segunda-feira, 16 de março de 2015

EXPRESSO MORNO NESTA MATINA… COM REFERÊNCIA À LISTA VIP DOS IMPOSTOS




Semana a começar nesta segunda-feira primaveril em Portugal. Aos fins-de-semana já as praias começam a ser muito concorridas pelo lado sul do país. Lisboa é a sul. Por isso as temperaturas rondam os 20 graus e até ultrapassam. Já há quem ande a trabalhar para o bronze para adquirir o tom de pele moreno. O que é um paradoxo no caso dos racistas. Racistas a quererem ficar da cor dos morenos? Pobres de espírito!

Este Expresso Curto é servido pelo senhor diretor lá do burgo, Ricardo Costa. Por sinal moreno. Moreno mesmo sem ir à praia. Ena! Que inveja tantos devem ter! Moreno mas não queimado, como o Expresso Curto que serve. Costa está ali para lavar e durar. Tem amor à profissão e trepou com mérito. Se não sabiam é justo que aqui vos informe. Bom dia Expresso. Obrigado por este cafezinho matinal.

E rádio com antena aberta?

Rádio com antena aberta é o que em democracia e liberdade deve acontecer. A TSF já acontece há muito tempo. Desde a primeira emissão no bairro de Inglaterra, à Penha de França. Era emissão pirata, no tempo de Cavaco primeiro-ministro. Esse PM que retardava a legalização das rádios por estar ocupado a largar os seus cães de caça para arrebanharem as rádios piratas existentes para serem das suas cores laranjas. Cavaco trabalha sempre na sombra, com muita ratice. O retrato do bom sacana. E não foi, como PM? E agora como PR? As sondagens dizem o que dizem. Ora, mas são só sondagens.

É na TSF que acontece hoje o Fórum. Já passou a primeira hora mas vai até quase ao meio-dia. Falta cerca de uma hora para, se quiser, intervir. O tema é a lista VIP nas Finanças-Impostos. Ela existiu. Ainda existe? Paulo Núncio, secretário de estado do governo Cavaco-Passos-Portas negou. Mas o que se sabe é que foi ele que entregou a lista ao maioral dos impostos. Não é novidade. A PIDE também existe e os portugueses andam todos armados em pinguins alegremente saracoteando as penas da vida e do sofrimento que os mais ricos impõem aos mais pobres em conluio com os políticos e outros trastes que renasceram pelas mãos de Cavaco Silva ainda em primeiro-ministro. Há os que dizem que aquele grupo constituiu uma máfia. Se calhar até é verdade.

Basta. Vamos lá ao cafezinho, bem forte. Expressamente para si aqui no PG e para os leitores do Expresso. Obrigado tio Balsemão.

Redação PG

Bom dia, este é o seu Expresso Curto

Ricardo Costa – diretor do jornal Expresso

O FMI JÁ NÃO MORA AQUI?

As coisas mudam. Poucos meses depois da saída limpa, o FMI queixa-se de quase não ter interlocutor, de quase ninguém falar de reformas e de quase não haver liberais a vaguear pela pátria. Arota de colisão entre o Fundo e o governo fez manchete do Expresso e hoje será passada a escrito num documento que o FMI vai divulgar. No Expresso Online vamos estar atentos ao texto e às entrelinhas (onde a verdade muitas vezes se esconde) e amanhã vamos ver e ouvir Subir Lall, o indiano que chefia a missão do FMI, discursar na Ordem dos Economistas. 

Bom conhecedor da semiótica do FMI, Carlos Moedas deu uma entrevista à TSF a dizer que estes arrufos fazem parte do processo. "Esses sinais das equipas técnicas são para tentar picar o poder político, para que continuem as reformas", foi a expressão do Comissário Europeu. Ele lá sabe.

Reformas à parte, PSD e PS continuam longe de se entenderemsobre qualquer coisa. 
Agora é sobre a nomeação do Governador do Banco de Portugal, que o líder do PS quer alterar, mas que o PSD já veio deitar por terra. António Costa acha que o governador deve ser nomeado por decreto do Presidente da República, sob proposta do Governo e após audição na Assembleia da República. Mas o seu quase homónimo Marco António Costa, do PSD, diz que isso implica uma revisão da Constituição.

A animada discussão da política doméstica tem hoje um pequeno intervalo com a apreciação do habeas corpus para a libertação imediata de José Sócrates. A argumentação jurídica da defesa é interessante e há ainda a curiosidade do juiz que vai decidir o pedido ter sido demitido de líder da PJ por… José Sócrates. Convém estar atento, que os habeas corpus estão para a Justiça como os Fórmula 1 para os automóveis: são muito rápido e se alguém se distrai já não vê nada.

OUTRAS NOTÍCIAS

Lá fora, há assuntos sérios de sobra. No Brasil, Dilma Roussef assistiu (aliás, viu na televisão, porque não dava para sair do Palácio) às maiores manifestações de sempre da democracia brasileira. Acorrupção atingiu um nível absurdo e a situação económica está a arrefecer, o que, como sabemos, tem o efeito inverso nas pessoas.

Depois da esmagadora mobilização popular (1,8 milhões de pessoas), o governo brasileiro decidiu anunciar um pacote anti-corrpução. Há coisas que não mudam.

220 mil mortos e literalmente metade da população deslocada ou refugiada. São os números crus do quarto aniversário da guerra na Síria. Um conflito que começou com cheiro a primavera e que se estende para lá do imaginável, sem fim à vista. Tem aqui uma boa cronologia dos 4 anos de guerra na Síria.

A imprensa de ontem e de hoje está inundada, e bem, de referências ao dramático conflito sírio. Mas o relato mais emotivo talvez seja o do El Mundo,através do jornalista Javier Espinosa, o prisioneiro 43, que conta na primeira pessoa como foi ter estado meses e mesesrefém do Daesh (o autodenominado Estado Islâmico).

No Vanuatu, a população ainda se refaz de um terrível ciclone. Os estragos são brutais e a ajuda internacional já está a chegar.

Amanhã há uma importante eleição em Israel. As sondagens dizem que Benjamin Netanyahu – a pessoa com mais tempo no poder, depois de Ben Gurion – pode estar à beira de perder o poder. As consequências regionais (Palestina, Líbano, Irão, etc) são enormes. E mundiais (EUA e UE, por exemplo) também.

Já esta manhã, soube-se que os EUA e o Irão retomaram negociações sobre o nuclear em Lausanne, na Suíça. É uma notícia que vai marcar o dia.

Por cá, vamos para o segundo dia de campanha na Madeira, a primeira eleição a que não concorre Jardim. Passos Coelho não deve ir à campanha, mas o líder do PS nacional já andou por lá ontem.

O Diário de Notícias faz um importante trabalho sobre os doentes com Hepatite C e diz que, desde 17 de fevereiro, 11133 doentes receberam os dois remédios inovadores da Gilead. Ou seja, umamédia de 49 pessoas por dia. E os resultados são animadores.

E como o saber não ocupa espaço, anote aí que Rihanna é a primeira mulher negra a dar a cara pela Dior. O assunto foi muito comentado este fim de semana.

Já agora, Gil e Caetano vão cantar juntos em Portugal no EDP Cooljazz a 31 de Julho, em Oeiras. Uma coisa rara e que vai valer a pena.


FRASES

"Gostava que essa sessão não tivesse acontecido e arrependo-me disso". Yanis Varoufakis sobre a sua polémica sessão fotográfica para o Paris Match.

"Nunca mais vou usar Dolce & Gabbana". Elton John, depois de ter ficado furioso pela dupla italiana ser contra as crianças in vitro.

"A Irina é como uma morte". Kátia Aveiro, sobre a rutura amorosa do seu irmão, Cristiano Ronaldo, com a modelo russa Irina Shayk.

O QUE EU ANDO A LER

Vou sugerir duas coisas, uma de leitura mais rápida e outra mais longa. Comecemos pela rápida, um artigo de Simon Schama no Financial Times sobre a destruição de antiguidades às mãos de islamitas radicais. A importância do assunto foi muito bem sublinhada neste artigo do meu colega Rui Cardoso, no Expresso, mas a análise de Schama, um historiador com uma capacidade fabulosa de falar de arte - quem puder espreite a série O Poder da Arte, da BBC, onde nos põe a ver Rembrandt ou Rothko como se estivéssemos a assistir ao House of Cards -, é de uma erudição e simplicidade incríveis.


No artigo Artefacts under attack (se não conseguir aceder diretamente, deve encontrar na net), Schama e os correspondentes do FT escrevem sobre a destruição e ameaças a objetos e locais arqueológicos no Iraque, Síria, Afeganistão, Mali ou Líbia. É uma lista longa, pormenorizada e aterradora.

Para leituras mais longas aconselho A Brincadeira, de Milan Kundera. Ando a reler o livro porque na quarta à noite vou moderar um debate com Zita Seabra, editora e ex-militante comunista, na Biblioteca de Oeiras no ciclo “Livros proibidos”. A Brincadeira é o primeiro romance de Kundera e mostra como uma pequena brincadeira escrita num postal e mal compreendida pelo “sistema” pode mudar a vida de todos os intervenientes. Escrito um ano antes da Primavera de Praga, A Bricadeira é uma belíssima história de amor e uma excelente leitura política.

Já vimos que o dia vai ser animado. No Expresso Online vamos estar atentos ao país e ao mundo e ao fim da tarde chega o Expresso Diário. É só usar o código que está na capa da Revista. Saiba como aqui. Amanhã está aqui o portuense Bernardo Ferrão com um cimbalino.

p.s. – Esqueci-me de referir que Putin não aparece em público há 11 dias e que anda alguma agitação no ar por causa disso. Há quem fale em golpe de Estado, há quem diga que está na Suíça para ver nascer um filho, há quem fale numa simples gripe.#missingputin e #whereisputin são das hashtags do momento. Pelo sim pelo não, ficam a saber… 

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