domingo, 28 de agosto de 2011

RAPIDINHAS DO MARTINHO – 34




MARTINHO JÚNIOR

RISCOS ACRESCIDOS PARA ÁFRICA

No momento em que em nome da “democracia” a situação na Líbia se torna num autêntico banho de sangue, os riscos para África aumentam por que é fácil, com a porosidade das fronteiras, as fragilidades institucionais, a rapidez das comunicações, das ligações e dos contactos e as múltiplas pressões que surgem do exterior do continente, fazer alastrar para ocidente o “arco de crise” que aparentemente se circunscreve ao Médio Oriente, conforme a nossas análises anteriores.

Seguir a trilha da fuga de Kadafi é agora o pretexto para as ingerências, ao mesmo tempo que na Líbia aos esforços de guerra se seguem os esforços dos serviços de inteligência associados aos primeiros socorros “humanitários” ao país.

O Obama é já, com o banho de sangue da Líbia, mais um criminoso a juntar-se a George Bush e a Tony Blair, entre aqueles criminosos que jamais serão julgados, nem pelo TPI, nem por qualquer outro tribunal.

De entre as suas maiores culpas: esquecer-se por completo de suas remotas raízes africanas e não tentar ao menos ouvir aqueles que em África propunham o diálogo e uma via pacífica para a solução do conflito líbio, que acabou aliás por ser estimulado também pelos Estados Unidos!

No quadro dos riscos em África, nada nos surpreenderia se houvesse um aumento simultâneo de entidades consideradas terroristas e de “estados falhados”, o que é “ouro sobre azul” para o binómio AFRICOM/OTAN e aquilo que se move por detrás, a hegemonia unipolar, as multinacionais ávidas da contínua rapina de riquezas e os interesses da aristocracia financeira mundial aliada às oligarquias e às “novas elites” africanas.

O clima para que pouco a pouco África está a ser atirada, reflecte sem dúvida os parâmetros duma IIIª Guerra Mundial não declarada e que é decidida de forma unilateral pelos poderes que circunscrevem a hegemonia anglo-saxónica e a panóplia de aliados-fantoche que a integram com seus interesses menores e seus servis “bons ofícios”.

Uma leitura diária às páginas sobre África revela um aumento das tensões.

Servi-me mais uma vez da ANGOP para o comprovar: da Líbia para a Argélia e para a Nigéria, sempre para ocidente e denotando objectivos fixos no Golfo da Guiné.

Tensões em embrião podem ser sentidas um pouco por todo o lado do continente, para além dos contenciosos mais terríveis na RDC/Grandes Lagos e no “corno de África”.

Em Angola essas tensões circunscrever-se-ão à volta de temas como Cabinda, as questões que se prendem às Lundas, ou José Eduardo dos Santos, esbatendo por completo as questões de fundo e procurando impedir com isso a “batalha das ideias”, conforme aliás interessa aos mentores da lógica do capital.

É sintomático que, quando há um aumento em Angola desse tipo de tensões, cheguem ao país personalidades como o que também noticia a ANGOP – “Lord Mayor de Londres chega a Luanda para contactos financeiros” (http://www.portalangop.co.ao/motix/pt_pt/noticias/economia/2011/7/34/Lord-Mayor-Londres-chega-Luanda-para-contactos-financeiros,ca0c27e0-cbe7-4ef2-8d35-37c79b219ce8.html), o que é um indício, conforme tenho analisado, do tipo de contradições que se estão a semear e a manipular: enquanto se promove a ascensão de “novas elites”, mexe-se com os substratos sociais de base utilizando a energia da juventude, que necessariamente tem aspirações, mas que é, sob os pontos de vista psico-social e antropológico, aquela componente da sociedade cuja grande energia emocional e pouca clarividência “pode mover montanhas”.

Em simultâneo estimula-se a “guerra das famílias”, as que estão conectadas ao poder e as que estão em oposição, mesmo que as “fronteiras” entre uns e outros sejam esbatidas, como o são em Angola.

A paz é porém, para todos os angolanos e provavelmente não para alguns grupos, algo muito caro, que sendo necessário preservar, tem imensos riscos por vencer e, um dos principais, é a cobiça sobre as enormes riquezas do país, uma país que pode ser considerado como “as minas de Salomão”.

Ao mesmo tempo que avalio em África a progressão para ocidente do “arco de crise”, não posso deixar de chamar a atenção para as crescentes tensões internas dentro de Angola, em grande parte fomentadas a partir do exterior, tendo as disputas sobre as riquezas, sobre as regiões e sobre o poder no “centro do furacão”.

Há todos os motivos para em África se valorizar o socialismo decorrente do aprofundamento da democracia como um ponto de partida viável para se enfrentarem os riscos colossais que estão nas mesas de operações da hegemonia unipolar, evitando os seus cenários de destruição, de sangue e de morte.

Mantenham-se tanto quanto o possível o AFRICOM e a OTAN fora do continente e lembre-se que mesmo na CPLP, para além de Portugal, crónico fantoche-aliado de Sua Majestade Britânica, há já outro tipo de contactos que denotam as fragilidades de África: estou-me a referir claramente a Cabo Verde enfeudado ao binómio AFRICOM/OTAN!

Iniciativas de apoio a presidente não são vassalagem nem campanha eleitoral -- embaixador




SK – EL - LUSA

Cascais, 28 ago (Lusa) -- O embaixador de Angola em Portugal refutou hoje que as manifestações de apoio ao presidente angolano, como a que decorre em Tires, tenham a ver com vassalagem ou a campanha eleitoral para as legislativas em 2012.

"Tudo o que se faz no país, fazem logo colagem a campanha eleitoral. Não é possível pensar-se assim", defendeu José Marcos Barrica, considerando que quem pensa desta forma "são críticos de mente curta, que apenas querem combater tudo de bem que se está a fazer no país".

Em declarações à Agência Lusa à margem de uma palestra dedicada à vida do presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, por ocasião do seu 69º. aniversário, que hoje se assinala, o diplomata angolano salientou que este tipo de "comemorações não podem ser interpretadas assim".

"Toda a comemoração, seja ela qual for, vai ser interpretada assim? Vamos deixar de viver porque vamos ser conotados com a campanha eleitoral?", questionou o embaixador.

Mais de duas centenas de pessoas estiverem hoje presentes no pavilhão desportivo de Tires, Cascais, para prestarem homenagem a José Eduardo dos Santos, a quem 'ofereceram' um bolo de aniversário e cantaram os parabéns.

Organizada pelas associações representativas da comunidade angolana residente em Portugal, a palestra dedicada à vida do presidente de Angola, juntou pessoas de todas as idades, num ambiente de festa e convívio, com vários momentos culturais e comes e bebes.

A sala do pavilhão desportivo foi pequena para acolher todos aqueles que quiseram participar no evento, que começou com o hino nacional angolano, seguido das palavras de boas-vindas proferidas pelo embaixador de Angola em Portugal, que começou por destacar a "vida exemplar" de José Eduardo dos Santos.

Este encontro é uma das iniciativas que assinalam o 69º aniversário de José Eduardo dos Santos. Em Luanda, o programa das celebrações incluem, este fim-de-semana, a disputa da Taça "Zé Dú" (nome por que é popularmente conhecido o presidente) em luta livre, com música ao vivo e que decorrerá no espaço da Kalemba, a antiga Praça de Touros da capital angolana.

As comemorações do aniversário do presidente angolano, intituladas "Quinzena do Presidente", integram um programa de eventos para assinalar o 55º aniversário da fundação do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), que começou a 05 de agosto, estendendo-se até maio de 2012.

Mais de 200 pessoas lotaram pavilhão em Tires para homenagear José Eduardo dos Santos




SK - LUSA

Cascais, 28 ago (Lusa) -- Mais de duas centenas de pessoas lotaram hoje o pavilhão desportivo de Tires, em Cascais, para prestarem homenagem ao chefe de estado angolano, José Eduardo dos Santos, por ocasião do seu 69º. aniversário.

Organizada pelas associações representativas da comunidade angolana residente em Portugal, a palestra dedicada à vida do presidente de Angola, que cumpre hoje 69 anos, juntou pessoas de todas as idades, num ambiente de festa e convívio, com vários momentos culturais e comes e bebes.

A sala do pavilhão desportivo, enfeitada com bandeiras de Angola e fotografias do chefe de Estado, foi pequena para acolher todos aqueles que quiseram participar no evento, que arrancou com o hino nacional angolano, seguido das palavras de boas-vindas proferidas pelo embaixador de Angola em Portugal, que começou por destacar a "vida exemplar" de José Eduardo dos Santos.

"Tenho a honra de proferir, neste dia tão especial, algumas palavras sobre a vida e percurso do nosso presidente. Mas sinto-me pequeno para falar da grandeza da sua pessoa", afirmou José Marcos Barrica, entre aplausos da plateia.

A maioria dos mais de duzentos participantes na sala vestia uma t-shit branca com a imagem do 'ilustre aniversariante', e onde podia ler-se "Parabéns Presidente José Eduardo dos Santos" e "A comunidade angolana em Portugal saúda o Presidente de todos os angolanos".

O embaixador de Angola fez de seguida uma 'viagem' pormenorizada pelas várias etapas do "grande estadista" angolano, lembrando a sua infância e alguns dos "grandes momentos da sua vida estudantil e política", o seu tempo na guerrilha, a "forma como assumiu os seus cargos durante a guerra civil", e, finalmente, como "liderou Angola para o momento de paz" que o país vive atualmente.

"Este aniversário é um momento de particular satisfação para todos os filhos da pátria (...) José Eduardo dos Santos é uma figura que está ligada ao nosso país, que dedicou toda a sua vida à causa do país. É por isso com enorme agrado que o vemos à frente dos destinos da nossa pátria", afirmou Barrica.

O diplomata destacou que depois de "todas as dificuldades e de todo o sofrimento do povo angolano", Angola vive em paz, está a "afirmar-se", e graças à liderança do chefe de Estado, "tem um futuro seguramente certo".

"É por isso que aplaudimos ao homem que nos conduziu até aqui", rematou o embaixador de Angola em Portugal.

Um dos momentos altos da 'festa', foi o bolo de aniversário que os participantes ofereceram a "Zé Dú" (nome por que é popularmente conhecido o presidente), e a quem -- logo de seguida - mais de duzentas vozes cantaram os parabéns.

*Foto em Lusa

Angola: UM MILHÃO DE CASAS EM 2008 – TALVEZ DOIS MILHÕES EM 2012




ORLANDO CASTRO*, jornalista – ALTO HAMA

Nem depois dos oitenta e tal por cento conseguidos nas eleições deixam o MPLA em paz. Será preciso o quê? 110%? Se é isso bem poderiam ter avisado. É que com mais um pequeno esforço lá se chegaria...

Eu sei que o Presidente angolano, não eleito e há 32 anos no poder, José Eduardo dos Santos, disse no dia 6 de Outubro de... 2008, que o Governo ia aplicar mais de cinco mil milhões de dólares num programa de habitação que inclui a construção de um milhão de casas.

O chefe de Estado angolano discursava em Luanda na cerimónia que assinalou o Dia Mundial do Habitat, que a capital angolana acolheu, sob o lema "Construindo Cidades Harmoniosas", numa iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU).

A construção de um milhão de casas para as classes menos favorecidas de Angola e jovens foi, aliás, uma das promessas da então campanha eleitoral mais enfatizadas pelo Presidente da República de Angola e do MPLA, partido que governa o país desde 1975.

José Eduardo dos Santos admitia, modesto como é, que "não seria um exercício fácil", tendo em conta que o preço médio destas casas, então calculado em cerca de 50 mil dólares. Apesar de tudo, com a legitimidade eleitoral de quem só não passou os 100% de votos porque não quis, assegurou que "já se estava a trabalhar" nesse sentido.

No seu discurso de então, Eduardo dos Santos observou que a escolha de Luanda para acolher o acto central do Dia Mundial do Habitat tinha a ver com o reconhecimento pela mais alta instância internacional (ONU) da filosofia e estratégias definidas pelo Governo angolano no seu programa habitacional para o período 200/2012 e que já estava, disse, a ser aplicado.

"O objectivo dessa estratégia é proporcionar melhor habitação para todos, progressivamente, num ambiente cada vez mais saudável", disse Eduardo dos Santos. Não sei se ainda alguém se recorda disso... Mas se não se recorda, para ao ano irá ouvir a mesma história.

Nesta perspectiva considerou que o executivo de Luanda estava em "sintonia" com as preocupações e a "visão" da organização das Nações Unidas, quando coloca como questão central, como necessidade básica do ser humano, fundamental para a construção de cidades e sociedades justas e democráticas, a questão da habitação.

Ora nem mais. A habitação como barómetro de uma sociedade justa e democrática.

Segundo Eduardo dos Santos, "em Angola, como em quase todo o mundo, o fenómeno da urbanização veio acompanhado de grandes problemas ambientais, tais como a produção de resíduos domésticos e industriais, a poluição, o aumento do consumo da energia e água e o surgimento de águas residuais".

"Para evitar ou minimizar-se esses problemas impõe-se a adopção de uma política ambiental rigorosa e abrangente", apontou o presidente, garantindo que o combate ao caos urbanístico que se instalou nas cidades e no território em consequência da prolongada guerra civil, está a ser feito através de modelos integradores, geográficos, económicos e ambientais.

A atenção estava, ainda segundo o dono do país, centrada na "construção ilegal e não autorizada" e também numa política que procura "evitar assimetrias regionais e o abandono do interior".

Eduardo dos Santos frisou ainda que as "linhas de força" traçadas pelo Governo estão orientadas para uma "cooperação activa" entre a administração central e local do Estado, entre o sector público e o privado, com vista à execução de uma nova política que contribua para "a geração de empregos, para o desenvolvimento harmonioso dos centros urbanos, para a eliminação da pobreza e da insegurança, e para a eliminação também das zonas degradadas e suburbanas".

Em termos de discurso é caso para dizer que nem Ben Ali, Hosni Mubarak, Robert Mugabe, Hugo Chávez, Muammar Kadhafi ou José Sócrates diriam melhor.

O presidente anunciou igualmente na altura (2008) que será "cada vez mais acentuada" a preocupação com a urbanização das cidades angolanas e que serão "incentivadas políticas que diminuam a circulação automóvel nos centros dos grandes aglomerados urbanos.

Foi bonito, não foi? É quase poesia. Tão bem escrita e declamada quanto o facto de numa Assembleia Nacional constituída por 220 deputados, o MPLA ter 191. Ou melhor, a UNITA ter 16 deputados, o PRS oito, a FNLA três e a ND dois.

E tudo isto graças ao beneplácito e respectivo altruísmo do regime que não achou necessário ter mais de 100% dos votos, apesar de em várias assembleias de voto terem aparecido mais votos do que votantes.

*Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

Moçambique: PORTUGAL COM O MAIOR PAVILHÃO ENTRE OS 18 PAÍSES PRESENTES NA FACIM




LAS - LUSA

Moçambique, 28 ago (Lusa) -- Portugal detém o maior pavilhão estrangeiro, com 1600 metros quadrados e 63 empresas, entre os 18 países presentes na FACIM, que é inaugurada na segunda-feira nos arredores da capital moçambicana, Maputo.

A Feira Agrária, Comercial e Industrial de Maputo (FACIM), que pela primeira vez em 47 anos, saiu de Maputo para um novo recinto em Marracuene, a 30 quilómetros a norte da capital, conta ainda com a participação de muitas empresas portuguesas que decidiram expor autonomamente, devendo a presença nacional ultrapassar a centena de companhias e associações empresariais.

A feira, a mais importante de Moçambique, é inaugurada na segunda-feira pelas 09:00 (08:00 em Lisboa) pelo Presidente da República local, Armando Emílio Guebuza, e decorre até ao dia 04 de setembro.

A 02 de setembro assinala-se o Dia de Portugal, com a realização de um seminário sobre Portos e Transportes Marítimos, que terá a participação da Administração dos Portos do Douro e Leixões (APDL) e Instituto Português dos Transportes Marítimos (IPTT) e das empresas moçambicanas do setor Manica e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM).

Inicialmente, foi anunciada a presença do ministro português da Economia e Emprego, Álvaro Santos Pereira, mas o governante deverá ser substituído pelo secretário de Estado da Economia e Desenvolvimento Regional, Almeida Henriques, disse à Lusa uma fonte da organização.

No pavilhão de Portugal, organizado pela AICEP, vão estar sectores com forte implantação no mercado moçambicano, como materiais de construção, agro-alimentar e vinhos, metalurgia e metalomecânica, construção civil e consultoria, entre outros.

A maioria das empresas portuguesas ali presentes fará a sua estreia na FACIM, com o objetivo de encontrar parceiros, mostrar produtos e conhecer as potencialidades locais de investimento.

"É um mercado apelativo para as empresas portuguesas e este aumento da nossa participação é uma manifestação da importância do mercado moçambicano" para os empresários nacionais, disse à Lusa Fernando Carvalho, delegado da AICEP em Moçambique.

No total, segundo o Instituto para a Promoção de Exportações de Moçambique (IPEX), na FACIM estarão presentes 1.500 empresas moçambicanas, 600 expositores diretos estrangeiros, que participam por iniciativa própria e não integram a delegação do respetivo país, e a participação de 18 países.

Na lista dos países e territórios que já confirmaram a sua presença na feira estão: China, Portugal, Espanha, Dinamarca, Paquistão, Tailândia, Polónia, Botsuana, Malaui, Tanzânia, África do Sul, Brasil, Itália, Macau, Zâmbia, Quénia, Argentina e Angola.

*Foto em Lusa

Guiné-Bissau: ESTADO ARRECADA 9.6 MILHÕES DE EUROS EM EXPORTAÇÃO DE CAJU




FP - LUSA

Bissau, 28 ago (Lusa) -- O Estado guineense vai arrecadar este ano 14 milhões de dólares (9,6 milhões de euros) só em receitas alfandegárias da exportação de caju, o principal produto da Guiné-Bissau e que até dezembro deverá ter o Instituto Nacional do Caju.

O número é avançado por André Nanque, presidente da Comissão Nacional do Caju, que em entrevista à Agência Lusa, em Bissau, faz um balanço positivo da campanha, elogia a qualidade do produto e sugere aos empresários portugueses que invistam no setor.

Por falta de estruturas e de investimentos a Guiné-Bissau exporta quase todo o caju em bruto, sem qualquer transformação, mas André Nanque garante que é altura de mudar o estado de coisas, porque o caju sem casca pode ser vendido a um preço três vezes superior.

"É uma oportunidade para as empresas portuguesas virem à Guiné. No passado o ambiente não era favorável mas agora temos um ambiente favorável, o país está aberto à entrada de novas empresas e a criação de empresa leva poucos dias", defende o responsável, acrescentando que há perto da capital um "centro de incubadoras para empresas", onde se pode chegar e "começar a trabalhar", e no país existe um código de investimento com benefícios.

Depois, diz ainda, a Guiné-Bissau tem acordos preferenciais com os Estados Unidos e com a China, para onde se pode exportar caju sem taxas. "A China tem surgido como grande consumidor e vender para a China é muito bom para qualquer empresa", salienta André Nanque, afirmando que a qualidade do caju garante a venda sem problemas.

Para financiar o processamento da castanha o governo guineense criou em maio passado uma taxa de 50 francos CFA (0,07 euros) por quilo do produto e que irá financiar um Fundo de Garantia, que tem já mais de sete milhões de dólares, destinados a apoiar a industrialização.

"Se queremos industrializar o caju e que a banca nos possa conceder créditos temos de ter garantias, e elas não poderão surgir de outra forma a não ser deste fundo", considera.

Com a sorte de ter, naturalmente, uma castanha "de maior qualidade, sem químicos, sem doenças, e com um sabor diferente", a Guiné-Bissau precisa agora de um "forte investimento no setor".

Por isso está a desenvolver um Plano Diretor do Caju, que se preocupe com o aumento sustentável da produtividade, aumento da eficiência da cadeia e aumento do valor acrescentado. E antes do fim do ano, diz André Nanque, deverá ser criado o Instituto do Caju.

"Porque não é normal que um país, o segundo maior produtor de África, o quinto do mundo, não tenha uma instituição de liderança, com autonomia administrativa e financeira, forte, para liderar todo o processo".

E que se possa aproveitar todo o fruto e não desperdiçar, como este ano, um milhão e 500 mil toneladas de fruta, o pedúnculo, de onde se extrai a castanha, o único produto que se vende.

Esse pedúnculo, diz André Nanque, é cinco vezes mais rico em vitamina C do que a laranja e pode ser aproveitado para diversos tipos de alimentos. Além do óleo que se tira da casca do caju, usado para lubrificação, ou da própria casca, que pode ser usada para produzir energia.

Mas a Guiné-Bissau não tem, para já, capacidade para tratar a grande parte da castanha de caju. Nem de conservar 1,5 milhões de toneladas de pedúnculo. Nas zonas rurais e cristãs há sempre quem aproveite um pouco para comer, para fazer doces, ou especialmente para fazer vinho.

*Foto em Lusa

OS CORAIS E A NATUREZA EM TIMOR-LESTE QUE SE DANEM!




CARLOS TADEU*

A Al Jazeera mostra-nos nesta reportagem o estado de alguns dos corais de Timor-Leste, ainda saudáveis comparativamente aos que se encontram na barreira que se alonga por território indonésio mas falta nesta reportagem alguns corais que já estão praticamente aniquilados, assim como outros que estão próximo disso. Ao largo de Díli essa realidade já acontece.

O tão propalado desenvolvimento em Timor-Leste não está a equacionar a proteção da natureza, antes pelo contrário. As opções do governo AMP-Xanana Gusmão e a mentalidade primária dos que o rodeiam, bem como de outros políticos e chefias timorenses, correm atrás de projetos e de concretizações dos mesmos para mostrar obra feita sem ponderação, gastando dez e debitando vinte ao orçamento. Comprar barato sai caro. O prejuízo pode ser irrecuperável a vários níveis e principalmente no que respeita à proteção da natureza que está a falhar desmesuradamente.

O resultado ficará à vista mais breve do que aquilo que se possa admitir. Por enquanto o equilíbrio ecológico nos mares da costa de Timor-Leste ainda mostra ser saudável. Ao contrário dos países vizinhos a natureza tem sido naturalmente preservada mas não se augura que assim se mantenha por muito mais tempo. O crescimento económico do país e a falta de sensibilidade ecológica dos dirigentes e da população, principalmente citadina – já hoje contribuem para atacar os corais dos mares à volta da meia-ilha, assim como os solos com a desflorestação incontrolada. Assim como a falta de cuidado das populações citadinas e dos serviços de limpeza urbana que quase não existem. Algo incompreensível num país que já faz dez anos de independência. Díli talvez seja uma das cidades mais porcas do mundo!

A Al Jazeera mostra-nos nesta reportagem o estado de alguns dos corais de Timor-Leste, ainda saudáveis comparativamente aos que se encontram na barreira que se alonga por território indonésio mas falta nesta reportagem alguns corais que já estão praticamente aniquilados, assim como outros que estão próximo disso. Ao largo de Díli essa realidade já acontece. Por enquanto pontualmente, até que vejamos o alastrar da destruição por responsabilidade da falta de cuidado dos timorenses, principalmente dos políticos que detêm os poderes decisórios, por falta de campanhas de sensibilização, por falta de ainda nunca terem pensado em estações de tratamento de esgotos e de águas pluviais, por falta de cuidados em educarem as populações. Em Timor-Leste imperam as lixeiras em Díli nos cantos mais recônditos e muitas vezes nem isso, pelas ruas podemos também ver a ausência de limpeza regular. O lixo aguarda cheias causadas por chuvadas fortes e espraia-se pelo mar a caminho dos corais e do mais com que possa contribuir para os poluir.

Digam os responsáveis timorenses aquilo que disserem em jeito de se mostrarem ecologistas o que é verdade é que mentem através das suas práticas quotidianas, ou, se não, não adquiririam uma central eléctrica (usada) à China que funciona a óleo-pesado. Central que será veículo de poluição catastrófica para o país e também de muito pouca transparência no negócio efetuado. As energias alternativas e saudáveis em Timor-Leste teriam toda a pertinência em imperar. Fácil por ser um país em construção de raiz, o que não é entendimento dos políticos dirigentes, nem o parecer de técnicos que também deixam muitíssimo a desejar sobre a sua transparência. Afinal Timor-Leste é rico, possui um potencial enorme de políticos e chefias sem escrúpulos à espera de serem corrompidos… E há muita “maquinaria” velha e poluente para vender por nova, até geradores. Os corais, a natureza em Timor-Leste, que se danem!

*Carlos Tadeu é arquitecto paisagista, ambientalista. Tem por “hobbies” interesses em história, geografia, viagens longas e anotações que ainda não partilhou.

Ramos Horta: “NÃO HOUVE MUDANÇAS PARA MELHOR” NOS ÚLTIMOS DEZ ANOS




MSE - LUSA

Díli, 28 ago (Lusa) -- O Presidente de Timor-Leste, José Ramos Horta, considerou à agência Lusa que não houve "mudanças para melhor" dez anos depois do 11 de setembro de 2001, salientando que os problemas no Afeganistão, Iraque e Palestina continuam por resolver.

"Não me parece que tenha havido mudanças para melhor, pelo contrário, verificamos a continuação de uma guerra cada vez mais sangrenta com milhares de vítimas civis no Afeganistão", afirmou.

O Nobel da Paz recordou também a situação no Iraque, onde ainda não foram resolvidos os problemas da paz e da estabilidade.

"A seguir ao Afeganistão e à queda dos talibãs veio a queda de Saddam Hussein com intervenção americana e que trouxe uma maior abertura ao Iraque, mas que também não resolveu os problemas da paz e da estabilidade", salientou.

Para Ramos-Horta, também "não há solução à vista para o problema palestiniano".
"E a agravar, a somar a tudo isto temos uma crise económica e financeira mundial sem precedentes", afirmou.

Ramos-Horta salientou, contudo, que a crise financeira está centrada na Europa e nos Estados Unidos, mas pode vir a afetar as economias emergentes como o Brasil, Índia e China, que continuam a registar crescimento.

"As economias emergentes como o Brasil, Índia e China continuam a registar grandes níveis de crescimento económico, mas o prolongar da crise financeira americana e europeia pode travar esse crescimento e fazer recuar nos progressos já registados", disse.

"Não me parece que se possa dizer positivo", disse o chefe de Estado timorense sobre o balanço dos últimos dez anos.

A 11 de setembro de 2001, Ramos Horta encontrava-se em Jacarta, Indonésia.

Dirceu compara revista brasileira VEJA a diário inglês fechado por praticar escutas ilegais




CORREIO DO BRASIL - de São Paulo

Capa de uma revista semanal de grande circulação no país, neste fim de semana, o ex-ministro José Dirceu deverá ingressar com uma ação judicial contra a editora da publicação, ligada a grupos de ultradireita no Brasil e no exterior, por crime contra os direitos individuais do cidadão. Dirceu afirma que, “depois de abandonar todos os critérios jornalísticos, a revista Veja, por meio de um de seus repórteres, também abriu mão da legalidade”.

– Houve a prática de um crime, no momento em que ele (o repórter Gustavo Nogueira Ribeiro) tentou invadir o apartamento no qual costumeiramente me hospedo em um hotel de Brasília – afirmou Dirceu ao Correio do Brasil.

Segundo o ministro, a publicação iniciou um “verdadeiro ardil” nesta quarta-feira, quando o jornalista Gustavo Ribeiro se registrou na suíte 1607 do Hotel Nahoum, ao lado do quarto em que normalmente se hospeda.

– Uma vez alojado no hotel, sentiu-se à vontade para planejar seu próximo passo. Aproximou-se de uma camareira e, alegando estar hospedado no meu apartamento, simulou que havia perdido as chaves e pediu que a funcionária abrisse a porta. O repórter não contava, porém, com a presteza da camareira, que não só resistiu às pressões como, imediatamente, informou à direção do hotel sobre a tentativa de invasão. Desmascarado, o infrator saiu às pressas do estabelecimento, sem fazer check out e dando calote na diária devida, ainda por cima. O hotel registrou a tentativa de violação de domicílio em boletim de ocorrência no 5º Distrito Policial – disse.

Nova tentativa

Ainda na tentativa de seguir os passos do ex-ministro-chefe da Casa Civil, no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o repórter se fez passar por assessor da Prefeitura de Varginha junto à administração do hotel, e insistia em em deixar no quarto “documentos relevantes”, relata Dirceu.

– Disse que se chamava Roberto, mas utilizou o mesmo número de celular que constava da ficha de entrada que preencheu com seu verdadeiro nome. O golpe não funcionou porque minha assessoria estranhou o contato e não recebeu os tais “documentos” – acrescentou.

De acordo com o ex-ministro, “os procedimentos de Veja se assemelham ao escândalo recentemente denunciado na Inglaterra, do tablóide News of the World“.

– O diário inglês tinha como prática para apuração de notícias fazer escutas telefônicas ilegais. O jornal acabou fechado, seus proprietários respondem a processo, jornalistas foram demitidos e presos – lembrou.

O ex-deputado petista e líder guerrilheiro contra a ditadura militar, durante os Anos de Chumbo, viu-se novamente diante da prática utilizada por agentes da repressão enquanto um outro repórter da mesma revista, Daniel Pereira, buscava invadir sua privacidade, já no dia seguinte, após a publicação obter, de maneira a ser explicada no curso do processo-crime, as imagens de personalidades do mundo político e empresarial recebidos por ele, em trânsito pelo hotel.

– No meio da tarde da quinta-feira, depois de toda a movimentação criminosa do repórter Ribeiro para invadir meu apartamento, foi a vez de outro repórter da revista entrar em contato com minha assessoria, com o argumento de estar apurando informações para uma reportagem sobre minhas atividades em Brasília – pontuou.

Invasão de privacidade

“O jornalista Daniel Pereira se achou no direito de invadir minha privacidade e meu direito de encontrar com quem quiser e, com a pauta pronta e manipulada, encaminhou perguntas por e-mail já em forma de respostas para praticar, mais uma vez, o antijornalismo e criar um factóide”, escreveu nesta sexta-feira, em seu blog, o ex-ministro. As perguntas enviadas pela revista foram:

“1 – Quando está em Brasília, o ex-ministro José Dirceu recebe agentes públicos – ministros, parlamentares, dirigentes de estatais – num hotel. Sobre o que conversam? Demandas empresariais? Votações no Congresso? Articulações políticas?
“2 – Geralmente, de quem parte o convite para o encontro – do ex-ministro ou dos interlocutores?
“3 – Com quais ministros do governo Dilma o ex-ministro José Dirceu conversou de forma reservada no hotel? Qual o assunto da conversa?”

Farsa

Diante da movimentação constatada ao longo da semana, o ex-ministro soube também, por diversas fontes, “que outras pessoas ligadas ao PT e ao governo foram procuradas e questionadas sobre suas relações comigo. Está evidente a preparação de uma farsa, incluindo recurso à ilegalidade, para novo ataque da revista contra minha honra e meus direitos”, disse.

– Deixei o governo, não sou mais parlamentar. Sou cidadão brasileiro, militante político e dirigente partidário. Essas atribuições me concedem o dever e a legitimidade de receber companheiros e amigos, ocupem ou não cargos públicos, onde quer que seja, sem precisar dar satisfações à Veja acerca de minhas atividades. Essa revista notoriamente se transformou em um antro de práticas antidemocráticas, a serviço das forças conservadoras mais venais – concluiu.

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Brasil – Fortaleza: Descrença na Justiça e medo dificultam investigações de mortes de jovens




DIÁRIO DO NORDESTE

CRIMES CONTRA ADOLESCENTES - Acerto de contas ou descaso?

A descrença na Justiça e o medo são empecilhos implacáveis para que a população denuncie. Isso dificulta as investigações.

Uma vida interrompida e famílias desesperadas, mergulhadas em casos indissolúveis. Essa é a história de milhares de meninos e meninas que se repete todos os dias nos bairros da periferia de Fortaleza. São adolescentes vítimas de homicídio que engrossam a lista da violência contra menores. Casos sem solução e sem atenção do poder público.

Boa parte dos crimes fica "por isso mesmo". São os chamados "acerto de contas", veredicto usado sem limite pela polícia. Jargão comumente utilizado para crimes que envolvem tráfico de drogas. Muitas vezes, sequer são abertos inquéritos para investigar os assassinatos.

O termo exato para denominar essa atitude é descaso com pessoas que são estigmatizadas por terem o destino traçado de uma vida em um bairro periférico e fazer parte de uma classe social sem oportunidades. Triste realidade de parte dos jovens que está trancafiada em abrigos e até presídios, enquanto outra morre sem deixar marcas. A denúncia é do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará (Cedeca).

"O que motiva os crimes é quase sempre o tráfico, o uso de drogas ou acertos de contas entre os adolescentes. Como eles são vistos como um problema, nada mais cômodo que os próprios se destruam. Assim, o Estado não precisa investir em ações concretas que possam modificar suas vidas", critica Aurilene Vidal, articuladora da Pastoral do Menor e do Fórum dos Direitos das Crianças e Adolescentes (Fórum DCA).

A morte em si não acaba com o problema, pelo contrário, ele só começa. São perguntas sem respostas que permeiam o cotidiano das famílias. Vidas de ausências esvaídas pela descrença numa Justiça que nunca chega. "Não denunciei porque não resolve", disse uma mãe desesperada que teve o seu filho baleado na porta de casa. Ele, que é usuário de crack, enfrenta o vício e uma vida sem perspectivas. O jovem teve Acidente Vascular Cerebral (AVC) e depende de uma internação em um centro para dependentes químicos.

"Essa é a única coisa que espero para ele", diz, emocionada, a mãe. O jovem tem dois filhos também sem perspectivas enquanto viverem desprovidos do apoio de políticas públicas de segurança. No bairro onde vive a família, crianças passeiam munidas de armas de fogo e a violência é a palavra de ordem. "Vivemos trancados e sobressaltados. Receio pelas crianças que não têm lazer", desabafa a mãe.

De acordo com a advogada do Cedeca, Talita Maciel, os crimes ditos como de vingança acabam não sendo investigados. O Estado tem o dever de apurar todos os casos, mas não o faz". Para ela, isso acaba gerando impunidade e possibilita que outros casos aconteçam, casos esses com característica de extermínio. "As pessoas que executam têm a certeza da liberdade. Isso só aumenta os índices de violência entre jovens".

Como lembra a advogada, o crime contra adolescente negro e de baixa renda é, muitas vezes, banalizado. "Existem casos de 2000 que ainda são foram solucionados. Outros sequer tiveram inquéritos abertos".

Com essa atitude, segundo Talita, o Estado legitima a postura de não investigar e de que todas as mortes podem ser justificadas pela mesma razão. "É como se aquelas vidas fossem menos importantes e sem valor", enfatiza a advogada.

Talita Maciel pontua, inclusive, que há um sentimento de desdém quando a família diz que não havia o envolvimento com drogas. "Isso só perpetua a negação dos direitos dos adolescentes e fica aquela ideia de que não há Justiça para os pobres".

Conforme a advogada, hoje tem que se falar em mortalidade juvenil que alcança índices alarmantes. "Isso mata a possibilidade de desenvolvimento do País". O Mapa da Violência 2011 apontou um crescimento de 148,8% nos homicídios entre 15 e 24 anos, de 1998 a 2008, em Fortaleza. O número pulou de 162 para 403. Em 2009, foram 435 mortes.

Na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), em1998, foram vítimas desse tipo de violência extrema 196 jovens, enquanto em 2008, foram 542 óbitos.

Procedimentos

Já os dados da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) dão conta de 139 homicídios em jovens de 14 a17 anos e 223, de 18 a 21 anos, em 2011. Sobre os procedimentos instaurados, conforme a Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (Dceca), no total de crimes que envolvem crianças e adolescentes, foram abertos, no primeiro semestre de 2011, 166 inquéritos, 253 boletins de ocorrência e 87 termos circunstanciados de ocorrência. Alguns dizem respeito a casos de 2006 que só agora foram encaminhados à Justiça.

A DHPP informa que para todas as ocorrências são abertos inquéritos até porque a lei obriga. "Os que não foram abertos é porque passaram despercebidos", acrescenta Franco Pinheiro, diretor adjunto da Divisão de Homicídios. Ele explica que, a partir da instauração do inquérito, começam as investigações.

Franco Pinheiro destaca que existem dificuldades para o andamento das investigações, como a falta de pessoal e de condições de trabalho. "Mas a maior delas é o silêncio da sociedade. O medo não resolve o problema". Como não ter medo se as famílias são constantemente ameaçadas e não existe proteção policial? O diretor diz que não está prevista por lei a proteção individual, até porque não haveria efetivo suficiente, porém lembra que existe o Programa Federal de Proteção à Vítimas e Testemunhas (Provita). Franco Pinheiro aponta melhorias desde a criação da DHPP, em 2010. "Tínhamos de 30% a 40% de casos solucionados, hoje temos 50%".

Dados da violência

139 homicídios entre adolescentes de 14 a17 anos aconteceram neste ano.

Com jovens de 18 a 21 anos, foram 223 ocorrências.

PREVENÇÃO - Faltam políticas públicas de segurança

A solução para os crimes que envolvem adolescentes passa pela prevenção que deve ser feita por meio de políticas públicas eficientes. Isso não acontece no Estado. Ainda não é possível contar com ações que impeçam que novos crimes ocorram. O jeito acaba sendo solucioná-los, o que também não acontece.

Conforme a professora especialista em Saúde Pública da Universidade de Fortaleza (Unifor), Augediva Maria Juca Pordeus, as soluções passam pela educação e pela ação social. "Temos que trabalhar com a promoção da saúde, ocupar jovens com aulas interessantes nas escolas, cursos de profissionalização e com o lazer". Ela acrescenta que a saída se materializa com políticas públicas que gerem impacto. A professora atenta para a necessidade de as famílias receberem apoio psicológico. "Mas nós temos profissionais suficientes para dar assistência? Essa é a questão", indaga.

Para o diretor adjunto da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Franco Pinheiro, falta educação. "Sem isso nem saúde vamos ter". O diretor ressalta que existe a preocupação do Governo. "Porém não sentimos efeito em algumas medidas, como determinados programas sociais", coloca. E completa: "a culpa é de todos: da sociedade civil e dos governos".

De acordo com a articuladora institucional da Pastoral do Menor e da Coordenação Colegiada do Fórum DCA, Aurilene Vidal, algumas entidades que trabalham com crianças e adolescentes tentam intervir para que os crimes contra adolescentes não fiquem na impunidade.

Sem interesse

"Sabemos que, se houvesse interesse por parte do Estado, muitas dessas mortes seriam solucionadas. É preciso que a polícia seja eficiente, haja mais trabalho de inteligência. Não dá mais para admitir que essas crianças e adolescentes continuem sendo dizimadas umas pelas outras, como se isso fosse um problema delas". Para a articuladora, o Estado, a família e a sociedade têm de entender que quando uma criança ou adolescente usa droga, eles mais precisam de ajuda do que de punição ou descaso. "Ninguém nasce infrator, portanto nós estamos produzindo esses ´infratores´".

Conforme a advogada do Cedeca, Talita Maciel, o Ceará está entre um dos Estados com mais mortes na adolescência e a maior parte é de homicídios por arma de fogo. Este índice é ainda mais acentuado entre os adolescentes homens e negros. Segundo ela, é importante destacar que, mesmo com o aumento dos índices e a expectativa crescente ano a ano, o Ceará não tem nenhum Programa de Proteção a adolescentes ameaçados de morte- PPCAAM- que já existe em vários estados do Brasil e nem está na lista de prioridade.

De acordo com Augediva Pordeus, as mortes de adolescentes por homicídios no Ceará já se tornou um problema de saúde pública. "Os meninos têm deixado de morrer na infância para morrer na juventude".

A opinião do especialista - Não investigar é crime

A maioria dos homicídios envolvendo jovens, está ligada ao controle ou tráfico de drogas e principalmente ao grande aumento da quantidade de crack em Fortaleza. Os dados mostram que os jovens não são os maiores responsáveis pelo aumento dos índices de violência e sim vítimas. A maioria absoluta das vítimas é de jovens da periferia, pretos e pobres, ou seja, aqueles que não tiveram oportunidades ou acesso aos bens e serviços que o Estado deveria oferecer. O grande problema está na falta de políticas públicas que deveriam ser implementadas pelo poder público, como por exemplo, políticas de geração de emprego e renda, de melhoria da qualidade do ensino e de espaços de lazer.

Com relação à falta de investigação dos crimes, estamos diante do crime de prevaricação ou de improbidade administrativa, um ou outro deve ser punido no mais absoluto rigor da lei. Qualquer cidadão, sendo conhecedor de um caso concreto de execução de jovem, cujo inquérito não foi aberto ou que está sendo retardado ou direcionado propositalmente para proteger alguém, deve denunciar aos órgãos competentes. No caso à Corregedoria Geral de Polícia ou ao Ministério Público.

A falta de investigação ou mesmo de conclusão destes inquéritos traz para a população, primeiro o sentimento de impunidade e segundo uma frustração para os familiares que desacreditam na ação do poder público. Na realidade, quando o Estado não se apresenta de forma efetiva e trazendo soluções concretas é inquestionável que essa omissão só contribui para o aumento da violência e o seu total descrédito.

Percebe-se, com muita clareza, que os policiais não sofrem somente pela falta de estrutura e de pessoal, o pior de tudo é que são despreparados para enfrentar esta realidade que se coloca diante de todos.

Luís Narciso Coelho de Oliveira - Presidente da Comissão de Defesa da Criança e do Adolescente da OAB-CE

LINA MOSCOSO - REPÓRTER

ONU PEDE QUE REBELDES POUPEM DITADOR LÍBIO





As Nações Unidas estudam envio de missão de paz à Líbia e defendem retorno do estado de direito

Genebra Em meio a uma crescente onda de execuções atribuídas tanto a rebeldes quanto às forças ainda leais ao ditador Muammar Kadafi, a Organização das Nações Unidas (ONU) fez um apelo para que a vida do líder líbio seja poupada. O objetivo da ONU - que pretende enviar uma missão para ajudar a reconstruir o país é que Kadafi seja julgado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI).

A ONU alertou aos rebeldes que não aceitará o assassinato de Kadafi. A entidade comunicou à oposição que quer que o líder líbio seja entregue ao TPI, em Haia, para ser julgado e que o apelo para que ele seja capturado "vivo ou morto" não é a atitude que se espera de um regime democrático. No caso da Líbia, a esperança é de que os responsáveis pelos crimes sejam julgados. O apelo da ONU é para que todas as partes no conflito evitem revanches.

Rupert Colville, porta-voz da ONU para Direitos Humanos, insistiu que o restabelecimento do estado de direito deve ser uma prioridade. "Esse estado de direito deve ser válido para todos, inclusive Kadafi", disse.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pedirá que o Conselho de Segurança das Nações Unidas considere o envio de uma missão de paz à Líbia para evitar que o país mergulhe ainda mais em uma onda de vinganças mútuas. A meta é garantir que as condições de segurança permitam a transição política. Os rebeldes pediram oficialmente a Ban que a ONU "lidere" a reconstrução.

O envio da missão teria uma função política também: superar a divisão internacional sobre o futuro do país e dar um sinal aos países dos Brics e da África de que não haverá uma ocupação da Líbia pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). A missão não necessariamente teria tropas, podendo assemelhar-se à enviada ao Timor Leste.

Ban decidiu propor a missão depois de uma reunião com a União Africana, com a Liga Árabe e com a União Europeia. "Estamos em uma fase distinta e decisiva", disse Ban.

Para o secretário-geral, seria "desejável" ter na Líbia ao menos um grupo das tropas das Nações Unidas.

França e Grã-Bretanha têm liderado uma aliança que defende o reconhecimento imediato do novo governo rebelde e a convocação de uma reunião de cúpula para o dia 1º de setembro em Paris para estabelecer um plano de ação para a reconstrução. China, Rússia, Brasil e a União Africana dizem que só decisões tomadas na ONU por todos poderão ser aceitas no que se refere à Líbia.

Postura do Brasil

O Itamaraty ainda não definiu sua presença na reunião. A resistência ao projeto francês para a Líbia tem pelo menos dois motivos: evitar a repetição da invasão do Iraque e garantir que todos os contratos do governo líbio estejam abertos para a comunidade internacional - não apenas aos países que pagaram pela guerra.

Mesmo ainda com existência de confrontos entre as forças leais e os rebeldes o Conselho Nacional de Transição (CNT) iniciou a transferência de suas atividades de Benghazi para a capital. O Ministério da Segurança Nacional, órgão que centralizava as operações de polícia e dos serviços secretos e a repressão aos dissidentes, será a sede do governo provisório de Trípoli. O grupo de transição sinalizou que pedirá um assento na ONU no próximo mês.

NOVOS CONFRONTOS - Otan ataca capital e berço de Kadafi

Trípoli Aeronaves da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) fizeram ataques aéreos durante a noite de sexta e a madrugada de ontem em Trípoli e em Sirte, no sul da Líbia, que é cidade natal de Muammar Kadafi, e é vista como o último grande foco de resistência do antigo regime.

As forças leais de Kadafi ainda estão ativas na cidade e o paradeiro do líder líbio ainda é desconhecido.

Um porta-voz da Otan afirmou que instalações militares, veículos e uma plataforma de lançamento de mísseis ainda foram detectados em Trípoli, apesar de as forças leais ao ditador agora estarem concentradas no sul do país.

O avanço das forças rebeldes para Sirte foi paralisado perto do porto petrolífero de Ras Lanuf, apesar da chegada de mais reforços.

Segundo fontes em Ras Lanuf, os dois lados estão se preparando para o que pode ser uma grande batalha final.

Ajuda

As condições em Trípoli estão se deteriorando e maior parte da capital líbia está sem água, eletricidade e saneamento básico.

De acordo com jornalistas, os hospitais já não tem mais suprimentos e está cada vez mais difícil encontrar alimentos e combustíveis. Segundo as Nações Unidas, milhões de pessoas dentro e fora de Trípoli estão ameaçadas devido à falta do abastecimento d´água.

De acordo com moradores de Trípoli, o fornecimento de água para a capital parou lentamente. Algumas lojas estão abertas, mas não foram reabastecidas.

O Reino Unido informou ontem que está enviando remédios e alimentos para a Líbia. O governo britânico vai fornecer equipes médicas para tratar os 5.000 feridos e alimentos para quase 700 mil pessoas.

Os hospitais de Trípoli estão em situação caótica. Profissionais da saúde deixaram a cidade e corpos em decomposição se acumulam nos centros médicos.

Na sexta-feira, foram encontrados amontoados cerca de 200 corpos apenas no hospital de Abu Salim. A maioria dos mortos eram de jovens que aparentemente estavam na frente de guerra. Há também corpos de mulheres e crianças.

Os rebeldes afirmam que controlam a maior parte de Trípoli com apenas alguns áreas de resistência das forças de Kadafi. Ocorreram confrontos principalmente em volta do aeroporto.

A Cruz Vermelha fez um apelo aos rebeldes para que sigam as normas internacionais de guerra. A Anistia Internacional fez advertência semelhante, depois de receber relatórios de abusos tanto por parte dos rebeldes quanto das forças leais a Muammar Kadafi.

COMBOIO PARA A ARGÉLIA - Líder pode ter deixado país

Cairo As autoridades egípcias informaram, ontem, que um comboio com seis carros blindados que poderia transportar altos dirigentes líbios, incluindo o coronel Muammar Kadafi, passou na sexta-feira (26) pela fronteira entre Líbia e Argélia.

"Seis Mercedes blindados passaram na manhã desta sexta-feira pela cidade de Ghadames", revelou um conselheiro militar.

O comboio foi escoltado até sua entrada na Argélia pelo chefe de uma "katiba" (brigada), explicou ainda um militar rebelde, acrescentando que não pôde atacá-lo por falta de munição.

"Pensamos que transportavam altos dirigentes líbios, possivelmente Kadafi e seus filhos".

O ditador Muammar Kadafi, de 68 anos, está desaparecido desde a entrada dos rebeldes em Trípoli, no fim de semana passado. Ele governava a Líbia desde 1969.

Uma fonte do governo argelino, no entanto, considerou pouco provável a entrada de Muammar Kadafi no país. A Argélia afirma que mantém uma "estrita neutralidade" e se nega a interferir nos assuntos internos do país vizinho.

Argel não reconheceu o Conselho Nacional de Transição (CNT), órgão político dos rebeldes, que lutam há pouco mais de seis meses contra o regime ditatorial na Líbia.

SECA E POLÍTICA MATAM NA ÁFRICA





Segundo estudo, fenômeno natural está relacionado ao aquecimento global, agravado por motivos políticos

A mais severa seca de que se tem notícia nos últimos 60 anos afeta 12,5 milhões de pessoas na região conhecida como Chifre da África - que inclui Somália, Djibouti, Quênia, Uganda e Etiópia. Pode-se dizer que ela é a soma de repetidos episódios de poucas chuvas em 2007, 2008 e 2009, causando severos impactos na questão alimentar e a morte de milhares de pessoas e dos rebanhos. Tanto que a ONU declarou fome crônica em duas regiões do Sul da Somália, e anunciou que caso nada seja feito, a situação pode se transformar numa catástrofe humanitária.

A seca não é novidade no nordeste africano. Mas um estudo publicado no começo deste ano por cientistas do Serviço Geológico dos EUA (o USGS) e da Universidade da Califórnia mostra que o aquecimento global pode estar por trás da piora da seca neste ano.

"É muito difícil atribuir um único evento à mudança climática, mas nossa pesquisa sugere fortemente que o aquecimento do Oceano Índico (que está fortemente ligado ao aquecimento global) está contribuindo para mais frequentes e intensas secas", salientou o pesquisador Chris Funk.

Segundo ele, todas as observações e modelos climáticos indicam que o Oceano Índico está aquecendo muito depressa. "Enquanto a magnitude absoluta do aquecimento é muito menor do que em lugares como o Atlântico Norte, os impactos da mudança climática podem ser dramáticos, já que o aquecimento de um oceano já muito quente pode criar mudanças climáticas significativas", disse.

Soma-se a isso, tem os fatores políticos que pioram as condições dos moradores da região. "Não é o fator natural que está produzindo a fome. A ONU e o mundo ocidental estão dizendo que é uma seca que assolou as pessoas. Nessa parte do mundo as secas são endêmicas. Elas acontecem a cada poucos anos, mas as pessoas desenvolveram mecanismos para lidar com isso durante os anos. Esses mecanismos foram destruídos pela guerra civil, pela guerra ao terror e pela ocupação etíope. As pessoas ficaram tão vulneráveis que elas perderam tudo o que tinham antes de a seca chegar. Quando a seca chegou, eles já não tinham nada e ficaram famintas", explicou o professor de geografia e estudos globais da Universidade de Minnesota, nos EUA, Abdi Samatar.

Segundo Samatar, que é somali, os muitos anos de guerra civil, a pirataria, o avanço do grupo extremista Al-Shabaab e a inimizade com os etíopes tornou a situação do país insustentável.

Em algumas regiões pastoris, foram registradas mortes de 15% a 30% do rebanho entre março e maio deste ano. A época de colheita deve atrasar e ficar aquém do esperado, o que poderá aumentar ainda mais o preço dos alimentos, piorando a crise já instalada.

O Brasil anunciou no dia 28 de julho o envio de 38 mil toneladas de gêneros alimentícios à Somália e 15 mil toneladas de alimentos aos campos de refugiados na Etiópia.

Japão: ÁREAS À VOLTA DE FUKUSHIMA DEVEM FICAR INABITÁVEIS POR DÉCADAS




CORREIO DO BRASIL, com Reuters - de Tóquio

Áreas em torno da usina nuclear de Fukushima podem ficar inabitáveis por décadas por causa de altos níveis de radiação, afirmou o governo japonês neste sábado.

O Japão enfrenta o desafio que é descontaminar o entorno da usina, que ainda emite baixos níveis de radiação quase seis meses depois do terremoto e tsunami que causaram o derretimento nuclear.

Em um encontro com autoridades locais neste sábado, o governo estimou que serão necessários mais de 20 anos para que moradores possam voltar com segurança para áreas com níveis atuais de radiação de 200 mSv (milésimos de Sievert) por ano. Para áreas com leituras de 100 mSv, serão necessários dez anos de espera.

As estimativas, que confirmam o que muitos especialistas vêm dizendo há meses, baseiam-se no natural declínio da radiação ao longo do tempo e não considera o impacto de trabalhos de descontaminação, como a retirada de solo afetado.

Uma vasta área ainda é inabitável em Chernobyl, 25 anos depois da explosão da usina, na Ucrânia.

O governo japonês anunciou medidas nesta semana com o objetivo de reduzir a radiação em dois anos, mas, nos pontos com leitura muito altas, atingir os níveis de segurança pode demorar muito mais.

- Eu não posso negar a possibilidade de que demore muito para que as pessoas voltem para as regiões – disse o primeiro-ministro Naoto Kan, ao governador de Fukushima, Yuhei Sato, segundo a mídia local. Kan apresentou renúncia na sexta-feira em meio a intensas críticas de como lidou com a crise nuclear.

O Japão proibiu a aproximação da usina da usina de Fukushima, localizada a 240 quilômetros de Tóquio, num raio de 20 quilômetros. Cerca de 80 mil pessoas foram retiradas da região desde 11 de março, quando houve o terremoto e tsunami causado pelo fenômeno. Muitas pessoas têm morado em barracas ou em casas temporárias.

O anúncio do governo segue a divulgação, nesta semana, de radiação em 35 pontos da zona de evacuação acima da marca de segurança do governo 20 mSv por ano. A leitura mais alta foi de 508 mSv, na cidade de Okuma, a cerca de 3 quilômetros da usina.

FURACÃO “IRENE” ATINGE VIRGÍNIA E NOVA IORQUE





O furacão "Irene" atingiu esta noite os estados da Virgínia e Nova Iorque, tendo já causado pelo menos oito mortos desde a sua chegada no sábado à costa leste dos EUA.

O "Irene" atingiu no sábado a Carolina do Norte, tendo afectado esta noite a Virgínia e Nova Iorque, estando a deslocar-se para a região de Nova Inglaterra.

Com ventos de 130 quilómetros por hora, o "Irene" causou tornados nos estados de Delaware e Maryland e quatro mortos na Carolina do Norte, três na Virgínia e um na Florida, depois de a sua passagem pelas Caraíbas ter causado seis vítimas mortais na região.

Os danos materiais ainda não foram calculados pelas autoridades locais.

Aquele que é o primeiro furacão que atinge o território norte-americano desde 2008 forçou a retirada de cerca de 1,5 milhões de pessoas na costa leste dos EUA, a maioria (cerca de um milhão) no estado de Nova Jérsia, e pelo menos 1,8 milhões de pessoas estão sem electricidade da Carolina do Norte a Nova Jérsia.

Washington e Nova Iorque declararam o estado de emergência e o sistema de transportes na região nordeste do país está totalmente paralisado, o que causou o cancelamento de mais de 10 mil voos.

O presidente do município de Nova Iorque, Michael Bloomberg, declarou esta noite que o "Irene" já atingiu a cidade e alertou os residentes para permanecerem em casa, uma vez que já não é seguro sair à rua, depois de ter sido ordenada uma retirada inédita de 370 mil residentes das áreas costeiras.

O serviço de transporte público de Nova Iorque está suspenso, designadamente metro, autocarros e comboios, e as pontes poderão fechar ao longo do dia dependendo da intensidade dos ventos.

Está activo um alerto de furacão da Carolina do Norte até Massachusetts, incluindo Nova Iorque e Long Island, e um alerta de tempestade tropical de Maryland até à fronteira entre os EUA e o Canadá.