sexta-feira, 25 de maio de 2018

Investigadores defendem plataforma agregadora de documentação histórica sobre Timor-Leste

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Porto, 24 mai (Lusa) -- Investigadores portugueses defenderam hoje no Porto a criação de uma plataforma que agregue documentação histórica existente sobre Timor-Leste, muita ainda desconhecida, que está nas mãos de privados, e outra que se encontra dispersa um pouco por todo o mundo.

No âmbito do 1.º Colóquio Internacional "Memória & História -- os Arquivos de e para Timor", a decorrer hoje na Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP), a diretora do departamento de História e Estudos Políticos Internacionais daquela Faculdade, Inês Amorim, salientou a necessidade de "criar pontes entre os diferentes interessados daquilo que é a valorização da memória, escrita e oral" de Timor-Leste.

"Com exceção do Arquivo Nacional de Timor, os documentos que existem foram criados por ocidentais e dependem de instâncias ocidentais", disse a responsável, acrescentando que "são muitas as instituições que têm zelado e procuram tudo isto".

Luís Pinto, coordenador deste colóquio, afirmou que "qualquer tentativa de inventariar a documentação existente exige colaboração internacional".

"Há períodos diferentes [na história de Timor-Leste] e para os quais há coisas que são tratadas, coisas que se conhecem, coisas que estão digitalizadas e a dificuldade é a dispersão", porque os investigadores "trabalham em países diferentes, estão muito afastados uns dos outros e muitas vezes têm acesso a documentação em línguas diferentes".

Para Luís Pinto, "tudo isto levanta problemas", quer para os investigadores, em geral, quer para os estudantes e futuros investigadores timorenses, em particular.

"A ideia é juntarmos esforços, ficarmos todos uns a saber o que os todos fazem, nos outros países e, eventualmente pormos coisa 'online', sem bem que já há muita documentação na Internet, para disponibilizar, essencialmente aos timorenses", frisou.

O investigador apontou como "um bom exemplo do que se poderia fazer" o trabalho desenvolvido pela The Clearing House for Archival Records on Timor (CHART), uma organização sem fins lucrativos australiana que "começou a procurar entre ativistas" do seu país "o que havia de publicações periódicas, boletins, documentação e cartas" sobre Timor, digitalizando "tudo isso" e disponibilizando essa informação na Internet.

"A história faz-se, mas é feita por todos e precisamos de ter os materiais", disse Luís Pinto, para quem este terá de ser o 1.º de muitos outros colóquios sobre este tema, uma vez que "isto não fica nem por sombras resolvido agora, isto é um mundo sem fim de descobrir as coisas, entre documentação indonésia, do Japão, as coisas que estão nas mãos de privados e que ainda não se conhecem".

A diretora da FLUP, Fernanda Ribeiro, destacou a importância e a ligação da instituição de ensino superior ao tema, afirmando que a Faculdade "está disponível para colaborar com Timor" nesta matéria, relembrando que havia uma proposta de criar um curso superior no território para "preparar profissionais para arquivo".

Neste encontro, o historiador Fernando Augusto de Figueiredo relatou ter encontrado documentação importante da história de Timor em instituições como o Arquivo Nacional Ultramarino (Lisboa), Torre do Tombo (Lisboa), Sociedade de Geografia de Lisboa, Arquivo Histórico-Diplomático do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Biblioteca da Ajuda, Academia das Ciências, bem como nos arquivos de Goa, da Austrália, de Londres, de Haia e de Timor.

Referiu ainda que, apesar de não conhecer os conteúdos, sabe que existe documentação que poderá ser relevante para a história de Timor-Leste no arquivo do Banco Nacional Ultramarino (BNU), no arquivo do Vaticano, além do que existirá, mas que não está disponível para consulta, nos arquivos indonésios.

O jornalista Max Stahl, que filmou e divulgou ao mundo o massacre no cemitério de Santa Cruz, em Díli, a 12 de novembro de 1991, marca presença neste colóquio, falando sobre o seu Centro Audiovisual em Timor, onde tenta preservar e divulgar uma coleção de documentos audiovisuais sobre o território.

JAP // EL
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