terça-feira, 5 de outubro de 2021

E agora, Porto?

Rui Sá* | Jornal de Notícias | opinião

Rui Moreira fica para a História como o primeiro presidente da Câmara Municipal do Porto que, depois de ter alcançado a maioria absoluta, a perdeu.

Galardão que alcançou depois de, embalado pelas sondagens (que mais uma vez não acertaram!) e pela visão cor-de-rosa que tem da cidade, ter pedido a maioria absoluta na Assembleia Municipal e a presidência da Junta de Freguesia de Paranhos...... Ou seja, pediu o absolutismo, mas perdeu 10 mil votos (20% da votação de 2017), um vereador, um deputado municipal e 15 eleitos nas freguesias (onde não tem nenhuma maioria absoluta).

Moreira e a sua equipa, convencidos de que iriam ter um passeio triunfal, aumentaram, no último ano, a arrogância e o autismo, quebrando pontes de diálogo com as outras forças políticas (o que justifica, também, o desaire eleitoral). Agora, terá de arrepiar caminho, o que também se aplica às freguesias, sendo que aí a inexperiência da maioria dos presidentes eleitos pelo movimento de Moreira vai "pesar". Bem como o resultado do julgamento Selminho, agendado para meados de novembro deste ano...

Como todas as forças políticas anunciaram que não aceitariam pelouros e/ou acordos com Moreira, o próximo mandato vai ser muito exigente para todos. A Moreira exige-se humildade e paciência, no diálogo sobre cada um dos dossiês. O que também se exige às restantes forças políticas, sendo certo que o pior que poderia acontecer seria se praticassem uma política de "terra queimada". Sei, por experiência própria, que estes tempos são muito trabalhosos. Mas, ao mesmo tempo, exaltantes, dado que todas as opiniões contam...

*Engenheiro

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