segunda-feira, 11 de julho de 2011

EUA, INGLATERRA E AUSTRÁLIA - OS PIRATAS DO SÉCULO XXI




CARLOS TADEU

O REGIME DE MATRIZ NEOCOLONIAL E CASTRADOR DA AUSTRÁLIA

Por nada e por tudo não devemos confiar na aparente boa vontade, decência, boa vizinhança e na falsa honestidade dos governos do regime australiano. Como piratas dos mares e oceanos dos tempos das naus patrocinadas pelo reino de Inglaterra, tantos séculos depois, os governos australianos continuam com a mesma mentalidade de assaltar e roubar as soberanias e os bens das nações que “navegam” em seu redor e até em países bem mais distantes mas a quem a anglofonia declara guerras hediondas pelo saque de bens naturais sob os mais variados falsos pretextos. O certo é que ocupam esses países, o certo é que fomentam a desestabilização, o certo é que assassinam civis sob a alegada capa de serem terroristas, o certo é que colhem benefícios enormes sob o falso pretexto de levarem a paz e a democratização. Assim acontece no Iraque, no Afeganistão, nos principais países detentores de enormes jazidas de petróleo ou daquilo que lhes interesse saquear, piratear. Esse é o quadro a que se assiste há séculos no território vizinho de Timor-Leste, antes colónia de Portugal e atualmente independente.

Para os governos da Austrália as palavras cinismo, abordagem, assalto e chacina, dos tempos da pirataria, mantêm-se atuais. Outra coisa não têm feito relativamente a Timor-Leste bem como a muitos dos países que ladeiam a ilha continente "australis" - território dantesco, multifacetado, riquíssimo, bravio, lindo e com imenso por explorar no melhor e mais decente significado do termo daquela palavra, até mesmo com um povo multirracial e que tem bastante de generoso. Como potência da Australásia até parece que os que integram os governos do país e de grandes impérios empresariais continuam a navegar ao sabor do saque, da pirataria, da chacina de naus menores que afinal são pertença reconhecida de outros povos que só querem exercer o seu direito de independência e de propriedade e que não os abordem sob más intenções mas sim com amizade, honestidade, respeito e transparência de cooperação.

Quis a natureza compensar os timorenses com jazidas de petróleo de valor considerável. Ao longo de séculos registaram-se imensas abordagens de piratas em busca das riquezas naturais da pequena meia-ilha. Naus holandesas, inglesas e portuguesas, foram as que mais acostaram e se apoderaram dos bens timorenses ao longo dos séculos. Por mais de quatrocentos anos Portugal conseguiu a posse “ultramarina” do território que é hoje Timor-Leste, até que os EUA, a Austrália e a Indonésia - esta última sob forte influência de um ditador assassino e sem escrúpulos – se apoderaram de todo o território e da vida e morte dos timorenses. O objetivo foi o petróleo do Mar de Timor, mais do que razões geoestratégicas e anticomunistas. Esses pretextos eram os alegados para ocupar, vilipendiar e saquear. Falsos pretextos que deram lugar na atualidade a razões antiterroristas e de implantar a liberdade e democracia. Sendo que o objetivo é o mesmo de há séculos: saquear. Vimos isso mesmo no Iraque, no Afeganistão, no Irão, na Líbia, etc. E vimos isso também em Timor-Leste, ilha mais próxima da Austrália naquela continuidade que é a nação Indonésia, também na agenda e na gula dos saqueadores anglófonos e dos saqueadores da pátria dos cifrões, até para mais por ser de religião muçulmana. A vontade não falta e certamente que o futuro virá a mostrar a Indonésia ocupada sob o pretexto do antiterrorismo como antes pelo alegado anticomunismo, numa febre anglófona pelo petróleo e outras riquezas. Não para já… Mas vontade não falta. É a ansiada abordagem da pirataria às riquezas naturais da Indonésia com Timor-Leste tão ali a jeito e também a servir de excepcional ponte para um imenso arquipélago de milhentas ilhas.

Os governos australianos têm procurado por todos os meios e sob vários pretextos dominar e ocupar Timor-Leste, antes e depois da independência. Em 1975 usaram o ditador Suharto os seus generais assassinos. Em 2006 usaram os seus serviços de inteligência e os da CIA para fomentarem a divisão do novel país entre loromonos e lorosaes – timorenses de oeste e de leste. Tiveram por aliados os bispos e outros clericais da igreja romana timorense,  Xanana Gusmão, saqueadores timorenses corruptos e integracionista que ainda hoje prevalecem no governo AMP e nas suas ilhargas, graças a um golpe de estado que derrubou um governo legítimo reconhecido globalmente.

Quis a gula dos governos australianos de Howard, depois de Kevin Rudd e agora de Júlia Gillard desagradar a Xanana Gusmão, por o julgarem um fantoche nas cumplicidades e  por tanto quererem apossar-se de tudo que para eles representava saque e consequente lucro. Apesar de aparentemente e na ONU reconhecerem a independência de Timor-Leste, os governos australianos mantiveram e mantêm as suas enormes ambições de continuarem a roubar aquilo que pertence aos timorenses seguindo um modelo adaptado à época em que aliados à Indonésia de Suharto saquearam as riquezas naturais timorenses. Isso tem sido por demais evidente. Têm procurado por todos os meios manterem as suas forças de ocupação, os seus militares, no país. Primeiro ocupando em conluio com Gusmão e Horta, em 2006, e depois usando variadas estratégias, incluindo um projeto da permanência de um centro de refugiados em território leste-timorense - que foi negado e bem. O futuro mostrará aquilo que preconizam usar por estratégia para se manterem a ocupar o país. Também a castração do desenvolvimento timorense tem sido contemplado na estratégia dos neocolonialistas agora chefiados por Júlia Gillard e Kevin Rudd através da face da Woodside e da exploração do petróleo e gás timorense provindo do Greater Sunrise. Aos governos australianos interessa agirem por todos os meios possíveis e impossíveis de forma a não permitir o desenvolvimento timorense no que respeita a serem donos do seu próprio destino, nem como país produtor de petróleo e gás natural. Porque isso fomentará especialização, empregos e tantas outras componentes que contribuirão para o desenvolvimento de Timor e melhor nível de vida do seu povo. Fomentará mais e melhor independência, melhor formação e educação. Mais saúde, melhores habitações e infraestruturas, etc. Isso se os dirigentes eleitos e nas suas ilhargas não enveredarem pela corrupção e roubo continuadamente - como agora acontece. 

Pelos vistos os governos australianos mostraram tanto a sua gula e maldade, a sua falsidade, a sua traição, que Xanana Gusmão e até, talvez, o próprio Ramos Horta, tiveram de saber e demonstrar defender os reais interesses timorenses nesse capítulo e manter uma “guerra fria” contra as pretensões dos seus arquitetos, mentores e aliados anteriores no golpe de 2006. Fazendo finca-pé sobre o desembocar do gasoduto e exploração do Greater Sunrise em território terrestre timorense, na Costa Sul do país. Em vez de Darwin, na Austrália.

Foi por isso que vimos neste fim-de-semana passado a visita de Kevin Rudd, agora ministro dos negócios estrangeiros da Austrália, do governo alegadamente trabalhista de Gillard, deslocar-se a Timor-Leste em cerimónia de “peace and love”, num verdadeiro, hipócrita e enorme “beija-mão” ao país que querem continuar a dominar e explorar por todos os meios possíveis e imaginários. A visita de Rudd não tem outro significado. O que se espera é que Gusmão, Horta, as elites timorenses, o próximo presidente da República e próximo governo saídos das eleições em 2012 mantenham a defesa da soberania do país e dos reais interesses que os governos australianos sempre atacaram apoiando invasões assassinas e golpes de estado com o mesmo conteúdo, fomentando o atraso e a miséria que depois dizem combater com “dádivas cooperativas e humanitárias” suportadas pelos milhões de dólares que por décadas criminosamente têm saqueado dos bens naturais timorenses no Mar de Timor, comportando-se como piratas do século XXI, em Timor-Leste como noutras partes do mundo.

Nota: Apesar de não incluídos neste texto, porque no caso seria a despropósito, França e Alemanha - para além de outras pequenas e médias potências militares e económicas – não devem ser ignoradas naquilo que representam atualmente na corrida ao saque nos países produtores de hidrocarbonetos, petróleo, gás natural e outros minerais valiosos doados pela natureza e pertença daqueles que os da pátria do cifrão desestabilizam, ocupam e usam criminosamente através dos modos mais torpes que a humanidade possa avaliar.

Governo timorense abandona ideia de novo aeroporto em Díli, optando por ampliação do atual




MSO - LUSA

Díli, 11 jul (Lusa) -- O Plano Estratégico de Desenvolvimento (PED) que o primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, apresenta terça-feira aos parceiros de desenvolvimento, abandona a ideia de um novo aeroporto de Díli, preferindo ampliar o atual.

O PED prevê a ampliação da pista do atual Aeroporto Nicolau Lobato e a construção de um novo terminal para o tornar apto a gerir um milhão de passageiros por ano, até 2020.

Apesar dessa ampliação, dos atuais 1.850 metros para os 2.500 metros de pista, o Aeroporto Nicolau Lobato não ficará apto a receber aviões de longo curso, o que exigiria uma pista de três mil metros e obrigaria a construção no mar, a uma profundidade de 60 metros, com custos "incomportáveis".

A decisão é baseada na convicção de que não será comercialmente viável no prazo de 20 anos operar em Timor-Leste com grandes aviões, segundo o plano.

Fica como reserva o Aeroporto de Baucau, com os seus 2.500 metros de pista atualmente fora de serviço e que, apesar de destinado a ser uma base militar, vai ser dotado de um terminal civil e torre de controlo, para servir de alternativa ao Aeroporto de Díli.

Construídos de novo vão ser os portos marítimos de Tibar e do Suai, um na Costa Norte e o outro na Costa Sul, mas com funções diferentes.

O Porto de Tibar destina-se a substituir o superlotado Porto de Díli, que deverá ser reconvertido em marina de recreio e que já não deverá ter capacidade para a movimentação de cargas dos próximos quatro anos, com os seus apenas 300 metros de cais.

De acordo com o projeto, já iniciado, será um porto multi-funcional, com capacidade para escoar um milhão de toneladas de carga comercial, e vai ser construído por fases, de acordo com a procura e as disponibilidades de financiamento.

A obra envolve a construção de um quebra-mar, construção de cais e instalações em terra, dragagem e estradas de acesso, incluindo uma via de ligação a Díli para o transporte rodoviário.

Já o Porto do Suai, que já deverá estar a funcionar em 2015, tem como primeiro objetivo servir de entrada aos materiais e equipamentos para o desenvolvimento da indústria do petróleo e do gás na Costa Sul e incluirá um parque de contentores, instalações logísticas, armazenamento de combustível e, eventualmente, um setor de construção e reparação naval.

Timor-Leste: Rede Rodoviária é um dos principais eixos do Plano de Desenvolvimento




MSO - LUSA

Díli, 11 jul (Lusa) -- O Plano Estratégico de Desenvolvimento (PED), que o primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, apresenta terça-feira aos parceiros internacionais, tem na reabilitação da rede rodoviária um dos seus eixos principais.

"Será uma oportunidade para pensar o desenvolvimento a longo prazo, evitando a concorrência de projetos paralelos", antecipa à Lusa o porta-voz do Governo, Ágio Pereira, referindo-se à reunião com os parceiros de desenvolvimento em que vai ser apresentada "a visão timorense" do que deve ser o seu futuro a curto, médio e longo prazo, e orientar a cooperação.

Em termos gerais, é anunciado um programa de larga escala para a reparação, alargamento e melhoria da Rede Rodoviária Nacional, que inclui a passagem do padrão indonésio de 4,5 metros de largura para sete metros de todas as estradas nacionais e distritais até 2020, bem como a reabilitação das estradas rurais até 2015.

Paralelamente, será lançado um programa de construção de pontes, que inclui as fundações, tabuleiros e contrafortes, num total de 3.200 metros lineares de pontes, em todo o país.

A estratégia adotada consiste em aproveitar a rede de estradas existentes, reconvertendo-as gradualmente para virem a formar dois eixos principais: a Grande Via Costeira do Norte entre Díli/Baucau/Lospalos/Com, com mais de 120 quilómetros na parte oriental, e Díli/Liquiça/Bobonaro, com extensão até à fronteira em Mota-Ain, com cerca de 230 quilómetros.

O outro será a rota da Costa Sul, a desenvolver por etapas e que vai servir sobretudo a indústria petrolífera prevista para aquela zona do País, ligando Suai/Betano/Natarbora/Viqueque/Beaço.

Os dois eixos vão ser integrados na futura Auto-Estrada de Circunvalação, a concluir até 2030, pelo que a reabilitação das estradas atuais já deixará espaço reservado para uma faixa adicional em cada sentido.

Ainda no que respeita ao Plano Rodoviário, o plano privilegia a estrada Manatuto/Natarbora como principal via de ligação nacional entre o norte e o sul, em detrimento de outras ligações rodoviárias através do centro do país, pelos elevados custos que implicaria a sua reabilitação, com a construção de túneis e pontes, devido ao acidentado do terreno.

De acordo com o que está calendarizado, as grandes obras serão realizadas num prazo relativamente curto, até 2015, ano em que deverão estar totalmente reabilitadas e ampliadas estradas segundo os padrões internacionais entre Díli e Baucau, do lado oriental, correspondendo a 100 milhões de dólares de investimento (cerca de 71 milhões de euros).

A ligação entre Díli e Bobonaro, no lado ocidental, deverá custar 82 milhões de dólares (cerca de 58 milhões de euros), e a travessia Manatuto/Natarbora, tem um custo estimado de 60 milhões de dólares (42 milhões de euros).

Programado para executar até 2020 fica a rota da Costa Sul e o fecho do contorno do país, aquela que será a Auto-Estrada de Circunvalação.

Plano de Desenvolvimento quer integrar cooperação internacional em política de longo prazo




MSO - LUSA

Díli, 11 jul (Lusa) -- O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, apresenta terça-feira o Plano Estratégico de Desenvolvimento (PED) aos parceiros internacionais, "uma visão timorense" do que deve ser o futuro do país e orientar a cooperação.

Trata-se de um documento que estabelece prazos e metas, nas diversas áreas, e "um rumo para o desenvolvimento de Timor-Leste ao longo dos próximos 20 anos, que resulta de pesquisas, estudos, reflexões e consultas abrangentes", segundo o porta-voz do Governo, Ágio Pereira.

Além de um "ambicioso" plano de infraestruturas, o PED tem "uma forte componente social", para a qual os parceiros internacionais são convidados a colaborar, procurando integrar os projetos que apoiam.

No que respeita à educação e formação, estabelece-se no PED que até 2015 cerca de metade das crianças entre os três e os cinco anos estarão matriculadas no ensino pré-escolar e a educação básica estará disponível para 93 por cento das crianças timorenses.

Até 2030, projeta-se que todos os 442 sucos (freguesias) possuam instalações do pré-escolar.

A outro nível e até 2020, a Universidade Nacional Timor Lorosae (UNTL) terá sido alargada a sete faculdades, serão criados centros de formação e cada distrito terá o seu Centro de Emprego e Orientação Profissional.

Em termos de saúde, estabelecem-se como metas de curto prazo (até 2015) a construção de postos de saúde nos sucos com uma população superior a 1.500 pessoas e espera-se que 70 por cento das mulheres grávidas recebam cuidados pré-natais e que pelo menos 65 por cento tenham um parto assistido.

Os cuidados vão também abranger uma forte aposta na vacinação, apontando-se como objetivo imunizar 90 por cento das crianças contra a poliomielite, sarampo, tuberculose, difteria e hepatite B.

Já a médio prazo, espera-se que haja um posto de saúde para mil a cinco mil habitantes e que todos tenham pelo menos um médico, duas enfermeiras e duas parteiras, sendo que aldeias que fiquem a mais de uma hora a pé terão uma parteira local ou técnico de saúde comunitário.

Entre 2016 e 2020, a prioridade será mudar dos serviços de saúde primários para a prestação de cuidados de saúde especializados e até 2030 a capital será dotada de um hospital de especialidades e cada um dos 13 distritos terá o seu hospital distrital.

Ainda no capítulo social, prevê-se a curto prazo a criação do sistema contributivo de segurança social que garanta uma pensão a todos os trabalhadores timorenses, o apoio social aos veteranos e suas famílias e a integração na educação básica de 40 por cento das crianças deficientes.

Em termos ambientais, sobressai a preocupação em combater a desertificação do território, com a plantação anual de um milhão de árvores e a substituição da lenha para cozinhar nos hábitos familiares.

A cultura aparece com objetivos de curto e médio prazo que incluem alguns projetos novos.

Além do Museu/Centro Cultural e da Biblioteca e Arquivo Nacionais, projetam-se até 2015 cinco centros culturais regionais, a itinerância do cinema pelos distritos uma vez por mês e de forma regular em Díli e a criação de uma Academia Nacional para as Artes Criativas, estando ainda prevista a médio prazo a Companhia Nacional de Teatro e Dança.

ADE ROSTINA SITOMPUL, ATIVISTA DOS DIREITOS HUMANOS MORREU – 1938-2011





Ade Rostina morreu esta sexta-feira, 8 de Julho, pelas 23:32 , depois de estar em coma dois dias por hemorragia cerebral. Como activista pelos direitos humanos desenvolveu o seu trabalho em vários países, sempre em prol dos perseguidos políticos que conheceu ao longo da sua vida. Cinco décadas de trabalho intenso tornaram Rostina numa humanista , que mudou a vida de muitos timorenses.

Ade Rostina Sitompul nasceu em 12 de Dezembro de 1938 na fazenda do seu avô em Klapa Nuggal , Sukabumi. Filha de Kasianus Sitompul da tribo de Batak e Takapente Maartje de Borgo de Manado era a irmã mais nova de três irmãos. Rostina testemunhou e esteve diretamente envolvida na luta pela independência da Indonésia através do activismo do seu pai que foi responsável pelo "Movimento de Silêncio " e por uma casa secreta de acolhimento a presos políticos , actividades que levaram Rostina a trabalhar como mensageira dos rebeldes contra os Holandeses. Com o seu pai aprendeu a lutar pela igualdade e justiça social e a viver de perto com trabalhadores de plantações. Com o avô, Rostina aprendeu que até o inimigo deve ser tratado humanamente.

Os projectos desenvolvidos pela família no tempo do colonialismo levaram a que a preocupação e sensibilidade para as questões sociais começasse a ter efeito entre a população, o que forçou a família a fugir durante a guerra pela independência da Indonésia. Toda esta experiência moldou Ade Rostina que se envolveu na luta pela defesa dos direitos humanos na Indonésia.

Em 19 de Junho de 1959, Ade Rostina casou com John Suyanto, um jurista que mais tarde tornou-se funcionário da Marinha Indonésia. Desse casamento tiveram dois filhos e três filhas. Nos primeiros cinco anos do seu casamento, Rostina seguiu sempre o seu marido, que serviu em Surabaya. E foi ai que começou a envolver-se activamente em diversas organizações, principalmente no “Wanita Partindo” . Foi também Presidente da Organização Conjunta para as Mulheres de Surabaya (GOWS) e trabalhou como repórter no Diário de O, um jornal pró-Sukarno. No decorrer das suas funções conheceu Gerwani, Sudjinah e Sulami.

Em 1965, Rostina assume um novo compromisso humanitário no movimento de luta pela libertação do seu país. Um dos irmãos de Rostina, líder da Associação de Jornalistas pro-Sukarno foi detido e esteve preso 9 anos. . Perante esta situação, Rostina arranjou doações de medicamentos e alimentos para enviar a prisão, criou uma rede de cuidados para os presos políticos e as suas famílias, e salvou muitas pessoas perseguidas por militares. Os seus amigos também sofreram um destino semelhante, incluindo Sudjiah e Sulami. Estas atividades levaram Rostina a ser interrogada frequentemente pelo regime militar. Só mais tarde construiu alianças com outros ativistas indonésios, tais como Rev. Inez Marantika e o padre Eddy Raintung.

Em 1980, fundou o grupo de trabalho Humaika, uma organização para os presos políticos que foram libertados da ilha de Buru e Plantungan. Mais tarde juntou-se a Yayasan Hidup Baru (YHB) uma associação que chegou a dar apoio na prisão aos presos políticos timorenses. Em 1989, Rostina e Lasut irritaram o governo indonésio quando denunciaram junto da comunidade internacional a execução de quatro políticos que estavam presos desde 1965 e iniciaram campanhas para a abolição da pena de morte na Indónesia. No final de 1990, Rostina deixou YHB para liderar o Instituto de Apoio de Prisioneiros Políticos das Igrejas Indonésias.

Ade Rostina juntamente com Asmara Nababan e vários outros líderes religiosos e de direitos humanos, estabeleceram uma comissão mista para os timorenses em situações de emergência devido ao massacre de Santa Cruz, de 12 de Novembro de 1991. Pela primeira vez Rostina envolveu-se na investigação de violações dos direitos humanos. Desde então realizou várias visitas a Timor-Leste, mantendo um envolvimento cada vez mais profundo com as vítimas, especialmente com as vítimas de violação. As suas opiniões sobre a atitude e violência praticada pelas autoridades indonésias em Timor desencadearam novamente fortes ameaças à sua integridade física.

Mas não só os acontecimentos de 1965 e os de 1991 obtiveram a atenção de Rostina que esteve também ativamente envolvida em campanhas pela defesa dos direitos humanos, durante o regime da Nova Ordem do Suharto. Ao longo da sua vida organizou também várias campanhas de apoio às vítimas de desastres naturais ,em várias regiões da Indonésia ,e manteve boas relações com muitas outras organizações de direitos humanos como ELSAM, Kontras, Imparsial, Pokastin, Shmi e Setara.

Em 1995, esta ativista pioneira na Indonésia recebeu o prêmio de Yap Thiam Hien . A idade e saúde nunca foram um obstáculo para ser ativa e apesar das pressões da família para descansar, Rostina sempre respondia "Se eu descanso, eu subjugo-me à morte."

MERPATI DISPOSTA A MELHORAR OS SEUS SERVIÇOS





Untjok Mangara, gerente da companhia aérea Merpati disse estar disposto a melhorar o atendimento e os serviços. Contudo, sugere ao Governo timorense uma melhoria das condições do Aeroporto Internacional Nicolau Lobato e que o mesmo possa estar aberto 24 horas.

Segundo Mangara e em declarações ao jornal Timor Post, a presença da Timor-Leste Airlines (TLA) é positiva para o desenvolvimento do próprio país e que a concorrência fará a Merpati melhorar o seu serviço, apesar de por vezes as condições climatéricas dificultarem as ligações aéreas.

“Independentemente do valor que iremos despender, a Merpati irá melhorar substancialmente o atendimento ao cliente” garantiu o gerente na passada Sexta-feira, ao jornal Timor Post, acrescentando ainda que tal processo irá ser feito com cautela.

SAPO TL com Timor Post

VIVA BANANA GUSMÃO! VIVA A DITADURA!




MAUBERE REVOLTADO – TIMOR HAU NIAN DOBEN

"A Fretilin virou as costas ao desenvolvimento nacional. Virou as costas a melhoria de vida para o povo Timorense."

"VIVA PM XANANA GUSMÃO!!
VIVA AMP!
VIVA OS OUTROS PARTIDOS DA OPOSIÇÃO CONSCIENTES E RESPONSÁVEIS!
VIVA O PROJETO NACIONAL!
VIVA TIMOR!!!
ADEUS CONFLITO, BEM-VINDO DESENVOLVIMENTO!"

Mas estes ignorantes estão a dar vivas a um Plano que provavelmente nem leram, porque é um plano longo e leva tempo para digerir todas as propostas apresentadas pelo Banana Gusmão.

A Fretilin virou as costas ao desenvolvimento, dizem os fiéis do Banana. Mas que politica baixa é essa? O que a Fretilin pediu foi tempo para ler e analisar o tão proclamado Plano de Desenvolvimento, nada mais. O Banana recusou e eles que não são palhaços, sairam. Fizeram bem, muito bem! Parabéns Fretilin, pela coragem de dizerem BASTA a este ditador.

É obvio que a Fretilin tem que estar desconfiada destes planos mirabolantes, uma vez que o povo de Timor já está mais que escaldado com as falsas promessas deste salafrário (Xanana), lembram-se do Pacote Referendum e da famosa promessa durante a campanha eleitoral, " quem roubar 50 cêntimos, saiiiiiii"? Pois...

Os membros deste Governo têm roubado aos milhões o povo timorense e ninguém saiiii! Pelo contrário, o pai Xanana defende-os com todas as garras que tem. E eles lambem-lhe as botas e outras coisas mais para verem o líder contente e continuarem a gamar, o maior cego é aquele que não quer ver.

A Fretilin não virou as costas ao desenvolvimento, Banana Gusmão foi quem virou as costas ao diálogo e à democracia. Essa é que é a verdade.

Mas continuem a dar vivas ao vosso líder, porque só assim conseguirão manter os tachos e as pechinchas que ele vos dá, mas que ele é um ditador, lá isso é, têm de concordar comigo. Mas também se não concordarem que se lixem e continuem a gritar se faz favor.

Viva Banana Gusmão!!!!!! Viva a ditadura!!!!!!!!!

TENHO PENA E NOJO DE PESSOAS COMO VOCÊS.

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União Europeia apoia sistemas eleitorais nos PALOP e Timor-Leste com 6,1 milhões de euros




CFF - LUSA

Lisboa, 11 jul (Lusa) - A União Europeia vai apoiar os sistemas eleitorais nos países africanos lusófonos e em Timor-Leste com 6,1 milhões de euros ao abrigo de um projeto gerido pelas Nações Unidas em cooperação com a Justiça Eleitoral Brasileira.

Ricardo Lewandowski, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) do Brasil e Gana Fofang, representante adjunto do secretário-geral das Nações Unidas em Bissau, assinaram hoje em Lisboa, um memorando de entendimento para a implementação do Projeto de Apoio aos Ciclos Eleitorais nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e em Timor-Leste (Pro PALOP-TL).

O projeto visa apoiar "atividades e iniciativas relacionadas com as eleições e o fortalecimento dos órgãos de gestão eleitorais" dos PALOP e de Timor-Leste e será financiado na totalidade pela União Europeia.

A gestão fica a cargo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), através do seu escritório na Guiné-Bissau, e contará com o apoio técnico da Justiça Eleitoral do Brasil.

O memorando, assinado durante uma reunião do Comité de Concertação Permanente da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), prevê cooperação nas áreas da formação, planeamento estratégico e operacional dos atos eleitorais, recenseamento eleitoral, verificação dos resultados e gestão de conflitos e contencioso eleitorais.

Propõe-se igualmente apoiar a consolidação do Fórum dos Órgãos de Gestão Eleitoral dos países lusófonos, nomeadamente através da criação de uma base de dados em língua portuguesa para uso de especialistas eleitorais, da elaboração de programas de desenvolvimento no domínio da administração e assistência eleitoral e da produção de estudos comparativos para o recenseamento biométrico, voto eletrónico e transmissão de resultados.

O representante adjunto do secretário-geral das Nações Unidas em Bissau, Gana Fofang, disse que no âmbito do Pro PALOP-TL decorreram já encontros para a troca de experiências e que estão em curso ações de formação de formadores em todos os países, envolvendo um total de 120 pessoas.

Ricardo Lewandowski disse à Agência Lusa que, pela parte do Tribunal Superior Eleitoral, a ideia é transmitir aos países da CPLP "técnicas eleitorais" que, segundo disse, a Justiça Eleitoral Brasileira desenvolveu "com muito sucesso".

"Um país de dimensões continentais como o Brasil, que tem 200 milhões de habitantes e cerca de 136 milhões de eleitores e que hoje vota a cada dois anos com muita eficiência, com um índice de abstenção muito pequeno e com o apuramento dos resultados em tempo recorde. É esta experiência que queremos transmitir", disse Ricardo Lewandowski.

Comissária europeia propõe desmantelamento da Standard & Poor"s, Moody"s e Fitch





A comissária europeia para a Justiça, Viviane Reding, propôs hoje o desmantelamento das três agências de "rating" norte-americanas Standard & Poor"s, Moody"s e Fitch, em declarações ao jornal alemão Die Welt.

"A Europa não pode permitir que o euro seja destruído por três empresas privadas norte-americanas", disse a comissária luxemburguesa, exigindo mais transparência e mais concorrência na avaliação de Estados pelas referidas agências.

"Só vejo duas soluções, ou os Estados do G-20 decidem desmantelar o cartel das três agências de 'rating' norte-americanas, e de três agências fazer seis, por exemplo, ou criar agências de 'rating' independentes na Europa e na Ásia", acrescentou Reding.

A controvérsia em torno das agências de "rating" em questão - que têm sede em Nova Iorque e, por isso, estão fora da esfera de influência da União Europeia - reacendeu-se na semana passada, depois de a Moody's ter baixado em três níveis a notação da dívida pública de Portugal, passando a classificá-la como lixo.

A referida agência alegou que Portugal irá precisar de um segundo pacote de ajuda externa, tal como a Grécia, o que gerou vários protestos, sobretudo porque o novo Governo de Pedro Passos Coelho se comprometeu a ir além do plano de austeridade negociado há poucas semanas com a União Europeia e com o Fundo Monetário Internacional.

Receita mais rápida contra agências de rating é não lhes dar ouvidos, dizem especialistas




OJE - Lusa

A forma imediata da Europa se defender das descidas das notações de crédito por parte das agências de rating é deixar de lhes prestar tanta atenção, disseram à agência Lusa especialistas do sector.

Depois da agência de notação financeira Moody's ter cortado, na terça-feira, o rating português para a categoria de junk (lixo), a opinião de diversos peritos é que as instituições europeias devem reduzir as notações de risco à mera opinião.

"Sou céptico quanto a qualquer referência do Banco Central Europeu (BCE) aos ratings. Eles podem lê-lo como uma opinião, simplesmente, a opinião de um privado. Mas nunca devem tomar qualquer decisão - comprar dívida soberana, aceitá-la como colateral - só porque tem um certo rating, isso deveria acabar já", tal como os EUA já o começaram a fazer", disse à Lusa o director do Instituto para a Estabilidade Monetária e Financeira da Universidade de Frankfurt, Helmut Siekmann.

O BCE decidiu esta semana aceitar a dívida soberana de Portugal como colateral no financiamento aos bancos, suspendendo a regra que proibia a aceitação de dívida com notação de junk ou seja, de nível especulativo.

Sony Kapoor, director-geral do centro de investigação económica Re-Define, com sede em Bruxelas, concorda que os líderes europeus deveriam andar menos a reboque dos ratings.

"Temo bem que se esteja a dar muita atenção e muita importância às agências e às suas acções", considerou Sony Kapoor em declarações à Lusa, numa opinião que Pascal de Lima, economista-chefe da consultora Altran, partilha.

"A primeira reacção, de curto prazo, passa por esquecer a importância das agências de notação. O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, tem perfeita razão dizendo que agora é preciso, na regulamentação financeira, esquecer completamente essa parte do sistema financeiro", afirmou.

Para a eurodeputada Maria da Graça Carvalho, do PSD, da comissão de Orçamento e Finanças do Parlamento Europeu (PE), a Europa deve ter "a opinião das agências de rating na sua devida proporção", mas não mais.

"Os decisores políticos podem fazer uso da sua própria informação, de mais agências de rating e das suas próprias avaliações, como do FMI e do BCE, diversificar as fontes de informação e deixar de recorrer às agências dominantes no mercado", considerou.

Graça Carvalho defende também a criação, "não por iniciativas governamentais mas a nível dos mercados, de agências de raiz europeia", mas Helmut Siekmann mostra-se céptico, apesar de louvar a proposta do PE que trata a notação de risco como um bem público, que não deve depender totalmente do mercado.

"Mais uma agência, provavelmente, não soluciona o problema, porque em vez de ter as três grandes agências, passa a haver quatro. Como é que seria financiada de forma a evitar conflitos de interesse?", disse Siekmann.

Simon Kapoor resume, numa frase, o que todos os outros especialistas pensam - que o importante é que os governos europeus se mostrem à altura das circunstâncias.

"Os líderes europeus precisam é de se focar em arrumar a casa, e de chegar a uma solução rápida e decisiva para a crise", afirmou.

IMPRENSA MARROM NÃO É EXCLUSIVIDADE DOS INGLESES


Palavras 'Obrigado e adeus' última edição do tabloide britânico

DEUTSCHE WELLE

Telefones grampeados, propina para policiais: uma reportagem a qualquer preço. O escândalo jornalístico do "News of the World" chocou os ingleses. Mas, e na Alemanha, até onde os jornalistas vão por uma "boa" história?

Há tempos os jornalistas do tabloide britânico News of the World não conheciam limites. Auxiliados por detetives particulares, eles invadiam as caixas de mensagens de celebridades, ou de uma menina sequestrada – e posteriormente assassinada –, prejudicando a investigação da polícia. Mesmo os celulares de familiares de soldados mortos e de parentes de vítimas do terrorismo foram grampeados pelos repórteres.

A última edição do News of the world foi às bancas neste domingo, (10/07), com a manchete "Obrigado e adeus". O jornal – da editora News Corp, do magnata Rupert Murdoch, e que contava 7,5 milhões de leitores – foi fechado em consequência do escândalo de espionagem e invasão de privacidade. Mas, apesar da indignação pública, muitos britânicos devem comprar a última edição do jornal para guardar de recordação: por isso a tiragem foi duplicada para 5 milhões de cópias.

Entretanto, os casos de sensacionalismo extremo na mídia não são exclusividade dos britânicos. A própria Alemanha teve nos últimos anos seus escândalos jornalísticos. A conceituada revista Stern, por exemplo, publicou em 1983, com grande estardalhaço, os supostos diários de Adolf Hitler. A editora Gruner + Jahr pagou cerca de 9 milhões de marcos alemães (4,6 milhões de euros) pelos mais de 60 volumes.

Pouco tempo depois, descobriu-se que os jornalistas haviam sido enganados por um falsário. Mais tarde, o caso envolvendo o repórter da Stern Gerd Heidemann e o falsário Konrad Kujau virou até filme.

Escândalo de Gladbeck

A guerra pela audiência levou ao escândalo sobre o drama dos reféns da cidade de Gladbeck, no oeste alemão. No dia 16 de agosto de 1988, a dupla de criminosos Dieter Degowski e Hans-Jürgen Rösner invadiu uma filial do Deutsche Bank na cidade.

Em sua fuga, que durou dois dias, os criminosos tomaram vários reféns. Em um ônibus, Degowski atirou e matou um menino de 15 anos, e durante a ação policial, morreu a jovem Silke Bischoff. Em alguns momentos o evento foi transmitido ao vivo pela televisão.

No centro de Colônia, jornalistas cercaram o veículo e entrevistaram os ladrões. Alguns deles chegaram a sentar no carro junto com os criminosos. O comportamento da mídia provocou um debate sobre a responsabilidade e os limites da cobertura.

Mas um caso como o do Reino Unido, em que os jornalistas intencionalmente violaram a lei, nunca aconteceu na imprensa alemã. Ella Wassink, porta-voz do Conselho de Imprensa da Alemanha, classifica como "improvável" o desenvolvimento desse tipo de jornalismo: "Não temos nenhuma razão ou evidência para acreditar que na Alemanha as coisas tomem esse rumo", avalia.

Autocontrole eficiente

O Conselho de Imprensa alemão é um órgão de autorregulação voluntária, e também a central para reclamações sobre o trabalho da mídia e dos jornalistas. De acordo com Ella Wassink, nos últimos anos houve apenas algumas poucas queixas sobre os métodos de apuração dos jornalistas. Ela lembra que o escândalo na Inglaterra mostra a tabloidização dos jornais britânicos. Aparentemente "o público gosta desse tipo de jornalismo".

Os políticos britânicos, sejam de direita, sejam de esquerda, buscam se aproximar de Rupert Murdoch, cujos jornais dominam a imprensa no país. Sua posição de "todo-poderoso" é um dos principais motivos para o modo como o jornalismo é feito no Reino Unido, diz Michael Haller, diretor científico do Instituto de Pesquisa para a Prática do Jornalismo, de Leipzig. "Essa condição dá às redações a impressão de que podem tudo. E isso, em minha opinião, é o verdadeiro mal."

Na Alemanha, diz o pesquisador, não existe, até agora, nenhum grupo de mídia com tamanho poder. "Temos uma lei anti-cartel muito mais restritiva e rigorosa", destaca Haller. Com essa lei, o Escritório Federal de Cartéis proibiu em 2006 a aquisição do grupo de televisão privado Pro SiebenSat1 pelo Grupo Springer, que edita o tabloide Bild, jornal de maior tiragem da Alemanha.

Autor: Nils Naumann (ff) - Revisão: Augusto Valente

PRÉ-SAL: UMA FARSA NA PAUTA DO CONGRESSO?




Paulo Metri* - Outras Palavras

E se defensores de mudança na lei 12.351 pretenderem (encobertos por discurso nacionalista…) desnacionalizar o petróleo?

ATO ÚNICO

(As cortinas se abrem e aparece uma sala de órgão federal do governo americano, com seis homens e duas mulheres sentados em volta de enorme mesa retangular)

Homem da cabeceira – Estamos reunidos, hoje, para tratar da questão dos movimentos nacionalistas da América do Sul. Há necessidade de nos preocuparmos?

Homem 1 – É claro que já tivemos as fases dos militares e dos neoliberais que nos tranquilizaram muito, às suas épocas. Hoje, temos arroubos nacionalistas que, se não forem contidos, poderão acarretar danos sérios.

Mulher 1 – Vamos ser práticos e focar no que é importante. Não podemos esquecer que nossa agência é de inteligência. Brasil e Venezuela são nossos maiores problemas, hoje. Há nacionalistas em outros países, mas a repercussão não é tão grande quanto as destes dois. Venezuela, por seu petróleo e por Chávez. Passou despercebido por todos, mas as reservas venezuelanas, nos últimos cinco anos, cresceram mais que as brasileiras com todo o pré-sal. Lula e Dilma não podem ser comparados a Chávez, mas não são aliados incondicionais. Lula, sob muita pressão, fez concessões. Mas não sabemos como a Dilma irá se comportar.

Homem da cabeceira – Vamos nos concentrar, primeiro, na questão brasileira. Peter é nosso especialista.

Peter – Ainda temos a grande massa brasileira completamente alienada e dominada. Os meios de comunicação tradicionais fazem um ótimo trabalho, com forte apoio nosso. Mas cresce a mídia alternativa que recebe centenas de milhares de visitações diárias. São pessoas querendo se informar em sites, facebooks, blogs e twitter, que crêem ser mais confiáveis. Têm professores e estudantes universitários, jovens profissionais liberais, empresários, sindicalistas etc. Por outro lado, é muito fraca a aceitação de nossa mídia alternativa.

Homem 2 – Nossa?

Peter – É claro que, quando digo “nossa”, são de brasileiros comprados que publicam nossas versões. Aliás, sobre este ponto, nossas empresas e as de países com os mesmos interesses que os nossos fazem um excelente trabalho, disponibilizando recursos para iniciativas deste tipo.

Homem 3 – Por que é fraca a aceitação da nossa mídia alternativa?

Peter – Não demos sorte, pois não apareceram profissionais brilhantes dentre os que temos recrutado. Aliás, não apareceu também um político excepcional do nosso lado. Mas, felizmente, a sociedade é bastante alienada. Concentramos esforços em FHC. Ele não decepcionou, mas não criou sucessor. Hoje, está idoso, além de o povo já o conhecer. A verdade é que não temos um encantador de massas, como Lula, do nosso lado.

Homem 2 – Mesmo com toda a doutrinação de que globalização e liberalismo podem trazer bem-estar para todos em qualquer país, hoje, brota a desconfiança nesta tese.

Homem 4 – É a primavera brasileira?

Homem 1 – Não! É natural. Mesmo que não houvesse comunicação entre gerações, um dia iria brotar o nacionalismo nos novos. Não podemos reclamar, pois fomos e somos um dos países mais nacionalistas do globo.

Mulher 2 – Como ficou a exploração do pré-sal? Ele é vital para nós.

Peter – Tivemos muitas derrotas, no ano passado, quando decidiram o novo marco regulatório do pré-sal. Mas, tivemos uma vitória grande porque a tese do pré-sal ser explorado só pela estatal deles não vingou. Espalhamos, até através de autoridades deles, que, como 40% das ações desta estatal pertenciam a gringos, se o pré-sal fosse entregue a ela, 40% do petróleo desta região iam ser entregues aos gringos (risos).

Homem 4 – Isto chega a ser engraçado. Trata-se de “usar o nacionalismo contra os nacionais”. E eles acreditaram?

Peter – Era um ministro deles quem dizia isto (risos).

Homem 4 – Quais foram as derrotas?

Peter – A estatal deles recebe 30% das ações de todos os consórcios formados para explorar os campos e 30% do petróleo produzido em todos os campos; ela é a operadora única dos diversos campos e, com isso, será responsável pelas compras de todo pré-sal; uma nova estatal, a ser criada, terá sempre o voto final em qualquer consórcio, ditando, por exemplo, a velocidade da produção; o Estado brasileiro passa a comercializar parcela expressiva da produção; é criado o Fundo Social e um mecanismo para sua capitalização etc.

Mulher 1 – Foram perdas enormes! Por que a lei do FHC não continuou para o pré-sal? Faltou o quê?

Peter – Fizemos muitos esforços. Políticos locais, professores universitários, burocratas e empresários brasileiros foram mandados para a linha de frente, a diplomacia americana atuou bastante, recriamos até a Quarta Frota. O grande diferencial deles, o presidente Lula, ficou irredutível. Este novo marco regulatório é obra dele, sozinho.

Mulher 2 – E os movimentos sociais?

Peter – Queriam a estatal explorando o pré-sal, mas nossa mídia tradicional os anulou. A conquista foi pessoal do Lula.

Mulher 2 – Então, fomos aniquilados?

Peter – Não. Ainda temos nossos homens de confiança dentro do governo brasileiro. Por exemplo, teremos a 11ª rodada de leilões em setembro deste ano.

Homem da cabeceira – Agora, com Dilma, pode vir a ser diferente?

Peter – Está ainda cedo para dizer, pois ela precisa ser mais testada. Por exemplo, neste exato momento, existe uma chance de novo embate com relação ao mesmo marco regulatório ocorrer no Congresso, com Lula fora da presidência. Tenho dito aos nossos para trabalharem para que ocorra esta revisão e, depois, irem para o confronto.

Homem da cabeceira – Como assim?

Peter – Trata-se de algo ocorrido por acaso, no qual tivemos muita sorte. O marco regulatório do petróleo (lei 12.351), que saiu do Congresso para o presidente Lula sancionar, tinha internamente artigos conflitantes. A história, contada, parece brincadeira, mas é verdadeira. Os artigos 2, 10, 15 e 29 conflitavam claramente com o artigo 64. O presidente Lula vetou o artigo 64 e, assim, acabou com o conflito. Neste exato instante, os nacionalistas estão querendo que não haja o que eles estão chamando de “ressarcimento dos royalties pagos”, que é proibido por este artigo 64 e, assim, lutam pela derrubada do veto. Entretanto, eles advogam esta posição sem entenderem que, sendo o veto derrubado, a lei voltará a ter artigos conflitantes e ficará muito fácil para qualquer deputado ou senador apresentar novo projeto de lei para corrigir esta incongruência, pois será acolhido. Em uma fase seguinte, outros deputados ou senadores apresentam emendas ao novo projeto mudando a lei 12.351, ou seja, retirando a estatal brasileira da posição de operadora única do pré-sal etc.

Homem 4 – De novo, os nacionalistas nos ajudam (risos)?

Peter – Sim. Mas, tem mais. Este artigo do “ressarcimento dos royalties pagos”, que eles garantem ter sido incluído pelas petrolíferas estrangeiras, com a conivência de deputados e senadores, primeiramente, não se trata de ressarcimento verdadeiro. Trata-se de um simples benefício fiscal, para as empresas não pagarem royalties sobre uma produção de idêntico valor à última parcela de royalties paga. Podem declarar que é um benefício desnecessário, pois a atividade é bastante rentável, mas não é ressarcimento. O consórcio está tirando petróleo do próprio campo. Só se eles estão falando de “auto-ressarcimento” (risos). Além disso, o grande beneficiário deste “ressarcimento” seria a estatal deles, então, como se costuma dizer no mesmo Brasil, “os nacionalistas estão dando um tiro no próprio pé” (risos).

Homem 3 – Com tanto nacionalista brasileiro nos ajudando, eu temo pelo meu emprego (risos).

(As cortinas se fecham com risos ao fundo)
*Paulo Metri é conselheiro da Federação Brasileira de Associações de Engenheiros

REFLEXOS DA PRIVATARIA




MÁRIO AUGUSTO JAKOBSKIND* – DIRETO DA REDAÇÃO

Os bueiros bombas da Light no Rio de Janeiro remetem a uma questão que remonta a vários governos: a balela da privatização. O governo Fernando Henrique Cardoso, seguindo a orientação do chamado Consenso de Washington, que teve início no de Fernando Collor, incutiu na opinião pública que todos os problemas brasileiros se resolveriam com a privatização das principais empresas estatais. O governo Lula, em menor grau, seguiu a prédica.

Cardoso empenhou o país com a propaganda enganosa de que as empresas prestadoras de serviços essenciais à população desempenhariam melhor as funções se ficassem em mãos privadas. Não foi bem isso o que aconteceu, da mesma forma que em países vizinhos como a Argentina, na era Carlos Menem.

Neste momento, os cariocas estão literalmente sentindo na pele como um serviço essencial como o da energia, sob controle privado, se deteriora e tudo fica por isso mesmo. Nas últimas semanas, os meios de comunicação informaram quase diariamente sobre a explosão de bueiros da Light provocando vítimas. No ano passado, um casal de turistas estadunidenses foi atingido sendo que a mulher teve 80% do corpo queimado. Em abril deste ano, em plena avenida Copacabana, no posto 4, por muito pouco não ocorreu uma tragédia de graves proporções com uma nova explosão, que deixou feridos.

Depois de muitas ocorrências, o Ministério Público estadual decidiu recomendar uma tímida medida, qual seja o pagamento de multa de 100 mil reais por cada bueiro voador. Isso e nada é quase a mesma coisa. Esperava-se que o serviço fosse se não reestatizado, pelo menos a concessão da Light cassada. 

Na verdade, as autoridades não querem dar o braço a torcer, pois se adotassem medidas mais concretas do que uma multa irrisória estariam admitindo que a privatização não resolveu coisa alguma, muito pelo contrário. As empresas concessionárias contam com o fator impunidade e só se preocupam com a deterioração dos serviços a partir do momento que sua imagem é afetada.

O metrô do Rio e os trens da Supervia privatizados são também exemplos gritantes de como os serviços se deterioraram e tudo ficou por isso mesmo. Para se ter uma ideia, na Supervia os seguranças chegaram a dar chicotadas nos usuários. Os serviços são abaixo da crítica, mas também nada acontece. A concessionária da Supervia teve até renovada a concessão por mais duas décadas e meia. Que aí tem truta, ninguém mais duvida.
Quanto à corrupção no Ministério dos Transportes, não chega a ser fato novo. Desde a época da ditadura, e até antes, o setor é ocupado por figuras notórias vinculadas a esquemas mafiosos. Durante a ditadura não se podia divulgar nada que colocasse em questão a imagem dos responsáveis pelos mais amplos setores do Ministério.

O único fato novo deste mais recente episódio que culminou com a demissão forçada do Ministro Alfredo Nascimento foi à divulgação da bandalheira. Pergunta-se: como a revista Veja, uma publicação de jornalismo rasteiro, teve acesso? É óbvio que só se sabe destas coisas quando há interesses contrariados. Ou então quando se quer afastar algum corrupto que passou dos limites.

A oposição, que continua completamente sem bandeiras, aproveita o embalo para tentar ganhar pontos junto ao eleitorado. Mas, convenhamos, críticas oriundas de ACM Neto, Rodrigo Maia, filho de quem é e cia. ltda. não podem ser encaradas como se fossem algo com lisura. Ou ainda a patota dos tucanos, responsáveis pela privataria dos anos FHC, que moral tem esta gente para falar sobre corrupção?

Uma coisa é certa, no capitalismo brasileiro melhor investimento do que ser filho de ministro é impossível, como comprova o filho de Alfredo Nascimento, que em três ano enriqueceu com sua empresa 86 mil por cento. Convenhamos, ganho igual é difícil em qualquer parte do mundo.

A recente inauguração do teleférico no morro do Alemão remete aos anos 80. Quando o então governador Leonel Brizola falava em construir um teleférico no Morro do Pavão Pavãozinho, a direita e a mídia de mercado não o deixaram em paz com críticas veementes contra o “populismo”. Em relação aos Cieps houve até políticos que se denominavam de esquerda fazendo críticas dizendo que escola não era restaurante e coisas do gênero. Depois, para variar, fizeram autocrítica.

Na semana que passou, a Presidenta Dilma participou da inauguração no Morro do Alemão e hoje se admite que se a proposta original dos Cieps, de Darcy Ribeiro, não sofresse solução de continuidade como aconteceu a partir do governador Marcelo Alencar e prefeitos como Cesar Maia e Luis Paulo Conde a geração dos jovens que aderiram ao tráfico poderia ter tido outro destino.

No dia seguinte a inauguração, enquanto o jornal O Globo publicava o trio Dilma Rousseff, Sergio Cabral e Eduardo Paes sorrindo no teleférico, O Dia ilustrava na primeira página a foto de um amigo de Juan com lágrima nos olhos. Ele chorava a morte do amigo assassinado pela Polícia Militar em Nova Iguaçu. Se Dilma Rousseff tivesse uma melhor assessoria, em vez de fazer marketing no Morro do Alemão ao lado do governador e do prefeito poderia ter lançado uma nota de repúdio a mais um ato hediondo da PM, que por pouco não foi abafado e valeu oficialmente apenas uma tímida nota do Secretário de Segurança, Mariano Beltrame admitindo o erro da polícia. E também, depois do assassinato, a polícia decidiu adotar maior rigor de fiscalização de seus efetivos nas operações que envolvem confrontos.

*É correspondente no Brasil do semanário uruguaio Brecha. Foi colaborador do Pasquim, repórter da Folha de São Paulo e editor internacional da Tribuna da Imprensa. Integra o Conselho Editorial do seminário Brasil de Fato. É autor, entre outros livros, de América que não está na mídia, Dossiê Tim Lopes - Fantástico/IBOPE

NOS BUEIROS DA PRIVATIZAÇÃO




RODOLPHO MOTTA LIMA* - DIRETO DA REDAÇÃO

Os habitantes da cidade do Rio de Janeiro vêm experimentando, de alguns meses para cá, sensação similar à daquelas pessoas que vivem em regiões conflagradas, nas quais, a qualquer momento, pode explodir uma bomba e, com ela, muitas vidas. Até aqui, mais de cinquenta bueiros foram repentinamente para o ar, em movimentadas ruas do Rio.  Se, por sorte, nem todas as explosões provocaram consequências trágicas, algumas causaram sérios problemas aos cidadãos atingidos, com danos físicos e prejuízos materiais.

O assunto leva a um tema que, volta e meia, se coloca em discussão: a questão das privatizações. Sobre ele, não dá para ficar em cima do muro. Nem dentro do bueiro...

Pode parecer, a muitos ingênuos, que a discussão do assunto  seja apenas um mote para, de tempos em tempos,  ativar discussões políticas. Contudo, um espectador atento da cena nacional sabe que está aí, realmente, um grande divisor de águas entre dois modelos de administração do interesse público.

Os bueiros em questão são cerca de 40.000, presentes nos quase 6.000 quilômetros da rede subterrânea da cidade e espalhados por logradouros de grande movimentação de carros e pedestres. São da responsabilidade da Light, uma das “jóias” do processo generalizado de privatizações empreendido no governo de Fernando Henrique Cardoso, tendo Serra como seu ministro de Planejamento.

No caso, a privatização data de 1996, feita através de leilão na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. A Light, depois de um longo período sob administração do Governo Federal, foi arrematada por um consórcio de três empresas. Como aconteceu então com a Eletropaulo, em São Paulo, houve dinheiro subsidiado no negócio, em processo que envolveu BNDES e a Eletrobras, além da Companhia Siderúrgica Nacional, também privatizada. Depois de consolidado o controle da empresa pelo grupo francês EDF, acabou acontecendo, em 2006. Um contrato de compra e venda, cujos meandros não cabem neste artigo, mas de que resultou, em 2009,  a passagem da administração para a CEMIG, companhia de capital aberto controlada pelo Governo do Estado de Minas Gerais,  uma das participantes do consórcio original.
  
O que agora acontece no Rio de Janeiro reflete a mentira que sempre se embutiu na “lógica” dos processos de privatização: a excelência da iniciativa privada, quando comparada à ineficiência da administração pública. O que se percebe , claramente, é o desleixo, a incompetência, a desatenção com que a empresa foi  “cuidada” sob controle da iniciativa privada, com ausência de investimentos e falta de manutenção. A todo tempo, vêm à baila declarações de que “os equipamentos são antigos”, “precisam de reforma”, ou de que a culpa dos episódios  que estão gerando pânico e insegurança deve-se ao ”número excessivo de serviços terceirizados”, ou , mesmo, a uma misteriosa “sabotagem” que estaria em curso, gerando as explosões. Também tem sido apresentada como corresponsável pelas ocorrências – que envolveriam vazamento de gás - a CEG, empresa igualmente privatizada, em 1997.

Qualquer brasileiro antenado ao mundo em que vive conhece as “excelências” dos serviços privatizados. Lembro-me que, nas eleições, o carro-chefe do empreendimento privado, mencionado a toda hora pelos tucanos de plantão como exemplo de eficiência,  era o celular. Esqueciam-se, é óbvio, de citar os recordistas números de reclamações dos consumidores, envolvendo esse serviço. Com igual conveniência, também omitiam o fato de que a tarifa média do celular no Brasil é a segunda mais cara do mundo, atrás somente da África do Sul. Contudo, o verdadeiro bombardeio midiático a favor da compra do celular com todas as parafernálias supérfluas que o acompanham levam o nosso país à estranha situação de ter quase  mais celulares do que pessoas... Isso é bom? É disso que precisamos?

A empresa Vale do Rio Doce, em operação até hoje cercada de desconfianças (que, à época, levou a revista “Veja” e estampar em sua capa a manchete “Propina na privatização”), foi vendida por 3,4 bilhões, importância que corresponde atualmente a uma parcela do seu  lucro trimestral. E hoje vale quase 200 bilhões. Bom para o Brasil? Bom para os brasileiros?
      
As estradas brasileiras privatizadas vão bem, obrigado, dirão alguns defensores do processo. Mas é só comparar os pedágios que hoje se pagam à iniciativa privada com aqueles de antes para perceber que o que está atrás de tudo isso é uma soma enorme de recursos – antes não disponíveis -  que permitem um lucro vergonhoso e, é claro, uma manutenção melhor...

O episódio da Light explode no Rio de Janeiro como uma das faces do mentiroso projeto neoliberal que tem nas privatizações a cereja do bolo. Também deixa entrever uma certa ausência de comprometimento dos órgãos de fiscalização e controle , as chamadas agências, que só agem depois da casa arrombada e, aí, acenam com multas, punições, e coisas do gênero.

E antes que alguém comente os procedimentos do atual governo tendentes à privatização – no caso dos aeroportos, por exemplo -, tenho posição clara sobre isso: venha de onde vier, a iniciativa de privatizar é nefasta ao povo. Alguns, no entanto, se utilizam dela conjunturalmente, não a tem como dogma. Outros pretendiam até privatizar a Petrobras (Petrobrax?). É fácil imaginar, depois da descoberta do pré-sal, os inestimáveis prejuízos que isso traria a toda a nação brasileira. 
  
Há portanto, atos e fatos a considerar, nesse tópico “privatizações”, claramente contrários ao interesse do povo brasileiro. Eles são mais fortes do que qualquer discurso barato e demagógico que, às vésperas de uma ou outra definição eleitoral, procure iludir o eleitor. 

*Advogado formado pela UFRJ-RJ (antiga Universidade de Brasil) e professor de Língua Portuguesa do Rio de Janeiro, formado pela UERJ , com atividade em diversas instituições do Rio de Janeiro. Com militância política nos anos da ditadura, particularmente no movimento estudantil. Funcionário aposentado do Banco do Brasil.