quarta-feira, 11 de abril de 2018

NOVO FÔLEGO PARA A BARBÁRIE IMPERIAL

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(ALERTA A TODOS OS PROGRESSISTAS DA AMÉRICA)

“Julgamos propícia esta ocasião para afirmar, como um princípio que afeta os direitos e interesses dos Estados Unidos, que os continentes americanos, em virtude da condição livre e independente que adquiriram e conservam, não podem mais ser considerados, no futuro, como suscetíveis de colonização por nenhuma potência europeia”… Mensagem ao Congresso de 2 de dezembro de 1823, do Presidente James Monroe.

Martinho Júnior | Luanda 

1- A aristocracia financeira mundial transatlântica e com praça-forte nos Estados Unidos, onde chegaram instalando as casas bancárias anglo-saxónicas precisamente no período imediatamente anterior à descolonização do continente americano, não larga mão da doutrina Monroe, adaptando-a em pleno século XXI às projecções potenciadas pela via do imperialismo de pendor hegemónico e unipolar para todo o continente americano.

Essa via expansionista é imposta sobre as resistências que surgirem e sobre aqueles que, fugindo ao controlo do poder dominante, procuram vias alternativas para a assunção de facto das independências e das soberanias que de há 200 anos a esta parte se tornaram face à nova submissão durante décadas e décadas, artifícios multicoloridos de bizarras bandeiras.

No essencial a doutrina Monroe está sempre presente, qualquer que seja a administração de turno nos Estados Unidos e se os Democratas conforme Barack Hussein Obama, recorreram aos “filósofos de casa” como Milton Friedman, Gene Sharp, Leo Strauss, ou Francis Fukuyama para reorientar o seu subtil exercício de manipulação “transversal” para com o mundo e a América, os Republicanos que aplicam à letra e a “martelo” um ultra protecionismo eminentemente fundamentalista e anglo-saxónico, recorrem às oligarquias agenciadas a fim de, dum modo brutal e sem equívocos, vocacionar os caminhos das ingerências e manipulações (“As veias abertas da América Latina”, relembrando Eduardo Galeano).

Desse modo num golpe duradouro e persistente para todos os países da América continua perfidamente a doutrina Monroe, recorrendo a todos os meios e insídias para pulverizar qualquer veleidade progressista e moldar os estados reduzindo-os à vassalagem ultra conservadora protagonizada pelas oligarquias agenciadas e afins.


2- Neste ano de 2018 os progressistas americanos, com estados como Cuba, a Venezuela Bolivariana, Bolívia e Nicarágua na charneira da vanguarda da resistência ao domínio anglo-saxónico imposto sobre eles pelo império da hegemonia unipolar, alimentam espectativas favoráveis em relação às 6 eleições que se perfilam no continente, face à brutalidade das ingerências e manipulações que medram sob “novo” impulso, protagonizado pelo “cenário” e “representação” das oligarquias agenciadas e em“terceira bandeira” (social-democrata ou neoliberal).

A grande batalha está a ocorrer por dentro das sociedades latino-americanas e caribenhas, alvos dilectos e ardilosos da continuidade e persistência da doutrina Monroe, ainda que as “ementas” possam ter intensidades distintas e geometrias variáveis na tradução dos propósitos do império da hegemonia unipolar, também em função do carácter e do “peso específico” de cada oligarquia “nacional” agenciada e seu papel útil como factor e elemento “representativo” e ao mesmo tempo “emparceirado”!

Os processos eleitorais mais sensíveis ocorrerão na Venezuela, na Colômbia, no México e no Brasil, dando seguimento às batalhas socio-políticas em curso.

Nos casos do México e do Brasil, crescem as tendências para polarizações capazes de se tornarem pré-avisos até de “guerra civil”!

Em todos os casos os progressistas “na transversalidade” batem-se pela extensão da democracia, tornando-a mais participativa e popular, pressionando as barricadas da “representatividade” tão favorável à “petrificação” das oligarquias agenciadas e aplicando medidas mais abrangentes e socializadoras da redistribuição da riqueza, fazendo cair as máscaras disseminadas pelos impactos do capitalismo neoliberal e da social-democracia que se nutre da arte e engenho dum embuste cada vez mais conservador, ou mesmo ultraconservador, fascistoide!

A natureza do voto está em ruptura por toda a América: ao invés da plataforma “democrática representativa” decadente, os progressistas procuram alcançar a sustentabilidade necessária do voto em plataformas da democracia aberta à participação popular, capazes de reflectir um diálogo constante em busca de consensos entre os povos, a sociedade e o estado, ao mesmo tempo que, animados da lógica com sentido de vida, procuram mobilizar equilíbrios civilizacionais geradores de respeito para com o ambiente, para com a natureza, para com a Mãe Terra.


3- A brutalidade da administração Trump em relação à América está exposta nas suas “origens”, em função e desde o seu recurso à doutrina Monroe, que nem as “cortinas de fumo” do século XXI, os “media de referência”, podem mais escamotar.

A densidade da barbárie cresceu, porque do fermento de dois séculos de doutrina Monroe, as artificialidades são ainda mais adensados processos multiculturais subordinados à “original” cultura anglo-saxónicas ou indexados a ela, disseminando os tentáculos formatadores à disposição do polvo imperador quer por via de “soft power”, quer por via mais “musculada”, em qualquer dos casos capaz de lançar todo o tipo de tintas, alienatórias tintas, como cobertura ao seu movimento oblíquo, à sua insidiosa manobra e aos seus vorazes interesses…

…Há estados como a Flórida ou o Texas, que se foram especializando no “métier”!

O Comando Sul tem pulso livre para, quer por via da tradução militar tentacular, quer por via da inteligência e de expedientes“civis”, fomentar as articulações continentais, regionais e nacionais, jogando com elas para empertigar o domínio e mobilizar contra as resistências legítima e cada vez mais constitucionalmente enquistadas nos processos de independência, soberania e solidariamente identificadas com as aspirações dos povos.

Depois dos períodos eleitorais, os seguidores “sulfurosos” da doutrina Monroe, persistirão em jogar com os factores institucionais continentais (como “tradicionalmente” acontece com a Organização de Estados Americanos, ou mesmo grupos “informais” como o de Lima), em jogar com os ganhos obtidos em plataformas incontornáveis, como por exemplo são os correntes processos do Brasil e do México, de forma a pressionar e tentar isolar, ou mesmo neutralizar, as vanguardas populares mais expressivas e seus processos socialistas de luta, quer nos próprios países, quer em particular os bastiões progressistas constituídos histórica e revolucionariamente em Cuba e na Venezuela.

As fronteiras entre a barbárie de séculos e a dignidade progressista, passa pelas “transversais” de todos os estados e nações da América; a consciência dos povos é dissotestemunho.

Muitos exemplos contemporâneos têm sido dados, no Paraguai, nas Honduras, no Brasil, onde uma atmosfera de golpe contínuo pode desembocar numa nova ditadura militar de natureza fascistoide!

Nessa pista há alertas que se devem ser antecipados, pois tendo em conta as potencialidades das alienações existentes quer no Brasil, quer no México, a contracção democrática pode-se realizar abrindo espaço a ditaduras militares, que por seu turno se podem aplicar a fundo em agressões internas e externas persistentes contra os sectores sociais e políticos contraditórios e até contra estados progressistas tornados seus pré-anunciados alvos.

A aristocracia financeira mundial, recorrendo à doutrina Monroe, recorre também à dialética mais contundente para com seus mais contraditórios inimigos de classe, ainda que eles recorram às barricadas e trincheiras populares.

 O domínio avassalador do império da hegemonia unipolar exerce-se assim e desde logo em direcção à superestrutura do poder dos estados tornados vassalos, introduzindo-se ao mesmo tempo no miolo dos instrumentos do poder dos estados tomados ou em vias de tomar até ao miolo e por isso é injectável a tão “necessária” quão “oportuna” dose de fascismo, de que desde a sua nascença em princípios do século XIX, se nutrem os seguidores inveterados da doutrina Monroe (relembre-se a Operação Condor)…

Quem como o império da hegemonia unipolar, ao serviço duma poderosa aristocracia financeira mundial, tem poder para arregimentar as oligarquias americanas, formatando e moldando os processos democráticos e o carácter do poder por toda a América, pode também gerar poder para, em última análise, provocar intervenções de inteligência e militares de seus vassalos, procurando a todo o transe pôr obstáculos, minar, ou neutralizar os esforços progressistas na América.

Um Brasil fascistoide, tomado por uma ditadura militar parida pela extensão do golpe persistente que se está a avolumar, pode vir a assumir uma agressão contra a Venezuela Socialista e Bolivariana, em especial se o estímulo do polvo-imperador assim o determinar: nada melhor que uma guerra para consolidar dentro do Brasil o poder das multinacionais ávidas das riquezas naturais brasileiras que já estão à sua disposição, na Amazónia verde, na Amazónia azul e nos aquíferos subterrâneos mais férteis da América do Sul.

O império da hegemonia unipolar pretende a todo o custo continuar com a barbárie que advém do elemento-chave que deu força ao seu próprio expansionismo, reeditando nos moldes possíveis do século XXI, a doutrina Monroe… vassalos, súbditos e mercenários fascistoides não faltam e por isso o poder do império pode-os mobilizar e “insuflá-los” para se tornarem “carne-para-canhão” nos futuros campos-de-batalha, ainda que persistem simltaneamente os processos de desestabilização “transversais”!

Países como Cuba, a Venezuela, a Bolívia ou a Nicarágua, devem-se preparar antecipadamente para uma eventualidade do género que se vai avolumando nas nuvens que o polvo-imperador vai carregando de tinta nos horizontes próximos, por que em guerra contínua desde os tempos do parto da doutrina Monroe, a meio-extenuada hegemonia unipolar teve recursos para desvirtuar os BRICS e, dada a sua natureza, pode muito bem injectar recursos para a mobilização de mercenários uniformizados e preparados para a guerra, com doutrina, filosofia, ideologia e poder para adensar os expedientes contra todos os progressistas da América!...

Martinho Júnior - Luanda, 9 de Abril de 2018

Imagens:
Continua vigente a doutrina Monroe;
A “VIII CUMBRE DE LAS AMERICAS” está sob controlo do império da hegemonia unipolar;
O “tio Sam” trata a América como seu feudo;
A ALBA é uma das trincheiras dos progressistas da América;
A CELAC, é outra trincheira progressista, prova da resistência latino-americana face à manipulação anglo-saxónica imposta desde o império da aristocracia financeira mundial.
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