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terça-feira, 28 de junho de 2016

FESTIVAL EUROVISÃO DA SANÇÃO – MANDEMOS ESTA UE BUGIAR



Não resistimos ao título de hoje no Expresso Curto. Á primeira parte dele. Bom dia. O inspirado desta cafeína é João Silvestre. A sanção da UE a Portugal e Espanha é na realidade um festival.

Um festival de contradições, de défice democrático, de ditadores ao serviço da destruição da UE, de nazis que vêem mais além e desencandearam um processo de colonização dos países e povos periféricos – principalmente do sul da Europa. Para eles a Europa é o centro e o norte do continente e nada mais. Mesmo assim até esses devem obedecer aos ditames do Quarto Reich fulanizado em Merkel e outros vindouros. Acabe-se com este festival. No caso de Portugal olhemos o Atlântico e o Índico, a Ásia, África, América Latina, ganhemos consciência da brutalidade daqueles continentes, daquelas regiões, daqueles países e daqueles que povos. Cooperemos e esta UE que vá bugiar. Comecemos pelo Euro, emitamos o Escudo, a nossa moeda. A seu tempo mandemos a UE bugiar e façamos acordos sem mácula de colonização ou subserviência com os países europeus dispostos a tal.

P festival desta UE já se tornou um imenso fartum. Somos portugueses. “E se mais Mundo houvesse lá teriam chegado”. Está na hora de chegarmos a mais mundo e não nos fecharmos na reclusão desta UE neoliberal fascista. Comecemos a trabalhar para isso. Para focar novos horizontes e praticá-los. É mais que tempo de o fazer.

O resto vem aí, a seguir. Cafeína made in Bilderberg/Balsemão (que dura, dura, dura, como as pilhas Duracell (que são uma enorme tanga).

Boa terça-feira, se conseguirmos que assim seja.

Mário Motta / PG

Bom dia, este é o seu Expresso Curto 

João Silvestre – Expresso

Festival Eurovisão da Sanção

A semana passada fechou com a Europa boquiaberta com o Brexit mas, dois dias volvidos, regressámos ao business as usual.O Reino Unido prepara-se para sair da União, pode entrar em desagregação interna e ter um efeito dominó por todo o continente. Espanha acabou de sair de umas eleições onde houve algumas mudanças mas a governabilidade, essa, continua sem estar assegurada.

E o que preocupa os comissários europeus? Aplicar sanções a países que prevaricam nas contas públicas como Portugal e Espanha. Pelo menos, foi o que avançou o Le Monde ao final da manhã ontem. Na versão francesa, os dois países podem perder acesso a fundos estruturais e ter uma multa até 0,2% do PIB. É o que pedem alguns dos comissários. À hora de jantar, a TVI confirmou a informação em Bruxelas e diz que a ideia é congelar os fundos estruturais dos dois países, num montante a rondar 700 milhões de euros no caso português, até que sejam tomadas medidas.

Marcelo Rebelo de Sousa, numa viagem oficial em Marrocos,desvalorizou as notícias e lembrou que a Comissão é só um primeiro passo e que qualquer decisão tem ainda que passar pelo Conselho Europeu. Desconhece-se se o Presidente teve alguma garantia de Merkel, durante a visita recente a Berlim, que justifique este otimismo. A própria Comissão fez questão de lembrar que a decisão só acontecerá em julho. E, por cá, o Bloco de Esquerda já tinha acenado com um referendo no caso de haver sanções. Só não disse como o pretende fazer e isso levanta muitas dúvidas jurídicas e políticas.

Tudo isto num dia em que foram conhecidos os números da execução orçamental de maio que António Costa quer usar para demonstrar como não há necessidade de qualquer plano B. O défice diminuiu face aos primeiros cinco meses do ano passado –está controlado, segundo as Finanças. Mais receita, ainda que a crescer abaixo da meta do Orçamento, e menos despesa ajudaram a compor as contas. Um esforço que, em qualquer caso, terá que continuar. Para assegurar as metas orçamentais deste e do próximo ano. Mas para baixar a dívida pública é preciso não tirar o pé do acelerador. Como avisa o Fundo Monetário Internacional (FMI) numlivro sobre o programa português que é apresentado esta quarta-feira em Lisboa. O texto da autoria de Subir Lall (chefe de missão em Portugal), Albert Jaeger (representante em Lisboa durante o programa) e Dmitry Gershenson considera o programa “um sucesso” mas deixa alguns avisos.

Ontem foi também mais um dia de rescaldo do Brexit depois do impacto inicial de sexta-feira passada. Nos mercados, onde a onda de choque continua e as perdas se acumulam. Na política britânica, com o Labour em pé-de-guerra e David Cameron a descartar-se de ´assinar os papéis do divórcio’. E na Europa, onde, para já, parece haver pouco para dizer sobre a forma de desatar este nó. Pelo sim, pelo não, a Standard & Poor´s já retirou ao Reino Unido o rating máximo AAA.

(Ironia das ironias, depois do voto do Brexit, a Inglaterra brindou a Europa do futebol com um novo Brexit por 1-2 contra a Islândia. Os oitavos de final do Euro-2016 estão fechados e a Itália, ao derrotar a campeã em título Espanha qual Conde Monte Cristo, assume-se cada vez mais como um dos mais sérios candidatos à vitória final.)

OUTRAS NOTÍCIAS 

Cá dentro

Hoje é dia do arranque a sério do Fórum do Banco Central Europeu em Sintra. Na receção de ontem aos convidados, com um jantar e uma intervenção do macroeconomista americano Alan Blinder, Mario Draghi aproveitou para manifestar tristeza com o Brexit. Na lista de convidados já houve duas baixas de peso: Janet Yellen, presidente da Reserva Federal dos EUA e Mark Carney do Banco de Inglatera.

Mário Machado, ex-dirigente da Frente Nacional, foicondenado a dois anos e nove meses de prisão por extorsão agravada.

Mais uma notícia trágica nas praias portuguesas, quando o verão ainda está nos primeiros dias, com dois jovens a perderem a vida. Também a chocar os portugueses está o caso do recém-nascido encontrado morto em Santarém, cuja autópsia revela que terá sido asfixiado com um saco de plástico. A mãe está detida e é hoje presente a um juiz de instrução.

O processo da UEFA a Portugal por causa da invasão de campo de um adepto que queria tirar – e tirou - uma selfie com Ronaldo foi arquivado.

Os destaques nos jornais de hoje: mulheres trabalham mais uma hora e meia em casa do que os homens (Público); Bloco aperta Costa com referendo ao tratado orçamental (Diário de Notícias); Parlamento Europeu retira poderes aos deputados britânicos(i); Zé do Benfica confessa negócios de droga na Luz (Correio da Manhã); Diagnosticaram caso de ansiedade mas morreu com cancro (Jornal de Notícias); Prioridade no Novo Banco é evitar venda ‘à Banif’ (Jornal de Negócios).

Lá fora

Rajoy admite governar em minoria apenas com acordos pontuais se um acordo alargado com PSOE falhar, como parece que vai falhar a julgar pelas declarações de Pedro Sanchez. É a notícia que faz manchete da edição de hoje do diário espanhol El País. Ainda em Espanha, a propósito do falhanço das sondagens na votação do Podemos, vale a pena ler o trabalho do El Espanhol.

Supremo Tribunal dos EUA reafirmou o direito constitucional ao aborto ultrapassando uma lei restritiva do Texas que reduziu o número de clínicas naquele estado.

Morreu o ator italiano Bud Spencer. Tinha 86 anos e o seu verdadeiro nome era Carlo Pedersoli.

A VW acordou com as autoridades norte-americanas pagar 14,7 mil milhões de dólares (13,3 mil milhões) por causa do escândalo das emissões.

FRASES
“O referendo tem sido o mais extraordinário evento político da nossa vida”, Boris Johnson, The Telegraph

“Acordámos que não haverá conversas formais ou informais sobre a saída do Reino Unido até que o pedido tenha sido submetido ao Conselho Europeu”, Angela Merkel, à saída de uma reunião com o presidente francês, François Hollande, e o Primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi

“Se todo o trabalho que era feito em 40 horas pode agora ser feito em 35 horas, isso pode sugerir um certo nível de sobredimensionamento em algumas partes do setor público”, Subir Lall, chefe de missão do FMI

O QUE ANDO A LER

“Rise of the Robots” de Martin Ford foi o livro do ano em 2015 para o Financial Times e chegou agora a tradução portuguesa com título “Robôs – A Ameaça de um Futuro Sem Emprego” (da Bertrand). Ao contrário do que pode parecer, não é um romance de ficção científica. É um olhar sobre um admirável e assustador mundo novo onde as máquinas disputam cada vez mais empregos às pessoas.

Quando o desemprego sobe, todas os fatores são excelentes bodes expiatórios. E as máquinas sempre foram um dos preferidos. Ford lembra isso e critica aqueles que são favoráveis à tecnologia mas, depois, querem impor limites à sua utilização no processo produtivo. Reconhece, no entanto, que os “os robôs, máquinas com algoritmos de aprendizagem e outras formas de automação vão gradualmente consumir muitos dos empregos da base da pirâmide de competências". E avisa mesmo que até “a área segura do topo da pirâmide irá provavelmente encolher com o passar do tempo”.

Só não acredita na ideia convencional de que o investimento em educação e formação evitará este desfecho: “Pensar nisso é análogo a acreditar que, no início da mecanização da agricultura, a maioria dos trabalhadores que ficaram sem emprego poderiam encontrar trabalho a conduzir tratores”.

E a solução, então, qual é? Sair das “políticas convencionais”. Neste caso, diz Ford, pode passar, por exemplo, por um rendimento mínimo universal. Na linha do que foi referendado – e chumbado – recentemente na Suíça. O debate não é simples, a solução não é óbvia e o próprio Ford mostra-se aberto a alternativas.

Sobre o mesmo tema vale a pena dar um salto ao último número da revista The Economist onde a capa tem o sugestivo título March of the machines que remete para um especial de 16 de páginas sobre Inteligência Artificial. Entre os vários artigos é possível encontrar análises sobre o problema do emprego, das profissões em maior risco ou dos problemas éticos que se levantam quando as máquinas podem tomar decisões.

Amanhã, o Expresso Curto será tirado sem recurso a qualquer algoritmo complexo pela Luisa Meireles. Tenha um bom dia e não deixe de acompanhar todo o noticiário do dia no Expresso on line e no Expresso Diário às 18 horas.

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