segunda-feira, 23 de abril de 2012

Portugal - Cadilhe: “ A PAZ SOCIAL PODE ESTAR EM PERIGO”



Económico

Miguel Cadilhe admite que a coesão social em Portugal está ameaçada

O ex-ministro das Finanças, de Cavaco Silva, alerta para a necessidade de "os sacrifícios serem distribuídos com justiça". E embora refira que não aprecia a palavra revolta, admite "que a paz social, a coesão social, possa estar em perigo". "É a tese da "multidão" de que nos falava Adriano Moreira há uns tempos", acrescenta em entrevista ao jornal i.

"Acho que têm faltado o que chamo "contrapesos" sociais, digo medidas para contrapesar as medidas de austeridade aos olhos dos relativamente ou subjectivamente mais sacrificados. O que defendo é um reformismo estrutural do Estado e uma forte salvaguarda da equidade. A equidade está a sofrer, não tenhamos dúvidas quanto à gravidade disso. Temos o dever de ponderar as consequências sociais que advêm de coisas dolorosas para a maioria das pessoas, como profundos cortes da despesa pública; reconceituações e contenções do Estado social; aplicações generalizadas da regra utilizador-pagador; aumentos de tarifas de muitos serviços públicos; agravamentos de impostos ordinários sobre consumo, rendimento e património; subida do desemprego; e várias outras decorrências dos programas de ajustamento da troika que estão a ser executadas". O ex-ministro das Finanças volta a defender um imposto sobre a riqueza líquida, um imposto extraordinário, sobre os mais ricos.

Na mesma entrevista Miguel Cadilhe diz que "a crise foi vítima de Sócrates, de outros também, cá dentro e lá fora. Depois a crise vitimou Sócrates". E refere que actual "governo não tem pano para mangas, não tem fazenda, que era a forma antiga de designar o ministério das Finanças".

"Uma política de relançamento e crescimento tem de ser financiada, ora nós estamos prisioneiros de uma prisão financeira, a cumprir pena que em grande parte merecemos. Os juízes e os carcereiros não consentem, para já, muitas das políticas sociais e anulam ou mesmo subvertem a política económica anticíclica, no caso anti-depressão, e as políticas de crescimento e emprego. O ano de 2013 poderá ser melhor do que 2012 se a conjuntura mundial ajudar e puxar pelas nossas exportações. A locomotiva do nosso crescimento não poderá ser interna", defende.

O antigo homem forte do BPN antes das intervenções do Estado no banco privado critica ainda a nacionalização e a "brilhante trindade" - Sócrates, Teixeira do Santos e Constâncio. Questionado sobre se pior negócio para os contribuintes chama-se BIC, Cadilhe responde: "Não. Chama-se nacionalização. Ou se quiser, chama-se Sócrates, Teixeira dos Santos, Constâncio, a brilhante trindade que contemplou a coisa e contemporizou durante anos, agitou-se e assustou-se connosco no verão de 2008, negou-se então a assumir o erro das omissões ou cumplicidades passadas, alegou um absurdo risco sistémico, decretou apagar todos os pecados, e nacionalizou. Um erro calamitoso".

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