terça-feira, 26 de abril de 2016

Portugal. O SACO AZUL

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Segundo o Expresso, o Ministério Público tem em seu poder uma lista de nomes de pessoas a quem o Grupo Espírito Santo untou as mãos com avenças clandestinas pelo menos durante os últimos vinte anos. De acordo com a mesma fonte, as autoridades encontraram ainda uma fortuna de dois milhões de euros em notas armazenadas numa dependência usada pelo mesmo grupo.

Da lista dos beneficiários desse prestimoso saco azul fazem parte, ainda e sempre nos termos da notícia do semanário, políticos, autarcas, funcionários públicos, gestores, empresários e jornalistas, que dispõem de contas offshore onde amealham as retribuições subterrâneas e isentas de impostos, algumas delas bastante generosas, em troca dos favores prestados ao grupo especializado em actividades de latrocínio fino, polido e abençoado. E que nós, os contribuintes, continuamos a financiar sob a mirada severa e titular dos autocratas do Banco Central Europeu, que se recusam a prestar contas aos Parlamentos eleitos.

O Expresso revela que o conteúdo da lista é “explosivo”, adjectivação que não se presume exagerada. O rol não será mais que uma faceta do terrorismo de gravata e luva branca que há muito mina as nossas vidas, fazendo do 25 de Abril aquilo em que nunca deveria ter-se transformado.

Políticos, autarcas, funcionários públicos, gestores, empresários, jornalistas: as categorias onde se move a fina flor de quem gere efectivamente o país naquilo que ainda sobra do espaço de decisão absoluta sequestrado pela União Europeia. Quarenta e dois anos depois do primeiro dia da Liberdade, há neste recanto europeu um povo que tem de liberdade o pouco que escapa ao sistema de poder discricionário montado por tecnocratas não-eleitos e manipulado por polvos de corrupção onde vale de tudo um pouco: de políticos avençados por banqueiros ladrões à fuga organizada aos impostos; de propagandistas pagos para mentir a gestores peritos em falcatruas; de funcionários que minam o Estado por ordem da venalidade privada a empresários bem-sucedidos sobretudo na economia clandestina, a autarcas que vendem os votos dos cidadãos por maços de notas armazenadas sub-repticiamente.

É fundamental que os portugueses conheçam o conteúdo da lista. Não direi que será chegado o dia das surpresas, porque em matéria de poder abutre e cleptocrata já poucas coisas poderão suscitar espantação. Desse conhecimento, no entanto, poderão os cidadãos extrair pelo menos duas conclusões: quanto vale realmente o seu voto depositado nas urnas; e que essa lista será apenas uma entre outras num infecto pântano de podridão, sem contar as que funcionam sem terem versão escrita. Os beneficiários podem ter as contas no Panamá ou mesmo em offshores de boa cepa e mais à mão, talvez no Luxemburgo, quiçá na Holanda, provavelmente na Suíça, ou mesmo no Liechtenstein.

Porém, saber só por saber não obsta a que tudo continue na mesma, neste país que dizem de brandos costumes. É preciso agir, com as armas democráticas que ainda temos na mão. Foi também para isso que se fez o 25 de Abril.

Ou não?

*Mundo Cão

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