quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Paulo Portas: "Portugal fará tudo para melhorar ainda mais as relações com Angola"

 

Jornal i - Lusa
 
O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, na sequência do inquérito-crime do Ministério Público português a altos dirigentes angolanos, disse hoje à Lusa que Portugal fará tudo para melhorar ainda mais as relações com Angola.
 
Sem se referir diretamente à investigação do Ministério Público, que motivou na segunda-feira um editorial do estatal 'Jornal de Angola' alertando para as consequências do processo nas relações com Portugal, Paulo Portas disse à Lusa que o "Governo português fará tudo o que está ao seu alcance para melhorar ainda mais as relações com Angola e não deixar que nada as prejudique".
 
Para Paulo Portas, o relacionamento entre os dois países atingiu "níveis de excelência" que o Governo Português, diz o ministro dos Negócios Estrangeiros, "está empenhado" em preservar e desenvolver.
 
"Entre os exemplos deste relacionamento estão o facto de cerca de 120 mil portugueses trabalharem hoje em dia em Angola e cerca de oito mil empresas portuguesas exportarem para Angola, que se tornou no mercado não europeu para a nossa economia", disse ainda o ministro dos Negócios Estrangeiros.
 
"Ao mesmo tempo", acrescentou Paulo Portas, "inúmeros interesses e investimentos angolanos fizeram o seu caminho e ganharam um espaço muito relevante em Portugal. Como é evidente, tudo isto é tão importante para os dois países que o Governo português fará tudo o que está ao seu alcance para melhorar ainda mais as relações com Angola e não deixar que nada as prejudique".
 
Para o ministro, as relações entre Angola e Portugal são, e vão continuar a ser, uma "prioridade da máxima importância da política externa portuguesa" e sublinhou que o "Governo constituído depois das recentes eleições" é, para Portugal, "uma garantia de amizade entre os dois estados e de cooperação entre os dois povos".
 
O semanário 'Expresso' noticiou em manchete no sábado que o Ministério Público português está a investigar três altos dirigentes do regime angolano -- Manuel Vicente, vice-Presidente de Angola e ex-administrador da petrolífera Sonangol; o general Hélder Vieira Dias, mais conhecido como "Kopelipa", ministro de Estado e chefe da Casa Militar do Presidente angolano, José Eduardo dos Santos; e Leopoldino Nascimento, consultor do general "Kopelipa" -- por suspeitas de crimes económicos, mais concretamente indícios de fraude e branqueamento de capitais.
 
Segundo o "Expresso", o inquérito-crime está na fase inicial e ainda nenhum dos três dirigentes angolanos foi ouvido nem constituído arguido.
 
Só Manuel Vicente prestou declarações ao 'Expresso': "Não fui notificado por ninguém e por isso desconheço o que se passa. De qualquer modo, todos os meus investimentos em Portugal estão perfeitamente documentados junto da autoridades competentes."
 
Em janeiro -- e, depois, novamente em julho -, o ativista angolano Rafael Marques depôs como testemunha na queixa apresentada por um cidadão angolano residente em Portugal, tendo sido chamado pelo que tem investigado sobre "a corrupção em Angola".
 
Segundo disse Rafael Marques à Lusa na altura, a queixa versava "uma longa lista", de duas dezenas de cidadãos angolanos com "investimentos e propriedades em Portugal", acusando-os de "branqueamento de capitais".
 
Na segunda-feira, o 'Jornal de Angola' escreveu em editorial que o inquérito-crime do Ministério Público português "prejudica as relações entre Portugal e Angola".
 
Para o diário angolano, "as elites políticas portuguesas odeiam Angola e são a inveja em figura de gente" e o editorial considera que as referidas elites "vivem rodeadas de matilhas que atacam cegamente os políticos angolanos democraticamente eleitos, com maiorias qualificadas".
 

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