quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Moçambique: FRELIMO PEDE DESARMAMENTO TOTAL DA RENAMO

 


Maputo, 19 Fev (AIM) A bancada da Frelimo na Assembleia da República (AR), o parlamento moçambicano, reiterou hoje, em Maputo, a urgência de desarmar todos os homens armados da Renamo, maior partido da oposição e antigo movimento rebelde, para que abandonem definitivamente a violência e a guerra.

Segundo a Chefe da bancada parlamentar da Frelimo, Margarida Talapa, os moçambicanos esperam ansiosamente que a Renamo assuma a sua responsabilidade na consolidação da paz e da democracia,
cessando os ataques que continua a perpetrar, semeando luto e dor nas famílias moçambicanas.

É imperioso desarmar todos os homens da Renamo para se reinserirem na sociedade como cidadãos verdadeiramente livres, afirmou Talapa, discursando na abertura da IX Sessão Ordinária do mais alto órgão do poder legislativo em Moçambique.

Talapa explica que o abandono das armas, por parte da Renamo, é uma urgência e exigência dos camponeses, trabalhadores, professores, pessoal da saúde, empresários, investidores e crianças.

Depois do pacote eleitoral, a desmilitarização da Renamo é uma das questões que vai a mesa do diálogo, entre o Governo e a Renamo, no ponto da agenda sobre Defesa e Segurança.

DEPÓSITO DO PACOTE ELEITORAL É SINAL DE COMPREENSÃO DA RENAMO

Para Talapa, o facto de a Renamo ter depositado o projecto de revisão do pacote eleitoral na AR significa que esta formação compreendeu o sentido e o alcance dos reiterados apelos do estadista moçambicano, Armando Guebuza, de que o diálogo sério e construtivo a única via para a resolução dos problemas e ultrapassar as diferenças.

Talapa prometeu que a bancada da Frelimo discutirá abertamente e com celeridade o projecto submetido pela Renamo a AR, saído da mesa do diálogo.

A bancada da Frelimo está pronta e aberta para, com celeridade que se impõe, trabalhar para a revisão da legislação eleitoral, referiu.

Com efeito, o parlamento agendou para esta quinta e sexta-feira da semana corrente o debate e aprovação, em sessão plenária, do projecto de revisão das cinco leis que compõem o pacote eleitoral.

Inicialmente, o primeiro ponto da agenda da AR contemplava informações e perguntas do governo. Contudo, esta matéria será analisada mais tarde devido a necessidade urgente de se alterar o pacote eleitoral.

Refira-se que a Renamo condicionava a sua participação nas eleições gerais de 15 de Outubro próximo, à alteração do pacote eleitoral por forma a acomodar as suas pretensões eleitoralistas.

Enquanto isso, a ala militarizada da Renamo pressionava a alteração do pacote, através de ataques a alvos civis e militares, sobretudo na província central de Sofala.

Assim, Talapa saudou a decisão da Renamo de participar nas próximas eleições gerais, afirmando que desta forma este partido agiu
como uma genuína força politica não armada.

BOM SENSO DEVE PREVALECER NA MAGNA CASA
RENAMO

Por sua vez, a Chefe da Bancada parlamentar da Renamo, Angelina Enoque, disse esperar que o bom senso que prevaleceu na mesa do diálogo com o governo, em torno do pacote eleitoral, continue na magna casa para que este instrumento seja aprovado por consenso.

Uma das grandes espectativas, segundo Enoque, é a aprovação
em tempo útil da legislação eleitoral para que compatriotas nossos possam integrar os órgãos eleitorais e partilhar as actividades que infelizmente já estão em curso.

Angelina Enoque, que também falava na abertura da IX sessão ordinária da AR, referia-se claramente ao recenseamento eleitoral de raiz que arrancou Sábado passado.

Ela elogiou as partes intervenientes no diálogo (Governo e Renamo), pela forma como
conseguiram deixar de lado as diferenças e se uniram no interesse comum: a paz.

MDM ACUSA FRELIMO E RENAMO DE PROMOVEREM DIÁLOGO BIPARTIDÁRIO

Enquanto isso, o Chefe da bancada parlamentar do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Lutero Simango, acusou o partido governamental, a Frelimo, e a Renamo de promoverem um diálogo bipartidário.

Falando na abertura da IX sessão ordinária do parlamento, Simango recordou que os moçambicanos deram mandato não só a Frelimo e a Renamo, mas também ao MDM, como seus representantes na Assembleia da Republica.

Hoje, querendo como não, o MDM, partido político sem história militar, é um factor com que se tem de contar, quando se analisa e se decide sobre o futuro de Moçambique, sublinhou Simango.

A fonte referia-se aos consensos alcançados no diálogo entre o Governo e a Renamo em torno do pacote eleitoral que vai a debate, na AR, quinta e sexta-feira.

Contudo, Simango disse esperar um debate honesto, aberto e
livre do maquiavelismo, pois estaremos atentos as manobras e encenações visando acomodar interesses de uns contra outros, em detrimento do voto e mandato do povo.

Segundo Simango, as últimas eleições autárquicas provaram que os mecanismos, os procedimentos, o funcionamento, bem como a gestão das mesas de voto constituem
o centro do problema do sistema eleitoral moçambicano.

(AIM) mz/sg
 

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