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quinta-feira, 7 de julho de 2016

Euro2016. EMPATA QUE GANHAS E VAIS À FINAL. E AGORA?



Pedro Santos Guerreiro saúda com um Bom Dia os que o lêem no Expresso Curto. Isso é pela manhã. Acontece que às duas da tarde já a saudação deve ser Boa Tarde. Esta é a nossa parte porque no PG o matinal Expresso Curto sofreu a nossa abordagem tardiamente. Porque mais vale tarde que nunca aqui lhe deixamos o dito viciante cafeínico do costume. Olhe, tome-o após o almoço. Esta é uma boa hora para isso. Boa tarde. Seja feliz.

Evidentemente que agora chamam heróis aos jogadores e outros da seleção nacional que disputa o Euro2016. Passaram de bestas a bestiais. Ainda bem. Por aqui há a convicção de que finalmente os “heróis” do relvado jogaram a sério. Nos jogos anteriores não jogaram patavina e estamos pasmados como mesmo assim vão disputar a final. Talvez com fortes possibilidades de virem a consagrar-se campeões do Euro2016. E esta, hem!

Não há dúvida que ontem a equipa lusitana jogou a sério. Atacaram bem. Defenderam melhor. Jogaram, em vez de engonharem. Comeram a relva que a equipa do País de Gales deixou porque esses passaram o tempo todo, depois dos dois golos de Portugal, a comer relva numa luta digna de se ver. E Portugal a defender, a cortar as vazas ao adversário, que foi tão digno, tão lutador. Assim sim. Deu gosto ver futebol. Até o Reinaldo deu um ar de sua graça e marcou com uma cabeçada elevada mais perto de Deus e dos anjos que dos mortais. Aquilo é que foi elevação! Inspirou-se e a estrelinha brilhou para ele e para todos nós. O segundo golo também saiu de um rasgo de Reinaldo mas ia dar em nada se não fosse Nani corrigir a trajetória para a baliza indefensável. Boa. Chama-se a isso uma equipa a sério. Goooolo!

E pronto. Final em Paris com a Alemanha ou a França. Depende de quem vencer o derbi de hoje.

Os portugueses por todo o mundo exultaram… E ainda exultam. Vai ser festa até ao próximo domingo, quando encostarmos a barriga ao balcão para sabermos quem passa e é campeão ou quem paga. Empatar não vale. Pena. Lá nisso esta equipa tem sido especialista. Não será por isso que não exultaremos se vencerem na final e sagrarem-se vencedores do Euro2016. Um feito nunca antes conseguido. E brilharão. Apesar de terem andado foscos e nebulados em umas quantas disputas anteriores.

Continuemos pasmados com o facto de uma equipa especialista em empates ir disputar a final e até poder vencer à Alemanha ou à França (a que fôr). Se vencer poder-se-à dizer: empata que ganhas? Scolari, questionado pela TSF disse que “é o regulamento”. Pois.

Apesar de tudo que vençam. Dêem-nos essa alegria e a vós próprios. E não se esqueçam que a bola é esférica. Força! Portugal! Portugal! Vá lá vedetas, domingo pode ser que seja o primeiro dia do resto das vossas vidas nessas contendas. Esmerem-se. Obrigadinho. Força. Pois.

Mário Motta / PG

Bom dia, este é o seu Expresso Curto 

Pedro Santos Guerreiro – Expresso

O voo dos heróis

Aquela é a imagem nítida da vitória. A imagem nitida de uma equipa que tinha tudo para perder e fez tudo para ganhar. O voo do Ronaldo para o 1-0 na meia final. O voo que o suspende acima da humanidade dos outros. O voo para o golo. O voo da seleção. O voo de Portugal. O voo para a final do Europeu de futebol.

É a imagem que está na primeira página do Record, “UM VOO IMORTAL”, ou “o voo fantástico de Cristiano Ronaldo [que] deu asas ao nosso sonho”, como escreve o diretor António Magalhães. A imagem que está na primeira página d’ O Jogo, “LINDO”. “PORTUGAL, JE T’AIME!”, titula A Bola. Tudo em letras maiúsculas. Percebe-se porquê.

Ficou 2-0. “Estamos na final! E, se perdermos, que se f...”, escreveu a Mariana Cabral, citando sem medo o herói maior, Cristiano Ronaldo, no texto sobre a noite de ontem que tem de ler se não puder ler mais nenhum. “Ainda há outros deuses (do futebol moderno) que de vez em quando nos fazem lembrar que o futebol também é jogar com o coração. Como o capitão português, Cristiano Ronaldo”.

Mas se quer ler outros textos, leia este, do Pedro Candeias, sobre Ronaldo. Foi escrito antes do jogo e deve ser lido depois. Como a contra-crónica habitual, que desta vez não deu para ser do contra porque na segunda parte tudo correu bem. “O único fact-checking que interessa é este: a jogar bem ou a jogar mal, estamos na final”, escreve o Azar do Kralj. “Renato acabou o jogo com a mesma idade com que começou”. Outra crónica, do Lá Em Casa Mando Eu: 22 análises especiais e uma palavra para Pepe, ex-paramilitar a soldo. E outra crónica, de José de Pina: “Fernando Santos é engenheiro eletrotécnico. É um homem da técnica e não da arte. O nosso engenheiro não tem um sistema de jogo, tem um sistema elétrico.”

O melhor em campo é o homem que voa”, porque Ronaldo negou as leis da física. Mas herói não é só Ronaldo. Nem só o discreto prodigioso Fernando Santos. Nem o Patrício, o Pepe, o miúdo que agora começa os jogos, o Rebelde que os termina, o meio-campo, a defesa. É a equipa que estava fragilizada, que só empatava, que não dava show. A seleção que se superou e nós com ela.

“Nunca mais é domingo”, escreveu o Expresso cinco segundos depois de o jogo acabar. A final será contra a França ou contra a Alemanha. Disse Ronaldo: “sonhar é grátis”. Sonhar é já voar.

OUTRAS NOTÍCIAS

Depois do “desvio colossal” de Gaspar, o “desvio enormíssimo” de Centeno. Mas o que é “um desvio do plano de negócios de três mil milhões de euros na Caixa”? Menos receitas? Mais custos? Imparidades? O ministro das Finanças não explicou e, pasme-se,nenhum dos deputados perguntou. O Negócios explica: a derrapagem resulta de descida dos juros, quando os planos iniciais esperavam um aumento; e o Económico especifica que esse desvio é acumulado entre 2014 e 2017.

Mário Centeno falava no Parlamento, onde arrancou ontem aComissão Parlamentar de Inquérito à CGD, e responsabilizou o PSD pelos problemas. Passos Coelho ficou em silêncio mas Leitão Amaro falou: “Ministro misturou tudo e deu mais uma machadada na Caixa”.

Se a Caixa está à espera do novo presidente, o Novo Banco está… à espera de novo presidente. Stock da Cunha saiu, como anunciara. Aguarda-se a confirmação da entrada de António Ramalho.

Hoje há debate do Estado da Nação no Parlamento. Quer saber qual é? Veja-o em 12 gráficos. Fomos ver o estado da economia mas também quanto gastam os portugueses em saúde, se a criminalidade aumentou e qual a popularidade do Governo.

A Comissão Europeia decidiu não sancionar Portugal e passar a bola para o Ecofin. A novela prossegue, pois. No Público, António Costa esperar "serenamente".

“Mais do que com sanções, estamos preocupados com medidas adicionais”, diz a agência de rating DBRS, no Observador.

Marcelo Rebelo de Sousa só vai ficar "descansado" quando for aprovado no Parlamento o Orçamento do Estado para 2017.Também no DN.

A Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) revela que um problema informático atrasou os reembolsos do IRS.

Menos impostos é o que pedem os exportadores portugueses, cujas associações se reuniram com António Costa em São Bento.

Perto de 50 infrações nas primeiras horas de funcionamento dos novos radares, noticia o Público. O primeiro dos 30 novos radares em pontos “extremamente críticos” das estradas portuguesasfoi instalado ontem na A5. O ACP diz que a existência da rede “é positiva” mas defende que os dispositivos devem ser colocados em “pontos negros”.

No fim da A5 está Cascais, que quer mais gente a andar de bicicleta e transportes públicos: terá até ao fim do próximo ano 70 quilómetros de ciclovias, 1200 bicicletas partilháveis e 1280 lugares de estacionamento automóvel gratuito junto às estações de transportes.

Foram reveladas as conclusões da Deloitte sobre se a resolução ou liquidação do BES seria pior para os credores: o relatório diz quenum cenário de liquidação os credores comuns receberiam 31,7% da exposição que tinham ao antigo BES.

A Espírito Santo Property já reembolsou a segunda tranche de papel comercial, no montante de 4,8 milhões de euros. Estão já reembolsados 12 milhões de euros, 40% dos 30 milhões em causa. Se o programa continuar a ser cumprido, em 2020 esta sociedade terá sido a primeira do antigo Grupo Espírito Santo a reembolsar integralmente o papel comercial junto de investidores.

Sete anos de inquérito depois, foram reveladas as conclusões do relatório sobre a Guerra do Iraque. Segundo John Chilcot, presidente da comissão que investigou o envolvimento britânico no conflito armado, "concluímos que o Reino Unido escolheu juntar-se à invasão do Iraque antes de esgotar as opções pacíficaspara um desarmamento. A ação militar não era, na altura, o último recurso". Tony Blair é fortemente criticado, o que o levou a publicar um comunicado dizendo que agiu no “melhor interesse” do Reino Unido, admitindo “pena, arrependimento e culpa”.

“A guerra no Iraque não foi um disparate nem um erro. Foi um crime”, escreve Owen Jones no The Guardian.

O Parlamento Europeu aprovou uma espécie de “programa de Governo” da UE: as prioridades estratégicas para o Programa de Trabalho da Comissão para 2017, num momento em que se debate o Brexit.

A libra continua a desvalorizar depois do referendo que aprovou o Brexit. Estás no valor mais baixo dos últimos 31 anos, explica o Financial Times. Baixou de 1,5 para 1,3 dólares no último mês.

Felipe González propõe que o PSOE aceite negociar com Mariano Rajoy. E que este forme governo o quanto antes. O ex-presidente do governo de Espanha defende-o em artigo de opinião no El Pais.

Oscar Pistorius foi condenado a seis anos de prisão pelo assassinato da sua namorada, Reeva Steenkamp. No New York Times.

O Tribunal Supremo de Angola abriu um processo disciplinar ao juiz que condenou ativistas políticos, incluindo Luaty Beirão, noticia o Público.

Dois homens, Mohammed Amri e Ali Oulkadi, acusados de terem ajudado Salah Abdeslam, o suspeito chave dos atentados de Paris, foram entregues pela Bélgica às autoridades francesas.

“A hipótese de um atentado em Portugal não deve alarmar a sociedade, mas também não pode ser descartada”, diz Alexandre Guerreiro, que esteve sete anos na secreta portuguesa, e publicou o livro “Islão, o Estado Islâmico e os Refugiados” (Quimera).

“Saddam Hussein era um gajo mau, certo? Ele era um gajo mau, mesmo mau (…) Mas sabem o que ele fazia bem? Ele matava terroristas”. Donald Trump defende que o Médio Oriente estaria melhor se os ditadores Saddam Hussein e Muammar Kaddafi permanecessem no poder. Num discurso de ontem, Trump não só elogiou Saddam como disse estar arrependido de ter retirado da sua conta no Twitter uma imagem considerada anti-semita, conta o New York Times.

A dois meses do início do ano letivo, o governo lançou um plano contra as praxes. Haverá medidas de prevenção. E uma linha telefónica e endereço eletrónico para denúncias de praxes abusivas.

Os sindicatos dos médicos querem uma reunião urgente com o Ministério da Saúde "exigindo um claro compromisso" para resolver " graves problemas", noticia o DN: incluindo a reposição do pagamento integral das horas extraordinárias, revisão da grelha salarial e a criação de incentivos são alguns dos pontos da lista.

"O povo português está a desaparecer", explica o Nicolau Santos. É o 2:59 desta semana.

Mas está sempre a aparecer. Heróis? Sim, ainda. Dulce Félix conquistou a medalha de prata nos 10 000 metros dos Europeus de Atletismo, que decorrem em Amesterdão.

FRASES

"Como havia um cogumelo grande que servia de apoio ao mais pequeno, ocorreu-me como é importante a posição do Presidente relativamente ao governo quando tem de enfrentar dificuldades”.Marcelo Rebelo de Sousa, citado no DN.

“A NATO pode ter muitos defeitos mas ainda é o único sítio onde os europeus pensam estrategicamente e o culpado disso chama-se EUA”. Bernardo Pires de Lima, no DN.

“A Comissão Europeia poderá propor sanções, mas é ao Conselho, onde a família PPE representa seis governos apenas, que competirá decidir. Os socialistas são muitos mais. Sanções a Portugal, só se a Esquerda quiser.” Nuno Melo, no Jornal de Notícias.

“O plano económico do governo ainda não tem pés, tronco e cabeça”.André Macedo, no DN.

“Graças à ganância do ecossistema do futebol, os melhores jogadores do mundo chegam mortos-vivos aos momentos mágicos da carreira.” Pedro Ferreira Esteves, no Negócios.

O QUE EU ANDO A LER

Tome já nota: ainda não é este sábado, mas a partir do seguinte (16 de julho), que o semanário Expresso passa a oferecer a coleção essencial de Camilo Castelo Branco. Aqui se falará entretanto disso, e do “Amor de Perdição”, primeiro livro distribuído. Mas hoje é dia de heróis. E “o que eu ando a ler” é o que o caro leitor devia ver e mostrar aos amigos, aos filhos, aos filhos dos amigos e aos amigos dos filhos. Porque se para quem sabe a história este documentário é um prodígio para a memória, para quem não sabe ele é um ensinamento.

Ele era ainda criança quando viu a mãe ser mortalmente atropelada. Teve "de criar-se a si mesmo", "de cantar, de rir-se mais alto que os outros", de "criar esta personalidade que o ajuda a crescer", "mais extrovertido, mais contador de histórias, mais risota". "Ele como pessoa era um falso alegre", "tinha uma tristeza natural de ter ficado órfão muito cedo".

Em criança ele era o Fernando, no liceu era o Maia, na história ficou Salgueiro Maia. Na história do 25 de abril. Na história de Portugal.

Era um aspirante que fazia perguntas, a pergunta "porquê?", numa voz “que se notava”, com "um certo sentido de humor", ele "era uma pessoa de ação". O 25 de abril começou para ele em novembro. Na madrugada certa, a coluna marchou para Lisboa. A coluna que a mulher, Natércia, viu por entre as frinchas dos estores.

"Há ali a construção de um sonho. E é uma construção a dois. E ele vai-se embora". Pausa. Lágrimas. "É difícil." Ele dissera à saída: "Se isto correr mal, se eu chegar a Lisboa e não aparecer ninguém eu escaqueiro aquilo tudo". "Ele ia para os cornos do boi". E foi.

Em Lisboa, avançaria contra o tanque na Rua do Arsenal com uma granada no bolso. "Os únicos atos individuais de coragem foram feitos pelo Fernando, quando ele vai sozinho enfrentar os carros de combate na Ribeira das Naus" ou quando entra no Quartel do Carmo, "ele vai sozinho, não arrasta ninguém com ele. É um ato de coragem individual muito grande". De coragem e respeito. “Fez a continência ao primeiro-ministro que prendeu”.

“Vencer sem combater”, foi o que ele fez. "É no limite que as coisas não correm desastrosamente", quer na rua do Arsenal, “quer depois no Carmo", quando o helicóptero sobrevoa. “É nosso”, disse ele. Não sabia se era.

Seria depois maltratado pela hierarquia militar, posto na prateleira, "nunca lhe perdoaram ele ser o herói do 25 de abril". Mas o pior trato seria do cancro que o matou, o cancro de que já toda gente sabia menos a mulher, que ele quis poupar. No fim "o gajo ganhou". O gajo era o cancro. Quis ser enterrado em campa rasa "no caixão mais barato que houver", pediu que cantassem a Grândola Vila Morena, para que os oportunistas ao menos tivessem de a cantar ou ouvir.

"O capitão que enganou a tristeza" é um documentário em vídeodo Expresso sobre o herói Fernando Salgueiro Maia. Um trabalho documental, histórico, testemunhal, que está para ser visto e fica para ser revisto. O trabaho da Manuela Goucha Soares e do João Santos Duarte, com grafismo do João Roberto, deixa-nos emocionados. Do princípio ao fim.

"Estamos a fazer isto para que ninguém mais tenha de sair de Portugal por causa do que diz, escreve ou pensa", disse Salgueiro Maia no Carmo a Adelino Gomes, que fora seu colega de liceu. E o jornalista explica:

"É uma definição da liberdade".

É uma definição da liberdade.

Tenha um dia bom. Afinal, hoje é dia de heróis.

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