Drop Down MenusCSS Drop Down MenuPure CSS Dropdown Menu

domingo, 12 de março de 2017

Luanda sem electricidade obriga a filas para combustível e a arranjar velhos geradores


As autoridades justificam os constantes cortes de energia pela retenção de água para o enchimento da albufeira da barragem de Laúca.

A corrida em Luanda ao abastecimento de combustíveis para geradores, face aos cortes diários de várias horas na electricidade na rede pública, está a gerar filas intermináveis e a obrigar a arranjar os aparelhos de produção doméstica mais antigos.

Com bidões de cinco a vinte litros, a população de Luanda concorre em pé de igualdade com as viaturas nas bombas de combustíveis, suportando filas de até quase uma hora para conseguirem gasóleo e gasolina para abastecer geradores, conforma a Lusa constatou na capital angolana nos últimos dias.

“No meu caso compro apenas cinco litros, embora não chega para abastecer por completo o gerador. Diariamente estou a gastar 1.000 kwanzas. São cortes diários, ontem não tivemos sequer energia. Agora é assim todos os dias, daí que espere estas horas nas bombas, para suportar esta enchente”, desabafou à Lusa João André, ao fim de vários minutos na fila para comprar gasolina.

As autoridades justificam os constantes cortes de energia em Luanda pela retenção de água para o enchimento da albufeira da barragem de Laúca, em Malanje, processo que arranca neste sábado na presença do presidente José Eduardo dos Santos, prolongando-se por três meses.

O projeto hidroeléctrico de Laúca custou aos cofres do Estado cerca de USD 4,4 mil milhões, para produzir, até final do ano, 2.067 MegaWatts para Luanda e a zona norte do país.

Face à diminuição da produção hidroeléctrica, ao défice de produção no país e enquanto aquela que será a maior barragem de Angola não está em funcionamento, os cortes continuam a desesperar a população.

“Gasto 6.000 kwanzas para comprar 47 litros de gasolina só para abastecer e manter em funcionamento o gerador”, explica Bernardo José, fazendo contas aos últimos dias.

Só para conservar os frescos no frigorífico, Ricardo Jorge, outro morador em Luanda, está a gastar diariamente 2.400 kwanzas na compra de 15 litros de gasóleo para o gerador.

“A energia está mal, às vezes vem por volta das 16h e as 18h vai. Com os frescos na arca que temos de conservar, estou praticamente aqui nas bombas todos os dias”, desabafou.

A par de combustível, os cidadãos em Luanda estão igualmente a procurar peças novas para voltarem a por a funcionar os geradores, cenário visível nos mercados informais do município do Cazenga, um dos maiores de Luanda.

Isso mesmo também contou à Lusa Daniel Kuzola, que teve de recorrer ao gerador que “há meses” não utilizava.

“Estive descansado que o meu gerador ainda funcionava, mas quando procurei ligar dei conta que o motor de arranque estava com problemas de bombear o combustível. Daí que vim cá nos armazéns à procura de um novo motor”, explicou.

Uma procura que também se regista nalgumas lojas de geradores do centro da cidade, segundo relatou um dos gerentes.

“A procura aqui é mais de peças de geradores e não de novos geradores, são pessoas que já têm geradores em casa, muitos dos quais avariados e devido a falha de energia, então recorrem aqui na busca desta ou daquela peça para substituírem as antigas”, admitiu António Martins.

Lusa, em Rede Angola – Foto: Ampe Rogério

Sem comentários: