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terça-feira, 11 de julho de 2017

BOA DISPOSIÇÃO, TUDO NOS TRINQUES, TUDO SOBRE RODAS



Boa tarde, este é o Expresso a atirar para o Curto que tem a mania acertada de saudar com Bom Dia os que o lêem. Quem o escreve é António Costa, que aproveitou o tempo de férias na Cova da Moura para retemperar as forças, ser preso (por nada, somente pela cor da pele morena), levar uns valentes tariões e estar preso na esquadra daquele burgo multiracial durante 48 horas.

Além disso também foi vítima de torturas para confessar 99 marcas de submarinos enquanto lhe apertavam os tintins com máquina sofisticada que veio expressamente da CIA para a esquadra da Cova da Moura Encantada. Encantada com os ais e urros que Costa produzia… e foram sinónimo do fim da sua capacidade de reprodução. Ai.

Isto é boa disposição? Não. Bem disposto é o Curto que aí vem. Escrito pelo senhor diretor da esquadra… Perdão, do Expresso. De sua graça Pedro Santos Guerreiro, com direito a foto e tudo. 

Pedro convinha mesmo ali naquele cargo, um guerreiro, porque só com muita luta se dá à luz e aos leitores tanta matéria todos os dias. E o diretor Guerreiro está bem disposto. Deixá-lo. Ora leiam e depois meditem. Quanto não vale ter uma vidinha que corre bem? Sobre rodas. Hem! Abençoado.

Sigam para o Curto, se continuarem a ler.

MM | PG

Como António Costa escreve um Curto

Pedro Santos Guerreiro | Expresso

“Bom dia, bem-vindo ao António Costa Curto. Hoje estou com pressa, tenho de preparar o debate de amanhã do Estado da Nação, que vai ser sobre o Estado do Governo, e já mandei dizer que só remodelo depois, eles querem lufa-lufa mas quem manda sou eu. Já convidei os próximos secretários de Estado e disse-lhes que não podem ir à bola (nota mental: mudar o portal do governo, ainda lá estão as caras dos secretários de Estado que querem sair. Bom, também lá estão alguns que gostavam de ser ministros. LOL). Pus o Capoulas a arranjar mais dinheiro para os incêndios, liguei ao Pedro Siza Vieira para olhar para o contrato do Siresp e tratei da comissão independente para os incêndios, já dava mau aspeto esperar tanto. À tarde vou ao abrigo buscar o Azeredo, que tem lá estado com o Constança, para nos reunirmos com os chefes das Forças Armadas, ontem eles foram jantar a Belém (tenho de devolver a chamada ao Marcelo, que me ligou àquelas lindas horas…) Ando a ler a entrevista do Augusto Santos Silva ao Expresso para me lembrar de como relativizar uma remodelação. (Ele tem um piadão naquela de não se querer armar em Churchill de Paranhos e quando diz que não é preciso mudar o chip, porque chips é mais batatas fritas. LOL). Bom, é a andar que isto não pára, ainda tenho de por o Orçamento a andar outra vez e ir ao Facebook ver quem são afinal os tipos dos Truques de Imprensa (se calhar até dão bons secretários de Estado). Até logo, até logo! Ainda agora um homem veio de férias…”

Se o primeiro-ministro escrevesse Curtos, talvez eles fossem tão curtos como este texto de ficção com factos reais. Não escreve, mas muitos Curtos são sobre o primeiro-ministro e sobre a sua ação.

O Curto abre todos os dias com um primeiro texto desenvolvido sobre o tema do dia e ao de hoje chamamos, por simplificação, a crise. Mas esta crise é multifacetada, passou de um ponto a dois e depois a três, é um polígono, um triângulo – e não é equilátero, é escaleno, os lados são todos de diferente dimensão. Incêndios, Tancos e remodelação. Há notícias sobre os três e todos confrontam o governo. É a crise.

LADO 1: INCÊNDIOS

Ao fim de três semanas e meia, o governo nomeou os membros da comissão técnica para analisar os incêndios. O ex-reitor da Universidade do Algarve João Guerreiro vai liderar a comissão, que terá dois meses para chegar a conclusões sobre os incêndios na região centro. João Guerreiro tem um percurso e uma reputação académica irrepreensíveis, veremos como se dá numa arena inevitavelmente política. Pode ler o seu currículo, bem como os nomes dos demais membros da comissão independente, aqui.

Outro grupo trabalho foi criado pelo ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, este para acelerar a chegada dos fundos europeus do Portugal 2020, e provavelmente reforçá-los, à floresta e à prevenção dos incêndios florestais. O grupo de trabalho deve apresentar um relatório inicial com a proposta de reprogramação, para auscultação aos parceiros do setor, até 31 de julho e o relatório final até 10 de setembro. Saiba aqui quem integra o grupo de trabalho.

O Governo pediu a uma sociedade de advogados que faça uma análise ao contrato do SIRESP. Trata-se da Linklaters, firma que… assessorou o Estado quando o contrato foi inicialmente redigido, avança o Negócios.

LADO 2: REMODELADAÇÃO

Não é para esta semana, noticiam os jornais da manhã. António Costa só anunciará todas as saídas e entradas mais tarde – e tomada de posse só quando Marcelo Rebelo de Sousa regressar da sua viagem ao México, daqui a nove dias, contabiliza o Público.

O Ministério Público, que mesmo antes das demissões já tinha planeado ouvir secretários de Estado demissionáriosconfirmou ontem que os secretários de Estado vão mesmo ser constituídos arguidos no caso Galp. E o Expresso avançouque as provas são suficientes para avançar com uma acusação. Afinal, acrescenta o Negócios, recebimento indevido de vantagem é um crime “de prova fácil”. Também a Galp, que diz que fez tudo dentro da lei, está em vias de ser constituída arguida.

São “três demissões por causa da bola”, escreve o Nicolau Santos. Os três governantes de saída são “o homem do fisco, o entusiasta das start-ups e o advogado de Macau. Para Daniel Oliveira, a demissão de Rocha Andrade “é um tiro no porta-aviões”. Mas o governo já disse que não haverá atrasos no Orçamento do Estado.

A devolução do dinheiro não apaga o crime, mas pode ser atenuante. O que está de fora da investigação, noticia o Público, são as viagens também a jogos do Euro 2016 de políticos do PSD, incluindo aqueles que viajaram a convite da Olivedesportos ou disseram depois que pagaram bilhete, como Luís Montenegro.

Na política, o PCP veio relativizar as demissõesNo Público, Paulo Rangel escreve que este governo “incha, desincha, mas não passa”.

LADO 3: TANCOS

Hoje, às 17 horas, o primeiro-ministro recebe em São Bento o chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (general Artur Pina Monteiro), o chefe do Estado Maior do Exército (general Rovisco Duarte), o chefe de Estado-Maior da Força Aérea (general Manuel Teixeira Rolo) e o chefe de Estado-Maior da Armada (almirante Silva Ribeiro). O ministro da Defesa, Azeredo Lopes, estará também presente na reunião, sobre segurança em instalações militares.

Isto depois de, ontem, Marcelo Rebelo de Sousa ter jantado com os mesmos chefes, como revelou a Angela Silva. O Presidente quis tomar o pulso às tropas e tentar serenar os ânimos, na sequência da turbulência provocada no Exército pelo roubo de material militar em Tancos. Marcelo não quer demissões enquanto há investigações, mas a pressão para que o Chefe do Estado Maior do Exército saia está em crescendo no ramo: alguns militares não perdoam a Rovisco Duarte ter suspendido de funções cinco chefes militares.

“Entre o grotesco e o tétrico”, escreve o major-general na reserva Carlos Branco, num artigo de opinião exclusivo para o Expresso. Carlos Branco critica a atitude dos tenentes-generais que anunciaram no fim de semana que iriam deixar o Exército e chega a acusá-los de conspirar, trair e sabotar a ação de comando do chefe do Estado-Maior do Exército.

OUTRAS NOTÍCIAS

Notícia da manhã: conclusão da Operação Marquês novamente adiada. O inquérito-crime sobre suspeitas de corrupção do ex-primeiro-ministro José Sócrates, Operação Marquês, já não deverá terminar antes do fim de setembro, explica o jornalista Micael Pereira. Que avança também que não haverá férias para alguns dos elementos que estão com o caso.

O Ministério Público suspeita de omissão de passivo na Caixa. Segundo um acórdão analisado pelo Expresso, as suspeitas incluem "ato deliberado no sentido de omitir o passivo", com decisões que remontam a 2007 e “assumem relevância criminal". O acórdão é do Tribunal da Relação, que dá razão ao Ministério Público na exigência de que o Banco de Portugal forneça documentação relativa à CGD que tem recusado. Diz Mourinho Félix: é preciso apurar “eventuais imparidades não declaradas no passado”.

Quem mandava na Caixa Geral de Depósitos em 2007? O Eco recorda aqui.

José Maria Ricciardi disse ao Ministério Público que terá sido Ricardo Salgado a indicar o nome de Manuel Pinho para ministro da Economia do Governo de Sócrates, noticiou ontem à noite a SIC. O ex-presidente do BES Investimento foi ouvido como testemunha na Operação Marquês e contou ainda Salgado e Sócrates se encontravam com frequência e discretamente, chegando a deixar os telemóveis à porta.

Herdade da Comporta vendida, avança o Negócios. Pedro Almeida ficou com 59% do fundo imobiliário e quer comprar o resto, que em parte é ainda de membros da família Espírito Santo.

Moody’s aplaude mudanças no Montepio, noticia também o Eco: o aumento de capital e transformação da caixa económica em sociedade anónima vão reforçar os capitais da instituição.

É uma investigação sem precedentes, garante o DN, ao concluir que seis jovens negros da Cova da Moura, na Amadora, foram vítimas de racismo e que os polícias mentiram. Dezoito agentes da PSP, entre os quais um chefe, vão ser acusados dos crimes de tortura, sequestro, injúria e ofensa à integridade física qualificada, agravados pelo ódio e discriminação racial, escreve o jornal.

Polícias apreendem por dia 13 armas de fogo fora da lei,contabiliza o Jornal de Notícias.

Manifesto em defesa do Serviço Nacional de Saúde reúne 101 nomes do setor, noticia o DN. O documento contesta a política de saúde centrada mais no tratamento do que na prevenção e promoção da saúde. Os signatários (entre os quais José Aranda da Silva, Maria Augusta de Sousa, Rui de Oliveira, Jaime Mendes e Correia da Cunha) querem reunir-se com António Costa.

17 anos depois, a Carris lança novas carreiras em Lisboa. O Observador explica: é o projecto "Rede de Bairros" de Lisboa, que pretende lançar pelo menos uma carreira de bairro por freguesia até 2019.

A Câmara do Porto adiou início das obras no mercado do Bolhão, escreve o JN. Fica para depois de setembro. Depois das eleições autárquicas.

As taxas dos aeroportos de Lisboa e Porto vão aumentar (outra vez). Como diz Miguel Sousa Tavares, “grão a grão, enche a ANA o papo”.

O número de derrocadas de arribas nas praias portuguesas já ultrapassa as do ano passado, avança o Jornal de Notícias.

Uma fotografia captada durante a cimeira do G20 está a ser classificada como a “metáfora perfeita” para o lugar dos EUA no mundo ao leme de Donald Trump — isolado. A Joana Azevedo Viana resume-lhe aqui o encontro em quatro pontos.

“Fuja, esconda-se, alerte”. Estas são os principais conselhos sobre como se deve agir em caso de ataque terrorista. A mensagem, detalhada em vídeo, é do Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico para a “pouco provável hipótese” de os cidadãos no país serem apanhados em férias num ataque.

A ex-primeira-ministra Maria de Lourdes Pintasilgo passou a ter um monumento em sua homenagem, inaugurado a 10 de Julho, dia em que se completaram 13 anos sobre a sua morte. A obra, do escultor Rui A. Pereira, está implantada no Jardim Maria de Lourdes Pintasilgo, junto ao Hospital dos Capuchos, na freguesia lisboeta de Arroios.

O QUE DIZ UM NÚMERO:

87 mil – número de nascimentos no país em 2016. Já conhecíamos este dado. O que ficámos agora a saber é que Portugal teve a segunda taxa de natalidade mais baixa da UE em 2016.

FRASES

“Conheço galinheiros mais bem guardados do que o paiol de Tancos”. Miguel Sousa Tavares, na SIC.

“Aquilo que se sabe até ao momento acerca das viagens ao Europeu pagas pela Galp não faz qualquer espécie de sentido.”João Miguel Tavares, no Público.

“Estas demissões no Governo são um péssimo sintoma sobre o ponto em que estamos. Mas tornaram-se inevitáveis quando o próprio Governo lhes pôs um carimbo de culpa.” David Dinis, ibidem.

“Estas circunstâncias dão fôlego à oposição e isso é da natureza das coisas”. Celso Filipe, no Negócios.

“Se fosse preciso escolher uma empresa para contar a história do capitalismo português, seria a Portugal Telecom.” Mariana Mortágua, no JN.

O QUE EU ANDO A LER

“Preparai contudo os ouvidos, e também os olhos e o espírito, se quereis ter valor para saber coisas que excedem tudo o que a imaginação pode criar de mais extraordinário.”

Estas “coisas que excedem” são relatadas noite após noite pela mulher que, para Miguel Sousa Tavares, “teria sido a maior contadora de histórias de sempre”, se tivesse existido mesmo: Xerazade.

Eis “O Livro das Mil e Uma Noites”, que o Expresso oferece aos leitores a partir do próximo sábado.

Xerazade quer “pôr termo à medida bárbara com que o sultão apavora as famílias desta cidade”: ama-as de noite e mata-as de manhã. É uma jura do rei persa, que depois de descobrir ter sido traído pela sua mulher, vinga a raiva garantindo a melhor forma de nunca mais ser traído: deita-se a cada noite com uma mulher virgem decapitando-a no dia seguinte. Até chegar Xerazade, que engendra um plano: contar uma história a cada noite para ganhar tempo e manter a sua cabeça. Assim é: “O rei, que ouvira a história com muito prazer, disse para consigo: «Aguardarei o fim do conto e será executada amanhã».”

“Ao tentar salvar a vida, fez nascer a Literatura”, diz Rodrigo Guedes de Carvalho. “A mulher que nada pode contra a força inventa a magia das histórias. E eis que a palavra vence a espada. Não é o que hoje procuram, ainda, os escritores? Conseguir que o mundo que nos pode matar a qualquer instante se suspenda por um pouco, nem que seja um pouco, para ouvir uma história?”

“Mergulhe-se nos milénios e assuma-se: todos os escrevinhadores vêm depois de “As Mil e Uma Noites”, acrescenta Guedes de Carvalho. Histórias como “A Lâmpada de Aladino”, “Simbad, o Marinheiro” e “Ali Babá e os Quarenta Ladrões” compõem esta obra, “um dos livros de referência de toda a história da literatura mundial”, que “além do testemunho da importância das histórias de cada livro”, prossegue Miguel Sousa Tavares, “constitui também uma justíssima homenagem aos contadores de histórias orais: aos que as passam de geração em geração, até que alguém pegue nelas e as junte em livro, como aqui.”

Miguel Sousa Tavares e Rodrigo Guedes de Carvalho assinam os prefácios dos dois primeiros volumes dos sete que o Expresso distribuirá noutras tantas semanas. Os prefaciadores dos volumes seguintes são Clara Ferreira Alves, Valter Hugo Mãe, Alice Vieira, José Luís Peixoto e Mia Couto. Além dos prefaciadores, os volumes têm a capa desenhada por um sete ilustradores: Kruella, Lord Mantraste, Pedro Proença, Cláudia Guerreiro, Gonçalo Viana, Fatimorri, e Hugo Makarov.

Voltamos a Xerazade e usamos uma passagem da “História do Alvazir Castigado”, que conta um conflito entre um pescador e um génio: “Esse livro contém uma infinidade maravilhosa de coisas interessantes, das quais sobressai esta: se Vossa Majestade o abrir na altura da sexta página e ler a terceira linha à esquerda, quando já me tiverem decapitado, a minha cabeça responderá a todas as perguntas que se dignar fazer-lhe.”

Leia mais das 1001 Noites no sábado. Leia então e até lá o Expresso, aqui no site, aqui no Diário, lá no semanário, aí onde estiver e quiser.

E vá tomando todos os dias o Expresso Curtotomar café está relacionado com mais anos de vida: pode ajudar a evitar algumas doenças cardíacas, renais, respiratórias, cancros, AVC ou até diabetes.

Tenha um dia bom. Os termómetros estão a subir, eis o verão.

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