSERAM: PRESENTE!




ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

Foi ontem apresentado, em Lisboa, na Casa da Imprensa, o meu livro “Cabinda – Ontem protectorado, hoje colónia, amanhã Nação”. Eis a minha intervenção inicial:

Antes de algumas, poucas, considerações sobre este livro, permitam-me que faça os devidos e merecidos agradecimentos, bem como um lamento.

Agradeço à Casa da Imprensa a cedência deste magnífico espaço onde, para um Jornalista, é um privilégio muito especial estar presente.

O meu muito obrigado à Editora Letras de Ferro por ter apostado neste livro. Não sei qual será o retorno, mas creio que mais do que o investimento, a Editora acreditou que ele pode ser algo mais do que um simples livro.

Também um agradecimento especial ao meu velho camarada, companheiro e amigo Paulo Silva por ter escrito o prefácio que é, certamente, a melhor parte do livro.

Um outro agradecimento para o Carlos Narciso, igualmente velho camarada, companheiro e amigo, por ter aceite (o que me honra) fazer a apresentação do livro.

E, antes dos agradecimentos finais, deixem-me dizer que é para mim um raro privilégio, para além de uma honra, estar sentado a esta mesa, aqui na Casa da Imprensa, ao lado de dois dos melhores jornalistas de língua portuguesa que conheci ao longo de trinta e tal anos de profissão.

Em matéria de agradecimentos, cabe aqui um especial destaque para todos os presentes, desde logo porque não é fácil nos tempos que correm terem-nos honrado com a vossa presença.

O lamento tem a ver com o facto de os nossos colegas da comunicação social, salvo as sempre honrosas excepções, se esquecerem de uma das suas primordiais funções: dar voz a quem a não tem.

Quanto ao livro, e como dizia há muitos anos, em Angola, o João Charulla de Azevedo, projecto o melhor, espero o pior e aceito de ânimo igual o que Deus quiser.

Embora o livro apresente o que penso sobre a situação de Cabinda, o mais importante é o que o povo de Cabinda pensa, mesmo que nesta altura tenha de ter até especiais cuidados quando resolve pensar.

Se cada um dos que ler o livro conseguir pensar um pouco sobre o assunto, mesmo que seja para dizer que o autor é uma besta, terá valido a pena. É que o povo de Cabinda merece que alguém pense nele. Merece respeito, merece que oiçam o que ele tem para dizer.

Sei que Portugal tentou apagar depois do 25 de Abril de 1974 partes importantes da sua História. Nuns casos tentou apagar, noutros tentou escrever a História do modo que mais jeito dava. Cabinda não escapou a essa realidade. Mas, felizmente, ainda há por cá, tal como por lá, gente com memória.

Por último, espero que todos entendam que se a minha liberdade termina onde começa a dos outros, a dos outros termina, necessariamente, onde começa a minha.

Nota: Mais imagens e pormenores em - http://letrasdeferro.blogspot.com/

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

O PRÍNCIPE PERFEITO




ANGOLA - MEMÓRIA 2010

JOSÉ EDUARDO ÁGUALUSA - ÁFRICA MINHA – 26 janeiro 2010

Na passada quinta-feira, dia 21, o partido no poder em Angola fez aprovar um novo projecto de constituição que prevê a eleição do Presidente da República pela Assembleia Nacional e não mais através do voto popular, em eleições directas, o que em princípio assegurará a permanência no poder de José Eduardo dos Santos. Os deputados da UNITA, o principal partido da oposição, abandonaram a sala antes da votação.

Várias vozes se ergueram em Angola e no exterior a contestar a futura constituição. Marcolino Moco apelou à idoneidade dos juízes do Tribunal Constitucional, esperançado ainda no chumbo de uma constituição que classificou como absurda, palavras duras, sobretudo se atendermos ao facto de terem sido proferidas por alguém que já foi secretário-geral do MPLA e primeiro- -ministro. Nelson Pestana, dirigente do Bloco Democrático, pequeno partido de esquerda, herdeiro da extinta Frente para a Democracia, anunciou o fim do Estado de Direito: "O Estado de Direito desaparece para dar lugar ao livre-arbítrio do Príncipe, em todas as suas declinações. Na melhor das hipóteses, teremos um Estado administrativo que vai reprimir a liberdade e promover a igualdade dos indivíduos perante o Príncipe, para que o possam melhor servir."

A eurodeputada portuguesa Ana Gomes, num comentário recolhido pelo diário "Público", sugere que José Eduardo Santos ficou numa posição difícil depois da vitória esmagadora - demasiado esmagadora - do MPLA. Por um lado, não gostaria de ter menos votos do que o seu partido. Por outro, se tivesse mais, no caso mais de 82%, dificilmente conseguiria ser levado a sério fora do país.

Devíamos, talvez, começar por aqui. O único motivo que poderia levar José Eduardo dos Santos a sujeitar-se ao escrutínio popular, e a todas as coisas mesquinhas e desagradáveis que, para alguém como ele, tal processo implica, incluindo discursos em comícios, banhos de multidão e entrevistas, seria conseguir o respeito da comunidade internacional. José Eduardo dos Santos está um pouco na situação do escritor brasileiro Paulo Coelho, o qual depois de conquistar milhões de leitores, depois de enriquecer, ambiciona agora ser levado a sério como escritor. Quer o respeito dos críticos.

A diferença é que José Eduardo dos Santos, não tendo o respeito da comunidade internacional, começa a beneficiar do temor desta - o que para um político pode ser algo bastante semelhante.

O crescimento económico de Angola, por pouco que seja, e ainda que afectado por distorções de todo o tipo, representa uma garantia de bons negócios para um vasto grupo de empresas multinacionais. A prosperidade de Angola é uma boa notícia também para os jovens quadros portugueses no desemprego. Favorece, aliás, todo o tipo de sectores. Lembro-me de ter lido há poucas semanas uma notícia segundo a qual dezasseis por cento dos produtos de luxo vendidos em Portugal são adquiridos por cidadãos angolanos.

Há uns dois anos almocei num simpático restaurante da Ilha de Luanda com um diplomata português. Antes de chegarmos à sobremesa já ele me dava conselhos: "Você só tem problemas porque fala de mais", assegurou-me. "Escreva os seus romances mas não ataque o regime. Não há necessidade." Depois disso tenho escutado conselhos semelhante vindos de editores, empresários e políticos portugueses.

"Já não posso ouvir o José Eduardo Agualusa e todos os outros portugueses e angolanos cá em Portugal que não se cansam de denunciar os desmandos e a corrupção do governo angolano", escreveu Miguel Esteves Cardoso numa extraordinária crónica, publicada nas páginas do jornal "Público" a 30 de Outubro de 2009, e depois reproduzida no "Jornal de Angola": "Angola é um país soberano; mais independente do que nós. [...] Os regimes políticos dos países mais nossos amigos são como os casamentos dos nossos maiores amigos: não se deve falar deles. [...] Não são só nossos amigos: são superiores a nós."

No meu último romance, "Barroco Tropical", esforcei-me por expor a forma como, em regimes totalitários, o medo vai pouco a pouco corrompendo as pessoas, mesmo as melhores. O medo é uma doença contagiosa capaz de destruir toda uma sociedade.

Mais extraordinário é perceber como um regime totalitário consegue exportar o medo. Não já o medo de ir para a cadeia, é claro; ou o medo de ser assassinado na via pública durante um suposto assalto. Trata-se agora do medo de perder um bom negócio. Do medo de ofender um cliente importante.

Ver dirigentes políticos portugueses, de vários quadrantes ideológicos, a defenderem certas posições do regime angolano com a veemência de jovens aspirantes ao Comité Central do MPLA seria apenas ridículo, não fosse trágico.

Alguns deles, curiosamente, são os mesmos que ainda há poucos anos iam fazer piqueniques a essa espécie de alegre Disneylândia edificada pela UNITA no Sudeste de Angola, a Jamba, vestidos à Coronel Tapioca, e que apareciam em toda a parte a anunciar Jonas Savimbi como o libertador de Angola.

José Eduardo dos Santos decidiu fazer-se eleger pelo parlamento, por mais cinco anos, por mais dez anos, troçando da democracia, por uma razão muito simples: porque pode. Porque já nem sequer precisa de fingir que acredita nas virtudes do sistema democrático. Enquanto Angola der dinheiro a ganhar, aos de fora e aos de dentro, e mais aos de fora que aos de dentro, como sempre aconteceu, ninguém o incomodará. Para isso, para que Angola continue a dar dinheiro, exige-se alguma estabilidade social, sim, mas não democracia. Democracia é um luxo.

Bem pode Ana Gomes manifestar a sua indignação. Mais facilmente os dirigentes do partido que representa a admoestarão a ela, por ter tomado tal posição, do que incomodarão os camaradas angolanos.

Aos angolanos resta a esperança de que o crescimento económico possa contribuir para a formação e o regresso de jovens quadros. Estes, juntamente com uma mão-cheia de jornalistas independentes, de activistas cívicos, de militantes de pequenos partidos, todos juntos, talvez consigam criar um amplo movimento social capaz, a médio prazo, de vencer o medo e de transformar Angola numa verdadeira democracia.

por José Eduardo Agualusa

Angola: FILME SOBRE “ALAMBAMENTO” EXIBIDO NO FESTIVAL LUSÓFONO




JORNAL DE ANGOLA – 29 abril 2011

O filme angolano “Alambamento”, do realizador Mário Bastos, é uma das produções dos oitos países membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) presente no Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa (Festin), aberto na terça-feira e que se prolonga até domingo, no cinema São Jorge, em Lisboa.

O filme angolano, um dos premiados da edição 2010 do Festival de Cinema de Luanda (FIC-Luanda), retrata a história do jovem Matias, personagem interpretada pelo actor Correia Manuel, do grupo Elinga Teatro, que vai fazer o pedido e entregar o alambamento ao pai da futura mulher, Mena, personagem interpretada pela actriz Marieta Cabuço, que reside na Ilha de Luanda.

Quando se aproxima da casa de Mena, atropela uma criança. Instala-se então um tumulto, em que a população quer fazer justiça com as próprias mãos. Mena quer salvar o noivo, mas acabam os dois por discutir. O pai dela quer receber o alambamento e a polícia quer resolver a situação por via da lei.
O realizador Mário Basto faz-se acompanhar no certame pelo director do Instituo Angolano de Cinema, Audiovisual e Multimedia, Pedro Ramalhoso.

Este ano, o festival, que vai na segunda edição, homenageia o país anfitrião, Portugal. Assim, o programa inclui a mostra “Olhares sobre Portugal”, que comporta oito filmes, que retratam diversos aspectos da história e cultura portuguesas, sendo ainda de realçar uma retrospectiva de obras de João Botelho, seleccionadas pelo próprio realizador. O programa reserva ainda uma homenagem ao cineasta português Manoel de Oliveira.

Procurando fomentar a reflexão sobre o contributo do cinema para o reforço dos laços que unem os oito países, o Festin propõe a realização da mesa-redonda “O cinema e as identidades lusófonas”, para a qual estão confirmadas as participações do escritor angolano José Eduardo Agualusa e do subdirector da Cinemateca portuguesa José Manuel Costa, da investigadora de cinema Maria do Carmo Piçarra, António Rodrigues, programador da Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema, o actor Miguel Sermão, o produtor de cinema Luís Correia. Uma outra mesa-redonda, com o tema “Escrito e filmado: a literatura lusófona vai ao cinema”, vai contar com a presença dos escritores brasileiros Amílcar Bettega e Brisa Paim, do investigador João Ribeirete, do realizador José Farinha e do escritor guineense Tony Tcheka.

No festival que arrancou terça-feira, o destaque vai para  “Lixo Extraordinário”, uma co-produção brasileira, dirigido por João Jardim, Lucy Walker, e Karen Harley, com produção executiva de Fernando Meirelles. O documentário enfoca o trabalho do artista plástico brasileiro de renome internacional, Vik Muniz, que elaborou obras a partir de sua convivência com os trabalhadores do maior aterro sanitário da América Latina, o Jardim Gamacho, no Rio de Janeiro. A película foi nomeada para o Oscar deste ano na categoria de melhor documentário.

Entre as 13 longas-metragens e 42 curtas em concurso, encontram-se ainda títulos que dificilmente virão a ser incluídos nos circuitos comerciais, sendo, por esse motivo, uma oportunidade única de conhecer o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido na área da criação cinematográfica nos países de língua portuguesa. Moçambique, Portugal, Brasil, Cabo verde, Angola, São tomé, Guiné-Bissau, Timor-Leste são os países que vão exibir a sua produção cinematográfica.

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Eduardo dos Santos anuncia concertação com oposição para eleições de 2012




NME – EL

Luanda, 30 abr (Lusa) -- O líder do MPLA, partido no poder em Angola, José Eduardo dos Santos, anunciou para junho o inicio da concertação política com os partidos da oposição e a discussão da legislação de suporte às legislativas previstas para 2012.

José Eduardo dos Santos, que discursava hoje no encerramento dos trabalhos do IV Congresso Extraordinário do MPLA, situou as medidas legislativas como tendentes a "conformar" com o que estipula a Constituição da República.

Estão neste caso, precisou, a discussão da Lei da Nacionalidade, da Lei Eleitoral, do Registo Eleitoral, da Lei de Observação Eleitoral, do Conselho Nacional de Comunicação Social e da Lei de Financiamento dos Partidos Políticos.

O líder do MPLA, que classificou como "positivas" as atividades do Congresso, disse que o MPLA tem agora "responsabilidade acrescida para garantir o bem-estar, o progresso social e o desenvolvimento nacional".

"Até ao último trimestre de 2012, período em que se deverão realizar as próximas eleições gerais (legislativas), esperam-nos tarefas de grande envergadura, tanto de âmbito político e legislativo, como de carácter administrativo e operacional", salientou.

José Eduardo dos Santos anunciou ainda a necessidade de revisão do Orçamento Geral de Estado de 2011 e de "identificar os recursos" para a cobertura de programas de impacto social.

Destes, José Eduardo Santos, indicou os programas de apoio aos empreendedores, em especial às mulheres e jovens, a mobilização de recursos para o incremento da execução de projetos que visam a reinserção social e produtiva dos ex-militares, o aumento de verbas para o crédito agrícola e comércio rural, bem como para o apoio às micro, pequenas e médias empresas.