quinta-feira, 7 de Junho de 2012

GUINÉ-BISSAU: COMPACTO DE NOTÍCIAS




Compacto de Notícias, com Lusa

Primeiros 15 militares da missão angolana deixam o país

06 de Junho de 2012, 13:31

Bissau, 06 jun (Lusa) - Os primeiros 15 militares da missão angolana na Guiné-Bissau (Missang) deixaram o país na manhã de hoje a bordo de um avião da força aérea angolana, devendo durante a tarde efetuar-se mais um voo.

A Missang começou hoje a retirar-se da Guiné-Bissau, uma decisão de Angola na sequência de atritos com as forças armadas guineenses.

Também hoje começou a ser carregado material militar angolano num navio acostado no porto de Bissau.

Chefe Forças Armadas diz que vai para reforma dentro de três anos

06 de Junho de 2012, 16:32

Bissau, 06 jun (Lusa) - O chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas da Guiné-Bissau, António Indjai, afirmou hoje que pretende reformar-se dentro de três anos para se dedicar à política no PAIGC, partido que diz ser "dos veteranos de guerra" como ele.

António Indjai falava hoje na sede do parlamento para cerca de uma centena e meia de veteranos de guerra por ele convocados para uma explicação sobre os "verdadeiros motivos" do golpe de Estado de 12 de abril passado que ele próprio liderou.

"Toda gente sabia o que se passava no regime do 'Cadogo' [primeiro-ministro deposto, Carlos Gomes Júnior], mas muita gente que está no PAIGC [Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde, no poder até ao golpe] não dizia nada. Ficava tudo calado porque recebiam dinheiro dele. Acham normal que um antigo combatente (veterano de guerra) ganhe uma pensão mensal de 14 mil francos CFA (21 euros) enquanto governantes ganhem um subsídio de milhões?", questionou Indjai.

"Não tenho nem dinheiro nem conta em nenhum banco deste mundo" - António Indjai

06 de Junho de 2012, 16:47

Bissau, 06 jun (Lusa) - O chefe das Forças Armadas da Guiné-Bissau, António Indjai, alvo de sanções da comunidade internacional e de congelamento de bens no exterior, desafiou hoje a que seja a revelada a sua conta bancária em qualquer parte do mundo.

"Não tenho nem dinheiro nem conta em nenhum banco deste mundo. Se alguém souber de uma conta minha na Guiné, em África, na Europa ou em qualquer parte deste mundo e se encontrar lá 25 francos CFA [três cêntimos] que a apresente porque lhe dou um milhão de francos CFA [cerca de 1500 euros] ", afirmou António Indjai.

O chefe das Forças Armadas guineenses falava num encontro que manteve hoje em Bissau com cerca de centena e meia de veteranos de guerra da independência do país, no parlamento, aos quais explicou os verdadeiros motivos do golpe de Estado militar de 12 de abril por ele protagonizado.

"Sei que há muita gente do atual PAIGC [partido no poder até ao golpe de Estado militar de 12 de abril] que está feliz com as sanções que me estão a dar, mas desafio quem quer que seja a apresentar a minha conta bancária. O meu salário nem me chega para ter dinheiro", destacou António Indjai.

Como represália pelo golpe de Estado, 25 oficiais das Forças Armadas guineenses, entre os quais António Indjai, estão proibidos de viajar para os países da Europa comunitária e da União Africana.

A ONU decretou a proibição de viajar para 192 países do mundo a seis oficiais militares e ainda o congelamento dos seus bens.

A 04 de maio, a União Europeia também anunciou uma lista de sanções, encabeçada pelo chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas da Guiné-Bissau, general António Indjai, e incluía ainda os generais Mamadu Ture "N'Krumah", Augusto Mário Có, Estêvão na Mena, Ibraima ("Papa") Camará e o tenente-coronel Daba Na Walna.

A lista da UE foi depois atualizada a 31 de maio com mais 15 nomes.

MB.

Ex-ministro 'Manecas' Santos diz que golpe de Estado era inevitável

06 de Junho de 2012, 17:31

Bissau, 06 jun (Lusa) - O antigo ministro das Finanças da Guiné-Bissau Manuel (Manecas) dos Santos afirmou hoje que devido "às coisas que ocorriam no país era de se esperar um golpe de Estado"

Atual embaixador da Guiné-Bissau em Angola e veterano de luta pela independência, Manuel dos Santos (mais conhecido no país por Manecas dos Santos) falava num encontro promovido pelo chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, António Indjai, para esclarecer aos veteranos de guerra as razões do golpe de Estado por ele liderado.

"A corrupção alastrava, 'Cadogo' [primeiro-ministro deposto no golpe de Estado de 12 de abril] comprava toda gente com o dinheiro de Estado. A injustiça grassa no país. Muita gente foi morta nos últimos anos sem que se saiba porquê e como", disse Manuel dos Santos.

"O povo guineense tem o direito de se rebelar contra tudo isso. As nossas forças armadas um dia tinham que dizer basta a tudo isso", disse o antigo governante, pedindo aos militares para que "mantenham a vigilância sobre o país".

"Os militares fizeram o que fizeram, voltaram para as suas casernas. Muito bem. Mas tal não pode significar que vão deixar de ter uma palavra sobre o país", instou Manuel dos Santos, dirigindo-se ao chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, que estava ao seu lado na mesa da presidência do Parlamento.

"É agora ou nunca que temos oportunidade para mudar o nosso país", disse o ex-governante. O ainda embaixador da Guiné-Bissau em Angola acusou também os deputados de facilitarem leis que apenas servia os interesses dos elementos do regime deposto.

Para Manuel dos Santos, a Guiné-Bissau "não honra os seus filhos" se "os verdadeiros combatentes da liberdade da pátria não são respeitados" pelas autoridades.

"É inadmissível que um combatente como Mbana Cabra esteja a receber 14 mil francos CFA" (21 euros), afirmou Manuel dos Santos, referindo-se a um dos mais célebres ex-guerrilheiros durante a luta armada pela independência da Guiné-Bissau.

Mbana Cabra estava na sala mas só andava apoiado a um cajado e foi o centro das atenções dos presentes.

Afastado das lides partidárias há vários anos, Manuel dos Santos disse que "é chegada a hora" dos veteranos de guerra regressarem ao PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo) para "resgatar a história do partido".

"Eu faço este ano 50 anos de militância no PAIGC. Entrei no PAIGC em 1962, hoje tenho 69 anos de idade. É preciso assumirmos as nossas responsabilidades para com o nosso partido", defendeu.

MB.

Segundo avião transporta mais militares e material de missão angolana

06 de Junho de 2012, 18:36

Bissau, 06 jun (Lusa) - Quinze militares angolanos que faziam parte da missão na Guiné-Bissau (Missang) deixaram na tarde de hoje o país, na sequência do fim da cooperação angolana, constatou a Lusa.

Depois de na manhã de hoje um avião de carga Ilyushin ter levado de volta a Angola material militar e soldados, durante a tarde aterrou outro avião idêntico (de carga, fabrico russo), que transportou duas viaturas e mais 15 sargentos.

Para quinta-feira estão previstos mais três voos, para transportar militares e material, devendo a operação de retirada da Missang ser concluída na sexta-feira.

Angola enviou também um navio, que está ancorado no porto de Bissau também já carregado com material militar. A partida do navio, segundo fonte oficial, está prevista para quinta-feira às 13:00, devendo chegar a Angola 10 dias depois.

Angola decidiu acabar com a Missang na sequência de atritos com as hierarquias militares da Guiné-Bissau.

A saída dos militares e material angolano foi observada por forças de segurança da Guiné-Bissau e pela força da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que será constituída por mais de 600 elementos e que tem estado a chegar à Guiné-Bissau.

A Missang, missão técnica de apoio à reforma do setor de defesa e segurança da Guiné-Bissau, era constituída por cerca de 200 elementos.

FP.

França e Rússia pronunciam-se sobre crise no país

07 de Junho de 2012, 17:01

Bissau, 07 jun (Lusa) - O embaixador da França em Bissau considerou hoje que a Guiné-Bissau vive "uma situação difícil" e o da Rússia pediu que sejam realizadas eleições legislativas e presidenciais para que o país possa retomar à ordem constitucional.

Michel Flesh (embaixador da França) e Mikail Valinsky (embaixador da Rússia) falavam aos jornalistas à saída de audiências separadas que mantiveram hoje com o Presidente guineense de transição, Serifo Nhamadjo, nomeado após o golpe de Estado de 12 de abril, que depôs as autoridades do país.

Lembrando que a posição da França em relação ao golpe de Estado ocorrido na Guiné-Bissau é a mesma da defendida pela comunidade internacional, de condenação, Michel Flesch disse ter debatido com Serifo Nhamadjo a "situação difícil" em que se encontra o país.

Reconhecendo que a Guiné-Bissau não está só, o embaixador francês voltou a enumerar os "desafios" que, na opinião do seu país, devem ser atacados para que a Guiné-Bissau volte à normalidade.

"Para começar para que o país se transforme é preciso que reencontre rapidamente a sua capacidade de se exprimir através de eleições livres, sérias e transparentes e é preciso que todo mundo trabalhe nesse sentido, para que dentro do prazo mais curto possível mas também eficaz haja eleições", defendeu Michel Flesch.

"Vamos repetir aquilo que sempre dizemos ao longo destes anos. Para que a Guiné-Bissau resolva os seus problemas tem de fazer as seguintes coisas: lutar contra a impunidade, reforma do setor de defesa e segurança e lutar contra a droga", observou o diplomata francês.

"Quando o país começar a resolver estes problemas, naturalmente alcançará a estabilidade, a calma e enfim dará início à fase de valorização dos recursos, que são suficientes para assegurar um desenvolvimento e prosperidade ao povo deste país, que merece", enfatizou Flesch.

E acrescentou: "A França está sempre disposta a ser positiva. Foi isso que acabei de dizer ao Presidente".

O embaixador da Rússia na Guiné-Bissau, Mikail Valinsky, disse que a audiência com Serifo Nhamadjo serviu para ouvir do Presidente de transição "as tarefas" a serem levadas a cabo pelas autoridades transitórias para um "rápido retorno à ordem constitucional".

Organizar eleições legislativas e presidenciais dentro de doze meses e proceder à reforma do setor de defesa e segurança foram as tarefas que Nhamadjo apresentou ao diplomata russo como sendo as prioridades da sua presidência.

"O Presidente de transição disse-me que vai fazer tudo o que estiver nas suas forças para estabelecer a estabilidade política e a paz, disse Mikail Valinsky

"Eu como embaixador da Rússia quero desejar a paz e prosperidade ao povo da Guiné-Bissau que tanto merece", sublinhou o diplomata russo.

MB.

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