sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Portugal: O ESCÂNDALO DA NACIONALIZAÇÃO DO BPN QUATRO ANOS DEPOIS




Henrique Monteiro – Expresso, opinião, em Blogues

Passam hoje quatro anos sobre a nacionalização do BPN. E passam mais de 3,5 mil milhões de euros (quase o corte necessário na reforma do Estado) em custos para os contribuintes, segundo estimativas de técnicos especializados. E podem passar até 6,5 mil milhões, se os ativos nacionalizados se continuarem a degradar.

Eu fui contra a nacionalização, apesar dos conselhos avisados do então ministro das Finanças o qual, para ser justo, foi acompanhado por quase todos - senão todos - os economistas e comentadores, que alertavam para um risco sistémico caso se deixasse o banco falir.

Não pretendo que eles não tinham razão, ou que eu previ o descalabro que hoje conhecemos. Apenas quero chamar a atenção para um facto muito claro: as decisões políticas não podem ter racionais apenas económicos; têm de levar em conta aspetos de confiança, de ética e, sobretudo, de justiça. Em 15 de novembro de 2008, tive oportunidade de escrever estas linhas na edição do Expresso:

"O sinal que o Estado dá, ao nacionalizar o banco e garantir o dinheiro daqueles que lá o puseram, é de que, afinal, não havia risco nenhum (no BPN). Quem perde? Simples: o contribuinte que vai pagar e o investidor prudente que, por não acreditar na espécie de 'bacalhau a pataco' que Oliveira Costa vendeu, pôs o dinheiro noutros bancos, embora a render menos".

Passados quatro anos não acrescento nem retiro uma linha. 

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