sábado, 28 de julho de 2018

Angola e Moçambique querem apoio dos BRICS

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Depois de participarem no último dia da cimeira dos BRICS, em Joanesburgo, Angola e Moçambique afirmam que estão dispostos a cooperar com o bloco e esperam desenvolvimento e "benefícios mútuos".

O Presidente de Angola, João Lourenço, afirmou nesta sexta-feira (27.07), em Joanesburgo, que gostaria de integrar o seu país nos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Da mesma forma, o Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, garantiu que o país está aberto para colaborar "na base de vantagens e benefícios mútuos". As posições foram defendidas no última dia da 10ª cimeira do bloco.

No seu discurso aos chefes de Estado e de Governo dos BRICS e demais autoridades africanas presentes na cimeira, o Presidente João Lourenço deixou clara a sua intenção de receber apoio dos países emergentes: "O vosso exemplo inspira-nos e motiva a trabalhar com a ambição de almejar o objetivo de um dia se poderem acrescentar outras letras à sigla BRICS".

Lourenço também afirmou que Angola tem feito um "grande esforço de reconstrução nacional", investindo recursos em infraestruturas e obras sociais, "embora ainda insuficientes para colmatar as crescentes exigências das populações e das empresas no que diz respeito às suas necessidades básicas".

"Reitero o apelo então feito para que ajudem a República de Angola a superar os constrangimentos ainda existentes para colocar a economia angolana ao serviço do desenvolvimento, do progresso e do bem-estar das populações", frisou João Lourenço, que marcou presença na qualidade de chefe Estado da República de Angola e presidente em exercício do Órgão de Cooperação Política, Defesa e Segurança (OCPDS) da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

"Benefícios mútuos"

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, também discursou neste último dia da cimeira e afirmou que "Moçambique aprecia a necessidade de aprofundar a cooperação com os BRICS, para o crescimento e o desenvolvimento sustentável das economias, num espírito de equidade, respeito, confiança mútua e justeza". Nyusi ressaltou ainda que esta cooperação deve ser "na base de vantagens e benefícios mútuos".

Filipe Nyusi disse aos chefes de Estado dos BRICS que as prioridades do seu país são "as infraestruturas, a agricultura, a industrialização, a ciência e tecnologia, e a balança de pagamento". E garantiu que a economia moçambicana está a recuperar "depois de um abrandamento decorrente de fatores conjunturais, em particular no ano de 2016, estando para este ano de 2018 uma estimativa de crescimento de 5,3% do PIB".

"Os países africanos, atualmente, figuram entre aqueles que demonstram os maiores índices ou perspectivas de crescimento económico, que pode ganhar maior expressão se trabalharmos em conjunto. A abordagem de cooperação para o desenvolvimento dos BRICS, para além de dar voz aos sem voz, faz-se acompanhar de uma agenda de desenvolvimento concentrando as nossas necessidades e prioridades", disse Nyusi.

Nações africanas e livre comércio

Além de Angola e Moçambique, outros países africanos participaram no encerramento da 10ª cimeira dos BRICS, como Namíbia, Botsuana, Malaui, Zâmbia, Zimbabué, Lesoto, República Democrática do Congo, Maurícias, Madagáscar, Seychelles, Senegal, Tanzânia, Togo, Uganda, Ruanda, Etiópia, Gabão, Togo, e o secretariado da União Africana.

Entretanto, a importância das nações africanas foi destacada logo no primeiro dia do evento, quando o Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa instou a uma maior cooperação BRICS-África e outras plataformas multilaterais, acrescentando que "os BRICS devem promover a integração e o desenvolvimento do continente africano" e aproveitar o potencial de investimento existente em África. 

"Na década passada, África cresceu a uma taxa de 2 a 3 pontos percentuais a mais do que o PIB global, com o crescimento regional previsto para se manter estável acima de 5% em 2018", precisou.

O chefe de Estado frisou que o acordo sobre a Zona de Livre Comércio Continental Africana apresentará mais oportunidades através do acesso a um mercado de centenas de milhares de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) global de mais de 3 mil milhões de dólares.

"O valor desta área de livre comércio só será plenamente realizado através de investimentos maciços em infraestrutura e desenvolvimento de capacidades. Isso apresenta oportunidades para os países do BRICS, alguns dos quais têm ampla experiência em desenvolvimento de infraestruturas e são líderes mundiais em educação e desenvolvimento de habilidades", afirmou o líder sul-africano. 

Comércio multilateral

Na quinta-feira (26.07), Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul defenderam em conjunto o comércio global na plenária da cimeira de três dias, e prometem combater o unilateralismo e o protecionismo, assinando uma declaração conjunta de apoio a um sistema multilateral de comércio aberto e inclusivo, como prevê a Organização Mundial do Comércio (OMC).

"Reconhecemos que o sistema multilateral de comércio enfrenta desafios sem precedentes. Salientamos a importância de uma economia mundial aberta, permitindo que todos os países e povos compartilhem os benefícios da globalização, que deve ser inclusiva e apoiar o desenvolvimento sustentável e a prosperidade de todos os países. Pedimos a todos os membros da OMC que respeitem as regras da OMC e honrem os seus compromissos no sistema multilateral de comércio", refere a declaração assinada pelos cinco chefes de Estado.

Agência Lusa, Reuters, tms | Deutsche Welle
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