sábado, 23 de junho de 2018

Aumenta pressão contra imprensa angolana

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O MPLA, partido no poder em Angola, acusou recentemente a TV Zimbo de "instigação à desobediência". O Serviço de Investigação Criminal (SIC) também vai processar o jornal "Crime" por difamação. E ainda há mais casos.

Em abril deste ano, o diretor do jornal "Liberdade" foi ouvido pela Procuradoria-Geral da República (PGR), num processo que envolve Bornito de Sousa, atual vice-presidente da República. Em causa está uma entrevista publicada pelo semanário que acusava o então ministro da Administração do Território (MAT) do desvio de milhões de kwanzas destinados às autoridades tradicionais.

"As vozes contrárias ao Governo sempre foram intimidadas", lembra o diretor do jornal, Escrivão José. "Quando fazemos matérias jornalísticas e de investigação recebemos algumas ameaças, dado o trabalho que temos vindo a fazer, e agora recebemos este processo", afirma.

Ainda assim, o jornalista diz que o semanário vai continuar a desempenhar o seu papel: informar. "O jornal vai continuar a fazer o seu trabalho. Por isso é que constituímos esse projecto, para dar voz aos que não têm voz. E estamos prontos para enfrentar a justiça do nosso país, mas garantimos aos nossos leitores que o jornal Liberdade sempre informou com verdade e vamos continuar nesta senda", assegura.

Zimbo acusada de "instigar desobediência"

Este não é o único caso de alegada pressão contra a imprensa angolana. Na semana passada, o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) acusou a televisão privada Zimbo de "instigação à desobediência". Em causa está o conteúdo do programa "Fala Angola", que retrata os problemas sociais do país.

O segundo caso envolve o Serviço de Investigação Criminal (SIC), que vai processar criminalmente o jornal "Crime" por ter publicado na sua última edição que a execução de um alegado delinquente, a 1 de junho, tenha sido uma espécie de "queima de arquivo". Ou seja, teria informações sobre um suposto desvio de milhões de kwanzas por parte do SIC. 

Em declarações à DW África, o jornalista Jorge Neto diz não ter dúvidas sobre a pressão exercida sobre os profissionais da imprensa em Angola.

"O caso do jornalista Mariano Brás, por exemplo, foi um vídeo que se tornou viral nas redes sociais e o jornalista, no exercício da sua profissão fez uma investigação, apurou algumas causas e trouxe o assunto à baila numa perspectiva que as autoridades nem sequer tinha noção", refere.

No Tribunal Provincial de Luanda decorre um processo crime movido pelo antigo procurador-geral da República João Maria de Sousa, que acusa os jornalistas Mariano Brás e Rafael Marques de injúria e ultraje a órgão de soberania. A sentença será conhecida a 6 de julho.

Manuel Luamba (Luanda) | Deutsche Welle
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