segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Angola: AS TRISTEZAS DA VILA VITÓRIA




Habitantes culpam empresa por insuficiências e a construtora diz que não foi paga pelas FAA e culpa a municipalidade pela falta de estruturas sociais

Agostinho Gayeta – Voz da América

Moradores do Condomínio Vila Vitória acusam a empresa Grupo Tamar de não providenciar condições sociais dignas na zona habitacional conforme acordo prévio no acto de aquisição dos imóveis.

Ruas não asfaltadas, deficiência de saneamento básico e de água potável canalizada, de escolas e hospitais para além de falta luz eléctrica da rede pública são as preocupações que tiram o sossego aos moradores da Vila Vitória, no Município de Belas, na zona do Kikuxi.

Entretanto, a empresa acusa as Forças Armadas de Angola(FAA) de não cumprir o estipulado em acordos e de não pagar o que deve à empresa, acrescetando que a construção de estruturas sociais não depende da empresa, mas sim da municipalidade que nada faz.

Os residentes afirmam que da construtora da Vila Vitória, a empresa Grupo Tamar, tinha recebido a promessa de que as condições sociais seriam melhoradas, porém volvidos quase doze meses a situação continua na mesma estaca, as promessas não foram cumpridas e os moradores continuam a viver os mesmos problemas. Contam alguns que o uso de geradores e de reservatórios de água têm sido os recursos para iluminação e para não faltar água em casa. Daí o grito de socorro aos mentores do projecto no sentido de cumprirem as cláusulas do contrato.

Zorinda Chilombo vive na Vila Vitória há seis meses e diz que tem sido obrigada a percorrer longas distâncias por forma a garantir saúde e a formação dos seus petizes.

A insegurança também faz moradia no condomínio, já que ainda não está totalmente vedado e nos arredores não existe nenhum posto policial.

Com mais de 200 casas do tipo T3, algumas das quais ainda em construção, apenas 10 famílias habitam na Vila Vitória, que é circundada por centenas de casas de baixa renda.

A Tamar é a responsável pela construção de casas para desmobilizados e militares nas províncias do Kwanza Sul, Huambo, Huíla e Kuando Kubango, além de Luanda,. onde já edificou mais de 500 fogos habitacionais em cinco bairros diferentes, nomeadamente Vila Vitória, com casas do tipo T3, localizada no Município de Belas, na zona do Kikuxi, Condomínios Vilas Persistência 1 e 2, Vila Esperança, localizada no Zango 3 e a Vila Paulino Pinheiro, no Kalumbo, município de Viana.

Em todo país a Tamar pretende construir 500 mil casas, em cinco anos, de acordo com o contrato estabelecido com as FAA.

Celeste de Brito, Directora Executiva do Grupo Tamar, não aceitou falar sobre o valor exacto do contrato assinado com as FAA.

“Numa primeira fase vamos conceder 50 mil casas para baixa, média e alta renda. Definimos 5.600 casas sociais para cada uma das províncias e 1.500 casas para as habitações de média e alta renda”, sublinhou.

Garantir a dignidade dos militares e viúvas de antigos combatentes foi o que motivou a concepção deste projecto habitacional ligado às Forças Armadas Angolanas.

As casas sociais constituem-se em modelos T3, com 100 metros quadrados, sendo a T5 com uma dimensão de 175 metros quadrados e a T6 com 200 metros quadros. Para as casas T3, a Cooperativa de Militares cobra 60 mil dólares e para T5 e T6, os valores estão fixados em 150 e 250 mil dólares.

Em relação aos preços das residências, o Grupo Tamar diz que são os mais baixos do mercado e que a negociação com as FAA foi feita pensando na possibilidade de oferecer aos militares maior dignidade.

Porém dignidade é o que os moradores da Vila Vitória reclamam. Eduarda Morais explica que chegou mesmo a vender a sua vivenda no centro da capital angolana para encontrar o sossego nesta vila habitacional. A inquilina da Vila Vitória diz sentir-se segura no seu novo bairro, não fosse a falta de condições sociais básicas, por isso reclama pela dignidade que lhe é de direito.

Os gastos na compra de combustível e o barulho dos geradores, devido a falta de energia eléctrica, retiram o sossego de quem pensou que longe da cidade teria um canto mais sereno para descansar e desfrutar da reforma.

Celeste de Brito, Directora Executiva do Grupo Tamara, diz que a falta de condições sociais do condomínio resulta do incumprimento da parte das Forças Armadas Angolanas das cláusulas do contrato.

“Nós construímos, segundo o contrato, as FAA ou a Pérola Verde, pagaria-nos e descontariam nos salários dos clientes trabalhadores”, explicou.

A Director da Tamar diz que apesar da gestão ser conjunta, o seu Grupo até agora ainda «não recebeu nenhum financiamento».

«Estamos agora em negociações com alguns bancos, que com certeza se nós tivéssemos algum não nos seria muito difícil com mais 20 ou 30 por cento colocarmos aqui as condições básicas”, afirmou.

Quanto à falta de infraestruturas sociais na Vila Vitória, a Tamar atribui responsabilidades à Administração Municipal de Belas, onde o condomínio está localizado. A Directora Executiva da Tamar diz não fazer parte do contrato a construção de escolas, hospitais e lugares de lazer.

A construção das Vilas sob a responsabilidade da Tamar fazem parte do projecto de construção de um milhão de casas, prometidos em 2008 pelo partido que sustenta o governo angolano, o MPLA.

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