quinta-feira, 11 de outubro de 2018

"MATERIAL DE QUEIMA", QUANDO E ATÉ QUANDO?!...

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Martinho Júnior | Luanda 

QUANDO… - Quando na independência se esvai o movimento de libertação e acaba a revolução!...

…Quando na independência, ao findarem os tiros de duas décadas e meia, a “paz” é tão vulnerável a um caótico exercício de neocolonialismo, injectado pela guerra psicológica da “crise global”!...

…Quando a luta contra a corrupção é um reflexo de longas ingerências, manipulações e processos de assimilação das elites e a justiça possível torna-se numa justiça de contingência por que não há qualquer justiça em relação às causas profundas das fábricas globais de onde só saem alienações, mentira, subversão, caos, terrorismo e o consumismo de tanto produto tóxico e mercenário!...

…Quando na independência, ao choque neoliberal propiciado pelo capitalismo financeiro transnacional, se segue a terapia do assentamento de seus interesses e a luta contra o subdesenvolvimento fica comprometida por que, ao deixar de haver uma vanguarda, são os interesses dominantes que prevalecem, às custas dos povos, em Angola à custa do povo angolano!...


ATÉ QUANDO… - Com a revolução das novas tecnologias, precisamente na altura em que desaparece o campo socialista na Europa, a assimilação foi reforçada nos seus aspectos culturais e ocorre muito mais fluente e rapidamente, em termos de grau de influência, de atracção e de persuasão dos "soft power" dominantes!...

É assim que ganham espaço vínculos que são aproveitados pelo capitalismo financeiro transnacional, estimulados pelas vias da terapia neoliberal depois do choque e aproveitando todo o tupi de traumas como da mentalidade injectada, que aproveitam os patamares de assimilação desde os processos culturais aos interesses... tudo à velocidade da luz!

Há nexos hoje possíveis de identificar, em relação a Angola, tendo como esteira petróleo e diamantes: Falcone - Gaidamak - Lev Leviev - Sam Pa...

São usados pelos serviços de inteligência das potências, alguns com jogo duplo, ou mesmo triplo e eles próprios se podem tornar em "material de queima", ao virar da próxima esquina!...

Nesse frenesim nem se reconhece o que advém do poder do império hegemónico e unipolar e o que chega em nome da emergência multipolar, pois até a própria República Popular da China é obrigada a dar luta à corrupção que avançou como um cancro e tolhe também uma parte muito substancial dos seus relacionamentos para com África!

…Com quem se foi meter a primeira das vítimas, a elite angolana, agora à deriva entre o capitalismo produtivo de Trump e a luta contra a corrupção de Xi Jiping!...

Nem a assimilação "à portuguesa" lhe vai alguma vez valer a essa elite angolana, por que a vassalagem “à portuguesa”, é também a assimilação que se impõe a Portugal e Portugal é pródigo em fazer seguir “atéàs últimas consequências” a cadeia de assimilações!...

Agora a elite angolana, que por vezes sob seu próprio capricho e avareza, por causa do seu umbigo perverso, escolheu a armadilha, não passa afinal dum "material de queima"... e à velocidade da luz!

Até quando Angola vai estar sujeita a ser um capim sobre o qual lutam os elefantes?...


O LUGAR DA MEMÓRIA E OS ENSINAMENTOS - …E não venham dizer que não se estava preparado para enfrentar os monstros, os bárbaros e as contingências coloniais, do “apartheid” e os meandros das contingências neocoloniais!...

Há que recordar, por exemplo, a réplica do movimento de libertação em África do tempo do Vitória ou Morte, do seu rigor, de sua esperança, de sua espectativa e vontade, como de seu sacrifício solidário em nome de todos, de sua poderosa arma ideológica que fazia com que os homens se levantassem do chão e fossem até capazes de atravessar os mais caudalosos rios!

Se eles, os monstros e os bárbaros, foram derrotados pela inteligência, pela vontade mobilizadora e indómita e pela força das armas, é evidente que não tinha o movimento de libertação em África, que ser derrotado ética e moralmente pela“força” desta “paz”!

Onde está, de facto, a memória e os ensinamentos do dr. António Agostinho Neto, quando até se tem esquecido, em nome duma poesia que fica desovada de seus conteúdos substanciais e perde seu manancial, que “O MAIS IMPORTANTE É RESOLVER OS PROBLEMAS DO POVO”!?

Martinho Júnior - Luanda, 8 de Outubro de 2018

- Três das fotos da reportagem fotográfica por mim realizada na visita ao Mausoléu do dr. António Agostinho Neto, a 18 de Maio de 2018.
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