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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

E OS OSCARES FORAM PARA… “DEZ MIL MILHÕES DE EUROS PARA OFFSHORES”




Banda sonora (refrão): Maria Luís já te tenho dito que não é bonito andar a enganar…

Olá, este é o Expresso Curto de hoje. A lavra é do senhor diretor do Expresso, Pedro Santos Guerreiro, conforme é referido logo-logo no inicio da página correspondente (online). Hoje ele perde-se a relatar e considerar a cerimónia dos Óscares que ocorreu nos States. Vamos nessa, mas a lista dos óscares deixamos a consulta ao critério de quem nos lê, por isso recorra à ligação (link) que vai encontrar lá no sítio desta prosa.

Que nos óscares ocorreu um enorme erro histórico… Ocorre quase sempre!

Filmes. Filmes, filmes. Um grande filme é o que aborda de leve a cena dos tais 10 mil milhões de euros que de Portugal voaram para os offshores. E quem foram, exatamente, os tipos que se baldaram com o dinheiro? Que o Espírito Santo é um dos que mais se baldou. Compreende-se, é o dono disto tudo. Ainda é. É, provavelmente só é de menos partes do país, mas que tem peso, podem crer que tem. E quem mais se baldou? Tudo acabará em águas de bacalhau devidamente estagnadas. A justiça…. Oh, a justiça. Quem? Aquela que é forte com os fracos e fraca com os fortes? Oh, pois, essa.

O filme dos 10 mil milhões vai ter o “tratamento” VIP, correspondente ao “E Tudo o Vento Levou”. É o que já está a acontecer. A Maria Luís Albuquerque, que se põe em bicos dos pés por dá cá aquela palha, está caladinha que nem uma rata de sacristia. Até parece que nem era ministra das finanças nessa altura das fugas de capitais e ao fisco enquanto também na época andavam a virar de pernas para o ar os portugueses que trabalhavam por conta de outrem (os mais fáceis de roubar). Que prazer devem ter sentido naqueles gabinetes pagos por todos nós! Ainda mais porque os  das máfias do capital conseguiam fugas de capital enormes e fugas ao fisco. Eram só fugas, para eles. Era muita fome para muitos dos mais fracos em Portugal. Vai daí a razão de ainda hoje existir tantos famélicos. E eles moita-carrasco. Debitam uns bitates e coisa e tal mas as consequências dos responsáveis é zero. Do secretário de estado, o tal Núncio, da Luís Albuquerque, do então PM Passos Coelho, desses trafulhas todos que em quatro anos debulharam o país em prol dos que já muito ricos passaram a ainda mais ricos. Bom trabalho, Maria Luís, Passos, Portas, Cavaco... E restante pandilha.

Chega de filme sobre a realidade portuguesa. Chega de portugueses a deixarem-se enlevar nas loas de Passos e daqueles PSD/CDS desnaturados e entregues a uma pandilha vergonhosa. Chega. Basta!

Pirem-se para o Curto, vale sempre ler. Para saber como é que ELES escrevem a dose diária (ou quase) que adormece tanta gente mas que também acaba por despertar outros.

Os Óscares, coisa importante, no país das fitas. aNúncio: “E os Óscares foram para… 10 mil milhões de euros para offshores!” Pois.

Pergunta: e então, "voam" 10 mil milhões... E há crime ou não há crime? A resposta: Pois, bem... Deixem-se estar, o povo é sereno. Para a próxima podem ser 30 mil milhões ou mais. Porque não debulhar totalmente Portugal e vender o país de uma só vez por atacado? Pois.

MM / PG

Este é o Expresso Curto

Pedro Santos Guerreiro - Expresso

O erro mais embaraçoso de sempre

Na Casa Branca, o Presidente deve estar a rir-se como uma hiena. A noite foi quase até ao fim marcada por símbolos e discursos anti-Trump mas as manchetes de hoje no mundo inteiro são sobre dois minutos quase no final. Foi esse o tempo que durou a “vitória” de La La Land como melhor filme do ano. Depois, bom, depois foi um embaraço visto em direto por milhões de pessoas. Faye Dunaway anunciou o nome errado, afinal o Óscar de melhor filme foi ganho por “Moonlight”. “Se fosse um filme ninguém acreditaria”, escreve o New York Times.

Um fiasco.

Já estava tudo em palco, trocaram-se as estatuetas entre falso e verdadeiro vencedores, enquanto se repetia “isto não foi uma brincadeira, isto não foi uma brincadeira”... Não foi uma brincadeira, foi mesmo um espalhanço ao comprido daqueles que dá vergonha alheia. O Twitter encheu-se de “what’s happening?”, “o que está a acontecer?”, relata o New York Times.

Pobres Faye Dunaway e Warren Beatty, que estava a seu lado: o erro não foi dela. Terá sido da PricewaterhouseCoopers, a auditora dos prémios, que três horas depois emitiu um comunicado a assumir que tinha entregue o envelope errado e a pedir desculpa. A Vanity Fair, que em condições normais teria o site a abrir com as fotografias dos vestidos da noite, dá destaque ao relato do que correu mel e do alvoroço nos bastidores

Apesar das críticas explícitas ou implícitas a Trump, a noite já não estava a ser grande coisa, como escreve a Mariana Lima Cunha na crónica da noite. Não houve sequer um daqueles discursos a sério que pusesse em causa a xenofobia e o populismo do Presidente. Talvez se Denzel Washington tivesse ganho o Óscar… mas o melhor ator foi Casey Affleck (de “Manchester by the Sea”).

O episódio final deixou para trás os momentos de intervenção política, iniciados pelo anfitrião Jimmy Kimmel, que começou por ironizar agradecendo a Donald Trump: “Lembram-se do ano passado, quando parecia que os Óscares eram racistas?” A cerimónia, acrescentou, estava a ser vista em 225 países “que agora nos odeiam”. Um dos momentos da noite pertenceria a Gael García Bernal: “Sou contra qualquer tipo de muro que nos tente separar. Como mexicano, como migrante, como ser humano”. A presidente da Academia, Cheryl Boone Isaacs, que foi apresentada por Kimmel como “uma coisa rara: uma Presidente que acredita nas artes e na ciência”, orgulhou-se da comunidade “mais inclusiva e diversa a cada dia que passa”, que prova que “a arte não tem uma linguagem nem pertence a uma só fé”. Antes do espalhanço, Warren Beatty afirmava: “O nosso objetivo na política é o mesmo que na arte: encontrar a verdade”.

Bom, mas “Moonlight” ganhou mesmo o Óscar de melhor filme, bem como o de melhor ator secundário e o de melhor argumento adaptado. Pode ler aqui a crónica sobre “um filme deslumbrante e delicado mas também doloroso e violento”. La La Land ganhou seis prémios.


OUTRAS NOTÍCIAS

Divulgar a lista de devedores da Caixa no Parlamento era uma ameaça ao regime? Não, responde Ferraz da Costa no Eco. “Era uma ameaça aos ladrões.”

A Caixa Geral de Depósitos vai juntar-se a outros bancos e, segundo o Correio da Manhã, deixar de pagar juros nos depósitos à ordem.

O Ministério da Saúde vai abrir até 150 vagas com incentivos para médicos, escreve o Diário de Notícias. Ainda não há dados sobre as especialidades, para unidades carenciadas.

O caso do offshores prosseguiu durante o fim de semana. O PSD propõe agora que a publicação de transferências para “offshores” deixe de depender do Governo, para evitar o que sucedeu… no seu governo. Isto depois de Paulo Núncio ter assumido “responsabilidades políticas” e saído do CDS. Assunção Cristas disse que Núncio revela “grande elevação de caráter”, ela que não se revelou contra a sua saída. “Não, Assunção”, escreve Rui Tavares no Público, “Não é possível dizer que “o país deve muito ao doutor Paulo Núncio pelo trabalho de combate à fraude e à evasão fiscal”.

Há décadas que não morriam tantas pessoas em Portugal num ano como as que morreram em 2016: 111 mil. Mais do que o número de nascimentos. “Nunca fomos tão velhos, esta evolução terá muito a ver com o envelhecimento”, afirma Paulo Nogueira, da Direção de Serviços de Informação e Análise da Direção-Geral de Saúde, no Público.

Momento Manuel Pinho: salários na China crescem para níveis próximos dos de Portugal. Segundo o Financial Times deste fim de semana, o custo de cada hora trabalhada na indústria chinesa superou os praticados em economias como o Brasil e o México, aproximando-se do custo do trabalho industrial em Portugal. (Numa declaração então polémica, Pinho defendeu na China, há dez anos, a vantagem de investir em Portugal argumentando com os nossos baixos salários).

O Jornal de Angola criticou a justiça portuguesa, escrevendo em editorial que “custa ver tanta falta de vergonha”. Em causa ter sido notícia nos jornais portugueses o processo envolvendo o vice-presidente angolano, Manuel Vicente. Pois, em Portugal há notícias de que os políticos do poder não gostam. Os de lá e os de cá.

Nos Estados Unidos, em Nova Orleães, um veículo avançou contra uma multidão e provocou 28 feridos. O suspeito, que “parecia fora de si”, foi detido.

A Casa Branca quer olhar para os telemóveis dos seus funcionários para saber de onde vêm fugas de informação para a imprensa (no El Pais).

A China passou a ser o maior parceiro comercial da Alemanha. Não é uma notícia qualquer, esta analisada no QuartzEste gráfico mostra o crescimento das importações.

“Faliu a primeira empresa salva por um PER”, titula o Negócios. Trata-se da Elnor, empresa de Santo Tiro que quebrou depois de dois anos a pagar só juros à banca, passando a ter de pagar a fornecedores.

Chama-se Fibroglobal, empresa que tem gerado queixas da Nos e da Vodafone, depois de ter recebido quase 30 milhões do Estado para construir uma rede de comunicações na zona rural centro, impondo preços grossistas (cobradas aos operadores) que só são boas para a PT. Segundo o Público, esta empresa está ligada a Armando Pereira, o sócio português da Altice, dona da… PT. “A Fibroglobal é apenas uma de várias nebulosas na intricada teia de relações entre sociedades que passaram a rodear a PT desde que a Altice a comprou”, escreve o jornal.

Manchetes do dia:

“Figuras do Estado comunicam sem segurança informática”, Diário de Notícias.

“Banco de Portugal aplaude lei que trava novo caso dos offshores”, Público.

“Caso das offshores. Especialistas dizem que dinheiro não saiu ilegalmente”, i.

“Saco azul dá 24 milhões a Granadeiro”, Correio da Manhã.

“Nova proposta de quatro mil milhões para o Novo Banco”, Negócios.

“Clube falido era entrada para jogadores ilegais”, Jornal de Notícias.

Nos desportivos, Sporting. As eleições são sábado mas ontem José Maria Ricciardi entrou em campo e não foi por sua iniciativa. Num áudio colocado (e mais tarde retirado) no Youtube, ouve-se o antigo presidente do BES Investimento (que integra a comissão de honra da candidatura de Bruno de Carvalho) dizer que a única solução para a SAD é a entrada de um acionista privado, o que implicaria o Sporting perder maioria do seu capital. Pedro Madeira Rodrigues convocou os jornalistas para dizer que “a máscara caiu, há um projeto em curso para tirar o Sporting dos sócios”. E disse, como se lê n’ O Jogo, que que “Bruno é marioneta de Ricciardi”. Ricciardi disse ao jornal A Bola que a conversa é de “2013, numa altura em que o Sporting estava em vias de falir”, pondo em causa a colocação do áudio de forma manipuladora. Madeira Rodrigues negou que tivesse sido a sua equipa a fazê-lo e ameaça no Record processar Ricciardi por difamação.

Enquanto isso, o FC Porto venceu o Boavista por 1-0, mantendo-se a um ponto do Benfica, com um golo de Soares, que chegou em janeiro e já marcou cinco golos, como nota o Diogo Pombo na Tribuna, que fala do “olhar triste, fechado e desiludido” do miúdo que passou para o banco. Na contra-crónica do jogo, Catarina Pereira imaginou “como seria levar Jaime Pacheco, Petit e Martelinho a irem ver os Mirós a Serralves”.

No Porto, livrarias nascem; em Lisboa, livrarias morrem. A notícia é do Público, onde Nuno Pacheco escreve que “talvez a prazo ressurjam até os antigos vendedores qualificados, que se foram perdendo na mercantilização rápida e impessoal dos nossos dias. Se isso acontecer, o requiem de hoje poderá dar lugar a um verdadeiro renascimento nos próximos anos”.

Vem aí a Facebook TV. Uma aplicação ainda em desenvolvimento para ver publicações e vídeos partilhados entre amigos, celebridades e figuras publicas, incluindo transmissões em direto do “Facebook Live”.

FRASES

“Tu tens os SMS, eu tenho os offshores.” Marques Mendes, que escreve no Negócios que o caso dos offshores é a resposta de Costa aos SMS de Domingues sobre Mário Centeno.

“O que vai animando a economia é o espantoso caso do turismo, que cresceu 10% num ano.” Luciano Amaral, no Correio da Manhã.

“A tendência para o populismo centrista é um desastre para a União Europeia e para a zona euro. (…) A sua sobrevivência depende da ausência de populismo.” Wolfgang Münchau, no Diário de Notícias.

“Não basta, como o bispo de Leiria-Fátima fez recentemente, apelar à "honestidade" dos operadores hoteleiros [que estão a cobrar exorbitâncias na semana da visita de maio do Papa a Fátima]. Em matéria de transparência, deveria ser o Santuário o primeiro a prestar contas publicamente, o que não faz há largos anos.” Inês Cardoso, Jornal de Notícias.

O QUE EU ANDO A LER

Frase feita #1: “A saúde não tem preço”.
Frase feita #2: “A saúde não tem preço mas tem custo”.

Estas frases feitas espelham duas visões sobre uma controvérsia com alguns anos: deve o Estado mostrar a conta do hospital aos pacientes que lá vão, não a conta que os pacientes pagam mas o custo real para o Estado?

Catarina Guerreiro passou um dia no maior hospital do país, o Santa Maria, em Lisboa, e conta tudo o que viu vendo a conta de tudo. A reportagem “A Saúde não tem preço?” foi publicada este sábado na revista E do Expresso, e pode também ser lida aqui. E lá pode ler “quanto custa uma cirurgia? E ficar internado num hospital público? Qual o preço das análises, da uma TAC, de um tratamento de quimioterapia ou de um simples penso?” Mas, além do custo de 1,2 milhões de euros gastos num dia, também pode ler muito dos casos que passaram no Santa Maria, onde circulam 5080 funcionários, naquelas 24 horas em que decorreram 92 operações, foram atendidos 719 doentes na urgência, realizaram-se 3642 consultas externas e efetuaram-se mais de 27 mil análises.

Também dos jornais, outras duas recomendações completamente diferentes: “No inferno do Boko Haram”, uma grande reportagem do El Pais no terror da Nigéria. E, também no Expresso, a grande entrevista que a Carolina Reis fez ao psicanalista António Coimbra de Matos, sob o título “Não é fácil amar, mas é bom. E se não se amar não se vive”.

A parte boa da condição humana: “a capacidade de amar, de criar”. A parte má: “o egoísmo, a vaidade, a sacanice”. Há duas coisas importantes, diz Coimbra de Matos, “a capacidade de nos interessarmos pelo outro, em que o mais importante são as pessoas de quem gosto. E depois há o narcisismo, os outros que se lixem. E todos nós temos um bocado dos dois. Quando somos mais saudáveis, somos melhores pessoas. Predomina a capacidade de a pessoa se interessar pelo outro, ajudar a sociedade, criar um mundo melhor.”

“Desde o fim da II Guerra Mundial, as sociedades deixaram de ser sociedades de culpa e passaram a ser sociedades de sucesso, da performance, do desempenho. E os pais estão muito preocupados com isso, hoje é necessário para ser bom cidadão ter um bom emprego. Ainda sou do tempo em que as depressões eram marcadas pela culpa, hoje é pelo insucesso, por não terem notas para ir para a faculdade.”

Estamos em semana de carnaval e há sete distritos sob aviso laranja devido à agitação marítima. Amanhã o Martim Silva escreve-vos com o noticiário do dia. Até lá – e depois -, encontramo-nos no Expresso. Tenha um dia bom. Sem enganos de dois minutos.

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